Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Forty-One – The Storm

(A Tempestade)

"Eu coloquei um alarme no escudo que conjurei ao redor d'A Toca e ele acabou de soar."

"O que... mas..." Ginny e os demais olharam para ele. Seu batimento cardíaco acelerou. Não podia ser verdade.

O Sr. Potter se levantou imediatamente, ele abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas um som alto de estalo o deteve. Uma grande bola de fogo apareceu sobre a mesa. Ela desapareceu e apenas uma pena de fênix permaneceu, caindo. Ginny sabia que era o sinal de alerta da Ordem. Já tinha visto antes. O Sr. Potter pegou a pena antes que pudesse tocar a mesa. Ele olhou para ela e assentiu antes de olhar para cima.

"Albus também está ciente." Com um rápido olhar para Harry. "Você vai ficar aqui."

"Que? Não, eu vou." Harry já havia sacado a varinha.

"Eu também quero ir," disse Ginny, levantando-se. Damien também estava de pé, assentindo.

O Sr. Potter sacudiu a cabeça. "O Feitiço Fidelius não permitirá que você entre."

Harry bufou. "Como se ainda estivesse lá."

Ginny tentou agarrá-lo, percebendo o que estava prestes a fazer, mas ele já havia se virado e desaparecido, deixando-a no vácuo. O Sr. Potter xingou e desapareceu também. Com um olhar de advertência e um "fiquem aí," a Sra. Potter e Sirius também desapareceram.

Ginny olhou para Damien, que olhou impotente para ela. Chegando a uma conclusão repentina, ela gritou: "Vamos usar a lareira!" Damien sorriu e assentiu. Eles correram para a lareira na sala de estar. Damien pegou o Pó de Flu e ela pegou um punhado, jogando-o nas chamas. A garota entrou rapidamente, gritando "A Toca." As chamas verdes a levaram e ela rodopiou. Ginny fechou os olhos, prendeu os braços perto do corpo. O rodopio parou e seus olhos se abriram. Ela saiu depressa da lareira, sacando a varinha.

Sua sala de estar estava lotada de gente, mas a maioria parecia confusa e cansada. Não havia luta. Damien apareceu atrás dela, saindo da lareira também. Os olhos de Ginny pousaram em Ron primeiro. Ele estava sentado no chão, balançando a cabeça e chorando. O pai deles e o Sr. Longbottom estavam com ele, ajoelhados ao seu lado, conversando em voz baixa, mas intensamente, com ele. Ron parecia muito pálido e quando virou a cabeça para encarar seu pai, Ginny pôde ver sangue em sua camisa. A Sra. Longbottom também estava pálida e tremia. A Sra. Potter estava ao seu lado, esfregando suas costas, enquanto Tonks lhe oferecia um copo de água, mas ela não aceitou. A mãe dela estava sentada no sofá, Fleur, os gêmeos e o Sr. Lupin ao seu lado.

A porta se abriu e o Sr. Potter entrou, seguido por Sirius e o Professor Dumbledore. Bill e Harry entraram por último. Harry estava extremamente pálido, mas parecia prestes a explodir. Seus olhos encontraram os dela e ela se aproximou dele depressa.

"O que aconteceu?" perguntou Ginny, horrorizada.

"Comensais da Morte," sussurrou ele. "Não consegui identificar o escudo, ele engoliu os outros escudos, tornando-os instáveis, criando um buraco. Os Comensais aparataram e..."

Um copo ao lado deles explodiu, mas os pedaços não voaram longe. Harry respirou fundo. "Ron, Hermione e Nigel estavam do lado de fora."

Ginny se virou, certificando-se de que não deixara de avistá-los, mas estava certa. Hermione e Nigel não estavam à vista. "Onde...?" perguntou ela, com o coração cheio de medo.

Harry balançou a cabeça, as mãos cerradas em punhos. Bill assumiu: "Eles entraram e saíram rápido demais. Quando o reforço da Ordem chegou, já tinham ido embora, nós não conseguimos nem chegar lá fora e estávamos aqui na sala de estar e na cozinha. Eles... eles acertaram Ron com alguma maldição e agarraram Hermione e Nigel e..." Bill respirou fundo. "Eles os levaram, Ginny. Eles levaram Hermione e Nigel."

xxx

Harry ficou no canto da sala de estar. Seu pai ofereceu a casa deles como base de planejamento para o resgate. O rapaz sabia que ele era uma das razões para isso. Seu pai o queria lá; ele sabia que Harry tinha que estar lá, que ele era a chance de entrarem, mas sabia que não era tão fácil.

Estava muito consciente de todos os olhares lançados em sua direção. Tinham levado Hermione e Nigel. Sua cicatriz latejava dolorosamente, mas isso não era novidade. Nos últimos dias, a dor era quase constante. Harry sabia que Voldemort estava zangado com ele; estava desde o dia em que o deixara. Era uma maneira de fazê-lo sofrer pelo que fizera, mas não era o suficiente. Sabia que Voldemort não queria apenas duas crianças; que isso não fazia parte de sua estratégia para derrubar a Ordem. Era outra coisa. E Harry teve a terrível sensação de que sabia do que se tratava. Voldemort queria vingança. Ele queria se vingar de Harry.

A dor em sua cicatriz aumentou e sua vista ficou turva. O rapaz mordeu o lábio, evitando gritar. Voldemort estava com raiva. Algo não deu certo; algo não tinha saído conforme o planejado. Harry enfiou a mão no bolso, virando-se, abrindo o frasco, e engolindo a poção para dor. Ele rapidamente se virou de novo. Não parecia certo não os encarar. Eles ainda pareciam ser inimigos na maioria dos dias. A dor diminuiu e seus olhos pousaram em Ginny. Tinha uma ideia do que não funcionara. O que queriam com Hermione?

Mas estavam com ela. E com Nigel. Suas entranhas se retorceram. Sabia que o que quer que a Ordem estivesse planejando, não daria certo. Por um momento, perguntou-se se eles ainda estavam vivos, mas descartou esse pensamento. Se Voldemort quisesse matá-los, não teria enviado seus homens para capturá-los. Teria vindo, esperando por Harry, certificando-se de que ele visse a coisa toda. Ele queria outra coisa.

Um som estranho, mas familiar, vinha de fora. Harry viu que todos ficaram tensos e sacaram as varinhas. Harry não fez isso. Ele sabia o que estava vindo. A janela se abriu e a águia de Voldemort entrou voando. Ela estreitou os olhos para Harry, acomodando-se nas costas da cadeira mais próxima a ele, com os olhos nele o tempo todo. Por um segundo, o jovem apenas encarou os olhos vermelho-sangue antes de se aproximar. Ela arrepiou as penas e Harry sabia que queria ser alisada, esticando o pescoço. Ela sempre desejou a atenção do garoto. Normalmente, Harry a acariciava uma vez antes de pegar uma carta, agora ele só pegou a carta devagar. Quem sabia o que Voldemort ordenara que o pássaro lhe fizesse? Mas ela apenas o observou atentamente, até esperando um segundo quando Harry retirou o envelope preto. Por um instante, o rapaz pensou que Voldemort queria uma resposta – era a única razão para a águia ter permissão para ficar – mas ela decolou, sua asa roçando no braço do garoto. Ela olhou para trás uma vez, brevemente, antes de sair do cômodo pela janela de onde viera. Era o que ela fazia quando eles voavam um contra o outro, incitando-o a segui-la, a voar mais rápido. Harry se lembrava daqueles dias ensolarados, circulando as torres da Mansão com ela.

Ele balançou a cabeça e olhou para o envelope que estava segurando. Harry o virou e abriu lentamente. O envelope ergueu-se de suas mãos e ficou à sua frente, transformando-se numa nuvem de escuridão através da qual surgiu uma sinistra caveira verde com uma serpente saindo de sua boca. Harry lembrou-se de provocar Voldemort sobre a dramaticidade disso. Ele não sentia vontade de rir agora.

A voz fria de Voldemort encheu a sala: "Eu suponho que tenha recebido minha mensagem e agora esteja ciente da situação. Não tenho que lhe dizer o que acontecerá com aquele pirralho e a sangue-ruim se me desobedecer. Se quer que eles vivam, fará o que eu disser. Volte para mim. Se não estiver aqui hoje ao pôr do sol, receberá os corpos mutilados da garota e da criança ao nascer do sol amanhã. Você sabe o quanto eu desprezo o atraso."

Assim que a última palavra foi dita, a nuvem negra se transformou em uma bola de fogo antes de desaparecer. A Ordem começou a falar, mas Harry não os escutou.

As mãos de Harry tremiam. Ele fechou os punhos e olhou para fora. Ainda tinham tempo até o pôr do sol. Mas não havia como encontrarem um caminho para a Mansão antes disso. Os escudos, feitiços e encantamentos extras eram muito fortes para encontrar uma maneira de contorná-los em um período tão curto de tempo. Precisariam de meses, talvez anos, para decifrar a metade deles. Havia duas coisas que poderiam acontecer a seguir: eles morreriam ou Harry iria até lá. E o rapaz não ia deixá-los morrer.

Ele se virou para a porta. Todos estavam profundamente envolvidos na conversa, talvez nem o notassem até que fosse tarde demais.

"Harry?" perguntou seu pai. Todos tinham parado de falar e olhavam para ele. Seu pai se aproximou e puxou sua manga. Ele se virou e o encarou. "Harry, eu sei que está se sentindo culpado. Não se sinta. Isso não é sua culpa. Nós vamos recuperá-los, eu prometo."

Harry olhou para ele. Não havia como dizer-lhe que iria. Eles não deixaram. Seus olhos correram para Alice e Frank, ambos o encaravam, acenando para as palavras de James, mostrando que concordavam com ele. Harry olhou para sua mãe, Damien, Ron e Ginny, que pareciam assustados. Ele assentiu.

"Fique aqui dentro, o.k.?" sussurrou seu pai. Harry assentiu novamente e saiu da sala, dando dois passos por vez, depois três. Precisava ser rápido. Acabara de fechar a porta e abrir o guarda-roupa quando ela foi aberta novamente. Eram Damien, Ron e Ginny.

"O que está fazendo?" perguntou Damien, chocado. Harry fechou a porta com um aceno de mão.

"Harry, cara, não está pensando em ir até lá, não é?" perguntou Ron. "Hermione não iria querer isso." Ele olhou impotente para ele.

"Não, claro que não," respondeu ele, mentindo entredentes. Ele fechou a porta do guarda-roupa e se aproximou deles. Ron e Damien relaxaram, Harry trancou a porta. Não podiam avisar aos demais. Ginny o observava com atenção. Ele se forçou a sorrir para ela. Não os veria novamente, tinha certeza disso. Voldemort não o queria de volta. Ele queria vingança. Ele o queria morto.

Ele estendeu a mão para Ginny, puxando-a para um abraço. Ela permitiu e ele a puxou para mais perto, alcançando sua cabeça. O rapaz a apertou contra o peito, pensando com toda sua força em um feitiço de sono. Ela desabou sobre ele; ele a segurou na posição vertical e disparou um feitiço estuporante em Ron, que desabou no chão.

"Harry!" exclamou Damien. "Não pode fazer isso." O menino se virou, tentando abrir a porta. Isso não aconteceu. Harry rapidamente empurrou Ginny para a cama e foi até o irmão. Ele se virou para encará-lo novamente. "Não pode me azarar, Harry, sabe disso."

"Sinto muito, Damy, mas eu tenho que fazer isso. Não posso deixá-los morrer."

"A Ordem..." começou Damien.

"A Ordem não pode fazer nada!" trovejou Harry. "Eu tenho que ir até lá."

"Harry, ele vai te matar," implorou Damien. "Você não pode ir, não posso te perder," gritou ele.

"Eu sei o que ele fará comigo, mas não posso simplesmente deixá-los morrer, Damien. Ele não vai parar com eles. Se eu não for hoje, ele levará outra pessoa da próxima vez. Ginny. Você. Mamãe e papai. Isso tem que acabar, Damien. Tem que acabar hoje."

"Eu não vou ficar parado assistindo você caminhar até a morte!" disse Damien com raiva e fechou as mãos em punhos, erguendo-as e o ameaçando.

"Eu sei," disse Harry e atacou. Damien tentou impedi-lo, mas não conseguiu e o outro o atingiu no rosto. Ele foi nocauteado instantaneamente. Harry o pegou, abaixando-o suavemente no chão. Foi até o guarda-roupa novamente, tirando uma capa preta, que rapidamente vestiu. O rapaz se virou, encarando Damien, Rony e Ginny, olhando para eles pela última vez. "Sinto muito," sussurrou ele baixinho antes de se aproximar da janela, abrindo-a e desaparecendo pela noite.

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Tonks ofereceu-lhe uma xícara de chá. Ginny balançou a cabeça, mas Tonks empurrou a xícara na mão dela mesmo assim. Ela pegou, encarando o chá. Suas mãos ainda tremiam, seus pensamentos agitados.

A Ordem os encontrou desacordados no quarto de Harry, que não estava em lugar algum. Ginny não queria dizer que sabia no segundo em que olhou para ele que algo não estava certo, que alguma coisa estava errada. Mas o que importava? Ela balançou a cabeça, sentindo-se mal. Damien repetiu as palavras dele para os demais. A Sra. Potter desmoronara e agora estava sentada em um canto com a Sra. Longbottom. Lágrimas surgiram nos olhos de Ginny, mas ela se forçou a respirar e enxugou-as com raiva. Ainda não acabara. Ainda havia uma centelha de esperança. Ela se levantou e atravessou a sala até a mesa onde estavam o Sr. Potter, o Sr. Longbottom, o Sr. Lupin, Sirius, seu pai, o Professor Dumbledore e vários outros membros da Ordem, debruçados sobre a mesa, estudando vários mapas.

Seu pai olhou para cima quando ela se aproximou. "Eu sei que isso é difícil para você, Ginny, mas temos que encontrar algo. Por que você não volt..." começou seu pai.

"Eu quero ajudar," interrompeu-o Ginny, apertando ainda mais a xícara. Os outros olharam para ela.

"Nós agradecemos, mas não acho que haja nad..." começou seu pai novamente.

"Sério? Quantos de vocês estiveram lá?" Ela acenou para os mapas, supondo que mostravam o "quartel-general das Trevas."

O Professor Dumbledore olhou sério para ela. "Eles lançam feitiços em todo mundo que entra e sai; você não consegue lembrar o layout ou qualquer outra coisa direito," sussurrou ele.

"Eu não me lembro de nenhum feitiço." Eles olharam para ela, chocados. "Acho que eles não queriam que eu saísse." Ela tentou sorrir. "Posso lhes dar minhas memórias."

Dumbledore assentiu e seus olhos pareciam mais brilhantes. "Eu vou pegar minha penseira..."

Ele foi interrompido pela lareira tornando à vida.

"Estão esperando mais alguém?" perguntou o Sr. Potter, puxando a varinha.

As chamas ficaram verdes e de repente havia duas figuras dentro delas. Hermione tropeçou para fora da lareira, os braços em volta de Nigel. Por um momento, o coração de Ginny saltou. Ele sairia atrás deles, ela sabia disso. As mãos de Hermione estavam ensanguentadas. A Sra. Longbottom gritou e foi a primeira a chegar até eles, tirando Nigel de seus braços. Os outros estavam atrás dela, Ron tentando abraçar Hermione, mas ela o empurrou para o lado e se concentrou no Sr. Potter e no Professor Dumbledore.

"Ele não vem," disse ela e começou a chorar. A xícara de Ginny se quebrou aos seus pés, a Sra. Potter gritou, o Sr. Potter sacudiu a cabeça e Damien começou a chorar. Não podia ser verdade.

Dumbledore acenou com a varinha, seu Patrono em forma de fênix desaparecendo na noite. O bruxo, então, aproximou-se de Hermione. "Eu chamei Poppy. Ela vai cuidar de você e de Nigel." Seus olhos cintilaram para a Sra. Longbottom e Nigel, que escondia o rosto em suas vestes. "Pode me dizer exatamente o que aconteceu?"

Hermione olhou para ele. Ela parecia grata quando assentiu. "Claro, Professor Dumbledore." O Sr. Lupin e Tonks a conduziram a uma cadeira e lhe deram uma xícara de chá, que ela recusou. Todos ouviam quando ela começou: "Quando eles nos pegaram, eu nem os vi. Eles nos aparataram bem diante de um portão, mas taparam meus olhos antes que eu pudesse ver muita coisa." Ela respirou, estremecendo. "Quando voltaram para mim novamente, tentaram levar Nigel, mas eu não deixei." Ela olhou para as mãos que ainda sangravam. "Acho que queriam nos separar, mas..." As mãos dela começaram a tremer. "Foi quando ele veio. Eles pararam tudo e se ajoelharam." Inevitavelmente, sua própria captura veio à mente de Ginny e ela se lembrou do silêncio assustador quando colocou os olhos em Voldemort pela primeira vez. Ainda estremecia com aquele momento. "Ele simplesmente... ele olhou para mim... e então..." Ela olhou para cima e virou a cabeça até encontrar Ginny. Elas se encararam. "Uma forma enevoada sua apareceu na sala e ele perguntou se éramos parecidas." Hermione parecia verde. "Ele os torturou quando eles não responderam. Não era a mim que eles queriam, Ginny." Molly soluçou.

"Eu acho que Harry sabia," disse Damien no súbito silêncio. Ginny sentiu vontade de vomitar. Parecia que alguém puxara o chão embaixo dela. Ela tremia mais do que antes. A garota tentou respirar, mas tudo parecia difícil e surreal. Seus pais estavam ao seu lado um momento depois, tentando acalmá-la.

Professor Dumbledore pediu a Hermione para continuar. Ela o fez: "Ele foi embora novamente, mas eles não fizeram nada comigo e com Nigel. Eu não sei quanto tempo ficamos lá sentados – eu não aguentava mais – até que ele voltou. Um número muito maior de Comensais da Morte chegou... eu tentei reconhecê-los, mas não pude..." Ela respirou fundo novamente. "Foi quando Harry chegou." Por um segundo, ela parecia desamparada, mas se recompôs. "Eles falavam, mas não sei o que diziam. Ele, então, ordenou que eu e Nigel nos aproximássemos, e eles me arrastaram até ele e... Harry disse que ele tinha dito que nos deixaria ir, mas ele disse que 'os Comensais da Morte deveriam se divertir primeiro' e que faria Harry assistir." Novas lágrimas se formaram em seus olhos. "Tudo ocorreu tão rápido depois disso... acho que Harry conseguiu pegar a varinha de um deles, ele usou um escudo e abriu algum tipo de porta e nos agarrou, e, antes que eu percebesse, nós estávamos correndo e... chegamos a uma pequena sala, eu acho que é para os elfos domésticos e havia lareiras minúsculas e ele me forçou em uma e me entregou Nigel e o Pó de Flu, e me disse para vir para cá e... eu perguntei como ele iria fugir... ele..." Hermione respirava pesadamente. "Ele me disse para pensar em mim e em Nigel... os Comensais da Morte estavam tentando abrir a porta quando eu disse o destino e as chamas me pegaram."

Houve um silêncio absoluto por um longo momento. Ninguém parecia saber o que dizer. A visão de Ginny estava turva com as lágrimas. Sua mãe acariciou suas costas, mas não estava ajudando.

"Albus, o que vamos fazer agora?" perguntou Sirius por fim, andando pela sala.

O Professor Dumbledore levantou a cabeça e dirigiu-se a todos: "Temos que esperar por Severus. Ele é o único que pode nos ajudar a chegar até Harry. Não percam a esperança, Harry sairá dessa."

Ele, então, virou-se para Ginny e perguntou baixinho: "Ainda posso ver suas memórias?"

Ela assentiu, ainda tremendo com o relato de Hermione. "Claro," respondeu ela, mas sua voz estava plana e rouca. Ainda havia alguma esperança?

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Eles tinham um plano. Ginny não sabia exatamente como deveria ser feito e, se dependesse de seus pais, ela também não descobriria como isso se daria na realidade. Mas rezava para que funcionasse, estivesse ela lá ou não. Precisava dar certo. Não podia continuar sem Harry e não conseguia sequer começar a imaginar como seria perdê-lo de verdade. Não queria ouvir e ler sobre o seu corpo mutilado sendo encontrado. Não conseguia nem pensar no que devia estar acontecendo com ele naquele exato momento.

Snape e Malfoy queriam ajudar. Parecia estranho que aqueles dois fariam a diferença, que os dois que ajudariam Harry a sair de lá. Ginny não sabia muito sobre Malfoy. Sabia que ele e Harry se conheceram quando eram crianças e que se tornaram amigos, mas Harry raramente falava sobre ele e tinha sido um choque até mesmo para ela quando Malfoy revelou que eles dois trocaram cartas nas últimas semanas e até se encontraram algumas vezes. A garota sentiu uma espécie de vazio ao saber que Harry não compartilhara isso com ela. Mas aquilo poderia ajudá-los agora. Se realmente ninguém além de Harry, Snape e o Professor Dumbledore soubesse da verdadeira lealdade de Malfoy, isso poderia dar certo.

O plano era que Malfoy, Damien e Snape entrassem na Mansão, Snape levando Damien e Malfoy para dentro. Malfoy tentaria convencer Voldemort de que capturara Damien para devolver a Layhoo Jisteen enquanto, na verdade, escondia um feitiço de rastreamento que permitiria que a Ordem os seguissem. O plano já estava em ação, eles já haviam partido.

Tonks foi designada a ficar no Largo Grimmauld com ela, Ron e Hermione. Eles tinham mudado de localização, precisando de mais espaço do que o que a Mansão Potter poderia fornecer. Ron e Hermione estavam encolhidos em um canto; Ron segurava as mãos de Hermione, sussurrando com ela. Ginny não estava prestando tanta atenção neles. Estava concentrada em Tonks, que segurava um espelho nas mãos. A princípio, parecia um espelho normal, mas Ginny sabia que se tratava de um espelho de dois sentidos que poderia ser usado para se comunicar com a pessoa que tinha o outro. O Sr. Lupin a alertaria quando a batalha de verdade começasse. Era dever de Tonks alertar o Ministério e os aurores. No momento, apenas os membros confiáveis da Ordem sabiam o que estava planejado para acontecer. Não podiam deixar as pessoas erradas saberem, mas era essencial que pudessem obter tanta ajuda quanto necessário, caso precisassem.

Ginny queria ir com eles, mas seus pais e irmãos mais velhos tinham sido inflexíveis, dizendo para que ela ficasse, e, por fim, foi o Professor Dumbledore quem tomou a decisão: só os membros da Ordem poderiam ir. Alice escolhera ficar para trás, mesmo que só por algum tempo para acalmar Nigel. Todos os outros saíram. Ginny ainda tinha esperança de participar quando a batalha começasse ou que pudesse fugir e lutar de qualquer maneira. Mas sua esperança subitamente diminuiu quando percebeu onde estava: no Largo Grimmauld. Não podia deixar o lugar sem que um membro da Ordem a levasse. Tonks era sua única esperança. Se tivesse muita, muita sorte, poderia convencê-la a levá-la junto.

"Nada ainda?" perguntou Ginny mais uma vez. Tonks balançou a cabeça, mas olhou para o espelho mesmo assim, talvez para ter certeza. Ela o colocou sobre a mesa e suspirou.

A mais velha olhou para cima e encontrou os olhos de Ginny. "Como está se sentindo?"

Ginny deu de ombros e desviou o olhar. Estava se sentindo horrível, o medo a consumindo por dentro, mas se forçou a permanecer calma. Começar a pirar não a levaria a lugar algum. "Onde você acha que eles estão?" perguntou ela por fim.

"Difícil dizer." Tonks olhou para o relógio. "Mas devem entrar em breve."

"Quando você alertar o Ministério... também vai lutar, não é?" perguntou Ginny cuidadosamente.

Tonks assentiu. "Sim, claro."

"Pode me levar?" perguntou a garota, olhando suplicante para ela.

Tonks parecia desconfortável. "Ginny, não acho que seja uma boa ideia."

Ginny suspirou. "Por favor, eu preciso estar lá."

"Seus pais disseram que você deveria ficar aqui."

Parecia que a conversa delas tinha sido ouvida pelos outros dois, pois Ron e Hermione estavam de pé, atravessando a sala até elas, sem soltar as mãos um do outro. "Nós também queremos ir," disse o ruivo, sua voz firme.

Tonks olhou para os três. "Vocês são jovens demais," disse ela por fim. "E seus pais disseram que não."

"Somos jovens demais?" perguntou Hermione. "Eu não era jovem demais para ser levada pra lá. Eu quase morri."

"Exatamente!" disse Tonks. "Você não vai morrer e deixar vocês lutarem é uma maneira de assegurar isso."

Ron bufou. "Nós somos velhos o suficiente para sermos forçados nesta guerra, mas se queremos entrar voluntariamente, somos muito jovens?"

"Olha, pessoal," Tonks suspirou. "Eu entendo o que sentem, mas não posso ser responsável por isso."

Ron e Hermione se entreolharam.

"Veja," disse Ginny. "Nós somos parte disso, sempre fomos, quer quiséssemos ou não. Deveríamos poder lutar. Deveríamos ter nossa chance também. Nossa família está lá fora. Nossos amigos estão lutando também. Não podemos sentar e observar tudo se desenrolar sem saber o que está acontecendo. Precisamos ir. Por favor, Tonks, você tem que nos levar."

"Vocês não foram treinados," começou Tonks novamente. "Não sabem lutar..."

"Nós sabemos," disse Ginny confidencialmente. "Treinamos o máximo que podíamos."

"Isso é diferente da realidade..." opôs-se Tonks.

"Estivemos lá, sabe," interrompeu Ron.

Tonks parecia confusa.

"Com Harry e Ginny," continuou Hermione. "Nós sabíamos sobre eles muito antes da Ordem e não era apenas Damien que estava em contato com eles. Nós também sabíamos e ajudamos a encontrar e destruir as Horcruxes. Fomos parte disso e queremos estar lá no final."

Tonks parecia chocada. Ginny e Ron assentiram e ela suspirou novamente. A mulher abriu a boca, mas o espelho vibrou. Tonks o pegou e disse: "Remus Lupin." O rosto dele apareceu.

Ele acenou para ela. "Começou, você sabe o que fazer." Tonks assentiu também e a conexão terminou. Ela se levantou e acenou com a varinha. A ponta dela brilhou estranhamente por um segundo antes de parar.

"Por favor," disse Ginny novamente. "Leve-nos até lá."

"Seus pais nunca me perdoariam," disse Tonks e se virou, guardando o espelho. Ela estava prestes a sair da sala, Ron, Ginny e Hermione em seu encalço, mas o espelho vibrou novamente. Tonks restaurou a conexão.

O rosto do Sr. Lupin estava mais pálido do que antes, os olhos arregalados. "Mudança de localização. Voldemort levou Harry a Hogsmeade. Traga quantos homens puder." Ele interrompeu a conexão novamente. Tonks xingou e o coração de Ginny pulsou. Hogsmeade. Voldemort levou Harry a Hogsmeade. Foi lá que o bruxo ergueu o túmulo negro para ele. Ginny sentiu vontade de vomitar.

"Tonks, por favor," implorou Hermione. "Você o ouviu, você precisa do máximo de pessoas possível. Leve a gente."

Tonks acenou com a varinha novamente, o estranho brilho retornando por um segundo. Ela os encarou de novo, lançando a cada um deles um longo olhar. Ginny tentou parecer o mais determinada possível. Tonks finalmente assentiu. "Mas não se atrevam a morrer por minha culpa, ouviram?"

Todos eles balançaram a cabeça. "Teremos cuidado," prometeu Ron.

"Façam o que fizer, fiquem juntos," ordenou ela e eles assentiram.

Tonks respirou fundo. "Vou levá-los comigo."

"Obrigada," disse Hermione. Ron e Ginny assentiram e Tonks liderou o caminho até a porta da frente. Ela abriu a porta, mas se virou para eles novamente. "Saquem as varinhas e estejam preparados para qualquer coisa. Eu não sei que situação encontraremos." Eles seguiram sua instrução e sacaram as varinhas. Tonks levantou a mão esquerda e eles agarraram a mão dela e a dos outros. Tonks olhou para todos eles novamente. "Ainda têm certeza de que querem vir? É a última chance de recuarem." Eles assentiram e Tonks respirou fundo antes de aparatá-los.

Eles chegaram em Hogsmeade ao mesmo tempo que um enxame de aurores e foram obrigados a entrar na aldeia. Os aurores pareciam saber aonde tinham que ir e Ginny apenas seguiu, segurando a mão de Hermione, que segurava a de Ron. Não podia perdê-los ali. Os adolescentes chegaram à rua principal e Ginny viu imediatamente. Havia Comensais da Morte por toda parte, mas, de alguma forma, os aurores não conseguiam alcançá-los. Feitiços foram disparados, mas simplesmente desapareceram no ar. Os moradores locais eram forçados a assistir à cena mais adiante na rua. Os aurores seguiram em frente e eles foram forçados a acompanhar, mas Ginny não conseguia tirar os olhos da plataforma. Seu coração estava batendo loucamente, seu batimento cardíaco atingindo níveis desconhecidos.

Voldemort estava parado lá, altivo, erguendo-se sobre todos os outros habitantes da aldeia. Harry estava ao seu lado. Mas ele não estava de pé e não estava lá de bom grado. Estava desajeitadamente pendurado no ar. Quanto mais Ginny se aproximava dele, melhor podia vê-lo. Sua respiração engatou e seu coração parecia estar quebrando. Ele não estava bem, estava terrível. Seu cabelo estava bagunçado e parecia oleoso e, com horror, Ginny percebeu que provavelmente era seu sangue que fazia com que parecesse assim. Seu rosto estava coberto de hematomas azul escuro; seu lábio estava inchado e ensanguentado. Ele usava apenas uma camiseta e uma bermuda e ambos pareciam sujos. Seus braços estavam cobertos de arranhões profundos e ele ainda sangrava. Ginny não conseguiu olhar por muito tempo para suas pernas, que estavam dobradas em um ângulo anormal e Harry não as mexia. Elas pareciam quebradas. Ginny soltou Hermione e Ron e abriu caminho até os aurores e membros da Ordem, tentando chegar o mais perto possível. Ela finalmente alcançou a dianteira do semicírculo que se formara antes da plataforma e um rápido olhar ao redor lhe mostrou que o Sr. e a Sra. Potter estavam a apenas alguns passos à sua direita. Ela foi até eles. Os dois choravam, as varinhas prontas, lançando feitiço após feitiço no ar, mas eles simplesmente desapareciam, nem sequer se aproximando de Voldemort ou Harry. Ginny tentou se aproximar, mas não conseguiu. Algo a estava prendendo. Era como uma espécie de barreira invisível.

Ela se forçou a olhar para Harry, mesmo que tudo dentro dela gritasse para desviar os olhos. Não suportava vê-lo assim, ver seus piores pesadelos subitamente se transformando em realidade. Voldemort se virou e encarou Harry, que o encarava de volta, seus olhos vermelhos. Ele lutou, mas não conseguia fugir, Voldemort parecia segurá-lo firmemente no lugar com um feitiço. Voldemort deu um passo em sua direção, levantando a varinha mais alto. A tumba negra se abriu, Harry lutou ainda mais, mas Voldemort parou de repente, dizendo algo que Ginny não podia ouvir. Harry fechou os olhos.

O Professor Dumbledore apareceu ao lado dela, começando a murmurar feitiços também. Mas até mesmo seus feitiços estavam desaparecendo, nada mudou, a barreira nem sequer rachou. Quando ele viu que não funcionou, levantou a voz, alto o suficiente para que todos ouvissem: "Você não quer fazer isso, Tom. Você não quer matar Harry."

Voldemort se virou para ele, com o rosto cheio de raiva. Ele disse algo a Harry e de repente acenou com a varinha, jogando-o para longe da tumba e para mais perto deles. Ginny gritou quando Harry tombou pelas escadas. Ele colidiu com os degraus de concreto, aterrissando aos pés deles, a poucos passos de distância, do outro lado da barreira. Se Ginny pudesse atravessá-la, estaria ao lado dele com apenas dois ou três passos. Ele parecia ainda pior de perto. Suas roupas também estavam manchadas de sangue e suas costas cobertas de vergões profundos e queimaduras furiosas. Harry não se mexeu. Ele nem sequer levantou a cabeça para olhar para eles ou para Voldemort. Ficou imóvel no chão.

Voldemort desceu as escadas, muito mais devagar do que Harry havia caído, ficando ao lado da forma caída do rapaz. Ele se elevou sobre ele, olhando-o. "Eu realmente não quero fazer isso," disse Voldemort, olhando para o Professor Dumbledore. Por um segundo, seus olhos vermelhos pousaram sobre ela e a garota estremeceu. Parecia que ele podia olhar diretamente para sua alma. Ele desviou o olhar e fitou Harry novamente. "Eu queria dar um futuro a ele: um futuro cheio de poder. Toda bruxa e bruxo teria se curvado diante dele, mas você o afastou de tudo isso. Vocês são responsáveis por isso!" disse Voldemort em voz alta, voltando-se para o Sr. Potter e o Professor Dumbledore. "Eu vou corrigir o erro que cometi todos aqueles anos atrás. Eu deveria tê-lo matado na primeira vez que coloquei os olhos nele!" O bruxo apontou a varinha para Harry novamente. Os aurores tentaram atacar a barreira com ainda mais força, mas nada aconteceu, ela nem sequer piscou por um segundo. Voldemort nem pareceu notar. "Eu vou pegar de volta tudo que te dei." Ele se aproximou de Harry. "Dessa forma, quando eu o matar, não estarei matando o garoto que criei." Ele olhou para o Sr. Potter. "Eu estarei matando Harry Potter!" vociferou ele com raiva.

Voldemort abriu a boca e Ginny não conseguiu respirar. Ela gritou, tentando seus próprios feitiços, qualquer coisa que veio à sua mente, mas nada funcionou. A ruiva tentou atravessar a barreira novamente, mas tornou a ser empurrada de volta. Ela nem sentiu as lágrimas rolando por sua face. Não podia ser. Não podia terminar assim. Não com Harry deitado tão perto dela, de seus pais, do Professor Dumbledore.

Voldemort disse palavras que ela não podia entender. Nunca as ouvira. "A Maldição Markiline," sussurrou o Sr. Potter ao lado dela "Não pode tirar a magia dele!" gritou ele e lutou ainda mais. Um jato de luz ofuscante se formou na ponta da varinha de Voldemort, deixando-a e correndo em direção a Harry. Todos tentaram atacar a muralha com ainda mais força, mas foi em vão. O feitiço trovejou para Harry, mas segundos antes de atingi-lo, de repente parou.

Ginny quase gritou de alívio. Não deveria fazer isso, não é? Algo aconteceu. De alguma forma, eles deviam ter quebrado a barreira, alguém tinha impedido. Não parecia que Voldemort planejara isso. O jato de luz pareceu estremecer antes de se transformar em uma nuvem de fumaça. Ginny tentou atravessar a barreira novamente, mas ela ainda estava lá e todos ao seu redor pareciam confusos. Ninguém parecia saber o que estava acontecendo.

Harry ainda estava deitado imóvel no chão, mas quando Ginny olhou com atenção o suficiente para ele, pensou ser capaz de ver uma luz fraca o envolvendo. A luz começou a ficar mais e mais brilhante até que o rapaz se perdeu em uma bola de luz ofuscante. Ginny engasgou quando o viu no meio da luz. As marcas e queimaduras em suas costas começaram a desaparecer. Podia ver as pernas dele se endireitando, já que sem dúvida foram curadas também. Harry se mexeu quando seus numerosos ferimentos foram curados.

O que estava acontecendo? Todos pareciam tão confusos quanto ela. Ela podia ouvir o som fraco de sinos tocando pela cidade. O relógio marcou meia noite. "Harry tornou-se maior de idade," murmurou o Professor Dumbledore ao lado dela, balançando a cabeça em descrença.

A bola de luz ao redor dele se iluminou até que Ginny não pôde olhar diretamente para ela. Ela finalmente desapareceu e no lugar onde Harry estava deitado em uma poça de seu próprio sangue, estava um Harry perfeitamente curado. Ele ficou de pé tão rápido que Ginny mal conseguiu ver. O sangue que secou em suas roupas ainda estava lá, mas nenhum traço de qualquer ferimento foi deixado em seu corpo. Ginny olhou boquiaberta para ele, sua cabeça girando. Isso realmente aconteceu? Ele acenou com a mão pelo corpo, subitamente trajando vestes negras e uma capa preta.

O rapaz inclinou a cabeça para um lado enquanto olhava para Voldemort. "O que estava dizendo?" perguntou ele.

Voldemort soltou um grunhido de raiva e lançou uma maldição nele, mas Harry já saíra do caminho. O rapaz não tinha uma varinha e parecia que não precisava de uma. Ele enrolou os dedos em uma bola, como se estivesse formando um soco, abriu a mão e uma bola de luz vermelha estava nela. Harry a lançou em Voldemort, que foi atingido no peito e voou para trás. Harry olhou para a barreira e levantou a mão. Ele a derrubou violentamente, fazendo um movimento cortante. Uma rachadura apareceu no ar e estalou com energia mágica. Imediatamente, o Professor Dumbledore segurou a rachadura com a varinha e conseguiu abri-la, rasgando com sucesso a barreira. Voldemort voltou a se levantar. Ele parecia furioso com o rumo dos acontecimentos. O bruxo mirou outra maldição em Harry, mas o rapaz se jogou para fora do perigo. Os aurores vieram atacando Voldemort, assim que um bando de Comensais da Morte chegou e uma batalha furiosa irrompeu. Tudo aconteceu tão rápido que Ginny não conseguiu entender o que acontecera. Havia aurores e Comensais da Morte por toda parte e ela não conseguia distinguir um rosto familiar. Todo mundo estava envolvido na batalha, mas a garota queria alcançar Harry, para ter certeza de que ele realmente estava bem.

Ela pensou tê-lo visto mais abaixo na rua e correu para lá, esquivando-se de feitiços e disparando alguns quando necessário. De repente, houve uma forte explosão e a noite escura foi iluminada quando uma enorme roda colorida de fogos de artifício trovejou em direção a um grande grupo de Comensais da Morte e derrubou a maioria deles. Ela sabia onde Fred e George tinham que estar e realmente podia distingui-los na escuridão. Ron, Hermione e Neville estavam de pé ao lado deles, protegendo-os dos Comensais. Eles atingiram os Comensais da Morte ao redor com o que pareciam frascos de poções. Os gritos que os alvos soltaram provavam que os frascos estavam cheios de ácido, e não de poções. Ginny sentiu uma onda repentina de orgulho de seus irmãos e amigos, mas passou correndo por eles, seguindo pela rua.

Uma luz amarela aproximou-se dela pela esquerda. Sem saber que feitiço poderia ser, ela se esquivou, mas mal conseguiu fazê-lo. A garota checou de onde o feitiço tinha vindo. Um Comensal estava a poucos metros de distância, a varinha apontada para ela. Não foi apenas um feitiço perdido; foi dirigido a ela. A ruiva segurou a varinha com mais força e lançou um feitiço estuporante no homem. Ele desviou com facilidade. Um duelista um tanto hábil, então, pensou ela. Uma luz roxa irrompeu da varinha dele e ela rapidamente ergueu o escudo. A luz roxa se despedaçou em pequenos pedaços ao redor do escudo. Ela disparou mais dois feitiços estuporantes rápidos e um Expelliarmus. Ele evitou o primeiro e se defendeu dos outros dois com um escudo. Mas seu escudo parecia fraco; ele só brilhou e desapareceu assim que seus feitiços o tocaram. Ela sabia que tinha que usar isso para sua vantagem. Encontre a fraqueza, ela quase ouviu a voz de Harry lhe dando um sermão, acabe com ele.

"Accio varinha," murmurou ela, apontando a varinha para ele. Ele conjurou o escudo de novo. Ela rapidamente disparou um Feitiço Confundus, seguido por uma Azaração de Impedimento. O Feitiço Confundus foi retido por seu escudo, mas a Azaração de Impedimento o partiu como se não fosse nada, atingindo-o no peito. Ele foi jogado para trás. Ela o desarmou e um rápido "incarcerous" amarrou-o com cordas.

Braços vieram por trás dela, agarrando sua mão e arrancando sua varinha. Ela xingou e chutou para trás. O homem a soltou e ela se virou.

"Procurando por isso, princesa?" perguntou o Comensal da Morte, segurando sua varinha e rindo. Ele perdera a máscara, possibilitando que ela visse seu rosto.

"Dane-se," disse ela, dando um passo à frente e esmagando o cotovelo no rosto dele. Ele uivou, segurando o rosto. Ela usou o segundo que tinha e pegou a varinha de volta. Um rápido Expelliarmus e também pegou a varinha dele. A garota rapidamente o estuporou. Ele caiu no chão e ela correu.

Uma parede de fogo veio em sua direção, bloqueando seu caminho. Ela usou um Feitiço de Congelamento de Chama e conseguiu passar, sentindo apenas cócegas. O Comensal da Morte do outro lado rosnou para ela, erguendo a varinha, mas ele enfiou a mão em suas vestes e tirou um pequeno dispositivo triangular. Os olhos de Ginny se arregalaram. Ela sabia que aquilo atearia fogo ao seu redor logo que tocasse alguma coisa. Então, impeça que faça contato. Ele jogou na direção dela. A garota o atingiu com um feitiço de levitação, girando a varinha levemente e o reduzindo a cinzas. Uma luz vermelha correu na direção dela. Ela tentou desviar, mas não foi rápida o suficiente. Atingiu seu braço esquerdo, queimando suas roupas e deixando uma queimadura severa. Ele provavelmente pretendia atingir seu braço da varinha, mas errou. Ela sibilou com o contato, mas se forçou a continuar. Outra maldição vinha em sua direção, mas ela conseguiu conjurar o escudo rápido o suficiente desta vez. Ginny devolveu o ataque, acertando-o com uma maldição balbuciante – se ele não pudesse proferir os feitiços, poderia ser mais fácil para ela – seguida por uma Azaração do Tropeço. Ele tropeçou e caiu de cara no chão. Ela o estuporou.

Quando ela ergueu os olhos, outro Comensal da Morte tomara seu lugar. Ele acabara de erguer a varinha quando um feitiço de perna presa o acertou no peito. Ela o amarrou em cordas e o estuporou. Ele caiu no chão, nocauteado.

A ruiva se virou. Não muito longe dela estava Voldemort, esmagando as cabeças de dois aurores. Eles caíram. Ela recuou, tentando fugir, mas ele se virou e a viu. O bruxo sorriu para ela. Ginny sabia que poderia lutar, que treinou, mas também sabia que não tinha chance contra ele. Ela recuou, mas uma força invisível e repentina agarrou sua camisa, puxando-a para ele. O puxão parou quando estava a poucos metros de distância dele, mas a força ainda a segurava firmemente no lugar.

"Há algum tempo que quero conhecer você," sibilou ele, olhando para ela. "Mas é um prazer ver você vindo até mim."

"Não posso dizer que o sentimento é mútuo," cuspiu Ginny, lutando contra o aperto, que parou tão repentinamente que ela caiu no chão. Ela rapidamente se levantou de novo. Uma luz verde deixou a varinha de Voldemort e correu na direção dela – felizmente, um verde muito mais profundo que o da Maldição da Morte. Ela conjurou o escudo de corpo inteiro. A maldição o atingiu e seu escudo cintilou, mas permaneceu no lugar.

"Uma traidora do sangue imunda como você," rosnou Voldemort. "Pensa que pode usar meus próprios feitiços contra mim e se safar com isso?"

As mãos de Ginny tremeram, mas ela se forçou a se concentrar no escudo. Era o melhor que podia fazer contra ele. Um auror apareceu ao lado de Voldemort, mas ele apenas acenou com a varinha para ele, fazendo-o voar para trás contra a parede de uma casa. "Crucio!" sussurrou ele, a varinha apontada para ela. O escudo dela rompeu, ela se jogou para o lado, mas ele parecia ter previsto isso, pois ela se jogou na maldição Cruciatus seguinte.

A dor era tão intensa, tão demorada, que ela não sabia mais onde estava... facas incandescentes perfuravam cada centímetro de sua pele, sua cabeça certamente ia explodir de dor; ela gritava mais alto do que jamais gritara em sua vida e, de repente, acabou. A ruiva ofegou para respirar, seu coração pulsando no peito, seus músculos gritando em agonia. Ela tentou se levantar, mas mal podia mexer a cabeça.

Voldemort ergueu-se sobre ela, sorrindo. "Eu sei exatamente o castigo certo para você. Harry vai gostar imensamente." Ele fez uma pausa. "Mas é uma pena que você não vá se lembrar disso ou sequer dele." E, apontando a varinha para ela novamente, ele disse: "Obliviate."

Uma luz verde como fumaça saiu de sua varinha e Ginny tentou se virar, mas a atingiu e ela rezou com toda a força para que seu colar estivesse funcionando, e que resistisse até ao feitiço de Voldemort. O pingente ficou quente contra sua pele, foi tudo que ela notou. O sorriso de Voldemort se alargou. Ele não parecia saber que não funcionou. Ginny se forçou a ficar de joelhos, pegando sua varinha o mais discretamente possível e ficando de pé, seu corpo protestando. Ela forçou uma expressão confusa no rosto. "Onde estou..." disse ela, intensificando o aperto em sua varinha. Com um movimento rápido, ela apontou para ele, disparando um feitiço estuporante, que ele anulou.

"Como...?" perguntou ele, estreitando os olhos.

"Bem, que bom que vim preparada." Ela rosnou de volta e disparou outra maldição, que ele desviou para um auror, atingindo-o pelas costas e fazendo-o cair. Voldemort disparou outra Maldição Cruciatus. Seu corpo protestou demais para se mover e ela foi atingida novamente, caindo de joelhos, gritando. A dor parecia ainda pior, fazendo-a dobrar, a cabeça batendo no chão, mas ela mal percebeu. Só desejava que acabasse, que tudo acabasse... e, de repente, acabou.

Parecia que de longe ela podia ouvir Voldemort dizer: "Achei que isso poderia chamar sua atenção."

Maldições colidiram, ecoando alto na cabeça dela. A garota tentou respirar, mas tudo era difícil demais, doía demais e tudo nublou em sua vista. Ela começou a entrar em pânico, mas se forçou a contar até dez, tentando respirar. Funcionou: ela respirou fundo várias vezes antes de tentar abrir os olhos. Mãos fortes agarraram seus braços, puxando-a para cima. O rosto do Sr. Lupin apareceu à sua frente. Ele tentou afastá-la, mas ela balançou a cabeça, protestando. "Não, não, me solte!" disse ela repetidamente. Levou um tempo para perceber que ele dizia: "Tudo bem, Ginny, venha, há curandeiros ali, venha, apenas respire." Ele tentou acalmá-la, mas Ginny lutou contra o seu aperto e ele finalmente a soltou. Ela se virou, procurando por Voldemort. Ele estava a poucos metros de distância, duelando furiosamente com Harry. Harry olhou para ela. Ele parecia estar ainda mais preocupado do que bravo e parecia bastante furioso. Ela tentou sorrir para ele. Ele virou a cabeça ligeiramente, um feitiço o atingiu no peito e ele foi jogado para trás. Ginny gritou, mas ele já estava de pé novamente.

Voldemort se afastou um pouco de Harry, com um sorriso torto no rosto. Ginny olhou para ver o que o bruxo tinha visto: Damien estava de costas para ele, lutando contra um Comensal da Morte. Não! Ele não podia! Ginny gritou. Voldemort ergueu a varinha e apontou para Damien. Ginny viu Harry levantando as mãos.

Damien conseguiu derrubar o Comensal da Morte, virando-se. Parecia que o tempo parara por um momento: o jato de luz verde trovejou da varinha de Voldemort e acelerou na direção do menino, a Maldição da Morte atingindo-o diretamente no peito. A força derrubou Damien; seu corpo voou para trás e caiu no chão. Ele ficou parado.

Ginny gritou, Harry berrou, o Sr. Lupin correu para frente, gritando também. Não, isso não podia acontecer. Não Damien, não o doce e pequeno Damy, tentando de tudo para que as coisas funcionassem. Ele era jovem demais para morrer. Não podia estar... não podia estar. Mas ela vira a luz verde, vira a luz o atingindo e ele imóvel. Ele não se levantou, sorrindo, provando que tinha sido só um truque de luz, nada mais. Não havia como a maldição ter errado o alvo e não havia como não ter funcionado. As Maldições da Morte de Voldemort sempre funcionavam. Todos que ele decidia matar morriam. Todos. Não havia expectativa. Mas Damien... não podia ser.

Voldemort virou-se para Harry, sorrindo, erguendo a varinha alto, triunfantemente, antes de apontá-la para Harry.

Harry ergueu a mão novamente e soltou um grito penetrante e cheio de raiva. Os olhos de Voldemort se arregalaram, ele largou a varinha e agarrou o coração. Ginny estava confusa. O que estava acontecendo? A incredulidade apareceu no rosto de Voldemort antes de ele demostrar apenas dor. Ele gritou, Harry também e seus gritos se misturaram, ecoando pela rua. Todos pararam de lutar, olhando para eles. Seus gritos ficaram ainda mais altos, cheios de mais agonia. Harry agarrou a testa e caiu de joelhos. E, então, de repente, Ginny pôde ver pequenas chamas subindo do chão ao redor de Voldemort. Ele caiu de joelhos também, as chamas lambendo sua capa. Ela pegou fogo. As chamas subiram por seus braços e corpo, até seu rosto e seu cabelo, até que todo seu corpo foi engolido pelas chamas. Por um segundo terrível, os gritos dele estavam tão altos que Ginny pensou que seus ouvidos parariam de funcionar e, de repente, pararam completamente. O fogo se extinguiu e Voldemort se desintegrou no chão, sobrando apenas cinzas.

Por um segundo, houve um silêncio estranho antes de a batalha irromper novamente. Ginny ouviu Comensais da Morte aparatando, os aurores lançando maldições, mas ela só tinha olhos para Harry e correu para frente quando ele se levantou, os olhos fixos na forma caída de Damien. Ele tropeçou no chão novamente e ela tentou levantá-lo, seu próprio corpo protestando muito. O Sr. Lupin correu na direção deles também, ajudando-a a erguer Harry. Ele lutou contra o aperto deles, eles o soltaram e ele tropeçou em direção ao corpo de seu irmão. Ele caiu de joelhos quando chegou lá. Ginny correu até ele e caiu no chão ao seu lado. Ele soluçava, lágrimas escorrendo por seu rosto. Harry lentamente puxou Damien para seu colo. Ela tentou alcançar os dois, mas Harry o embalou tão possessivamente contra si que ela desistiu. Os olhos de Damien estavam fechados e ele ainda segurava a varinha. Harry gritou e agarrou o irmão ainda mais forte.

"Ei, p-pra que todos esses abraços?" perguntou uma voz cansada.

Por um momento, Ginny pensou estar imaginando, mas Harry se afastou de Damien. A ruiva engasgou quando os olhos castanhos de Damien se abriram levemente, olhando com cansaço para o irmão mais velho.

"D-Damy?" perguntou Harry, sua voz desmoronando.

Damien olhou para ele antes de fechar os olhos novamente. Como era possível? Não era possível. Não havia uma proteção contra a Maldição da Morte.

Damien tentou respirar, mas gritou em agonia, levantando a mão livre e tocando o peito com cuidado. "Acho que todos os meus ossos estão q-quebrados," disse ele. Harry estendeu a mão, tentando ajudá-lo a se sentar. Ginny se aproximou e o ajudou também. Os olhos de Damien se voltaram para ela. "G-Ginny?" Ela assentiu, engolindo mais lágrimas. "Bom te ver..." Ele tossiu, segurando o peito e gemendo.

"Mas eu... eu não entendo. Ele te acertou com a Maldição da Morte. Eu o vi te acertando." Harry gaguejou, incrédulo e confuso. Ginny concordou com a cabeça. Ela também tinha visto. Tinha que haver uma explicação.

Damien levantou sua varinha, suas mãos tremendo terrivelmente, e a colocou em seu peito machucado. "Finite Incantatem," sussurrou ele. Diante dos olhos deles, um pingente de pedra negra apareceu em volta do pescoço de Damien. "Eu jurei que não tiraria isso," disse Damien, um pequeno sorriso no rosto.

Um redemoinho de névoa verde estava nadando dentro da pedra negra. Ginny olhou para ela, confusa. Ela não sabia bem o que significava, mas Harry sorriu para ele. Ele pareceu entender, sua confusão se dissipou e ele se adiantou, tocando a pedra suavemente.

Houve passos e o Sr. e a Sra. Potter vieram correndo, caindo de joelhos ao lado deles, com os rostos cobertos de lágrimas. Ambos choravam enquanto cada um se agarrava a um de seus filhos. A Sra. Potter também a abraçou, puxando-a para mais perto. Por um momento, eles apenas ficaram ali ajoelhados, abraçando-se com força. O Sr. Potter ficou de pé, puxando-os consigo e eles seguiram, levantando-se com as pernas trêmulas.

"Ah, Deus," exclamou Damien quando se virou, avistando o que restou de Voldemort. Ginny seguiu seu olhar, assim como os outros. Harry tropeçou para frente. O Sr. Lupin e o Sr. Longbottom estavam ao seu lado um momento depois, segurando-o quando suas pernas vacilaram sob ele.

"Ele desmaiou," disse Lupin. Ele e o Sr. Longbottom o colocaram gentilmente no chão. O Sr. e a Sra. Potter tropeçaram para frente, segurando Damien, que se agarrava ao pai. Suas pernas vacilaram também. O Sr. Potter o colocou no chão ao lado do irmão.

"Precisamos de um curandeiro," disse a Sra. Potter, a preocupação clara em seu rosto enquanto se ajoelhava, acariciando os cabelos dos filhos.

O Sr. Longbottom assentiu. "Vou chamar um, vamos levá-los a St. Mungo's o mais rápido possível, não se preocupe."

O Sr. Lupin também falou. "Eu sei onde alguns estavam há pouco tempo. Vou verificar se ainda estão lá."

Os dois homens saíram correndo.

"Você também precisa de atendimento?" perguntou o Sr. Potter, voltando-se para ela e apontando para os filhos, um pequeno sorriso no rosto.

Ginny sacudiu a cabeça. "Eu acho que vou dispens..." Mas tudo ficou preto e ela não viu mais nada.

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N/A: Aí está... o último capítulo. Um Epílogo virá nos próximos dias. Me falem o que acharam.