Capítulo 5 - Herói
Uma semana havia se passado depois que peguei meu carro na oficina decaída de um bairro pobre de Konoha, onde eu fui miseravelmente esculachado pela Sakura. Mas eu não podia me deixar abalar por uma simples garota que não significava nada para mim. Eu sabia que eu era muito melhor do que ela. Mas mesmo mantendo esses pensamentos fixos na minha cabeça, eu sabia que lá no fundo eu tinha bancado o idiota, e aquilo me deixava redondamente emputecido.
Porra, nenhuma garota me fez sentir tão mal com os meus atos impensados como ela me deixou. Eu me senti uma criança imatura que acha graça em coisas bobas, como rir dos defeitos dos outros. Sakura de alguma forma tinha me feito perceber que eu não estava sendo eu mesmo, apenas agindo pelo impulso dos outros.
Eu estava sendo influenciado.
Eu sempre a via andando pelos corredores do colégio com seus amigos a tira colo, e no intervalo, sempre passava em seu lugar - como ela tinha tomado como seu território - no gramado que ficava à vários metros do local privilegiado da galera popular. E nenhuma das vezes, nesses dias que passou, ela olhou na minha cara. Ela continuava me ignorando, fingindo como se àquele dia na oficia, ou àquele dia quando ela havia me ajudado não houvesse acontecido. E novamente aquele sentimento de frustração me dominava.
Droga, qual era o meu problema afinal?
Admito que na quinta, quando apareci no colégio no meu carro que estava bom, senti algum desconforto de que Sakura pudesse dizer alguma coisa comigo ou agir diferente, e que pudesse causar curiosidade nos meus amigos e levantar boatos pelos cantos. Mas isso não aconteceu.
E o pior, a cena de seu perfil na oficina começava a me perturbar, e por muitas vezes tinha devaneios nada puros. Eu nunca poderia imaginar que por trás daqueles farrapos que ela chamava de roupa, ela pudesse esconder aquele corpo perfeito que ela tinha, bom, foi essa impressão que tive quando a vi naquele macacão sujo de graxa, com a parte de cima caída nos quadris, deixando-a só com aquele top preto. Sakura não tinha ideia do quanto ela estava desejosa ali, e o quanto a desejei.
Saí de meus devaneios com um empurrão nas minhas costas, fazendo o meu corpo tombar um pouco para frente, quase derrubei o lápis que estava ao lado da minha mão direita. O professor de física explicava alguma coisa da matéria que ele havia escrevido no quadro e a turma inteira prestava atenção. Olhei para trás com meu cenho franzido, podendo ver o imbecil do meu melhor amigo que sorria como um panaca.
- Me dê um bom motivo para que eu não enfie todos os seus dentes para dentro. - Minha voz saiu baixa e entredentes.
Dei uma olhada rápida para o professor que anotava alguma coisa no quadro, enquanto falava. Voltei a fitar o dobe que havia parado de sorrir.
- Quanta agressividade - fingiu-se de ofendido, mas sabia que era fingimento.
Revirei os olhos e virei meu corpo para frente.
- Vamos fazer o trabalho juntos? - Ele disse, franzi o cenho e virei minha cabeça para trás.
- Que trabalho?
- Você está mesmo no mundo da lua. - Suas sobrancelhas se ergueram. - O trabalho em dupla que o professor está explicando.
Trabalho?
Olhei para frente novamente e só agora percebi que o professor Kakashi explicava alguma coisa sobre um trabalho. Realmente eu estava no mundo da lua.
- Você vai fazer comigo, né? Você sabe que eu sou péssimo em física.
- Fazer o trabalho com você é a mesma coisa que fazer o trabalho sozinho. - Falei sem olhá-lo, enquanto copiava os tópicos do possível trabalho que tinha para fazer.
- Qual é, teme, eu preciso de nota para passar...
- Algum problema senhor Uzumaki? - O professor havia voltado sua atenção para nós dois, revisando o olhar entre eu e Naruto que havia se ajeitado.
- Problema nenhum. - Não era preciso olhar para Naruto para saber que ele estava com um sorriso amarelo estampado na cara.
O professor voltou a falar:
- Bom, quero que vocês façam uma experiência de Capacidade Térmica e Calor Específico, e além da experiência quero o conteúdo da pesquisa transcrito, todo o processo que tiveram, o que usaram para a experiência, enfim... quero toda a explicação. O trabalho é para ser entregue nesta sexta-feira e as duplas será eu que irei escolher.
Depois daquele decreto que o professor Kakashi havia dito, a turma quase toda começou a falação, pois muitos eram panelinhas e alguns que só vivem na aba dos outros, como Naruto.
- O quê? Professor você não pode fazer isso!
A voz estridente de Naruto fez um eco na minha cabeça.
- Não? - O professor arqueou as sobrancelhas. - Senhor Uzumaki, estou fazendo isso por alunos como você que sempre recebe nota alta na aba do colega. Sei que você não é o único, mas escolherei eu mesmo as duplas, pois assim saberei a verdadeira nota que darei pelos esforços.
Eu não pude evitar sorrir, Naruto realmente estava ferrado, assim como Suigetsu que também adorava ganhar nota nas custas minha, do Neji e Shikamaru, até a pobre Hinata não escapava.
- Agora façam silêncio que falarei as duplas. - O professor caminhou até sua mesa, pegando o diário e parando na frente da sala. - A primeira dupla: Naruto e Suigetsu...
- O quê?
Os dois gritaram em uníssonos, atrapalhando o professor. Reprimi uma gargalhada, pois duas mentes ocas só poderiam dar burrice. Neji e Shikamaru também reprimiam suas risadas, já imaginando o desastre que poderia dar aqueles dois juntos.
- Eu estou fodido. - Pude escutar Naruto resmungar atrás de mim.
- Vocês poderiam me deixar continuar? - O professor perguntou, e como ninguém disse nada ele continuou: - Próxima dupla: Hinata e Karin, Kiba e Shino, Shikamaru e Neji, Gaara e Ino...
Olhei para Ino que sentava na fileira ao meu lado, seu rosto estava incrédulo com a sua dupla que ela faria o trabalho. Também estava surpreso, sabia que Ino estava um passo de dar um chilique. Mas isso não era da minha conta. Ela ainda estava irritada comigo, mas não era só por causa do lance da ligação que eu não tinha culpa, mas sim o fato de eu não a ter procurado. Até parece que eu, Sasuke Uchiha, iria correr atrás de uma garota.
O professor continuava a falar as duplas e os murmúrios aumentavam pela sala toda devido a algumas duplas em questão. Mas quando o professor disse meu nome e o da minha dupla, um frio percorreu por toda a minha barriga, deixando meu coração pouco acelerado.
-... Sasuke e Sakura...
Arregalei meus olhos e automaticamente virei minha cabeça para trás, onde Sakura se sentava lá nos fundos. Sua expressão era surpresa, quase descrente. Seu olhar pousou em mim e não pude evitar novamente aquele frio no estômago.
Depois de uma semana inteira finalmente ela me olhou, e de alguma forma me senti aliviado por ela me notar ali. Tão aliviado que eu parecia um otário a fitando descaradamente, só me manquei quando sua expressão surpresa se transformou para uma completamente irônica e totalmente debochada, enquanto levantava uma sobrancelha.
- Caraca teme, não sei qual é a pior dupla, a sua ou da Ino. - A voz de Naruto foi um passe perfeito para que eu pudesse desviar meu olhar para ele, sem parecer intimidado pelo olhar zombeteiro que Sakura me mandava.
- Se eu fosse você se preocuparia com a sua dupla, pois Suigetsu é mais burro que você.
- Eu estou escutando, Sasuke. - Não pude evitar que um sorriso escapasse com a voz de Suigetsu, que sentava a minha frente.
Olhei para ele, que mantinha sua atenção para frente.
- Eu estou falando alguma mentira?
Como resposta ele levantou o dedo do meio para mim.
- Agora quero saber como você vai fazer o trabalho com a esquisita ali atrás?
Voltei minha atenção para Naruto, e reprimi uma resposta repreensiva por ele falar daquele jeito. Aliás, eu não tinha o mínimo direito de repreendê-lo por Naruto chamá-la assim, pois alguns dias atrás eu fazia a mesma coisa.
Desviei meu olhar disfarçadamente para a garota lá nos fundos, agora ela estava inclinada para frente enquanto falava perto do ouvido do tal Gaara e o mesmo começava a rir comprimido, para não chamar a atenção. E novamente nossos olhares se encontraram tanto dela como o do tal Gaara, ambos com sorrisos debochados nos lábios, e eu não gostei daquilo.
Virei-me para frente, ignorando as perguntas idiotas de Naruto, e curioso para saber o que diabos Sakura dizia para Gaara de tão engraçado. E alguma coisa me dizia que eu era o alvo deles dois.
. . .
Depois que as aulas acabaram, fiquei um tempo falando com o pessoal antes de ir para o treino de natação. O campeonato seria na semana que vem, o que fazia o tempo dos treinos redobrar, e a única coisa que eu queria depois dos treinos era só ir para casa e dormir. E isso foi um dos motivos de não ter procurado Karin e ter recusado alguns de seus convites amigáveis.
Despedi-me do pessoal e caminhei para a área da piscina, que ficava no lado leste do colégio. Ainda era cedo, mas queria dar umas alongadas até pegar no treino pesado que o treinador Asuma me fazia treinar.
A escola ainda estava pouco movimentada, pois minha turma havia saído um pouco mais cedo do que as outras turmas, e o sinal para o término das aulas começou a tocar, ecoando por toda escola e podendo ser ouvido do lado de fora.
Passei pelo portão que dava para área cercada da piscina e logo no começo vi uma cena que me deixou surpreso.
Ali, na borda da piscina estava Sakura e Karin, uma de frente para outra. Dava para ver a diferença de alturas, e Karin se destacava de Sakura por causa de seus saltos, o que deixava Sakura ainda menor. Mas isso não parecia deixar Sakura intimidada pela diferença de altura, muito pelo contrário, a rosada estava com os braços cruzados enquanto olhava Karin de baixo para cima, com aquele porte terrivelmente marrento que ela tinha.
Eu queria saber o que as duas falavam, quer dizer, o que Karin dizia, pois ela parecia irritada e gesticulava com as mãos. De onde eu estava não podia escutar nada, mas pude presenciar quando Karin enfiou o dedo na cara de Sakura, e levou um tapa em sua mão por isso. Aquele gesto de Karin parecia ter irritado Sakura, pois era ela que agora falava e enfiava o dedo na cara da outra.
Aquilo poderia dar em briga, sabia perfeitamente o temperamento esquentado de Karin e podia ter ideia do temperamento de Sakura, ela tinha cara que não levava desaforo para casa, e isso com certeza poderia acabar em confusão.
Comecei a me aproximar, iria interromper uma possível briga entre as duas, mas parei bruscamente quando vi Karin afastar o dedo de Sakura para o lado e em seguida empurrar a mesma na piscina, que caiu com tudo.
Karin riu e disse mais algumas coisas antes de sair pela segunda abertura que dava diretamente para o estacionamento.
Senti uma vontade de rir, pois tinha sido engraçado o jeito desastrado que Sakura havia caído, e sabia que ela deveria estar puta com isso. Mas conforme o tempo passava eu não via ela emergir na margem, e aquilo me preocupou.
Corri para a borda da piscina e pude comprovar que Sakura estava se afogando.
Eu havia entrado em modo totalmente automático, pois meu corpo reagia sozinho. Só tive tempo de jogar a mochila para o lado e tirar os tênis e me joguei na piscina.
Sakura havia parado de se debater e agora afundava mais e mais para o fundo. Nadei para o extremo e agarrei seu braço e a puxei para mim, agarrando com a outra mão suas costas e levei nós dois para a margem, na parte rasa. A peguei nos meus braços, saindo em seguida da piscina.
Ainda movido pela adrenalina, pus Sakura na borda, ela não respirava e aquilo meio que me desesperou. Mas eu tinha que prestar os primeiros socorros, não tinha ninguém ali.
Pousei a minha mão direita em sua testa e a outra em seu queixo, abrindo sua boca, tirando em seguida à mão da testa e apertei seu nariz, enquanto eu tomava todo o ar. Colei nossas bocas, e assoprei de uma vez o ar para seus pulmões.
Nada aconteceu.
Coloquei minhas duas mãos - uma em cima da outra - em seu tórax e o pressionei.
- Acorda.
Meu coração batia forte, enquanto pressionava as mãos em seu tórax. Voltei a fazer respiração boca a boca mais uma vez, e suspirei aliviado quando Sakura começou a reagir, jogando toda a água que estava em seus pulmões para fora. Ela começou uma sequência de tosses, e afastei-me um pouco para trás, a tempo de vê-la abrir os olhos lentamente.
Ela tossiu mais um pouco até sua visão focalizar em mim. Sua testa franziu lentamente, e pouco desajeitada ela tentou erguer seu tronco. Segurei seu braço e ajudei a ficar sentada.
- O que... - ela própria se interrompeu, me olhando com aqueles olhos verdes confusos, parecia atordoada.
- Você estava se afogando na piscina - expliquei, vendo-a desviar o olhar de mim para a piscina ao lado. - Eu te salvei.
Ela estava completamente molhada, fazendo suas roupas largas agarrarem em seu corpo. Eu também não estava diferente.
Sakura me olhou novamente, agora parecia alerta à realidade dos fatos, pois sua expressão assustada e confusa dera lugar a uma expressão totalmente raivosa.
- Eu vou matar aquela piranha. - Sua voz soou baixa, porém entredentes, despejando toda a ira que ela deveria estar sentindo ali.
Assustei-me com seu tom zangado, percebendo o quanto ela estava puta da vida, trincando o maxilar. Também não podia dizer menos, ela foi empurrada na piscina, havia molhado as roupas e a mochila, sem contar que quase morreu afogada.
- Você não sabe nadar? - Que pergunta mais idiota que eu havia feito, mas eu tinha que dizer alguma coisa, pois sua expressão estava indo de mal a pior.
Ela me olhou, totalmente zangada.
- É meio óbvio, não? - Ela colocou uma mão no chão e outra no joelho, dando impulso para ficar em pé. - Ela não perde por esperar.
Também fiquei de pé, fazendo com que minha roupa molhada encharcasse o piso.
- Tente ficar calma.
Seu olhar irado se voltou contra mim, e amaldiçoei por aquelas palavras. Que merda de garota intimidadora.
- Ficar calma? - Ela riu descrente. - Olha só como eu estou? Aquela cachorra me empurrou na piscina e eu quase morri afogada, e você quer que eu tenha calma?
Com todo custo consegui não hesitar ou dar um passo para trás. Coloquei a minha cara de indiferente, ela sempre me tirava das situações críticas.
- Você está bem, é isso que importa - comecei. - Violência não vai levar ninguém a lugar algum.
Eu não tinha dito aquilo da boca para fora, eu realmente era contra violência. Para mim um bom jogo de diálogo as coisas se resolviam, mas acho que isso não podia se aplicar a Sakura. Ela soltou um sorriso debochado, totalmente descontrolada, erguendo seus braços para o lado e abaixando contra o corpo.
- O que foi? Está com medo com a segurança da sua amiguinha?
Aquela amiguinha havia saído num tom de nojo. Franzi o cenho e cruzei os braços.
- O que você está insinuando?
Ela sorriu diabolicamente e imitou meu gesto, cruzando os braços também, destacando ainda mais seus peitos por causa da camisa molhada que estava colada no corpo.
- O que todo mundo sabe.
Voltei meu foco para seus olhos novamente e parei. O que ela estava querendo dizer? Será que...
- Não entendi. - Minha voz havia saído cautelosa, eu tinha que pensar duas vezes antes de dizer alguma coisa perto de Sakura, aquela garota era foda.
Ela ergueu uma sobrancelha para cima.
- Você é lerdo hein playboy. - Balançou sua cabeça para os lados, ela estava debochando de mim e aquilo me irritou. - Mas a sua namoradinha loira deve ser mais lerda do que você para não perceber a galhada de alce bem na cabeça dela.
Eu juro que tentei manter a minha expressão fria, mas não contive em arregalar os olhos, totalmente descrente do que eu acabara de ouvir. Sabia que meu lance com a Ino não era sério, e minhas escapulidas com Karin só meus amigos sabiam disso. E agora Sakura vem soltando uma dessas?
- Como...
- Como eu sei? - Ela me interrompeu, com um olhar inocente, totalmente fingido. - Meu amor, a escola toda sabe que você namora a Ino e pega a amiga. Você é um verdadeiro canalha da pior espécie.
- Isso não é da sua conta. - Ralhei, sentindo-me exposto demais. Aquele olhar acusador de Sakura havia me deixado estranho, e aquilo era irritante.
Ela suspirou, descruzando os braços.
- Tem razão, isso não é da minha conta. - Em seguida ela se agachou, fazendo uma careta ao pegar a mochila molhada do chão, e deu as costas para mim.
Antes que ela pudesse se afastar de vez, lembrei-me de uma coisa.
- Espera! - Minha voz havia saído sem a minha permissão.
Sakura virou seu corpo para mim, e fui até minha mochila que estava afastada, junto com os meus tênis. Abri o bolso da frente e tirei à pequena correntinha que pendia um pingente em forma de coração.
Voltei o caminho que percorri, com a bijuteria nas mãos, encontrando um olhar impaciente de Sakura. Parei em sua frente e ergui minha mão. Ela olhou minha mão estendida para si com o cenho franzido.
- O que é isso? - Seu tom era desconfiado.
- Pegue.
Ela me fitou por uns instantes, mas logo cedeu a curiosidade abrindo a palma da mão para cima. Deixei a correntinha cair em sua palma. Pude ver sua expressão desconfiada se transformar numa de surpresa quando reconheceu a correntinha.
- Onde conseguiu isso? - Ela disse alarmante, levando a correntinha contra si, abrindo-a rapidamente para verificar as imagens, voltando a fechá-la rapidamente e levando até o peito, como se aquilo fosse uma coisa muito preciosa.
- Eu encontrei jogado no pátio semana passada. - Novamente fui banhado por seu olhar desconfiado. - Estava com o abotoador quebrado e apenas mandei concertar.
Ela voltou a inspecionar a correntinha, agora o abotoador que estava novinho.
- Eu procurei que nem uma louca, pensei que havia perdido de vez. - Ela disse baixinho, enquanto abria mais uma vez o coração, fitando as imagens.
- Quem é a outra pessoa? - Perguntei, tentando supor quem seria a mulher loira, completamente deveria ser sua mãe, não sei. Não sabia nada de Sakura, a não ser seu nome e que trabalhava numa oficina.
- Isso não te interessa. - Seu tom saiu grosseiro, e fechou mais uma vez o coração, colocando a correntinha no pescoço.
- Valeu pela grosseria. - Disse, não pude deixar de sentir uma pontada no fígado com a sua patada depois de tudo que eu fiz.
Ela me olhou, e quando fez menção de abrir a boca, uma voz sobressaiu, chamando a nossa atenção:
- Sakura?
Nós dois olhamos para o lado, em direção ao vestiário, e vimos Gaara vindo em nossa direção. O que diabos ele fazia no vestiário?
- Você demorou. - Disse Sakura.
Gaara franziu o cenho e olhou de Sakura para mim, percebendo que nós dois estávamos molhados.
- O que aconteceu?
- A cachorra da amiga dele - ela pontou para mim - me jogou na piscina.
Gaara olhou para mim e depois olhou Sakura.
- Karin? Você está bem? - Ele parecia preocupado.
O quê? Era assim que eles chamavam Karin?
- Estou. Ele me tirou da piscina.
- Hm.
- Mas ela não perde por esperar. - Sakura sorriu irônica. - Ela vai se arrepender por ter cruzado o meu caminho.
Eu senti que coisa boa não iria sair de Sakura e de alguma forma temi por Karin.
- Vamos embora.
- Vá na frente - pediu Sakura, e Gaara arqueou a sobrancelha -, vou falar com ele rapidinho.
Gaara ficou olhando nós dois por um momento, e saiu, mas não sem antes mandar um olhar estranho para mim.
- O que você quer? - Perguntei, depois que percebi que aquele ruivo não estava mais presente.
Sakura pareceu pouco hesitante, olhou para os lados enquanto umedecia os lábios antes de voltar a me olhar.
- Obrigada - seu tom saiu tão baixinho que se eu não estivesse perto eu não escutaria.
Assenti, sentindo-me de alguma forma satisfeito pela sua pequena palavra de agradecimento.
- Não sou essa pessoa ruim que você pensa.
Ela me olhou.
- Eu nunca disse, ou pensei que você fosse uma pessoa ruim.
Fiquei surpreso com sua resposta.
- Não?
Ela balançou a cabeça para os lados e sorriu.
- Você só é idiota. É diferente, entende?
Se eu tinha quaisquer indícios que Sakura tinha simpatia por mim, aquilo foi tudo pelo ralo. Porra, bem na minha cara.
- Valeu - murmurei, sabia que minha cara se formava uma careta.
Seu lábio esquerdo se curvou para cima. Ela caminhou para minha frente, desviando do meu corpo, mas senti sua mão em meu ombro.
- Obrigada, Playboy.
Olhei de ombro, podendo ver seus olhos verdes, mas havia um brilho grato. Assenti com a cabeça e logo senti a sua mão deixar meu ombro e seu corpo se afastar em direção ao portão por onde seu amigo passava e sumindo em seguida de minhas vistas.
Que caralho foi aquilo?
A salvei de um afogamento, entreguei sua correntinha que havia perdido, e embora tenha recebido seu agradecimento, não podia deixar de sentir aliviado por ela não pensar que eu sou uma pessoa ruim, só idiota.
Sorri, e balancei a cabeça.
- Sasuke, essa garota vai acabar te enlouquecendo.
