Capítulo 6 - Vingança
Na quinta-feira cheguei mais cedo na escola, meu corpo estava todo quebrado diante da noite mal dormida que eu tive, e tudo culpa dela. Sakura Haruno, a garota marrenta, estava colada em minha mente como uma cola super-bonde. E o fato de fazermos um trabalho juntos, havia contribuído pela minha insônia.
Eu não sabia ao certo no que aquilo iria dar, eu tinha que falar com ela hoje e acertar o lugar para onde poderíamos ir fazer o trabalho. E mesmo que seja somente um simples trabalho de física, eu me sentia de alguma forma, ansioso. Eu ficaria sozinho com ela, e talvez pudesse descobrir mais a seu respeito.
As cenas de ontem na piscina ainda eram vivas na minha memória, principalmente o fato dela ter quase morrido afogada. Admito que fiquei preocupado e diante a adrenalina do momento, não havia percebido que minha boca encostou na dela - mesmo que fosse uma mera respiração boca-boca.
Mas que caralhos eu estava pensado? Eu estava parecendo àqueles garotos virgens que nunca beijou na vida.
Era só o que me faltava.
Saí do carro e comecei a andar para a saída do estacionamento - havia conseguido uma vaga boa perto da saída - quando escutei uma voz bem conhecida gritar meu nome de longe:
- Sasuke!
Parei perto da entrada do pátio e olhei para trás vendo Ino se aproximar de mim com passos rápidos. Parecia intimidada, e vez ou outras desviava seu olhar de mim para o chão.
Voltei a caminhar, saindo do estacionamento e entrando no pátio, parei num canto para esperá-la. Não sabia o que Ino queria comigo, não nos falávamos já havia dias, mas eu não iria ficar correndo atrás dela, mas nem fudendo.
Ela parou em minha frente e ergueu seus olhos para mim. Apenas me mantive com a minha expressão de sempre, esperando que ela dissesse alguma coisa. Mas ela se mantinha calada e me olhava hesitante.
- O que foi, Ino? - Minha voz soou, quebrando o silêncio. - Veio me acusar de algo que eu não tenho culpa?
- Não - sua voz saiu baixinha. - Eu... eu pensei muito a respeito sobre o que aconteceu e... talvez você esteja falando a verdade.
Arqueei uma sobrancelha e cruzei os braços, evitando que um sorriso sarcástico escapasse pela minha boca.
- Você acha?
Ela fez biquinho, fingindo irritação, e segurou a alça de sua mochila cor-de-rosa.
- Dá um desconto, você disse que tinha me ligado, mas não tem nenhuma ligação sua gravada no meu celular. Como quer que eu acredite?
Não estava afim de ter aquela conversa com ela, aquilo já tinha dado para mim.
- Eu estou falando a verdade.
Descruzei os braços e enfiei a mão no meu bolso da calça, tirando o meu celular. Procurei na lista de chamadas até achar a ligação que eu havia feito para ela. Virei à tela para que ela pudesse ver.
Ino arregalou os olhos e sua respiração ficou tensa.
- Eu não entendo - murmurou -, não existe nenhum registro de sua chamada no meu celular.
- Talvez alguém tenha apagado.
Ela me fitou.
- Quem? - Ela questionou. - Não tinha ninguém comigo, a não ser a...
Ino própria se interrompeu, parecia que tinha percebido algo que havia passado sem ela perceber. Eu fiquei ali fitando sua reação, as sobrancelhas se unindo num tom de confusão.
Será que ela havia percebido que sua amiga era uma verdadeira vaca?
- O que foi? - Perguntei.
- Não pode ser... - ela balançou a cabeça para os lados, fitando o chão.
- Não vai me falar o que é?
Ela ergueu seu olhar para mim.
- Não é nada. Eu queria que você me desculpasse. - Ela deu um passo para perto de mim e colocou uma mão em meu rosto, e afagou. - Eu fui uma boba.
Pus minha mão na sua e afastei do meu rosto, deixando-a com uma expressão confusa.
- Não dá, Ino. - Soltei sua mão. - Não dá para ficar com alguém que não confia em mim.
- O quê? - Sua voz tremeu um pouco. - Você está terminando comigo?
Suspirei, coçando a cabeça. Aquilo iria ser mais difícil do que eu pensei.
- Entenda Ino, o que nós tínhamos não era sério.
- Como não? Nós nos amamos! - Sua voz se alterou em dois tom.
- Eu nunca disse que eu te amava.
Ela me fitava completamente incrédula, pude perceber seus lábios trêmulos enquanto seus olhos azuis começavam a marejar.
Continuei:
- Você é uma garota bonita e foi legal o que nós passamos, mas me cansei de ficar brincando de casinha.
- Você não pode fazer isso comigo, Sasuke!
Ela agarrou meu pescoço, num modo meio que desesperado e me puxou de encontro a ela, e me beijou. Demorei alguns segundos até retribuir seu beijo. Levei minhas mãos até sua cintura e as subi pelos seus braços, agarrando-os, e a afastando de mim.
- Chega, Ino! - Minha voz havia saído séria.
- Mas Sasuke, eu te amo. - Ela disse um pouco desesperada. - Se é por que eu duvidei de você, me desculpe, eu não faço mais.
- Ino...
- Eu não vou mais cobrar nada de você.
- Ino...
- Eu também não vou ficar te cobrando para você assumir o nosso namoro, eu vou ser a garota perfeita que você sonhou...
- Ino! - Minha voz saiu mais alta que o normal, fazendo-a se calar. As pequenas lágrimas começaram a surgir em seus olhos. - Entenda, eu não quero que você mude por mim. Eu não quero mais você!
- Não faz isso, Sasuke. - Agora ela chorava.
Soltei seus braços e dei um passo para trás.
- Acabou.
Ela não disse mais nada, apenas deu as costas para mim e saiu correndo para o interior do colégio. Provavelmente foi se socar em algum banheiro.
Revirei os olhos e suspirei mais uma vez.
O dia já havia começado turbulento e eu me perguntava o que diabos ainda faltava para acontecer.
. . .
Os primeiros tempos de aula haviam se passado na velocidade de uma lesma. Ino não havia aparecido na aula, só a Karin que estava ali, e pelo visto ela não estava por dentro da novidade - que completamente ela iria aprovar.
Naruto vez ou outra se debruçava para frente e reclamava comigo, perguntando se eu não tinha chance de ajudar ele com o trabalho de física. Apenas dizia para ele se virar com o parceiro dele inteligente, para não dizer ao contrário.
O intervalo havia chegado e dei graças a Deus por isso. Comprei alguma coisa para eu comer e fui para o meu lugar de sempre com os meus amigos.
Eles deram falta de Ino, que dizer, Hinata, pois as duas eram amigas. Apenas dei de ombro e fingi que não era comigo. Karin não se ajuntou a nós, ela havia sumido o intervalo inteiro, e talvez estivesse com Ino no banheiro escutando as lamúrias da amiga enquanto vibrava por dentro. Conhecia aquela vadia muito bem para saber que ela ficaria feliz.
Passei meus olhos pelo pátio aberto até encontrar quem eu procurava.
Sakura estava sentada em num banco que ficava perto da lixeira, bem afastado de mim. E diferente das outras vezes, ela estava sozinha, enquanto mexia toda entretida no celular.
Seus amigos Gaara e Kiba não estavam com ela, e parando para pensar, o ruivo não estava nas aulas agora de manhã. Talvez ele não tenha vindo. Eu não ia muito com a cara dele, e ontem ele contribuiu para minha antipatia. Eu havia descoberto que ele tinha pedido uma vaga para entrar no grupo de natação. O treinador iria fazer um teste com ele na semana que vem para ver se ele entraria ou não.
Era só o que me faltava.
Voltei meu foco para Sakura, eu tinha que arranjar um jeito de falar com ela sobre o trabalho. Acho que ninguém iria ficar me julgando por isso, pois era um trabalho e eu meio que estava sendo obrigado a fazer com ela. Bom, para falar a verdade eu não me sentia obrigado, eu até me sentia ansioso por isso. Mas não era da conta de ninguém ficar sabendo o que se passava comigo.
Sakura me chamava atenção em várias maneiras possíveis, e novamente ela havia roubado a minha atenção. Eu queria saber o que ela estava aprontando, pois ela estava quieta demais para como ela estava ontem, depois que Karin a empurrou na piscina e quase a matando afogada. Ela tinha declarado vingança, e de certa forma fiquei receoso pela segurança de Karin.
Eu pensei que ela fosse chegar hoje arrumando um barraco com Karin por causa de ontem, mas não, a rosada estava tranquila como se nada tivesse acontecido.
E eu sabia que isso não era boa coisa. Pelo pouco que eu pude conhecer de Sakura, sabia que ela era vingativa.
Ela era má.
O sinal do fim do intervalo tocou, me tirando de meus devaneios. Levantei-me do banco, escutando as risadas de Naruto zoando Suigetsu de alguma coisa que não prestei atenção. Entramos no colégio, o pessoal estava um pouco na frente, e Neji pareou os seus passos comigo, ficando ao meu lado.
- E aí Uchiha, está ansioso para fazer o trabalho com a Joãozinho?
Alguma coisa se retorceu dentro de mim com aquele apelido babaca que Neji havia colocado na Sakura. Mas tive que reprimir minha careta de desgosto e fingir que eu não me incomodei. Até alguns dias eu também a apelida desse jeito.
Revirei os olhos, fingindo desgosto.
- Vou tentar sobreviver.
Ele sorriu debochadamente e abriu a boca para falar, mas Naruto o interrompeu:
- Que porra está acontecendo ali?
Viramos o corredor das salas de aula, encontrando com Naruto que estava um pouco mais a frente, fitando o tumulto de pessoas paradas.
Resolvemos nos aproximar e passamos por aquelas pessoas até ver o que tinha acontecido.
- Caraca, mané! - Exclamou Naruto com os olhos arregalados.
- O que foi isso!? - Sussurrei, fitando incrédulo o vandalismo que havia acontecido ali.
Todos os armários estavam pichados com tintas spray vermelho, as paredes, as portas das salas, tudo estava com rabiscos e ziguezague. Mas o que mais me impressionou era a frase escrita com letras borradas e tortas com tinta verde na parede ao lado da minha sala.
ISSO É PARA VOCÊ NÃO MEXER COM QUEM NÃO DEVE, DIRETORA
- Alguém aprontou com a diretora. - Disse Neji.
Na tentativa de olhar para ele, meus olhos pararam em Sakura ao lado de Gaara. Ela olhava tudo aquilo com uma expressão incrédula, seu amigo estava com uma expressão calma.
A voz grossa da diretora ecoou pelo corredor, pegando todos de surpresa:
- Mas que merda aconteceu aqui?
Ela parou no meio e fitou tudo aquilo com o cenho franzido, seus lábios crisparam de irritação quando viu a frase feita pela pessoa que completamente queria chamar atenção. Os professores estavam atrás dela, fitando aquilo horrorizados, e se perguntando quem deveria ter feito aquilo. Eu também não tinha ideia de quem poderia ter feito aquilo, e seja lá quem fosse, era muito doido.
- Parece que temos um engraçadinho na escola. - Ela disse, fazendo com que os murmúrios e as falações começassem, cada um com sua teoria. - Todos para a sala de aula agora, mas quem quer que seja o engraçadinho, não vai sair impune.
Os alunos começaram e se movimentar para suas salas.
Sentei no meu lugar, escutando Naruto e Suigetsu se perguntando de quem teria feito aquilo. Ino desta vez entrou na sala de aula, seus olhos estavam pouco vermelhos e nem olhou na minha cara. A aula era de japonês e a professora Kurenai começou passando uma lição de moral para a turma diante do que aconteceu no corredor, mas cinco minutos depois ela foi interrompida pelas batidas na porta.
Ela foi abrir a porta, revelando Karin. Sua expressão era irritada e ao mesmo tempo confusa, completamente com as pichações lá fora.
- Karin, você sabe que eu não aturo atrasos. - Repreendeu a professora Kurenai.
- Desculpe professora, mas eu tive um probleminha lá embaixo...
- Tudo bem, entra. - A professora a interrompeu, fazendo Karin revirar os olhos.
Ela caminhou para seu lugar na frente de Ino, e algo nela me chamou atenção. Uma pequena mancha vermelha que estava na ponta de sua blusa branca.
Ela sentou-se em seu lugar e virou para trás, fitando Ino.
- O que aconteceu lá fora?
Da onde eu estava dava para escutar a conversa das duas.
- Eu não sei.
- Senhorita Uzumaki, poderia fazer o favor de ficar em silêncio? - A voz alta da professora Kurenai a fez olhar para frente e assentir com a cabeça. Mas pude escutar o resmungado dela chamando Kurenai de vagabunda.
A professora ficou mais vinte minutos de sua aula falando a mesma coisa de sempre até voltar a dar sua matéria. O restante da aula foi tranquilo e tedioso, e suspirei quando chegou à última aula. O professor de matemática, Yamato, entrou na sala cumprimentando a turma e mandando todos ficarem em silêncio.
Não demorou para que ele começasse a sua aula, e alguns minutos depois a aula foi interrompida pelas batidas na porta novamente naquele dia. Assim quando ele abriu, revelou a diretora Tsunade, com sua secretária Shizune ao lado.
Ela entrou na sala, passando o olhar nos alunos até parar em Karin.
- Karin Uzumaki, na diretoria agora.
- O quê? - Karin levantou seu corpo para cima. - Mas por quê?
- Algum problema, diretora? - Perguntou o professor.
Ela desviou os olhos sérios de Karin para ele.
- Parece que encontramos o engraçadinho, quer dizer, a engraçadinha que fez aquela sujeira nos armários e nas paredes.
- Mas o quê... Eu não fiz nada! - A voz de Karin saiu alta enquanto ficava de pé, fitando a diretora, incrédula.
- Diz isso para as tintas sprays no seu armário.
- Não fui eu! Você está me julgando sem eu ter culpa...
Karin tentou argumentar com sua voz alterada, mas a diretora a interrompeu:
- Diretoria agora, senhoria Uzumaki!
- Mas...
- Agora!
Todos olhavam Karin levantando-se de sua cadeira e saindo da sala com a diretora. Não era possível, Karin? Não.
- Não acredito que foi a Karin. - Escutei Naruto resmungando atrás de mim.
Olhei para trás disfarçadamente e pude ver Sakura em seu lugar, seus dois amigos estavam com ela. Mas o que me impressionou foi o pequeno, e quase invisível sorriso que escapava de seus lábios.
E foi aí que minha ficha caiu.
Sakura era a culpada, não sabia como, mas ela tinha culpa nisso, e aquela era a sua vingança contra Karin, por ontem.
Seu olhar encontrou o meu, e seu pequeno sorriso morreu, fazendo uma sobrancelha arquear para cima em seguida. Franzi meu cenho e virei para frente. Não havia dúvidas, tinha sido ela, e parece que só eu havia percebido aquilo.
. . .
As aulas terminaram, e as fofocas de que a Karin era a culpada tinha se espalhado pela escola toda como uma espécie de praga.
- Cara, eu não acredito que foi a minha prima que fez isso. Cara, eu não acredito que foi a Karin!
Naruto estava ao meu lado, e resmungava inconformado, pois mesmo que Karin seja uma vadia que não valia nada, ela era prima dele e os dois se davam muito bem.
Eu tinha certeza que não tinha sido a Karin, isso não fazia o perfil dela, pichar paredes, e sim de uma certa garota de cabelos cor-de-rosa.
- Eu não sei, Naruto, talvez Karin quisesse se vingar daquele dia que a Tsunade a mandou voltar para casa por causa daquela saia curta.
Naruto me fitou, franzindo o cenho.
- Eu não acredito que a Karin tenha se sujado por tão pouco.
- Talvez você não a conheça tão bem - respondi.
- Qual é, teme, a Karin pode ser o que for, mas burra ela não é. - Disse Naruto. - E para mim, aprontaram para ela.
Naruto tinha dito uma bela de uma verdade. Karin de burra não tinha nada, ela se fingia.
Mas que merda eu estava fazendo afinal? Sabia que a culpada era Sakura, e por que eu insistia em culpar a Karin como se ela realmente estivesse culpa?
Não sabia o que Sakura tinha feito, mas a notícia que rolava era que tinha encontrado tintas de spray no armário dela - que por ironia, era o único armário que não tinha sido afetado pela tinta -, e uma espécie de planta do colégio muito mal-feita do próximo ataque, a diretória.
Aquilo era ridículo, quem seria burro o suficiente em guardar as provas do crime do próprio armário, e ainda possível deixá-lo limpo? Sem deixar de lado que eu havia visto a ponta da blusa branca de Karin manchada de vermelho, o mesmo tom do spray. Ela havia sumido o intervalo todo, e só aparecido cinco minutos depois que as aulas começaram.
Sakura estava na minha linha de visão o intervalo inteiro, não poderia ter sido ela, mas sim seus amigos que haviam sumido. Ela era a mandante. Não conseguia imaginar como ela conseguiu fazer aquilo tudo em tão pouco tempo e sem que ninguém visse. Mas diante disso tudo eu pude tirar uma conclusão ao seu respeito:
Aquela garota era diabólica.
Saímos do prédio e logo percebi alguns alunos correndo na direção do estacionamento, eufóricos e dizendo que havia briga. E antes de conseguíssemos dizer algo ou pensar algo, Konohamaru veio correndo em nossa direção com os olhos arregalados, fitando o dobe.
- Naruto, corre cara! - Ele dizia eufórico, tomando fôlego por causa da corrida.
- O que foi, Konohamaru? - A voz do Naruto saiu alarmada.
O garoto olhou e apontou em direção ao estacionamento.
- A sua prima Karin está brigando com aquela garota de cabelos rosa, lá na rua!
- O quê? - Tanto eu quando Naruto dissemos em uníssonos.
Não pensei duas vezes e corri junto de Naruto. Conforme nos aproximamos do estacionamento pude ver a roda enorme de alunos gritando e vaiando um: BRIGA! BRIGA! BRIGA! Totalmente eufóricos.
Meti-me no meio daquele tumulto, tentando abrir passagem até poder visualizar Karin caída no chão com a saia levantada para cima, mostrando sua calcinha amarela e gritando de dor enquanto Sakura a puxava pelos cabelos para a calçada da rua.
Fiquei estático por um momento fitando a cena, chocado. Só despertei quando um garoto com um rolo de dinheiro na mão parou na minha frente.
- Vai querer apostar? A maioria estão apostando na garota do cabelo rosa.
Fitei o garoto do primeiro ano e franzi o cenho. Logo percebi que não era só ele que se divertia diante da situação e sim vários alunos, uns até filmava com o celular o vexame, e outros narravam com uma caneta como se fosse o Galvão Bueno num jogo da seleção do Brasil.
Escutei os gritos de Hinata e Ino pedindo para alguém apartar a briga das duas, quer dizer, da Sakura massacrando a Karin, mas os dois amigos da Sakura impediam que as duas se aproximassem. Naruto quando viu Kiba agarrando sua namorada por trás correu até ele, o empurrando com toda a força, e gritando algo que não pude entender diante da gritaria.
Sakura continuava puxando Karin pelos cabelos na calçada da rua e a ruiva gritava escandalosa, fazendo as pessoas que passavam por lá parar para verem.
Sabia que ninguém iria apartar a briga e a única coisa que eu fiz foi correr até as duas e tentar apartá-las.
Sakura a jogou para o lado e avançou para cima de Karin, transferindo tapas na cara da outra, e arrancando fios de cabelo vermelho. Karin tentava se soltar, puxando os cabelos de Sakura, mas a outra estava em cima de si como um búfalo raivoso.
Consegui chegar a tempo e agarrei Sakura por trás, tirando-a com muito custo de cima da Karin.
- Me larga, seu idiota!
- Para com isso, Sakura. - Minha voz saiu dura enquanto apertava meus braços em sua cintura e puxando com muito custo nossos corpos para trás, pois a mesma esperneava nos meus braços.
Naruto e Neji chegaram até Karin e ajudaram a se levantar. E quando ela já estava de pé, veio avançando com tudo para cima de Sakura, com os cabelos todos despenteados. Mas para a minha sorte e até a de Sakura, Naruto foi mais rápido e segurou sua prima.
- Me larga, Naruto, eu vou arrebentar essa vadia! - Gritou Karin esperneando nos braços do primo enquanto chutava o ar, sem se importar com a calcinha que aparecia.
- Karin se acalme! - Pediu Naruto.
- Me acalmar? Foi ela que fez aquilo nos armários! - Ela apontou para Sakura. - Foi ela que fez com que eu tomasse uma semana se suspensão!
Naruto fitou Sakura nos meus braços.
Ela havia parado de espernear, e riu descontroladamente.
- Garota você tem esquizofrenia múltipla? - Sakura questionou com aquele tom de deboche. - Assume os seus erros e não coloque a culpa em ninguém, sua idiota.
- Como você é cínica garota! - Gritou Karin. - Me larga, Naruto!
- Vamos embora. - Naruto tentava carregá-la com muito esforço até o estacionamento.
- Tem certeza que eu sou a cínica? - Disse Sakura ironicamente. - Tem certeza, Karin? Pelo que eu saiba o seu teto é de vidro, minha filha.
- Já chega Sakura...
Não consegui terminar a frase, pois senti uma cotovelada em meu estômago, fazendo-me sentir uma dor miserável e afrouxar os braços em torno dela que aproveitou para se soltar de mim.
- Você é uma vagabunda! - Gritou Karin ainda nos braços de Naruto.
Sakura se aproximou dela com passos pesados, tentei impedi-la, mas a dor me fazia contorcer-me para frente. Kiba se apostou em seu lado e Gaara segurou seu braço, tentando impedi-la. Neji foi para o lado de Naruto, tentando apartar o que poderia vir.
Sakura levantou o braço e apontou o dedo na cara de Karin, que ainda gritava pedindo para que Naruto a soltasse.
- Olha aqui garota, pouco estou me fudendo para o que você fala - começou Sakura com a voz irritada, Gaara ainda segurava seu braço -, mas não se meta comigo. E se cruzar o meu caminho novamente eu não vou ter piedade.
- Sakura, vamos embora. - Pediu Gaara, a puxando para trás.
- Eu vou acabar com você sua molambenta! - Gritou novamente Karin.
- Não tenho medo de você, garota. - Disse Sakura. - O recado está dado. Me solta, Gaara!
Gaara a soltou e ela se virou, tomando sua mochila das mãos de Kiba e vindo com passos pesados até mim.
Seus olhos fitaram o meus por um segundo, e não pude evitar aquele frio na barriga.
- Babaca. - Ela disse baixinho antes de esbarrar propositalmente o seu ombro em mim, e ir embora com seus dois amigos guarda-costas em seu encalço.
Mas que porra eu tinha feito agora?
Olhei para trás, com a minha mão no meu estômago, pude ver ela no meio entre Gaara e Kiba. A única coisa que eu fiz foi tentar apartar uma briga, mas ela havia ficado zangada comigo.
Mas que droga de garota complicada.
