Capítulo 8 - Desmascarado
Posso dizer que sonhei a noite toda com Sakura Haruno e a nossa tarde de estudos. Mas não foi um sonho qualquer, foi um sonho diferente.
No começou era tudo normal, ela sendo a mesma Sakura briguenta de sempre e nós fazendo o trabalho de física. Em seguida algo havia mudado nela, e ela havia ficado de um jeito sexy e começava a me seduzir sensualmente, o que me deixou excitado. E quando eu estava me entregando aos seus encantos luxurioso, de repente eu me vi preso, amarrado pelas mãos num tronco, completamente nu, com fogo espalhados a minha volta, e Sakura a minha frente de rabo e chifres sustentando um sorriso diabólico nos lábios pintado de vermelho e me chicoteando por inteiro, alegando que eu estava ali para pagar os meus pecados.
Eu acordei assustado ao som do meu despertador. Fiquei sentado, sentindo meu coração bater muito forte, eu estava todo suado. Olhei para os lados, percebendo que estava em meu quarto escuro e que aquilo tudo era só um pesadelo.
Levei minha mão a cabeça e baguncei meus cabelos, tentando de alguma forma me acalmar. Em seguida virei meu corpo para o lado e desliguei aquele barulho irritante do meu despertador.
Suspirei.
- Foi só um sonho. - Murmurei comigo mesmo, sentindo-me um marica.
Resolvi ignorar aquilo e me levantei da cama, abri um pouco a cortina para clarear o meu quarto e fui para o banheiro, tomei um banho e escovei os dentes. Voltei para o quarto, secando meu corpo, e procurei o que vestir no guarda-roupas e logo eu me via arrumado para a escola. Ajeitei minhas coisas na mochila, não me esquecendo do trabalho de física.
Ainda bem que hoje era sexta-feira.
Coloquei a mochila no ombro, peguei meu celular e as chaves e saí do quarto, percorrendo o corredor e descendo as escadas em seguida. Deixei minhas coisas no sofá da sala e fui para a sala de jantar, encontrando todo mundo ali sentados em volta da mesa.
- Bom dia - murmurei, sentando no meu lugar, ao lado de Itachi.
- Bom dia, meu amor, dormiu bem? - Minha mãe perguntou com aquele humor calmo e delicado de sempre.
Murmurei um sim e comecei a me servir com uma xícara de café e pão com queijo.
Minha mãe mantinha uma conversa sobre o trabalho com meu pai, Itachi vez ou outra se intrometia, opinando, e eu me mantive calado, com a minha atenção totalmente voltada para o meu café. Geralmente eu não conversava pelas manhãs, pois sempre estava sob o efeito do sono, e ficava assim até eu tomar o café da manhã para despertar.
Lembrei-me de ontem à tarde, Sakura estava aqui e havia almoçado comigo e minha mãe. Isso era uma coisa inédita para mim, tão inédita que fiquei com isso na cabeça a noite toda, o que resultou eu sonhando com ela.
- Querido! - A voz de minha mãe me trouxe de volta ao mundo real, me fazendo fitá-la sobressaltado.
- Oi.
Escutei a risada de Itachi.
- Deve estar pensando na garota.
Virei meu rosto para Itachi, ele sorria debochadamente, e aquilo me deixou em alerta.
- Que garota?
Ele ergueu as sobrancelhas.
- O que a mamãe está falando.
Tentei manter a minha expressão de indiferente - eu era mestre nisso -, mas começava a sentir um desconforto em meu estômago. Voltei minha atenção para minha mãe quando ela começou a falar:
- Estou perguntando se você levou a menina para casa direitinho ontem?
Não! Não acredito que minha mãe iria começar uma conversa sendo Sakura o assunto principal. Estava bom demais para ser verdade. Minha mãe iria especular coisas, sugerir coisas que não existem, e traçar um futuro para mim, só por que eu estava com uma garota. E o pior, todo mundo iria junto na onda dela de imaginação fértil.
- Sasuke trouxe uma garota para casa ontem? - Meu pai perguntou, deixando seu jornal de lado e entrando curioso na conversa.
Não podia acreditar que até meu pai iria querer saber de coisas que não existem.
- Mas eu não te disse isso ontem, Fugaku? - Questionou mamãe, o fitando.
- Querida, eu estava com tantas coisas para resolver que nem prestei atenção. - Respondeu meu pai, com aquele tom meio que arrogante que nós sabíamos perfeitamente que era só o jeito dele, e que ele não fazia por mal.
- Está de namorada, Sasuke? - Perguntou Itachi colocando mais lenha na fogueira. - Criou vergonha agora e virou homem?
- Ela não é minha namorada. - Respondi, tentava a todo custo colocar um fim naquilo, mas já havia percebido que aquilo era só o começo.
- Está saindo com ela, meu filho? - Perguntou meu pai, sua atenção toda voltada para mim. - Lembre-se de sempre usar camisinhas para não receber uma notícia indesejável. - Franziu o cenho e engrossou a voz. - E se caso desonrar a menina, irá arcar com às consequências. Não criei um filho para ser covarde e fugir das responsabilidades. Homem de verdade não usa só o título de machão, e sim quando honra suas calças.
Meus olhos se abriram mais. Minha nossa, que droga o meu pai estava falando?
- Pai, eu não estou saindo com a Sakura, nós não temos nada! - Franzi mais o cenho, ignorando o idiota do meu irmão que falhava em prender a gargalhada. - Ela só é uma garota da minha sala, e ela só veio aqui para fazermos um trabalho juntos, só isso!
- Sua mãe na época também era só uma garota da minha sala, e também ela ia na minha casa para fazermos trabalhos juntos. - Meu pai fez um movimento com a mão para todos nós. - E olhe onde estamos agora? Casados, e com dois filhos.
Me engasguei com o café que estava tomando, e Itachi me ajudou dando tapinhas nas minhas costas, prendendo uma risada que vez ou outra escapulia pelo canto de sua boca.
- Meu amor, você está bem? - Minha mãe perguntou, seu rosto em alerta me fitava.
Apenas assenti com a cabeça, querendo que algum meteoro caísse na minha cabeça.
- Sasuke, meu filho - começou minha mãe, voltando ao assunto -, não precisa ficar com vergonha em apresentar uma garota que goste. Ela até que é bonitinha.
- Mãe será que dar para você ficar quieta? - Minha voz saiu entredentes, enquanto lançava aquele olhar questionador. Ela tinha que se mancar.
- Manda sua mãe calar a boca de novo e quem vai calar a sua boca vai ser eu. - Repreendeu meu pai, grosso novamente, unindo as sobrancelhas e crispando a boca.
Claro que fiquei com o meu cu mão e abaixei a cabeça.
- Desculpe, mãe.
- Continue, Mikoto, como é a menina? - Apenas fechei os olhos, quando escutei aquilo saindo da boca do meu pai.
Bando de fofoqueiros.
- Ela é uma menina muito simples, dava para ver nas roupas que ela usava, também não é muito feminina, mas é um amor. - Minha mãe sorriu toda derretida, dando um gole do seu chá. - Muito tímida pelo que percebi, almoçou comigo e o Sasuke. Ah, ela mora com o pai e a madrasta, e não tem casa própria.
Suspirei, tentando de alguma forma buscar paciência, e não dar um basta naquilo. Minha mãe era uma fofoqueira e tanto, e estava levantando a ficha da garota. E desde quando a Sakura era um amor? Desde quando ela era tímida? Minha mãe não sabia a megera que Sakura era. Ela não tinha ideia do quanto a Sakura podia ser má e diabólica, e depois do sonho sinistro que eu tive, eu queria era distância dela.
Levantei-me da cadeira, atraindo a atenção deles para mim. Não iria ficar ali sendo alvo das fofocas deles como se eu não estivesse presente. Para mim já deu.
- Já vou indo - murmurei irritado, caminhando para fora dali.
- Não vai terminar o seu café, Sasuke? - Minha mãe perguntou.
- Já estou satisfeito.
- Mande um abraço para a Sakura.
Itachi seu desnaturado, só não mando você para aquele lugar por que não quero que meu pai ou minha mãe faça eu mostrar o caminho para você. Mas tu me paga, traste.
Peguei minhas coisas no sofá da sala e saí de casa, logo já estava no meu carro a caminho da escola.
Eu já tinha uma ideia de como a escola poderia estar hoje, um pouco fora do normal, mas não que estivesse fora de controle.
A primeira coisa que percebi quando cheguei foi a euforia dos alunos, excitados o suficiente com a fofoca do dia. A briga da Haruno com a Karin estava rendendo, e o vídeo que estava rolando no Youtube - com quase um milhão de acessos - havia se espalhado como se fosse uma peste.
Todos viram e reviram, todos comentavam o estado lamentável que a prima do Naruto havia ficado. Todos haviam descoberto que Sakura Haruno era foda o suficiente para eles respirarem o mesmo ar que ela.
- Meirmão essa garota é um tigre. - Comentou Suigetsu, revendo o vídeo da briga pela quinta vez naquela manhã.
Nós estávamos no nosso lugar de sempre, esperando o sinal tocar para subirmos para a sala.
- Não é à toa que ela é a Joãozinho. - Disse Neji, esticando o pescoço para ver o vídeo no celular de Suigetsu. - Aí, essa parte dela arrastando a Karin pelos cabelos foi foda.
- Cuidado que você pode ser o próximo, já que tem esse cabelão. - A voz de Shikamaru soou enquanto ele se aproximava de nós, com aquela sua típica cara de preguiça.
- Que isso rapá. - Retrucou Neji, levando suas mãos nos cabelos e dando um passo para trás.
- Parece que a Karin virou a piada da vez. - Shikamaru olhou para mim, parando em nossa frente. - Vai dar sua solidarização a ela não? Ela vai precisar, se é que você me entende.
Dei de ombros.
- Não costumo fazer caridades.
- Até porque, vai que a Ino descubra e contrate a Sakura-Matadora para te desossar!? - Disse Suigetsu sorrindo debochado.
Neji gargalhou com vontade.
- Sakura-Matadora? Gostei dessa.
Revirei os olhos.
- Imbecis. Eu terminei com a Ino.
- Sério? - Suigetsu fez uma cara de espantado. - É até pecado desperdiçar aquilo tudo. Porra Sasuke, a garota é uma loira de primeira e tem olho azul.
- Então fique com ela - retruquei.
- Se ela me aceitasse, eu ficaria. - Ele deu de ombros. - Você sabe que essas garotas quanto mais bonitas, mais exigentes elas são. Elas preferem aqueles caras com jeito perfeito e rotulados, típico aqueles engomadinhos metidos a machos que fazem umas danças que parece que estão com um pau atravessado, como aqueles coreanos Kpop. Não sei o que as meninas acham graça naquilo.
- E ainda por cima usam maquiagem, aqueles filhos da puta. - Concluiu Neji. - Hinata tem vários postes desses coreanos colados na parede, maior aberração.
- Vou começar a usar maquiagem também, quem sabe algumas minas não cai na minha rede. - Sorriu Suigetsu com a sua ideia de merda.
- Vai ficar parecendo com o Bozo. - Eu disse, tentando achar uma lógica de como eu fui me tornar amigo daquelas criaturas.
- Ou você pode usar uma máscara com a cara do Sasuke. Ele tem pinta de coreano Kpop. - Disse Shikamaru, fazendo todos rirem como javalis.
- Vocês não são mais bestas por fata de espaço. - Resmunguei, focando minha atenção para o portão, para ver se via uma marrenta baixinha, mas nem fumaça dela.
O sinal havia tocado e fomos todos para a sala, encontramos com Naruto no caminho. Ele estava chato pra caralho, tomando as dores da prima vadia que não valia nada. Apenas o ignorei.
A primeira aula era de física, e o professor já na sala disse que a aula seria só para a apresentação dos trabalhos.
Dei uma olhada rápida ao redor da sala e nem sinal da Haruno, seus dois amigos capachos estavam lá, menos ela. Não estava acreditando que ela iria faltar e me deixar na mão.
Isso seria sacanagem.
O professor Kakashi começou a organizar os grupos de quem iria começar primeiro, quando bateram na porta. Ele interrompeu a aula e foi abrir a porta revelando ninguém mais e ninguém menos do que Sakura.
- Está atrasada, senhorita Haruno.
- Foi mal professor. - Ela deu alguns passos para dentro.
Pude escutar os murmúrios na sala, sobre ela, e observei seu perfil com mais clareza. Ela estava com uma daquelas camisetas desbotada enorme, a calça jeans larga e velha, a mochila de jeans puído nas costas e os cabelos naquele rabo de cavalo frouxo, totalmente bagunçado. Mas tinha um detalhe nela que não havia passado despercebido por mim, e pelo jeito não havia passado despercebido pelo professor.
- O que aconteceu com a sua mão? - Ele apontou para a mão esquerda dela que estava toda enfaixada, subindo para o pulso.
O que havia sido aquilo? Ela havia se machucado? Com a Karin eu sei que não foi, já que ela bateu do que apanhou.
Observei sua expressão atentamente, mas Sakura mantinha o rosto com uma típica cara de paisagem.
- A minha mão caiu acidentalmente no maxilar de alguém. - Sua resposta na ponta da língua e um pequeno sorriso debochado no canto de sua boca.
Mas uma coisa eu havia percebido e que ninguém mais deveria ter notado. Sakura estava mentindo, eu havia percebido por que ela sempre usava aquele tom de voz para ocultar as coisas. O deboche e o sarcasmo era a sua máscara para cobrir a realidade. E tenho que admitir que ela era boa nisso, assim como eu, que antes do sarcasmo eu usava uma expressão de indiferença.
O professor ergueu as sobrancelhas.
- Essa atitude não é muito bonita, caso pense nisso, senhorita. Violência só gera violência.
- O senhor tem toda razão, professor - o humor irônico na voz -, vou pensar nas suas palavras da próxima vez.
- Parece que o professor está na mira da Sakura-Matadora. - Cochichou Neji, inclinando seu corpo para perto de mim.
Eu queria dar uma boa resposta para Neji, dizer para ele o quanto ele é um bosta, um otário. Mas eu não podia, não queria causar inimizades, e muito menos estava afim de arrumar problemas com meus amigos por causa de Sakura. Não quero dar motivos a eles que eu possa está interessado nela. Pois eu não estava, ela só conseguia chamar a minha atenção. E só.
- Espero que sim, senhorita. Agora vá para o seu lugar.
Sakura caminhou até o seu lugar, e nenhuma vez seus olhos me fitaram. E mesmo agradecendo mentalmente por isso, eu me senti excluído por ela mais uma vez. Eu odiava esse sentimento que eu sentia como se eu estivesse sendo ignorado. Era irritante.
- Bom - o professor voltou a falar -, vamos começar por Naruto e Suigetsu.
- Tô fodido. - Escutei Naruto resmungar enquanto se levantava do seu lugar e caminhava junto de Suigetsu para frente com uma experiência bosta em sua mão.
Não era preciso dizer que a apresentação era a mesma coisa do que lixo. Não havia um naquela sala que não ria da explicação enrolada de Naruto, e Suigetsu tentado incrementar algo, mas só contribuía no desastre que estava sendo. Cinco minutos depois eles encerraram, e o professor mandou eles se sentarem. Os dois já sabiam qual nota levariam.
Dois segundos depois o professor chamou a próxima dupla, e foi aí que bateram novamente na porta. E dessa vez era a Shizune, a secretária da diretora.
Ela entrou na sala e passou um olhar entre nós até parar no fundão.
- Desculpe interromper a sua aula, Kakashi - ela disse -, mas só vim chamar a senhorita Haruno para a diretoria.
Não teve um que não olhasse para Sakura sentada no fundão, ela não parecia afetada com aquilo, apenas se levantou e caminhou como não quer nada, seguindo Shizune para fora da sala.
- O que será que ela aprontou? - Perguntou Naruto para mim.
- Não sei.
Realmente não sabia o que ela havia aprontado, talvez a diretora tenha descoberto que a autora das pichações era ela e não Karin. Mas mesmo assim, seria um pouco difícil de provar, e seus amigos ainda estavam ali na sala, e pelo visto estavam surpresos com aquilo.
O professor Kakashi voltou a sua aula e a dupla apresentou seu trabalho. E assim se passou meia hora de física, eu apenas esperava chegar a minha vez, pensando que iria apresentar o trabalho sozinho.
Ino e o ruivo esquisito sem sobrancelhas apresentavam agora, e os dois pareciam bem entrosados na explicação.
- Muito bom, senhorita Yamanaka e senhor No Sabaku. - Disse o professor e nessa hora a porta foi aberta e Sakura apareceu, atraindo a atenção do professor para ela. - Senhorita Haruno, permaneça aqui.- em seguida ele me fitou - Senhor Uchiha, pode vir.
Me levantei da cadeira e peguei a experiência, junto com o trabalho escrito e fui até a frente. Podia sentir meu peito batendo fora do normal, mas não era nervosismo por falar em público e sim, por estar me aproximando dela.
Entreguei o trabalho escrito para o professor e coloquei a experiência em cima da mesa. Dei uma olhada rápida para aquela marrenta, percebendo ela visivelmente irritada. Estava curioso para saber o que havia acontecido na diretoria.
Começamos a apresentar o trabalho, expliquei a minha parte majestosamente bem, como sempre, e passei a minha vez para Sakura. Ela deu uma enrolada na explicação no começo, e eu ajudei a lembrá-la, mas só foi isso. Ela até que foi bem, explicando daquele jeito sem interesse nenhum. E assim terminamos a nossa apresentação, levando nota máxima no final.
. . .
O intervalo havia chegado, e agradeci por isso, estava mentalmente esgotado naquele dia, e olha que o dia só estava começando.
Resolvi ir ao banheiro primeiro, antes de descer para o refeitório. Por onde eu passava eu só via os grupinhos em roda, visualizando o vídeo da briga e comentando.
O povo não parava.
Virei o corredor já vazio que dava para os banheiros e quando menos eu percebi eu me esbarrei com um corpo, que virava para a minha direção. A situação aconteceu rápido demais, que só tive tempo de segurar a pessoa pelos braços e impedi-la de cair.
- Droga, olha por onde anda!
A voz zangada de Sakura soou, fazendo eu focar minha atenção nela, que me fitava com as sobrancelhas franzidas.
- Desculpa, eu não te vi. - Respondi, soltando seus braços, e olhando seus olhos grandes e verdes.
- Claro, sou invisível.
Apertei os olhos, ignorando aquele frio que eu sentia no estômago.
- A ironia sempre na ponta língua, né?
Ela revirou os olhos, e cruzou os braços, dando um passo para trás.
- Pensei que não viria para escola. - Comentei, com que não quer nada, fazendo ela me olhar novamente.
- E por que eu não viria?
- Sei lá, você é louca e imprevisível. - Dei de ombros, fingindo desinteresse em nossa conversa estranha, mas o fato era que eu estava ansioso por sua resposta, mesmo que seja sarcástica.
Ela sorriu irônica.
- Eu sempre honro como os meus compromissos. E depois de uma tarde de trabalho ontem, nem ferrando eu deixaria você levar todo o crédito.
Sorri, soltando o ar pelo nariz. Também cruzei os braços e a olhei de baixo para cima, me sentindo superior.
- Mas você está ocultando o fato de que a maior parte do trabalho fui eu que fiz.
Ela levantou os ombros para cima.
- Claro, se eu tenho um otário para fazer para mim.
Franzi o cenho. Que garota petulante.
- Sabia que você está sendo uma pessoa interesseira e mesquinha?
Ela apenas ergueu as sobrancelhas, me fitando com aquela marra toda. Meus olhos desviaram para a sua mão enfaixada.
- O que aconteceu com a sua mão?
- Você estava na sala quando eu expliquei - ela disse.
- Mas eu não acreditei na sua explicação.
- O problemas é seu.
Realmente era difícil tentar um diálogo com Sakura, ela só respondia aquilo que ela queria que a pessoa soubesse. Ela era um verdadeiro túmulo fechado, e eu havia percebido que eu não era a pessoa adequada que ela pudesse se abrir, ou contar algo importante.
- Se meteu em encrencas para ir parar na sala da diretora?
- O que foi? - Suas sobrancelhas cor-de-rosa franziu, e seus lábios crisparam por um momento. - Virou algum tipo de detetive para ficar me interrogando agora?
- Só fiquei preocupado com você.
- Deixa de ser mentiroso, você está se remoendo para saber o que a diretora queria comigo. Você é muito curioso, playboy. - Ela sorriu. - Mas vai ficar na vontade.
- Você é má - murmurei, descruzando os braços.
- Gosto de ser má.
Sorri irônico.
- Tão má que está no Youtube.
- Você viu? - Ela forçou uma animação. - Eu fiquei massa acabando com aquela lacraia ruiva. Até comentei lá.
Sakura conseguia ser inacreditável.
- Eu só queria dizer que isso é um incentivo para violência. - Eu disse. - Pega mal para a reputação de uma garota, se metendo em briga de rua que não vai dar em nada.
- Como é que é? - Ela descruzou os braços, a expressão irritada, apontando o dedo para mim. - Quem você pensa que é para falar para mim o que é certo ou errado? Eu só estava me defendendo daquela vadia que estava me atacando. Ela começou! Se você está tão doído pela sua amiguinha, vai lá consolá-la, leva um chazinho para ela, eu sei que ela vai gostar. Só não deixa a sua namorada chifruda saber, por que loira já leva título de burra, e com galhada na cabeça...
- A Ino não é minha namorada. - A interrompi, ficando irritado com suas acusações e intrigas, abaixando seu dedo. - E isso não é da sua conta.
- Ah não? - Ela ergueu as sobrancelhas. - Agora você está achando ruim eu me metendo na sua vida, mas na minha você acha bom se meter, né? Não gosta de ouvir a verdade. Não gosta de saber que é um filho da mãe cafajeste que trai a namorada com a melhor amiga dela. Nossa que...
- Como é que é?
A voz que havia interrompido a Haruno fez nós dois olhar para o lado e se deparar com Ino a nossa frente, com o rosto surpreso.
- Ino.
- Você... me traía esse tempo todo com a Karin? - Ela questionou, seus olhos azuis furiosos começavam a lacrimejar.
Droga!
- Uh, se ferrou, playboy. - Murmurou Sakura, com aquele humor de cão, dando alguns passos para trás. Víbora.
- Ino...
Dei um passo para frente, tentando começar a minha explicação, mesmo estando separados, a situação era delicada.
- Ino nada! - Ela gritou, me interrompendo. - Eu estava aqui me questionando, o que eu tinha feito de errado para você ter terminado comigo... mas no final você me traía esse tempo todo com a Karin. Sasuke, a minha melhor amiga!
- Nós não temos mais nada, Ino. - Tentei dolorosamente me justificar, mas sabia que eu já estava queimado.
- Sim, ainda bem que não tenho mais nada com você. Perdi meu tempo com um porco feito você.
Franzi o cenho.
- Olha lá como você está falando, está me ofendendo.
- É para ofender mesmo! - Ela gritou mais uma vez, as lágrimas agora visíveis nos olhos. - E pelo jeito, todo mundo sabia - ela deu uma olhada para Sakura que estava ali fazendo platéia. - Se até essa... garota já sabe.
- Ei! - Sakura deu um passo para frente com as palmas das mãos para cima, se intrometendo. - Não vem tentar descontar sua raiva em mim não, loira, pois eu não tenho nada haver com o fato de seu namorado te traía com a sua amiga traíra.
- Cala a sua boca que eu não te perguntei nada! - Em seguida ela me fitou - Eu te odeio Sasuke. Eu te odeio tanto que eu quero do fundo do meu coração que você morra atropelado por um trem.
Ela passou por mim com passos corridos, esbarrando com o ombro propositalmente no meu. Deveria se socar novamente dentro do banheiro.
Louca
- Acho melhor você ver se o seu plano de saúde cobre cirurgia de atropelamento de trem. - Olhei para Sakura que mantinha sua atenção nas costas de Ino que se afastava. Em seguida me fitou. - Você sabe, atropelamento de trem... plaft, você ficaria um verdadeiro pastel.
Ela estava zoando comigo. Aquela situação toda aconteceu por culpa dela, e ela estava me zoando. Se eu estava zangado? Não. Eu estava puto com ela.
- Viu a merda que você fez? - Meu tom saiu mais alto que o normal, demonstrando toda a minha ira. Ela havia conseguido me irritar, de verdade.
Megera.
- Eu não fiz nada. - Sua voz cínica me deixava mais irritado. - Quem mandou pular a cerca?
- Você é o próprio diabo. - Acusei, tendo consciência de que aquela nanica causava desavenças e estragos por onde passava. Ela era diabólica.
- Já fui chamada de coisa pior. - Ela deu de ombros e sorriu, começando a se afastar, passando por mim. - Tchau, playboy, e evite atravessar linhas de trem.
Ela zoou uma última vez, sumindo do meu campo de visão.
Eu não acreditava muito nesses negócios de significados dos sonhos. Minha mãe sempre fala que um sonho acontece quando nós passamos por situações do dia a dia, e que o nosso cérebro projeta imagens e novas situações, reformulando um novo mundo quando a gente dorme. Mas ela dizia também, que um sonho poderia nos prevenir de possíveis situações futuras.
E pelo que dava para entender no meu sonho dessa noite, com Sakura de rabo e chifres me chicoteado, era hoje ela me chicoteando na vida real. Ao invés do chicote, era a sua língua grande por ter falado o que não devia na hora errada e no lugar errado, o que resultou em Ino descobrindo tudo.
Sabia que mentiras nunca duram para sempre, e dessa vez eu acabei desmascarado, sendo que noventa por cento disso foi obra daquela marrenta baixinha, conhecida agora como Sakura-matadora.
