Capítulo 9 - Competição

Sábado à tarde, o dia da competição local de natação que valia três vagas para a competição municipal finalmente havia chegado. Uma semana havia se passado, e nesse tempo eu não havia mais falado com a Haruno. Para falar a verdade, eu evitava ficar mais de dois metros perto dela. O nosso último encontro resultou em coisas sendo reveladas e uma Ino amaldiçoando-me até a morte. Essa última nem olhava mais na minha cara e agia como se a minha presença fosse insignificante, mas eu sabia que ela sofria por mim, pois Naruto havia comentado que havia pegado ela chorando pelos cantos.

Garotas.

Agora eu estava dividindo o vestiário com alguns caras de outra escola ao lado de seus técnicos. Eu estava aquecendo o meu corpo enquanto escutava o técnico Asuma repassar as regras de nado para que eu não cometesse alguma falta sem querer. Eu ouvia atentamente enquanto tentava me manter o mais relaxado possível, mas aquele frio na barriga era impossível de controlar. Eu já havia competido antes em categoria grupo, essa era primeira vez que eu competiria na categoria individual, a pressão e a responsabilidade em levar a minha escola como a melhor do estado era grande.

Eu era a promessa daquele ano.

Um dos assistentes do torneio apareceu no vestiário, alegando que já estava na hora. Como todo mundo, saímos do vestiário e os gritos e aplausos da plateia e uma música legal no fundo deixava tudo animado. Naquela hora era impossível não ficar um pouco nervoso, ansioso e o frio na barriga mais intenso.

Fitei a plateia a procura dos meus pais, mas não consegui identificá-los, mas em compensação eu pude ver os meus amigos - na parte da plateia reservada só para o povo da minha escola - fazendo uma maior algazarra com cartazes com o meu nome escrito e berrando meu nome dizendo para triturar os outros competidores. Foi inevitável não rir levemente enquanto balançava minha cabeça para os lados. Loucos.

Voltei a me concentrar na piscina enquanto colocava a touca e ajeitava o meu cabelo para dentro dela.

- Concentração, Sasuke. Lembre-se, mantenha o foco somente a sua frente e não no adversário. – Disse o técnico Asuma com a sua mão em meu ombro nu.

- Já estou ciente disso – respondi, pegando os óculos que ele me oferecia.

O técnico apenas assentiu com a cabeça e eu fui me posicionar - assim como os outros competidores - em minha raia que competiria. No total eram dez competidores lutando para as três sonhadas vagas para a competição municipal. Ajeitei os óculos protetores nos meus olhos e logo o som do apito do árbitro geral soou e todos subimos no bloco de partida.

- As suas marcas – o juiz de partida deu o seu comando enquanto a música que tocava ao fundo parava de tocar.

Me posicionei imediatamente na posição de partida, o meu pé esquerdo na parte dianteira do bloco. Meus braços meio que dobrados, as mãos esticadas e os dedos juntos enquanto meu corpo estava inclinado para frente. Meu coração começava a acelerar as batidas conforme o meu corpo se preparava pela dose de adrenalina que estava por vir em questão de segundos. Eu já estava posicionado e imóvel, fitando concentrado a minha raia, e poucos segundos o som do apito soou, nos dando o sinal da partida.

E sem demorar pulei na piscina, ficando submerso debaixo d'água e instalando imediatamente a realizar a técnica de golfinhada, os braços esticados para frente enquanto executava movimentos ondulares com as pernas com o intuito de quebrar a resistência da água e avançar mais rapidamente. A prova era nado crawl de cem metros, e como a piscina era só 25 metros, tínhamos que dar quatro voltas, duas de ida e duas de vinda. E antes de completar os quinze metros submergido, eu quebrei a superfície da água e nadei um braço depois de outro e não demorou para que chegasse do outro lado. Me virei submergido na água e toquei a parede com meu pé quando completei a primeira volta, tomando o impulso para voltar.

Podia ver o outro competidor a minha frente, e isso meio que me deixou ansioso, mas logo voltei a me concentrar, pois segundos eram preciosos para uma vitória. Voltei a quebrar a superfície da água e nadei um braço depois de outro e não demorou para que chegasse do outro lado, a minha mão tocando a parede era a marca de que eu havia completado a segunda volta. Fiz o mesmo processo na terceira volta e agora a adrenalina estava em cada poro do meu corpo, meus braços com toda a minha força ganhando a velocidade que precisava para completar aquela última volta, a parede a cada segundo se aproximava. Forcei mais os músculos dos meus braços e nadei mais, e instante eu pude sentir a parede da borda com a minha mão que havia batido com força e o som do apito do árbitro soar o fim.

Eu respirava com dificuldade, tirando os óculos do rosto e logo saindo da piscina e sendo recepcionado pelo técnico Asuma que me estendia a toalha.

- Bom trabalho.

- Valeu – disse e sequei meu rosto com a toalha, percebendo os outros saindo da piscina também.

- O primeiro lugar – a voz do juiz começou – com a diferencia de dois décimos de segundos é Utakata da escola Takada High School.

Era inevitável a minha frustração naquela hora, por um momento eu pensei ter batido primeiro que aquele tal de Utakata. Os gritos de sua escola eram alto e irritante. O juiz voltou a dizer:

- O segundo lugar é Sasuke da escola Konoha High School.

Os gritos a seguir vieram da minha escola, que estavam animados com a minha classificação. O técnico Asuma me abraçou de lado, e mesmo eu não tendo ganho o primeiro lugar, eu havia me classificado para as municipais.

- Sabia que conseguiria, rapaz – disse o técnico, apertando meu ombro com a mão.

- Obrigado – sorri de lado, me conformando que a vaga para as municipais era também importante quanto o primeiro lugar

- E o terceiro lugar – voltou a falar o juiz – vai para Kidomaru da escola Otoga High School.

O cara moreno que estava na oitava raia levantava os punhos para cima enquanto gritava eufórico pela última vaga. Um de nós três iria sair vitorioso na competição municipal que daria o título de melhor da cidade.

- Os classificados se aproximem dos pódios receptivos, para receberem as honras.

Nós três nos aproximamos do pódio, o Utakata na parte mais alta no meio de primeiro lugar, eu ao lado direito um pouco mais baixo do segundo lugar e o tal do Kidomaru no lado esquerdo e o mais baixo do terceiro lugar. Recebi a medalha de prata e o troféu de acrílico mais singelo que o primeiro. E depois de receber os parabéns por ter sido os três melhores da região e pousado para umas fotos, finalmente estávamos liberados.

. . .

Depois da celebração dos vencedores eu havia voltado para o vestiário ao lado do técnico que me parabenizava novamente pela minha classificação. E depois de trocar a bermuda elástica pelo jeans, camiseta e a jaqueta do time eu fui atrás dos meus amigos que não tardei em encontrá-los. Eles me parabenizaram e alegaram que havia uma festinha esperando por mim na casa do Suigetsu.

E não muito longe de onde estava com meus amigos eu consegui visualizar os meus pais que se aproximava, me procurando com o olhar naquelas pessoas que haviam ao redor. Deixei meus amigos de lado e fui até eles, nos encontramos no meio do caminho. Minha mãe abriu um sorriso.

- Meu amor, você foi maravilhoso. Meus parabéns.

Minha mãe me abraçava daquele jeito coruja que me deixava encabulado, pois meus amigos estavam num canto mais afastado observando a cena e fazendo gracinhas, debochando de mim.

- Obrigado, mãe – disse enquanto me afastava dela e da cena constrangedora.

Muito excesso de amor maternal.

- Você foi muito bem, filho – disse meu pai, me fitando com aquele seu jeito sério que nós já estávamos acostumados.

- Valeu pai – assenti com a cabeça. – Pena que não fiquei em primeiro.

- Haverá uma outra oportunidade para isso. Lembre-se que hoje o importante foi a sua classificação.

- Eu sei disso. – Respondi. – Cadê o Itachi?

- Ele teve que ficar no escritório segurando as pontas – respondeu mamãe. – Mas ele te desejou boa sorte.

- Hm.

E em seguida o celular do meu pai tocou.

- E por falar nele... O que foi Itachi? Hm... já estamos indo. – Ele desligou e fitou minha mãe. – Querida, temos que ir.

- Tudo bem – e depois se virou para mim. – Estamos indo, meu amor. Só tiramos um tempinho para ver você – e tocou o meu rosto com a palma da mão.

- Eu sei, mãe, e obrigado por ter vindo.

Ela sorriu como resposta.

- Ah, eu vou comemorar com os meus amigos.

- Só não volte muito tarde para casa, o tempo está ficando um pouco feio, acho que vai chover. Você sabe que o trânsito fica muito ruim no temporal.

- Eu sei me cuidar, mãe.

- Vamos Mikoto – chamou meu pai, pouco impaciente.

- Nos vemos em casa.

Eles se afastaram e voltei para perto dos meus amigos, e desejei não ter ido àquela hora.

- Não volte muito tarde em casa, filhinho – disse Suigetsu com uma voz escrota e com a mão no rosto de Neji.

- Eu prometo mamãe, que chegarei antes da chuva – respondeu Neji colocando sua mão no rosto de Suigetsu, entrando naquela brincadeira idiota.

- Vão se fuder – disse, vendo os outros caindo na gargalhada.

Imbecis.

- Esquenta não Sasuke – disse Naruto com um braço em meus ombros. – Eles estão só com inveja por não serem o filhinho da mamãe.

Arranquei o braço dele com certa brutalidade enquanto franzia o cenho.

- Vai se foder você também, dobe – e saí de perto deles com passos pouco rápidos, mas eu sabia que meus amigos babacas vinham atrás de mim e tirando uma com a minha cara.

E era por isso que eu evitava levar eles a minha casa.

. . .

A festa do Suigetsu havia tomado uma proporção bizarra. Era para ser uma festa só para os amigos, mas começou a brotar gente do nada e sair tudo fora do controle. A sala estava mais cheia do que uma pista de boate, o som tão alto que não dava para conseguir ouvir o próprio pensamento. Peguei uma latinha de energético e fui para o lado de fora.

- Caralho, isso aqui está uma coisa de outro mundo – disse Shikamaru assim quando me aproximei. Ele estava tragando um cigarro suspeito.

- E era só uma comemoração à minha vitória – abri a latinha de energético e tomei um gole enquanto via três garotas arrancar a roupa e se jogar na piscina.

- Ainda bem que a casa não é minha.

Shikamaru havia dito uma bela de uma verdade. Se eu desse uma festa dessas na minha casa, com certeza eu não estaria vivo no outro dia para contar história. Pois dona Mikoto parecia que tinha um radar que apita quando algo está fora do lugar.

- Cadê os outros que não encontrei mais?

- Naruto subiu para o quarto com a Hinata – e me fitou sorrindo malicioso -, hoje têm. O Neji tá pegando uma mina aí. O Suigetsu se trancou no banheiro, acho que deve estar ligando para a polícia para evacuar a casa. E eu estou aqui e você está aí.

Revirei os olhos e sorri para uma mina que dava tchauzinho para mim. Senti uns pingos de água cair em mim. Olhei para o céu escuro carregado, estava para cair um temporal a qualquer momento.

- Olha quem está vindo ali? - Disse Shikamaru de repente, apontando com a cabeça para Karin que se aproximava com um vestido preto curto e colado no corpo. Ele pôs a mão em meu ombro. – Só para você ficar sabendo, a Ino está na área.

- E o que eu tenho haver com isso?

Ele sorriu jogando a guimba de cigarro no chão.

- Você sabe, quando duas mulheres com os nervos à flor da pele brigam acaba sobrando para gente. E isso vai ser cansativo, por isso prefiro ficar de plateia - e se afastou de mim.

Voltei minha atenção para a garota safada e destemida que agora estava a minha frente com um sorriso malicioso nos lábios.

- Karin...

Ela me interrompeu agarrando os dois lados do meu rosto e me beijando com força. Bom, eu não era de ferro, e Karin era gostosa pra caralho, eu só deixei rolar. Ela parecia uma loba faminta devorando a minha boca, suas mãos agarrando os meus cabelos com força e colando seu corpo ao meu. Ela não precisou de muito para me deixar excitado, fazendo-me agarrar mais a sua cintura e a puxando mais para mim.

- Você não sabe o quanto esperei para fazer isso na frente de todo mundo. – Ela disse assim que nos separamos.

- A sua amiga está aí – soltei, beijando ela de volta.

- Deixa que com a Ino eu me entendo – ela disse confiante. – Agora você é só meu.

E novamente estávamos nos beijando e como se isso fosse um carma, aquela voz conhecida soou:

- Eu tinha que ver isso com os meus próprios olhos.

Nos separamos e fitamos uma Ino rancorosa que nos observava com os lábios franzidos.

- Amiga...

- Karin sua vaca, como você pode fazer isso comigo? Como pode me apunhalar pelas costas?

- Ino – Karin deu um passo para frente -, não é bem assim... Eu e o Sasuke nos amamos.

Franzi o cenho.

- Nós o quê?

Em seguida o rosto de Karin virou para o lado ao som do tapa que Ino havia dado. Ela colocou a mão no rosto e franziu as sobrancelhas.

- Você me bateu?

- Você merecia coisa pior – cuspiu Ino, enraivecida. – A traição desse – se referia a mim – até que podia suportar, pois ele não vale nada...

- Ino é melhor você cair fora daqui – a interrompi, recebendo o olhar mortal dela.

- Cale a sua boa, seu idiota – em seguida fitou Karin. – Mas você, Karin? Você era a minha melhor amiga! Eu chorava os meus problemas com você e você...

- Admita Ino, você perdeu. – Karin a interrompeu com um sorriso maldoso nos lábios, sua máscara de boa amiga caindo. - O Sasuke é meu agora.

- Engula ele todinho. Fique com o meu resto.

Karin gargalhou.

- Você está se corroendo por dentro. Só vive chorando pelos cantos, idiota. Mas saiba, que os melhores momentos do Sasuke foi comigo, eu sabia fazer o serviço que você não soube fazer.

Puta que pariu.

Aquelas duas estavam trocando farpas e falando de mim como se eu não estivesse ali. As garotas são cruéis umas com as outras quando querem, e a aura maligna das duas e os gritos estavam começando a chamar atenção, na mesma proporção que eu sentia os pingos de chuva cair.

- Ora sua...

Ino partiu para cima de Karin, agarrando seus cabelos e puxando. Karin também agarrava os cabelos de Ino e as duas se xingavam e gritavam. Eu fui apartar aquela briga, achando bem menos violenta da briga que Karin teve com a Sakura. Droga, por que eu tive que pensar naquela megera numa situação como aquela?

Shikamaru apareceu para me ajudar, segurando Ino pela cintura e eu fiz o mesmo com a Karin, e com muito custo conseguimos separar as duas. Mas os gritos e lavação de roupa suja ainda rolava.

- Você é muito idiota, Ino. – Gritou Karin, totalmente descabelada. – Ainda bem que não terei que escutar as lamúrias de sua vida chata.

- Nunca mais olhe na minha cara, sua vadia. – Disse Ino, tão descabelada quanto a outra. – Você pra mim está morta!

- Ainda bem, pois não vou ter que te suportar mais.

- Vem que eu te levo para casa, Ino – disse Shikamaru, segurando Ino pelo braço e a levando para longe dali.

- Idiota – resmungou Karin, e depois me fitou e sorriu cínica. – Pronto, problema resolvido. – Em seguida enlaçou meu pescoço com seus braços. – Aonde nós paramos?

Tirei seus braços do meu pescoço e a afastei de mim.

- Aqui.

- O quê? – Ela franziu o cenho, ainda sorrindo.

- Nós paramos aqui – respondi, iria deixar claro para ela. – Não saí de uma enrascada para entrar em outra.

Karin se aproximou mais, colocando as mãos em meu peito e o sorriso de seus lábios havia morrido.

- Mas Sasuke, nós temos uma história juntos e agora não tem mais a Ino no meio para nos atrapalhar.

- Nós tivemos uma aventura, e eu nunca te dei esperanças de que queria algo sério com você.

- Você só pode está de brincadeira – e deu dois passos para trás, analisando o que eu havia dito. Suspirou e sorriu novamente, mordendo o lábio. – Tudo bem, você está um pouco abalado pelo término com a Ino. Te darei um tempo.

Suspirei cansado, tentando buscar paciência.

- Eu não quero nada sério com você, Karin.

- Ok, Uchiha, eu sei esperar.

Bufei franzindo o cenho.

Karin era insuportavelmente insistente quando queria, e sabia que ela iria me dar dor de cabeça pela frente. Eu podia escutar de longe o som da sirene da polícia ficar cada vez mais alto na mesma probabilidade que os pingos de chuva ficavam mais forte. A teoria de Shikamaru estava certa, Suigetsu havia ligado para polícia para ter de volta o sossego de seu lar, o que indicava que havia dado a hora de ir embora.

. . .

Como minha mãe havia previsto mais cedo, eu havia ficado preso no trânsito no meio do temporal que estava caindo naquele mesmo momento. Olhei as horas no relógio, faltava quinze minutos para meia noite, eu estava vinte minutos preso no engarrafamento. Odiei por não sair mais cedo da festa quando senti os primeiros respingos.

Resolvi sair daquela avenida e pegar uma outra que dava para o outro lado da cidade. Iria fazer um retorno por lá e pegar o túnel para chegar na segunda avenida que dava para a minha casa. O meu plano de início havia dado certo, o trânsito horrendo era só na primeira avenida.

Minutos depois eu podia ver as casas simples e alguns comércios pequenos, logo me situei que estava naquele bairro pobre do outro lado da cidade. A chuva castigava lá fora o que dificultava um pouco a visualização das ruas. Entrei numa outra rua mais vazia e foi aí que repente vi um vulto surgir a minha frente, atravessando a rua correndo. Meu coração gelou enquanto freava o carro a tempo que a pessoa levava o susto e automaticamente suas mãos espalmava a frente do carro e caía no chão.

- Puta merda.

Não pensei duas vezes e tirei o cinto e saí do carro me molhando com aquele temporal, pedindo internamente para que não tivesse atropelado a pessoa.

Aproximei-me correndo, tendo o vislumbre da pessoa jogada no chão meio que sentada. Surpreendi-me, reconhecendo àquelas inconfundíveis madeixas cor-de-rosa.

- Sakura?!

Agachei-me ao seu lado ao mesmo tempo que ela virava seu rosto assustado, os cabelos molhados colado no rosto me fitando. Meu coração estava batendo tão forte naquele hora que eu sentia que a qualquer momento ele poderia pular para fora do meu peito.

- Porra, eu não tive culpa, você atravessou na frente do carro do nada.

Eu não entendia do porque eu estava me desculpado daquele jeito, mas acontece que eu estava bastante assustado, tanto com a situação em que estava, como o estado que a Sakura se encontrava. Ela estava com aquelas mesmas roupas que ia para escola, seus cabelos estavam despenteados e metade deles em seu rosto. E um machucado no final de sua sobrancelha que descia um filete de sangue por sua face.

Ela virou o rosto para trás, sua respiração acelerada.

- Você está bem? – Perguntei, preocupado enquanto tocava o seu ombro, sentindo um leve formigamento nas pontas dos meus dedos.

E pela primeira vez seus olhos enxergaram os meus, sua boca tremia quando soltou a sua suplica:

- Pelo amor de Deus, me tire daqui!

Seu pedido me deixou em alerta, até por que, Sakura nunca pediria a minha ajuda se não fosse algo sério. E era o mínimo que eu podia fazer por ela, depois que quase tê-la atropelado.

- Vem – ajudei se levantar e ela resmungou de dor quando toquei em seu braço.

- Aaai...

- Desculpe.

Eu não sabia o que estava acontecendo, apenas segui o meu instinto que gritava para protegê-la. Ajudei ela entrar dentro do carro e dei a volta no carro ao mesmo tempo que via o perfil de um homem todo molhado aparecer naquela rua, parecia procurar por alguém. Me sentei no banco do motorista e fechei a porta. Fitei a figura de uma Sakura sem aquela marra toda, ensopada e encolhida ao meu lado. Voltei minha atenção para frente, apertando o pé no acelerador e deixando a figura do homem desconhecido que agora observava o meu carro ficar para trás.