Heeeeeey, como vocês estão? Como está indo a quarentena de vocês? Espero que todos estejam bem! Obrigada a todos que comentaram no último capítulo, realmente me motiva!
Tenham uma boa leitura e até as notas finais!

XXX

15 de setembro de 2018: Porto, Portugal

Porto era um dos lugares mais lindos que Ginny já havia visto, e mesmo assim não conseguia aproveitar toda a beleza daquele lugar. Ela e Harry estavam distantes desde a última briga, ele quase sempre parecia aéreo e suas conversas ficaram escassas, claro ela sabia que em parte era sua culpa, afinal se ela não tivesse sido uma idiota e descumprido o acordo deles, nada disso estaria acontecendo.

A verdade é que ela estava assustada e com saudades de casa. Então ela imaginou que não faria tão mal usar seu celular um pouco, apenas para ver como sua família estava indo, porque apesar de tudo ainda se preocupava com eles, Ginny apenas não esperava ver que estava sendo atacada com comentários de ódio vindos dos amigos e família de Dean, e que sua família sequer a tinha defendido.

Ela queria com todas suas forças ter ficado irritada e feito um grande escândalo, mas tudo que ela conseguiu fazer foi chorar, e Deus, ela se sentia patética. E então havia Harry que subitamente parecia estar com medo de estar ao seu lado, ele ainda era um doce de pessoa e estava sempre cuidando dela, mas apenas de longe, nunca próximo o suficiente. O que doía era que ele sempre estava conversando com todos, mas nunca com ela, olhando para tudo, mas nunca para ela.

Nunca ela.

Era como se ela tivesse perdido uma parte de si mesma, e doía o fato de o único culpado ser ela mesma, mas ela faria tudo se ajeitar. Estava decidida de que isso mudaria naquele dia, havia preparado um longo discurso bonito que falaria a ele depois do almoço, contaria sobre o que viu na internet, sobre como ela havia ficado decepcionada com sua família, em quão inútil se sentiu ao ver que eles sequer tentaram falar com ela após o dia do casamento, em como ninguém além dele estava preocupado com seu bem estar.

Ginny lhe diria que sentia muito por ter o chamado de medroso e arrogante, que não achava aquilo de verdade e apenas estava irritada demais, assustada demais e não queria admitir, que não queria ter quebrado a confiança dele. Que se importava sim com as opiniões dele, que também doía nela as lembranças do baile de formatura, que ele não era um covarde por sair em uma viagem sem rumo, que ela o achava a pessoa mais corajosa do mundo. Iria contar tudo isso para ele, iria mesmo e eles iriam voltar a ser como antes.

Ele entrou no quarto, os olhos dele estavam atormentados e pareciam procurar algo, pareciam buscar respostas para coisas que ela não fazia ideia, coisas que talvez ele nunca a houvesse contado, porém, talvez fosse ela a detentora da resposta uma vez que assim que seus olhos repousaram na ruiva, ele pareceu sentir algum tipo de alívio e até mesmo seus olhos se suavizaram.

— Ginny, eu preciso falar com você. — Ele falou com a voz agitada, talvez a primeira vez em dias que ele realmente estava dirigindo a palavra para a ruiva de cabelos lisos. Ela se sentia no topo de sua alegria, mas algo na voz alerta do moreno a fez parar por alguns segundos.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou ao ver ele sentar-se pesadamente na cama, algo parecia fora do lugar, um peso desconhecido parecia repousar no ombro do moreno de olhos verdes, e ela sentiu medo. Medo real, e não apenas assustada com o desconhecido, mas medo de alguém sair machucado, medo de Harry sair machucado. — Está tudo bem com você?

— Sim, eu tô bem, mas… — Ele começou mexendo nos cachos que hoje estavam mais bagunçados que nunca dando a ele um ar sexy único, algo que ela nunca havia visto antes. Ginny sabia que Harry era uma pessoa muito bonita, afinal muitas pessoas se arrastavam para ele no colegial, mas ela nunca havia de fato notado o quão lindo ele conseguia ser com a luz do sol batendo levemente em seu rosto bem desenhado.

— Mas o que, Har? — Questionou curiosa aproximando-se do moreno que pela primeira vez em dias não se afastou com sua aproximação, permitido até que ela pegasse em suas mãos calejadas dos dias em que ficava horas pintando e esculpindo em seu atelier.

— Estão procurando por você Gin. — Ele disse aflito olhando seriamente para seu rosto, a feição dele era sério e seus olhos pareciam tão preocupados que ela não teve como pensar que ele mentia, porém depois de tudo eles estavam procurando por ela? Depois de quase dois meses? — Eu vi no noticiário há uns minutos, Dean notificou a polícia e te acusou de ter o roubado.

— Ele fez o que? — Gritou a ruiva sentindo seu coração acelerar e suas mãos começarem a ficar molhadas de suor, ela não conseguia entender o porquê de seu ex-noivo falar esse tipo de coisa. Claro que o fato dela o ter abandonado no altar era vergonhoso, mas acusá-la de roubo? Ele era um tremendo babaca.

— E agora a dona do hostel tem certeza que você é ela e que somos ladrões sem escrúpulos. — Continuou ele com a voz irritada, uma careta de aborrecimento tomando o lugar de suas feições preocupadas, ele a encarou, olhando fixamente para seus longos cabelos ruivos que sempre foram motivo de orgulho para a mulher ruiva. — Mas acho que já sei como podemos despistá-lo.

— Não! Nem pensar, Harry. — Protestou a mulher afastando-se do moreno que ainda olhava para seu precioso cabelo. Claro que ela sabia que cabelo crescia, e que não era algo permanente, mas cortá-lo parecia aterrorizante, bem mais do que toda a viagem. — Você não vai cortar meu cabelo!

— Ah ruiva, vamos lá, é apenas cabelo e se a gente não mudar o seu visual eles podem acabar nos encontrando e nos levando pra cadeia, é isso que você quer? — Ele perguntou com a voz meio jocosa, seu olhar ainda era preocupado e carinhoso, naquele momento, secretamente, Ginny agradeceu Dean por ser babaca, porque ali ela estava vendo uma chance de se reaproximar de seu melhor amigo e consertar a merda que havia feito.

— Tudo bem. — Concordou com um gemido frustrado jogando-se na cama ao notar que fugir de Harry não levaria a nada e o problema não resolveria sozinho, afinal problemas resolvendo-se sozinhos era coisa de seu passado apenas, com Harry ela precisava batalhar para enfrentar o problema, o que muitas vezes era frustrante, mas ela se sentia útil. — Mas como você pretende fazer isso sem que a dona do hostel desconfie, gênio?

— Muito simples, minha cara, nós vamos fazer o check-out agora e vamos partir para a próxima cidade, e eu corto seu cabelo no caminho. — O moreno de cabelos cacheados explicou com um sorriso simples, mas havia uma certa malícia em seu olhar que mostrava o quão divertido aquilo estava sendo para ele.

— Eu não acredito que eu vou te deixar cortar meu cabelo. — Resmungou ela com irritação, a ruiva mirou o teto ainda parecendo desacreditada do que fazia colocou um travesseiro no próprio rosto e gritou com todas a raiva que parecia guardar dentro de si.

— Desapego, minha cara, desapego. — Respondeu Harry com uma voz etérea que a lembrava muito de uma das amigas "diferentes" do moreno, Luna Lovegood, que constantemente estava falando sobre o cosmos e positividade. — Agora vai tomar um banho porque você vai ficar pelo menos um dia sem poder fazer isso.

— Que nojo, Harry! — Ela exclamou parecendo um tanto assustada e enojada com a ideia de não tomar banho, e ele poderia dizer que também estava se sentindo assim, mas entre ficar um dia sem banho e não ter Ginny presa a ficar num hotel e correr esse risco, ele preferia ficar sem o banho.

— É só um dia, você nem vai notar. — Prometeu ele com a voz doce. Ela quase conseguia sentí-lo perto de novo, quase como se tudo tivesse voltado ao normal, mas não era certo isso, ela precisava falar sobre o que aconteceu antes, eles precisavam se resolver de verdade. — Agora deixa de ser preguiçosa e leve sua bunda pro banheiro, Gin.

— Ei! Nada de falar da minha bunda. — Bronqueou ela com a voz irritada e um tanto esganiçada, ela estava constrangida com o que o de olhos verdes dissera, mas não iria admitir. Ignorando o pedido do amigo ela permaneceu deitada e apenas virou-se para observá-lo, sua face irritada mudando para uma mais suave e séria quando voltou a falar: — Nós precisamos conversar sobre Glasgow, Harry.

— Esqueça aquilo, Ginny. — Respondeu ele com a voz séria sem sequer olhar no rosto dela, ele permanecia olhando pro teto bege que apresentava algumas infiltrações. Ela no entanto o observava e percebeu o desconforto dele em falar com ela.

— Mas, Har, nós precisamos conversar sobre isso, é sério. — A ruiva pediu, quase implorou com a voz já saindo meio falha pelo choro que ameaçava vir. Harry não entendia, ele nem estava tentando entender dessa vez, que ela precisava desesperadamente dizer como havia se sentido com a distância dele.

— Ginny, eu não quero conversar sobre isso, já está tudo bem, não vamos remoer aquilo, por favor. — Respondeu ele com a voz ainda calma e baixa, mas com um grande nível de seriedade que demonstrava que ela não deveria insistir no assunto.

A ruiva assentiu apesar de não entender o porquê da relutância de seu amigo em conversar sobre algo que os fazia mal. O que ele tanto temia a ponto de evitar uma conversa? Justo ele, a pessoa que sempre a havia incentivado a falar sobre os próprios sentimentos, bem talvez isso tivesse ficado no passado dele. Talvez Ginny apenas não o conhecesse tanto quanto imaginava fazer. Talvez nada era como imaginava ser antes, que tudo em que acreditava e ainda acredita seja apenas criação de sua mente e consequência de seu afastamento.

Talvez seja ela quem está mudando.

16 de setembro de 2018: Em algum lugar na estrada, Portugal

Eles haviam saído de Porto pouco depois do meio dia, e segundo o Google Maps, eles não iriam demorar muito para chegar ao destino desejado, em tese eles deveriam chegar em no máximo duas horas de viagem de carro, no entanto eles já estavam no carro há quase quatro horas e Ginny sentia-se miserável.

— Por que estamos parados? — Questiona ela em um quase sussurro tentando enxergar o rosto de Harry no interior parcialmente escuro do carro de seu amigo. O sol já começava a se pôr deixando tudo mais escuro e as expressões faciais de Harry mais difíceis de ler.

— Eu não sei, acho que o carro pifou. — Harry falou em um sussurro temeroso como se estivesse andando cautelosamente onde residia um monstro muito perigoso que poderia despertar ao menor dos ruídos. A ruiva sentia algo crescer dentro de si e percebeu que aquele monstro fictício não era tão fictício assim. O monstro era ela.

— Como "pifou", Harry?

— Eu não sei, Ginny. — Respondeu calmamente com os olhos ainda fixos no horizonte deixando-a com uma vontade gigantesca de acertar um bom soco no rosto calmo dele. Como ele poderia agir tão calmamente numa situação dessas? Eles estavam no meio do nada de um país desconhecido pelo amor de Deus!

— Como não sabe? — Perguntou tentando soar paciente e compreensiva, porém tudo que recebe de resposta é um longo silêncio de Harry e mais uma vez ela sente vontade de gritar e espernear! Talvez ela realmente seja um monstro prestes a acordar. — É o seu carro!

— Eu sei que é o meu carro, Ginny! — Replicou ele virando-se para ela com um fogo perigoso no olhar e o rosto claramente irritado. Ótimo, ela havia o irritado, pelo menos assim ela conseguia se sentir menos mal por estar tão puta da vida. — Mas caso você não saiba eu sou pintor e não mecânico! — Finalizou ele gritando a última palavra com tanta fúria que por um momento ela temeu que ele fosse se transformar numa espécie estranha do Incrível Hulk.

— Não grita comigo, seu babaca! — Berra a ruiva com força e muita raiva para um corpo tão pequeno quanto o dela. Já podia sentir seu sentimento subir à cabeça e a vontade de quebrar tudo ao seu redor, e talvez para tentar se controlar que ela tenha saído do carro de Harry. E se ela tivesse descontado um pouco de sua raiva na porta do carro ao batê-la, ninguém precisava saber.

Em questões de segundos a porta do motorista se fecha com um baque alto e ela ouve mais do que vê Harry se aproximar. Ele se prostra ao seu lado, os dois olhando para o céu que começava a colorir-se de laranja e rosa indicado a tarde que chegava ao fim. Era uma paisagem linda, todas as cores misturando-se no céu e as nuvens pareciam apenas enfeitar o céu com suas formas bonitas, mas tudo isso não combinava em nada com o humor sombrio que havia se instalado entre eles dois. Por um breve momento desejou que estivesse caindo um temporal e o céu sob eles estivesse tão escuro quanto seus pensamentos amargos.

Ginny sentia frio, uma brisa leve estava balançando seus cabelos longos, e sua blusa era de um tecido fino e leve, já que ela não imaginou que eles iriam demorar tanto tempo para conseguir chegar em Coimbra, e o carro do moreno possuía aquecedor. Ela estava tremendo, e conseguia sentir todos seus pelo se arrepiando, mas não queria ceder e pedir um casaco a Harry, desde que seus próprios casacos estavam no porta malas e eles estava usando um por cima do suéter. Durante os quase dois meses de viagem que se passaram ela percebeu mais do que nunca todos as qualidades que seu amigo possuía, porém isso a fez esquecer de todos os defeitos dele, que naquele único momento pareciam muito maiores que as qualidades.

Não foi planejado, tampouco surpreendente quando suas lágrimas começaram lentamente a cair por todo seu rosto sem maquiagem. Naquele momento, a Weasley pode perceber o quanto estava ignorando seus sentimentos sobre tudo que estava consigo durante todo aquele ponto, e só naquele instante pode perceber em o quanto aquilo estava prejudicando a amizade e viagem deles dois. Em como aquilo estava a cansando cada dia mais, em como ela conseguiu estragar algo que era para ser apenas diversão, transformando tudo em uma montanha-russa de sentimentos confusos e indistintos.

Não deveria, nem mesmo tivera a intenção de se apegar a Harry daquele jeito novo qual nunca experimentara antes, ela não pretendia se sentir tão bem na companhia de seu melhor amigo, não a ponto de dividirem a mesma cama por dias ou de começar a sentir ciúmes dele. Ela não pretendia começar tantos sentimentos por Harry, principalmente quando tudo tais sentimentos a faziam se sentir tão confusa.

Tão aquecida.

Os braços de Harry surpreendentemente envolveram-na em um abraço caloroso apenas como se ela precisasse de um lembrete em o quanto ele a aquecia, ou o quanto ele sempre conseguia adivinhar o que ela precisava. Os dedos calejados passaram suavemente por seus braços gelados, e o moreno riu, não divertido, mas o tipo de riso que pessoas dão quando estão decepcionados consigo mesmas. A ruiva apenas não conseguia entender o porque ele estaria sentindo-se assim.

— Jesus, você está congelando, Ginny. — Ele falou baixinho como se não estivesse realmente dizendo aquilo à ela, mas sim afirmando para si mesmo. E sem sequer permitir que ela tivesse um tempo para raciocinar o que acontecia, Harry colocou seu casaco de moletom nela, fazendo-a sentir-se imediatamente melhor. Um longo silêncio se instala mais uma vez com apenas os dois olhando o horizonte, ela ainda sendo abraçada por ele, com apenas os passáros e o céu sendo os espectadores.

Era um momento romântico, e em uma fração de segundo ela desejou que eles fossem um casal, mas tão rápido quanto o pensamento veio, ele se foi junto do vento e de tantos outros pensamentos inapropriados que ela constantemente tinha.

— Me desculpe por gritar com você. — Disse Ginny cautelosamente quebrando por fim o silêncio. Ainda dentro do abraço do amigo, não tendo coragem o suficiente para dizer aquilo olhando nos olhos verdes e estonteantes do moreno de cabelos cacheados, sabia que precisava pedir mais desculpas do que aquilo, mas um avanço era um avanço independente de quão pequeno ele era.

— Está tudo bem, vamos apenas esquecer isso. — Pediu ele com a voz séria e baixa, não era um tom comumente usado pelo moreno, mas parecia que quando se tratava de Ginny, ele sempre estava quebrando regras e exceções. Harry não se afastou, mas também não olhou nos olhos dela como costumava fazer.

— Nós não podemos ignorar nossas brigas para sempre, Har… — Repreendeu a de olhos castanhos com a voz baixa e preocupada. Apesar de ser mais fácil ignorar o motivo da briga e continuar agindo naturalmente, não era saudável ou sequer o certo a se fazer. E eles estavam fazendo isso muitas vezes, mais do que ela conseguia contar. — Em algum momento nós vamos precisar resolver isso.

— Eu sei, mas não agora, por favor. — Respondeu ele com a voz ainda baixa e parecendo um tanto quebrada e triste como se algo realmente desagradável estivesse passando por seus pensamentos. Algo obscuro e triste o suficiente para fazer sua voz embargar. — Nós precisamos cortar seu cabelo, Gin, ou vai ficar muito tarde para eu conseguir fazer isso direito.

— Você tem razão. — Concordou ela com a voz levemente desapontada, ela esperava que seu melhor amigo se abrisse e fosse honesto sobre seus sentimentos com ela. Alguma hora ele teria de ser, e a ruiva teria paciência para esperar o tempo dele, mas apenas rezava para não ser um tempo tão longo de espera. — Mas tome cuidado com meu cabelo, Potter.

— Não se preocupe, Weasley, eu sei o que estou fazendo. — Afirmou ele com uma voz risonha e convencida. Quase podia-se ver o sorriso bonito que ele, com toda certeza, tinha em seu lábios carnudos e rosados apenas pela voz divertida. Aquele era o tom de voz que a garota gostava de ouvir, eram momentos como aquele que a faziam amar tanto estar na companhia de Harry.

— Você já fez isso antes?

— Não, nunca. — Ele riu, um riso fácil e verdadeiro, tão puro e simples quanto as risadas de um bebê. Harry era tão puro e simples quanto um bebê e talvez fosse esse o motivo de tudo em sua companhia ser algo tão perfeitamente bom e agradável.

— Você é inacreditável, Har. — Respondeu ela com um riso leve finalmente saindo do abraço do amigo e ficando de frente para ele encarando as duas esmeraldas preciosas que apenas ele possuía. Se os olhos realmente são as janelas da alma, Ginny apenas desejava poder mergulhar na imensidão verde e brilhosa que era a alma de Harry Potter.

— E é por isso que você me ama. — Afirmou o de cabelos cacheados com um sorriso convencido, que era apenas totalmente adorável. Ele beijou a testa dela e se afastou, indo até o carro para pegar as coisas que eles iriam precisar para cortar o cabelo dela. Para Ginny ainda era uma insanidade deixar ele cortar seu cabelo, mas era uma insanidade mais que necessária naquele momento, mesmo que a deixasse incerta. E sobre ela amar Harry, bem ele decididamente estava certo sobre aquilo.

Seu amor por Harry era certo.

Ser amiga de Harry era a única coisa certa em sua vida, a antiga e atual, e nada poderia estragar o sentimento fraternal que sentia por ele. Nada iria estragar a amizade deles.

Uma hora depois seus longos cabelos ruivos já não passavam de mera lembrança bonita em sua mente. Ginny sentia-se nua sem seus longos cabelos batendo em sua cintura, parecia que havia se livrado de uma parte muito importante de si mesma e ela estava prestes a lamentar, mais uma vez, para Harry, quando lembrou que eles tinham um problema maior naquele momento.

— Harry, como vamos fazer para sair daqui? — Perguntou ela aflita olhando para a estrada escura e deserta onde eles estavam parados. Apenas naquele momento que conseguiu perceber que estavam totalmente ferrados, uma vez que estavam em um país estranho cuja língua era absolutamente diferente da que eles sabiam falar. Como eles iriam pedir ajuda? Onde conseguiriam ajuda? Eles iriam ficar presos naquela estrada por quanto tempo? Aquilo sequer era seguro? Definitivamente ela estava surtando e ver Harry parecendo tão calmo a deixava ainda mais estressada.

— Eu não sei ainda, Gin, apenas mantenha a calma. — Ele falou com a voz calma e otimista de sempre, mas não era momento para aquilo, ou ao menos era assim que a ruiva pensava. Afinal não tinha como existir tempo para ser otimista em uma situação como aquela, certo?

— Harry nós estamos presos no meio do nada, não dá pra "manter a calma"! — Gritou Ginny exasperada passando a mão em seus cabelos apenas para sentir que eles estavam curtos, fazendo com que ela novamente se sentir irritada.

— Eu vou pesquisar o número da emergência e nós vamos sair daqui. — Respondeu ele confiante, já pegando o próprio celular apenas para descobrir que ele estava sem área. — Eu estou sem área, posso usar o seu, Gin?

— Meu celular está sem bateria, H. — Respondeu a menina entredentes sentindo sua raiva pelo otimismo, que ainda estava presente na voz do moreno, aumentar ainda mais. Controlando-se para não amassar o rosto bonito do moreno no volante, ela respira fundo e começa a andar no meio da rodovia.

— Onde você está indo, Weasley? — Gritou ele com a voz rouca soando desesperado e até mesmo aterrorizada, mas a ruiva não o ouviu, raramente ela o ouvia, e apenas seguiu andando em direção ao nada, desesperada demais em pedir ajuda para perceber que estava sendo insensata.

Ginny continuou seguindo em linha reta sem saber ao certo para onde estava indo, apenas tendo certeza de que precisava encontrar ajuda e que não poderiam continuar andando em círculos como estavam antes do carro parar. Eles estavam perdidos, ela tinha certeza. Só isso explicava o porquê de uma viagem de duas horas ter se transformado em uma loucura de horas infinitas sentados no banco do carro.

— Você está louca, Ginny? — Perguntou a voz de Harry parecendo distante e irritada, ultimamente o moreno estava sempre irritado. Em parte deveria ser culpa dela, uma vez que só tinha eles dois ali, quem mais poderia ser o culpado? — Você não pode apenas sair andando por aí em uma rodovia escura e desconhecida!

— E você não pode ficar parado no meio de uma rodovia esperando que alguém miraculosamente apareça e nos ajude! — Berrou de volta sentindo toda sua frustração ficar ainda mais forte que há cinco minutos. Como ele ousava culpá-la de tentar achar uma solução? De tentar ajudá-lo? Harry esperava que ela sentasse-se e esperasse a bel vontade dele de buscar alguma ajuda, como uma maldita princesa?! Como todos a fizeram agir por anos?! — Você queria que eu agisse com uma princesa a espera do resgate? Porque tudo o que eu tentei fazer, foi ajudar!

— Eu não estava esperando um milagre, eu estava procurando o número da emergência! — Gritou ele de volta parecendo não apenas irritado, mas não apenas isso. Harry também havia ficado triste com a acusação dela. E seu rosto por não ser branco como o dela raramente ficava vermelho, então quando Ginny notou traços rosados nas bochechas bem definidas de Harry, ela apenas soube que tinha ido longe demais.

E ainda assim ela não pediu desculpas. Sentia que tinha pedido desculpas o suficiente por uma vida inteira, e que talvez não estivesse tão errada, afinal, ele poderia ter apenas conversado com ela ao invés de permití-la tirar suas próprias conclusões.

Ginny não pediu desculpas. E Harry permaneceu calado pelo restante do caminho.

XXX

Hellooo, o que acharam desse capitulo? As coisas tão tensas, mas eu prometo que tudo vai se ajeitar, em algum momento. Comentem o que acharam porque isso me motiva DEMAIS, e eu espero que não me odeiem muito pelo o que aconteceu auhauahuahua

Queria dizer tbm que eu ainda não consegui finalizar o capítulo 7, então caso demore mais que quinze dias, foi o maldito bloqueio atrapalhando, tá? Eu amo vocês! Beijosss, se cuidem, bebam água e LAVEM AS MÃOS!

Até o próximo capítulo galeris