18 de setembro de 2018: Bright Mountain Inn, Coimbra, Portugal
Há dois dias ele e Ginny estavam se evitando.
Desde a discussão na estrada até acharem um lugar para pedir ajuda, que veio a ser um posto de gasolina caindo aos pedaços, no sentido literal da coisa, Harry não disse uma palavra sequer. Internamente, tinha consciência de que ele estava errado, na verdade ter chamado Ginny para viajar consigo havia sido seu maior erro, e talvez ele devesse apenas desistir de tentar ajudá-la e a apenas a colocar em um avião para casa. Infelizmente ele era muito egoísta para deixá-la ir desse jeito.
Ainda naquela noite eles precisaram dividir uma cama de casal, e em condições melhores dividir uma cama com Ginny seria algo bom, não apenas porque ele era apaixonado por ela, e sim porque, principalmente, eles eram amigos, porém naquela noite, apenas pura raiva e tensão estava entre eles dois, tal sentimento negativo e forte não era do feitio de Harry, pois veja bem, o moreno apreciava viver a vida da forma mais leve possível, Carpe Diem era o lema dele diriam algumas pessoas, e isso consistia em evitar ao máximo situações desgastantes, porém evitar não significava ignorá-las quando elas aconteciam.
Certamente este, era um conceito que Potter não havia compreendido.
Às vezes apenas desejava nunca ter a conhecido, ou ao menos nunca ter se apaixonado por ela, mas ela era como o Sol e Harry apenas sabia que a energia dela sempre atrairia-o, como um maldito planeta fazendo sua rotação em volta do Sol, ele sempre estava buscando pelo calor da ruiva, mas nunca perto o suficiente para tê-lo por completo.
Ela estava sempre muito longe de seu alcance, mas nunca deixava que ele esquecesse dela. Era o karma dele, o pedaço da história de amor que lhe fora negado, tornando seu romance em uma tragédia Shakespeariana, ou pior, em um diário de lamentações de um amante que não teve seu amor correspondido. Ela era seu pior pesadelo e seu melhor sonho. Ele deveria esquecê-la, deixá-la ir, mas ele não conseguia, ele não poderia sem tentar falar sobre seus sentimentos por ela.
Mas como falar sobre seus sentimentos quando ele era um covarde?
Harry sempre foi um pouco covarde, e sentimental demais, a situação em que ele e a ruiva se conheceram já deveria ter dado a ela uma pista sobre como ele era, uma montanha russa de sentimentos intensos e extremos.
Ginny entrou no quarto que eles dividiam, novamente, e o encarou por cinco longos e tortuosos segundos, silenciosamente direcionou-se para a própria cama, bem a única cama do quarto, e por fim, sentou-se. Respirou profundamente, como quem toma coragem para tomar uma decisão difícil, e o encarou novamente, procurando por alguma coisa, qualquer coisa, no olhar de Harry, que apenas continuou em pé ao lado da janela, encarando o lindo pôr do sol que a vista lhe fornecia, vez ou outra olhando-a de soslaio.
— Você lembra quando você quebrou o braço, Harry? — Perguntou ela abruptamente, atraindo a atenção do moreno na mesma hora, ele concordou, sem falar nada, ela sorriu triste antes de voltar a falar, parando de olhá-lo e mudando seu foco para o teto. — Eu nunca me senti tão culpada quanto naquele dia, você era meu único amigo, e eu tinha te machucado.
— Eu não era seu único amigo, Ginny, não seja boba. — Protestou ele com um revirar de olhos, saindo de perto da janela e sentando-se na cama, ao lado dela, não perto o suficiente para seus corpos se encostarem, porém antes que ele pudesse sequer pensar em continuar a falar, ela levantou a mão em um sinal claro que ele deveria parar ali mesmo.
— Você sempre foi meu único amigo, Harry. — Ela respondeu suspirando, era difícil admitir algo assim, mas era a verdade , ela não podia contar com ninguém além dele. Todas as suas amigas que ela conquistou pelo caminho, nunca fariam nem um quarto do que ele já havia feito e ainda fazia por ela, pela felicidade dela. Harry era a única pessoa que a ouvia de verdade, sem humilhações. — Ninguém nunca me escutou, nunca falaram comigo, nunca fizeram nada do que você sempre fez por mim e comigo, não sem uma segunda intenção e nunca tão verdadeiramente quanto você.
Ginny suspirou, afastando uma lágrima fujona enquanto ria para si mesma. Parecia ser arrepender de algo, talvez de ter começado uma conversa tão profunda, ou talvez de ter demorado tanto tempo para desabafar de verdade. Harry apenas a olhava, em um misto de surpresa, pelo desabafo repentino, e tristeza, pelo tom frágil que ela carregava.
— Quando você quebrou o seu braço.. — Ela repetiu com a voz quebrada, e olhou nos olhos dele, parecendo esperar que ele lembrasse dessa memória de dias mais fáceis, ele assentiu, como se pedisse para que continuasse. — Eu fiz um desenho para você, mas eu nunca, nunca consegui ter coragem de te entregar, ou de pedir desculpas, por você sabe, te balançar tão forte. Eu nunca tive coragem de pedir desculpas todas vezes que eu estava errada, porque..
— Por que? — Harry perguntou com a voz calma, mas os olhos estavam atentos e curiosos, tentando compreender a situação. Por que ela estava falando aquelas coisas? Por que resolvera falar de todas essas coisas da infância deles, de seus sentimentos? Por que agora, exatamente quando os dois estavam sozinhos em um país desconhecido, que não poderiam fazer nada além de enfrentar seus sentimentos e resolver suas desavenças?
— Porque eu sentia medo de te perder. — A voz dela ressoou baixa, tão baixa que aos seus ouvidos a voz dela, parecia-se mais com o sussurrar do vento em um bosque do que a voz de uma pessoa. Ela engoliu em seco, olhou-o firmemente com seus belos olhos cor de chocolate antes de voltar a falar com uma voz um pouco mais alta, mas tão suave quanto antes. — Porque, em minha cabeça, se eu te pedisse desculpas, e admitisse que estava errada, você iria me deixar.
— Oh, Gin-Gin, você nunca conseguiria escapar de mim. — Ele brincou empurrando ela com o ombro e um sorriso em seus lábios, mas seus lindos olhos cor de esmeraldas estavam tristes. Eles ficaram em silêncio por longos minutos, os ombros juntos, mas os pensamentos distantes e confusos.
— Eu sinto muito. — Disse Harry por fim quebrando o silêncio, fazendo com que Ginny olhasse para ele confusa. O moreno de cabelos cacheados pareciam envergonhado, mas ele não tinha motivos para isso, ele sempre pediu desculpas quando errava com ele, sempre foi verdadeiro, e sempre a ajudou. Por que ele pedia desculpas então? Era além da compreensão da ruiva, os motivos pelo o qual ele dizia aquilo, muito além de qualquer pensamento que ela poderia um dia ter.
— Por que? — Ela perguntou olhando-o com curiosidade, não fazia sentido ele pedir desculpas. Não era certo. Ele nunca mentiu para ela, nunca a ofendeu ou fez qualquer coisa que merecesse desculpa. Bem, com exceção do incidente antes deles entrarem para o colegial, incidente este que ele passou meses pedindo desculpas.
— Porque eu te deixei pensar isso de mim, por não ter te apoiado o suficiente, por não ter te impedido de ficar com Dean, mesmo sabendo que ele era um babaca. — O moreno de óculos respondeu com a voz séria, um suspiro longo e profundo sendo liberado em seguida.
— Você não tem culpa, disso Harry, eu não te escutaria naquela época, estava muito focada em ser a Ginevra Weasley que minha mãe sempre sonhou ter como filha. — A ruiva riu amarga ao pensar em quão estúpida ela era aos quinze anos, na verdade, ela ainda era muito estúpida, e tudo isso para orgulhar sua mãe. Sua mãe que durante os dois meses que se passaram sequer tentou entrar em contato, nem mesmo em seu aniversário de vinte e dois anos.
— Eu sei, mas eu poderia ter tentado mais, e… — Harry protestou com os olhos brilhando em fúria e remorso. Ele deveria ter lutado mais, deveria ter tido mais coragem, mas ele não teve. As coisas poderiam ter sido diferentes se ele não tivesse escondido seus sentimentos, poderia ser ele no altar e não Dean, mas nada poderia mudar o passado. Magia não era algo real.
— E? — Ginny perguntou curiosa, observando-o atentamente enquanto ele corria as mãos pelos cabelos cacheados, bagunçando-os ainda mais que o normal, e sua pele bronzeada, apresentando uma leve cor rosada nas bochechas. Ele estava nervoso e envergonhado, e isso era de fato adorável.
— E eu menti pra você. — admitiu ele com um suspiro triste, os olhos verdes fechados para que não pudesse ver a reação da amiga quando finalmente falasse sobre o que vinha guardando há oito anos. Sobre como era estupidamente apaixonado por ela. — Na verdade, eu omiti.
— O que você omitiu, Har? — A Weasley perguntou preocupada, imaginando mil e uma coisas sobre o que ele poderia ter mentido que afetaria a amizade deles. Mas tudo que ela imaginou, desde dele se assumindo gay a ele ser pai de alguém, poderia ser tão ruim a ponto de estragar a amizade que eles tinham. Então apenas não fazia sentido o tanto de preocupação nos olhos do moreno e o tanto de mistério em sua voz.
A luz rosada do sol se pondo batia nos cabelos da ruiva, deixando-os tão vermelhos quanto fogo, os cabelos curtos e repicados, cortesia de Harry, deveriam a deixar com aspecto rebelde, mas ela parecia apenas doce e meiga. Os olhos castanhos brilhavam intensamente em curiosidade, fazendo-o lembrar de um tempo terno e remoto onde eles eram apenas duas crianças, irmão e irmã. Mas o corpo dela, tão perto do seu, tão lindo, faziam-no sentir coisas que irmão nenhum seria capaz de sentir pela irmã. E ela era apenas tão lindo que ele estava sem fôlego.
No entanto foi o sorriso dela que deu a certeza de que ele deveria contá-la sobre seus sentimentos. Que ele deveria lutar por ela com unhas e dentes, que ela valia a pena toda paciência que ele precisasse ter.
— Que eu… — Ele começou a falar, gaguejando a todo momento e fazendo a frase tornar-se confusa demais para que ela compreende-se. Ele olhou a por vários segundos, a meia luz deixava-a ainda mais lindas, e do lado de fora da janela pássaros cantavam alegres. E então o telefone dele tocou, e o momento se foi. Era tarde demais para dizer que havia se apaixonado por ela. — Que eu nunca te perdoei por não escrever no meu gesso quando eu quebrei meu braço.
— Seu idiota! — Ela riu jogando um travesseiro nele, a tensão do momento se dissipou como ventou, e um momento delicado que não foi percebido por Ginny havia se quebrado, mas ao menos eles estavam bem novamente. — Eu fiquei preocupada achando que era alguma coisa séria de verdade.
Ele sorriu para ela, com o coração cheio de um sentimento que ele não foi capaz de nomear, e então pegou seu celular. Talvez Deus só estivesse o avisando que não era o momento de contar a ela, ao menos, não ainda. Com o sentimento de que fazia a coisa certa, ele saiu para varanda e atendeu seu celular.
Tudo estava como antes, e era melhor assim.
01 de outubro de 2018: Seacoast Cottage ,Sintra, Portugal
Tudo estava bem, ou ao menos era isso que Harry tentava a todo custo acreditar. Quer dizer, eles não haviam brigado mais, não depois que Ginny havia assumido seus sentimentos, e o lugar era lindo e tudo parecia estar bem e perfeito.
Mas não estava.
Ao menos, não para ele, a culpa o consumia com um certo fervor que se toda a culpa que ele sentia, transformasse-se em uma oração ele conseguiria salvar sua própria alma e todas as almas do Reino Unido. Ginny vinha sendo cem por cento honesta com ele desde a conversa que tiveram no dia dezoito, antes de serem interrompidos por uma ligação inoportuna, ou talvez muito oportuna, de Grace que com seus sete anos de vida, não conseguia entender porque o irmão mais velho não estava mais a visitando.
No entanto, Harry não estava sendo tão honesto com ela, nenhum pouco honesto, principalmente quando eles dividiam a cama. Nesses dias ela tendia a se aconchegar no corpo dele, buscando calor humano para se aquecer, e ele sentia vontade de chorar, pois toda vez que isso acontecia ele imaginava uma vida qual nunca viveria, uma vida onde ela era sua esposa.
Uma vida que ele imaginava desde seus vinte anos, porque antes ele estava contentando-se com apenas ser o namorado dela. Contentou-se com a ideia de ser apenas namorado dela por seis longos anos, mas ele não conseguia mais. Seria bonito e até mesmo romântico ele pensar nela como sua esposa por tanto tempo, seria se ela não o considerasse nada além do que um irmão, mais um dentre os seis de sangue que ela tinha.
Ela nunca seria sua esposa, e ele precisava desesperadamente desistir da ideia de que um dia ela acordaria e o veria como um interesse romântico, que um dia ele teria coragem de contar a verdade e ser correspondido. Ele precisava parar de viver sonhando com um amor que não era seu, um amor que ele não conseguiu conquistar. Por seu próprio bem ele deveria parar de tentar ser o alguém de Ginny, mas para isso ele precisaria ser honesto sobre o que ele sentia.
Ele não poderia continuar enganando a si e a ela com essa viagem, ele não poderia mais fingir que não era perdidamente apaixonado por ela, muito menos esconder. Se ele desejava realmente ficar em paz com seu coração e mente, ele teria de que ser verdadeiro, e de uma vez por todas ser corajoso.
Era o certo a se fazer. E pela primeira vez em muito tempo, ele estava disposto em fazer o certo, independente do que aconteceria depois, de como a amizade deles ficaria depois disso, ele seria maduro para assumir seus erros.
Mas ele faria isso com estilo.
02 de outubro de 2018: Praia da Adraga, Sintra, Portugal
Ele estava preparado para dizer, sabia que sim. Não havia momento melhor que aquele para dizer o que sentia. A tarde estava virando noite, e o céu transformava-se em uma linda aquarela colorida, e a praia da Adraga estava tão perfeitamente calma com suas ondas quebrando suavemente.
E então ela sorriu e o abraçou. Os cabelos ruivos, e agora na altura do ombro, estava, soltando-se de uma trança bagunçada, o rosto dela estava vermelho, as sardas mais evidentes e os olhos mais brilhantes.
O suéter que Ginny usava era amarelo e quente. E quando ela sorria, com os olhos brilhantes como estavam, os cabelos tão vermelhos quando se conheceram, ele só conseguia imaginá-la como o próprio Sol, porque ela estava irradiando tanto calor e brilho com sua felicidade, que ele sentia-se quente e ofuscado.
— Eu adorei este lugar, Har. — Ela disse com a voz suave, o sorriso persistente em sua fala. Ela abraçava-o de lado, mantendo-o perto, mas não o suficiente.
Eles haviam feito um piquenique na praia e as coisas estavam ali, ao redor deles, e a toalha laranja e quadriculada estava estendida sobre a areia amarronzada. Era tranquilo e dava um ar romântico.
— Eu também, Gin. — Harry respondeu com um sorriso largo admirando-a olhar para as ondas quebrando suavemente, alguns turistas corajosos estavam arriscando-se na água gelada, e alguns moradores caminhavam pela areia.
— Obrigada por me trazer aqui. — Ela agradeceu com o maior dos sorrisos, olhando-o brevemente. — Você é o melhor amigo que eu poderia ter, de todo o mundo!
E com aquele sorriso grande que ela deu, com o cenário tão bonito, tão romântico e aquele sentimento de gratidão que ela lhe passava. Todo o conjunto que deixava tudo perfeito para contá-la a verdade, transformou-se no pior cenário para dizê-la aquilo.
Então, mais uma vez ele desistiu.
04 de outubro de 2018: Centro Histórico , Sintra, Portugal
Eles estavam no centro histórico desde que acordaram, tiveram um café da manhã típico na padaria, Cake Love, tomaram um Galão , espresso com leite, para Ginny e um Abatanado , que era basicamente um Americano, para ele e de acompanhamento sande mista, uma sanduíche de queijo e presunto e pastéis de nata.
Como estava de dia, e o sol brilhava claro no céu, trazendo um certo ar acolhedor, eles estavam com roupas de verão, apesar de carregarem seus suéteres na bolsa de tecido de Ginny.
— Apenas no caso de esfriar, como na noite passada. — Ela tinha dito mais cedo naquela manhã quando estavam saindo do quarto do hostel.
Um sentimento de gratidão cresceu mais forte em Harry, e todos os pensamentos que ele tinha sobre contá-la a verdade, toda a coragem que ele reuniu para fazer a coisa certa, se foi.
Ele estava se apegando aos menores detalhes para poder imaginá-la como algo além de uma amiga, para alimentar ainda mais seus sonhos sobre tê-la com sua esposa. Cada gesto de carinho que ela demonstrava, o aquecia e o destruia.
Ele precisava ser forte e corajoso, mas ele não era.
06 de outubro de 2018: Palácio de Sintra , Sintra, Portugal
Eles estavam no Palácio de Sintra, o lugar era absurdamente lindo e calmo, como todos os outros. E ele estava preparado há dias, sentia que agora era o momento para contar a verdade sobre seus sentimentos. Ele finalmente estava certo de que conseguiria fazer isso.
E então ela o olhou com seus grandes olhos castanhos chocolate.
Toda coragem que ele havia reunido, se foi com o suspiro apaixonado que escapou de sua boca. Ela estava tão linda com aquela saia preta e sua blusa azul celeste, com um belo sobretudo marrom, tudo nela era perfeito, mas nada se comparava ao seus olhos brilhantes, que o faziam se apaixonar cada dia mais.
Nem mesmo o mais fortes dos homens resistiria ao olhar caloroso de Ginny, mas aquela seria a última vez que ele adiaria.
Era uma promessa . Ele não quebrava promessas, e aquela não seria a primeira.
07 de outubro de 2018: Seacoast Cottage, Sintra, Portugal
Foram necessários cinco dias para que a coragem se consolidasse nele, e todo o dia que se passou para que ele planejasse como faria aquilo dar certo. No total foram seis dias tortuosos com Ginny dormindo ao seu lado, sorrindo ao perguntar porque ele estava tão pensativo, sendo carinhosa e amorosa com ele.
Foram seis dias que pareceram uma eternidade.
A cada olhar carinhoso, sorriso de lado e conversas no meio da noite que eles trocavam, mais difícil a decisão de contar a verdade parecia machucá-lo e assustá-lo mais. Ele realmente seria capaz de contar a verdade para ela mesmo que isso arriscasse tudo o que eles tinham?
Ele havia a levado nos lugares mais lindos, mais românticos e elaborados que lhe sugeriram, e em nenhum deles ele havia conseguido coragem suficiente para contar o que sentia. Por que ele não conseguia? Por que ele era tão covarde?
No final ele decidiu que não iria mais tentar levá-la em algum lugar especial ou romântico demais, uma vez que toda vez que ele tentou essa tática o tiro saia pela culatra. Por isto nesta noite eles iriam em um pub perto do Hotel para comer alguma coisa e então ele se declararia.
Simples assim.
Ao menos ele pensou que seria que seria simples assim. Ginny mais uma vez estava deslumbrante, apesar de simples, ela usava uma calça skinny preta, com os joelhos rasgados, um cropped bordado que compraram no Red Light Vintage, um brechó que encontraram quando estavam saindo de Glasgow e a ruiva insistiu em entrar, e para finalizar o look uma casaco jeans reforçado. O outono em Portugal era agradável durante o dia, mas traiçoeiro durante a noite, e eles sabia bem disso, então era bom que ela estava preparada, mesmo que a roupa em questão o tivesse dado um mini aneurisma.
The Lion Arms, era um pub de esquina, há vinte minutos de caminhada do hostel em que estavam, era encantador com sua fachada preta com o nome em grandes letras garrafais douradas e um leão grande no final. Apesar de sua beleza e majestosidade, o local estava parcialmente vazio, mesmo o clima estando perfeito para uma ida ao pub. Harry, imaginava que isso acontecia porque era muito afastado do coração da cidade, talvez fosse um mau negócio, ou talvez fosse a intenção do proprietário. Um lugar único, mas que nem todos podem ter acesso, uma vez que você precisaria explorar a cidade para encontrar o The Lion Arms.
— Har, isso aqui é tão lindo. — Ginny comentou com um sorriso, olhando para os móveis de madeira escura, e as paredes de tijolos. Ela tinha razão, de alguma forma o ambiente do lado de dentro conseguia ser tão encantador quanto o de fora. Harry apenas assentiu quietamente, conduzindo-a para uma mesa mais afastada. Ele não conseguia respondê-la, sentia-se muito nervoso para realizar tal coisa.
E se hoje fosse a última noite que ela passaria com ele? Como ele iria aproveitar a noite com esses pensamentos rondando sua cabeça? Se continuasse assim, a última lembrança que teria dela, seria amarga como um jiló.
— 'Tá tudo bem? — perguntou ela preocupada, observando-o com cautela. — Nós podemos voltar para o hostel se você não estiver se sentindo bem, Har.
— Eu 'tô bem, Gi, não precisa preocupar. — Mentira. Ele estava com medo, e ele deveria contá-la, ela era sua melhor amiga afinal, mas ele não queria estragar a noite. Não agora. — Ei, o que acha de experimentarmos esse tal de caldo verde?
A noite seguiu bem, entre conversas relembrando a infância e sobre o que viram durante o tour no Palácio Nacional durante a tarde. Foi uma noite recheada de comidas quentes e deliciosas, com risadas e boas taças de vinho tinto, que segundo a indicação do garçom era a melhor opção para acompanhamento do caldo verde.
Eles já estavam a caminho do hostel e Harry ainda não havia contado a verdade, mas ele não poderia simplesmente deixar aquilo continuar, ele não poderia mais fingir que estava tudo bem. Ele precisava agir antes que a coragem, recém adquirida através das taças de vinho se fossem.
— Ei, por que você parou? — Perguntou confusa, olhando para Harry que estava parado no meio da rua, os cabelos cacheados sendo chicoteados pelo vento, o rosto másculo corado e os olhos correndo selvagens pelo rosto dela, como se quisesse memorizá-la. — 'Tá tudo bem?
— Sim, 'tá tudo bem. — Disse baixo voltando a andar, um sorriso triste tomando conta de seu rosto. Harry inesperadamente a abraçou e permaneceu assim até chegarem ao Seacoast Cottage , a Sra. Costa, uma mulher de rosto rechonchudo e bondoso e cabelos negros começando a ficar grisalhos que ficava na recepção, sorriu ao vê-los abraçados e deu uma piscadinha de incentivo para Ginny enquanto ele pegava a chave.
— Você está linda, Ginny. — Ele elogiou assim que entraram no quarto. Era uma coisa que ele queria ter falado desde que saíram para o pub, mas a coragem estava em falta naquele momento. A Weasley riu e seu rosto ganhou um tom bonito de rosa, deleitando-se em receber um elogio tão repentinamente, mesmo que fosse levemente estranho Harry elogiá-lo tão inesperadamente, era bom.
— Obrigada, Sr. Galanteador. — Ela agradeceu com uma risadinha envergonhada, ocupando-se em trancar a porta para não ter de encará-lo. A sensação de ter alguém elogiando-a sem a intenção de a levar para cama, era estranha, mas inexplicavelmente boa.
— É apenas a verdade, não precisa me agradecer por falar ela, Ginny. — Ele respondeu com um sorriso, sentando-se na beirada da cama e retirando seu tênis, ficando apenas com suas meias com estampa de pizza.
— Você está esperando que eu te elogie de volta, seu merdinha? — Perguntou ela com um tom jocoso, sentando-se ao lado dele, retirando suas botas de cano baixo e em seguida sua meias cor de rosa. Sem estampas.
— Não, mas não hesite se sentir vontade. — Ele retrucou com um sorriso convencido, deitando seu tronco na cama, e as pernas ficando penduradas para fora, Ginny o imitou e olhou dentro de seus olhos.
— Você anda meio estranho ultimamente. — ela declarou com um tom preocupado, analisando o rosto do moreno de cachos. — Está tudo bem?
— Eu 'tô bem, — respondeu com um murmuro impaciente. — mas preciso te contar uma coisa.
— O que foi, Har? — Ela perguntou curiosa, os olhos focados no rosto dele. Havia aprendido, depois de alguns desentendimentos, que o rosto dele revelava mais do que ele se permitia falar em grande parte das vezes. — 'Tá tudo bem com seus pais? E com as suas irmãs?
— Eles estão bem, ruiva, calma. — Harry respondeu com um sorriso leve, sentindo-se feliz por ela se preocupar com sua família. No entanto isso só estava dificultando ainda mais as coisas para ele. Sua família sentiria falta dela, caso ela não aceitasse bem o que ele falaria.
— Então o que é? — Perguntou a ruiva, acariciando os cachos dele. Sua própria forma de acalmá-lo, mas isso não o ajudava no momento. Ele não queria perder isso. Não queria perdê-la. — Qual é o problema?
Estar apaixonado por você é o problema, ele pensou, com um suspiro triste saindo de seus lábios carnudos e avermelhados pelo vinho. Não tinha mais como ele fugir da verdade, e nem escondê-la mais.
— Eu estou apaixonado por você, Ginny Weasley. — Ele declarou com a voz baixa, mas o quarto estava silencioso suficiente para que ela o escutasse sem que precisasse fazer qualquer esforço. Ele observou em como ela estava linda e em como o semblante dela mudou ao entender o que ele estava dizendo.
Ele conseguiu coragem para contá-la, após tantos anos amando-a em segredo, mas tudo que conseguia pensar é que era tarde demais para isso, era tarde demais para que ela o amasse de volta. Ele demorou tempo demais para contá-la e agora teria que lidar com as consequências de sua própria covardia.
O amor era para os corajosos. E ele era apenas um covarde desesperado por amor.
xxx
Entãaao, o que acharam do capítulo? Querem me matar? Querem matar algum personagem? Espero que não viu. Estou muito ansiosa para saber o que acharam, não acho que tem muita gente lendo a fanfic, mas quem estiver lendo e se sentir confortável, POR FAVOR, me deixa saber o que você achou pq eu quase morri escrevendo isso auhauhauha ( e pq me motiva oq significa que os capítulos vem mais rápido )
Espero de coração que vocês tenham gostado. Tenham uma boa semana, e se cuidem! Mil beijos e até a próxima atualização! z
