Olaaaaar pessoas, tudo bem? Senti falta de comentários no último capítulo, mas sem problemas. Espero que gostem do capítulo de hoje porque eu achei ele fofinho auhauhauhauha. Boa leitura e leiam as notas finais!

XXX

17 de novembro de 2018: Toulouse, França

Há sete dias a vida dos dois havia virado de cabeça para baixo. E por mais clichê que a frase soe, o único clichê que vinha desse fato era de Ginny ter pais extremamentebabacas. Não era um bom clichê, na verdade é o pior dos clichês do mundo e se Harry tivesse a habilidade de transformar palavras comuns em verdadeiras obras de arte, ele com todo certeza baniria esse clichê da vida dos personagens, mas infelizmente a vida deles não era um livro, uma fanfic, uma peça de teatro, um filme e menos ainda uma série. O que estavam vivendo era real e a vida real machucava como um inferno.

Ginny chorava todos os dias de noite, ela não tentava esconder isso dele, talvez soubesse que não ajudaria em nada, mas não esconder não tornava nada mais fácil, vê-la tão acuada, tão decepcionada, matava Harry aos poucos. Eles estavam na frança há dois dias, mas não haviam aproveitado nada, as palavras duras da semana anterior ainda ressoavam em suas mentes com muita força para que eles conseguissem fazer alguma coisa além de comer chocolates e assistir filmes e como se nada estivesse ruim o bastante, o dinheiro estava começando a ficar realmente curto.

Em um breve resumo, eles estavam fodidos.

Harry queria poder ligar para seus pais e pedir ajuda, mas ele não podia, e ele tinha três bons argumentos para explicar o por quê:

Ele tinha vinte e dois anos e morava sozinho há três anos, o que claramente indicava que ele tinha passado da fase de correr pro colo dos pais quando fazia merda. Há um bom e longo tempo.

A viagem havia sido ideia exclusivamente dele, e ele era o único culpado pela falta de dinheiro.

Seu orgulho o impedia de pedir dinheiro aos pais, principalmente quando ele havia afirmado com toda certeza há apenas duas noites que estava tudo sob controle. O único problema da frase, era que na verdade, absolutamente nada estava sob controle.

Então isso significava que eles precisavam se virar, o que é espera um pouco demais de duas pessoas que sempre tiveram tudo na mão sem precisar de muito esforço. É claro que durante o tempo que estava morando sozinho, e um pouco antes disso também, Harry havia trabalhado, mas servir mesas, atender clientes, trabalhar de caixa e o breve tempo sendo professor substituto de artes em uma escola primária de seu bairro não o preparou para lidar com essa situação. Por outro lado havia a ruiva, que agora era uma Weasley deserdada, sem moradia fixa, sem emprego, recém formada em fotografia e com um total de zero experiências no mercado de trabalho.

Ainda eram duas tarde e ele já queria chorar.

— 'Tá tudo bem, H? — Perguntou a ruiva assim que entrou no quarto, os cabelos ruivos estavam enrolados em uma toalha, e de sua pele desprendia o cheiro do sabonete barato do hostel. E ainda assim ela sorria.

Harry grunhiu algo inteligível, e se odiou por estar tendo um surto. Não era o momento de surtar, ele precisava ser sensato e agir, mas tudo que conseguia fazer era sentir pena de si mesmo como se fosse um pobre coitado. Pelo amor de Deus, Potter, reaja! Uma voz, que coincidentemente se assemelhava muito com a voz de Pansy, gritava em sua cabeça, e ele realmente queria escutar aquela voz, mas seu corpo não parecia concordar.

— Harry? — Ginny o chamou novamente, sua voz soando mais preocupada e menos alegre. Boa, Potter. Ele pensou, agora além de se sentir um nada, estava preocupando Ginny, a pessoa que realmente merecia surtar naquele momento. — Hazz, fale comigo, você está começando a me preocupar.

Ela se agachou ao lado da poltrona em que ele estava sentado, ou melhor jogado de qualquer jeito, e passou a mão nos cabelos cacheados dele com leveza e carinho. O coração de Harry ainda batia pesadamente contra sua caixa toráxica, mas ele não sentia-se a ponto de surtar, ao menos, não como antes, as palavras ainda não queriam sair de sua boca, era muito difícil ter que admitir aquilo, mas mais difícil ainda seria ele ignorar a situação até que ela se tornasse inevitável. Ele a encarou, e não se surpreendeu ao perceber que ela o olhava, seus olhos castanhos ainda não estavam vivos como eram antes, mas brilhavam em alguma coisa. Alguma coisa viva.

— Eu estou com medo. — O moreno admitiu com a voz baixa, um suspiro cansado saindo de seus lábios ao terminar de falar. Sentia como se um peso gigantesco estivesse saído de seus ombros ao dizer essas quatro palavras, afinal ele havia insistido que Ginny não se preocupasse com o dinheiro no começo da viagem, mas agora….

Agora eles não tinham essa opção.

E a ruiva apenas o olhou, a toalha ainda enrolada na cabeça, o corpo empoleirado ao seu lado, ela usava uma camisa dele, e uma calça de moletom, afinal estava frio. Ele a encarou de volta, sem saber o que falar depois de dizer aquilo, e ela continuou o fitando com aquele semblante que era indecifrável aos olhos de Harry. Podia conhecê-la há dezenove anos, mas havia momentos em que os olhares dela eram cheios de emoção demais, para que ele entendesse, ou para que ele quisesse entender. Ele não queria se iludir.

Sabia que os beijos, que os carinhos que estavam trocando significavam alguma coisa para Ginny, até porque ela havia deixado claro vezes o suficiente que ela não teria o beijado se não tivesse certeza disso, se não tivesse certeza que sabia o que estava fazendo. Se não sentisse alguma coisa. E isso bem, faziam com que ele sonhasse, o que muito provavelmente era uma completa burrice, porque ela não teria se apaixonado por ele em três meses, era impossível. Tinha que ser, afinal eles se conheciam desde os três anos de idade, e ela não havia se apaixonado por ele. Por que iria fazer agora? Logo quando ele estava quase conseguindo aceitar que ela nunca o amaria?

— Medo? — Ginny perguntou curiosa, afastando-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos em uma posição melhor. Imediatamente ele sentiu falta do calor do corpo dela perto do seu, o que era uma verdadeira bobeira, porque ela sequer havia se afastado muito, mas ainda assim, de alguma forma, ele sentia falta.

Patético, Potter.

— Sim. — Harry aquiesceu tão levemente que poderia até mesmo ter passado despercebido, sabendo que não tinha muito como esconder que o dinheiro estava acabando, principalmente porque Ginny não era burra, e logo notaria que o nível, já não muito elevado, dos hostels e pousadas que eles frequentavam estavam decaindo em um nível descontrolado. — O dinheiro que a gente tem, bem.. — ele pensou e tentou fazer com que aquilo soasse menos duro, mas não tinha como enrolar aquele assunto. Os olhos castanhos de Ginny estavam sob ele, inquisitivos, e ele engoliu em seco, o gosto da verdade era amargo. — bem ele 'tá acabando.

E então, Ginny riu. Um som alto e claro, cheio de humor, os olhos dela brilharam e ele sentiu-se confuso, e um pouco duvidoso da sanidade mental dela. Essa garota rindo quando ele falou com todas as letras que eles estavam sem dinheiro não poderia ser a mesma que quase teve um ataque cardíaco quando ele disse para vender algumas roupas que eles não usariam mais.

— Por que você 'tá rindo?

— Você não achou que eu não sabia, achou? — a ruiva perguntou com um meio sorriso divertido, que imediatamente morreu quando ela percebeu que Harry não havia a respondido, e quando ela o encarou com os olhos sérios, ele desviou o olhar. — Você achou que eu não tinha notado, Harry!

— Me desculpe. — ele se desculpou apressadamente, sentindo-se arrependido. Não aguentava sustentar o olhar duro que ela lhe lançava, como se não pudesse acreditar na coragem dele em achar que ela não havia percebido. — É só que..é que..eu...argh!

— Calma, H! — Ginny pediu colocando a mão no ombro dele apertando a área levemente, talvez na intenção de mostrar conforto ou para mostrá-lo que estava ali por ele. Aquilo fez com que seu coração acelerasse um pouco mais, mas por ora ele iria ignorar o sentimento, coisas mais importantes precisavam de sua atenção, afinal. — Nós vamos dar um jeito, tenha calma.

— Mas como nós vamos fazer isso, Gin? — o cacheado perguntou com a voz angustiada, os olhos verdes brilhando em preocupação. A menina se levantou e retirou a toalha do cabelo e o fitou por minutos incontáveis, por tanto tempo que o moreno chegou a pensar que ela tinha olhado nos olhos da Medusa e sido petrificada.

A imaginação de Harry tendia a ir longe demais em momentos de crises.

— Trabalhando, Harry. — A ruiva disse com um revirar de olhos como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E de fato era, mas ele apenas não esperava que ela estivesse disposta a trabalhar, pelo menos não assim do nada. Harry não gostava de admitir que pensara, diversas vezes, em Ginny como uma mulher mimada e não como essa mulher forte que estava a sua frente. Ele sentia-se envergonhado por isso, mas não era como se ela não o tivesse dado, mais de uma vez, motivos para ele pensar nela desse modo.

— Mas, você acha que nós vamos conseguir um emprego, aqui? — Harry perguntou com a voz baixa, muitos minutos depois, enquanto ela ainda penteava os cabelos, que ainda não passavam do ombro, com uma dedicação impressionante. As filhas deles seria sortudas..filhas? Que filhas? Ele repreendeu-se mentalmente. Idiota, mal se beijaram e já está fantasiando com futuras crianças? Repreendeu aquela parte de si que soava muito como a voz de Sirius, seu padrinho.

Bem, na verdade eles se beijavam todos dias há duas semanas, dezessete dias e algumas horas para ser mais preciso, não que ele tivesse contando e a ruiva parecia bem contente com isso. Claro que ele não esperava que ela estivesse apaixonada por ele, ou até mesmo o amando, mas um homem podia sonhar, certo?

Céus, ele estava ficando doido ao ponto de conversar consigo mesmo e ouvir as vozes de sua família. O que o fazia lembrar que ele só havia ligado para Sirius no começo da viagem, quando ele e Ginny ainda estavam em Bath, e bem, não foi uma ligação muito duradoura sequer havia contado sobre Ginny estar com ele.

— Claro que vamos conseguir, não seja bobo, Hazza. — Ela respondeu colocando o pente de lado e seguiu até ele, com passos suaves deslizando pelo quarto com tamanha leveza que fazia com que ela parecesse irreal. Uma divindade grega, a musa que todos os poetas, músicos, amantes e loucos procuravam, e ela estava caminhando em sua direção.

— Me desculpe, é só que — Harry começou a desculpar-se com a voz um pouco rouca pelo choro que ainda prendia. Ele odiava ser tão sensível as vezes, mas não era algo que ele sabia controlar, e mesmo que soubesse, não via o motivo daquilo ser algo ruim. — é que eu te prometi que seria divertido e agora vamos ter que sair fazendo bicos por aí.

— 'Tá tudo bem, H, de verdade está. — Ginny o acalmou com aquele sorriso conhecedor, que ele normalmente odiava ver em outras pessoas, mas que nela era simplesmente a coisa mais adorável. Ele levantou-se da poltrona, e a abraçou sentindo-se grato pela amiga que tinha. O que o fazia pensar sobre o relacionamento deles..

Agora que se beijavam, que eram ainda mais carinhosos, que estavam agindo ainda mais como um casal. Qual era o relacionamento deles? Ele era apaixonado por ela, e havia deixado isso muito mais que claro, por meio de palavras reais, e ela, bem, ele não sabia o que ela sentia. Claro que ela havia contado que sentia alguma coisa além da amizade por ele. Mas que coisa era essa?

— No que você está pensando, Sr. Potter? — Gracejou a ruiva que ainda estava abraçada a ele, olhando para cima com um sorriso carinhoso. Seus olhos se encontraram, e Harry quase chorou. A intensidade do olhar que ela lhe dava era apenas demais. Amoroso demais, brilhante demais, era tudo em grandes quantidades, e talvez por ser um olhar tão verdadeiro que a resposta dele escapou por seus lábios sem que ele pensasse muito sobre.

— Sobre nós dois. — a resposta rápida dele soou pelo o quarto, assustando a ele mesmo com toda sinceridade. Havia contado a verdade tão rapidamente como quem tira um band-aid de um machucado devido ao medo, o que era irônico, porque depois que falara não sentiu medo. Os olhos castanhos perscrutadores estavam fixos nos seus olhos verdes, e a pergunta que ela o fazia era clara, apesar de nenhuma palavra ter sido, de fato, falada. — Sobre o que você sente por mim. — Adicionou Harry com a voz baixa.

— É complicado falar sobre isso. — Ginny começou com a voz baixa, mas não porque ela não desejava ser ouvida e sim porque ela não precisava gritar para fazê-lo. Encararam-se por longos momentos, segundos, minutos, horas, não sabia dizer por quanto tempo se encararam, com aquela intimidade e confiança que apenas melhores amigos e namorados se encaram. — Mas eu gosto de você, H. Tipo de verdade.

— Como a Rosie ama o Alex em Simplesmente Acontece? — Perguntou ele com um tom divertido, mas seus olhos brilhavam seriamente, indicando que ele realmente gostaria da resposta honesta.

— Sim, como Alex e Rosie, como a Dama e o Vagabundo, Jack e Rose, e todos os outros casais das telonas que nós shippamos. — a ruiva respondeu com uma risada, mas sua voz era sincera, mostrando que ela estava realmente falando sério. Harry a olhou com carinho, daquele jeito que apenas pessoas que amam e são retribuídas são capazes de fazer, o olhar de adoração pura e verdadeira.

— Mas eu não sei se estou pronta para fazer mais do que já fazemos. — Ela admitiu momentos depois o encarando enquanto falava, ainda estavam abraçados, parados no meio do quarto pequeno da pousada, sem nenhum motivo aparente. Ele beijou o topo da cabeça dela, e a ponta do nariz com toda delicadeza que possuía. Estava feliz por ela estar sendo sincera.

— Está tudo bem, eu não me importo em esperar, desde que você esteja certa de que realmente quer isso. — Suavemente, o moreno respondeu, sua voz soando calma e compreensivo, refletindo exatamente o que ele sentia, pelo menos como ele se sentia a respeito deles, e não dos problemas que estavam enfrentando por outros motivos.

— Estou cem por cento certa de que quero estar com você, Harry. — Ginny respondeu com um sorriso. E então o beijou, suave e docemente. Seus lábios moviam-se sincronizadamente, em uma dança calma que estavam aprendendo a dançar com o passar dos dias e das noites, pressa não tinha lugar entre eles e estava tudo bem se precisassem esperar para avançar as coisas e que não tivessem um título para o que tinham.

Estava tudo bem porque era sincero, bom e, o melhor de tudo, era apenas deles.

28 de novembro de 2018: La Rochelle, França

Eles saíram de Toulouse no dia dezoito e passaram por duas cidades, as quais ela já não lembrava mais o nome, e no dia vinte e dois chegaram em La Rochelle, por dois dias eles aproveitaram a cidade como turistas, mas o dinheiro estava ficando escasso, e precisavam melhorar isso. Ainda em Toulouse, eles haviam decidido que precisavam passar mais tempo que planejado na França para que assim pudessem ter algum dinheiro para passarem o inverno.

E bem Harry havia achado o emprego perfeito para si apenas um dia depois, uma empresa apresentou a ele uma proposta de ensinar artes em uma escola local por algumas semanas enquanto o professor recuperava-se de um acidente de carro, e bem ele aceitou, já ela… Bem, ela não foi tão surtada como o amigo, se é que essa palavra era a certa para descrever a relação deles, que havia conseguido um trabalho que ele gostava. O único emprego que ela conseguiu foi como professora de inglês particular, e bem, não era uma tarefa fácil em grande parte do tempo.

Felizmente hoje ela só teria uma aluna, Sabrina Boucher, apesar de ser quarta feira, aquele era o dia em que ela menos tinha alunos, em tese ela deveria dar aula para mais dois alunos, mas eles precisaram remarcar para outro dia. Como sua aula seria apenas no final da tarde e a escola em que Harry trabalhava não funcionava as quartas, eles decidiram ficar na cama até tarde, para a alegria de ambos.

Harry estava adormecido ao seu lado, o verde único de seus olhos totalmente cobertos por suas pálpebras pesadas, o brilho de sua pele dourada parecia brilhar ainda mais sob a luz do sol que transpassa levemente cortina acetinada que tinham na janela do quarto, seus cabelos estavam ainda mais desalinhados que normalmente, se devido ao seu sono inquieto ou aos beijos afoitos que trocaram antes de dormirem, ela não saberia dizer, mas isso só o deixava mais bonito.

Ele era, de fato, um homem lindo por dentro e por fora, o que a fazia pensar, mais vezes do que seria considerado normal para alguém que dizia não estar apaixonada pelo melhor amigo, se talvez ele não fosse a pessoa que ela passou tantos anos procurando e depois vários anos tentando se convencer que havia encontrando. E bem se ela fosse ser sincera, não existia um motivo plausível para ele não ser. Harry era tudo que qualquer pessoa poderia desejar de um marido, ele era gentil, honesto, engraçado, inteligente, carinhoso, a respeitava acima de tudo e era lindo. Era o mínimo, é claro, mas quando não o mínimo nunca esteve presente em suas relações, fazia com que tudo isso fosse ainda mais importante.

Ela o olhou mais uma vez enquanto pensava em quão sortuda ela era por tê-lo, não só do jeito romântico, mas também como um amigo. O peito dela enchia-se de gratidão e amor por ele sempre que lembrava-se de tudo o que ele havia feito e ainda fazia por ela. De como ele a protegia quando eram apenas crianças, de como ele sempre aceitou brincar de bonecas com ela, mesmo que quisesse brincar de carros algumas vezes, de como ele a protegia das meninas que faziam bullying com ela no começo do ensino fundamental e em como ele sempre a ouvia quando ela precisava desabafar. Harry era sua lembrança mais doce da infância, e a melhor coisa que lhe acontecera, esperava pelo menos poder mostrá-lo isso todos os dias.

Apesar de não ser muito, ela sabia que isso o faria feliz, e se ela podia fazê-lo feliz e ser feliz ao lado dele, ela faria o impossível tornar-se possível se fosse preciso. Faria tudo por seu garoto. Ainda olhando para ele tão bonito e em paz, ela não se conteve quando pegou sua câmera, uma Nikon D3400 que achara por duzentos euros, de sua case na mochila e posicionou-se para tirar uma foto dele dormindo.

Foram precisas vinte tentativas, dez delas tiradas empoleirada na cama e dez em que ela havia explorado vários ângulos do quarto, para que finalmente conseguisse atingir a foto perfeita, que consistia em uma luz parcial iluminando o corpo bonito de seu amigo, que estava apenas parcialmente coberto pelo cobertor azul claro, os cabelos dele revoltos cobrindo apenas parcialmente seu rosto, a barba por fazer sendo levemente iluminada por feixes de luz, e o semblante calmo. Ginny estava tão satisfeita com a obra de arte que havia feito, que não percebeu que Harry havia acordado e a olhava com um pequeno sorriso.

— Me fotografando enquanto durmo, ruivinha? — A voz rouca do cacheado soou pelo quarto fazendo com que ela pulasse assustada, quase deixando a câmera cair. Harry sorriu para a ruiva enquanto ela se aproximava da cama com as bochechas vermelhas de vergonha.

— Algumas belas paisagens devem ser guardadas para eternidade, H. — Ginny respondeu brincalhona empurrando ele levemente no processo de sentar-se na cama, os olhos castanhos dela brilhando felizes em direção dele. — Bom dia, lindo. — o cumprimentou com um selar demorado em seu lábios bonitos e carnudos e assim que o soltou passou, acariciou a bochecha dele com o polegar, sentindo a aspereza que a barba dava a pele dele.

Harry sorriu brilhantemente diante do toque dela e recostou-se na cabeceira da cama, apreciando o carinho que lhe era concedido por alguns momentos em silêncio antes de voltar a abrir seus brilhantes olhos verdes e a encará-la.

— Bom dia, amor. — O moreno disse suavemente, o apelido saindo de sua boca da mesma forma que já havia saído tantas vezes antes, mas naquela quarta-feira de novembro, quando o sol do inverno brilhava calmamente iluminando a pele deles, Ginny sentiu-se diferente e o coração dela despencou de seu peito para só então voltar correndo, e batendo contra sua caixa toráxica com mais fulgor que antes.

E Harry, alheio aos loops que o coração da ruiva estava fazendo devido ao apelido carinhoso continuou beijando as bochechas, a testa e o nariz dela demoradamente, como se quisesse apreciar cada momento em que seus lábios estavam sob a pele leitosa dela, e então, finalmente beijou-a nos lábios, com tanto carinho que fez o coração de Ginny parar por um segundo apenas para no segundo seguinte voltar com a dar loops.

Ginny desconfiava que talvez aquilo fosse um sinal de que sua paixão infantil por Harry de anos atrás havia voltado desde do momento em que o beijou ainda em outubro, e isso talvez explicasse porque os beijos dele sempre lhe pareciam únicos e bons demais para serem verdade, a vontade constante de tê-lo por perto e a felicidade genuína que ele lhe trazia, ainda mais que antes. Quando há onze dias ela disse que estava certa de que onde queria estar onde ele estivesse, ela não estava mentindo, sabia que estava apaixonada por ele, mas não sabia ainda se essa paixão era tão genuína quanto a dele ou ela estava apenas sendo carente.

Agora, observando ele sorrir, ela apenas soube, que sua paixão não tinha nada a ver com carência. A amizade deles obviamente fez com que o processo dela se apaixonar fosse mais rápido e o término de seu noivado com Dean também ajudou. Afinal ela não seria capaz de traí-lo, ou trair qualquer pessoas mas o que ela sentia, o que ela sentia de verdade em seu âmago, era único, e ela nunca havia sentido-se assim. Como se estivesse andando nas nuvens.

— O que você quer comer hoje, pequena? — Harry perguntou parecendo alheio de toda a descoberta que estava acontecendo dentro dela, e provavelmente estava, afinal ele não tinha a capacidade de ler pensamentos. Ela o olhou, e de repente tudo nele estava diferente, e ao mesmo tempo, tudo estava exatamente como sempre foi. Os olhos cor de esmeralda pareciam brilhar mais que a pedra preciosa, dando a ela a impressão de que o nome da pedra viera após alguém olhar os olhos dele, e o sorriso irradiava e brilhava tanto que Ginny jurou que conseguia aquecer-se apenas com um sorriso sincero dele.

— Ginny? — Questionou o moreno com a falta de resposta dela, a voz bonita soando preocupada, fazendo com que ela saísse de uma vez por todas do mundo dos pensamentos e voltasse para o mundo real. Bem voltasse parcialmente, porque tudo que ela conseguiu fazer foi olhá-lo com o que era possivelmente a expressão mais boba de todo o universo. — 'Tá tudo bem?

E como num passe de mágica, tudo o que era sensato em Ginny pareceu fugir, e ela se viu sem papas na língua, finalmente despejando as palavras que vinham rondando sua cabeça durante um certo tempo. Porque quando você se apaixona, não se percebe o exato momento em que acontece, até porque não é um único momento bonito que faz com que um coração se apaixone por outro, e sim uma sucessão de momentos que tornam-se especiais por serem feitos com aquela pessoa.

— Eu estou apaixonada por você, Harry Potter. — As palavras escorregaram pelos lábios dela, e o desespero o assolou por alguns meros segundos, até ela olhar o rosto de Harry que estava aberto no mais lindo do sorrisos, fazendo com que seu coração acelerasse e ao mesmo tempo se acalmasse.

E fazendo o que era mais sensato e propenso ao momento, Ginny se inclinou e o beijou lenta e delicadamente, impulsionando seu corpo para cima do dele, as mãos no rosto dele, enquanto os dele seguravam sua cintura apenas com força o suficiente para que ela não se desequilibrasse. O beijo durou longos minutos e quando eles se separaram, os olhos brilhantes de Harry, que no momento ainda não haviam sidos tampados por seu óculos, a fitou.

— Você tem certeza disso? — Perguntou Harry em voz baixa, como se temesse que fosse um sonho, e tudo que Ginny pode fazer foi sorrir e assentir afoitamente, ansiosa para mostrá-lo que ela falava sério. Ele sorriu novamente, um sorriso de orelha a orelha. — Que bom, porque eu estou completamente apaixonado por você, Ginny Weasley.

— E eu por você. — Ela afirmou mais uma vez, beijando-o suavemente.

XXX

Então foi isso pessoal, Ginny está assumidamente apaixonada e tudo está bem, ou será que não ? KKKKKKK
A fanfic não deve demorar muito pra acabar, eu ACHO, porque tudo o que eu planejei já está "pronto" então podem começar a preparar os lencinhos pras despedidas viu? Beijos pra vocês, comentem, favoritem e adicionem a fanfic na "biblioteca" para serem notificados quando eu postar! Até daqui duas semanasss 3