Olar! Estou duas semanas atrasada, EU SEI!, PERDÃO! Queria dizer que vou recompensar com várias atts, mas não é vdd, eu tô com um mega bloqueio e por isso a demora. Na verdade, esse capítulo tá pronto desde quando eu postei o doze, mas eu não achei justo postar sem escrever o quatorze - o que eu n consegui escrever, mas okay vida que segue - então eu fiquei adiando e adiando, bem enfim, aqui estamos nós! Para a sorte de vocês esse capítulo é muito do fofo e acho que isso TEM que contar como uma redenção, certo? Enfim, um bom capítulo mores 3
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02 de dezembro de 2018: La Rochelle, França
O relógio indicava que não se passava das duas da tarde, e já estava começando a ficar escuro. Era um dia calmo de inverno, um domingo, e ao invés de estar explorando o lugar com Ginny, Harry foi obrigado a ficar no quarto de hotel e começar o seu plano de aula para o dia seguinte. Essa seria sua última semana como professor substituto, e ele já estava sentindo falta de seus alunos, com seu trabalho e o de Ginny eles conseguiram um bom dinheiro, teriam um montante de quatro mil euros até o dia nove, mas ainda não era o suficiente para continuar a viagem sem problemas, era apenas o suficiente para procurarem outra cidade.
Ele estava quase terminando seu plano de aula quando seu celular começou a tocar na mesa de cabeceira onde ele havia colocado para carregar. Com um suspiro ele se levantou da cadeira em que estava e se esticou, tantas horas sentado faziam suas costas doerem, e então pegou o aparelho, apenas para perceber que era uma chamada via skype de sua família. Harry não atendeu imediatamente, ao invés disso ele pegou seu notebook, felizmente ele havia pensado em trazer consigo, e assim que entrou no aplicativo ele atendeu.
A conexão do hotel estava boa naquele dia, o que era uma grande sorte porque ainda no dia anterior ela estava uma verdadeira merda, provavelmente porque estava chovendo como se o mundo fosse acabar, e assim que a ligação conectou ele sentiu seu coração encher-se de alegria, para logo em seguida ser substituída por uma tristeza imensurável. Não havia imaginado que sentia tanto falta de sua família até aquele momento.
— Mamãe! Mamãe, o Harry atendeu! — a voz doce de Sophie ecoou pelo quarto ao mesmo tempo em que seu rosto infantil focou na câmera, os cabelos avermelhados presos em duas tranças e olhos castanhos esverdeados o encarando com alegria e admiração. Sophie agora tinha seis anos e parecia tão diferente de quando ele a viu pela última vez. — Oi, oi, maninho!
— Oi, oi, Soph. — Harry cumprimentou de volta sorrindo para sua irmã, sentia vontade de abraçá-la e enchê-la de beijos, estava com saudades dela, mas sempre que ele ligava ela estava na escola ou dormindo, e ele já não fazia chamadas de vídeo há quase um mês devido o tanto de trabalho que ele vinha tendo e porque ele ainda não havia contado para seus pais sobre Ginny. — Como você 'tá, florzinha?
— Eu 'tô bem! O tio Sirius e o tio Remus me deixaram comer biscoitos de chocolate antes do almoço. — Ela segredou com um riso sapeca, suas as tranças balançando levemente com a risada dela e Harry permitiu-se rir um pouco também com as marotices de seus padrinhos. Ainda riam quando passos apressados foram ouvidos e logo a figura de seu pai ocupou lugar ao lado de Sophie. A imagem de seu pai com os cabelos começando a ficar grisalhos, uma barba por fazer e os óculos tortos no nariz foi a primeira coisa que ele notou, James Potter estava com seus quarenta e nove agora e seu sorriso continuava o mesmo de antes, e Deus, Harry queria apenas poder abraçá-los.
— Lembrou como se usa o skype, garoto? — A voz divertida de James fez se presente e o Potter mais novo sorriu amarelo, sentindo-se envergonhado por não estar ligando para casa com frequência, e o mais velho apenas riu do constrangimento do filho. — O gato comeu sua língua, Harry?
— Não esqueci como se usa o skype, pai, só ando meio ocupado com uh..coisas. — ele respondeu um tanto constrangido, bagunçando seus cabelos revoltos enquanto ponderava se deveria ou não falar sobre Ginny, afinal haviam passados meses e eles estavam juntos agora. Não queria escondê-la, muito pelo contrário tinha vontade de gritar para os quatro cantos do mundo sobre o quão especial Ginny Weasley é, quão incrível ela pode ser como ser humano e em como ele a admira.
— Coisas? — Perguntou uma terceira voz, a voz de seu padrinho, com interesse e uma pitada de diversão. Após alguns segundos o rosto de Sirius apareceu no enquadramento do skype, seus cabelos longos e muito pretos, devido a tinta para esconder os fios brancos que ele negava ter, estavam presos em um coque e seus olhos azuis encaravam os de Harry. — Que tipo de coisas, Prongslet?
— Também estou curioso em saber, Hazz. — Agora a voz de Lily e Remus estão ao fundo, e antes que ele possa processar toda sua família está aparecendo na tela de seu notebook. Remus havia sentado ao lado de Sirius, seus cabelos castanhos estavam começando a ficarem grisalhos, mas ele não parecia se importar com isso e apenas sorria alegre, sua mãe, Lily, estava sentada no braço da poltrona onde James estava, os cabelos presos em uma trança e um óculos de leitura em seu rosto. — Que tipo de coisas tem mantendo meu menino longe de mim?
Harry revirou os olhos com carinho diante do questionamento de sua família, e sorriu apesar da culpa que lhe consumia ao lembrar que ele não estava sendo totalmente sincero com eles. Nunca gostou de mentir, principalmente para sua família, e agora parecia um momento oportuno de contar a verdade, a pergunta já havia sido feita e ele precisava apenas falar, mas lhe faltava coragem para admitir sua omissão, no entanto sabia que não poderia passar mais um dia escondendo a verdade. Não podia, e muito menos desejava esconder que estava com Ginny e perdidamente apaixonado por ela.
Ele desconversou e contou sobre os outros lugares que visitou fazendo seu melhor para não falar sobre a ruiva e então ouviu as novidades, conheceu os cachorros novos, Mike e Sully, sendo apresentado virtualmente a eles. E então Grace e Teddy apareceram. Grace, que recentemente havia completado três anos, com seus cabelos ruivos bagunçados, sorrindo loucamente para a figura de seu irmão, os olhos verdes, não esmeraldas como os de Harry e Lily, mas verdes musgo, e Teddy, que estava com quase quatro anos, com seus cabelos castanhos claros como os de Remus, mas com os olhos azuis de Sirius. Apenas quando as crianças se cansaram e foram para seus quartos para uma soneca da tarde foi que os adultos olharam para Harry com seriedade, todos pareciam preocupados e prontos para dar uma notícia terrível a ele.
— Querido, eu sei que esse é um assunto complicado para você, mas nós precisamos falar sobre a Ginny. — A voz suave e doce de sua mãe começou em um tom preocupado e os olhos cheios de pesar. Vê-la assim o fez suspirar derrotado e desviar o olhar, o que talvez tenha dado a eles a impressão errada.
— Escute, Hazz, a sua mãe não quer te chatear, ninguém aqui, mas você não acha que seria melhor esquecer a ruivinha e ir atrás de outra pessoa? — Agora quem falava era James, seus olhos sempre brincalhões mostrando uma seriedade um tanto incomum, fazendo com que o Potter mais novo sentisse-se apenas mais culpado.
O moreno se ajeitou na cama e encarou a janela, o dia estava escuro do lado de fora e parecia noite, imaginando se Ginny iria se demorar, a presença dela normalmente o dava mais coragem. Na verdade apenas pensar nela o dava mais coragem. Ele sentiu-se sorrir ao pensar no abraço dela, no cheiro de seu cabelo e no seu sorriso. Santo Deus ele estava realmente apaixonado por ela.
— Gente, eu não acho que precisamos falar sobre isso... — Harry respondeu inseguro de como começar a explicar a situação, mas antes mesmo que ele pudesse terminar de falar Sirius já estava protestando. O moreno de olhos verdes apenas suspirou, deveria ter imaginado que seu padrinho faria isso, assim que ele descobriu que Harry estava apaixonado por Ginny ele tentou convencê-lo a se declarar e quando a proposta foi recusada ele insistiu que o menino deveria esquecê-la.
— Harry, como seu padrinho, eu não vou te deixar ficar se arrastando por um rabo de saia! — Ele exclamou com a voz irritada, assustando não só o mais jovem que estava há bons quilômetros de distância, mas também aos adultos que estavam ao seu lado. Remus colocou a mão no braço do marido e lançou-lhe um olhar de aviso, claramente tentando o acalmar. — Não, Rem! Mas ele não pode ficar sendo feito de gato e sapato pela Ginny!
— Padrinho, eu.. — O moreno tentou novamente, os olhos verdes desesperados para contar sobre Ginny em como eles estavam bem, muito mais que bem se o beijo apaixonado que eles trocaram mais cedo fosse um indicativo, em como ela era especial e sua paixão era correspondida.
— Não me entendam mal, eu amo aquela menina como se ela fosse minha própria filha, mas se ela não te ama, porque você ainda insiste nisso? — O moreno de coque desabafou, todos olhavam espantados para ele. Harry não fazia ideia dos sentimentos de seu padrinho em relação a Ginny, era mais do que claro que Sirius a adorava, mas ele nunca imaginou que era algo tão profundo.
— As pessoas não mandam no próprio coração, Sirius. E você, mais que ninguém sabe disso. — Respondeu Lily com os olhos faiscando protetoramente, e por um momento, Harry quis rir diante da cena de sua mãe sendo tão protetora, mas ele sabia que não era certo e por isso pigarreou chamando atenção para si
— Pessoal, eu agradeço pela preocupação, mas realmente não precisa disso, é sério. — ele explicou com um sorriso calmo e um olhar feliz, no fundo ele se sentia um pouco culpado por ainda não ter contado sobre a ruiva, mas bem, eles nem mesmo o permitiram fazer isso. Sua chance era agora que eles estavam calados, apenas o observando com sorrisos conhecedores como se soubessem de algo que ele não sabia. — E, eu preciso contar uma novidade a vocês.
James e Sirius sorriram maliciosos, mas Remus e Lily apenas trocaram um olhar preocupado entre si. E ele apenas limitou-se a revirar os olhos, sentindo-se frustrado em quão pouco sua família confiava nele quando se tratava de relacionamentos amorosos. Sinceramente, ele teve poucos namoros sérios e tudo bem, uma das últimas namoradas o traiu, um dos meninos certamente precisava tomar banho mais frequentemente, e ele sempre parecia escolher aqueles que mais tinham chances de partir seu coração, mas caramba! Apenas um voto de confiança seria legal, para variar um pouco.
— Que tipo de novidade, Hazz? — Remus perguntou com a voz cuidadosa e os olhos atentos em cada movimento do mais novo, que apenas riu levemente deles e se preparou para falar, mas novamente foi interrompido. Não pelos adultos que o encaravam pela tela, mas pela porta do quarto sendo aberta.
Era Ginny.
Seus cabelos ruivos estavam saindo da touca amarela de tricô que ela usava, seu casaco de frio, o por cima do suéter, já jazia no cabideiro ao lado da porta, e seu cachecol estava indo na mesma direção, assim como suas botas de salto. No final tudo que restou foram suas roupas, uma saia vermelha, uma meia calça marrom e o suéter rose, um grande sorriso em seu rosto corado e uma sacola de o que parecia doces em sua mão. Ela não fez nenhum barulho quando viu que ele estava usando o computador.
— Tem alguém com você? — James perguntou com os olhos estreitos, todos os outros também o encararam e Harry sentiu-se corar sob o olhar de sua família, e sua vermelhidão apenas aumentou quando um olhar de reconhecimento brilhou no olhar da ruiva que não estava enquadrada e ela tentou disfarçar um riso. — Pelo visto você não perdeu tempo para esquecer a Ginny, filho.
Ela o encarou assustada e um tanto desconfiada, suas sobrancelhas se juntaram em confusão e ele pôde ler perfeitamente quando ela lhe perguntou: "Eles não sabem sobre nós?" Tudo que que o moreno conseguiu responder foi um "Não." silencioso o qual ele se esforçou para fazer com que parecesse tanto sincero e arrependido quanto se sentia, culpa o corroeu com mais força que antes ao ver o olhar confuso no rosto bonito dela.
Impulsivamente e sem aviso nenhum, Harry estendeu a mão em direção de Ginny e quando ela aceitou seu convite, a trouxe para sentar-se consigo, permitindo que sua família pudesse ver quem estava com ele. Ela estava envergonhada, mais que isso, ela parecia estar sentindo-se culpada, e apenas por esse motivo, e talvez porque não aguentava vê-la e não beijá-la, que Harry beijou selou seus lábios suavemente.
— Santo Deus, Harry James, tenha modos! — Lily exclamou exasperada, mas ele podia sentir a felicidade em sua voz, e assim que ele e Ginny separaram-se, pode ver que todos sorriam e que até mesmo a timidez súbita da ruiva mais nova havia passado, e ela estava com a cabeça recostada no peito de Harry.
— Não escute sua mãe, Harry, beije mais uma vez ela, para seu velho padrinho ter certeza do que está vendo! — Pediu Sirius com uma risada animada, enquanto James assobiava e gritava "Isso aí, garoto!" e Remus sorria serenamente olhando para eles. Ginny o beijou novamente e eles sorriam largamente quando se separaram.
É, eles estavam bem.
15 de dezembro de 2018: Josselin, França
A ligação para sua família os fizera muito mais que que bem, e como haviam ganhado dinheiro suficiente para tal coisa, Harry e Ginny traçaram seus caminhos para outra cidade da França. Sirius, ao saber, a contragosto de Harry e pela boca de Ginny, que eles estavam sem dinheiro, ofereceu o chalé onde ele e Remus viveram por alguns anos, dizendo que estava mais do que contente em deixá-los ficar lá. Como o dinheiro da hospedagem estava previamente suspenso, puderam visitar mais lugares, no entanto, não pararam de trabalhar. Ginny estava agora dando aulas de fotografia e inglês, quatro dias na semana, e ele estava dando aula de pintura para crianças do bairro.
Era um sábado, e faltavam apenas dez dias para o Natal, e por esse motivo, Ginny e ele estavam no carro, com ela no volante, indo para o centro da cidade. Ambos estavam bem agasalhados, Harry usava um suéter grosso, botas, uma calça de tecido pesado, cujo o nome ele não recordava, um longo sobretudo verde, luvas e uma touca cinza com um pompom laranja, e Ginny usava uma roupa parecida, sendo a diferença apenas nas cores onde as que ele usava eram discretas e escuras, as que a ruiva vestia eram claras e coloridas vibrantemente. Os pais de Harry, bem como suas irmãs e seus padrinhos, decidiram passar o feriado na companhia deles, o que era algo extremamente agradável, principalmente para Ginny que sentia saudades das pessoas que amava.
— Parece até que o natal chegou mais cedo para você, ruiva. — Ele comentou jocosamente, quando ela começou a cantar em plenos pulmões e em um francês perfeito, um jingle de natal. Era Douce Nouit, a versão francesa de Silent Night, uma das músicas favoritas de Ginny.
— Um pouco, — ela respondeu com um sorriso grande e um dar de ombros, fazendo uma longa pausa antes de continuar devido a sua atenção focada na estrada coberta por neve. O moreno sorriu de volta, observando todos os pequenos detalhes que deixava-a ainda mais linda, paisagem parcialmente coberta de branco que realçava o vermelho dos cabelos dela, a fraca luz do sol que fazia com que a pele levemente bronzeada, devido aos dias que eles passaram no litoral, brilhasse, mas ela não precisava disso para ser linda. Ela era linda apenas por existir. — mas o natal não está tão longe assim, Hazz.
— Muitas coisas podem acontecer em dez dias, Ginny. — Harry respondeu com a voz de quem sabe das coisas olhando na direção da ruiva com os olhos desfocados numa imitação barata de Luna Lovegood, fazendo com que os dois começassem a rir segundos depois. Eles pararam de rir e um silêncio se instalou no carro, aquele tipo de silêncio que todas as músicas românticas falam sobre, e que todos acham superestimado até se encontrarem tendo um momento de silêncio confortável com a pessoa que amam.
Apesar do conforto que a presença de Ginny lhe trazia, Harry sentia um tanto quanto sufocado por um pensamento, por algo que ele considerou extremamente desnecessário, até aquele momento. Nunca havia sido o tipo de pessoa que fazia questão de rotular seus relacionamentos, principalmente quando nunca havia deixado de amar Ginny, no entanto... No entanto, agora que estava com Ginny, ele queria poder chamá-la de namorada, noiva, esposa ou qualquer fosse o tipo de relacionamento deles, ele não tinha medo de assumi-lo, ao contrário, sentia-se orgulhoso. Mas seu medo era que a ruiva não se sentisse da mesma maneira, e se ela não gostasse dele tanto quanto ele gostava dela? E se fosse apenas uma coisa temporária para ela, enquanto ele estava fazendo planos de casar?
Harry estava hiperventilando só de pensar nessa possibilidade, e um suor frio escorreu por suas costas, apesar do frio congelante que estava fazendo, ele sentia-se muito quente de uma maneira nada boa. Ele estava surtando. Precisava ao menos jogar um verde, dar a entender o que ele pensava de alguma forma, sem que ela percebesse seu crescente pânico em ser rejeitado. Isso contava como ser verdadeiro ou ele precisaria falar tudo o que sentia? Deus, ele deveria ter escutado Lavender quando ela tentou o ensinar sobre relacionamentos quando ele estava tendo uma caso especialmente sério com Cho Chang, uma menina chinesa que fazia parte do jornal esportivo da faculdade, há quase três anos.
Talvez o silêncio não estivesse tão confortável quanto ele pensara, ou seu rosto estava passando uma imagem muito aterrorizada, e precisa, pois Ginny estava com a mão em sua perna e o encarando com uma certa preocupação que fez o coração do moreno disparar. Ele deveria ter se acostumado com os toques e a preocupação dela, até porque ela sempre havia feito isso, antes mesmo de se beijarem, mas o seu corpo sempre ficava em alerta e ansioso a espera do toque dela. Harry virou o olhar para a janela, tentando fugir por alguns momentos do o olhar preocupado que ela o dava, e dos olhos castanhos que o faziam despejar a verdade em questões de segundos.
— Está tudo bem, Hazz? — Ginny perguntou suavemente, sua voz doce ecoando pelo carro por mais um segundo após ela terminar de falar, a mão dela apertou a perna dele novamente, talvez em uma forma sutil de dar apoio, ou talvez tenha sido apenas algo impensado e que ele estava fantasiando. Assim como ele fazia todas as noites com o relacionamento deles.
Ele tinha duas opções, poderia facilmente dizer que estava tudo bem e mentir, ou contar a verdade à ruiva. Harry sentia sua língua formando qualquer desculpa barata para não ter de admitir que estava pensando demais sobre algo que poderia ser resolvido com uma conversa. Então sua mente correu em busca de uma explicação rápida, porém verdadeira para o que sentia, ele olhou para Ginny, que estava tão linda sendo ela mesma, com seus olhos castanhos cheios de vida, os cabelos curtos brilhando e tudo era tão ela e tão perfeito que ele não conseguiu refrear o pensamento de como queria casar com aquela mulher.
— Está tudo bem. — ele respondeu suavemente olhando para ela que apenas soltou um bufar desacreditado perante ao que ele havia falado. Ela tinha o direito de duvidar, obviamente, afinal as ações dele não condiziam muito com o que ele estava afirmando, apesar de ele estar relativamente bem, de fato. — Eu realmente estou bem, Gin. Apenas estava pensando sobre uma coisa e isso me deixou um pouco desnorteado.
— Sobre o que você estava pensando? — A ruiva perguntou com um olhar curioso, estacionando o carro em um estacionamento há poucos metros do centro da cidade. Harry não a respondeu de imediato, não conseguia encontrar sua voz para dizer aquilo, estava envergonhado ao extremo e tinha medo de estar cobrando algo. Foram precisos alguns segundos, ainda sentados dentro do carro, para que ele a encarasse.
— Estava pensando sobre nós dois. — Foi a resposta sussurrada dele, seus olhos fixos nos dela, que estavam ainda mais curiosos. Há semanas ele havia falado a mesma coisa, perguntado a ela sobre o que ela sentia, mas ele ainda tinha medo, tudo estava bem demais para ser verdade, e as coisas normalmente começavam a dar errado quando iam bem demais. Não conseguiu evitar desviar o olhar para falar, parecia algo muito bobo, mas que se tornaria estupidamente real caso ele olhasse para a decepção que, provavelmente, estava presente no rosto sardento da ruiva. — Eu ainda tenho medo disso tudo acabar, sei que você não é o tipo de pessoa que ilude os outros, mas é que tudo está indo tão bem e...
— Sssh, Harry, calma. — Ginny interrompeu ele com a voz suave e um de seus dedos sob os lábios dele, e quando seus olhos encontraram o rosto dela, Harry viu que ela sorria, e isso o deixou confuso. Por que ela estava sorrindo quando ele estava sendo totalmente estúpido? — Eu entendo que você está tendo alguns problemas com estarmos juntos, e para ser sincera, eu também estou, mas nós vamos ficar bem e...
A voz da ruiva foi morrendo a medida que ela falava, e ele entendeu que talvez as coisas para ela fossem tão difíceis, ou talvez mais, quanto para ele, e com aquela sensação estranha a qual ele nem sempre conseguia dominar, Harry pegou a mão de Ginny entrelaçando-a com a sua e brincando com os dedos dela, enquanto eles olhavam para o estacionamento parcialmente cheio de carros, mas suas compras haviam sido momentaneamente colocadas de lado.
— Você não precisa continuar se não quiser, amor. — Ele falou suave, o apelido enrolando em sua língua carinhosamente, suas mãos entrelaçadas com as delas e o sentimento quente começando a aumentar, seus medos quase sendo esquecidos.
— Eu quero. — Respondeu a ruiva firmemente.
Uma pausa de alguns segundos, ou talvez tenham sido apenas milésimos de segundos, mas para a mente de Harry aquele momento pareceu quase que eterno, o rosto da ruiva estava impassível, mas seus olhos fechados eram provas de o quanto ela estava afetada. O que quer que fosse que ela estava pensando, havia a afetado fortemente, ele beijou a testa dela suavemente porque parecia o certo a se fazer.
— E se as coisas boas estão acontecendo conosco, é porque nós merecemos isso, H. A gente merece ser feliz. — Ginny disse isso com convicção ainda sem abrir os olhos, mas havia um quê quebrado em sua voz como se ela duvidasse daquilo tanto quanto ele fazia. Era difícil acreditar que merecia Ginny quando passou tanto tempo se forçando a acreditar o contrário. — E você não precisa ter medo de me chamar de namorada, é o que somos, certo?
Deus. Como ela sabia que ele estava pensando nisso? Ele queria agradecê-la e beijá-la por várias horas seguidas, mas tudo o que ele conseguia pensar era em como ela sabia o que estava passando em sua cabeça. Ele não era tão óbvio assim, né?
— Como você sabia que era isso? — A pergunta pulou de sua boca sem permissão, e ele sorriu constrangido, mas Ginny apenas riu. A gargalhada espontânea e bonita dela se estendeu pelo carro fazendo Harry rir levemente, faziam apenas alguns minutos que haviam compartilhado um momento de risos no carro e ele já estava sentindo falta.
— Eu te conheço, Potter, antes de ser sua namorada, eu sou sua melhor amiga. — Ela esclareceu com um sorriso divertido e ele apenas assentiu, sabendo que, mais uma vez, tinha permitido que seus medos falassem mais alto que a lógica. Mas então ele percebeu o novo subjetivo que ela havia usado para descrever a relação deles.
Namorada.
Ele estava namorando Ginny Weasley. E ela estava feliz com isso, ela queria isso e sentia-se bem com ele. Harry sentiu-se o homem mais feliz do mundo, e seu peito encheu-se com uma alegria tão genuína, tão pura, o tipo de alegria que não é facilmente levada embora após alguns momentos. Era felicidade de verdade, que não ia embora nem mesmo após pequenas brigas bobas ou desavenças, o tipo de felicidade que permanece para a vida inteira.
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Enfim, foi isso pessoal! Ainda vamos ter mais alguns capítulos, mas não muitos, ok? Espero que tenha válido a pena a espera, auhauhauhauha! Tentarei postar o 14 o quanto antes, mas n prometo nada dessa vez :(
Amo vocês! Se cuidem!
