A aventura tem início
Quando os cinco chegaram à vila, esta já estava completamente desperta. As janelas viam-se todas abertas, pessoas ocupavam as ruas, ouviam-se vozes e risos, gritarias e algumas discussões, tudo muito misturado, representando a vida presente no lugar.
Seiya olhava com curiosidade para tudo aquilo. Ainda não se sentia à vontade, era como se estivesse dentro de um filme! Aquele lugar parecia saído de um filme medieval, com suas ruas estreitas, tavernas, casas de madeira bastante simples... E os habitantes do lugar deixavam tudo ainda mais diferente do que estava acostumado a ver! Havia todo tipo de ser por ali, circulando por aquelas ruas com a maior naturalidade.
O cavaleiro observava a tudo, embasbacado, quando acabou trombando com um enorme minotauro:
– Ei, humano! Olhe por anda! - rugiu o ser, que possuía o corpo de um forte homem e a cabeça de um touro.
– Eu... ah... puxa! Eu... Me desculpe! - Seiya gaguejou, enquanto se dava conta de que estava diante de um ser mitológico - Uau! Você... é um minotauro! Caramba!
O minotauro não respondeu, mas bufou. Não pareceu compreender a reação de Seiya e também não pareceu simpatizar com o cavaleiro.
Shiryu, que já imaginava que situações assim fossem acontecer, adiantou-se e sorriu polidamente:
– Desculpe-me, senhor. Não somos desse região e este cavaleiro está bastante deslumbrado com tudo o que está vendo.
– Oras. E por acaso é a primeira vez que ele vê um minotauro como eu?
– É, sim! - Seiya fez questão de responder - E eu preciso dizer... Cara! É muito mais legal do que eu já tinha imaginado! Tipo, não que eu já tivesse me imaginado na frente de um minotauro antes, mas agora que eu estou aqui... Cara! É demais! - vibrou o rapaz de cabelos castanhos.
Shiryu e Shun não souberam o que dizer em um primeiro momento. A reação de Seiya era tão diferente do que eles estavam acostumados a ver que até para contornar a situação ficava um pouco difícil.
Entretanto, não precisaram fazer qualquer coisa:
– Cavaleiro humano... - começou a dizer o minotauro - Você é interessante! Fez-me parecer muito importante com suas exclamações a meu respeito! Apreciei suas palavras; então venha! Eu o convido para vir comigo a uma taverna!
Os olhos de Seiya brilharam com o convite, mas Shiryu ergueu a mão, impedindo que prosseguissem:
– Agradecemos o convite, mas estamos com pouco tempo, senhor. Temos um compromisso e não devemos nos demorar para realizá-lo.
– Não convidei vocês, apenas o cavaleiro humano. - rugiu o minotauro, nada simpático.
– Viu só? Eu estou sendo convidado, mas você não está sendo requisitado, Shiryu. Então pode ficar aqui esperando. - Seiya demonstrava, com essa fala, que continuava arredio com o mago.
– Seiya... - Shun começou a dizer - Ir a uma taverna... Agora tão cedo... não é uma boa ideia... Percebe...? - o elfo buscava se fazer entender nas entrelinhas, lançando olhares sugestivos que indicavam o quanto aquela decisão de acompanhar o minotauro não era nada boa.
Seiya, no entanto, ignorou os alertas. É claro que ele não estava menosprezando a missão da qual haviam sido incumbidos, mas é que o rapaz tinha sua própria forma de enxergar a situação. De acordo com os filmes a que já tinha assistido, era muitas vezes em lugares como uma taverna que os heróis encontravam pistas, elucidações, direcionamentos, o que fosse para ajudar a cumprir sua missão. Afinal, ali se encontraria todo tipo de gente... ou, no caso dessa terra mágica... todo tipo de ser. E isso, certamente, seria bom para ajudá-los na busca de respostas - ao menos, assim pensava o espirituoso jogador de futebol.
Shiryu e Shun, no entanto, não partilhavam dessa visão. Demonstraram-se preocupados e, não conseguindo se fazer entender pelo cavaleiro, trataram de segui-lo, a fim de evitar maiores problemas. O mago, porém, antes de seguir junto a Seiya, percebeu que o vampiro e o lobisomem não estavam ali perto. Ao lançar um rápido olhar ao redor, viu Ikki parado, não muito longe de onde estavam, observando alguma cena atentamente.
Shiryu não tinha tempo a perder agora; acreditava que o cavaleiro era muito ingênuo e isso, em Nalur, não era nada bom. Então foi até Ikki rapidamente e disse-lhe:
– Eu, Shun e o cavaleiro estamos indo àquela taverna. - o mago apontou para o lugar onde Seiya já entrava junto do minotauro - Chame Hyoga e venham nos encontrar lá o mais rápido que puderem, está bem? - o homem de longos cabelos negros sequer esperou por uma resposta; tratou de se retirar e logo alcançou Shun.
Ikki ouviu o que Shiryu dissera, mas nem mesmo se dera ao trabalho de olhar para o mago enquanto ele lhe falava. Estava, de fato, muito concentrado em outra coisa.
O lobisomem estava recostado à parede de uma velha casa e via Hyoga conversando com uma criança. O loiro não podia vê-lo de onde estava, mas Ikki tinha uma visão privilegiada do vampiro naquele momento. E começou a prestar atenção quando notou o outro em uma situação bem distinta da usual.
Hyoga apresentava um belo sorriso para um menino que devia ter por volta de uns dez anos. A criança vestia roupas bastante esfarrapadas, os cabelos e a face estavam bastante sujos. O garotinho tinha os olhos marejados de lágrimas, mas Ikki viu como o loiro, de algum modo, fez isso mudar. A criança agora ria abertamente para o vampiro, que, à luz do dia, parecia um homem como outro qualquer. Devido à distância, Ikki não poderia escutar o que o loiro dizia, mas pelos gestos dele e pelas reações do menino, o lobisomem pôde deduzir que Hyoga lhe contava alguma piada ou anedota.
Quando o garoto já parecia sentir-se melhor, Hyoga fez-lhe um sinal para prestar bastante atenção em algo. O menino ficou muito atento e o vampiro, em gestos elaborados e exageradamente dramáticos, parecia trabalhar um passe de mágica. E desse modo, diante do olhar deslumbrado da criança, o loiro fez aparecer uma maçã em sua mão. O menino bateu palmas de contentamento e Hyoga entregou a fruta a ele, fez uma breve carícia nos seus cabelos encardidos e acenou para o garotinho, que partiu em seguida.
Nesse mesmo instante, uma grossa e pesada mão recaiu sobre o ombro delgado de Hyoga:
– Eu vi seu truque de mágica barato...E vi também que a maçã que apareceu em sua mão não surgiu do nada. Ela veio da minha venda! Você a roubou de mim! - falou um ogro, visivelmente revoltado.
– Ah, isso... - Hyoga olhou para trás com desprezo refletido em seu olhar cristalino - Eu não roubei nada, meu caro... "senhor". - o acento irônico na última palavra foi ressaltado pelo modo como o vampirou voltou seu olhar para trás; o loiro olhou para o ogro de cima a baixo, como se o estivesse avaliando. E a expressão de enfado no rosto pálido de Hyoga demonstrava menosprezo pela figura que o encarava raivoso - Obviamente, vou lhe pagar pela fruta. - dizendo isso, o vampiro fez um gesto com a mão, como se afastasse alguma sujeira de seu ombro, para retirar dali a mão do ogro.
De dentro do bolso de seu fino casaco azul marinho, Hyoga retirou algumas moedas. Jogou-as sobre a palma da mão do ogro, que a tinha estendida, e disse-lhe:
– Aí está. Pode ficar com o troco.
Hyoga já havia se voltado para o outro lado, prestes a sair dali, quando a pesada mão do ogro o segurou pelo ombro, agora com mais força:
– Muito engraçadinho... Está achando que pode me tapear?
O vampirou voltou o belo e frio rosto para trás, com uma expressão interrogativa. Franziu o cenho, como se isso fosse o bastante para questionar o que o outro estava querendo dizer.
– Essas moedas não valem nada aqui! Não sei de onde você vem, mas em Nalur, isso aqui não tem qualquer valor!
– Como não? - indagou Hyoga, estupefato - Isso é ouro!
– Eu sei. E não vale nada por aqui. - o ogro tinha uma voz mais ameaçadora agora e sua mão começava a apertar mais vigorosamente o ombro do vampiro - E então? Vai me pagar ou vou precisar castigar esse belo rosto...? - o ogro segurava Hyoga pelo ombro e, com a outra mão, sacava uma grande e afiada faca da bainha que ficava pendurava em seu cinto.
– Ei. - a voz grossa e grave de Ikki se fez ouvir - Largue-o.
O ogro e Hyoga olharam juntos para o lobisomem, que estava diante deles, em uma pose bastante imponente.
– Quem é você? - perguntou o ogro, parecendo bastante contrariado.
– Ikki, pode deixar que eu sou perfeitamente capaz de resolver isto sozinho. - Hyoga, apesar da situação bastante desvantajosa, fez questão de falar, fazendo seu orgulho ser notado em cada palavra.
– Não é o que parece, loiro. - Ikki respondeu, cruzando os fortes braços sobre o peito.
– É melhor escutar o rapazinho... - ameaçou o ogro - Deixe que ele se resolva comigo e não se intrometa mais em assuntos que não lhe dizem respeito.
– Bem, infelizmente para você, tudo o que estiver relacionado a esse loiro me diz respeito. - o homem de cabelos azulados foi categórico - Só vou dizer mais uma vez: Solte-o. - os olhos escuros como a tempestade deram o recado de forma mais explícita que as palavras usadas. Ikki devolvia o ar ameaçador do ogro com um olhar bastante intimidador.
O ogro estremeceu de leve diante desse olhar. Mas rapidamente recuperou o tom insolente que vinha usando até então:
– Pensa que eu tenho medo de humanos?...
– Não se deixe levar pelas aparências, ogro estúpido. Nós não somos humanos. - devolveu Ikki, sem desfazer o olhar repleto de ameaças.
– Ah, não? - o ogro, em um gesto rápido, soltou Hyoga e, com sua faca afiada, fez-lhe um grande corte no braço que antes estava aprisionado - É engraçado o que me diz, pois ele sangra como um humano.
Hyoga soltou um breve grito de dor e cambaleou até a parede próxima de uma casa, onde recostou-se. Lançou um olhar preocupado para o corte feito pelo ogro; era razoavelmente profundo, largo e sangrava em quantidade aflitiva.
Ikki, ao presenciar essa cena, foi tomado por uma fúria que não pôde conter. Imediatamente, seu olhar tornou-se assassino e, embora não pudesse efetuar a transformação completa, que só poderia ocorrer à noite, o moreno dispunha de uma força espetacular, mesmo à luz do dia. Assim, no instante seguinte ao golpe desferido em Hyoga, Ikki já havia saltado sobre o ogro, demonstrando seu poder no fantástico pulo, que dominou o ogro sem que ele tivesse chance de resistência. Caído e imobilizado no chão, o ogro só pôde ver, apavorado, como agora a sua própria faca estava tão perto de seu pescoço:
– Vejamos... Como será que você sangra...? - Ikki falou por entre os dentes.
– Não! Por favor... Por favor... Piedade! - implorava o ogro - Eu não fiz nada de errado... Estava apenas defendendo o que é meu... Cuidando do que me pertence... Ele não devia ter me roubado!
– E você devia ter me ouvido. Mas acho que agora é tarde, não é mesmo? - Ikki falava com frieza.
Nesse momento, Hyoga caiu ao chão, enfraquecido. O loiro ainda tentou se reerguer por conta própria, mas não conseguia. Havia perdido uma quantidade considerável de sangue e estava mais pálido que nunca. Com algum esforço, mantinha ainda os olhos azuis abertos, como se temesse perder a consciência ali e ficar a mercê de qualquer um que passasse por lá.
Ikki, notando a situação do loiro, bufou. Aquilo era prioritário. Saiu de cima do ogro, mas segurando a faca dele consigo e em postura ofensiva:
– Muito bem. Vamos deixar as coisas como estão. Acho que todos aqui aprendemos uma lição. - o lobisomem começou a falar, notando que uma pequena multidão começava a se juntar ali, para ver o que acontecia - Da próxima vez, ouça antes de agir, ogro estúpido. - Ikki falou e percebeu que alguns outros ogros começavam a se aproximar também. Percebeu que não era boa ideia continuar ali. Sem devolver a faca, Ikki encaminhou-se rápido aonde estava Hyoga e, sem dizer uma palavra, pegou o vampiro nos braços e afastou-se dali.
Foi veloz o bastante para evitar que fossem seguidos. Aproveitou a própria multidão que se tinha formado ali como barreira, para não ser visto pelo ogro que atacou. Deixou o lugar sem que esse ogro conseguisse ver aonde tinham ido.
Ikki não foi muito longe, pois tinha ficado preocupado com a quantidade de sangue que Hyoga estava perdendo. Deu a volta na casa em que Hyoga tinha se recostado, encontrou um pequeno beco e entrou ali.
Ao analisar a situação do loiro, agiu rápido. Precisava estancar aquele sangue. Sem demora, rasgou um pedaço de sua camisa branca e amarrou-o com força sobre a parte mais profunda do corte. O loiro, que estava semiconsciente, pareceu despertar nesse momento. Gemeu de dor e abriu mais os olhos claros. Olhou ao redor, parecendo um pouco perdido. Viu Ikki à sua frente, viu que ele tinha a camisa rasgada e viu como o lobisomem tinha estancado parcialmente o sangue que escorria de seu ferimento.
– Por que fez isso? Por que... me ajudou? - indagou o loiro, quase agressivo.
Ikki esboçou uma leve expressão de surpresa. Não é que ele estivesse esperando por grandes agradecimentos, mas sentiu certa frustração ao ouvir aquelas palavras:
– Porque temos uma missão a cumprir, vampiro mal-agradecido. E somos todos necessários. Isso quer dizer que eu preciso de você vivo.
Hyoga lembrou as palavras ditas por Ikki: "... tudo o que estiver relacionado a esse loiro me diz respeito". Então era isso que ele estava querendo dizer. É, "fazia sentido", pensou o vampiro.
O lobisomem se levantou, como se não soubesse exatamente o que fazer e ficou olhando ao redor, para averiguar se ninguém se aproximava dali.
– Obrigado. - finalmente, a voz de Hyoga se fez ouvir. E veio em um tom quase gentil.
Ikki voltou a olhar para o vampiro, que tinha uma expressão razoavelmente amigável. O lobisomem soltou um meio sorriso e estendeu a mão para ajudar o outro a se levantar.
Percebeu que o loiro estava mais fraco do que gostaria de aparentar. Suava frio e sua palidez formava um quadro quase cadavérico.
– Venha. Vamos encontrar os outros. O mago e o elfo conseguirão fazer estancar seu sangue melhor do que eu fiz. E aí, quando anoitecer, você voltará a ser vampiro e recuperará sua capacidade de autorregeneração. - com Hyoga em pé, Ikki puxou-o para mais perto, a fim de apoiar o corpo dele no seu para que pudessem caminhar. O vampiro, num primeiro instante, tensionou o corpo como se não quisesse aceitar esse auxílio, mas a sua fraqueza o obrigou a ceder.
Começaram a caminhar rumo à taverna, em silêncio. Quando já estavam bastante perto do local, Ikki soltou essas palavras, que deveriam soar como algo casual, mas que, na verdade, representavam uma curiosidade que não estava mais conseguindo esconder:
– Por que estava falando com aquele menino? - inquiriu repentinamente.
– Ah... Bom... - Hyoga mostrou-se claramente nada à vontade com aquela pergunta. Contudo, ao ver o pedaço da camisa de Ikki em seu braço, o loiro se recordou de que o lobisomem lhe salvara a vida, literalmente. Afinal, durante o dia, era um ser humano comum. Poderia ter facilmente morrido ali. Então, o mínimo que poderia fazer era oferecer alguma explicação satisfatória: - O garoto estava triste.
– E..? - Ikki arqueou uma sobrancelha. Era óbvio que não aceitaria apenas isso como resposta.
– Ele me chamou a atenção porque estava chorando. Quando o vi assim, olhei para os lados, a fim de ver se encontrava os pais dele por perto. Não vi ninguém que parecesse se responsabilizar por aquela criança e resolvi perguntar a ele onde estariam seus pais. O menino me disse que só tinha a mãe e que ela estava... muito doente. - as últimas palavras soaram mais doloridas que o devido na voz do vampiro - Enfim, eu me compadeci daquela criança. Primeiro, tentei fazê-lo rir para afastar aquelas tristes lágrimas dele. E depois, dei-lhe a maçã, pois ele disse que sua mãe tinha fome e que ele queria muito poder dar a ela o que comer...
– Entendo. - Ikki falou, pensativo. Não podia negar que estava algo surpreso. Pelo que sabia dos vampiros, esses não costumavam ser guiados por sentimentos nobres como o que acabava de perceber em Hyoga.
– Ficou surpreso? - perguntou Hyoga, com um sorriso de leve, como se tivesse lido os pensamentos de Ikki.
– Não nego que sim. Um pouco. - Ikki acabou sorrindo de volta.
– Pois eu também fiquei surpreso. Você arriscou sua pele para me salvar. Tudo bem, eu entendo que minha vida é importante para essa missão dar certo. Todas as nossas vidas são, de certa forma... Mesmo assim, eu não sei se esperaria por uma atitude assim, vinda de um... lobisomem.
– Não somos tão ruins assim, loiro. - disse Ikki - Eu, pelo menos, não consigo ser insensível a certas situações... Especialmente quando envolvem certas... injustiças... - a fala de Ikki foi vaga nesse ponto e seu olhar pareceu perder-se dentro de si mesmo nesse momento, como se ele se recordasse de algo distante e dolorido.
Hyoga era muito perceptivo e notou a forma evasiva como Ikki se pronunciou. Ora, todos ali tinham seus segredos. Também ele guardava muito em seu passado... Logo, não poderia julgar o outro por ser tão lacônico. E, como se buscasse transformar a situação em um momento mais leve, disse:
– Vejo que arrancou um pedaço de sua camisa para servir de bandagem ao meu ferimento. Agradeço por isso. - falou com a polidez de um nobre.
Ikki olhou para o pedaço de sua camisa envolvendo o braço do loiro e viu que já estava vermelho e encharcado devido ao sangue. Precisavam logo encontrar os outros.
Mas achou melhor não enunciar nenhuma fala tão séria no momento; não ajudaria em nada deixar o loiro mais alarmado do que ele provavelmente já estava naquela situação. Assim, o moreno riu e respondeu, em tom divertido:
– É bom saber que meus farrapos de camponês serviram para algo. - ele disse, fazendo menção ao modo como Hyoga tinha se referido às suas roupas.
O que era para ter sido um comentário engraçado surtiu o efeito contrário. Em vez de amenizar o clima instaurado entre eles, Ikki deixou Hyoga um pouco constrangido, por trazer à tona uma fala sua que rebaixava o lobisomem, sendo que esse mesmo lobisomem salvara sua vida e utilizara a roupa de que Hyoga tanto escarnecera antes como instrumento vital para auxiliá-lo.
Os dois perceberam claramente o desconforto daquele momento, mas não foi preciso que fizessem qualquer coisa para lidar com o constrangimento daquela situação. Ambos acabavam de adentrar a taverna onde Shiryu dissera a Ikki para ir. Lá, algo mais urgente de ser resolvido chamou a atenção do vampiro e do lobisomem. Havia uma multidão reunida dentro da taverna, que bradava em alto e bom som:
– Vamos, cavaleiro! Vamos! Mostre sua mágica!
Copos vibravam no ar, bebidas eram derramadas por todo canto, devido à bagunça generalizada que se instalara ali. Seiya estava no centro do tumulto, parecendo intimidado, tímido, perdido, sem saber ao certo o que fazer. O cavaleiro olhava na direção de Shiryu e Shun, como quem pede ajuda... E tanto o mago quanto o elfo mostravam-se bastante apreensivos e sem reação.
Ao que tudo indicava, ir à taverna não tinha sido, realmente, uma boa ideia...
Continua...
