Quando os humanos criaram as personificações da vida, da morte e do destino, eles sempre as personificavam de uma forma a criar um ar de respeito e temor. Harriet Potter descobriu que a verdadeira aparência desses seres, estava longe de causar um sentimento de respeito, e muito menos de temor.
Ela tinha morrido.
De bom grado, ela caminhou até Voldemort e aceitou a maldição da morte, sem nem mesmo hesitar.
Em um primeiro momento, ela tinha acordado na Plataforma 9 ¾, onde encontrou Dumbledore. Eles estavam no meio de uma conversa, sobre Harriet precisava voltar a vida, quando três vozes gritaram furiosas com o antigo diretor e um buraco negro sugou o velho bruxo para um lugar desconhecido. Antes que ela pudesse reagir, Harriet se viu parada no que parecia ser uma grande biblioteca, encarando três pequenas criaturas. Elas não deveriam ter mais de um metro de altura, com orelhas longas e cabelos enrolados que pareciam lutar contra a gravidade, apontando para cima. Abaixo de suas cinturas, seus corpos eram cobertos de pelo e elas tinham longas caudas. De uma forma estranha, as três eram criaturas fofas. Cada uma tinha uma pelagem diferente, e as três se apresentaram como as verdadeiras personificações da vida, da morte e do destino: Sappi, com cabelos e pelos dourados, era a personificação da vida; Nullu, com cabelos e pelos negros, era a personificação da morte; e Pexx, com cabelos e pelos prateados, era a personificação do destino.
Foi assim que Harriet descobriu que sua vida tinhas e tornado ainda mais complicada. Ao que parecia, as três relíquias da morte, na verdade foram itens que as três criaturas criaram e enviaram para a terra, para encontrarem alguém para… brincar com elas. Era ridículo, mas foi essa a explicação que as três lhe deram.
Em seu tédio, tendo vivido por milênios, as três desejaram alguém para brincar com elas. Infelizmente, mortais não eram seres confiáveis por natureza e a brincadeira que elas queriam propor, e um mortal indigno poderia causar grandes infortúnios. Então as relíquias foram criadas e, caso caíssem em mãos inadequadas, elas atrairiam seus mestres para a morte. Contudo, se uma delas encontrasse um mestre digno, atrairia as outras. E quando esse mestre tivesse as três relíquias e, enfim, morresse, as três criaturinhas poderiam lhe propor seu jogo.
E, ao que tudo indicava, Harriet era a feliz ganhadora dessa 'honra'. Infelizmente, ela não poderia voltar para sua antiga vida. As três tinham sido muito firmes sobre esse fato. Não era que Harriet não poderia… ou que as três não tinham o poder de fazer isso acontecer… era apenas que elas não queriam.
As três a teletransportaram para uma grande biblioteca, que também tinha uma grande tela de cinema. Havia duas televisões comuns em um canto, uma conectada a um aparelho de videogame, e outra a um aparelho de DVD.
– Hn… então, tudo o que tenho que fazer, é jogar com vocês? – Perguntou Harriet, desistindo de tentar convencer as três a lhe deixar voltar. Parecia que seria mais fácil participar daquele 'jogo' e, depois que elas estivessem satisfeitas, ela poderia tentar convencê-las a deixar que voltasse.
– Isso mesmo. – Concordou Pexx, com um grande sorriso.
– E que tipo de jogo é?
As três criaturas sorriram, antes de gritaram ao mesmo tempo:
– JOGO DA REENCARNAÇÃO!
Harriet piscou.
– Ahm?
– É simples. – Falou Sappi, flutuando em frente a Harriet. – Nossa existência foi sempre traçar os destinos dos humanos. Eu escolhia o momento em que um humano nasceria, Pexx como ele viveria e Nullu como morreria. Depois de alguns milênios… isso se tornou muito chato.
– Foi quando Pexx fez um comentário: "Seria mais interessante, se os humanos pudessem alterar os caminhos que criamos". – Lembrou Nullu. – Foi quando decidimos que escolheríamos um humano, e daríamos a ele o poder de alterar os caminhos do destino.
– E para ficar mais divertido ainda, criamos diferentes mundos e registrarmos suas histórias aqui. – Terminou Pexx, fazendo um gesto as prateleiras com livros. – No começo, fizemos apenas em livros, mas parou de ser interessante, então convertemos alguns em novelas e depois em jogos de relacionamento.
– Vocês querem dizer que… tudo isso são registros de outros mundos e o caminho que eles seguiram? – Perguntou a bruxo, olhando para as prateleiras sem acreditar.
– Estávamos entediadas. – Foi a resposta descontraída de Nullu.
Harriet sentiu uma gota de suor escorrer por sua testa com a resposta.
– O jogo é muito simples: você escolhe um dos mundos, lê o registro e depois usamos a roda da fortuna que criamos. – Explicou Pexx, parecendo muito animada, enquanto segurava para grande roda de bronze escuro, com três rostos desenhados, um anjo, que tinha 'heroína' escrito embaixo, um diabinho, com 'vilã' e um terceiro rosto normal, com 'nova personagem' escrito. – A roda irá girar e onde a seta parar, será a pessoa em que você irá reencarnar. A parte divertida é que, apesar de tudo isso, você não vai estar presa a história original e poderá alterar tudo.
Harriet olhou para roda, antes de olhar para as dezenas de prateleiras.
– Hn… e como isso poderia ser divertido para vocês? – Essa era a grande questão.
Talvez, viver diferentes vidas e destruir o destino pré-estabelecido fosse algo que seria divertido para ela, depois de ter toda a sua vida fodida pelo destino. Mas ela não conseguia ver como isso seria divertido para as três criaturas.
– Fácil, vai ser divertido, porque nós veremos tudo! – Exclamou Sappi, apontando para a grande tela de cinema.
– Temos muita pipoca e refrigerante, para acompanhar. – Concordou Nullu.
– E não esqueça do sorvete!
Harriet sentiu o suor escorrer por seu rosto novamente.
Basicamente… aquelas três queriam assistir a reality shows? Com ela sendo a estrela de tudo que aconteceria.
Imortais eram estranhos.
– Bem, não é como se eu tivesse muita escola. – Murmurou, antes de caminhar para a prateleira mais próxima, seus olhos escaneando os livros. Todos pareciam ter recebido algum tipo de título. – Eu só preciso escolher um, certo?
– SIM! – Exclamaram os três, enquanto flutuavam atrás dela com ansiedade evidente em sua voz.
Harriet soltou um suspiro e apenas puxou um dos livros, sem prestar muita atenção. No final, ela sentia que teria de viver em todos aqueles mundos, antes que as três lhe deixassem morrer de verdade, ou simplesmente voltar. Levando em conta a quantidade absurda de registro… isso poderia demorar algum tempo. Seus olhos se voltaram para o livro que ela pegou. A capa era de um vermelho escuro e havia o desenho de uma pantera negra alada, de olhos vermelhos na capa:
– 'O Demônio Asmodiano'? – Murmurou, caminhando para uma das confortáveis poltronas e abrindo o livro. Era um pouco grosso…
Sappi, Pexx e Nullu se sentaram em frente a poltrona, suas caudas balançando animadas em direção ao livro que ela tinha escolhido. Harriet não pode deixar de rir da imagem. Era difícil imaginar que essas três criaturas eram as verdadeiras formas das três entidades mais temidas e respeitadas da humanidade. Talvez todos aqueles filósofos estivessem certos, em espalhar o mito de suas aparências intimidadoras, caso contrário, ela duvidava que alguém poderia temer ou respeitar aquelas três, se soubessem a verdade.
– Vocês querem que eu leia em voz alta?
As três concordaram, suas caudas abanando mais rápido.
– Ok… 'Há muito tempo, em um império chamado Arcania, vivia a nobre família Castiello, que possuíam o sangue do demônio asmodiano…'
