Tudo bem, eles teriam que voltar a Hogwarts para mais um ano oculto, este no caso que seria o último. Depois de todos os acontecimentos anteriores, a guerra, como mortes, os conflitos e perdas, todos, sem exceção, sendo acabou prejudicados em sua vida acadêmica, de modo que se fez necessário o retorno à escola para enfim, concluir o ensino bruxo. Hermione estava imensamente contente e ansiosa para retornar à escola de magia e bruxaria, poderia conviver mais um pouco com seus amigos e assim não pensar tanto nos acontecimentos pós guerra, acontecimentos que a assombravam bastante. Era difícil, ela pensou, esquecer e seguir em frente depois de tanta coisa vivida, até porque não foram situações confortáveis ou remotamente fáceis que ela e seus amigos vivenciaram, estavam a lutar por suas vidas e que mais amavam também. Ela secou uma lágrima, pois se lembrou de seus pais, nunca os que se passaram por volta, nunca poderia abraçar a mãe e pedir seus conselhos, ou ouvir sobre o dia de trabalho de seu pai no consultório odontológico, tudo isso eram marcas que ela seria capaz de apagar, ou pela era menos assim que pensava.

Não, ela não seria capaz de superar tudo isso, pois vive um verdadeiro inferno todos os dias com essas lembranças invadindo sua mente e a torturando dia após o dia. Não conseguiu nem manter seu relacionamento com Rony por conta disso, ela não via sentido naquilo. Como fazer alguém sendo feliz que ela própria não o era? Além disso, Rony era tão diferente dela. Dizem que os opostos se atraem e bom, talvez sim, mas, ela e ele... Bem, eram muito opostos, Rony não tinha grandes ambições e queria o simples. Hermione, apesar de gostar do simples e o querer também, almejava coisas grandes, como se tornar um Auror ou ter uma carga importante no Ministério. Enfim, não deu certo.

Rony a compreendeu perfeitamente, ele, devido aos seus muitos anos de amizade, sabia que havia algo diferente nela, aquele brilho de antes, que vontade, se foram, dando lugar a um sobrevivente, alguém que parecia estar mais interessado em concluir o ciclo da vida do que vive-la de fato.

Foi bom enquanto durou. Não fez muita coisa, Hermione e ele. Apenas alguns beijos e amassos, mas nada demais. Era complicado beijar alguém que parecia estar prestes a chorar a qualquer momento. Então, em um término mais que amigável, desatar de ser namorados e voltarem a ser apenas grandes e melhores amigos.

Hermione pôde respirar aliviada depois disso. Acontece que, tendo mesmo tido uma atração e carinho forte por Rony, bem... Não passou disso, e ela tinha medo de magoá-lo, foi bom saber que assim como ela, ele pensava da mesma forma em relação aos dois.

Agora, o caminho do trem que logo mais, em menos de dez minutos partiria para Hogwarts, Hermione foi observar a plataforma, todos os seus amigos e antigos colegas de classe eavam agitados com suas bagagens em mãos, alguns em grupos e rindo alto, enquanto outros pareciam ter o mesmo semblante que ela, tristeza.

Droga, droga. Não era para ela se sentir assim, de maneira alguma. Afinal, estava voltando para a escola, por Deus. Era Hogwarts, a melhor escola de magia e bruxaria do mundo. E Harry, Rony, Gina, Luna... Se lembrou de Jorge e... Fred. Fred não estará lá e nem em lugar nenhum, nunca mais poderá ouvir suas piadas sem graça e aturar seu bom humor diário, não pode ver-lo matando aula e nem vender seus doces.

Tentou, mas não conseguiu conter duas lágrimas muitas teimosas que decidiram cair em seu rosto. Por uns instantes ela se esqueceu de onde estava e aceitou o fato de que estava chorando. Contudo, ouviu o som alto de risadas e rapidamente passou a mão sob o rosto e as secou, por Merlin. Será que alguém viu? Ela olha para os lados a fim de saber se alguma pessoa notou seu estado deplorável de depressão.

Bom, na plataforma não. Ninguém a sua direita e nem a sua esquerda. Porém, ao olhar a sua frente, bem a sua frente. Mais precisamente dentro do trem.

Alguém a observava da janela.

Com olhos cerrados e cenho franzido, Malfoy a olhava detalhadamente, como se a estudasse. Ele tinha a boca semi aberta e os olhos fixados nela.

O primeiro instinto de Hermione foi o de surpresa, ela só o encarou de volta, igualmente intrigada. O que ele estava fazendo afinal?

Notando a perspicácia da garota, ele se limitou a limpar a garganta e engolir no seco, dando atenção a algo dentro do trem.



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Ele não queria. Mas, infelizmente viu o sangue ruim olhando a todos com sua cara de tonta, como se estivesse sob algum nos efeitotálgico ou algo assim. Por um momento ele só pensou em encará-la e depois rir dela, contudo, se viu absorto pela cena a sua frente, a de alguém quebrado. Quebrado assim como ele. Assim como todos, ele notou. Ela estava triste.

Até aí tudo bem, afinal nunca simpatizara com Granger. Todavia, Draco sentia dentro de si que tinha tido uma mudança, ele não era e nem queria ser a mesma pessoa que milhares cometeram erros. Claro que isso não significava sangue aceitar ruínas e trouxas, mas, ele se sentia um tanto sentimental.

A guerra afetou muita gente. Inclusive ele próprio.

Então a garota começou o chorar. Por Merlin. E pela visto nem notará que estava se depurar em lágrimas no meio da plataforma, na frente de todos.

- Ela é diferente. – sussurrou para si mesmo.

E estava mesmo, normalmente Granger, os quatro olhos do Potter e o pobretão do Weasley viviam saltitando e sorrindo por aí. Era estranho, ele constatou, vê-la deprimida tão deprimida. Se viu interessado e aficionado pela figura e cena a sua frente. Se recordou de sua tia, Belatriz Lestrange. E sentiu um aperto no peito, ela tortura o sangue ruim.

Granger seca o rosto.

Ótimo, agora ela se tocou da vergonha que está passando. E por que raios ele ainda a olhava? Essa era uma questão.

Ela o encara.

Droga, droga. Ela viu o encarando de forma patética.

O olhar dos dois se encontrar. E por um instante tudo está bem, do jeito que deve ser. Mas no outro, como um relâmpago aparecendo no céu, Draco volta a realidade e se dá conta do que está fazendo.

Muito desatado ele desvia o olhar.

Blásio o encara de volta, logo em encarando Hermione na parte de a do trem e sorri.

- O que foi? – indaga Draco, mal contendo o mal humor em sua fala.

Blásio dá de ombros antes de responder.

Nada, nada. Mas... Vi você encarando a amiga do Potter.

- Eu não estava encarando ninguém. – desconversa ele, enquanto o outro ri.

- Tá bom. Tá bom. Vamos fingir que não estava.

- Fingir o que? – pergunta Pansy ao entrar no vagão e se sentar ao lado de Draco.

Antes que o loiro pudesse responder Blásio o interrompe.

Draco. – diz apontando para o amigo. – Agora decidiu ter pena de sangues ruínas.

- Cale a boca Blásio! – gritou Draco.

- Você estava ou não estava com dózinha da mestiça? – continuou o outro.

O Dó? O Pena? De Hermione Granger? – desdenhou ele. - Faça-me o favor. Eu quero distância dessa escória. E se McGonagall fosse outro, jamais aceita mestiços na escola. Mas o que esperar de uma diretora trouxa, não é? – soltou um riso carregado de superioridade. – Hogwarts é uma vergonha.

- Falando sem demônio. – disse Pansy ao cruzar os braços e apontar com a cabeça para o corredor do vagão. Draco acompanha seu olhar e se dá conta de que Granger o ouviu.

Por um segundo Hermione apenas os encara sem dizer uma palavra. Quando está prestes a sair Blásio a interceptar com sua fala.

- O que está fazendo aqui Granger?

Ela olha para trás e para frente de si como se ele fosse um.

Você é cego? Isto é um corredor. – sorriu sem humor. – Estou indo para o vagão da Grifinória.

Pansy ri, desdenhando da situação e Blásio a acompanhar, enquanto Draco se mantêm firme ao lado dos dois.

Hermione pega a alça de sua mala pronta para deixar o trio desagradável, mas é quando ela para que Draco se atenta.

Ela lança um sorriso para o loiro antes de dizer.

- Eu nunca te pedi para ter pena de mim Malfoy. Pelo contrário. – ela se aproximou um pouco mais. – Eu nunca esperei nada de você. De você não pode esperar nada. Porque nada de bom sai de você, a não ser insultos e falas amargas. – ela olha para os outros dois que a observavam com sobrancelhas arqueadas. – Mas... O que esperar de alguém que anda com esse tipo de gente?

- O que foi que você falou?! – berrou Pansy se levantando.

Hermione se aproximou da garota.

- Você me ouviu.

Draco pensou que era hora de intervir. Não podia deixar se humilhar por ninguém mais ninguém menos que a trouxa da Granger.

Em um movimento rápido ele puxa o braço de Pansy que cai sentada na poltrona. De modo que agora está frente a frente com a outra.

- Saia daqui. – vociferou ele. – Sua fedelha de sangue ruim.

Hermione apenas o encara antes de soltar uma gargalhada.

- Acorda Malfoy. – disse ela estralando os dedos na frente do rosto dele.

Draco não compreendeu o que esse movimento significava. Na certa alguma mania nojenta dos trouxas.

- Não sou mais aquela criança que se ofendia e chorava por conta dos seus insultos. – continuou ela. – Fedelha de sangue ruim? – desdenhou. – Sério?

Ao notar que Draco não tinha uma resposta pronta para isso ela se empertigou.

- Muito original vindo de uma doninha descabelada. – caçoou ela.

Quando ouviu a palavra "doninha" Draco se encheu de raiva. Odiava aquele apelido tosco que o também tosco do Weasley tinha colocado nele a uns anos atrás.

- Vejo que algumas pessoas ainda se importam. – disse Hermione ao notar a cara vermelha cheia de raiva de Draco.

- Sua...

- Adeus Malfoy. – interrompeu ela, pegou sua mala, mas antes de continuar o trajeto, retornou. – Ou devo dizer... Doninha. – sorriu e partiu.

Deixando Pansy e Draco cheios de raiva, enquanto Blásio gargalhava alto a plenos pulmões.




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Durante todo o trajeto, Draco pensava em uma maneira de irritar Hermione Granger durante este último ano letivo. Mas logo se deteve, pois era um pensamento idiota. Qual seria a finalidade disso? Se vingar? Que coisa ridícula, ele não era mais uma criança birrenta. E por que se importar com a sangue ruim quando tinha seus próprios problemas para lidar?

"Nada de bom sai de você."

Droga. Pensar que Granger realmente pudesse ter razão o estava atormentando. Realmente, nada de bom veio dele desde que nascera. Sempre buscou superar as expectativas de seu pai, sempre buscou ser o exemplo da família, para que assim, seus pais pudessem se gabar do filho sangue puro que tinham. Contudo, olha onde isso o levou? A lugar nenhum, fez o que fez para protegê-los e ainda assim não eram uma família, pelo menos não uma de verdade. Seu pai era amargo e ausente. Sua mãe, apesar de carinhosa, também seguiu os passos do marido, se tornando assim, ausente como ele.

Draco respirou fundo.

Merda. Ela tinha razão afinal.

Olhou para o lado e observou os então amigos. É, ele realmente não tinha nada de bom em sua vida. Pelo menos a sangue ruim parecia ter uma verdadeira amizade com Potter e Weasley, a julgar pelo modo como os dois auxiliaram Harry na busca pelas Horcrux, arriscando suas vidas para ajudá-lo.

Sorriu em desgosto ao constatar que nenhum dos seus "amigos" fariam algo assim por ele.

Que vida de merda.



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Hermione manda um olhar desapontado na direção de Harry, este lhe devolve um que indicava "você demorou" para ela. E então viu a carruagem ser puxada levando ele e seus outros colegas para a entrada da escola.

Ótimo. Agora ela teria que ir sozinha. Cruzou os braços tentando em vão abafar o vento gelado. Foi quando ouviu passos que olhou para trás. Fez uma careta assim que viu de quem se tratava.

- Doninha Granger? – perguntou Draco desdenhoso. – Não podia usar um insulto mais original?

Hermione revirou os olhos.

- De todas as pessoas... Por que Merlin? – murmurou ela olhando para o céu.

- Também não estou contente com isso. – disse ele se colocando ao lado dela, mas não próximo demais.

- Pode esperar a próxima carruagem. – sugeriu ela já subindo e se acomodando no veículo.

Draco fingiu sorrir.

- Esta é a última. – disse ao subir e se sentar ao lado oposto ao dela.

Hermione cruzou os braços e fitou a floresta ao seu redor, não queira ter que olhar e nem falar com ele.

Draco a encarava curioso, ela realmente parecia fazer um tremendo esforço para ignorá-lo. Não conteve a risada.

Hermione o olhou como se fosse um elfo doméstico.

- O que é engraçado?

- Respira Granger. Assim vai passar mal. – respondeu ele desviando o olhar.

- Você iria ficar muito feliz com isso, não iria?

- Feliz não é bem a palavra... – disse fingindo pensar a respeito. – Satisfeito. Com certeza satisfeito é a palavra. – sorriu ao concluir.

Hermione o encarou aborrecida.

- Tenho certeza de que sim. – respondeu ela. Sentindo a cicatriz incomodar de novo, ela moveu os dedos, de modo que a coçava levemente por cima do tecido de suas roupas.

Draco acompanhou seu pequeno movimento. Ele sabia do que aquilo se tratava. Era a marca da tortura de sua tia Belatriz em Granger.

A garota não notara o olhar do loiro sob ela, de maneira que ainda acariciava seu pequeno ferimento. Foi quando o silencio se alastrou que ela o encarou. Malfoy fitava seu braço profundamente, e seu semblante era triste. Pensou em talvez dizer alguma coisa. Mas será que deveria?

E com um arranco forte, que surpreendeu a ambos, a carruagem os levou, rumo ao grande portão de entrada da escola de magia e bruxaria de Hogwarts.





A carruagem parou numa distância pequena entre a entrada da escola e o grande portão, de maneira que os dois precisariam fazer uma pequena caminhada, nada demais.

Durante o trajeto, apesar de não falarem uma palavra sequer, Hermione notara o modo entristecido que Draco ficara depois de vê-la acariciando sua cicatriz no braço, decidindo assim parar de mexer ali.

Draco por sua vez também notara que Hermione parecia sentir frio. Pensou em lhe oferecer seu casaco, mas, se deteve assim que se tocou de como isso soava idiota. Ele, emprestando uma de suas roupas de forma um tanto "romântica" para Granger? Só podia estar louco. Então, apenas desviou seu olhar dela durante todo o percurso, pois temia não ser capaz de deixá-la passar frio.

Agora, ambos estavam a alguns passos da escola, na parte de dentro do grande portão de ferro, havia bagagens e mais bagagens dos alunos, todas empilhadas de acordo com suas casas. Filch e mais outros ajudantes as estavam levando para dentro. De modo que, havia só os dois naquela parte do castelo.

Draco foi o primeiro a descer, virou levemente o corpo para ajudá-la a fazer o mesmo. Se detendo logo em seguida. O que raios ele estava fazendo? Ela que desça sozinha.

Notando a indiferença de Malfoy, Hermione decidiu se manter desinteressada em quaisquer que fossem os movimentos dele. Sendo assim, desceu rapidamente e muito desajeitadamente da carruagem. O que logo percebeu ser uma tremenda burrice. Pois agora lá estava ela, caída no chão e com um tornozelo dolorido.

- Droga... – gemeu ela com dor. Tocou seu pé e deu mais um leve gemido, identificando o local machucado.

Draco, que já estava a alguns passos distante dela, se virou. Fazendo uma careta na direção da cena.

- Mas como você é burra Granger. – disse ele caminhando até ela.

Hermione nem se deu ao trabalho de olhá-lo, estava sentindo muita dor.

Draco se agachou e fez menção de ajudá-la. Por um segundo os dois hesitaram. Mas só por um segundo, Draco não era tão insensível para deixar a garota machucada na parte de fora da escola e Hermione não era tão orgulhosa a ponto de não aceitar a sua ajuda. Assim, a segurando pelo braço pôde erguê-la.

- Onde está sua varinha? – perguntou ele ainda a segurando pelo antebraço.

Hermione fez uma careta.

- Eu deixei com Harry. – disse ela.

Draco revirou os olhos.

- Que esperta em, tô impressionado. – caçoou ele.

- Eu esqueci na bolsa dele. O que posso fazer? – disse ela demonstrando na voz a dor que sentia. Olhou para ele antes de dizer. – E onde está a sua? Poderia usar um Relidor em mim. *alivia a dor, deixando-a suportável.

Draco franziu o cenho e retorceu a boca.

- O que? Não vai me deixar com dor, não é?

- Você é louca? – indagou ele mal humorado. – Claro que não. Vou te levar até a enfermaria. – disse a puxando para caminharem.

- Não. Use logo o feitiço em mim Malfoy. – pediu ela o impedindo de andar.

Draco a encarou com feições de completo desacordo. Levantando uma das mãos, num gesto de impaciência.

- Também estou sem a minha varinha Granger.

Hermione não podia acreditar.

- E ainda me criticava por estar sem a minha. – desaprovava ela. – Faça-me o favor.

- Cale a boca Granger. – disse ele. Tentou afastar o pensamento de que ela talvez não tivesse se machucado se ele a tivesse ajudado a descer da carruagem.

Então, pegou o braço da moça e o levou em direção a sua nuca, para que ela pudesse se apoiar nele. Por conta do movimento, Draco foi capaz de sentir seu perfume. Era um cheiro bom, mais do que bom. Se lembrou de Pansy e do cheiro de Hortelã que a mesma tinha, muito diferente do de Hermione, que cheirava a rosas vermelhas e morangos. Se pegou querendo senti-lo mais de perto.

Mas o que?

Levou sua mão livre pelas costas dela, a agarrando pela cintura, pôde sentir um pedaço livre da pele da garota, se culpando mentalmente por deixar-se afetar.

Ignorando esses pensamentos ridículos, caminharam até a entrada da escola, ele em silêncio e ela por vez ou outra gemendo de dor. Draco fazia alusão a ir o mais devagar possível para que a tonta não se machucasse ainda mais.

Quando entraram na parte interna da escola, Draco a conduziu para esquerda, pois era o caminho até a enfermaria. Hermione parou, o que o fez parar também.

- O que foi? – indagou ele.

- Não me leve até a enfermaria. Quero ir para o salão principal, junto com os outros. – explicou Hermione.

Draco a encara como se ela fosse uma lunática.

- Você é doida? Olha o seu estado. – disse ele impaciente olhando o tornozelo machucado da garota. – Vamos logo Granger, pare de me irritar. – a puxou para irem.

- Não. – contestou ela o impedindo. – Eu não quero perder o discurso de Mcgonagall e dos professores.

Draco a encarou profundamente, mal contendo sua irritação por ela estar sendo tão teimosa.

- Você já deve saber que estamos atrasados. Com certeza os discursos já foram feitos. E outra... Olhe para você, está com dor e estamos sem nossas varinhas. – argumentou ele a levando para o lado oposto do salão principal. – Vamos logo, antes que me culpem ou deem por nossa falta.

Hermione o segurou pela mão. Isso chamou a atenção de Draco.

- Malfoy. – chamou ela. – Eu não quero ir à enfermaria. Me leve para o salão principal. – disse em tom de ordem. – E outra. Nem está doendo tanto como antes. E como bem sabe, já passei por coisas piores.

Draco tentou, mas não conseguiu, fitou o braço dela, sabia sobre o que Hermione se referia. Sentindo uma ponta de amargor em seu peito, ele se limitou a afirmar com a cabeça, a conduzindo para o lado direito, rumo ao salão principal.

Hermione sussurrou muito baixo um "muito obrigada" para ele.

- Okay. Antes uma sabe tudo, sempre uma sabe tudo. – caçoou ele. – Só uma para deixar de curar um ferimento para ouvir discursos enfadonhos.

- Quando eu penso que você será um pouquinho agradável, parece perceber e volta a ser o mesmo Draquinho irritante da infância.

Se ela não precisasse mesmo da ajuda dele para se locomover, Draco a teria largado ali mesmo. Odiava esse apelido tanto quanto o "doninha". E pior ainda, odiava ter que ser legal com a sangue ruim, mesmo que ela precisasse dele. O que era ainda mais irritante.

- Escuta aqui sua...

- Ai! – gritou ela. – Você está me machucando.

Ele notou que sem querer, por conta da raiva havia chutado de leve o tornozelo ferido de Granger. Parou ainda impaciente, tudo o estava deixando irritado, o fato dela ter se machucado por culpa dele, o fato de que o perfume dela era maravilhoso, o fato de ela parecer querer enfurece-lo o tempo todo e o fato de tudo isso ser extremamente constrangedor e irritante para alguém como ele, que sempre a detestou. Por Merlin, ela era uma sangue ruim afinal.

- Se você não tivesse praticamente pulado da carruagem, nada disso teria acontecido. – rebateu ele.

- Se você tivesse me ajudado, com certeza não teria acontecido. – retrucou ela.

- Se você não agisse feito tonta com certeza não! – vociferou ele.

- E se você fosse um pouquinho mais tolerante já estaríamos com nossas capas e no salão principal. – continuou ela nervosa. – Estamos parados a uns cinco minutos.

Draco bufou em resposta, descontente por ela ser sempre tão perspicaz em suas respostas.

Se encaminharam a passos curtos, porém precisos rumo ao salão. Chegaram na porta, esta se encontrava fechada, mas, dava para ouvir o som de risadas e conversas abafadas vindas da parte de dentro.

Malfoy a posicionou para que Hermione pudesse se sentar no banco ao lado, dessa forma ele poderia pegar suas capas. E foi o que fez, após ver que a cacheada estava bem ele se empertigou e pegou sua capa da Sonserina e a dela da Grifinória.

- Da próxima vez. – disse ele esticando o braço para que ela pegasse a capa. – A deixo com dor onde quer que seja.

Hermione a pegou e fez uma cara amarrada para o loiro que apenas a fitou com a mesma cara.

- Acredite. – disse ela procurando a parte da gola de sua capa. – Se depender de mim, nunca vou precisar de sua ajuda de novo. Prefiro ter a ajuda de Testrálios que a sua. – sorriu de forma desdenhosa para ele.

Draco soltou um leve riso descontente para ela.

Ao colocar a capa, Hermione notou que não conseguiria passar a parte da cabeça sozinha, a puxou uma, duas, três vezes e nada.

Draco abriu um botão da gola da garota, fazendo com que assim ela pudesse vesti-la.

- Testrálios não poderiam fazer isso, não é? – desdenhou ele. Esticou o braço para que ela o segurasse.

Hermione agora estava com um braço sob a nuca de Malfoy, enquanto o loiro com uma mão a segurava pela cintura e a outra segurava sua mão que estava a repousar em sua nuca.

- Tem como você ser mais rápido Malfoy? Desse jeito vamos mesmo perder as apresentações.

- Não me irrite Granger. – disse ele entre dentes. – Você quer que eu vá correndo? É só falar. A pessoa ferida aqui é você.

- Apenas tente andar um pouco mais rápido. – respondeu ela também entre dentes.

- Merlin! Como você é insuportável. – reclamou ele enquanto a conduzia.

Hermione riu sem humor.

- Garanto que metade das pessoas te acham mais insuportável. Eu, inclusive, sou uma delas.

Eles não notaram, mas, as conversas e risadas que podiam ser ouvidas haviam cessado.

- E o que tem isso? – retrucou ele com a voz alarmada. – Metade das pessoas são imbecis.

- Ah, claro. Só você é o maravilhoso, o incrível Draco Malfoy. – zombou Hermione.

Draco pensou que gritar não seria suficiente.

- Eu achava que você era intragável, mas, vejo que me enganei. Você é pior! – continuou ele ainda a conduzindo.

- Muito bom vindo de uma doninha detestável!

Nesse momento eles tinham chegado à porta que dava entrada ao salão principal, esta se abriu automaticamente ao sentir a presença dos dois que ainda discutiam fervorosamente.

- Eu não sei onde estava com a cabeça quando resolvi te ajudar!

- Era o mínimo que podia fazer, já que caí por culpa sua!

Draco ainda a segurava e ambos adentraram o salão, nem notando o olhar de todos, sem exceção, sob eles.

- Só uma ridícula para cair de forma ridícula ao descer de uma simples carruagem! – gritava Malfoy.

- Por Merlin! A companhia de duendes seria muito melhor! – gritava Hermione.

- Ah, é?! Da próxima vez, não esqueça de chamá-los ao invés de incomodar os out...

Mcgonagall pigarreou chamando a atenção dos dois. Que ao notarem que estavam sob o olhar de todos não conseguiram disfarçar a cara de surpresa. Todos os encaravam, os Sonserinos com olhar de desaprovação, os Lufa-lufas curiosos, os Corvinais mais ainda, com a diferença que tinham as sobrancelhas arqueadas, enquanto, que os Grifinórios estavam mesmo muito surpresos.

Draco e Hermione se soltaram no mesmo minuto, o primeiro um tanto cuidadoso para não a machucar e a segunda nervosa e desajeitadamente. Ambos não sabiam onde enfiar a cara, afinal a escola inteira os tinha escutado desde sabe lá Deus quando.

Draco pigarreou algumas vezes limpando a garganta, e com um olhar superior começou a caminhar até a mesa da Sonserina.

Hermione retorceu a boca e com a cabeça baixa tentou caminhar até a mesa da Grifinória, ainda sentia muita dor para andar sozinha.

Draco a ouviu gemer de leve e parou.

Droga...