Sinopse: Depois de passar mais de um ano trocando frequentemente cartas anônimas com uma bruxa que conhecera pela agência de namoros, Severo Snape foi assolado pelo medo de não ser o homem que sua correspondente esperava; por isso, diversas vezes esquivara-se de seus convites para encontrarem-se cara-a-cara. Mas após um acordo com a diretora Minerva McGonagall, ele precisa convidar a mulher misteriosa para um encontro no Dia dos Namorados, e agora a identidade de quem está por trás das linhas será enfim revelada.

Aviso legal: Os personagens e o universo ficcional de Harry Potter não me pertencem. Eles são propriedade exclusiva de J.K. Rowling. Esta é apenas uma história feita por uma fã e para fãs, sem fins lucrativos.

Notas inicias: Fanfic vencedora do 1 lugar no Desafio de Dia dos Namorados 2020 do grupo Severo Snape Fanfictions.

Apesar que estou no mundo das fanfics há 9 anos, eu nunca publiquei nenhuma das minhas estórias, fui incentivada a escrever pelo desafio. Não posso deixar de agradecer a minha beta-reader Sophia Snape, a qual eu atormentei durante os 10 dias em que estive trabalhando nessa fanfic. Se hoje essa estória está publicada, é graças a ela, que me encorajou, me ajudou imensamente e puxou minha orelha quando necessário.


Faltava apenas uma semana para o fatídico dia: o Dia dos Namorados. Decorações com corações vermelhos vibrantes para todos os lados, o cheiro enjoativo de rosas, declarações melosas e todo esse clima romântico deixava Severo Snape com o estômago nauseado. E estar em um castelo rodeado de adolescentes com os hormônios à flor da pele, não ajudava em nada.

Um dos poucos prazeres cotidianos que ele tinha naquela escola era retirar pontos das casas dos casaizinhos descuidados que tentavam trocar carícias nas passagens abandonadas do castelo. Mas uma vez por ano, durante essa semana infernal do Dia dos Namorados, os professores tendiam a fazer vista grossa e ignorar os jovens enamorados, e mesmo que o professor Snape distribuísse detenções aos alunos, a diretora McGonagall os livrava dos castigos. Entretanto, ela não poderia devolver os pontos que ele tirava. Minerva não tinha os mesmos hábitos de Dumbledore e não concedia pontos de graça. Ele só não imaginava que a Minerva McGonagall fosse ainda mais animada que o antigo diretor em relação a datas comemorativas. Talvez dadas as circunstâncias do pós-guerra, ela estivesse tentando apagar a animosidade dos tempos sombrios marcadas nas paredes de Hogwarts.

Por isso, a diretora havia convocado mais uma reunião entre o corpo docente para decidir os últimos detalhes para o Dia dos Namorados. Estavam todos tão animados quanto ela, com exceção do Mestre de Poções, que ficou a reunião inteira repassando mentalmente a lista de ingredientes de poções que precisava repor com urgência no seu estoque particular. Mesmo após o final da reunião, ele não conseguiu escapar despercebido.

— E então, Severo, você tem planos para a próxima quarta-feira? — perguntou Minerva, encurralando o professor.

— Meus planos incluem corrigir os trabalhos dos cabeças-ocas que você me manda ensinar, Minerva.

— Ah, por favor, Severo. É Dia dos Namorados! — disse ela com as mãos na cintura.

— Exatamente. E eu não tenho com quem comemorar, tenho? — arqueando uma sobrancelha.

— Tire a noite de folga, pelo menos.

— Minerva, vamos usar também os querubins encantados este ano? — interrompeu o professor Flitwick.

— Oh não, Fílio. Os querubins foram uma péssima ideia. Ano passado muitos alunos foram parar na enfermaria com flechas na testa. Achei que eles teriam melhor pontaria. — divagou ela.

— Memorandos, então? Como os usados no Ministério. Posso encantá-los para parecerem com o correio elegante. — disse ele animado.

— Adorei a ideia! Fale com a professora Sprout, Fílio, ela que está cuidando dos últimos ajustes com a decoração. — indicou ela. — E nada de viscos este ano, Pomona!

Severo aproveitou a deixa e tentou sair da sala dos professores junto com os demais, mas ficou por último, e antes que ele conseguisse deixar os aposentos, Minerva o questionou: — E quando você vai conhecer pessoalmente a dama misteriosa com quem se corresponde?

— O que? Como você sa-? — perguntou ele boquiaberto. Olhou em volta e agradeceu a Merlim que estavam a sós. — Você extravio minha correspondência? — rosnou ameaçadoramente enquanto se aproximava.

— Você está me insultado, Severo Snape! — disse ela fingindo ofensa.

— E você bisbilhotou minhas coisas!

— Não bisbilhotei! E nem precisaria. Você tem recebido corujas com muita frequência no café da manhã. E não fui a única a notar. Reconheci há semanas o selo do Par Perfeito.

— Você também...? — perguntou ele surpreso.

— Oh não, não. Não tenho mais idade para isso. A Madame Pince é que arranjou um namorado pelo Par Perfeito. Sabe, se ela consegue, por que você não? E então, já a chamou para sair?

Par Perfeito era uma agência de namoros por correspondência em que os interessados conversavam anonimamente através de cartas. Severo havia descoberto, por um acaso, a agência através de uma propaganda n'O Profeta Diário, após uma crise de meia idade que veio junto com seu aniversário de quarenta anos.

— Não, e não pretendo chamá-la. Nossa relação é apenas de amizade e se resume apenas a escrita.

— Deve ser uma amizade muito especial, já que quando você recebe as cartas dela sai correndo para ler na sua privacidade, como se a qualquer momento a mensagem fosse explodir em suas mãos. Há quanto tempo vocês se correspondem?

— Há pouco mais de um ano. — disse a contragosto.

— Você disse um ano? — falou ela surpresa. — Você realmente deve gostar dela, para trocarem cartas por tanto tempo assim. Qual o nome dela?

— Eu não sei seu verdadeiro nome. Nós usamos codinomes. Ou você acha que se eu assinasse como Severo Snape receberia alguma carta? Não tenho o nome comum e sou facilmente associado aos termos "ex-Comensal da Morte" e " assassino de Alvo Dumbledore".

— Você esqueceu "herói de guerra".

— Deixo essa alcunha para o Trio de Ouro.

Severo Snape odiava ser chamado de herói e odiava ainda mais toda aquela bajulação e adulação que acompanhavam o conceito de heroísmo. A mídia tentou transformá-lo em um tolo romântico em armadura dourada, justificando sua personalidade e ações como fruto do desamor e rejeição de uma mulher. Então ele recebera meia dúzia de cartas de mulheres comovidas por sua tragédia amorosa e se dispondo a lhe darem o que ele não teve de Lílian Potter. Porém ele tinha aversão a auto piedade. Então todas aquelas cartas tiveram o mesmo destino: viraram carvão na lareira das masmorras.

— Bem, não acho que alguém que se inscreve no Par Perfeito busca apenas amizade, e se ela continua a lhe escrever provavelmente tem interesse e sentimentos por você, Severo.

— Acho que você está se metendo em coisas das quais não lhe dizem respeito, diretora.

— E eu acho que você está sendo covarde. — disse ela rigidamente.

— Eu não sou covarde.

— É sim. E está se escondendo atrás das palavras, com medo de julgamentos e de sofrer outra rejeição.

— Você está indo longe demais.

— Eu quero lhe ajudar! E quero seu bem, sua felicidade. Não preciso ser legilimente para saber o que se passa na sua cabeça, Severo. Não deixe que os muitos "e se?" que sua mente cria lhe impeçam de tentar de novo. Você merece uma segunda chance de amar.

— Essa conversa acabou aqui. Boa noite, diretora. — exasperado, ele saiu em uma revoada de capa.

Severo sabia que Minerva McGonagall tinha razão. Ele tinha medo de ser rejeitado assim que sua correspondente visse de quem se tratava, ou que ele não fosse tão interessante pessoalmente do que era via escrita. De qualquer forma ele preferia manter-se no anonimato, sentia-se mais seguro e autoconfiante por trás das palavras, além de que se expressava melhor — era infinitamente mais fácil para ele falar de sentimentos através das linhas.

Ele também havia contado algumas mentiras e ocultado alguns fatos, visando proteger sua identidade. Ele havia diminuído sua idade em dez anos, além de não mencionar que era professor, afinal, Severo Snape havia lecionado para a quase todas as bruxas britânicas com menos de trinta anos. E sua bruxa misteriosa tinha vinte e um. Ela mencionou certa vez que era corvinal, mas Severo não tinha muita recordação de nomes e rostos de alunos da corvinal, já que, pelas suas contas, ela se formou juntamente com o Trio de Ouro, e suas atenções estavam todas em Harry Potter para dar atenção a alunos menos problemáticos.

De qualquer forma ele não achava que esse era o momento para se conhecerem — e achava que essa hora não chegaria nunca, se dependesse de suas inseguranças —, tinha receio que uma aproximação maior poderia quebrar a relação que tão lentamente construíram, quase que como uma torre de baralho, que qualquer carta mal posicionada poderia fazê-la despencar.


No café da manhã do dia seguinte, ele evitou a diretora a todo custo, não querendo retomar a conversa da noite anterior, mas quando inúmeras corujas voavam baixo trazendo o correio dos estudantes e funcionários de Hogwarts, ele sabia que não havia escapatória do escrutínio de Minerva McGonagall, principalmente quando uma coruja-das-torres pousou perto da sua xícara de chá, trazendo uma carta em seu bico.

O taciturno professor entregou um pedaço de torrada para a coruja assim que retirou a missiva do seu bico. Controlou-se para não deixar o salão principal e abri-la imediatamente, sabendo que o olhar de Minerva acompanhava seus movimentos. Colocou a carta de lado e continuou comendo suas torradas com geleia, para não dar razão e demonstrar a ansiedade que a diretora havia ressaltado que ele tinha em relação a sua correspondente anônima.

Ele mal sentia o sabor do seu desjejum quando a mulher ao seu lado pigarreou: — Não vai abri-la, Severo? — indicando a carta intocada ao lado do prato. Ele resmungou alguma coisa enquanto bebericava seu chá. Vendo que não adiantaria insistir naquilo, ela resolveu mudar de assunto.

— Severo, eu estava pensando naquela proposta que você me faz há dois anos quando voltou a lecionar. — com a confusão estampada no rosto do homem ao lado ela explicou: — Você me pediu para ministrar aulas apenas para os alunos de N.I.E.M.s, lembra-se?

Quando a guerra acabou, e seus trâmites com a Suprema Corte dos Bruxos foi finalizado, Severo recebeu o convite da recém empossada diretora Minerva McGonagall para voltar a atuar como professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, o cargo que ele tanto almejou, enquanto Horácio Slughorn ficaria encarregado das turmas de Poções. A princípio ele se opôs ao cargo integral, sua intenção era dar aulas apenas para as turmas avançadas do sétimo ano e manter-se na função de diretor da Sonserina. Ele estava cansado de ensinar àqueles que não tinham interesse em aprender e também não tinha mais paciência para os primeiros anos. Mas Minerva alegou que após a reconstrução do castelo, além de não haver verbas sobrando para contratar um segundo professor não havia ninguém qualificado, já que os antigos professores de Defesa Contra as Artes das Trevas tiveram fins terríveis.

— Por que esse assunto agora, Minerva? Achou alguém para ensinar os alunos de N.O.M.s?

— Na verdade, achei sim. Há alguém interessado no cargo. É jovem, mas muito capaz. E você teria mais tempo para dedicar-se a suas pesquisas em poções.

— De fato. — disse ele, de repente muito interessado.

— Assim, quem sabe, você também tira algum tempo para si mesmo. — Minerva abafou uma risadinha maliciosa sob a xícara de café.

— O que está insinuando?

— Bem, eu poderia providenciar a contratação do novo professor para a semana que vem, se você quiser.

— Aonde você quer chegar com isso, Minerva? Posso ver uma pitada de sonserismo no seu comentário. O que você quer em troca?

— Você tem raciocínio rápido, Severo. Gosto disso. Leve mais como uma aposta do que uma troca.

— Você é muito mais sonserina do que eu imaginava. E o que você gostaria de apostar, Minerva?

— Suas turmas de N.I.E.M.s por um jantar no Dia dos Namorados com a tal bruxa misteriosa! — disse ela estendendo a mão para fecharem o acordo. — E eu mesma pago o jantar.

Minerva tinha um sorriso de orelha-a-orelha enquanto Severo Snape estava boquiaberto com a proposta.

— Você está ficando tão senil quando Dumbledore! Deve ser alguma coisa a ver com o cargo de diretor.

— É só um jantar, Severo. Você não precisa a pedir em casamento.

— Eu já disse que não vou sair com ela! — ele esmurrou a mesa e viu que atraiu a atenção daqueles que ainda terminavam seu café da manhã. Baixando perigosamente o tom de sua voz, ele disse: — Eu já tive gente demais manipulando a minha vida para mais uma velha intrometida que acredita no "poder do amor" me dizer o que fazer. — ele falou cheio de veneno, fazendo alusão ao anos que agiu como espião duplo e não tinha direito a condução do seu próprio destino.

O que ele não sabia é que Minerva tinha aprendido um truque ou dois com Alvo Dumbledore sobre como manipular o ex-espião, e o tinha colocado exatamente onde ela queria que Severo Snape estivesse.

— Você está sendo covarde. — disse ela seriamente.

— Não me chame de covarde. — disse ele lentamente, pontuando cada sílaba.

— Mas é o que você está sendo, Severo: um completo covarde.

Pronto, estava feito! Minerva McGonagall tinha o apunhalado em sua ferida pessoal sem ao menos ele ter notado. Esse era o incentivo que Severo Snape precisava para concordar com a aposta.

— Pois então está apostado. Já pode redigir o contrato do novo professo, pois eu me encontrarei com ela na noite do Dia dos Namorados. Espero que você consiga uma reserva de última hora no Saveur Enchantée, Minerva.

Snape abandonou seu café da manhã e saiu furioso do salão principal, mal dando tempo de pegar sua carta. Minerva teria que subornar alguém para conseguir uma reserva de última hora, em uma data tão disputada, no restaurante mais caro do Beco Diagonal, mas ela desembolsaria alguns galeões com gosto.


A caminhada até seu escritório nas masmorras serviu para aplacar sua raiva e clarear seus pensamentos. Não foi necessário muito tempo para ele compreender o que havia feito. Minerva jamais o deixaria em paz se não cumprisse com sua parte na aposta. Agora ele teria que convidá-la para um encontro, e ele só tinha seis dias para se preparar fisicamente, mentalmente e psicologicamente. Só de pensar ele ficava em pânico. Severo não duvidava que sua correspondente tinha interesse em conhecê-lo, pois ela já havia dado indícios dessa vontade, e até chegou a convidá-lo tomar um café, mas ele tinha dado uma desculpa qualquer dizendo que estava ocupado só para não comparecer. E um encontro em pleno Dia dos Namorados tinha um significado a mais. Severo Snape também não poderia negar que estava ansioso e que há muito sonhava com esse momento.

De alguns meses para cá, ele notou uma mudança gradual no tom das cartas, em que a conversa ficava cada vez mais íntima e calorosa. Começaram timidamente, falando sobre preferências aleatórias — passaram meses dissertando sobre livros —, em seguida ficou mais pessoal — o assunto passou a ser planos futuros e sonhos — e de repente notou que ela escrevia sobre coisas que queria que Severo fizesse consigo. As descrições detalhadas ilustravam seus sonhos mais quentes, e os banhos gelados pela manhã passaram a fazer parte da sua rotina.

Lembrando-se da carta que havia recebido ainda àquela manhã, e que agora jazia meio amassado em uma de suas mãos, ele sentou-se para ler:

"Querido Slytherin-Prince,

Como tem passado?

Tenho pensado cada vez mais em você, em nós. Tenho me sentido solitária, e esta semana, em particular, parece que minha cama tornou-se mais larga, muito grande para um só ocupante. Gostaria de poder deitar minha cabeça no seu peito nu, nossas pernas entrelaçadas sob o lençol enquanto ouço seu ressonar noturno.

Tenho tido dias estressantes no meu trabalho, e nos imaginar juntos é meu refúgio e acalento, e essas fantasias são minhas únicas companhias. O que me leva a pensar em alguns detalhes um tanto quanto irrelevantes sobre você, mas que eu adoraria saber, como por exemplo, caso eu quisesse lhe preparar o café da manhã, o que você gostaria: café ou chá?

Aliás, em sua carta anterior você perguntou-me sobre o que eu achei minha última leitura "Especiarias Mágicas da Amazônia" e eu confesso que fiquei deveras surpresa com a quantidade de elementos mágicos encontrados no Brasil e que podem ser usados na fabricação de poções para cura. Agradeço por você ter me apresentado a este livro. Eu amei, obrigada pelo presente.

Com carinho,

Bookaholic-Girl79."

O primeiro parágrafo da carta fez o coração de Severo Snape aquecer — e não foi a única parte do seu corpo que sofreu algum efeito. Ela os imaginava juntos, íntimos. E aparentemente pensava nele com bastante frequência. E era recíproco, porque ela também não saía dos seus pensamentos. Merlim, o que essa mulher estava fazendo com ele?

Pegou pergaminho, pena e tinta e se pôs a responder sua carta. Porém o pergaminho manchou de tinta quando sua pena ficou parada no ar, lembrando-se que precisava lhe fazer um convite para jantar. Ele nunca foi a um encontro antes. Nunca convidou mulher alguma para sair. Se havia algum manual de como ser romântico, ninguém nunca havia lhe mostrado.

Ele tentou escrever o convite de diversas formas, mas todos os rascunhos acabaram amassados, rasgados e queimados por um feitiço. E suas primeiras aulas do dia estavam prestes a começar. Por fim, achou melhor deixar para escrever para ela no horário do almoço. Até lá, ele achava que já teria pensado em uma solução para seu dilema.


Após quatro aulas – entre elas um período duplo de grifinória e sonserina –, Severo Snape estava cansado e descontou todo seu estresse matutino distribuindo três detenções – um bom número de detenções para uma manhã. Assim que os alunos partiram para o almoço ele novamente pegou pergaminho para redigir sua carta, bastou algumas horas e a inspiração lhe surgiu.

"Cara Bookaholic-Girl79,

Estou bem, apesar que meu trabalho tem sido tão cansativo quanto o seu. Mas estou bastante satisfeito com o rumo que a minha pesquisa tem tomado. E você, como está?

Me agrada muito saber que você pensa em mim tanto quanto eu penso em você, principalmente nesse cenário que você descreveu. Também queria sentir seus cabelos fazendo cócegas na minha pele e sentir o perfume dele. Aliás, seus cabelos sempre são alvo da minha imaginação: qual seria a cor deles? Será curto ou cumprido? Lisos ou cacheados?

Eu não aguento mais essa curiosidade, senhorita. Por isso lhe pergunto: você me daria a honra e o prazer de descobrir pessoalmente como são seus cabelos em um jantar na noite do Dia dos Namorados?

Entenderei perfeitamente caso não se sinta à vontade ou confortável para me encontrar. Mas caso o faça, lhe enviarei a hora e o local para reunirmos.

A propósito, pela manhã gosto de beber café, que assim como outras coisas, deve ser quente e forte.

Me despeço na expectativa de sua resposta.

Afetuosamente,

Slytherin-Prince."

E antes que ele pudesse desistir, foi até o corujal e enviou a carta. Infelizmente a resposta não seria imediata, já que a agência Par Perfeito fazia a intermediação, e todas as cartas eram encaminhadas de lá. Assim, o endereço dos correspondentes também permaneciam anônimos. O que era ótimo, já que ele não gostaria de usar o destinatário de Hogwarts.

O restante do dia passou, e Severo ficou na expectativa para a próxima visita do correio, entretanto ele não precisou esperar pela manhã seguinte, já que durante o jantar, excepcionalmente uma linda coruja-das-torres deu um rasante e jogou um envelope à frente do Mestre de Poções. A coruja não ficou para receber recompensa e voou para longe, provavelmente chateada em ter que trabalhar fora de seu expediente. O correio fora de hora não passou despercebido pelos alunos e muito menos por aqueles que estavam sentados à mesa dos professores – incluindo uma Minerva McGonagall muito curiosa. Dessa vez ele não deixou o salão para abrir a carta, a ansiedade o consumia. De repente seus dedos ficaram trêmulos e sua boca seca.

"Querido Slytherin-Prince,

Achei que você nunca fosse me convidar.

Diga-me onde e quando, e estarei lá.

P.s.: eu também prefiro quente e forte.

Toda sua,

Bookalohic-Girl79."

— E então? — indagou Minerva.

— Você pode confirmar a reserva, Minerva.


No dia seguinte, Severo mal esperou o alvorecer para escrever sua carta e enviá-la a mulher misteriosa.

"Cara Bookaholic-Girl79,

Você pode encontrar-me às 20h30min, na próxima quarta-feira, dia 14 de fevereiro, no restaurante Saveur Enchantée – Beco Diagonal, n 514. Temos uma reserva em meu nome. Levarei uma rosa branca, assim você poderá me identificar.

Com toda a ansiedade e esperança que há muito não sinto,

Slytherin-Prince."

Sua mente gritava "Vocês vão se conhecer!", repetidas vezes, e estava o deixando apavorado! Ele finalmente ia dar um rosto para a mulher de suas fantasias. E se ela não fosse como ele imaginava? – espere: e se ele não fosse nada do que ela imaginava? Severo tinha mais expectativas do que ela acharia dele do que ao contrário, afinal, ela estava indo conhecer um homem de quarenta e um anos, e não trinta e um.

Ele nunca se atentou a sua aparência, mas naquele momento foi inundado por um sentimento de baixa autoestima que se instalou sob seu peito. Seu nariz era absurdamente grande, os dentes tortos e amarelados, a pele pálida e os cabelos oleosos. Ele precisava fazer alguma coisa sobre isso. Talvez uma poção purificante a base de menta resolveria seu problema com a oleosidade capilar, mas ele não poderia fazer nada a respeito do nariz. Ele esperava, sinceramente, que ela não ligasse para aparência física. Uma mulher tão inteligente e racional provavelmente não daria importância para a estética.

Ela era inteligente, e essa foi a primeira de das qualidades que ele notou. Na verdade, ficou maravilhado com o quão inteligente ela era. Podiam passar horas discutindo sobre livros, pesquisas e o mundo acadêmico no geral. Com exceção de seus colegas de trabalho, ele nunca tinha tido uma conversa tão estimulante, e muito menos com uma mulher. Severo acreditava que se não fosse os interesses em comum, as trocas de cartas estariam fadadas e não teriam tido continuidade.

Ela não parecia uma mulher fútil. E ele precisava lembrar do ótimo senso de humor dela. Ela compreendia e revidava seu sarcasmo.

Severo tinha que admitir que a agência Par Perfeito era deveras competente e eficaz. Como eles puderam achar alguém tão compatível com ele só com alguns dados preenchidos foi realmente incrível, fazia jus ao nome.


Severo Snape não precisou aguardar até o almoço por uma coruja dela, que dizia:

"Querido Slytherin-Prince,

Eu estarei lá.

Usarei um vestido verde em sua homenagem.

Queria usar um vira-tempo só para pular para a quarta-feira.

Sempre sua,

Bookaholic-Girl79."


Os dias passaram como em um vira-tempo, e logo chegou quarta-feira, 14 de fevereiro. Dia dos Namorados. Severo mal dormira na noite anterior, e não tinha apetite algum, tamanha era sua ansiedade. Passou quase duas horas se preparando: tomou um longo banho – usou a poção mentolada para cabelos oleosos, barbeou-se, aparou as unhas e colocou suas melhores vestes. Não aqueles habituais de ensino; elas também eram negras, mas eram de veludo brocado.

Passando a mão pelos cabelos limpos e soltos, agarrou a rosa branca e aparatou no Beco Diagonal. Havia fila no restaurante, com vários casais aguardando. O restaurante era luxuoso, e ainda que estivesse decorado para o Dia dos Namorados, não era uma decoração piegas. Estava com a luz baixa, iluminado por candelabros, e o som ambiente de piano era até agradável.

— Boa noite, bem-vindo ao Saveur Enchantée. — cumprimentou a hostess. — O senhor possui reserva?

— Boa noite. Sim, tenho uma reserva em nome de Slytherin Prince. — disse ele um tanto constrangido.

— Ah sim — disse ela procurando no livro de reservas. —, sua reserva está confirmada senhor. Porém o senhor está quarenta minutos adiantado. Terei que pedir que aguarde no bar até sua mesa ser liberada.

— Tudo bem, eu aguardo.

— Me acompanhe, por favor. — ele seguiu a recepcionista loira até o bar. — Fique a vontade, senhor. Será chamado assim que sua mesa estiver pronta.

— Obrigada. — agradeceu.

Severo pediu uma dose de Uísque de Fogo para aplacar os nervos. Ele estava tão nervoso que nem percebeu seu adiantamento excessivo. Pelo menos usaria esse tempo para tentar se acalmar. Não queria parecer um desastre quando sua garota chegasse. Aliás, o que ele faria quando ela chegasse? Deveria lhe dar um beijo de cumprimento? Um abraço? Ela esperaria que ele lhe puxasse a cadeira? Ele nunca tinha ido a um encontro. Nunca precisou chamar mulher para sair, porque suas relações eram estritamente sexuais. Ele não precisava conquistar nem cativar suas parceiras, era apenas sexo casual.

Passaram-se cerca de vinte minutos até que a hostess o chamou, sua mesa estava pronta. Infelizmente a mesa não tinha a visão privilegiada da porta do restaurante, estava em um canto mais afastado do salão. Colocou a rosa branca sob o prato e talheres que seriam de sua acompanhante. Em seguida um homem de smoking se aproximou.

— Boa noite, senhor. — disse o maitre. — Vejo que o senhor aguarda companhia. Enquanto ela não chega, gostaria de beber algo? Nosso sommelier poderá lhe atender imediatamente. — "Ele já deveria fazer o pedido da bebida?" Severo questionou a si mesmo.

— Sim, por favor.

O maitre pediu que o sommelier o atendesse, que indicou um Vinho dos Elfos, safra de 1720, e com um movimento fluído da varinha o serviu. Assim que o sommelier retirou-se ele ouviu um pigarro a suas costas: — Slytherin-Prince? — chamou uma voz feminina.

— Sim. — respondeu ele antes de se virar.

Quando Severo virou-se o choque foi imediato e ficou estampado na sua face: Hermione- fuck-Granger estava parada a sua frente. — P-p-pr-professor Snape? — gaguejou ela. Seus olhos se arregalaram e sua pele ficou pálida como um fantasma.

— Granger! — rosnou ele. — O que está fazendo aqui?

— E-e-eu... — ela continuou gaguejando na sua frente, mas assim que seus olhos focalizaram a rosa branca ela ficou ainda mais desconcertada. — O quê? — disse para si mesma.

— Granger, dê o fora. Sua visão balbuciando incoerências está estragando minha noite.

— O que é isso? — disse ela apontando para a flor.

— Ora, é uma rosa, Granger. O que aconteceu com seu cérebro? — zombou ele.

Hermione Granger apoiou-se no espaldar da cadeira enquanto seus olhos corriam de um lado para o outro. Seu cérebro começou a analisar e juntar as peças do quebra-cabeças imediatamente. Não poderia ser coincidência. A rosa branca. Slytherin-Prince – Príncipe da sonserina. Pocionista. Como ela não viu isso antes? Era a segunda vez que Snape usava um codinome com "Prince". O choque foi tanto que ela puxou a cadeira e sentou-se, porque achava que suas pernas iriam ceder.

— O que está fazendo, Granger? Não lhe convidei para sentar-se comigo. Estou aguardando alguém, levante-se agora!

— Você me disse que tinha trinta e um. — disse ela perplexa.

— Do quê você está falando, Granger? — perguntou ele confuso.

— Você me disse que tinha trinta e um anos. Claramente não é sua idade real.

— Mas o que..? — sua fala foi interrompida quando viu que ela usava um vestido verde oliva, assim como sua acompanhante disse que estaria usando. Então sua mente juntou 11. — Que tipo de brincadeira é essa? — esbravejou ele. — Isso é algum tipo de piada jocosa da Minerva?

— Professora McGonagall? O que ela têm a ver com isso? — disse ela ainda mais confusa.

— Mas é claro que Minerva não deixaria de fazer algo com as informações que tinha em mãos. Qual a finalidade disso tudo? Vocês fizeram isso para me humilhar? — perguntou exasperado.

— Professor, juro por Merlim que não sei do que o senhor está falando.

— Não se faça de desentendida, Granger. Me admira muito você participar disso.

— Senhor, eu vim aqui me encontrar com um... um amigo. — sem saber exatamente como descrever a relação deles. E antes que ele tivesse a oportunidade de continuar esbravejando, continuou: — Ele disse para encontrá-lo no Saveur Enchantée, às 20h30min do dia de hoje, que teríamos uma reserva e que traria uma rosa branca. — ela falou sem pausas, ao final apontando para a rosa em seu prato enquanto ofegava. — Diga-me, por favor, que isso não passa de um mal entendido absurdo, e você não é Slytherin-Prince.

— Você é... você é Bookaholic-Girl79?

— Sim. — assentiu ela corada.

Severo Snape levou a mão à boca em assombro. De depende o salão ficou pequeno demais e ele está hiperventilando. Ele estava trocando cartas há mais de um ano com Hermione Granger, sua ex-aluna, princesinha da grifinória, cérebro do Trio de Ouro, melhor amiga de Harry Potter, heroína da Batalha de Hogwarts. " Puta merda". E todas aquelas obscenidades que falaram? Ele estava fodido – e não no melhor sentido da palavra. Minerva o jogaria da torre de astronomia se soubesse que sua correspondente – a qual ela tinha incentivado para um encontro – era sua protegida.

O silêncio caiu sob a mesa, ambos perdidos em pensamentos quando o maitre se aproximou: — Boa noite, gostaria de fazer seu pedido? — entregando o menu para eles.

— Sim. — disse ela ao mesmo tempo da negativa dele.

Não! — esbravejou Severo Snape — Traga a conta.

— Senhor? — perguntou o maitre confuso com a discussão do casal.

— Por favor, dê-nos um tempo. — pediu Hermione ao maitre.

O homem de smoking deixou os menus e desapareceu, com medo que o ex-Comensal o lançasse uma imperdoável. — Você disse que era da corvinal. — acusou ele.

— Me formei no mesmo ano de Harry Potter, queria apenas despistar qualquer indício que me levaria a ele e a quem eu sou. — explicou ela. — Do mesmo modo que você. — ele arqueou uma sobrancelha inquisidoramente. — Você mentiu sobre sua idade e sua profissão.

— Não menti sobre a minha profissão: eu sou pocionista.

— Esqueceu de mencionar que era professor.

— Quantos professores do Poções você conhece, hm? — disse quase que retoricamente — Minha identidade logo estaria sob suspeita, e acredito que o objetivo do Par Perfeito seja manter o anonimato.

— Bem, esse é o risco que se corre ao sair do anonimato. Descobrir que seu correspondente é alguém que já conhece. — ela pegou o menu e começou a folhá-lo. — O que vai pedir? Esse rolê de vitela com cogumelos e acelga parece delicioso. — falou ela casualmente.

Severo olhou para Hermione Granger como se ela tivesse proposto comer seu coração. E pela primeira vez naquela noite se permitiu olhar para sua acompanhante: ela usava um vestido de mangas com um decote discreto, os cabelos estavam presos em um coque alto e despojado e o rosto tinha maquiagem leve, ressaltando as maçãs rosadas lábios desenhados. As feições infantis sumiram, dando lugar a maturidade e a um corpo curvilíneo. Entretanto a imagem daquela garotinha sentada na primeira carteira com a mão no ar, ávida para ser notada e assegurar seu lugar no mundo bruxo não deixava sua mente.

Ele olhou para os lados e algumas pessoas observavam o improvável casal, provavelmente os reconhecendo. — Estão nos observando. — disse baixinho.

— Perdão?

— Não param de nos lançar olhares.

— Isso sempre acontece quando há encontros públicos entre membros da Ordem.

— Mas nenhum deles acontecem no Dia dos Namorados, acontecem? — disse ele ranzinza.

— Foi você que propôs o restaurante mais famoso da Londres bruxa.

— Eu não achei que iria me encontrar com "santa libertadora dos elfos domésticos".

— Quer ir para outro lugar? — perguntou gentilmente.

— Sim. Mas vou sozinho. Adeus. — ele levantou-se, procurou por algumas moedas no bolso e jogou sob a mesa.

Antes de sair ela segurou a sua mão. — Por favor, Severo, fique.

— Aproveite o vinho, Srta. Granger, ele me custou quinze galeões.

Severo Snape se desvencilhou da mão dela e deixou o restaurante sem olhar para trás. Se tivesse olhado teria visto várias cabeças se virarem para acompanhar a discussão do casal e o olhar triste e ferido de Hermione Granger sendo abandonada em pleno Dia dos Namorados.


Severo Snape aparatou nos portões de Hogwarts e caminhou praguejando até a entrada principal. Alguns passos do hall de entrada, Minerva McGonagall o abordou, ele continuou andando em direção as masmorras enquanto ela tentava alcançar seus passos.

— E então? Não ficou para a "sobremesa"? — perguntando com um sorriso malicioso sobre o jantar.

— Nós nem comemos o prato principal.

— Como assim, Severo? — ela parou de andar, vendo o péssimo humor do professor. — O que houve? — e com um suspiro ele parou e se virou para ela.

— Ela não é a mesma mulher que eu conversava pelas cartas. — ele disse, parecendo miserável.

— Oh, meu pobre menino. Ela é exatamente a mesma mulher, Severo, você claramente não deu a oportunidade de ver como a noite se desenrolaria. — Minerva disse sabiamente.

— Ir até esse encontro foi um erro. Eu jamais deveria ter aceitado. Na verdade, essas cartas todas foram um erro.

— Quem é ela? — perguntou preocupada.

— O problema não é quem é ela. É quem sou eu. — ele virou-se e foi refugiar-se em suas masmorras.

— Não se isole novamente, Severo. — e a diretora não estava se referindo às paredes físicas.


Severo não sabia nem descrever a mistura de sentimentos que borbulhavam em seu coração, como um caldeirão prestes a entrar em ponto de ebulição. Ele se sentia enganado – afinal, ela mentiu para ele; envergonhado – por A. todas aquelas coisas que haviam escritos um para o outro; B. um terço do Trio de Ouro sabia que ele tinha se inscrito em uma agência de namoros e C. pelas pessoas que o viram em um jantar romântico com sua ex-aluna; e verdadeiramente magoado.

Ele também estava com raiva da diretora por consegui-lo convencer a ir a esse encontro desastroso, e raiva de Hermione Granger. Por que, de todas as bruxas desse mundo, tinha que ser a porra da Hermione Granger sua correspondente anônima? Ele até tinha se preparado caso ela fosse estrábica ou tivesse outro defeito. Mas ele não se preparou para isso. Ele não esperava uma mulher bonita – ele tinha que admitir a verdade –, muito menos uma ex-aluna tão ilustre.

Outro sentimento que brotava no fundo era a tristeza. Sim, Severo Snape estava triste. Pois ele sentia que tinha perdido uma amizade muito especial. Afinal, ela era sua confidente, aquela que o fazia sorrir com seu bom humor e que também ria do ar zombeteiro dele. Era quase como se seus dias tivesse perdido a cor que ganhara há quase um ano e meio.

No dia seguinte, ele recebeu a visita de uma coruja-de-celeiro diretamente em seu escritório. Não tinha o selo do Par Perfeito e estava endereçada diretamente a ele. Dessa vez ela tinha enviado a carta de maneira particular.

"Caro professor Snape,

Como você está?

Tomei a liberdade de enviar as cartas diretamente para seu endereço em Hogwarts, já que agora tenho conhecimento da sua identidade. Espero que não se importe.

Gostaria de me desculpar pela noite passada – apesar de que não sei de fato por qual motivo devo minhas desculpas. O senhor ficou evidentemente desconfortável com nosso encontro e nossos "expectadores".

Desta vez, eu proponho um jantar. Em um lugar mais íntimo, onde poderemos conversar a sós. Você aceita meu convite?

Atenciosamente,

Hermione Granger."

O tom da carta era bastante diferente do que eles costumavam trocar antes do Dia dos Namorados, era frio e formal. Ela abandonara a forma carinhosa de cumprimentá-lo e ele sentia falta disso. Passou de "querido" e "toda sua" para um simples "atenciosamente".

Ele sentia que essa carta tinha tido muitos rascunhos até chegar na versão definitiva, era como se pisasse em ovos, sem saber como agir.

O Mestre de Poções não respondeu sua carta, e muito menos a que chegou quatro dias depois.

"Caro professor Snape,

Espero que esteja bem. Apesar que ficaria mais satisfeita em saber que o senhor não respondeu minha carta porque estava adoentado, ao invés de simplesmente estar me ignorando.

Estou deveras decepcionada com a sua atitude. O convidei para jantar porque queria conversar pessoalmente com o senhor a respeito do acontecido de quarta-feira passada. Acho que o senhor me deve, pelo ressentimento em ter fugido do restaurante, me deixando sozinha na companhia do vinho e vários olhares inquisidores me julgando.

Sua amizade é demasiada importante para mim, de forma singular, e não posso imaginar perdê-la.

Por favor, me responda.

Atenciosamente,

Hermione Granger."

Naquela noite Severo havia tido um sonho sensual com a sua correspondente. Ele estava acomodado em uma grande poltrona e ela estava ajoelhada em frente a suas pernas, de cabeça baixa. Tinha apenas a visão da massa de cabelos castanhos e sua minúscula calcinha de renda preta enquanto fazia coisas indizíveis com seu corpo. Ele podia ouvir sua carne sendo sugada entre seus lábios em meio aos gemidos de ambos. Sentia que estava quase chegando ao ápice, faltava apenas mais um degrau, quando ela ergueu seus olhos e, pela primeira vez, ela tinha rosto. O rosto de Hermione Granger. Aquilo bastou para despertar assustado de seu sonho erótico. Acordou frustrado, desconcertado e de pau duro. Não ficou embaraçado pelo sonho em si, afinal, não foi o primeiro e nem será o último sonho deste tipo que ele teria – sonhos eróticos eram totalmente normais –, mas por quem estava nele. Ele não podia aceitar que a mulher dos seus sonhos – literalmente – era Hermione Granger.


A sua última carta ficou novamente sem respostas, ela enviou uma outra, cerca de cinco dias após, e nesta demonstrava que Hermione Granger estava um tanto irritada.

"Caro Severo Snape,

Eu espero sinceramente que o senhor esteja gravemente impossibilitado de escrever, porque não tolerarei ser ignorada. Caso eu não receba uma resposta imediatamente, a próxima vez que receberá uma correspondência minha, será um berrador.

Eu realmente entendo seus motivos para não querer manter esta relação, mas eles são infundáveis. Esqueça os pré-conceitos e estigmas, Severo. Você não é mais meu professor. E a guerra já acabou, não há mais lados, você não precisa representar um papel.

Sinto falta de suas cartas e seu humor ácido. Por favor, não tente me afastar, não desistirei de você.

Atenciosamente,

Hermione Granger."

— Severo? — a diretora pigarreou ao seu lado na mesa do café da manhã, interrompendo sua leitura.

— Sim?

— Conforme foi acordado com você, contratei uma nova professora para os primeiros anos de Defesa Contra as Artes das Trevas.

— Professora? Você nunca mencionou que era uma mulher, diretora.

— Bom, não achei que isso fosse relevante. — disse ela, dando de ombros. — De qualquer forma ela virá a Hogwarts hoje, após o jantar, para acertarmos os últimos detalhes de sua contratação.

— Quando ela começará?

— O mais breve possível, acredito eu. Gostaria que se juntasse a nós, assim poderá lhe explicar o nosso currículo de Defesa Contra as Artes das Trevas.

— É claro. Estarei lá.


Após o jantar, o Mestre de Poções subiu os degraus da gárgula que guardava o escritório da diretora e bateu a porta, logo sendo admitido dentro da sala. O escritório não havia mudado em praticamente nada desde que Minerva o assumiu, com a exceção do velho mago que dormia no quadro defronte a escrivaninha. Ele sempre fica desconfortável na presença do quadro de Alvo Dumbledore, por isso evitava lhe direcionar o olhar.

Havia também uma outra figura sentada de costas para ele, e por conta do espaldar alto da cadeira, não conseguia sugestionar quem era a mulher.

— Boa noite, Severo. Obrigada por vir. — disse Minerva.

— Boa noite. — cumprimentou ele.

— Severo, gostaria de lhe apresentar a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas das turmas de N.O.M.s — e apontando para a mulher, acrescentou: —, Hermione Granger! — disse ela animada.

A mulher sentada de costas levantou-se e o encarou com um sorrisinho no rosto. — Boa noite, professor Snape.

"Mas o que diabos está acontecendo aqui?", ele se perguntou. Quanto mais ele tentava fugir de Hermione Granger mais ela se aproximava. Ele não podia acreditar que a nova professora fosse logo ela.

Ele queria explodir e gritar, mas manteve o controle e disse apenas: — Boa noite, Srta. Granger. Mas que surpresa revê-la.

— O prazer em revê-lo é todo meu, senhor.

Na sua troca de farpas ocultas, eles quase esqueceram que havia uma terceira pessoa na sala. — Não é maravilhoso tê-la no nosso corpo docente, Severo? — ela estava quase batendo palmas de excitação. — Os alunos vão adorar ter aulas com um membro do Trio de Ouro.

— De fato, diretora. — ele nem tirava o olhar dela enquanto ouvia Minerva.

— Alguém com experiência prática e teórica em Defesa Contra as Artes das Trevas. Aposto que ela vai conseguir cativar a atenção de todos os alunos.

— Chega de apostas. — rosnou para ela.

Sentindo um clima estranho, Minerva McGonagall contornou o assunto: — Nós estávamos discutindo o currículo e a grade de turmas.

— Sim. — disse Hermione para quebrar a tensão no ar.

— Mas acho que ninguém melhor para orientá-la nisso do que você, Severo. — acrescentou a bruxa mais velha.

— Quando você assumirá as turmas? — indagou ele.

— Pretendo começar em duas semanas. Você acha que até lá estarei preparada?

— Não sei, você estará? — ele arqueou a sobrancelha com o significado por trás de sua fala.

— Diretora! Diretora! — interrompeu Everardo aos gritos, que anteriormente não estava em seu quadro.

— Sim? — perguntou ela.

— Uma confusão no corredor do quinto andar entre alunos da corvinal. Já chamei Filch, mas o pobre homem não pode fazer muito para parar um duelo entre estudantes.

— Já estou a caminho! — virando-se para seus convidados disse: — Por favor, Severo, você também poderia levar Hermione para conhecer seu novo escritório? Como você continua usando seus escritório nas masmorras, Hermione ficará com a sala do terceiro andar. Hermione, querida, seja bem-vinda! Depois lhe mostrarei seus aposentos no castelo.

E antes que ele pudesse concordar, a diretora deixou a sala às pressas, deixando os dois sozinhos novamente. Um silêncio ensurdecedor caiu sobre eles, até que Hermione resolveu quebrá-lo: — Severo, nós podemos conver-

Ele a interrompeu: — Siga-me, vou lhe mostrar seu escritório.

Saindo da sala a passos largos, ele mal dava chance de Hermione se aproximar. Ele cortou o assunto antes que ela pudesse continuar, não queria falar sobre o encontro ou as cartas.

— O que você está fazendo? — perguntou ela o seguindo.

— A levando até sua sala, como a diretora me pediu. Acredito que você ouviu suas instruções.

— Mas nós precisamos conversar, Severo. — ela enfatizou.

— Se você se refere sobre o programa de Defesa Contra as Artes das Trevas, falaremos disso depois. Caso contrário, não tenho nenhum outro assunto a ser discutido com você, Srta. Granger.

— Você foge me deixando sozinha durante nosso primeiro encontro; não responde minhas cartas; fica me ignorando; não quer falar comigo pessoalmente. — disse ela enumerando com os dedos. — Porque está me evitando, afinal? Do que você tem medo?

— Pare de gritar impropriedades nos corredores, mulher. Ainda estamos em uma escola. A qual vai estar ensinando em algumas semanas. — ele disse ameaçadoramente, a puxando para uma das passagens do corredor.

— Tudo bem, você tem razão. Me desculpe. Eu só quero saber o que aconteceu. Eu disse ou fiz algo que lhe ofendeu?

— Acho que devemos esquecer o que houve entre nós. Em poucas semanas seremos colegas de trabalho e eu não gostaria de reviver o assunto.

— Porque você desvia de todas as minhas perguntas?

— Chegamos. Este será seu escritório, ao lado da sala de aula. — abrindo a porta e dando passagem para ela.

— Está vendo?! Está ignorando todas as perguntas. — disse ela entrando na sala.

As luzes se acenderam assim que passaram, iluminando a grande sala, que estava abandonada. Os móveis estavam cobertos com lençóis brancos empoeirados, mostrando que há muito não era usados. Com um movimento da varinha, Severo fez os lençóis e a poeira desaparecerem, revelando uma grande escrivaninha de carvalho com estantes combinando.

Enquanto ele estava de costas analisando a sala, Hermione lançou, silenciosamente, o feitiço Colloportus para bloquear a porta juntamente com um Abaffiato. Agora ele não poderia escapar de um confronto cara-a-cara, ela estava obstinada a arrancar respostas dele e era o que Hermione faria, então aproximou-se dele e o tocou no ombro, fazendo acordar do transe.

— Estamos a sós agora. — ele pulou e a encarou. — Por favor, Severo, fale comigo.

— O que você quer que eu fale, Granger? — disse sarcástico.

— Alguma coisa! Qualquer coisa! Você não pode fingir que nada aconteceu e seguir em frente.

— É exatamente o que eu pretendo fazer, Granger. — dizendo isso ele passou por ela a caminho da porta, quando ele tentou abri-la mesmo com um Alohomora e não teve sucesso rosnou para ela: — Abra.. agora!

— Não, não abrirei até que você aja como adulto que você é. — e vendo o olhar intimidante que ele a lançou, acrescentou: — Você não pode e nem vai conseguir mais me ameaçar. Somos iguais agora.

— E você se acha muito madura nos trancando em uma sala de aula abandonada. — ele disse irônico enquanto cruzava os braços, blindando-se sob sua capa.

— Pare de ser evasivo, Severo.

Hermione tocou seus braços, e ele deu um passo para trás, fugindo de seu toque. Ela suspirou resignada e resolveu mudar o tom da conversa, fazendo uma abordagem diferente. — Os meses que passamos trocando cartas, não significaram nada para você? — ela abaixou a voz, sentindo os olhos arderem.

"É claro que significaram", ele penso, dando as costas para que ela não visse o quão afetado estava. Pela primeira vez na vida, sentiu como se alguém se importasse verdadeiramente consigo, e que sua presença era de alguma forma especial, e o que eles tinham era único. Há muito ele nutria sentimentos por sua correspondente, mesmo sem saber sua identidade, pois ele se apaixonou por quem ela era, e não por quem aparentava ser.

Entretanto, descobrir que a mulher por quem estava apaixonado era alguém que já conhecia, o deixou totalmente desconcertado. E não conseguia achar a conexão desta mulher com aquela que se correspondia com ele, pois pareciam pessoas diferentes. E agora que seriam colegas de trabalho e conviveriam mais próximo, não sabia como iria lidar com a situação. Não seria correto, e era mais fácil colocar um ponto final nisso.

— Você mentiu para mim. — disse ele após um longo silêncio.

— Por Merlim, Severo, de novo essa história? Eu não menti. Eu omiti a minha identidade, porque esse é justamente o objetivo do Par Perfeito. E se vamos por esse caminho, você também mentiu para mim, lembre-se disso. Mas isso não importa, porque o ponto é que trocamos cartas por meses, e eu estava tão ansiosa por conhecê-lo. E então...

— E então, era eu esperando por você. — ele se virou para ela, com um sorriso de escárnio, sibilando venenosamente. — O professor Severo Snape, odiado por todos. O "morcego velho das masmorras", com meu cabelo engordurado e meu enorme nariz. — se autodepreciando. — Você acha que eu não sei das piadinhas que você e seus amigos fizeram sobre mim a vida toda? — ele ergueu a sobrancelha.

— Eu nunca-

Ela tentou argumentar com a voz embargada, quando ele a cortou e continuou, como se não a tivesse ouvido: — Era esse homem — apontou para si. — sentado à mesa de um restaurante esperando por uma mulher que ele... — Severo parou, olhando para ela e vendo que suas posições agora estavam invertidas e ele a tinha encurralado na parede, muito próximos e com a respiração ofegante. — não sou o homem que você procura. Me desculpe por fazê-la perder seu tempo. — se distanciando, e evitando seus olhos marejados.

— Não sou eu que devo tomar essa decisão? — perguntou ela o segurando pela sobrecasaca de lã.

— Não seja ingênua. Você não vê que não sou o homem que você se correspondia? É muito fácil ser uma pessoa diferente em um pergaminho, mas na vida real não é assim. Eu não posso fingir ser alguém que eu não sou! — gritou ele.

— Exatamente, Severo. Você finge ser alguém que não é, se escondendo sob o a máscara de vilão azedo e amargurado quando você não é assim. — agora ela também estava gritando. — Eu conheci o verdadeiro Severo Snape e ele não é assim. Você afasta as pessoas para não precisar mostrar sua verdadeira face e o melhor de você. Quase como se precisasse manter o famigerado personagem para se ter respeito. Você está sendo irritante e desprezível.

— É o que eu sou, e não vou mudar. Não vê que eu não posso lhe oferecer mais nada? — ele gritou e espalmou a mão na parede com força.

Severo nem notou que a tinha presa entre si e a porta, com seus corpos muito próximos, a centímetros de se tocarem. Suas respirações pesadas de sua discussão, Hermione com as bochechas vermelhas de fúria, com os lábios entreabertos e os olhos ainda molhados de sua explosão. Ele estava tão próximo que podia ver algumas sardas no nariz dela.

— Eu preciso de você. Completo e integralmente.

— Granger eu-

Ela o interrompeu: — Eu o amo, ardentemente, desde o início. Antes mesmo de saber que você era.. você. — ela encarou seus olhos surpresos. — Fiquei ainda mais apaixonada desde o nosso encontro.

— Srta. Granger... — ele advertiu.

Vendo o desconforto entre eles, Hermione desatou a falar – um defeito que ela tinha quando ficava nervosa: — É claro que foi estranho no início, saber que eu estava apaixonada, tinha sonhos eróticos e me tocava — "O quê?", ele pensou. — pensando no meu ex-professor.

— Hermione. — chamou, finalmente falando o nome dela, e gostava de como soava em sua voz.

Quando ela notou que disse aquilo em voz alta, ergueu seus olhos para os dele. O rosto dela estava carmim de rubor, e os olhos dele brilhavam com uma malícia não contida.

— Bruxa, você enfeitiçou meu corpo e minha alma. — admitiu ele.

E então ele a beijou. Um beijo tímido no início, descobrindo seu ritmo e sabor, assim que ela o puxou pela lapela da sobrecasaca – o convidando para se aproximar – as mãos dele foram parar nos cabelos e na cintura dela. Eles se agarravam um ao outro como se a qualquer momento um deles fosse evaporar. O beijo ficou mais intenso quando as línguas se encontraram, dançando uma valsa sensual. Suas bocas encaixavam tão bem, e a mistura do hálito fresco de hortelã dele e o sabor de chá de camomila dela criavam uma combinação perfeita. Ele a prensou contra a porta e ela gemeu. Severo deixou sua boca para trilhar um caminho de beijos por seu maxilar e pescoço, parando no lóbulo de sua orelha para arranhá-la com os dentes.

— Eu quero você. — Hermione ofegou.

— Eu também a quero, mas não aqui. — ele encontrou forças para falar.

— Não, eu preciso. Aqui, agora. Depois teremos toda a noite pela frente. Quer dizer, de você quiser. — disse ela insegura.

Severo aproximou os lábios do ouvido dela, sussurrando: — Se eu quero? Hermione... — ele riu, enviando ondas de eletricidade por todo o corpo dela e quanto pressiona sua ereção contra seu ventre.

Voltaram a se beijar enquanto Hermione lhe tirou a capa e seus dedos tatearam cegamente os botões da sobrecasaca, ele também desfez o laço que segurava o sobretudo dela, revelando um vestido de veludo. Enquanto tirava o sobretudo dela, seus dedos lhe tocaram a pele a deixando arrepiada e enviando choques elétricos por todo seu corpo. As mãos dele passaram delicadamente por seus braços até lhe alcançar as mãos, que ele usou de apoio para se abaixar na frente dela, nunca deixando seus olhos. Agora as mãos deles estavam em seus tornozelos e subiram por suas panturrilhas, a parte sensível atrás dos joelhos, suas coxas e finalmente encontraram suas nádegas firmes sob o vestido. Ele alcança as laterais de sua calcinha e a deslizou pernas abaixo, guardando a peça de cetim no seu bolso.

Severo engatou uma de suas pernas no seu ombro enquanto ela ergueu o vestido, dando acesso ao seu sexo. Ele conseguia sentir o cheiro de sua excitação e com os dedos espalhou sua umidade antes de descer sua boca à vulva. Hermione deu um grito de surpresa que foi logo substituído por gemidos. Sua mão entranhada nos cabelos de Severo Snape o instigava a continuar explorando seu clitóris com a língua. A mão livre dela foi parar em um dos seus seios enquanto ele aumentava a intensidade lambendo e sugando seu botão inchado. Quando os gemidos dela começaram a ficar incontidos, ele inseriu dois dedos nela, com movimentos de vai-e-vem.

Em momento algum Severo tirou os olhos de Hermione, que estava com a cabeça jogada contra a porta e mordia o lábio inferior, seu peito arfante enquanto se segurava na maçaneta em busca de apoio. Não levou muito tempo para seu corpo começar a estremecer e perder o controle até que seu orgasmo chegou avassalador. Ao mesmo tempo que os últimos tremores deixaram seu corpo, ele desfazia o cinto e o botão das calças, liberando seu pênis rígido.

Ele a levantou pelo quadril, a apoiando na porta enquanto uma mão encaixava seu membro na entrada dela, e assim que eles se uniram, soltam um gemido gutural. Hermione entrelaçou as pernas e braços em volta de Severo, o trazendo ainda mais para dentro de si. Ele tinha medo que não fosse durar muito, pois há meses sonhava em estar entre suas pernas, mas em contrapartida, queria que aquele momento fosse eterno.

Ele levou a boca a um dos seios que escapara do domínio do sutiã, puxando e mordiscando de leve o mamilo. A outra mão desceu entre seus corpos, massageando o clitóris para trazê-la consigo em mais um clímax.

— Venha para mim, Severo. — pediu ela.

Hermione apertou suas unhas sob a camisa dele e foi levada por mais um orgasmo, apertando o membro dele dentro de si. Aquilo bastou para Severo se enterrar nos cabelos de sua amada enquanto gritava seu nome no ápice de seu prazer.

Com os corpos moles e cansados, Severo os deslizou até o chão, segurando Hermione em seus braços enquanto beijava seu rosto. — Eu estou irrevogavelmente apaixonado por você, Hermione Granger. — confessou ele. — Mas na próxima vez, poderíamos fazer isso em um local mais confortável? Como você vê, eu realmente não tenho mais trinta anos. — disse sorrindo.

Hermione riu, e o olhar dele não escondeu o quanto estava apaixonado por aquele sorriso.


Notas finais: Existem duas falas nesta fanfic que foram inspiradas em Orgulho e Preconceito, quem consegue achar? Não esqueça de deixar seu comentário me dizendo o que achou desta fic.

Glossário:

• Bookaholic = o codinome da Hermione significa "viciada em livros", já que o "aholic" é uma palavra que não tem tradução, e é usada junto com verbos ou substantivos para significar algo que você gosta muito de fazer ou não consegue parar, como vícios.

• Saveur Enchantée = Sabor Encantado, em francês (ou pode ser qualquer outra coisa, já que não falo francês e a tradução é do Google).

• Hostess = recepcionista de restaurante.

• Maitre = é o responsável por gerenciar e supervisionar os garçons, a ele também pertence a função de apresentar o menu aos clientes.

• Sommelier = especialista em vinhos.

• 15 galeões equivalem a U$ 375 ou R$ 1.966 (garrafa de vinho cara, hein?).