Aviso legal: Os personagens e o universo ficcional de Harry Potter não me pertencem. Eles são propriedade exclusiva de J.K. Rowling. Esta é apenas uma história feita por uma fã e para fãs, sem fins lucrativos.

Notas inicias: Atendendo a pedidos, escrevi um bônus de continuação da noite de Severo e Hermione, desta vez, na visão dela.

Este pequeno presente é para todos que me incentivaram, em especial, minha sempre fiel beta-reader, Sophia Snape.


— Venha, vamos fazer isso da forma correta. — disse ele antes de se esgueirarem pelos corredores de Hogwarts para não serem vistos.

Eles mal atravessaram o batente dos aposentos do Mestre de Poções, quando Hermione pulou novamente em seus braços tentando fechar a porta com os pés. Se esforçando em impedi-la de beijar seus lábios, Severo a afastou e chamou pelo nome: — Hermione. — a afastando de novo. — Hermione, espere. — ele a segurou a uma distância segura enquanto sorria. Passando as mãos nervosamente pelos cabelos, disse: — Eu preciso de um tempo, você sabe... — e pigarreou.

— Oh, sim. É claro. — disse ela corada ao compreender. — Entendo.

Hermione alisou o vestido com as mãos enquanto analisava os aposentados de seu ex-professor, que em sua época de estudante, foi muito discutido por conta do imaginário dos alunos, que o fantasiavam dormindo em um grande caixão negro, como o Conde Drácula. Mas o quarto não era nada do que eles imaginavam. Era grande e aconchegante, com a lareira acessa nem pareciam que estavam nas masmorras do castelo. Em frente a lareira havia duas poltronas fofas com uma mesa de xadrez bruxo, e no canto uma escrivaninha abarrotada de pergaminhos. A sala tinha muitas prateleiras com livros grossos e antigos, mas nenhum recipiente com vísceras, como na sua sala de aula. Haviam duas portas no extremo da sala, que ela assegurava ser o banheiro e o quarto. Ficou tentada a espiar o quarto e se certificar que não havia uma caixão lá, e sim uma grande cama.

Ela pulou quando ele pigarreou as suas costas, chamando sua atenção. — Você quer beber alguma coisa?

— Sim, por favor. — de repente sentido sua boca seca.

— Bom, eu não tenho Vinho dos Elfos, mas acredito ter Uísque de Fogo, e uma garrafa de hidromel que Horácio me deu. — disse ele procurando. — Qual você prefere?

— Pode ser uma taça de hidromel.

Severo serviu a bebida em duas taças e a entregou para Hermione, se sentando nas poltronas em frente ao fogo. Ambos estavam levemente desconfortáveis na presença um do outro, dado as suas reações anteriores, que foram de uma discussão acalorada a sexo primitivo imprensados contra a porta.

Com o silêncio se estendendo, Severo levantou-se e foi até a lareira atiçar o fogo. — E então, como serão as coisas a partir de agora? Colegas de trabalho durante o dia e amantes durante a noite? — perguntou ele ainda de costas.

— Eu apreciaria esse arranjo. Só não sei se os protocolos escolares aceitam relacionamento entre os funcionários. — disse ela sorrindo. — Não havia relatos de professores namorando em "Hogwarts: Uma História".

Namorando? — perguntou ele assustado.

— Bem, o termo "amizade colorida" não combina com alguém tão sombrio como você. — gracejou.

— Eu não sei se sei fazer isso. — disse tímido.

— Isso o quê? — perguntou confusa.

Ele levou um minuto para responder, enquanto deslizava pela sala e se colocava de pé atrás da poltrona que antes ocupava. — Namorar. Ter um relacionamento. Não sei como fazer isso. — disse acanhado.

— É só um título, Severo. Não é como se fosse um cão de três cabeças. — ela sorriu docemente.

— Eu nunca estive em um relacionamento.

— Ah, isso é ótimo, porque assim você não terá com o que comparar. — ela continua sorrindo.

— Você está caçoando de mim. — falou ferido.

— Não! Não. Desculpe se passei essa impressão. — ela se corrigiu. — Só estou achando fofo essa sua nova faceta.

Ela abandonou sua taça e foi até ele, o abraçando cautelosamente por trás, apoiando seu queixo entre suas omoplatas.

— Eu sempre vivi sozinho, recluso, Hermione. Afastei todos que poderiam se importar comigo, pois tinha medo de que algo lhes acontecessem. Ou que eu mesmo pudesse machucar alguém. — acrescentou ele.

— Eu entendo suas inseguranças, Severo. De verdade. Sei que você viveu nessa dualidade por mais tempo que eu, mas também precisei me afastar de quem eu mais amava.

Ela estava falando sobre ter alterado as memórias de seus pais e os deslocado para outro país, afim de lhes garantir segurança, e Severo julgava muito corajoso da parte dela.

Com medo que as lembranças ruins os atingissem mais, ela cortou o silêncio: — Estarei com você, Severo, independente de como quer chamar esta relação. Nós somos maduros o suficiente para lidar com isso.

— Não, eu gosto do termo namoro. — admitiu ele, a puxando para seus braços. — Acho que há alguns benefícios em ter uma namorada. — disse ele testando o título.

Eles juntaram suas bocas em um beijo tenro e doce, com movimentos suaves e sem pressa dos lábios um do outro, quando Severo interrompeu: — Entretanto, você vai precisar me ensinar, Hermione. Eu não sou um homem de flores e chocolates.

— E quem falou que quero flores e chocolates? Dê-me sua alma, na mesma medida que seu coração e seu corpo, e eu serei a mulher mais feliz do mundo.

Ainda abraçados, Hermione podia sentir o coração palpitante dele sob a roupa grossa. A palma da mão dele acariciou sua face enquanto seu polegar deslizava em seus lábios macios, e ela se deixou apoiar naquela mão quente e áspera enquanto mergulhava no lago negro de seus olhos.

— Mal posso acreditar na sorte que tive, em meio a tantas bruxas, encontrar você. Sou seu, Hermione. Seu confidente, amigo, amante, namorado... O que você quiser, eu serei. Mesmo que eu continue achando você uma tola em aceitar um homem como eu.

— Então dispa-se, Severo, dos preconceitos, inseguranças e incertezas. Ignore os julgamentos. Dispa-se de seus segredos e faça amor comigo.

E ele o fez.

Esqueceu-se de tudo o que achou ser errado e a beijou, porque os lábios de Hermione nos seus, sim, pareciam certos. Fora daquelas paredes de pedra poderia haver julgamento no futuro, mas Severo estava cansado de agir como esperavam, como um peão de um jogo de xadrez, sem autonomia e sem sentimentos, apenas aguardando sua vez de jogar. Ele faria seus próprios movimentos a partir de agora.

A urgência dos beijos anteriores foi substituída pela vagarosidade e calmaria, com seus corpos colados em um abraço apertado. Com passos lentos a conduziu até o quarto, sem nunca deixar sua boca, enquanto Hermione desfazia botão por botão da sua sobrecasaca. As panturrilhas da bruxa bateram na cama e Severo a jogou gentilmente sob o colchão, tirando antes sua sobrecasaca e a dela.

Com um rápido movimento da varinha, ele acendeu as luzes do quarto, que revelaram uma grande cama de mogno com dossel verde que combinava com os cobertores macios – Hermione não pode deixar de registrar o agradável perfume de coco que vinha dos lençóis. Ela ficou ainda mais admirada com a visão que tinha da cama: um vitral mágico do tamanho da parede, com imagens sereianos e da flora do Lago Negro. E ela podia jurar que viu um grindilow nadando da através do vidro.

Sua atenção logo mudou de foco quando Severo Snape retirou sua camisa, e ela pode ver o torso alvo e magro dele, com poucos pelos lhe cobrindo o peito, além da Marca Negra que antes lhe ocupava o antebraço esquerdo agora era apenas uma mancha disforme e acinzentada, somente um vestígio de seu passado sombrio – que agora contrastava com a cicatriz das presas de Nagini ainda altas em seu pescoço, sua marca de redenção.

Hermione notou que ele ficou desconfortável com sua nudez sendo foco de seu escrutínio minucioso. Talvez tenha achado que ela julgava suas cicatrizes repulsivas. Ela percebeu ele se encolher como se fosse fugir, e por isso arrancou seu vestido às pressas do corpo para lhe mostrar que ela também tinha suas próprias cicatrizes. As palavras "sangue ruim" ainda estava entalhada no seu braço, e havia também o corte da maldição de Dolohov atravessando sua clavícula. Hermione há muito desistira de tentar escondê-las com um feitiço, e apesar que não tinha vergonha de suas marcas – afinal, ela as usava com honra de uma sobrevivente de uma guerra – ela não queria a piedade de ninguém. Harry e Rony em particular, se sentiam culpados por deixá-la ser torturada por Belatriz Lestrage, e então ela evitava deixar os braços a mostra quando estavam por perto. As cicatrizes também geravam certo desconforto quando ela estava nua em frente a homens, pois eles tendiam a quebrar o clima fazendo perguntas e trazendo à tona momentos que ela não gostaria de relembrar. Por isso a maioria de seus transas eram no escuro. Mas estar com um homem como Severo, que havia passado pelo mesmo que ela e entendia o que aquelas cicatrizes significavam sem a olhar com pena, era diferente; então ela não se sentia exposta e nem envergonhada.

Tirou a única peça de roupa restante em seu corpo, o sutiã; e sentiu os olhos de Severo queimar sob sua pele antes de se juntar a ela na cama. Beijou demoradamente a inscrição irregular na sua carne e continuou a distribuir beijos por todo seu corpo, a língua traçando a cicatriz agora branca que a marcava de um ombro ao outro. Ele reverenciava seu corpo com veemência, cobrindo com os lábios cada centímetro de sua pele, que se arrepiava, ela não sabia de excitação ou do ar gelado do aposento.

Sua boca deixou uma trilha molhada por sob os seus seios, que chupou os bicos gentilmente, os levando entre os dentes, primeiro um e depois o outro, sem negligenciá-los. Quando já estavam enrijecidos, ele trabalhou com os dedos puxando e girando em uma doce tortura, que só a fez ficar mais molhada e todo seu sangue correr para o sul, a fazendo latejar. As suas mãos também estavam inquietas, arranhando as costas dele e o trazendo para mais perto, afim de conseguir alguma fricção entre as pernas. Impacientemente ela desfez o cinto e abriu sua braguilha fazendo o botão da calça ser arrancado no processo, antes de empurrá-la quadril abaixo.

Se a boca dele não estivesse em algum outro lugar de seu corpo, estava colada a dela, chupando sua língua. Quando ela sentiu a glande do pênis deslizar nas suas dobras, espalhando sua umidade e pressionando seu clitóris antes de escorregar dentro de si, soltou um gemido de satisfação. Ela o trouxe mais perto, unindo seus corpos enquanto era preenchida por sua forma avantajada e inchada em movimentos de vem-e-vai.

Os gemidos em uníssono e cheiro de sexo tomavam conta das masmorras; as bochechas coladas, olhos fechados, o suor fazendo seus cabelos grudarem. Eles estavam perdidos cada um em seu próprio prazer, buscando sua liberação no corpo do outro, ao mesmo tempo que demonstravam sua paixão ardente.

Hermione cruzou os tornozelos atrás de Severo, o trazendo ainda mais fundo dentro de si – se é que isso era possível – e abriu os olhos para contemplá-lo: mantinha os olhos fechados, um vinco entre as sobrancelhas e os lábios entreabertos por onde saía a respiração pesada e ofegante, o pomo-de-Adão subindo e descendo. O homem mais controlado e frio que ela conhecia agora era incontido e lascivo entre suas pernas, e saber que ela era o motivo dele perder todo aquele autocontrole e entregar-se a luxuria massageava seu ego. Ela ergueu a mão e afastou uma mecha de cabelo dele que estava colada a pele suada, quando ele abriu os olhos eles eram puro fogo. Fogo e paixão. E Hermione tinha quase certeza que se fosse legilimente como ele, poderia ler livremente sua mente, sem barreira alguma, pois Severo Snape estava completamente entregue a ela.

Ela podia sentir que ele já estava próximo ao seu êxtase, mas ela não, quando de repente, Severo retirou-se dela e desceu a boca a seu sexo, dando-lhe a oportunidade de gozarem juntos. Enquanto ele usava sua língua em seu clitóris, continuava se estimulando lentamente com as mãos para cima e para baixo em sua ereção. Ele beijou seus pequenos lábios como beijaria sua boca, sua língua mergulhando em seu âmago e circulando seu clitóris alternando entre movimentos rápidos e duros e suaves e lentos. Seu nariz enfiado entre os cachos do seu monte de vênus enquanto sua língua a levava para a borda de seu próprio prazer, a fazendo viajar nas mais deliciosas sensações. Era como se nada mais existisse, apenas Hermione Granger e a boca de Severo Snape. A pulsação entre as pernas foi ficando mais forte a ponto de fazê-la se agarrar aos lençóis ao mesmo tempo que seu corpo arqueava-se e suas pernas se moviam descontroladamente em espasmos involuntários. Ela virou a cabeça para o lado no travesseiro e mordeu a fronha para abafar os gemidos incontidos.

— Não. — ele disse com a voz rouca.

— O quê? — perguntou ela confusa.

— Eu quero ouvir você. Quero ouvir seus gritos quando eu a fizer gozar. Quero saber que fui eu, Severo Snape, que a levei ao prazer. Então diga. — implorou ele.

Aquilo foi a coisa mais erótica que Hermione já ouviu, e esse Severo possessivo a fez ficar ainda mais excitada. Então, como ele pediu, ela não conteve seus gemidos que se transformam em gritos de prazer. Seu corpo passou a estremecer e seus músculos contraíram. Ela estava perto de seu orgasmo quando Severo afastou sua boca e a penetrou novamente, em um frenesi selvagem, apertando firmemente seu quadril – ela provavelmente teria marcas de dedos ali no dia seguinte.

— Hermione... diga! Por favor. — pediu ele novamente.

— Sev-Severo! — ela conseguiu falar em meio ao turbilhão de sensações.

Aquilo bastou para os movimento de Severo se tornarem erráticos, e em um gemido rouco e profundo entregou-se ao êxtase de sua paixão, a levando consigo em uma explosão de sensações e sentimentos. Ela adorava como o orgasmo fazia sua mente nublar a ponto de não pensar em mais nada, e o cérebro do Trio de Ouro ficava totalmente incapacitado durante alguns poucos segundos.

Suas respirações estavam ofegantes e corpos ainda estremeciam quando seus lábios se encontraram em um beijo doce, contrastando com as carícias selvagens que trocaram momentos atrás. Antes que ele desabasse sobre Hermione, retirou-se dela e se deitou ao seu lado, a puxando para si. Eles ficaram abraçados, com as pernas entrelaçadas sob o lençol, sentindo as suas respirações e batimentos cardíacos normalizarem, com as pálpebras pesadas pedindo por descanso.

— Você é linda. — disse ele, colocando um cacho seu perdido atrás da orelha.

Ela ficou com o rosto e peito pintados de escarlate e abaixou o olhar. Para Hermione, aquelas três palavras eram mais constrangedoras do que todo aquele sexo que haviam feito. Ela nunca soube lidar bem com elogios, porque A. ela não tinha lá muita autoestima e B. a maioria das pessoas que a elogiavam o faziam por educação e não por sinceridade. Mas ela acreditava piamente nas palavras de Severo Snape, e sob seus olhos, Hermione Granger era a mulher mais linda do mundo.

Severo, vendo seu desconforto, tratou de quebrar o silêncio do quarto: — Estou tão feliz que tenhamos nos encontrado. Eu vivi um verdadeiro inferno, desesperadamente dividido entre querer lhe encontrar e manter o que tínhamos nas cartas.

— E por que você achou que uma coisa impediria a outra? — ela perguntou, fazendo Severo bufar.

— Olhe para mim, Hermione.

Se passou um minuto, totalmente em silêncio, e Hermione usou esse tempo para analisá-lo. — Eu estou olhando. E tudo que vejo é o homem pelo qual me apaixonei perdidamente através de palavras.

— Acho que amo você desde a primeira linha. — confessou ele, dando-lhe um selinho. — Lembre-me de agradecer mais tarde a Minerva.

— Pelo quê? — perguntou ela.

— Nós fizemos uma aposta.

— E você ganhou? — ela questionou, ainda confusa sobre o porquê Minerva estaria envolvida nisso.

— Ganhei muito mais que uma aposta. Eu ganhei você.

E aquele noite seria apenas o começo de uma improvável história de amor.


Notas finais: Como forma de agradecer a todos que leram, comentaram e votaram para que "Par perfeito" fosse a fanfic vencedora do do 1 lugar no Desafio de Dia dos Namorados 2020 do grupo Severo Snape Fanfictions, escrevi este pequeno bônus como presente. Eu não esperava tanto reconhecimento, então, o meu mais sincero obrigada.

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