Emmett Cullen era um bom homem. Tinha se esforçado na faculdade, estava construindo uma bela carreira para si, era um bom noivo e amava sua família.
Tinha planos, como qualquer pessoa, inclusive um plano muito bem definido. Era um filho atencioso e um noivo gentil. Gostava de flertar com estranhas quando ia a bares com os amigos apenas pela diversão em si, mas amava sua noiva e jamais agia sobre isso. Era um homem extremamente bem apessoado, com olhos azuis perspicazes e covinhas que gritavam quando ele sorria, e sua inteligência o tornava ainda mais atraente.
Emmett Cullen não era o maior dos fãs de pessoas se hospedando em sua casa. Ele era uma pessoa relativamente reservada, tinha horários loucos de trabalho e gostava da sua privacidade. Entretanto, quando sua noiva, Bella, lhe perguntara se teria problema que uma amiga passasse uma semana na casa deles enquanto resolvia algumas pendencias na cidade, ele não conseguiu dizer não.
Tinha certa dificuldade de negar as coisas à noiva e ela sabia daquilo e não tinha nenhuma vergonha de usar isso a seu favor. Dessa forma, ficou avisado de que Rosalie, a amiga de Bella, chegaria no dia seguinte. Ele conhecia Rosalie, ou pelo menos conhecera há muito tempo atrás. Eles todos haviam ido ao mesmo colégio quando estavam no ensino médio e ele lembrava-se vagamente dela, mas nunca haviam sido amigos ou nada do tipo, assim, não sabia muito a respeito da moça. Ele e a noiva só haviam realmente estreitado laços e construído uma relação quando haviam começado na mesma universidade e Rosalie já não estava por perto naquela época.
Na quinta-feira à noite, saiu do hospital em um horário considerado razoável e, como não faria nenhum plantão, encontrou-se com irmão para uma cerveja antes de ir para casa.
- E então, como vai a Bella? – perguntou Edward. – Ainda pirando sobre os preparativos do casamento? – Emmett deu um longo gole na bebida gelada antes de responder.
- Um pouco, sim. Eu tenho me mantido afastado disso, na verdade, porque aparentemente eu não posso opinar muito também. – Edward deu uma risada curta.
- Parece compreensível. Afinal, o que um cara como você entenderia sobre decorações delicadas de toda forma? – o irmão mais velho revirou os olhos antes de perguntar em resposta.
- E quanto a você? Quando vai assumir um relacionamento sério?
- Você sabe que não compro muito essa coisa de monogamia. – ele deu de ombros. – Gosto de liberdade e de ficar em paz.
- Dona Esme continua resmungando toda vez que eu a encontro que você ainda vai se apaixonar quando menos esperar. – ele expirou uma risada. – Ela está bastante otimista. – o irmão de cabelos dourados revirou os olhos.
- É melhor ela não contar com isso. – Edward deu de ombros enquanto acompanhava com os olhos uma morena alta que passava a seu lado. Foi a vez do grandão de cabelos pretos revirar os olhos.
- Eu vou pra casa, estou faminto. Quer ir? A Bella deve ter feito algo bom, acho que a amiga dela chega hoje. – ele disse já se levantando. Edward ergueu as sobrancelhas.
- Que amiga? – perguntou enquanto se juntava em pé ao irmão. Ambos seguiram para a saída enquanto conversavam.
- Rosalie. Ela estudou com a gente no colegial, talvez não se lembre dela, acho que você ainda estava no fundamental.
- Não lembro. De toda forma, não recusaria o jantar da Bella, ela é ótima na cozinha. – ele sorriu enquanto via o irmão entrar no carro dele. – Eu te sigo até a sua casa. – avisou antes de ir pro seu próprio carro e dar partida.
Edward alcançou a casa do irmão enquanto Emmett estacionava. O mais velho destrancou a porta e os conduziu até a cozinha, de onde podia ouvir a voz de Bella. Uma música de fundo soava na cozinha e nenhum deles conseguiu distinguir quem cantava enquanto entravam no cômodo. Bella estava lá, perambulando para lá e para cá enquanto terminava alguma coisa no fogão. Sentada em um dos bancos que ficavam perto da ilha da cozinha estava uma mulher loura e muito bonita, uma taça de vinho na mão e a cabeça balançando afirmativamente enquanto concordava com alguma coisa que Bella dizia.
- Acho que mamãe realmente estava certa, – Edward cochichou quando eles pararam na entrada da cozinha e ele baixou os olhos sobre Rosalie. – Estou definitivamente apaixonado. – o mais velho revirou os olhos
- Ela só vai ficar aqui por uma semana. – o avisou e ouviu a voz de Bella.
- Ah, aí está você! Edward, oi, não sabia que viria também! – ela disse sorrindo enquanto Rosalie se virava para ver os recém-chegados. A loura os observava com uma expressão levemente hesitante que durou apenas um segundo antes de relaxar. – Essa é a Rosalie! – ela continuou, apontando para a amiga.
- Olá. – ela os brindou com um sorriso enquanto acenava levemente.
Eles se cumprimentaram e mantiveram uma conversa casual enquanto Bella terminava as coisas do jantar. Emmett pôs a mesa enquanto Edward sentou-se ao lado da loura e deu a ela sua integral atenção.
O jantar transcorreu de forma tranquila e Rosalie mostrou-se muito perspicaz e bem humorada. Emmett realmente não se lembrava muito dela, então assumiu que eram de grupos totalmente diferentes na época do colegial; ele fora um atleta popular e ela... Provavelmente não. Ao final da noite, Edward foi para seu apartamento e logo os outros foram para seus quartos. Rosalie ficaria na cidade por no máximo uma semana, pelo menos aquele era seu plano, acreditando que seria tempo suficiente para resolver tudo que precisava.
- E então? – Bella perguntou enquanto terminava de se arrumar para deitar. Emmett estava tomando um banho e perguntou de volta sob o barulho do chuveiro.
- Então o que?
- O que achou da Rose?
- Eu não sei, ela parece legal. – deu de ombros apesar da noiva não poder vê-lo.
- Ela realmente é. – insistiu Bella. – Você realmente não se incomoda de ela ficar uns dias aqui, não é?
- Não. – a morena sorriu.
- Você é o melhor. – ela disse enquanto se deitava na cama. Emmett concordou com a cabeça.
- É verdade. – Bella revirou os olhos com um sorriso.
Depois de alguns minutos, Emmett saiu com uma toalha enrolada na cintura e algumas gotas de água ainda escorrendo do cabelo.
- Vai se deitar agora?
- Ainda não. – ele respondeu enquanto procurava uma roupa para vestir. – Tenho que preencher uns formulários e repassar umas informações de alguns prontuários para amanhã. – ela assentiu.
- Tudo bem. Vou ler um pouco enquanto você não volta.
Ele deu um beijo rápido nela depois de vestido e então desceu para o primeiro andar, passando na cozinha para fazer um pouco de café antes de ir para seu escritório. Surpreendeu-se ao ver Rosalie na cozinha, sentada à mesa com uma expressão concentrada e um laptop em sua frente. O cabelo estava enrolado em um coque desleixado preso por uma caneta e ela ainda vestia o vestido terracota de linho que usava mais cedo.
- Uh, oi. – ele disse. – Não sabia que estava aqui. – ela ergueu os olhos até encontra-lo e sorriu.
- Oi. Desculpe, não queria atrapalhar. Só precisava fazer algumas coisas do trabalho e não consigo trabalhar na cama. – explicou-se enquanto ele caminhava cozinha adentro.
- Não é problema algum. Eu vou fazer um pouco de café, você gostaria também? – ele perguntou já pegando as coisas e indo em direção à cafeteira.
- Eu adoraria. – ela concordou enquanto ainda mantinha a atenção no laptop e depois abaixou um pouco a tela, voltando a atenção ao homem. – Eu não sei trabalhar direito de outra forma.
- Eu também. – ele murmurou terminando de ligar a cafeteira e então se sentou de frente para a loura na mesa. – Acho que você não chegou a mencionar no que você trabalha.
- Eu sou psicóloga. Trabalho com consultoria organizacional, na maior parte do tempo hoje em dia. – ela sorriu. – E você, o que faz? – ela perguntou mais por hábito do que qualquer coisa, Bella já a contara várias coisas sobre Emmett, inclusive sua profissão.
- Eu sou médico.
- Sério? Eu trabalhei em um hospital por um tempo. – contou. – Trabalho duro.
- Realmente é.
- Qual sua especialização?
- Cirurgia oncológica e oncologia clínica.
- Não é uma área fácil. – ela franziu os lábios. – Eu costumava ver muitos pacientes oncológicos quando trabalhava na área.
- Já trabalhei com alguns psicólogos no hospital. Na verdade, estamos em baixa nesse quesito recentemente. Uma das nossas psicólogas está em licença maternidade e um se mudou para Denver.
- Oh. Vocês realmente deveriam achar alguém para substituir. O acompanhamento psicológico realmente ajuda no tratamento e dependendo do tamanho da sua equipe, alguém pode ficar sobrecarregado. – ela comentou e ele pôde ver pelo franzir das sobrancelhas dela que ela já ficara naquela situação.
- Acho que eles estão tentando, na verdade. – deu de ombros. – Não poderia afirmar com certeza, mas gosto de pensar que sim. – ela riu baixinho.
- Eu gosto também.
- Então, o que você precisa resolver aqui é relacionado a trabalho?
- Ah, na verdade não totalmente. Uma tia minha faleceu e eu sou a parente mais próxima. Então vou precisar lidar com as coisas necessárias e falar com o advogado dela.
- Oh, sinto muito. – ele disse em voz baixa. Ela fez um movimento com a mão como se não fosse nada.
- Honestamente, não éramos próximas. – explicou a loura. – Quando eu morava aqui eu basicamente cresci na casa da Bella.
- Vocês devem ser bem próximas mesmo então. – ele afirmou, mas na verdade, não conseguia se lembrar de Bella a ter mencionado tantas vezes assim e de sequer a ter visto desde que estavam juntos.
- Nós éramos. – ela deu de ombros com um sorriso, levantando uma das pernas de forma a deixa-la em cima da cadeira. Emmett não pôde deixar de notar como o tecido do vestido dela deslizou sobre a perna, expondo uma larga porção de pele antes escondida. – Depois que fui fazer faculdade acabamos nos afastando e acabei morando longe por muito tempo, mas tentamos sempre nos manter em contato.
- Entendo.
- Mas ela parece muito feliz. Me disse que vocês pretendem se casar no próximo ano.
- Isso. – concordou. Ouviu o barulho da cafeteira avisando que o processo estava completo e se levantou, pegando duas xicaras no armário e as colocando em cima da mesa. – Ela está planejando essa grande festa, está bastante animada. – Rosalie riu.
- Isso me surpreende. A Bella sempre foi tão caseira, imaginei que sempre teria uma cerimônia super íntima e pequena. Nada parecida com sua família, aliás. A família dela era a família mais animada que eu conhecia. – Rosalie sorriu à lembrança.
- Bella não mantém tanto contato com eles atualmente. – ele comentou.
- Ah, eu sei. – ela respondeu assentindo. – Por causa do lance da mãe, certo? – ela franziu os lábios.
- Sim.
- Ela era terrivelmente ligada à ideia de fidelidade e felicidade eterna no casamento, imagino que ver isso sendo quebrado pelos próprios pais tenha feito algo terrível com ela.
- Fez, sim. Ela ainda fala com o pai, mas não fala com a mãe há anos.
- Acho que ela está sendo um pouco rigorosa demais com a Renée. – Rosalie falou enquanto ele voltava com o café já pronto e os servia. Ela agradeceu após ele encher sua xícara e deu um gole curto.
- Por quê? – quis saber.
- Eu sei que muitas pessoas não vão concordar com o que a Renée fez, mas ela sempre foi uma boa mãe pra Bella, até onde me lembro. – ela respondeu. – Não acho que as pessoas devem ser julgadas por um único erro que tenham cometido. – ele se sentou novamente em frente a ela e deu um gole na própria xícara. – Além do mais, segurar esse rancor contra Renée sem jamais ter tentado conversar com ela, entender suas razões ou mesmo ter uma conversa para falar sobre como se sente pode ser prejudicial em longo prazo.
- Eu acredito que você deve entender isso melhor do que a maioria. – a loura sorriu.
- Desculpe. Não quis implicar nada demais. – deu de ombros. – Eu sempre gostei muito da Renée. Ainda tenho o hábito de conversar com ela de tempos em tempos.
- É mesmo? – ele ergueu as sobrancelhas surpreso.
- Ela sempre me acolheu de braços abertos como se eu fosse da família e foi uma pessoa muito importante pra mim enquanto crescia. – explicou. – Não sinto que poderia simplesmente ignora-la. – deu de ombros. – Mas e quanto a você? Muito próximo da família?
- Hmm, sim. Meus pais moram aqui, então estamos sempre nos encontrando e tive a sorte de ter uma família ótima. – disse com sinceridade e Rosalie sorriu enquanto assentia. – E a sua? – o sorriso dela sumiu.
- Não tão ótima. – foi tudo que respondeu e deu um último gole em seu café.
Eles permaneceram em silêncio por alguns momentos, até que Emmett por fim se levantou.
- Tenho que fazer algumas coisas do trabalho, mas fique a vontade. – disse enquanto enchia mais uma vez sua xícara. – Se precisar de algo estou no escritório, é só seguir o corredor. – ele apontou e ela sorriu.
- Obrigada. Pelo café e pela companhia. – ele sorriu de volta e deu meia volta, saindo da cozinha. Rosalie continuou encarando a direção por onde ele saíra antes de por fim se voltar a seus afazeres.
Na manhã seguinte, Emmett saiu de casa bem cedo. Tinha rondas para fazer, casos para discutir e consultas a fazer. Não vira Rosalie e a esposa ainda estava na cama quando ele saíra. Seu dia seria corrido e ele precisaria de bastante foco para segui-lo, especialmente porque estava extremamente distraído pela sua hóspede.
Não entendia o porquê, afinal nada demais acontecera na noite anterior, mas ele não conseguia tira-la de sua mente. Enquanto trabalhava na noite anterior, ela continuava a invadir sua mente enquanto ele se perguntava se ela ainda estava na cozinha. Reprimira a vontade de levantar e inventar uma desculpa apenas para checar se ainda estava lá mais de uma vez. Quando ela passara no escritório algum tempo depois para dar boa noite, ele não conseguira recuperar o foco, deixando a desejar no trabalho que fazia. Assim, deixara o trabalho pra lá, aumentando sua carga do dia seguinte, e indo para cama.
- Emmett. – o homem alto louro o cumprimentou assim que o alcançou, seguindo pelo corredor na mesma direção dele.
- Jasper. – ele retribuiu com um aceno de cabeça.
Jasper Whitlock era seu colega e bom amigo desde que começara naquele hospital, alguns anos antes. Jasper se especializara em cuidados paliativos, então desde o início seu caminho sempre se cruzara com o de Emmett. Ambos compartilhavam os planos sobre pacientes e as perdas. A rotina cansativa que exigia muito de ambos acabara por torná-los bons amigos, com o hábito de se reunir depois de um dia longo para tomar uma cerveja e se distrair.
- Tudo bem com você?
- Claro. E você?
- Ótimo. – o louro sorriu. – Saí com a Alice ontem.
- E como foi? – Emmett perguntou com um sorriso. Jasper estivera doido para sair com Alice, uma nova enfermeira da ala pediátrica que estava trabalhando lá há alguns meses. Não parara de falar sobre isso por uma semana.
- Sensacional. – ele comentou animado. – A Alice é muito divertida, saímos para jantar.
- Isso é ótimo, Jasper.
- E a Bella, como vai? Não a vejo há um tempo.
- Está bem. – ele respondeu enquanto continuavam a andar, quase chegando a seu destino. – Animada com os preparativos do casamento.
- Quem sabe? Talvez eu leve uma acompanhante ao seu casamento no final das contas. – Jasper disse com um riso animado antes de se recompor e entrar no quarto de um paciente, Emmett logo atrás dele.
O dia fora mais longo do que ele esperava, mas conseguiu sair do hospital por volta das oito da noite e teria o dia seguinte de folga, o que daria tempo suficiente para botar tudo em dia. Quando chegou a casa, bastante cansado, se deparou com o irmão lá novamente. Ele, Bella e Rosalie estavam sentados no tapete da sala, em volta da mesa de centro, bebendo. Edward e Rosalie tinham garrafas de cerveja em frente de si enquanto Bella bebia uma taça de vinho.
- Finalmente você chegou! – disse Bella empolgada enquanto levantava para ir a sua direção. Ao levantar-se, deu um leve tropeço e tentou se por de pé com toda a dignidade possível enquanto Edward ria. Emmett percebeu instantaneamente que ela estava embriagada.
- Olá, irmão. – Edward disse enquanto levantava a cerveja em direção a ele. Rosalie sorriu e acenou.
- Nos divertindo, não estamos? – ele perguntou quando ela o alcançou e jogou os braços ao redor dele.
- Tanto! – ela disse, quebrando a palavra em sílabas. – Estamos jogando eu nunca. – ela deu uma risadinha. – Nunca fui de jogar esses jogos de bebida, mas Edward insistiu e no final da conta acontece que são divertidos. – Emmett sorriu, a noiva não tinha o hábito de beber muito e ficava bastante engraçada quando se embriagava.
- Se junte a nós. – Rosalie chamou, simpática.
- É. – concordou Edward. – Adoraria descobrir seus podres. – o mais velho revirou os olhos.
- Tudo bem. – concordou, feliz por ter comido no hospital antes de ir para casa, dessa forma não beberia com o estômago vazio. – Por que você não se senta enquanto pego uma cerveja? – pediu a Bella que assentiu enquanto ia para seu lugar novamente.
- Sua vez, Ed. – a morena disse e ele assentiu enquanto pensava, esperando o irmão voltar e se acomodar no chão com eles.
- Eu nunca fingi um orgasmo. – Bella expirou uma risadinha e bebeu.
- Qual é, Emmett, achei que fosse melhor que isso. – o irmão zombou. Bella arregalou os olhos.
- Não com o Emm! – disse surpresa que alguém pensasse aquilo. Edward e Rosalie deram uma risada e Emmett fez uma careta.
- E quanto a você, Rose, nunca mesmo? – checou Edward com uma sobrancelha erguida e clara desconfiança depois de ela permanecer sem levar a garrafa à boca.
- Claro que não. Se a pessoa não me faz chegar lá, deixo bem claro pra ela. – deu de ombros e Edward assentiu, aprovando.
- É sua vez, Emmett.
- Eu nunca fui trabalhar bêbado. – ele falou depois de uns segundos pensando e Edward e Rosalie beberam.
- Fico feliz por isso, considerando que você trabalha num hospital. – observou Rosalie sorrindo de lado. Ele ergueu uma sobrancelha.
- Você também já trabalhou. – observou ele e ela sorriu.
- Eu nunca fui bêbada pra lá. – prometeu com uma expressão inocente. Ele sorriu.
- Eu nunca... – começou Bella. – traí.
Edward levou a garrafa à boca e observou enquanto os outros ficavam parados.
- Sério? – perguntou surpreso. – Eu me sinto meio mal agora. – Bella deu uma risadinha. – Sua vez, Rose.
- Eu nunca... – ela pensou um pouco mais e então completou. – Eu nunca dormi com alguém e fingi depois que não o conhecia.
Ela observou Edward levar a garrafa aos lábios novamente e depois fez o mesmo com um sorrisinho.
- Sério? – Bella perguntou com uma careta. – Por que alguém faria isso?
- Eu realmente não queria falar com ela. – Edward se defendeu se encolhendo. – O sexo foi horrível.
- Qual a sua desculpa? – perguntou Bella encarando Rose enquanto ria. A loura pensou por um momento.
- O sexo foi ótimo, mas seria uma dor de cabeça e tanto depois. – deu de ombros.
- Essa parece uma razão horrível para fazer isso. – a morena argumentou com uma careta e eles riram.
- As pessoas tomam decisões por razões horríveis o tempo todo. – Rose se defendeu.
- Isso é verdade. – concordou Edward. – Por exemplo, quando o Emmett decidiu que ia beber uma garrafa inteira de uísque sozinho, na noite que terminou o primeiro ano de faculdade porque disse que depois não poderia fazer isso novamente porque seria uma pessoa adulta e focada. – ele disse com deboche. Emmett franziu os lábios.
- Eu não tenho como argumentar contra isso. – ele tremeu à lembrança do seu estado no dia seguinte.
- Especialmente porque você não foi uma pessoa adulta e focada no ano seguinte. – Bella completou rindo.
- Eu pretendia ser. – ele disse frisando o pretendia.
A brincadeira logo se dissipou em outras conversas e eles continuaram bebendo até Bella começar a cochilar no ombro de Emmett, momento em que ele decidiu leva-la para a cama.
Ele voltou para baixo logo depois, se juntando ao irmão e a Rosalie numa conversa longa sobre viagens. Rosalie viajava bastante, tanto a trabalho quanto a lazer, então tinha muita coisa a compartilhar. Quando o relógio já marcava quase meia noite, Edward decidiu partir, deixando Rosalie e Emmett sozinhos. Rosalie contou de quando trabalhava em hospitais, dividindo casos e histórias, enquanto Emmett compartilhava também. Era bom poder conversar com alguém que também estava lá, que entendia, que vivia as dores e as perdas como ele. Ambos pegaram uma última garrafa de cerveja antes de subirem para seus quartos.
- Deve ser incrível trabalhar viajando assim. – Emmett disse por fim, tomando um gole da cerveja. – Eu sinto falta de tempo livre pra isso. – ela sorriu.
- É muito bom. Por que não tenta? – ele balançou a cabeça.
- Eu gosto da estabilidade, acho. Além do mais, é difícil viver assim quando se está em um relacionamento. – ela assentiu.
- Você não tem ideia. – disse antes de dar um longo gole. Emmett a encarou e então deu uma risada rouca.
- Experiência ruim?
- Experiência péssima. – corrigiu. Eles riram e um silêncio se estabeleceu enquanto se encaravam. Rosalie passou a língua pelos lábios enquanto olhava para Emmett, e logo baixou os olhos para a garrafa e sorriu. – De toda forma, você parece ter tudo o que quer aqui então. Um trabalho bom, uma casa, uma noiva.
- Tenho. Você não sente falta de algo assim?
- Na verdade, não. Sempre fui uma pessoa muito livre e vivi por aí. – ela deu de ombros. – Gosto de ser assim. Não me importo de ter relacionamentos curtos por onde eu estiver. – ela sorriu para ele. – Não é muito mais emocionante assim?
- Eu não saberia realmente dizer. – ele disse tomando mais um gole. – Só tive relacionamentos longos.
- Bem, isso pode ser emocionante também. – ela sorriu meio constrangida. Ele a olhou com uma sobrancelha erguida até ela rir. – De uma maneira diferente, eu acredito. – ele riu com ela daquela vez. A risada de Rosalie, pensou Emmett enquanto tomava seu último gole, era como uma música que parecia envolver quem quer que estivesse por perto.
- Eu terminei aqui. – disse por fim, hesitando. – Acho que vou subir, então. – Rosalie hesitou também antes de por fim falar.
- Ou você poderia ficar e nós poderíamos tomar mais uma. – Emmett observou a loura, o sorriso conspiratório e os olhos brilhantes de quem não queria desistir. Ele expirou antes de sorrir e partir para a cozinha, de onde trouxe mais duas garrafas. Ela tinha um sorriso de lado quando ele voltou. – É engraçado sentar e beber com você agora quando eu lembro que no colégio isso nunca aconteceria.
- O que? Por que não aconteceria? – ele soou confuso. Não conseguia imaginar por que razão não seria amigo de alguém como Rosalie quando era mais jovem, afinal, ela era bastante divertida e extremamente bonita.
- Está brincando? – ela riu. – Você era o estereótipo totalmente oposto ao meu.
- Sério? E quais seriam?
- Bem, você era popular, atleta, queridinho de todo mundo e eu... não exatamente isso. – ela deu um sorriso de lado.
- E por que exatamente você não era? Eu posso lembrar-me de muitas pessoas que não eram tão bacanas quanto você sendo populares.
- Talvez porque é exatamente isso que as pessoas gostavam? – ela sugeriu. – Pessoas não tão legais? – eles riram.
- Eu vou fingir que você não acabou de me ofender. – ela riu mais alto.
- Desculpe, nada pessoal. Você nunca foi um otário comigo, pelo menos.
- Eu fui com outras pessoas? – ele parecia surpreso de novo.
- Nós claramente tivemos experiências de colegial totalmente diferentes. – ela revirou os olhos com um sorriso pequeno. Ele deu uma risada baixa por fim. Ele sabia que fora privilegiado e tinha aproveitado aquela época muito bem, mas fizera o possível para não deixar que nada daquilo interferisse em sua personalidade e jamais fosse cruel, como via outros amigos sendo.
- Me desculpe por isso. – ela balançou a cabeça de forma negativa enquanto bebia.
- Não foi sua culpa. Essa personalidade incrível demorou certo tempo até ser construída. – ela deu de ombros e ele riu.
- Entendi.
- Então, tudo que você queria no colegial se realizou? – ela perguntou.
- Praticamente. – ele respondeu e eles riram. – Mas no meu plano eu já deveria estar casado a essa altura.
- Como assim? – ela ergueu uma sobrancelha. Ele se encolheu, meio constrangido.
- Eu meio que planejei as coisas bem ao pé da letra. – disse por fim quando ela não desistiu de esperar a resposta. – A idade em que me formaria na faculdade de medicina, onde iria morar, onde trabalharia, quando casaria e essas coisas. – deu de ombros. Ela o encarou quase boquiaberta.
- Você não esta falando sério.
- Estou. – ela riu.
- Meu Deus, não posso acreditar. – balançou a cabeça. – Há qualquer espaço para erros na sua vida?
- Na realidade, não. – ele disse depois de ponderar por uns segundos. Ela riu novamente.
- E qual a graça disso? – ela perguntou com um sorriso de lado.
Ele não respondeu e de novo o silêncio pairou sobre eles. Naquele momento, naquele silencioso e glorioso momento de paz, Emmett se esqueceu de que logo no piso acima estava sua noiva e que ele era alguém comprometido, e tudo que conseguia absorver era Rosalie e a ideia de erros. Ela era uma visão e tanto e ele não conseguia entender como não a notara quando eram mais jovens.
Ela estava sentada de pernas cruzadas à sua frente, tomando um gole de cerveja, o cabelo louro lhe rodeando o rosto e um vestido florido abraçando o corpo de forma casual. Ela era facilmente uma das mulheres mais bonitas que ele já vira, uma das que facilmente poderia fazer uma carreira em passarelas.
Era ridículo negar a si mesmo que se sentia atraído por ela, quando ele claramente se sentia. Ela era incrivelmente bonita, saída de uma capa de revista e ele era um homem, no final das contas. Era provavelmente por isso que não conseguia tirá-la da mente. Ele terminou de virar o conteúdo de sua garrafa e limpou a garganta.
- Eu acho que é hora de dormir. – disse olhando para o relógio que já seguira muito seu rumo desde que o irmão mais novo partira. Rosalie concordou ao olhar a hora.
- Eu levo as garrafas. – disse se levantando e começando a pegá-las do chão.
- Claro que não. – ele descartou a ideia enquanto pegava as garrafas da mão dela; quando seus dedos se roçaram, Emmett se sentiu muito consciente daquela pele na dele, do toque macio e quente contra sua pele e não pôde deixar de se perguntar se Rosalie também reparava naquilo. – Eu cuido disso e você pode subir.
Ela olhou para ele com a boca levemente aberta por alguns segundos, como se fosse falar alguma coisa muito importante, mas hesitasse, antes de por fim dizer apenas obrigada e boa noite e subir. Emmett levou as garrafas até a cozinha, tentando se libertar da curiosidade de como seria a pele de Rosalie em outros lugares de seu corpo.
Ao subir em direção a seu quarto, passou em frente ao quarto de hóspedes. A porta estava quase fechada, mas uma brecha suficiente para que ele visse uma parte do quarto estava aberta. Ele parou, hesitante, ao passar por ela. E então ele a viu, entrando na sua faixa de visão enquanto desamarrava o vestido nos ombros, de forma que o tecido escorregou suavemente pelo seu corpo até ficar em volta de seus pés. Ela estava de costas para ele e ele viu a imensidão branca e ininterrupta de sua pele enquanto ela se movia para colocar um short de pijamas. Emmett engoliu em seco, ficando muito ciente de quão errado aquilo era e sem conseguir se mover um milímetro enquanto via a lateral dos seis dela se moverem enquanto ela vestia uma blusa de alças.
Ele sentiu sua respiração se acelerando e um incômodo muito proeminente entre as pernas fortes enquanto observava toda a cena, mesmo depois de ela terminar de se vestir. Como se sentisse que alguém a observava, Rosalie se virou para trás, cravando os olhos em sua forma imóvel. Aquilo serviu como um raio em Emmett, acordando-o para a situação num pulo. Sem saber o que falar ou fazer, ele rapidamente seguiu em rota de fuga para seu quarto, sem falar nada com a loura, que sorriu e deu uma risadinha antes de seguir até a porta e fechá-la.
Na manhã seguinte, Emmett não sabia o que fazer. Não sabia o que falar com Rosalie. Não sabia o que falar com Bella, caso Rosalie falasse para ela. Não sabia se ela já tinha contado a Bella sobre sua total falta de noção temporária que o mantivera observando uma mulher escondido. Ele se remexeu inquieto na cama, um embrulho no estômago, incerto do que deveria fazer. Pelo menos não trabalharia, então poderia tentar falar com Rosalie e, caso ela não tivesse contado a Bella, tentar refrear uma situação ainda pior.
Ele saiu do quarto por volta das oito e meia da manhã e a casa estava vazia. Ele tomou um café e se sentou no escritório, ansioso, tentando trabalhar em meio a toda agitação que havia em sua mente. Pulou da cadeira ao ouvir a porta se abrir, certo de que seria Rosalie, uma vez que Bella ainda deveria estar na escola onde ensinava. Seguiu hesitante na direção da porta onde encontrou a loura trancando-a.
- Emmett, oi! – ela disse surpresa. – Espero que você não se importe, Bella me emprestou a chave dela quando saímos hoje de manhã já que eu voltaria antes dela. – explicou rapidamente. Ele engoliu em seco.
- De forma nenhuma. – murmurou. – Hm, Rosalie eu gostaria de falar com você.
- Sim? – ele hesitou enquanto ela terminava de entrar na casa, parando em frente a ele, meio recostada no sofá.
- Eu... É... Ontem à noite... – ele balbuciou, sem conseguir tirar algo que fizesse sentido de sua cabeça. Rosalie sorriu.
- Está tudo bem. – ela disse.
- Não está. – ele contradisse e respirou fundo. – Eu sinto muitíssimo. Não tive a intenção de ficar te espiando, foi uma atitude imperdoável, eu só... Eu...
- Sério, está tudo bem. – ela disse com um risinho, colocando uma mão sobre o ombro dele. – Não se preocupe com isso. – ele respirou fundo, a mão dela em seu corpo parecia fazer formigar o lugar que ela tocava.
- Você... Por acaso você comentou com a Bella? – ele perguntou hesitante, sem saber ao certo como abordar aquilo, mas então Rosalie riu.
- Não, claro que não. Vai ser nosso pequeno segredo, está bem? – ela sugeriu. – Eu não vou falar nada se você não falar. – ela sorriu enquanto escorregava a mão pelo braço dele até soltá-lo e se virou, seguindo em direção às escadas, deixando um Emmett muito parado a olhando se afastar.
Ele ficou afastado dela o resto do dia, se recusando a se permitir cair em tentação novamente. Rosalie parecia não se importar com o que acontecera, ao contrário, parecia se divertir com a situação, até gostar dela, e aquilo o deixou bem alerta sobre como era ainda mais importante se manter à distância. Trancou-se no escritório e evitou tudo que estivesse fora daquela porta o dia todo.
No dia seguinte foi para o hospital decidido a clarear a mente, se ocupar e ser extra produtivo. Ela iria embora dali a uns dias e tudo aquilo iria acabar. O trabalho não fora fácil – nunca era –, mas aquele dia específico havia sido especialmente desafiador para Emmett. Um paciente que tratava e que estava se saindo bem no tratamento havia falecido, perdido contra uma longa e árdua batalha. Emmett havia informado a família e seu coração parecia pesar uma tonelada quando saíra de lá. Ele sabia que não podia ser assim, ninguém conseguiria exercer a profissão se toda perda fosse sentida tão intimamente, mas com aquele paciente em especial, não conseguira evitar. Ele o lembrava de seu pai, um senhor jovial e que antes fora um ser cheio de vida, sempre rodeado da família e cheio de bom humor até o fim.
Ele ficou no hospital até bem tarde, sem querer ter que lidar com ninguém quando chegasse em casa, assim, ao entrar em seu quarto, Bella já estava dormindo. Ele se deitou, tentando fazer o mesmo, mas se sentindo inquieto e revirando sem parar. Assim, levantou-se em silêncio e desceu as escadas, parando na sala e se pondo a fazer uma série de flexões que com sorte espaireceria sua mente e o faria gastar o resto de energia que ainda tinha.
Rosalie desceu a escada descalça, sem fazer qualquer barulho. Parou no último degrau, surpresa, ao encontrar Emmett apenas com uma calça, no chão, fazendo flexões sem parar, mexendo os lábios como se estivesse falando algo, mas sem dizer absolutamente nada. Ela encarou os músculos das costas dele se movimentarem initerruptamente enquanto ele continuava na tarefa, sem sequer notar que ela estava ali.
- Emmett. – ela chamou baixinho e ele virou o pescoço rapidamente para o lado, os olhos levemente arregalados em surpresa. – Você está bem?
- Estou. – ele respirava com grandes arfadas. – Volte pro seu quarto.
- Emmett. O que aconteceu?
- Nada. Está tudo bem, Rosalie. Volte pro seu quarto. – ele repetiu e balançou a cabeça na direção do quarto.
- Você está indo pro seu? – perguntou.
- Em um minuto. – ele disse e se virou para voltar às flexões.
- Tudo bem então. – ela retrucou enquanto ia para o lado dele e se deitava ao seu lado, um pouco de preocupação nos olhos.
- O que você está fazendo? – ele perguntou parando de vez os movimentos.
- Não vou deixar você sozinho aqui. – respondeu em voz baixa.
- Rosalie...
- Não vou. – o cortou. Ele respirou fundo e ambos se encararam, medindo forças com o olhar até que ele suspirou.
- Você não vai sair dai, não é?
- Não. – ele se levantou e foi até o sofá, pegou uma almofada e a entregou. Ela encarou o objeto surpresa antes de pegá-lo e acomodá-lo embaixo do pescoço enquanto ele voltava mais uma vez à sua tarefa. – Esse é um horário estranho para se exercitar. – disse ela casualmente enquanto olhava para o teto como quem não queria nada.
- Eu tenho horários estranhos. – respondeu sem muita vontade.
- Alguma coisa aconteceu hoje no hospital? – tentou, virando-se de lado e apoiando a cabeça no braço dobrado. Aquela posição a privilegiava com a visão bem próxima do corpo dele e ela não pôde evitar ao demorar seus olhos no peitoral largo e musculoso.
- Não. – mentiu ele, os olhos focados no chão.
- Então você só tem o hábito de se exercitar à uma e meia da manhã naturalmente? – insistiu.
- Rosalie. – grunhiu. – Eu não quero falar sobre isso.
Ele trincou os dentes. Ele mal a conhecia, por que ela se sentia no direito de insistir com perguntas que sequer eram da conta dela? Ele nem sequer queria ela ali agora.
- Sinto muito. – foi tudo que ela respondeu.
Não parecia estar se desculpando necessariamente pela insistência. Seu tom deu a entender que ela sentia muito pelo que quer que houvesse acontecido e o deixado naquele estado. Ele assentiu e então virou o pescoço na direção dela para falar algo e foi então que notou o jeito que ela o olhava. Os olhos verdes dela não deixavam o corpo dele e deixavam muito claro o que ela estava pensando. Ele não conseguiu evitar de se sentir um pouco envaidecido, mas aquilo parecia errado e era um caminho perigoso, então tratou de resmungar.
- Pare de me olhar assim. – Ela ergueu uma sobrancelha loura.
- Assim como? – quis saber.
- Como se eu fosse seu jantar. – ela corou um pouco, mas o sorriso lento que deu não parecia nada envergonhado. Emmett percebia a ironia daquilo, é claro, se considerando que ele a espiara escondido há pouco tempo, mas não conseguiu evitar a resposta.
- Desculpe. Mas tudo que consigo pensar quando olho para você desse jeito é em sexo. – deu de ombros, como se não tivesse dito nada demais, apenas algo como "você gostaria de uma xícara de café?".
- Você fala desse jeito com todos os noivos das suas amigas? – ele perguntou depois de engasgar uns segundos, consideravelmente sem jeito. Ele achou que ela o acusaria de espiá-la, que fosse voltar a situação contra ele, estava pronto para aquilo, mas ela não o fez.
- É claro que não. – ela disse como se fosse óbvio enquanto revirava os olhos. – Só com aqueles com quem eu faria sexo. – ele a encarou, parando de fazer as flexões e sentando-se de pernas meio cruzadas enquanto a descrença estampava sua feição.
- O que? – repetiu meio abobalhadamente. Tinha entendido o que ela falara, ela tinha sido extremamente clara e direta. Sequer sabia por que tinha perguntando aquilo. Rosalie o encarou com os olhos sagazes, então mordeu o lábio enquanto parecia pensativa.
- Você não se lembra, não é mesmo? – ela perguntou depois de alguns segundos, um fundo de diversão no olhar.
- Do que você está falando? – ele perguntou hesitante. Rosalie quase riu.
- Ah meu Deus. – ela deu uma risadinha curta. – Tudo faz muito mais sentido agora. Você não tem a menor ideia.
- Do que você está falando? – ele grunhiu novamente, ficando sem paciência.
- Nós dormimos juntos. – ela disse como se explicasse a uma criança quanto eram dois mais dois.
- O que? – ele respondeu, a voz surpresa e totalmente descrente. – É claro que não. – dessa vez ela realmente riu.
- Bem, considerando que eu me lembro claramente, eu posso dizer com convicção que é claro que sim.
- Eu nunca dormi com você.
- Você dormiu comigo e devo dizer que é um tanto humilhante que você não se lembre disso. – ela disse com uma careta.
- Você está louca. – ele resmungou, revirando a mente em desespero tentando entender do que ela falava.
- Não estou. Eu tinha ido visitar a Bella no campus e fui pra uma festa que houve depois de um jogo. Ela não foi, estava chateada com alguma coisa, quis ficar no dormitório, mas eu fui aproveitar. Você estava lá, você fazia parte do time, estava comemorando com seus amigos. – ela contou. Emmett a ouvia, mas nada específico vinha à mente. Ele fora a várias festas comemorar jogos na faculdade, afinal era um dos jogadores. Rosalie viu a confusão no rosto dele. – Era início da temporada, eu acho, foi pouco depois de todo o drama da família da Bella. De toda forma, eu fui pra festa e eu mal te conhecia, lembrava-me de você do colégio, mas jamais imaginaria que você e Bella eram um casal. Ela havia comentado que estava saindo com alguém, mas não mencionara quem, disse que ainda era recente e não queria estragar tudo. – ela expirou uma risada. – Um amigo também frequentava lá e eu estava conversando com ele quando você se aproximou e falou algo pra ele e ele saiu e ficamos nós dois. Eu jamais imaginaria que você namorava, porque você estava claramente flertando comigo.
- Eu não tenho memória alguma disso. – ele franziu o cenho, certo de que Rosalie enlouquecera.
- Você devia estar mais bêbado do que eu imaginei. Bom, eu sabia que você estava embriagado, quem não estava? – ela deu uma risada baixa. – Mas não a ponto de esquecer tudo. – franziu o cenho. – A gente invadiu um laboratório e passamos a noite lá, eu não tenho certeza do por que. Suponho que poderíamos ter ido pro seu dormitório, mas fomos para o laboratório.
A mente de Emmett trabalhava muito rapidamente agora. Ele se lembrava de ter acordado sozinho no laboratório uma vez, com uma ressaca absurda e nada que explicasse como estava ali. Achara que tinha sido algum trote ou alguma brincadeira com os amigos na noite anterior, mas nunca pensara muito sobre o assunto. Tinha vagas memórias da noite anterior e sabia que tinha discutido com Bella e bebido muito além do que tinha o hábito de consumir. Não se lembrava de Rosalie lá ou qualquer garota. Mas o que ela acabara de contar podia ser plausível afinal. Ele não se lembrava da noite, acordara onde ela de fato dissera. Jamais tinha mencionado aquilo com Bella, então ela não poderia ter contado a Rosalie. Ele quase gemeu. Não acreditava que tinha dormido com ela. E não se lembrava. Não se lembrava! Enquanto já estava com Bella, ainda por cima. Ele sentiu como se tivesse levado um soco no estômago.
- Pela sua expressão vou assumir que você se lembrou? – ela meio afirmou, meio perguntou, incerta.
- Não de verdade. – ele se encolheu. – Eu me lembro de acordar no laboratório. Eu me lembro de beber muito, mas não tenho qualquer memória concreta daquela noite. – ele hesitou antes de acrescentar a próxima parte, incerto de porque fazia aquilo, mas parecia apenas justo. – Me desculpe. – Rosalie riu abertamente.
- Por mais humilhante que seja, você não cometeu nenhum crime. – ela deu de ombros. – É claro que ninguém quer transar com alguém e não ser lembrada, mas bom, vou manter em mente que isso não tem nada a ver comigo.
- Claro que não. – ele respondeu rapidamente e logo percebeu que não precisava de fato ter externado aquilo. Ela sorriu presunçosamente. – Espere, esse é o motivo de você ter falado aquilo na outra noite? De ter dormido com alguém e fingido que não a conhecia?
- Sim. Achei que você realmente estivesse se fazendo de desentendido e quis te provocar. – confessou a loura. – Mas aparentemente estava errada.
- Eu não tinha ideia. – ele respondeu.
Rosalie riu baixinho, balançando a cabeça. Tinha certeza de que ele sabia quem ela era desde que a vira em casa naquela primeira noite, mas pelo visto, a noite não fora tão memorável para ele quanto havia sido para ela. Pelo menos, ela pensou, havia o distraído do que quer que o estivesse atormentando naquele momento.
Depois daquilo, nenhum dos dois tinha certeza do que fazer, então Rosalie esperou silenciosamente até Emmett decidir ir para cama, receosa de que se o deixasse novamente sozinho, ele voltasse para a repetição ininterrupta de antes.
Na manhã seguinte, depois de por fim resolver os últimos detalhes do testamento de sua tia e as últimas pendências com o advogado, ela foi em direção ao Hospital Geral de Seattle, onde Emmett trabalhava.
No jantar aquela noite, tinha uma convicção confiante de que as coisas poderiam seguir de forma melhor do que antecipara naquela viagem. Bella havia a chamado para comer fora e elas foram a um restaurante perto da casa. Emmett faria um plantão naquela noite, então não estaria com elas.
Ambas conversaram muito e Rosalie percebeu que realmente sentia falta de Bella em sua vida, por mais diferente que fosse da amiga. Enquanto Bella era a típica garota tímida, que mal frequentava festas, Rosalie se tornara seu total oposto. Sempre gostara de festas, mas na adolescência passara por inúmeros problemas e acabara se envolvendo em si mesma, preocupada demais com problemas reais para poder beber com amigos e esquecer-se de tudo. Entretanto, ao se libertar da família ao ir para a faculdade com uma bolsa integral, mudara totalmente o comportamento, se entregando a diversões que antes não conseguia.
Adorava sair, encontrar pessoas, beber, ter casos rápidos e divertidos. Não costumava levar homem nenhum a sério, sempre os deixando poucas semanas depois de se envolver, com uma única exceção que acabara dando errado. A mãe a ensinara que relacionamentos não eram feitos para durar, e com muito trabalho ela entendera que na verdade aquilo não era real. Porém, por mais madura que estivesse e por mais que trabalhasse para afastar essas convenções de sua cabeça, as crenças da mãe vez ou outra a atacavam, lembrando-lhe que homens eram feitos para se fazerem felizes e não para fazerem mulheres felizes. Ela era a única que a podia fazer feliz e se empenhava nisso, conseguindo pequenos focos de satisfação onde quer que estivesse.
Ao voltar para a casa, Bella se dirigiu ao quarto, pronta para dormir; o trabalho de professora de crianças era algo que Bella adorava, mas era realmente exaustivo lidar com pequenas pessoas tão cheias de animação o dia todo. Rosalie, por outro lado, adorava trabalhar a noite, então pegou seu laptop e se dirigiu à cozinha, sentando-se à mesa e começando a trabalhar no final de uma consultoria que estava em processo. Sua equipe continuava trabalhando em Nova York e ela dava coordenadas de onde estivesse, fazendo com o que o trabalho ficasse bem acessível mesmo aquela distância.
Nova York se localizava no extremo oposto de Seattle e ela não fora para lá aleatoriamente, tampouco porque havia nascido lá. Fugira para lá quando teve a oportunidade, ansiando colocar a maior distância possível entre si e Seattle e tendo certeza de que a mãe jamais chegaria perto daquela cidade, lar de tristes memórias para a mais velha.
Rosalie se assustou, pega de surpresa ao ouvir o barulho de alguém entrando na casa. Com os sentidos ainda um pouco lentos, percebeu que a luz da manhã já entrava na cozinha e que devia ter dormido em cima do trabalho. Tentou se focar enquanto ouvia passos se aproximando. Emmett a encontrou à mesa, parecendo sonolenta e confusa, quando entrou na cozinha.
- Emmett, oi. – ela disse de forma lenta antes de esticar os braços e mover o pescoço de um lado para o outro.
- Oi. – ele disse surpreso. Não esperava a encontrar ali àquela hora, tinha sido extremamente cuidadoso com seus horários para não precisar vê-la, mas lá estava ela, tão bela quanto sempre; o vestido preto que usava na noite anterior ainda no corpo, o decote sendo realçado pelo colar longo que usava. – O que está fazendo aqui?
- Eu estava trabalhando. – explicou com a voz mais aguçada, reparando no quanto ele estava tenso. – Devo ter dormido. – balançou a cabeça, como se para expulsar o resto do torpor de sua cabeça. – Como foi seu plantão?
- Bom. – ele respondeu rispidamente, se dirigindo cozinha adentro para buscar uma garrafa de água antes de ir para o quarto.
- Tem certeza? – ela checou, se levantando e caminhando lentamente até a ilha da cozinha, perto de onde ele estava. – Você parece um pouco... nervoso. – o grandão se empertigou.
- Estou bem. – repetiu bruscamente. Estava mesmo cada vez mais nervoso com a presença dela. Desde a noite anterior, mal conseguira parar de pensar no fato de que havia dormido com ela, e o pior de tudo, não tinha memórias do fato. Como podia esquecer aquilo? E o pior, ela agia como se aquilo fosse algo que ela quisesse repetir e isso não o ajudava nenhum pouco a se manter sobre controle.
- Emmett, – ela disse se aproximando ainda mais. – Não precisa fingir comigo. – confidenciou, deixando claro que entenderia o que quer que ele estivesse passando no hospital. Antes fosse algo sobre o hospital, sobre aquilo ele conseguiria lidar! Ele se afastou dela, receoso de que aquela proximidade fosse o levar a fazer algo que se arrependesse.
- Eu estou bem. – repetiu, travando o queixo enquanto falava e a olhando seriamente.
- Emmett, qual o problema? – ela perguntou parecendo preocupada enquanto o encarava. Emmett se voltou para ela, a expressão ríspida, e suas palavras saíram antes que ele de fato pudesse pensar sobre elas.
- O problema é que não paro de pensar em você! – ele respondeu irritado. – E odeio estar assim, odeio ainda mais o fato de não conseguir parar de pensar em você! – continuou enquanto caminhava até ela com raiva, parando a poucos centímetros da loura.
Ela podia sentir a respiração dele contra seu rosto e ele tinha uma expressão alterada que ela jamais esperara ver nele, alguém tão calmo e composto. Ela molhou os lábios com a língua, lentamente engolindo em seco em seguida. Emmett respirava fundo, o olhar trancado ao dela. Ele começou lentamente a recobrar seu bom senso e se afastar novamente quando ela ergueu a mão e segurou seu braço, fazendo-o se voltar para ela, e antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ela lançara seus lábios aos dele, arrebatando-o num beijo urgente e decidido.
Emmett tentou parar. No fundo de sua mente, ele entendia que aquilo era absurdo e que aquela era a casa que pertencia a ela e à noiva. No fundo de sua mente, ele sabia que tinha que afastá-la de si e empurrá-la para o mais longe possível. Mas enquanto ela pressionava seus lábios aos dele, tudo que Emmett conseguia pensar era em quanto àquela mulher parecia estar colocando sua pele em chamas.
O beijo dela não era delicado e era exigente, fazendo com que seu cérebro se transformasse num grande nevoeiro que não parecia mais mandar no resto do corpo que agora tinha vida própria. Enquanto ele tentava gritar ao corpo que se precisava se recompor, suas mãos pareciam ignorar, e agarravam Rosalie com a força de barras de aço, apertando-a contra ele com uma urgência que jamais experimentara antes.
E naquela manhã, Emmett Cullen cometeu o erro que jamais imaginara quando planejava sua vida milimetricamente calculada.
