Harry acordou suado e aflito, novamente estava sendo atormentado por sonhos que desconhece, sonhos que não faziam sentido, o que isso deveria significar?

No último ano, enfrentou o Lorde das trevas e presenciou um dos piores acontecimentos de toda a sua vida, a morte de seu padrinho, Sirius. Desde que descobriu que sua menta estava conectada com a de Voldemort, não para de ter certos ataques de raiva. Imaginava o que poderia ser isso, e a suposição de que seus poderes estavam aumentando fervorosamente rápido, não... isso é mais um fato. Desde que viu seu padrinho ser morto na sua frente por um feitiço da morte, a cada dia que se passava percebia que seu núcleo mágico estava ficando cada vez mais forte.

Não sabia o porquê disso, mas se isso fosse lhe ajudar a deixá-lo mais forte, para que pudesse derrotar Voldemort de uma vez por todas, não reclamaria. Só achava estranho isso estar acontecendo repentinamente.

Se levantou da cama completamente suado e ofegante. Sua boca estava seca, iria descer para tomar um copo de água, estava com receio de encontrar alguém que não queria. Mas mesmo assim, saiu de seu quarto tentanto fazer o mínimo de barulho possível. Desceu a escada em silêncio e se dirigiu a cozinha. Preparou um copo d'água, bebeu e foi direto para o seu quarto.

Se deitou e fechou os olhos, na esperança de que não tivesse outro pesadelo estranho. Fazia dias que não tinha uma boa noite de sono, ou até mesmo um sonho normal. Veio em sua cabeça algo que não fazia sentido algum para ele, estava sonhando com muitas coisas estranhas durante suas férias, e uma delas era algo que Voldemort mencionou no cemitério, bem acima do túmulo de seu pai trouxa. Aparentemente uma profecia que falava sobre ele e Voldemort.

"Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima... nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar o sétimo mês... e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece... e um dos dois deverá morrer na mão do outro pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver... aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar..."

Aquilo martelava em sua cabeça sem parar, uma profecia que o mencionara indiretamente , estava se perguntando se ele foi mesmo o responsável pela queda de Voldemort 15 anos atrás. Isso só o deixava com mais dor de cabeça, suas noites eram sempre ocupadas por pesadelos envolvendo Voldemort, a morte de seus amigos e sua única família, Sirius.

Estava mental e fisicamente sofrendo por causa de seus pesadelos sobre Voldemort, além de ter medo de dormir à noite, qualquer menção ao Lorde das Trevas fazia com que sua cicatriz ardesse dolorosamente, como se estivesse sendo marcado com um ferro quente.

Finalmente conseguiu adormecer, acordou pela manhã com batidas fortes na porta.

- Acorda garoto, levanta e vai fazer o café da manhã. Disse Tia Petúnia com uma voz mandona.

- Sim Tia Petúnia, estou indo. Disse Harry ainda sonolento.

Ele ainda não conseguia entender o porquê de Dumbledore o obrigar a morar nessa casa horrível, era maltratado pelos tios dia e noite, e não podia levantar um dedo para eles, tinha medo que se o fizesse, poderia acabar os matando, devido ao seu aumento repentino de magia. Atualmente, não sabia o que poderia fazer com tanto poder, sentia que poderia fazer qualquer coisa, mas, dexaria pra testar isso em Hogwarts. A única coisa que podia fazer era insinuar que iria usar a varinha para tentar escapar de algo muito ruim que lhe fosse acontecer. Adorava falar palavras estranhas para fazer o Duda ficar com medo, qualquer coisa estranha que Harry fazia era o suficiente para fazer seu primo se borrar de medo, isso era a única coisa que se podia divertir nessa casa.

Resolveu apenas fazer o que ela mandou e assim poderia se livrar disso o quanto antes, só faltavam 5 dias para a volta das aulas. E mesmo que Voldemort estivesse mais forte do que nunca, ele não poderia deixar de sorrir ao pensar que estaria em Hogwarts em alguns dias.

Saiu do quarto, desceu a escada e foi até a cozinha preparar o café da manhã.

- Anda logo garoto, eu estou com fome, termine logo isso. Disse tio Valter rabugento

- E quando é que não está? Disse Harry em um sussurro para que ele não ouvisse, mas foi em vão.

- O QUE DISSE SEU PESTINHA?!!!

Foi só o que ouviu antes de levar um soco no olho esquerdo o fazendo cair no chão e gemer de dor, por mais que já fosse mais velho, Harry ainda era um tanto magricela. Um soco foi o suficiente para jogá-lo no chão. Mas reparou que a dor sumira repentinamente, e sentiu uma onde calor fluir de sua espinha, até o seu punho. Aquilo estava parecendo ir longe demais, imaginou que isso fosse por causa de seu aumento repentino de magia, então, para evitar problemas, tentou se acalmar usando uma técnica trouxa de respiração.

Respirou fundo e em menos de um minuto, se acalmou totalmente.

Desde que começou a ir para Hogwarts era agredido verbal e fisicamente. Qualquer que fosse o motivo, levaria um tapa ou um empurrão. Sempre de seu tio Válter, sua tia nunca o batia, mas olhar para ela e ver que ela não iria fazer nada para ajuda-lo o fazia sentir uma dor no peito pior que qualquer surra que já levou de seu tio trouxa.

Enquanto Harry ainda estava no chão levou um chute no estômago o fazendo urrar de dor e ficar sem ar. Mesmo que dor desaparecesse logo depois, ainda sentia muito bem a dor ao levar algum outro impacto.

- Termine logo essa comida, não posso perder tempo tenho uma reunião em 1 hora, e já vou logo lhe avisando sua aberração, teremos convidados hoje à noite, terei a oportunidade de fechar o maior negócio da minha carreira, eu espero que fique trancado no seu quarto o resto do dia, e só saia amanhã, ENTENDEU?!!!

-Sim tio Valter. Falou soltando um 'Ah', de puro fingimento, tentando mostrar que estava com dor.

- Ótimo, agora termine a comida! Gritou Tio Válter com a cara fechada.

Harry se forçou a se levantar e terminar a comida que estava preparando, e sem perder tempo foi direto para o quarto e se trancou lá. Deu graças a Merlin poder ficar o resto do dia sem ter que olhar na cara desses desgraçados.

Se forçou a dormir um pouco, para passar o tempo. Quando acordou já eram 18:30 da noite e novamente tinha tido um pesadelo onde pôde mais uma vez presenciar a morte de seu padrinho, ainda se sentia um lixo por não poder ter tido chance de fazer algo para salvá-lo. Até porque, foi culpa sua o que aconteceu.

Resolveu sair de casa para tomar um ar, mas não poderia sair pela porta da frente é claro, se tentasse com certeza levaria uma surra grande, Tio Valter não gostava que ele saísse de casa, pois achava que se alguém da rua o visse, acharia que estavam maltratando o garoto, já que ele tinha hematomas e manchas roxas por todo o corpo, e nem mesmo magia poderia usar para ajudar a melhorar as dores. Dormir era sua única forma de escapar da vida real, e até mesmo nos sonhos o sofrimento era tão real quanto uma brisa de vento gelado no inverno. Saiu pela janela do quarto e desceu pelo cano que tinha na parede.

Foi andando pela rua sem saber o que fazer, quando viu um vulto parecendo ser um cachorro passar a frente dele, poderia ser só imaginação, ou poderia ser Almofadinhas.

Chegou no parque e sentou em um dos balanços, ficou imaginando como seria sua vida se tivesse vivido com seu padrinho em vez de com seus tios trouxas. Ele já está o verão inteiro sem notícias de seus amigos. Não entendia o porque de estarem o ignorando. Não obteve resposta de nenhuma das suas cartas que enviou por Edwiges.

O que será que devem estar fazendo agora? Principalmente Hermione, sua melhor amiga, aquela que ficou do seu lado desde que o conheceu. A amava tanto, e desde o seu beijo com a Cho, na sala precisa, se perguntou mentalmente o que era aquele sentimento que tinha por Hermione, se apenas gostava dela como amiga, irmã, ou algo além disso. Sentia algo diferente sempre que estava com ela, era como um formigamento na barriga. Ouvir sua voz, olhar seu sorriso, seus olhos, e o jeito como ela fala, de forma gentil, doce e reconfortante. Apenas estar ao seu lado o fazia a pessoa mais feliz do mundo.

Harry estava com tanta coisa na cabeça, que achava que estava para explodir, literalmente. Quando levou o soco de Valter, aquela energia quente que sentiu, era totalmente diferente de quando usava magia normalmente. Era como se ele fosse uma arma de choque, pronto para soltar a qualquer momento uma rajada de eletricidade.

Pensou que, provavelmente, Hermione não deveria se sentir dessa forma com ele. Até porque, ela aparentemente estava gostando de Ron. Pensava que mesmo que estivesse desenvolvendo sentimentos amorosos por ela, não poderia fazer isso, ou acabaria com a relação do trio de ouro.

Bom, já estava naquele balanço a mais ou menos 40 minutos. Já estava na hora de voltar, ou seus tios poderiam desconfiar de algo.

E sem prestar atenção, durante seus devaneios, acabou esquecendo que os tios estavam recebendo visitas, e acabou entrando pela porta da frente, surpreendendo os convidados e enraivecendo os tios, principalmente tio Valter.

Harry estava trajando uma roupa muito velha de Duda, uma camisa super larga com vários rasgos, uma calça jeans com buracos em todos os cantos, e um tênis velho.

Logo de primeira já causou uma má impressão, e sentiu que levaria a maior surra de todas só por isso.

Já envergonhado, resolveu subir para o seu quarto, para não agravar mais a situação, mas acabou cometendo um de seus piores erros. Sem querer tropeçou, e tentando se segurar em alguma coisa, puxou o pano da mesa de jantar onde estava seus tios, e o casal que os visitava. Aquilo fez derrubar as taças de vinho tinto que estavam na mesa, que acabou derramando na Senhora Louis, aquilo foi a gota d'água.

Afim de tentar amenizar a situação, Valter tentou explicar que ele era seu sobrinho maluco, e que estava recebendo cuidados médicos. Mas aquilo não parecia ter resolvido a situação, o casal começou a gritar de raiva, como se isso fosse o fim do mundo, e devido às vestimentas dos convidados, era sim, pareciam estar usando roupas muito caras.

O casal, sem pensar duas vezes, falou cuspindo na cara de Valter, que a fusão de suas empresas de materiais de construção, estavam canceladas.

Aquilo foi o estopim para a maior crise de raiva de tio Valter.

Os convidados estavam saindo a passos largos, e Harry via na cara de Valter, que estava mais vermelha que o vinho caro derramado sobre a mesa de jantar, e o chão. Aquilo iria acabar muito mal pro seu lado. Não era preciso ser nenhuma Hermione para saber disso.

Sem pensar duas vezes, correu para a escada e subiu para o seu quarto, o que de pior poderia acontecer? Levaria uma surra de qualquer jeito, mas poderia pelo menos ganhar tempo para descobrir uma forma de se safar dessa enrascada que se meteu. Não faltavam muitos dias para o início das aulas, Dumbledore não ficaria triste se ele saísse um pouco mais cedo de casa e fosse para os Weasleys, ou o Largo Grimmauld, a sede da Ordem da Fênix.

Ao passar pela porta, trancou-a com a chave e começou a pensar em uma forma de escapar ileso disso tudo, mas nada poderia fazer, não lhe era permitido usar magia fora de Hogwarts, pelo menos não ainda. Sua janela tinha grades de aço, ele tinha se colocado em um beco sem saída.

Sem conseguir imaginar nada que poderia fazer, escutou vários passos pesados na escada, subindo direto para o seu quarto. Ouviu seu Tio gritar feito um maluco, pedindo para abrir a droga da porta.

Abra essa merda dessa porta, POTTER! Se não abrir será pior para você, melhor que fique sabendo, vou te dar a maior surra que já teve em sua vida. Gritou Valter transparecendo raiva em sua voz.

Tia Petûnia apenas pedia que ele se acalmasse, ou então teria um infarto ou coisa do tipo.

Harry temendo algo pior, pegou sua varinha para tentar assustá-los. Mas quando se virou para a porta, ele ouviu um estrondo alto e a porta foi em sua direção, que caiu em cima de si. Deixou que a varinha caísse de sua mão direita. Com a porta em cima dele, e sem conseguir ver nada, passava a mão ao redor do chão em busca de sua varinha, quando sentiu um pisão forte em sua mão direita.

Aquilo era muito doloroso, mas nada que se compare a maldição cruciatos. Valter com sua força, removeu a porta de cima dele com violência, e começou o espancamento. Harry levava, socos, tapas, chutes e pisões em todas as partes de seu corpo. E mesmo com o recente aumento de magia em seu corpo, não estava sendo de muita ajuda contra isso. Os ferimentos eram muito graves, braço direito deslocado, mão gravemente ferida. 4 costelas quebras e uma fraturada. Ambos os olhos roxos e mais inchados que alguém que tem alergia e foi picado por 100 abelhas.

Ele estava com sangue em todo lugar, seu nariz estava quebrado, seu rosto ferido em vários lugares, membros e ossos quebrados.

Agora já imaginava que isso estava tão doloroso quanto A maldição da Tortura, Cruciatos.

Petúnia nada fazia, tinha uma cara de medo e estava horrorizada com o que Valter estava fazendo, não sabia que ele era capaz de algo tão horrível. Sem poder fazer nada, apenas observava seu sobrinho ser espancado violentamente, Duda tinha uma face de medo estampada na cara, acho que era a primeira vez que via algo assim.

Harry estava começando a sentir uma vontade de vingança sem igual, seu corpo estava ficando mais quente a cada segundo que aquilo acontecia.

Ainda pensando não ser o suficiente, Harry viu Valter parar com a sequencia de socos e chutos, e o viu andar até um taco de Beisebol, que estava escorado no canto da parede, ao lado da cômoda. Petúnia, vendo que aquilo poderia se tornar algo pior, tentou segurar o marido mas foi empurrada para trás, acabou tropeçando e batendo a cabeça na quina da cômoda. Gritando de dor, tentou se levantar, mas não conseguiu. A pancada tinha sido muito forte, e ela se sentia inútil, pois nada poderia fazer para impedir que o sobrinho fosse, provavelmente, morto.

Há muito quilômetros de distância da Rua dos Alfeneiros, n 4. Na toca dos Weasleys.

Uma hora antes disso acontecer, Hermione chegava na Toca, ou a casa dos Weasleys.

Durante todo o dia estava com uma sensação estranha dentro de seu peito, e isso sempre a levava a pensar no Harry.

O que será que ele estava fazendo?