Aviso: A FIC conterá Hentai
Autora: Céu
Disclaimer: Essa fanfic não é minha e nem a história de Naruto, essa fanfic pertence à Céu e foi escrita em 2008, aqui ela faz parte do meu Projeto Nostalgia. Caso você seja a autora e deseja que eu retire a sua história do site, só mandar uma mensagem para mim. :)
Como é uma história longa, vou postando os capítulos assim que for possível para mim.
Avisos da autora -
Ship: Sasuke/Sakura (principal), Naruto/Hinata, Gaara/Céu, Tenten/Neji, Ino/Sai, Temari/Shikamaru, e outros.
Gênero: Drama/Romance.
Tipo: Long-Fic U.A.
Betada por: Thamiris Figueiredo (Dark Thami)
Aviso¹: A FIC conterá Hentai
Aviso²: A personagem Céu me pertence.
Aviso³: A personagem Lenna pertence à Thamiris Figueiredo.
Aproveitem!
8 anos atrás – Konoha – Japão
- Vai acabar pegando um resfriado, você não acha?
A voz dele é igual, até mesmo aqui, eu ainda consigo me lembrar do timbre, tom, suavidade e ao mesmo tempo, o impacto forte e seco que ela tinha. Mesmo agora, ela sempre me causa um enorme arrepio.
- Não está tão frio assim, Sasuke-kun!
Me virei esperançosa, eu ainda sorria naquela época. É, eu ainda sorrio toda vez que me viro em sua direção. Mesmo sabendo que isso não passa de um sonho. Da réplica daquele dia.
- Não sei como você não sente frio, envolvida apenas por essa coberta.
Eu fiquei vermelha. Já podia sentir meu rosto queimar de tanta vergonha, eu não sei por que, ele sempre me deixava desse jeito. Todo o dia.
- Meu corpo está quente... – sorri, por que ainda sorrio?
- Humf... Depois não reclame.
Ele se sentou na cama, um pouco irritado aposto, odiava quando eu não ligava para as suas preciosas palavras. Eu não ligo agora, não ligo mais para nada relacionado a você, Sasuke.
- A chuva não para, não é?
Retornei a olhar para o meu reflexo naquela janela. Olhando para ele eu pude ver minha face alegre, vermelha e meiga. Sinceramente, ainda desejo que meu rosto volte a ser desse jeito.
A chuva inundava toda a paisagem, as casas, prédios, estabelecimentos, a antiga escola, todos tomavam um enorme banho. Konoha tomava um enorme banho. Deveria estar fazendo bastante frio nas ruas estreitas da cidade, mas eu estava aquecida, mas não pelo cobertor, e sim pelo meu amor infinito, por aquele homem que com certeza já esqueceu meu nome.
- Sakura.
Ele me chamou de repente. E eu tremi. Por que tremo? Por que tremo mesmo sabendo que isso é um sonho?
- O que?
Respondi, virando-me novamente para ele, meus dedos permaneciam encostados na janela fria, e minha outra mão segurando a única coisa que cobria meu corpo nu. Sorri em sua direção, mas pude ver a cara séria que ele fazia para mim, olhava-me de um jeito que eu nunca irei me esquecer... Tão meigo, tão carinhoso, com tanto medo. Você estava com medo? Tinha medo de que? Sasuke.
Estreitei os olhos, com um sorriso estampado no rosto, o sorriso que poucos viam aos meus 16 anos. Não sorria tanto nessa idade. Era uma garota de respeito. Líder do grêmio estudantil. Melhor aluna, futura médica. Ter Tsunade como minha tutora me fez um pouco rude e exagerada. Não sobrou nada da garotinha fraca e medrosa. Só sobrou o amor imenso que sentia por ele. Somente isso era igual.
Desisti de ficar olhando em seus olhos, porque já não aguentava mais ficar apenas olhando. Queria tocá-lo, abraçá-lo e me perder em seu corpo, como sempre. Então andei até a beirada da cama e engatinhei em sua direção. Ele não desviava os olhos de mim. Ainda com aquela expressão que me fazia amá-lo mais ainda.
- O que foi? Não vai dizer nada. – deitei ao seu lado.
- O quanto você me ama? Sakura...
Por quê? Porque você me perguntou isso? Pra rir de mim depois? Pra caçoar das palavras que se encheram em meu peito e sem pensar proferi para você? Por que, Sasuke? Hein? Por que me perguntou isso?
- Você olha para o céu Sasuke-kun? – eu indaguei sem hesitar no que falaria.
- Sim, eu olho... Mas o que isso tem haver... – finalmente ele me encarou, e eu jamais esquecerei aquele olhar. Ele era infinitamente cristalino. Será que um dia o verei novamente?
- Você consegue ver o fim dele? – novamente perguntei com o rosto queimando mais que um vulcão. O meu peito prestes a explodir e essa sensação que nunca me abandona.
- Claro que não o céu é... – ele parou de falar, fitando-me com os olhos cristais negros mais intensos que já vi. A respiração falhando, o corpo esmorecendo ao meu lado. Suas mãos tocando as minhas vagarosamente. Você encena muito bem... Sabia?
- Infinito? – sorri – Quando você ver o fim do céu verá o fim do meu amor por você – aquela comparação era verdadeira, porém eu a matei e vou sempre matá-la quando meus olhos se abrirem. Quero que eles se abram, mas eu nunca consigo fazê-los abrir.
- Não deveria me amar desse jeito. Não quero que me ame desse jeito... – sua voz se alterava, mas não perdia a suavidade. O que você estava sugerindo, eu deveria ter escutado. Não é?
- Tarde demais – sorri, vamos Sakura desmanche esse sorriso, isso é um sonho – Minha vida é toda sua, faça comigo o que bem entender.
- Sakura...
- Será que você nunca vai entender, eu vivo somente para você, para estar ao seu lado, fazê-lo feliz, não importa como... Eu amo você mais do que minha própria vida.
Não... Eu não quero dizer mais essas palavras. Vamos, seja forte e acorde logo. Acorde desse pesadelo. Sakura.
- Você é uma irritante – ele sorriu pra mim. Como? Por quê? Meus olhos se arregalaram como nunca, sentia minhas íris esverdeadas ficarem marejadas e embaçadas. Aquele sorriso era tão perfeito. Era um sorriso verdadeiro. Um sorriso que eu nunca tinha visto antes, um sorriso que eu nunca pensei que um dia veria, para mim.
- Sasu...
Num movimento, ele já me dominava por completo. Seus braços me envolviam, me abraçando fortemente. A coberta se abria e meu corpo era agora aquecido pelo dele. Ele se moveu em cima de mim, procurando uma posição melhor para me possuir novamente. Eu apenas o observava, com os olhos ainda marejados, a respiração começando a falhar aos poucos. Escutando o barulho da chuva aumentar, ela com certeza abafaria meus gemidos.
- Sasuke-kun – ele prendia meus pulsos sobre a cama, me fitando seriamente com aquele olhar brilhante.
- Você morreria por mim?
Eu? Eu ainda morreria por você? Talvez... Eu nunca saiba...
- Um milhão de vezes...
Essas palavras doem agora. Ainda é difícil lembrar a cara que você fez ao escutar e o sorriso que você deu novamente. Eu vou detestar você, um milhão de vezes.
- Morreria comigo?
Nossas pernas entrelaçadas, seu corpo se movendo sobre o meu. E eu já podia senti-lo dentro de mim.
- Sempre...
Minhas mãos procuravam por seu corpo, te aceitando cada vez mais... Querendo-te cada vez mais.
- Não deixe de me amar...
Mentiroso
- Não vou deixar...
Mentiroso
- Me ame sempre Sakura... Sempre, sempre, sempre. E eu sempre retornarei para você.
Mentiroso
- Não peça algo que você sempre terá...
Agora, você não o tem mais... Mentiroso
- Me ame Sakura...
Eu somente quero que você...
- Me ame...
Morra!
Capitulo Um - O Sonho que atormenta
Agora – Tókio – Japão
Finalmente ela abria os olhos.
- Ahrrrrr – Seu corpo era arremessado para frente, com todo o impacto, ódio, amor, lembranças, tormentos.
Estava suada... Completamente suada, sua camisola branca de seda estava encharcada com seu suor e suas lágrimas de desespero. A respiração ofegante, assustadora, forte e descompassada.
Seus olhos verdes arregalados, vermelhos e trêmulos. Aquele sonho, trazendo aquelas lembranças remotas de um passado fingido, dava "olá" novamente.
Levou as mãos trêmulas até o rosto.
- De novo? – disse num murmúrio cansado.
Tentava se acalmar, mas estava realmente impossível. Mesmo depois de todos aqueles anos. Aquele homem a assombrava, perseguia, torturava.
Suspirou, levando seus orbes verdes até a pequena escrivaninha ao lado da cama de casal em que estava. Fixou o olhar no pequeno móvel marfim. Passando os olhos até a primeira gaveta.
Devagar, sua mão foi gesticulando, junto com seu corpo que era inclinado na direção daquela gaveta. Abriu vagarosamente, olhando para os papéis e alguns pertences sem valor. Até que achou um pequeno frasco. Um vidro de remédio preto com a tampa branca.
Seus dedos tocaram no pequeno frasco o trazendo para a palma de sua mão. Abriu, olhando para os pequenos comprimidos redondos brancos como as nuvens.
- Não! – disse desaprovando o que seus pensamentos mandavam-lhe fazer.
Jogou o frasco num pequeno sofá em frente a sua cama. Retirando o cobertor de sua cintura, assim levantando com alguma dificuldade.
A camisola ia até suas coxas torneadas, deixando suas lindas pernas delineadas amostra. A pele alva e brilhante reluzia mais, com todo aquele suor. Os cabelos róseos que chegavam até sua cintura balançavam com o vento frio que entrava pela janela. Abraçou-se, enquanto andava na direção da porta do quarto. Apertou-se, deixando seus seios medianos ganharem mais volume por debaixo do traje. Abriu a porta e saiu.
Caminhou pelo corredor, passando pelos retratos pendurados na parede e alguns arranjos de flores de decoração. Até que chegou num pequeno quarto, cujo estava com a porta entreaberta.
Entrou sem cerimônia, fitando o pequeno local. A decoração era num tom azul, cor que era preferida da sua pequena. Fechou a porta devagar para não acordar quem estava totalmente coberta por um lençol azul-bebê. Fitou seu lado esquerdo, aonde viu um lindo cachorro de pelúcia, com a cara mais cansada do mundo.
- Olá! Pakkun...
Virou seu corpo, até ter total visão da cama de solteiro, encostada perto da janela. Lembrava que ela adorava dormir perto de janelas, só pra espiar as estrelas.
Sem querer, acabou pisando num bichinho macio que fez um barulho alto e esquisito. Fitou a cama e ela não se mexeu, suspirou aliviada, lançando um olhar de reprovação para debaixo do seu pé.
Outro brinquedo, um porquinho rosinha meigo.
- Oi pra você também Ton-Ton! – resmungou num sussurro
Sorriu, anotaria em sua mente, que compraria menos brinquedos da próxima vez em que saíssem juntas. Fixou os olhos na cama, aonde acabou parando. Franziu a testa em reprovação a aquele lençol no meio da cara. Será que crianças sempre dormem assim?
Ajoelhou-se, olhando serenamente enquanto suas mãos descobriam aquele rostinho que ainda faziam seu instinto se acalmar profundamente.
Agradeceu por ela ter o sono pesado. Assim não acordou fácil, quando o lençol saiu de cima da sua face.
Passou seus dedos na pele branca como a neve que caia no inverno, retirando os fios pretos que estavam colados em seus lábios entreabertos. O biquinho que ela fazia era engraçado, mas gostava de vê-lo, ela sempre fazia esse bico quando dormia. Sorriu de banda, acariciando os cabelos negros como a noite daquele dia. Tão escuros como os dele. Ficou assim por um tempo, enquanto seu coração voltava à serenidade de sempre, mas os olhos daquela silhueta em que recebia um gostoso carinho começavam a desabrochar como uma flor.
Verdes, eles eram verdes, como os de Sakura. Brilhantes encontravam-se pela umidade das lágrimas que tinha de sono.
- Okka-san – chamou baixinho, a dona daqueles lindos olhos.
- Shiii! – Sakura encostou o indicador nos lábios, pedindo silêncio.
- Ar... Okka-san... – tarde demais, a pequena se levantou, esfregando os olhos com as mãos.
- Deite – forçou-a se deitar novamente – Está frio, você pode pegar um resfriado...
- Mas... Por que a okka-san está aqui? – indagou a pequena que tinha a franja caindo em seus pequenos olhos verdes.
- Por que a mamãe queria ver o filhote mais lindo desse mundo! – fez uma careta engraçada, fazendo a pequena sorrir como sempre.
- Não sou filhote! – retrucou risonha – já tenho 7 anos, okka-san...
- Eu sei, Tomoe! – sorriu
Oito anos, quanto tempo, desde daquele dia. Pensou que nunca mais poderia ser feliz, mas estava errada. Ele tirou sua felicidade, mas lhe deu outra.
- Posso dormir com você? – pediu, quase num rogo.
- Claro que sim, Okka-san – Tomoe gentilmente chegou para o lado.
Sakura deitou-se, levantando a coberta e se agasalhando depois junto com sua filha. Abraçou-a, sentindo a pequena lhe retribuir o abraço e mergulhar em seu colo, escondendo sua cara risonha.
~ ~ ~ Ficar assim, com você... Deixa-me mais forte. Tomoe.
Mesmo sabendo, que a cada dia que passa você fica idêntica ao seu pai... O pai que você nunca teve e que nunca irá conhecer. Eu sei, é maldade demais, esconder de você e dizer que ele morreu, mas acredite... Ele morreu. Pra você e pra mim também. No dia em que soltou a minha mão.
x-x-x-x-x
Num estacionamento, naquela mesma noite.
- Are you ready!
Gritou uma ruiva de óculos de aro grosso, para os participantes e para os dois corredores com seus carros potentes, prontos para aquela espetacular largada!
Todos gritavam alvoroçados e assim ela desceu os braços.
- Vão! – gritou alto.
E lá se foram os carros velozes e a multidão alvoroçada atrás, apostando todo o seu dinheiro naquela corrida clandestina, chamada "Drift".
Suspirou com a mão na cintura, deixando as várias pulseiras de cores pretas e brancas balançarem fazendo um som agradável. Passou os olhos pelos carros que ainda estavam lá e pelas pessoas que olhavam para seus celulares atentos na corrida.
Começou a andar em direção a um ponto em especial. O lugar onde sua equipe ficava. Sorriu, enquanto ia andando observando os olhares atenciosos dos vários homens que ali estavam. Como não observá-la? Usava uma saia pregueada preta que vinha ate metade de suas coxas, suas pernas bem delineadas, graças à meia calça arrastão que usava seguido por um lindo par de botas de couro preto que chegavam ate seu tornozelo. Mais acima, usava uma blusa camuflada, acompanhada de uma pequena jaqueta de couro preta, na qual escondia as mãos enquanto andava.
Mascava um chiclete pra passar sua ansiedade, sempre foi essa a maneira que encontrava de se acalmar. Os cabelos ruivos balançavam com o movimento sensual de seu corpo, longos e picotados nas pontas. Parou numa pose sensual, olhando para um garoto de cabelos em um tom verde claro, falando com duas mulheres que se insinuavam para ele. Revirou os olhos, olhando para a cena deplorável.
- Suigetsu... – chamou-o
O homem a olhou com desdém, dispensando as garotas com um sinal com as mãos. Fitou a ruiva dos pés a cabeça, com as mãos ainda escondidas no casaco de camurça azul que usava. Apoiou-se no capô do carro em que estava escorado, cruzando as pernas, deixando suas calças largas jeans desajeitadas.
- O que foi Karin? Não está vendo que eu estou ocupado? – revirou os olhos, deixando sua franja verde pontuda cobrir sua face.
- Onde está o Sasuke-kun? Daqui a pouco é a vez dele...
- Eu sei lá – o garoto puxou um maço de cigarros do bolso da calça – Deve estar nas montanhas, ou então, na cama de alguma mulher – sorriu sarcástico, enquanto via uma veia se formar na testa da companheira de equipe.
- Cale a boca! Seu idiota mulherengo – esbravejou
- Nossa – bateu com o maço na palma de sua mão, até um pequeno cigarro aparecer, levou até os lábios, fitando-o, pegando um pequeno isqueiro, acendendo-o – Que mau humor – falou desajeitado devido ao cigarro na boca.
Isso a irritava, apesar de que já estava acostumada com aquelas ironias desde criança. Só ainda não acreditava como ele conseguia ficar mais irritante a cada dia.
- A corrida já deve ter acabado, preciso pegar a grana... – saiu correndo em direção ao elevador.
- O que foi hein? – disse um homem, saindo debaixo do carro que Suigetsu estava apoiado.
- Karin, enchendo o saco como sempre...
- O que ela queria? – ele se levantou.
Era um homem alto, bem robusto, usava uma simples calça jeans surrada acompanhada de uma camisa regata bege que deixava seus braços musculosos expostos. Seu cabelo era loiro, meio curto, arrepiados. Os olhos azulados viam a resposta que tanto queria acabar de chegar.
Caminhava em passos altos, som produzido pela bota preta de couro que usava por cima da calça preta boca justa, que alinhava todo o seu corpo abaixo dos quadris. O sobretudo no estilo regata, também preto, esvoaçava contra o vento. A camisa acinzentada por baixo, com manchas pretas como detalhe, um cordão, no estilo daqueles do exército em seu pescoço.
Todos se exaltavam com sua presença, uns gritando alto seu codinome, outros o cumprimentando e se curvando em forma de respeito. Isso, respeito, era assim que ele queria.
Chegou perto de Suigetsu, o qual o olhava dos pés a cabeça.
- Desistiu do terno, Uchiha? – ironizou
Seus olhos até então concentrados no carro em que o garoto estava encostado. Tomaram toda a atenção para ele. Negros, tão negros como um mar de solidão. Frios e sem cor, passavam a indiferença para aquela pergunta irônica.
- Desisti, não queria roubar todas as suas mulheres essa noite – arriscou um sorriso sarcástico, marca registrada dele.
Suigetsu bufou, virando a cara e murmurando um "metido" bem baixo.
Passou as mãos pelos cabelos pretos, arrepiando-os mais na parte de trás. Fitou o loiro que limpava as mãos de graxa num paninho velho.
- E então? Como está meu Kusanagi?
- Eu coloquei as rodas novas que você me pediu, aquelas realmente estavam bem gastas... Troquei as velas e limpei o carburador.
- Ótimo Juugo! – suspirou
x-x-x-x-x
- Isso ai pessoal, vem chegando e pagando! – dizia a ruiva eufórica.
Karin recolhia o dinheiro dos perdedores, essa era a sua função, cuidar da contabilidade. Organizar aquela grana toda seria bem complicado, mais nada que a preocupa-se.
- Ruiva gostosinha! – aquela voz a irritava com certeza.
- Suigetsu! Por que você não vai visitar o inferno? – retrucou
- Por que ele tem que organizar mais corridas para mim – disse um moreno, parando o carro ao seu lado.
- S-Sasuke-kun? – corou bruscamente
Ele a olhou rapidamente num olhar fulminante, precisava repetir mais uma vez para que não o chamasse daquele nome ali.
- Quer dizer... arr... Hebi
Era esse o nome que adotou ali, como corredor ele era Hebi, o melhor corredor de drift de Tókio.
- Com quem eu vou correr? – perguntou sem muito saco
- Com o Takada, aquele corredor nojento que nunca desisti de competir com você.
- Tá. – concluiu – Anda logo, por que daqui a alguns minutos irá chover – inclinou o corpo e abriu o porta-luvas, pegando duas luvas de couro pretas e colocando em suas mãos.
Karin se aprontou em frente ao carro, chamando o outro corredor que encostou o seu carro ao lado do de Sasuke. Era um ruivo também, os olhos castanhos que apontavam encrenca.
- É hoje que tu perde, otário! – disse empolgado
O Uchiha o fitou indiferente e voltou seus olhos a pista.
- Sem muito saco pra corridas hoje, Hebi-sama? – uma voz sensual ao seu lado. Olhou para fora e viu uma loira de cabelos longos encaracolados. Usando uma camiseta vermelha com detalhes dourados, uma calça Capri camuflada e uma bota de bico fino vermelha. Apoiou-se na janela, fitando os olhos ônix que tanto admirava, seus olhos verde-claros demonstravam o quanto estava animada em revê-lo ali.
- Maya-san...
- Há quanto tempo, né – sorriu – Torcerei por você hoje, Hebi-sama, se ganhar, quer dizer, claro que irá ganhar – suspirou – Você poderia festejar comigo hoje, né?
- Quem sabe... Maya – sussurrou
- Oh, garota! Não está vendo que eu tenho que dar a largada não? – reclamou Karin
- A Karin-san não muda nada, ela continua ciumenta como sempre. – a linda garota se recompôs se afastando do carro – Vença, Hebi-sama! – deu de ombros.
Odiava aquela mulher, odiava qualquer mulher que se envolvesse com Sasuke, mesmo sabendo que nunca teria o coração daquele homem, mesmo assim, ela ainda o protegeria daquelas aproveitadoras.
Recompôs-se rapidamente, erguendo os braços, escutando o rugido daqueles motores superpotentes.
- Vão! – gritou, abaixando as mãos.
x-x-x-x-x
- Isso, vai pagando! – o sorriso escultural de Suigetsu recebendo o dinheiro, era animador.
Vitória de Hebi, como sempre. Era o primeiro a chegar para fora do estacionamento.
O alvoroço em torno de seu carro, típico de quando ganha uma corrida. Aquela gente eufórica e exaltada. Gostava daquilo, gostava muito daquilo.
Saiu do carro, deixando os primeiros pingos de chuva o atingirem, pingos invisíveis que caiam do céu sobre sua silhueta.
- Isso ai, Hebi! – gritou um homem
- Você é o melhor! – gritou outro
As vozes eram fortes, mas elas iam sumindo, elas iam sumindo cada vez que alguma gota de chuva atingia sua pele branca.
Um pingo grosso atingiu o rosto da Karin.
- Chuva? – fitou o céu
Era sempre impressionante como Sasuke sabia quando iria chover. As nuvens carregadas já estavam acima de suas cabeças e a trovoada a seguir, deixou que uma cachoeira caísse do céu. Aquelas pessoas, amontoadas em volta do moreno, corriam desesperadas para dentro do lugar coberto. Todos corriam, corriam e sumiam de sua vista.
A chuva engrossava ainda mais.
Ele olhou para cima, olhou para o céu cinzento.
x-x-x-x-x
- Okka-san – murmurou, dormindo.
Os olhos verdes fitaram a pequena grudada em seu corpo, estava dormindo tranquilamente, com aquela expressão feliz e relaxada.
Olhou pela janela, os pingos batiam forte ali.
- Esta chovendo...
Devagar se levantou, com cuidado, para não acordar a pequena Tomoe. Sentou na borda da cama, cobrindo a filha e lhe dando mais um beijo de boa noite.
Os pés caminhavam pelo chão gelado do quarto, passando pelo corredor ate chegar à extensa sala. Andou pelo canto, fitando a varanda ao lado. Abriu a porta de vidro, deixando o vento gelado tocar sua pele e bagunçar seus cabelos.
Andou para fora, deixando o piso de madeira gelado para trás. Seus pés descalços tocavam o chão molhado, a chuva forte molhava seu corpo.
Fechou os olhos, por um segundo, apenas um segundo.
x-x-x-x-x
- Hey! Você não vem? – gritou Karin, na direção do Uchiha.
Paralisado. Olhando para o céu.
Sua franja colava em seus lábios entreabertos. Seus olhos não se incomodavam com os pingos fortes. Só queria olhar para aquela chuva.
- Hebi! – tentou mais uma vez
O moreno fitou-a, totalmente molhado. Desviou os olhos para o carro atrás. Colocou o pé no para-choque enquanto impulsionava seu corpo, subindo com cuidado em cima do capô. Subiu mais um pouco, quase escorregando, mas subiu até o teto do carro.
- Sasuke-kun? – sussurrou sem entender, talvez, ela nunca entenderia.
A água o inundava por fora e o inundava por dentro. Era como se voltasse atrás no tempo, toda vez que chovia. Só mais uma vez ele fecharia os olhos, por apenas um segundo.
x-x-x
Eu venci mais uma vez. E embora meu peito esteja repleto de êxtase e alegria. Ainda assim, ainda assim eu não me sinto satisfeito. Mas, mesmo assim, eu venci de novo. Só pra você... Eu venço apenas para você. Sakura.
