Aviso: A FIC conterá Hentai

Autora: Céu

Disclaimer: Essa fanfic não é minha e nem a história de Naruto, essa fanfic pertence à Céu e foi escrita em 2008, aqui ela faz parte do meu Projeto Nostalgia. Caso você seja a autora e deseja que eu retire a sua história do site, só mandar uma mensagem para mim. :)

Como é uma história longa, vou postando os capítulos assim que for possível para mim.

Avisos da autora -

Ship: Sasuke/Sakura (principal), Naruto/Hinata, Gaara/Céu, Tenten/Neji, Ino/Sai, Temari/Shikamaru, e outros.
Gênero: Drama/Romance.
Tipo: Long-Fic U.A.
Betada por: Thamiris Figueiredo (Dark Thami)
Aviso¹: A FIC conterá Hentai
Aviso²: A personagem Céu me pertence.
Aviso³: A personagem Lenna pertence à Thamiris Figueiredo.

Aproveitem!


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Naquele tempo eu não sabia se estaria tudo bem, eu nunca soube na verdade se um dia ficaria bem. Uma pobre menina, que aos oito anos foi afetada pela perda dos pais. Pobre menina. É esse o nome que usavam para se dirigir a mim quando passava na rua. Tsunade-Sama sempre me dizia para não ligar para aquelas pessoas, mesmo assim, aquele olhar de piedade me incomodava.

Foi então, que naquele dia, quando eu tinha apenas oito anos, eu o vi pela primeira vez. E finalmente, nada mais me incomodaria, por que minha atenção foi sugada totalmente por aqueles olhos negros, assim como o meu coração.

Algum tempo atrás - Konoha

- Tsunade-sama, me chamaram de testuda de novo! – detestava aquele apelido nojento, além do mais, minha testa nem é tão grande assim.

- Não ligue Sakura! Quanto mais você ligar pior – disse minha tutora.

Tsunade ou Tsunade-Hime como era chamada.
Uma mulher de respeito e muito popular em Konoha.
Apesar de ser sempre gentil com as pessoas, ninguém conhecia seu verdadeiro caráter. Bêbada, viciada em jogo e muito, mas muito mal-humorada. Estava na casa dos 50, porém era uma mulher muito elegante e só andava com roupas distintas. Os cabelos loiros, amarrados em duas partes atrás. A pele branca, reluzente, brilhava como seus olhos cor de mel. Tinha fartos seios e um corpo típico violão. Odiava andar de saia ou qualquer coisa do tipo, pois os homens sempre reparavam em suas belas pernas delineadas.

Estávamos andando pelo centro comercial do bairro, fomos ate lá comprar algumas coisas pra casa, já que agora não é mais ela e a simpática Shizune que ocupam a casa.

Shizune-San é uma sobrinha distante de Tsunade-Sama, uma linda garota de uns 20 anos, cabelos curtos pretos, num corte bem formal. Seus olhos negros realçavam sua pele branca. Ela sempre escondia o corpo numa roupa parecida com um kimono, era um traje preto, muito usado de onde viera, pelo menos foi o que ela me disse.

- Muito bem, Sakura. Eu vou ali e já volto – ah, ninguém sabe que você vai é em alguma casa de jogo, né? Tsunade-Sama! – se quiser dê uma volta, mas em uma hora estarei aqui hein...

Ah, era sempre assim, eu já estava me acostumando com aquela vida divertida, mas ao mesmo tempo muito problemática.

Sempre que ela resolvia dar uma "fugida", eu ia em direção ao parque que ficava ali perto. Longe daqueles olhares de pena que me incomodavam sempre. Longe daquelas crianças chatas que só sabiam rir de mim e me chamar de "Testuda".

Então eu corri, corri sem medo de ser feliz. Queria ver o verde das gramas, o vento na minha face, as borboletas que eram minhas amigas e tinham variedades de cores. Ah claro, a minha árvore preferida que levava o mesmo nome que eu. Entretanto, enquanto eu corria feliz com um sorriso de ponta a ponta, senti meu corpo ir de encontro a outro com toda a força, me arremessando direto naquele chão sujo.

- Ai! – gritei num tom fino

Minhas costas estavam tão doloridas, que meus olhos se mantinham fechados e espremidos, querendo que aquela dor insignificante passasse logo. Abri os olhos, ainda sentindo meu corpo doer. Meu vestido de renda branco estava um pouco sujo, mas nada como umas batidinhas com minhas mãos para tirar aquela poeira.

- Você está bem? – ouvi uma voz suave, era um pouco fina, um pouco grossa, mostrava certeza e confiança. Gostei daquela voz.

Ainda sentada, olhei para o alto aonde vi um garoto. Na faixa de uns 13 anos, usava uma camisa pólo preta com uma bermuda bege. Olhos negros e a pele parda. Tinha uma cicatriz no rosto dos dois lados do nariz. O que me fez ficar curiosa.

- Hey! Perguntei se você está bem? – indagou aquela voz com mais firmeza.

Percebi então, que não era aquele simpático moço que havia perguntado. Apesar daquela cara de preocupação. Levantei mais os olhos, me deparando, com os olhos mais intensos e mais negros que já havia visto. Como brilhavam. Como uma solitária estrela no céu.
O garoto estava nas costas do outro mais velho. Equilibrava-se enquanto se inclinava para poder me ver. Ele me encarava um pouco preocupado e isso me fez corar totalmente.

- Ahh... Hai... Eu estou bem! – respondi tão rápido, que quase me engasguei.

- A onee-chan não se machucou mesmo? – ah agora sim, era o mais velho que falava.

- Não! – balbuciei ainda encantada com sua simpatia – Me desculpe...

- Não precisa se desculpar, onee-chan. – sorriu

- Claro que sim, ela que atravessou seu caminho nii-san! – retrucou o outro – Deveria olhar por onde anda, sabia garota!

Aquelas palavras que ele havia me proferido eram duras, a expressão dele era pior ainda, mas o que eu poderia fazer, afinal ele tinha razão.

- Desculpe... – abaixei a cabeça, prendendo o choro

- Não, que isso! Não ligue pro meu irmão, ele é muito ciumento – sussurrou a última palavra, como se estivesse contando um segredo. O que me fez rir.

- Itachi! – dessa vez o caçula ficou irritado.

- Estamos indo não é, Sasuke? – fitou o outro - Tome cuidado da próxima vez viu! – Itachi, gostei dele. Os dois passaram por mim, andando pelo resto da rua. Eu ainda fiquei a vê-los, olhando para o garoto que estava apoiado nas costas. E por alguma razão, meu coração frágil que não conhecia nenhum sentimento começou a palpitar mais rápido.

Sem perceber, quando olhei novamente para eles, aquele garoto estava olhando para mim. Com aqueles olhos tão lindos.

Foi quando vi um pequeno sorriso discreto, brotar em seus lábios. Singelo, carinhoso, perfeito. Todas essas palavras vinham em minha pequena mente, porém apenas uma palavra permanecia.

- Sasuke...

Capitulo 2 - Você pode estar feliz e eu não vou saber.

O barulho do interfone soava incômodo aos seus ouvidos. Naquela manhã de quarta-feira, onde o sol se escondia e as nuvens cinzentas permaneciam no céu, quem mais poderia surgir às sete da manhã?

- Tomoe! Vai ver quem é pra mim! – gritou Sakura, da cozinha.

- Tá!

O barulho dos pés descalços da pequena Haruno no chão de madeira denunciavam sua falta de chinelo. O que deixava Sakura enfurecida, mas tudo bem, dar bronca às sete da manhã não estava em sua agenda.

- AHHHH NARUTO ONII-CHANNNN! – um escândalo se fez na porta.

A jovem mãe colocou a jarra de suco na mesa de café, se dirigindo a porta, enxugando suas mãos no pequeno pano de prato.

Na sala, avistou sua pequena filha, agarrada ao pescoço de um jovem loiro, vestindo uma camisa social azul e uma calça jeans preta bem discreta, acompanhada de sapatos marrons de couro.

- Naruto! – chamou a única pessoa na terra que poderia lhe incomodar àquela hora.

Os olhos brilhantes azulados se dirigiam ao pequeno corredor que ligava a sala e a cozinha.

- SAKURA! – trazendo Tomoe junto em seu colo, o lindo rapaz veio direto para um abraço coletivo.

Depois de muito se apertarem, se afastaram tendo uma visão melhor um do outro.

- Cara tu ta muito gos... arr... Quer dizer... Bonita! Sakura-chan...

Sakura-chan? Por que ele nunca largava aquele sufixo de infância. Bem, era melhor deixar pra lá.

- Você também esta muito bonito Naruto.

Realmente, o loiro estava com tudo em cima. Um corpo invejável e uma comissão de trás bem desejável aos olhos verdes de Sakura, que discretamente lançava uns olhares maliciosos para aquela região. Também seu cabelo estava diferente. Não usava mais aquelas bandanas que deixavam seu cabelo arrepiado, mas agora deixava seus fios loiros soltos, com uma leve franja que cobria um pouco sua testa, seus cabelos estavam longos ate a altura de sua nuca, picotado nas pontas.

- O que tu quer uma hora dessas Naruto! – reclamou de brincadeira, apenas para voltarem ao clima de sempre.

- Ah, que mau-humor, Sakura-chan! – desceu Tomoe de seu colo, acompanhando a dona dos cabelos róseos até a cozinha.

- Mau-humor... Nem me fale, tenho tanta consulta hoje no hospital que fico maluca.

- Ninguém mandou ser uma médica bem requisitada.

- É mesmo né!

O pano de prato foi parar na cara de Naruto, enquanto a médica apenas ria junto com o próprio. Conversaram sobre várias coisas, afinal, não se viam há tanto tempo, há três meses no certo, mas para os dois era tempo demais. Eram inseparáveis, verdadeiros irmãos.

- E então, está gostando de Tókio? – indagou Naruto, comendo um pedaço de torrada com geléia.

- Aham... Aqui é o mundo, Naruto! Apesar de que eu não queria sair de Osaka, já estava acostumada com o ambiente de lá, sabe. Fazer o que né! – suspirou, colocando seus pés em cima do acento aonde se acomodava – Aqui meu trabalho é muito mais bem pago, ainda tenho chances de poder ir adiante com ele.

- É, eu sei, foi como eu te disse, você nasceu pra brilhar! – Afirmou com a boca cheia – pô tem "Lamen" ai não?

- Tomoe comprou um monte em caixinhas, caso você aparecesse.

Falando nela, a linda garotinha chegou até a cozinha. Abrindo a geladeira e pegando um pouco de leite.

- Okka-san, o Naruto onii-chan vai dormir aqui hoje? – indagou curiosa

- Não, o Naruto tem muito que fazer hoje não é, e a senhorita tome cuidado pra não derramar leite no seu uniforme.

O uniforme era um típico japonês, no estilo marinheiro. Na cor azul escuro com o pequeno laço amarelo. Uma boina azul inclinada para a direita, deixando a menina mais linda do que já era.

- Anda garota, vai pegar sua mochila, já está na hora de irmos.

Lá se foi ela, correndo pela casa, ainda de pés descalços.
Naruto, devorando as torradas com sua incrível educação.

Sorriu discreta, estava adorando aquela visita, ter Naruto por perto sempre a acalmava.
Levantou-se indo em direção a pia. Pegando alguns copos e lavando-os.

Uma verdadeira mulher. Pensou o loiro entre uma mordida e uma golada no suco. Na verdade, sempre acreditou que ela sobreviveria àquela perda e venceria aquela gravidez. Sempre esteve do lado dela, mas sofria ao ver a mudança da garota tão doce numa mulher amargurada e totalmente fechada.

- Ela esta cada vez mais parecida com ele...

O copo deslizou em suas mãos, quase caindo, se não fosse por seus reflexos.

- Até quando Sakura... Irá esconder dela sobre o Sasuke?

Um olhar de fúria foi lançado para aquele homem sentado em sua mesa. O copo foi deixado na pia e suas mãos ocuparam em agarrar a gola da camisa social que o loiro usava.

- Quantas vezes, hein! Quantas vezes eu já disse que não quero ouvir esse nome dentro da minha casa, Naruto! – disse num murmúrio de ódio.

O loiro nada disse, apenas ficou encarando aqueles olhos verdes que estavam repletos de raiva na sua frente. Aqueles olhos enfurecidos pelo ódio que tinha.

- Eu daria qualquer coisa, pra não te ver sofrer desse jeito... Sakura – murmurou

Os olhos esmeraldas voltavam ao normal, deparando-se com o que o seu impulso inconsequente a fez fazer. Com as mãos agora trêmulas ela soltava a gola que segurava antes firmemente. Os olhos fitavam o chão e seu corpo procurava a cadeira mais perto.

- Me desculpe... Eu não queria... Não queria...

- Tudo bem – sorriu – eu sei que é difícil, mas você precisa compreender que não vai poder mais esconder isso por muito tempo.

- Eu sei – passava as mãos pelos fios róseos, tentando buscar fôlego

- Então, você sabe aonde ele esta, por que não o procura... Por que não diz a ele a verdade.

- Eu nunca irei dizer! – levantou-se – Vir para Tókio também foi um erro, eu não sabia, não sabia que ele voltaria, ainda menos que moraria aqui.

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Eu soube de sua vinda para o Japão assim que cheguei a Tókio. Pelo jornal, nas colunas sociais.

"O herdeiro da melhor faculdade do país está de volta"

Conhecendo-te como eu pensava que te conhecia. Você deve ter detestado. Assim como eu detestei saber que você esta aqui.

Não tenho paz. Não consigo andar na rua sem ter aquele aperto no coração, achando que de repente, sem querer, você acabe cruzando meu caminho. No metrô, no ônibus, em todo o lugar. Eu tenho medo. Medo de vê-lo outra vez, de ter que encarar seus olhos e nem ao menos saber se eles me conheceriam.

Eu te odeio. Por me fazer sentir tudo isso.

Eu te odeio. Por ainda ter uma parte que ainda guarda suas lembranças.

Naruto... Se eu o visse agora, como você acha que eu reagiria?

Embora eu ainda não saiba.

Essa duvida ainda é assustadora.

x-x-x-x-x

Alvoroço. Um vasto alvoroço se seguia naquele amplo lugar no formato de uma sala de cinema. Jovens, adultos, todos eles estavam antenados em algum acontecimento do momento. Ora discutindo sobre o político corrupto, ora falando mal de alguém ou quem sabe, marcando aquela saída a um barzinho por perto.

Aquilo tudo ficaria para outra hora. Por que agora ele chegava à sala.

Blaf! Fez a porta ao se abrir violentamente.

Todos que estavam em pé correram para seus assentos. Aqueles que riam e debochavam calaram-se imediatamente.

O único som que podia ser ouvido era do seu sapato deslizando pelo chão liso.

Fazia questão de analisar um por um, encarar aquela turma com seus olhos ônix sem que passasse alguma emoção e sim total indiferença.
Parou no meio da sala, ainda fixando seus orbes em certo aluno que deveria estar calado, mas estava de cochichos com outro aluno do lado, que sutilmente o cutucava para esse calar-se.

- Harada... – a voz grossa e suave, fazia algumas alunas suspirarem ao fundo.

O garoto gelou. Girando seu pescoço lentamente para a direção do seu rígido professor.

- Hai... S-Sasuke-Sama-a – gaguejou, engolindo o seco.

- Menos dois pontos – disse plácido

Fazer o que, era essa a realidade. Frio, egocêntrico, maluco. Apelidos dados por aqueles marmanjos que se sustentavam pelo dinheiro que seus pais lhe davam. Um bando de inconsequentes que não mereciam estar ali.
Suspirou... Afinal quem ditava as regras era ele. O professor de Direito Internacional Público.

Encostou-se ao quadro branco de costas. Escondendo suas mãos na calça social preta que vestia.

- A entrega do último trabalho que eu pedi é hoje, então, tratem de me entregar.

Um cochicho se iniciou e dessa vez ele iria deixar passar. Já que estava cansado demais para sequer dar um de seus olhares fulminantes.

Andou até sua mesa vagarosamente. Ainda de pé se curvou para chamar o primeiro nome da lista dos que tinham que lhe entregar o bendito trabalho.

- Sachiko! – chamou-a

Uma bela jovem que sentava numa das mesas à frente. Levantou-se rapidamente.

Segurando um bloco de folhas que continham no mínimo 50 paginas, andou ate a mesa, depositando as folhas impressas e grampeadas na mesma.

- A-aqui sensei... – sua voz nervosa e tremida saiu num fio.

Sasuke olhou de banda para o monte, anotando alguma coisa depois em seu diário.

- Não vai ver? – perguntou a garota, ainda com a voz falha

- Pode se sentar! – ordenou

Mesmo com a ordem de despensa ela continuava ali. Parada. Com seus olhos castanhos claros atentos na direção do peito do Uchiha. Olhava atentamente para aquele lugar onde estava totalmente visível, para a sua farta alegria. A camiseta branca estava com os três botões desabotoados, deixando a mostra à pele clara que fazia muitas enlouquecer.

- Eu já não disse pra sentar Sachiko-san? – indagou fitando-a

Parecia que a garota não ouvira suas palavras. Pois sua atenção estava focada em certo ponto de seu corpo bem trabalhado. Seguiu os olhos dela, vendo sua camisa desabotoada. Era de se esperar.

Olhou-a novamente, vendo que a mesma ainda não tinha se tocado da gafe que estava fazendo. Os orbes daquela garota chegavam a brilhar de desejo. Perguntava-se no que será que ela deveria estar pensando. Não importava, mas tinha que admitir o quanto se divertia deixando uma mulher naquele estado. Era tão delicioso vê-la apertar a ponta da saia com força, com suas duas mãos. Vendo os lábios dela se distanciarem um do outro, para deixar aquela respiração compulsiva sair de seus pulmões. Realmente, aquilo era interessante.

- É melhor parar de ficar olhando e se sentar não acha?

Finalmente, o transe foi quebrado. Os orbes assustados se encontraram com os negros intensos.

- M-me d-desc-culpe! – atrapalhada, ela saiu rápido envergonhada

Ele apenas suspirou, já estava acostumado.

- Próximo!

x-x-x-x-x

O barulho de batidas sutis na porta o fez desviar a atenção daqueles papéis que analisava.

- Entre!

Uma silhueta apareceu em sua porta, usando um terninho de cor vinho. Seus cabelos presos num tipo de coque, com uma presilha no formato de uma flor, algumas madeixas ficavam soltas, fazendo uma pequena franja em seu cabelo azul escuro.

- Desculpe o incomodo Sasuke-sama, eu sei que não queria ser incomodado, mas tem um senhor loiro histérico que diz que precisa falar com o senhor... Devo chamar a segurança?

- Loiro histérico né... Só pode ser aquele imbecil – revirou os olhos – mande-o entrar, Konan.

- Como quiser...

A discreta secretaria se retirou, logo em seguida o tal "loiro histérico" já entrava com tudo na grande sala da presidência.

- Teme! – um grito fino penetrou em seus ouvidos, será que era difícil ele falar baixo?

Sasuke revirou seus olhos até a figura risonha que estava prostrada em sua porta. Colocou os papéis que lia em silêncio em sua mesa, andando em direção a cadeira, acomodando-se.

- Ah é você – disse impaciente.

O loiro juntou as sobrancelhas em forma de total protesto. Já era a segunda vez só naquele dia que alguém o tratava com desdém. Suspirou derrotado fechando a porta, enquanto pensava com seus botões porque era tão "querido".

- O que quer? – disse o Uchiha sem muita paciência.

- O que eu quero... Hum... Além de te encher... Te chamar pra beber lá em casa hoje.

Sasuke o fitou indiferente e sorriu debochado. O que ele pensava da vida?

- Acha que eu tenho o seu tempo precioso? – disse irônico – Me poupe...

- Ah fala sério, por que não quer ir lá em casa? Vai me dizer que você tem coisas muito mais interessantes pra fazer do que ir lá em casa festejar com seu amigo querido – cruzou os braços, revoltado.

- Sim, Naruto... Eu tenho coisas muito mais importantes pra fazer... Como ter uma reunião com meus sócios daqui a meia-hora – suspirou

- Ah é? E depois?

- Depois o que?

- Depois da reunião caramba! - bateu com as mãos na mesa

- Depois da reunião eu vou pra casa...

- Opa! Minha casa você quis dizer! – sorriu exuberante

Impressionante. Como aquela criatura conseguia ser tão chata? Colocou suas mãos no rosto, inclinando o corpo para trás. Sentia-se observado pelos orbes azulados que esperavam uma resposta. Pensou. Depois daquela reunião chata aonde todos puxariam seu saco, ele ia precisar mesmo de um gole do saque mais vagabundo que podia encontrar.

- Ta, eu vou... – derrotado, resolveu concordar.

- Isso – sorriu vitorioso – Chega lá pra umas oito – disse, caminhando em direção a porta.

- Ta... Não quer ficar e comer alguma coisa? – sugeriu, mas onde estava com sua cabeça pra sugerir algo do tipo

- Não... Tomei um café da manhã tão bom na casa da...

O loiro perdeu as palavras. Hesitou em terminar de falar.

O Uchiha o fitou um pouco incerto, mas já podia imaginar de quem ele estava falando. Ela realmente estava por perto.

- Então ta, vai logo! – despachou-o

Naruto sorriu de banda, abrindo a porta, porém antes de ir virou-se para dizer alguma coisa.

- Ela está bem...

- O que? – fitou-o surpreso

- Não é isso que você queria me perguntar? Se ela estava bem... Então estou te respondendo. Ela está bem, Sasuke.

Não fazia idéia de como ele lera sua mente, também não faria nenhuma questão de saber. Confessava para si que se sentia aliviado em saber disso.

A porta bateu antes mesmo dele argumentar qualquer coisa. Naruto tinha ido, mas aquela afirmação ainda continuava em sua cabeça. Ela estava bem... Ele disse. Era a única noticia que sabia dela nesses oito anos em que nunca mais se viram.

- Oito anos... né?

Quanto tempo, desde daquele lamentável dia. A escolha que tomou e seguiu, apenas serviu como salvação para a sua família. Família egoísta que só pensava em grandeza. Já estava de saco cheio, saco cheio de ser aquele homem da realeza em que todos respeitam e veneram. Mal sabiam eles o tipo de pessoa cruel e infame que ele era.

Ter tudo e ao mesmo tempo não ter absolutamente nada. Era assim que se sentia todos os dias de sua vida. Apenas um corpo vazio.

E ela? Como estava? Feliz... Imensamente feliz? Naruto sempre lhe dizia que sim, que ela estava bem. Nesse tempo todo, a única coisa que sabia da mulher que deixou para trás é que esta estava bem.

Onde ela estava? Com quem ela estava? Que caminho ela havia escolhido? Quantas vezes ela lembrou-se de seus momentos juntos? Ela realmente lembrava-se deles? Talvez não...

Talvez ele nunca mais soubesse.

- O que será que você deve está fazendo agora... Sakura?