O Décimo Vongola suspirava pela vigésima vez só naquela manhã, estava tentando acompanhar o que se passava à sua frente, mal sabia quanto tempo havia se passado desde que a confusão começou. A princípio achou que aproveitaria o dia com a típica paz de Namimori trabalhando com sossego pela manhã e tiraria a tarde para passear com sua esposa, mas para sua infelicidade, dois indivíduos estavam tomando seu tempo e lhe dando dor de cabeça.
Haru havia ido cedo em seu escritório para reclamar sobre o dia anterior e Gokudera chegou logo após, não demorou muito para que os dois começassem a discutir.
Estavam tão entretidos em reclamarem um do outro que Tsuna já havia desistido de tentar pará-los, e não estava surpreso, já esperava que isso viria a acontecer. Com tanto barulho, os outros membros da família se aglomeraram em seu escritório para ver o que acontecia.
- Você só está dando dor de cabeça para o Juudaime!
- Se Gokudera-San soubesse como tratar uma dama, não estaríamos nessa situação! – Haru retruca apontando o dedo para o acusado.
- Não aponte para mim desse jeito, estúpida – Empurra a mão da morena.
- Ora seu...Haru não é estúpida!
A briga mesquinha se torna física, Haru tenta inutilmente dar-lhe pequenos socos enquanto Gokudera a segura enquanto xinga em italiano, neste momento Yamamoto e Ryohei correm para separá-los, Tsuna já estava se levantando para dar um sermão aos dois quando duas figuras familiares aparecem na porta.
- Reborn?! –Tsuna estranha a chegada repentina de seu ex professor.
- A-Aneki!
Gokudera começa a perder o equilíbrio ao ver sua irmã, diferente de antigamente ele não fica inconsciente, depois de muita insistência de seu chefe, passou a frequentar uma psicóloga para ajudar a superar seu trauma com o Poison Cooking de Bianchi. Agora conseguia virar de costas para se recuperar antes que perdesse a consciência por ver sua irmã.
- Bianchi-San! Reborn-Chan! – Haru sai de uma suposta pose de luta para cumprimentar os recém chegados.
- Ora, mas que recepção é essa? – Diz Reborn com um sorriso ao notar o rosto de seu aluno. Ele já não estava mais em sua forma de bebê, aparentava ter quinze anos de idade.
- Achei que avisaria para buscarmos vocês no aeroporto – Comenta Tsuna.
- Nós ligamos várias vezes, mas você não atendia – Bianchi dá de ombros – Se estivéssemos esperando sua ajuda, já estaríamos mortos.
Reborn sorri, Bianchi falava numa normalidade que deixava Tsuna assustado, mas também não é como se alguém fosse besta o bastante para atacar o assassino mais forte do mundo junto da escorpiã venenosa, o que deixava-o mais aliviado.
- Onde está Alessa? – Yamamoto pergunta olhando ao redor.
- Ela desceu do táxi no centro, falou algo sobre vitrine e luneta de visão noturna.
Após a reposta do ex-arcobaleno sobre sua amada, Yamamoto sai na velocidade da luz em direção ao centro, dizendo que daqui a pouco estaria de volta.
- Ah o amor... –Bianchi suspira ao ver o espadachim correr.
- Então, estavam em alguma reunião rápida aqui? – Questiona Reborn com as mãos no bolso.
- Na verdade, Haru estava fazendo uma reclamação sobre Gokudera-Kun.
- Isso mesmo! – Haru cruza os braços – Insensível desu!
Gokudera revirou os olhos, porém resolveu não retrucar a mulher, ainda estava tentando ignorar o mal estar por ver Bianchi.
- Ora, mas o que Hayato aprontou dessa vez?
- Bem, ele estava a escoltar Haru e...
Tsuna se assusta ao escutar o barulho da testa de Gokudera ao encontro de sua mesa em uma reverência exagerada.
- D-desculpa Juudaime!
Essa era uma cena que não se via há tempos, seu guardião parecia desesperado para dar um fim àquela conversa e não ter que dar explicações à sua irmã.
- T-tudo bem, Gokudera-Kun, posso colocar outra pessoa no seu lugar.
- Sério? Só isso? – Bianchi encara Tsuna – Se ele aprontou, é dever do chefe colocá-lo na linha.
Todos na sala ficam meio chocados após a fala de Bianchi, ela parecia bem séria. Hayato estava se perguntando o que diabos sua irmã estava aprontando.
- Não deixe ele se safar tão facilmente – Bianchi se aproxima e coloca ambas as mãos na mesa do décimo e o encara de perto. Tsuna engole seco – Ele deve continuar com o trabalho até entrar no eixo.
Com a situação ali na frente deles, Bianchi viu a hora perfeita para começar seu questionamento à autoridade do jovem chefe.
Os dois haviam combinado no avião que iriam brincar um pouco com liderança de Tsuna, já que não se viam há algumas semanas. O ex-arcobaleno decidiu dar lições de uma maneira mais divertida, mesmo que seu aluno já esteja sendo um grande exemplo de chefe atualmente.
Assim que percebeu o que Bianchi já estava pondo em prática, Reborn entra na brincadeira concordando com a amante.
- Concordo com a Bianchi, Tsuna – Reborn e Bianchi trocam um sorriso diabólico ao ver o décimo chefe sem palavras, totalmente assustado com a mudança de humor repentina da Gokudera mais velha.
- MAS O QUE... – Gokudera ia intervir se não fosse sua irmã apertando seu rosto com ambas as mãos e puxando para perto de seu rosto. Foi inevitável não passar mal com a quantidade de tempo em que Bianchi o encarou, era muito mais do que suportava, conseguia se segurar ao vê-la por uns dois minutos, é o máximo que conseguia mesmo com as sessões de psicologia.
- Haru é uma das únicas pessoas que tem coragem de afrontar Hayato, quem seria melhor para ajustá-lo?
- Hahi! Vai sobrar pra haru?! – A Miura aponta para si mesma.
Bianchi com ajuda de Ryohei colocam Hayato no chão após o mesmo começar a dar indícios de desmaio.
- Não pense assim, Haru – Diz a escorpiã venenosa ao se aproximar da morena após ajeitar o irmão – Analise comigo, você já é uma mulher bem sucedida, bonita e inteligente...
Gokudera ainda meio consciente tenta dizer algo, mas não consegue soltar nada além de resmungos incompreensivos, o que não são suficientes o bastante para impedir Bianchi de continuar bajulando Haru.
- É totalmente capaz de transformar meu irmãozinho em um verdadeiro cavalheiro.
A Miura já convencida com tantos elogios vindos de uma das mulheres que sempre admirou, olha para Gokudera desmaiado no chão e depois para Bianchi e pensa que talvez, só talvez poderia perdoá-lo pelo dia anterior, e repensar na proposta de ter Gokudera ao seu lado como guarda-costas.
- Bem, se Tsuna-san disser que tenho que cuidar de Gokudera-san, eu irei.
Todos olham para o chefe esperando uma resposta. Tsuna simplesmente suspira e concorda com a cabeça, por mais que a verdade era que seu guardião iria cuidar dela. Era incrível a habilidade de Bianchi para persuadir alguém e Haru mudar de opinião tão rápido depois de elogios.
- Ótimo! – Bianchi fala antes que Sawada pudesse dizer algo – Conto com você.
Ao perceber que Gokudera começa a recuperar a consciência, Bianchi aproveita pra carregar Hayato junto a Haru para fora do hotel onde estava sendo o escritório temporário da Vongola. A de cabelos rosados pede um táxi e paga com o dinheiro que tinha na carteira do caçula, mandando Haru para casa depois de todo o alvoroço e obviamente obrigando Hayato a retornar sua função de garantir a segurança de Miura.
Ao chegarem na casa da morena, Gokudera não tirou a carranca desde que acordara dentro do táxi. Passou a observar a grande casa, impressionou-se ao ver a decoração requintada que nem parecia pertencer à Haru, o lugar também era bastante espaçoso, tinha até uma escada que dava acesso ao outro andar, claro não era tão grande quanto a mansão onde havia morado quando criança mas ainda sim parecia uma.
- Fique à vontade Gokudera-san.
- Achei que iriamos à confeitaria.
- Hoje é o primeiro dia de férias, então Haru resolveu tirar um dia de folga para dar faxina na casa!
Ele se senta em uma das poltronas da sala ignorando a fala dela completamente e pega seu celular para passar o tempo. Quando ia desbloquear o aparelho, a Miura segura seu braço o impedindo de continuar.
- O que pensa que está fazendo?
- Não achou que eu fosse limpar sozinha, achou? – O obriga a se levantar, colocando um avental rosa e lhe entregando uma vassoura.
Gokudera a olha irritado, o sorriso convencido estampado no rosto da Miura era de dar nos nervos. Mas claro, como poderia esquecer que a mulher estúpida estava com o ego lá em cima graças a Bianchi na confusão de mais cedo. Agora teria que arranjar uma maneira de sair dessa situação, uma vez que sua raiva parecia não afetar a animação da mulher.
Maldita seja sua irmã.
Fazer missão em sua terra natal era sempre uma aventura para Yamamoto. Depois de deixar sua namorada em casa, o espadachim se encontrava na frente de uma casa de jogos ao lado de Hibari.
Seguindo as instruções do líder Vongola, o Guardião da Chuva e o Guardião da Nuvem foram cuidadosamente para um local onde conseguiriam informações sobre Ferretti.
Yamamoto ainda se perguntava como Hibari conseguira tão rápido pistas sobre essa família, mas decidiu não questionar Kyoya, e apenas o seguiu silenciosamente ao seu lado. Pelo que entendeu, aquele lugar haveria pista sobre as ações duvidosas da nova ameaça a Vongola.
- Chegou a hora.
- Não, espere! – Yamamoto impede Hibari segurando suas tonfas já prontas para atacar.
- O que está fazendo Yamamoto Takeshi?
O guardião da Chuva engole em seco, sabia que Hibari não era fã de trabalhar em conjunto, portanto, não poderia arriscar a missão. Então tentou calmamente convencer Hibari que era melhor não fazer um estardalhaço e sim verificar o lugar em uma simples missão de reconhecimento.
- Hibari, pelo bem da segurança da cidade, não é melhor entrar sem chamar atenção para nós? Assim, com um pouco de carisma e persuasão conseguiríamos as informações para Tsuna.
O guardião da Nuvem pareceu refletir as palavras de Yamamoto e calmamente caminhou a porta de entrada do local. De repente acertou um chute arrombando a porta assustando todos dentro do estabelecimento.
- Vou manter a segurança de Namimori batendo nesses imbecis até a morte. Você faça o que quiser, só não fique no meu caminho.
Yamamoto suspira e logo trata de não deixar ninguém escapar enquanto o parceiro fazia o trabalho duro.
Olhando para dentro do lugar percebeu que era uma casa de jogos qualquer. O ambiente era fechado, não havia janelas e nem relógios, típico, justamente para que você perca a noção do tempo. As paredes possuem cores fortes, como o vermelho, os pisos escuros, fazendo o ambiente parecer mais desafiador, até um pouco intimidador. Portanto Yamamoto estranhou o fato que ali estavam só membros da Momokyokai e alguns civis.
Kyoya abatia os membros da Momokyokai sem dó. Três herbívoros vieram correndo e gritando na direção dele com espadas e armas, usando suas tonfas, Hibari acertou o queixo de dois e o que restou apenas lhe apontava uma arma com as mãos tremendo.
Em apenas alguns segundos todos os que estavam no estabelecimento jaziam no chão derrotados, apenas pelo homem de aparência jovem que ainda segurava a arma, que logo a soltou e levantou suas mãos em forma de redenção.
Takeshi percebendo que não teriam problemas com o rapaz assustado, permite que os civis saiam do estabelecimento, afinal não tinham nada a ver com a situação. Então tenta tirar informações do único "inimigo" ainda consciente ali, antes que o parceiro também o faça ficar desacordado.
- Por favor, não me machuque, não fiz nada de errado! – O homem suplica quando o espadachim o puxa pelo colarinho.
- O que sabe sobre a família Ferretti?
Hã? Eu não sei do que está falando, nos só trabalhamos para Yakuza!
Takeshi já havia estranhado o porquê da suposta informação os ter levado para um lugar coordenado pela Yakuza, e agora o homem negava1 saber de algo sobre a tal famí as informações de Hibari erradas?
O guardião mais forte se aproxima olhando mortalmente ao homem, levantando suas tonfas.
- Herbívoros mentirosos não merecem viver.
O capanga tremendo começa a gritar.
- Eu juro que não sei de nada, apenas obedecemos o Cassino Central da Yakuza! Por favor poupe minha vida!
- Então você sabe de alguma coisa afinal, agora me responda, onde fica esse Cassino central?
Depois de muita dificuldade por estar bastante assustado, o homem passa as informações escritas em um guardanapo para a dupla de guardiões.
Os dois saem do local em direção a residência dos Sawada. O guardião da chuva não deixou de perceber que Kyoya estava levando muito bem o fato da missão não ter dado muito resultado. Parecia que já esperava que algo do tipo viesse a acontecer, no entanto deixou para lá, não é como se o guardião da nuvem lhe dissesse o motivo caso perguntasse.
Após parar com seus pensamentos sobre Hibari, Takeshi pega o celular no bolso da calça, desbloqueia a tela e manda uma mensagem para seu chefe avisando que havia ocorrido tudo bem e que estavam indo para relatar, em seguida guarda o aparelho no bolso novamente e continua sua caminhada silenciosa ao lado de Kyoya.
