"Você sabia que Santana Lopez praticava atividades ilegais de vigilância?" A detetive Mesquita perguntou.

"Não." Quinn respondeu sem alterar o tom de voz.

"Você sabe que ocultar crimes ou criminosos também é passível de processos, senhorita Fabray? Mentir em depoimento também pode encrencá-la?"

"Estou ciente. O que eu não estou ciente é de quais crimes a senhorita Lopez supostamente praticou."

"Agressões, destruição de patrimônio público. Isso para citar alguns."

"Como o fato de ela ter arrancado uma placa de trânsito para lutar contra literalmente um monstro?"

A detetive Mesquita suspirou e cruzou os braços. Como era difícil tentar incriminar alguém como a vigilante. A verdade era que nem ela estava mais naquele caso com convicção.

"Então me explica como é que a senhorita pode conviver com a senhorita Lopez por todo esse tempo, ter residência atual em um dos imóveis que estão no nome dela, trabalhar como assistente do advogado de defesa dela e da senhorita Berry, e não saber que ela era uma das vigilantes?"

"Porque essa foi uma parte da vida dela que não foi dividida comigo. Entenda, detetive, que nós formamos uma família nesta cidade. Uma por escolha. Mas não quer dizer que tenhamos que dividir absolutamente tudo entre nós."

"Você não acha estranho que a senhorita Lopez tenha recebido de herança de duas propriedades, e cedeu uma delas para você morar, e ainda permanecer em um dormitório?"

"Você está atrás de fatos ou da minha opinião especulativa, detetive?"

"Eu quero esclarecer essa questão, senhorita Fabray."

"O que eu sei é que Santana já ocupava o apartamento, que ela se mudaria em definitivo tão logo se formasse. A cabana estava vazia, e ela não tinha planos para morar lá. Por isso me ofereceu a propriedade, já que eu estava com problemas em pagar o aluguel. É o que qualquer pessoa razoável faria, não é mesmo? Santana não me cobra aluguel, mas eu pago as demais despesas da casa."

"Você sabe o que levou senhor Grant Fish a deixar duas propriedades a senhorita Lopez? Qual era a relação entre os dois?"

"Eu mal conheci o senhor Grant Fish para saber o que ele fazia ou deixava de fazer. O que sei é que ele e Santana eram amigos próximos."

"O senhor Fish era um vigilante?"

"Se eu não sabia sobre Santana, que é próxima de mim, acha mesmo que eu saberia qualquer coisa nesse sentido sobre Grant Fish, que eu mal conheci?"

"Você, que é mãe de uma pequena garota, apoia as atividades ilegais da senhorita Lopez, mesmo a considerando como alguém da família?"

"Mais uma vez, detetive, você quer fatos ou a minha opinião? Eu não estou aqui para especular sobre situações hipotéticas ou dizer a minha opinião. Esse depoimento é para esclarecer fatos. Então, vamos nos manter aos fatos?"

A detetive encarou Quinn Fabray e um arrepio percorreu a espinha dela. A sala estava mais fria que o normal, ou era impressão dela? De qualquer forma, ela sabia que não extrairia nada de consistente em alguém tão controlado, e que estava sendo treinado para frequentar tribunais. Não seria com Quinn Fabray que ela conseguiria resolver o caso.

...

"Você sabia que a senhorita Lopez era a vigilante?"

"Eu sabia que ela era uma vigilante, não a vigilante. Há mais de um, caso não tenha percebido."

A detetive apertou os olhos contra Mercedes. A jornalista era conhecida como uma defensora dos vigilantes e agora era sabido que ela tinha uma boa razão para tal.

"Como soube que senhorita Lopez era a vigilante?"

"Talvez por que nós dividimos um dormitório há quatro anos? Ou talvez por que eu sou boa em descobrir coisas?"

"Quando foi que descobriu?"

"O que exatamente eu descobri?"

"Que Santana Lopez era vigilante?"

"Eu já sabia que Santana tinha força sobrehumana antes mesmo de ela vestir uma máscara. Pouco tempo depois nós conhecemos Grant Fish, que tinha certas habilidades também. Os dois formaram a dupla original de vigilantes. Depois vieram outros. Santana não permitiu que eu me envolvesse, por isso eu só sei dela e de Grant."

"Qual era a relação entre Santana Lopez e Grant Fish?"

"Eram grandes amigos, parceiros."

"Você sabe por que Grant Fish deixou dois imóveis em nome de Santana Lopez?"

"Por causa das ameaças de Martinez em matar Santana. Grant tomou a frente e o confrontou, mas não antes de fazer algumas providências."

"Deixar o que tinha para Santana Lopez? Por quê?"

"Você nunca viu Santana atuando? Nunca viu os vídeos? Porque Santana é exatamente daquele jeito: pensa primeiro em salvar pessoas antes de pensar nas consequências que isso poderia trazer para ela. Grant queria que ela tivesse algum recurso para continuar o trabalho, para continuar a ajudar os outros. O que de fato ela fez: tentou ajudar Rachel a controlar os poderes dela, continuou a salvar pessoas, a entregar bandidos de toda sorte de mãos beijadas para vocês. E como vocês agradecem? A perseguindo."

"Você sabe quem são os outros vigilantes?"

"Não."

"Qual é o seu grau de envolvimento de outras pessoas como Grant Fish, Marley Rose, Ryder Lynn, Quinn Fabray, Rachel Berry, Arthur Abrams e Jennifer May?"

"Fabray e Abrams são amigos próximos. Berry foi minha colega no teatro amador. Fish era um amigo. May era apenas a namorada de Santana que eu conhecia. Nunca fomos amigas. Marley é a amiga de Santana, e eu não tenho nenhum relacionamento pessoal com Lynn."

"Qual é o grau de relacionamento de Santana Lopez com essas pessoas?"

"A única pessoa que pode responder que tipo de relacionamento Santana Lopez tem com essas pessoas é a própria Santana Lopez."

...

"Você sabia que Santana Lopez era a vigilante?"

"Sim." Marley respondeu.

"Quando exatamente, senhorita Rose?"

"Grant Fish me contou e deixou a incumbência de cuidar dos bens que ele deixou para Santana."

"Por quê?"

"Porque Santana Lopez tem o coração de manteiga e alma de artista. Ela é uma arquiteta que faz desenhos lindos no caderno de rascunho dela. Esse tipo de gente não sabe o preço do pão." A detetive Emília tentou em vão disfarçar a risadinha. Ela sabia que era verdade, porque o próprio namorado dela era daquele jeito: um idealista sonhador.

"Santana Lopez sabia que Grant deixaria bens para ela?"

"Santana não sabia de nada. Eu dei a notícia depois que Grant foi enterrado, e ela disse que recusaria os bens."

"Por que ela aceitou então?"

"Eu a convenci do contrário. Era o desejo de Grant."

"Quando foi que você e a senhorita Lopez se envolveram, romanticamente falando?"

"Bem depois disso."

"Senhorita May sabia que Santana era a vigilante?"

"Sim."

"Vocês conversavam a respeito?"

"Não."

"Por que não?"

"Porque eu nunca fui amiga de Jenny."

"Então como senhorita May sabia?"

"Jenny descobriu tudo. As duas tinham um relacionamento de anos, e Jenny não era míope como Lois Lane."

"A senhorita May sabia que você mantinha um relacionamento amoroso com Santana Lopez pelas costas dela?"

"Ela soube dias antes de morrer."

"Como a senhorita May reagiu?"

"Como uma namorada ciumenta reagiria quando sabe da traição. Jenny me confrontou."

"Vocês brigaram?"

"Não. Ela jogou na minha cara que eu sou insignificante, uma aventura de Santana, que eu iria passar. Coisas do tipo."

"O que a senhora fez?"

"Eu me afastei, obvio. Só voltei a ver Santana quando ela estava no hospital. Foi lá que eu soube da morte de Jenny."

"Com quem você estava quando a senhorita May atirou na vigilante."

"Com Ryder Lynn."

"Você conhecia Rachel Berry?"

"Vagamente."

"Você sabia que Rachel Berry e Santana Lopez tiveram um envolvimento prévio?"

"Sabia que elas eram amigas."

"Você tinha contato com Quinn Fabray, Mercedes Jones e Arthur Abrams?"

"Sim, eles são os amigos mais próximos de Santana."

"Vocês conversavam a respeito de Santana ser uma vigilante?"

"Não."

"Por que não?"

"Porque quando você trabalha com um segredo, você não espalha um segredo. Você o guarda até mesmo das pessoas que sabem o segredo. Santana fazia de tudo para preservar os amigos sobre a outra vida dela."

A detetive olhava para Marley e não sabia mais o que perguntar. Dispensou a jovem mulher com uma enorme frustração. Ela tinha recolhido o depoimento de todas as pessoas mais próximas de Santana Lopez, e todos os depoimentos batiam. Emília pegou os arquivos a respeito do assassinato de Grant Fish. Ela percebeu que algumas da pontas soltas a respeito do caso foram respondidas com alguns dos depoimentos. Era sabido que Martinez era dotado de poderes. Os planos dele com o antigo prefeito em montar uma equipe de notáveis desviando dinheiro público também foram expostos.

Até mesmo as circunstâncias que levaram Jenny a tentar matar Santana e Rachel estavam mais que esclarecidos. A detetive até que passou a simpatizar com a vigilante, apesar de achar que, no campo amoroso, achou Santana Lopez mereceu os tiros que levou. Por fim, ela sabia que não tinha elementos suficientes para acusar ou prender Santana Lopez, não podia coloca-la atrás das grandes por ter sido uma péssima namorada. Não foram encontrados nenhum documento ou objeto comprometedor na cabana, no apartamento e nem mesmo no dormitório de Santana Lopez. Então o que fazer?

Mesquita pegou a ficha de Rachel Berry. Leu o novo depoimento dela, detalhando como conheceu Santana, como os poderes dela começaram a se manifestar e como as duas se envolveram. O depoimento de Rachel batia com o de Kurt Hummel e também com o grupo chamado "amigos da vigilante". Havia algumas divergências com o depoimento de Finn Hudson, com o grupo chamado "amigos de Rachel", mas essas eram pessoas que tinham desconhecimento do quadro. A detetive sentia que Rachel Berry ainda podia a ser a chave de tudo. Que, talvez, se Rachel continuasse a ser pressionada pela polícia e pela justiça, os próprios vigilantes fossem forçados a se revelar e a elucidar o caso. Além disso, agora havia monstros bem maiores que a polícia não tinha como enfrentar sem ajuda. Era preciso ser esperto nesse jogo.

...

De volta ao apartamento do centro da cidade, Santana estava deitada no confortável sofá, sentindo-se ainda dolorida com o último embate. Apesar do corpo ainda em recuperação, ela prestava atenção nos últimos movimentos da equipe. George tinha acabado de scanear o apartamento em busca de escutas ou câmeras implantadas. Como o apartamento estava limpo, o grupo sentiu-se confortável para retomar aos encontros no local que, sem sombra de dúvidas, era muito mais confortável do que a casa cheia de quinquilharias como a de George.

Quinn explicava a teoria e o plano dela sobre intensificar as investigações do projeto Rangers levado em consideração os novos elementos. Que a equipe deveria se dividir e ir a campo para descobrir o que estava se passando, uma vez que a parte online da investigação apenas dava evidências parciais e circunstanciais.

"Audrey May é uma financiadora do projeto, juntamente com esse grupo de empresários." Quinn olhava para o quadro remodelado, recapitulando a situação. "Ela sabia sobre a dupla identidade de Santana, mas não está claro se foi Jenny quem contou, ou se ela sabia bem antes. É muito provável que alguém que trabalha para o grupo teve acesso ao vídeo antes que George tivesse a chance de apagar, o que mostra articulação. E o vídeo que incrimina Rachel e que expõe Santana foi solto em um momento preciso, milimétrico."

"Diga algo que a gente já não saiba, Fabray." Santana resmungou.

"Desculpe de eu estou pensando alto e colocando os pensamentos em ordem. Mas me diga aí, grande líder, o que você faria além de ficar deitada no sofá resmungando?"

"Eu iria atrás da fábrica de mr. Hydes. É a prioridade. Você e Mercedes deveria fazê-lo."

"Por que eu e Mercedes?" Quinn questionou.

"Porque eu sou a figura pública dos vigilantes e a peça mais manipulada. Tem paparazzo atrás de mim agora. Marley também é alvo porque foi exposto que nós duas estávamos juntas. A questão é que se eu morrer em campo ou falhar enfrentando Hydes, será agora um evento midiático, e cria-se a perfeita justificativa para introduzir o tal projeto ranger. Nós não sabemos quem eles são, e nem vamos por hora, porque eles serão introduzidos de maneira triunfal. É o maior segredo. A gente tem noção do que se trata e quem patrocina. Por outro lado, não temos as provas concretas. A prova concreta da manipulação é o laboratório que fabrica Hydes. Essa é a nossa melhor chance. Quer começar a investigar, Fabray? Então comece entrevistando a namorada ou a esposa do senhor Hyde. Enquanto isso, Artie e George podem começar rastreando sobre compras de químicos por parte desses cientistas suspeitos, ou coisa parecida."

"Okay, nós temos tarefas. Mas o que você vai fazer?" Quinn cruzou os braços.

"Eu vou ajudar Rachel."

"Simples assim?"

"Não é simples. Rachel é uma bomba ambulante. Diferente de nós, o poder de Rachel está muito ligado as emoções." Santana argumentou. "O fato de ela ter vivido experiências ruins na Metrópole pode também explicar o descontrole."

"Não é só poder dela que tem relações com as emoções. Os nossos também. Quando você está apurada na faculdade, qual a primeira coisa que você quebra?" Artie questionou.

"Teclados de computadores." Santana respondeu. "O stress da faculdade me fez quebrar pelo menos uns dez. É por isso que eu jamais uso o teclado do meu computador. Eu sempre uso um à parte, baratinho, conectado por bluetooth."

"Ponto um." Quinn exemplificou. "Eu sempre esfrio um pouco o ambiente quando fico nervosa ou estressada. Mesmo hoje, quando consigo controlar minhas habilidades. Matt me contou que ele fazia coisas se mexerem sem que ele quisesse quando perdia o controle emocional. Nossos poderes tem ligação com nossas emoções. Rachel não é especial nesse sentido."

"Mas nós controlamos nossos poderes. Rachel não. Além disso, ela também é um alvo." Santana respondeu, seguindo o raciocínio de Quinn.

"Pessoal!" George chamou atenção. "O trabalho de investigação e de dedução de vocês é bem legal de se acompanhar, mas temos outro ataque de Jekyll e Hyde na cidade."

"O quê?" Santana pulou do sofá e foi para o lado de George conferir o monitor. "É o mesmo cara?"

"Não dá para saber."

Santana suspirou e foi até o guarda-roupas. Levou apenas o colete a prova de balas e voltou para a sala com uma máscara em mãos. Era força do hábito.

"George, use a sua geringonça para dar cobertura ao Voador e a Ice Queen." Santana se referia aos possíveis drones ou observadores do lado de fora. "Eu vou pegar o elevador."

...

Santana correu pela contramão das pessoas. Rapidamente, ela viu o monstro segurando a cabeça de uma mulher, como se ela fosse uma boneca. A experiência prévia de Santana lhe mostrou que aquelas criaturas eram letais, e que todo cuidado era pouco. Por isso ela não se importou em lutar sujo. Correu por de trás da criatura, saltou e socou a nuca dela com toda força que tinha. A criatura soltou a mulher, deu dois passos para frente e caiu de joelhos. Foi o tempo necessário para Santana puxar a mulher para longe dali.

"Corre!" Ela disse.

"Por favor, não o mate. Ele é o meu marido."

Santana arregalou os olhos por trás da máscara. O marido dela? O que diabos estava acontecendo. Mas o tempo para perguntar viria depois.

"Pelo amor de deus, sai daqui."

"Promete que não vai mata-lo!" A mulher insistia.

"Vou fazer o meu melhor."

A criatura se levantou. Viu a esposa correndo para longe e a vigilante entre eles. Ele ficou possesso e gritou. Havia mais algumas pessoas por perto. Curiosos, aventureiros, gente que estava paralisada pelo medo. Tinha de tudo e aquele público era um risco.

"Por que a polícia nunca chega quando se precisa dela?" Santana resmungou.

A criatura a atacou, e ela primeiro desviou. Se fosse como o anterior então ela sabia que tinha de esperar força sobre-humana equiparada com a dela, a pele se tornava impenetrável, mas ainda era possível quebrar ossos. O intelecto não era totalmente suprimido, e tinha a aparência alterada, grotesca, embora os traços permanecessem de alguma maneira, identificáveis.

Santana percebeu que a criatura não estava interessada nela, mas na esposa. A vigilante correu atrás do monstro. Ela era mais rápida e tornou a saltar e a socar a criatura por trás. Mas, dessa vez, não conseguiu acertar em cheio.

"Eu vou te matar!" A criatura finalmente focou-se na vigilante.

"Então vem."

Santana não teve tempo de desviar do safanão que a fez voar dois ou três metros dali. Ela ficou um pouco atordoada com a pancada, mas não teve muito tempo para se recuperar. Logo precisou rolar para o lado de modo a evitar um chute. O monstro tentou pisá-la, mas Santana agarrou o pé dele e o empurrou, fazendo a criatura cair de costas e ela ganhar um pouco mais de tempo para retomar o fôlego. Nesse meio tempo a cavalaria apareceu. Santana franziu a testa com o uniforme de Quinn. Era algo estranho: a roupa preta e um exoesqueleto cuja função era aumentar um pouco a força física dela. Santana achou estranho quando viu o traje pela primeira vez e ainda não conseguia se acostumar.

"Eu vou lutar com ele de frente e você procure congelar o que puder tocar."

"Certo."

Era a primeira vez em muito tempo que Santana e Quinn faziam trabalho em equipe. Santana fazia o confronto direto, suportava a porrada de forma mais direta, enquanto Quinn circulava em torno do monstro, procurava se esquivar e quando encontrava uma abertura, esfriava com tudo que tinha. Isso provocava dormência nas partes dos corpos tocadas, o que facilitava substancialmente o trabalho de Santana em derrubá-lo.

"Ice, sai." Santana gritou antes de atingir o monstro com um tonel de lixo, derrubando-o de vez.

Santana olhou para o fim da rua, onde os policiais já faziam barricadas para isolar o local. Então olhou para o monstro, que estava atordoado.

"Coloque ele para dormir e vamos dar o fora daqui."

Quinn acenou e fez o que tinha de ser feito. Santana então a pegou pela mão e correu na direção oposta dos policiais. Uma mulher correu não em direção a elas, mas na do monstro. Essa mulher foi prontamente interceptada por Santana.

"Me solta!" A mulher gritou. "É o meu marido."

"Voador!" Santana chamou pelo canal de comunicação.

Artie prontamente atendeu ao pedido. Mas em vez de pegar Quinn, como era de costume (já que a identidade de Santana tornou-se pública), ele levou a mulher.

"Vão nos acusar de sequestro." Quinn tentou ponderar com Santana.

"Eu só quero pegar algumas informações." Disse enquanto corriam para longe da multidão e dos policiais. "Voador, leve a mulher para o terraço do prédio verde."

"Entendido."

O prédio verde em questão era meramente um prédio residencial conhecido por causa da fachada de ladrilhos verdes e porque era usado como ponto de referência para se chegar a faculdade comunitária. Santana poderia correr mais rápido, mas Quinn não tinha o mesmo desempenho físico, nem mesmo com o exoesqueleto. Quando chegaram ao local, Artie ajudou Quinn a subir, ao passo que Santana usou as escadas de incêndio. A esposa estava nervosa, mas Santana tirou a máscara e revelou o rosto, procurando acalmá-la.

"O meu marido..." a mulher gritava.

"Escuta... escuta... voador vai te levar até a polícia e você poderá cuidar do seu marido."

"Quero ir agora!"

"Olha, eu só quero algumas informações. Eu vejo que o seu marido não era daquele jeito. Ele ficou assim de alguma forma, certo?" Santana dizia com a voz controlada. "Nós queremos descobrir o que está acontecendo com essas pessoas, e você vai nos ajudar."

"Por que eu ajudaria?"

"Porque a polícia não está interessada em impedir que isso aconteça e nem em compartilhar informações conosco. Eles querem mais é me prender. Mas nós queremos pegar quem está fazendo isso."

"Qual é o seu nome?" Quinn perguntou também com a voz controlada.

"Elaine... Elaine Saunders."

"Oi Elaine. Você pode me chamar de Ice. Essa é Santana Lopez."

"Eu sei quem ela é."

"Okay, Elaine. Qual o nome do seu marido?"

"Hank... Hank Saunders."

"O que Hank faz?"

"Ele é cozinheiro... mas ele está desempregado no momento."

"O que aconteceu para ele ficar daquele jeito?"

"Ele voltou para casa. Disse que ganhou dinheiro para tomar uma vitamina experimental. Aí... aí ele começou a passar mal e a mudar... e quando ele mudou... ele começou a repetir que precisava me dar um presente na joalheria."

"Elaine." Santana se aproximou e segurou a mão da mulher com delicadeza. "Hank disse o nome de alguma pessoa ou empresa que estava aplicando essa vacina experimental?"

"Finatec ou coisa parecida. Eu sou enfermeira..." Ela olhou diretamente para Santana. "Eu ajudei a te atender quando você foi baleada."

"Eu agradeço por isso, Elaine. Mas o que isso tem a ver?"

"A gente trabalha com medicamentos, conhecemos os laboratórios... Finatec não é do ramo."

"Obrigada." Quinn agradeceu. "Voador. Por favor, deixe Elaine perto do hospital."

Artie pegou a mulher e a tirou de lá. Santana suspirou e encostou-se contra a parede do terraço. Ela própria estava cansada, sentindo muitas dores físicas. Não havia se recuperado do primeiro confronto.

"Parece que você realmente tem um ponto" Quinn ponderou assim que retirou a própria máscara.

"Se prepare, pois mais Jekyll e Hyde vão surgir. O tempo para sutilezas passou. Se a gente não resolver isso o mais rápido possível, as coisas vão piorar."

Quinn concordou. Ela sabia também que eles precisariam de reforços o quanto antes. Eles precisariam de Matt e também de Rachel. Precisariam de Brittany. Precisariam de todos.