Capítulo 10: Irmãs
Draco caminhou suavemente até a porta, ouvindo uma agitação abafada do outro lado do corredor.
- Hermione, deixe-me entrar. - Houve mais batidas. - Você não pode simplesmente ficar aí para sempre.
Ouviu o som de um pé batendo.
- Vou voltar para a escola em alguns dias. Não podemos pelo menos conversar sobre isso? Você não é a única que perdeu alguém! - Chorando. Ela definitivamente estava chorando. E frustrada.
Draco abriu uma fresta na porta para ver. Como ele suspeitava, era a Weaslete, tentando tirar Granger de seu isolamento. Ele esperava que, a qualquer momento a vizinha irritadiça fosse enfiar a cabeça no corredor e gritar. Havia realmente apenas uma coisa que ele poderia fazer.
- Desista, Weaslete. Ela não quer te ver agora. Cai fora ou você vai começar uma guerra e trazer a morcega maldita que mora do outro lado do corredor.
- Malfoy? – a ruiva disse, girando em sua direção, incrédula. Ela o olhou. Ele vestia roupas trouxas, encostado no batente da porta, olhando-a calmamente.
Draco olhou para as vestes dela.
- Você vai atrair atenção vestindo isso - ele disse suavemente.
- O que diabos você está fazendo aqui?
- Eu moro aqui. Claramente Granger está ignorando você. Sugiro que você saia deste corredor o mais rápido possível. - Ele franziu a testa. O problema era que parte dele pensava que Granger realmente estava precisando de um empurrão agora e via a Weaslete sendo capaz de fazer isso. Ou poderia tirar o senso de controle que Granger conseguiu obter em sua vida. Ele notou a porta do final do corredor começando a se abrir e falou algumas palavras da boca antes que a voz áspera da mulher pudesse ser ouvida. Era como unhas em um quadro-negro; ele faria qualquer coisa para evitar ouvir aquilo.
- Nós estávamos saindo, Srta. Gravis. - Ele pegou a Weaslete pelo braço e a puxou para dentro de seu apartamento. Aparentemente "qualquer coisa" incluía ter uma Weasley no apartamento dele.
- O que você pensa que está fazendo, Malfoy? - a Weaslete perguntou quando ele fechou a porta.
Ele deu a ela um olhar de sofrimento.
- Mantendo meus tímpanos intactos.
- Quero dizer, o que você está fazendo aqui?
Ele a ignorou, entrando em sua cozinha, tirando a chaleira de água do fogão e colocando água quente em uma caneca. Ele tinha colocado a chaleira para ferver antes de ir investigar o barulho no corredor. Enfiou um saquinho de chá na caneca e voltou para olhar a Weaslete.
- Estou morando aqui, cortesia do Ministério. - Ele fez uma careta, olhando para a caneca. Não tomaria o seu chá tão rápido quanto gostaria. - O que exatamente você está fazendo aqui?
Gina estudou-o por um momento e depois olhou em volta do apartamento, atordoada com a normalidade dele. Draco Malfoy com uma xícara de chá na mão, vestindo roupas trouxas tão naturalmente como se fossem vestes. Ela viu uma grande caixa na sala mostrando fotos com pessoas falando. Ela se lembrou de Hermione lhe contando sobre isso. Tudo parecia tão... trouxa. Havia livros com marcas da biblioteca na lombada.
Ele a recordou:
- Weaslete, eu moro aqui. O que você está fazendo aqui? Perdeu completamente o seu juízo que nem consegue responder uma pergunta simples?
- Eu vim por Hermione. Ela já teve tempo suficiente para pensar sozinha. Ela é a coisa mais próxima que eu tenho de uma irmã. Ela precisa estar com sua família agora.
Draco olhou para ela por cima do chá e tomou um gole.
- Verdade? Porque, se eu tivesse que arriscar um palpite, diria que ela não quer ser encontrada.
- Ela não sabe o que precisa agora. Mas precisa de apoio. Não pode lidar com isso sozinha. - Ela se mexeu com raiva, sem se sentar.
- Bem, ela parece estar indo muito bem, até onde sei. - Estava exagerando um pouco. Mas ela estava lidando com aquilo. Tinha alguns pensamentos sobre onde ela poderia precisar de um empurrão, mas Granger certamente teve algum progresso nas últimas semanas.
A Weaslete apertou os lábios e seu tom era tão sarcástico quanto ele já tinha ouvido.
- Oh sim, ela está nos mostrando que está perfeitamente bem, ficando longe de nós por semanas e ficando no apartamento dela e de Rony muito tempo depois que disse que estava saindo. Sim, isso soa perfeitamente bem para mim. - Ela tocou a varinha no bolso. - E você mora ao lado de Hermione?
Sua boca torceu.
- O que posso dizer? Obviamente alguém do Ministério tem senso de humor.
Ela franziu a testa, mas como ele não disse mais nada, sua irritação diminuiu e deu lugar à preocupação. Por que Hermione não gostaria de vê-la? Ela poderia estar doente? Ou sob um feitiço? Ela lançou um olhar para a porta.
- Eu sei que você provavelmente não a vê muito, mas ela está comendo o suficiente? Ela parece bem? Mamãe estava querendo vir aqui para vê-la... depois que perdemos Fred e agora Rony também... - Ela engoliu em seco. - ela não é a mesma. Mais ansiosa do que eu já a vi, mas mais propensa a brigar também. O que quer dizer alguma coisa, se você já viu o temperamento da minha mãe.
- Weaslete, eu não sou o guardião de Granger, e você também não. - Ele tinha uma consciência crescente do fato de que ela certamente tinha uma varinha e ele não tinha nada em suas mãos além de uma xícara de chá. Uma xícara de chá dificilmente era uma forma adequada de defesa. Muito provavelmente ele não deveria chamá-la de Weaslete - mas talvez ela não soubesse sobre sua condição atual. Se fosse o caso, ser educado apenas a faria suspeitar de que algo estava errado.
Além do murmúrio da televisão ao fundo, o apartamento estava silencioso. Eles simplesmente encontraram seus olhares através da sala. Gina procurando por palavras e Draco a desafiando a dizê-las, se as encontrasse. Ambos se assustaram com a batida na porta.
Draco indicou o sofa à Weaslete e, milagrosamente, ela se sentou, fora da visão da porta. Ainda carregando o chá, ele abriu de modo casual a porta da frente. Claro que Granger estava lá.
- Gina finalmente se foi. Pensei que Gravis iria fazer uma birra - disse ela, convidando-se para entrar. As próximas palavras que ela ia dizer morreram em sua língua quando viu Gina sentada no sofá dele. - O que ela está fazendo aqui?
- Engraçado, eu estava fazendo a mesma pergunta. Aparentemente, a mãe Weasley acha que você não pode se cuidar neste momento tão difícil da sua vida. - Ele tinha certeza de que Granger não o enfeitiçaria; ela poderia até parar a Weaslete se ela tentasse fazê-lo, mas ele não contava com isso. Ele fechou a porta atrás dela antes que ela pudesse mudar de ideia.
Se olhares pudessem matar, a Weaslete teria assassinado Draco no local. Obviamente, ela não pretendia dizer sua mensagem a Hermione da mesma maneira que havia dito a Draco. Tarde demais agora.
- Todos nós pensamos que você deveria passar algum tempo na Toca. Seria bom para você.
- E o quê? Todos conversamos sobre Rony, porque ele está em nossas mentes? Ou todos conversamos sobre qualquer coisa, menos Rony, porque não podemos suportar a dor e ele se torna o elefante na sala? - Hermione perguntou. - Eu não vou fazer isso. Estou indo bem aqui.
Draco fez o possível para não zombar - ele precisava dela como uma aliada ainda por enquanto -, mas algo do que ele estava sentindo deve ter aparecido em seu rosto, porque Granger ficou irritada.
- O que quer dizer? - ela perguntou.
- Eu não disse nada.
- Não, mas há palavras em todo o seu rosto, então pode dizer.
O loiro deu de ombros.
- Você está indo bem. Poderia estar melhor.
- Agora você vai começar comigo - disse ela amargamente.
- Você perguntou. Eu não ia dizer nada. - Ele virou um olhar sarcástico para a Weaslete, dando uma avaliação franca.
- Granger está lidando com isso. Ela está limpa. Está alimentada. E ela foi até o Ministério por mim. Quando estiver pronta, seguirá com todo o resto. Ela não chegou lá ainda, e você vindo aqui choramingando não está fazendo nenhum bem. Volte para a escola como uma boa aluna e deixe-a em paz.
Hermione agarrou firmemente esta oportunidade de mudar de assunto.
- Sua mãe sabe que está aqui? Imagino que ela esteja preocupada com o fato de você ter desaparecido assim. Só porque tem idade agora e pode aparatar não significa que pode sair de casa sempre que quiser.
- Eu não posso - Gina disse simplesmente.
- O que?
A ruiva deu de ombros, envergonhada.
- Com tudo o que aconteceu no ano passado, eu não consegui exatamente minha licença para aparatação. Eu tive que pegar carona com alguém. Mamãe sabe que estou com ele.
Gina se recusou a revelar o nome de quem a tinha aparatado no apartamento, mas em alguns momentos, sua recusa se tornou inútil quando ouviram claramente o som de alguém batendo com firmeza na porta de Hermione.
Hermione foi até a porta de Draco para ver pelo olho mágico quem estava batendo em sua própria porta. Ela se virou para Gina.
- Percy. Você trouxe Percy com você - disse ela, sem acreditar. De todos os seus irmãos, por que diabos Gina o teria escolhido?
- Sim, Percy. Eu não tive muita escolha. Gui está bastante ocupado - Fleur acabou de descobrir que está grávida e ele está agindo como se ela fosse tão frágil quanto uma pena de açúcar. Charlie voltou para a Romênia. Fred e Jorge... - Ela parou e respirou fundo antes de dizer com firmeza: - Jorge não está apto a fazer muito mais do que acordar de manhã e comer comida sem realmente saborear. Lino está cuidando da loja agora. Papai... Papai acha que você provavelmente está ok, minha mãe mal consegue colocar um pé na frente do outro, às vezes, e o resto do tempo quase esquece que eles se foram. Então, Percy é o único. Além disso... depois de tudo, ele está disposto a fazer qualquer coisa para compensar para o resto de nós.
A morena de cabelos espessos franziu a testa para Gina e abriu a porta, colocando a cabeça para fora. Ela limpou a garganta para chamar a atenção de Percy e tentou não falar alto demais.
- Ela está aqui. Por favor, pegue-a e vá.
Percy virou-se tão repentinamente que poderia ter sido cômico se Hermione pudesse dar uma risada ou até um sorriso. Ele franziu a testa brevemente e depois sorriu um pouco incerto, olhando da porta em que estava para onde Hermione estava.
- Eu misturei os números? Eu pensei que este era seu e aquele... - Ele parou.
Draco abriu a porta um pouco mais.
- Você está correto. Este é o meu apartamento. Embora, evidentemente, alguém tenha marcado uma reunião com Weasleys aqui e não tenha me avisado sobre isso. - Ele abriu o restante da porta. - Entre, todo mundo já está aqui mesmo.
Parecendo tão desconfortável quanto Hermione já o vira, Percy atravessou os poucos passos através do corredor e entrou no apartamento de Draco. Ele olhou em volta com uma leve curiosidade enquanto Hermione franzia a testa e Gina parecia envergonhada.
Percy pareceu encontrar sua voz antes do resto deles.
- Bem, Hermione, você está... parece bem - ele disse sem jeito.
- Obrigada, Percy - disse Hermione, em voz baixa. - Agradeço sua preocupação em vir aqui. Visitarei a Toca quando estiver pronta, e não antes. Por favor, dê um cumprimento a todos por mim.
Por um momento, ele procurou desajeitadamente as palavras antes de recair no que sempre fora sua rede de segurança: o trabalho.
- É claro que sim. Você sabia que Kingsley decidiu me manter como assistente júnior do ministro? Não acredito que Rufus realmente tenha apreciado meus esforços da mesma forma que Cornélio o fez, mas Kingsley acredita que tenho muito a oferecer. Quem sabe o que pode ser estar vindo para mim? Humm? - Ele tentou parecer orgulhoso de si mesmo e afastar o desconforto da sala como um todo.
As sobrancelhas de Draco se arquearam.
- Você não teria nada a ver com meus arranjos de vida atuais, não é?
Percy limpou a garganta.
- Eu certamente não tenho esse tipo de poder. Embora o ministro pareça apreciar meu conselho, eu realmente não tomo esse tipo de decisão, principalmente no que diz respeito à Suprema Corte dos Bruxos. Eles não se submetem ao Ministro. - Ele podia sentir o olhar de Hermione nele agora, assim como o de Malfoy, e se tivesse olhado para o sofá, em vez de encarar a parede à sua frente, ele poderia ter visto sua irmã tentando fazer um buraco no seu crânio com o olhar. - Eu posso, em algum momento, ter mencionado uma possível vaga neste edifício, mas eu não tinha noção da finalidade para a qual eles a usariam. Foi-me perguntado se eu estava ciente de algum lugar fora do caminho dos pontos mágicos, onde alguém do mundo bruxo pudesse viver em paz.
O loiro não tinha certeza se acreditava no ruivo, mas não iria discutir o assunto. Agora não, de qualquer maneira. Em vez disso, soltou seu sarcasmo. Era um mecanismo de desvio tão bom quanto qualquer outro.
- Bem, aqui estou eu. O resto da sua família deve entrar voando pela janela a qualquer momento? Ou talvez sair pela torneira na cozinha?
- Não, não - Percy disse apressadamente. – Na verdade, provavelmente já é hora de irmos, Gina. Eu disse à mamãe que a levaria para comprar seu material escolar, e a tarde já está chegando - Ele acenou para Draco e deu um sorriso tenso para Hermione que mais parecia uma careta. Foi para a porta imediatamente, sem esperar para ver se sua irmã o seguia.
Lentamente, Gina o seguiu, demonstrando claramente a maior relutância em deixar sua melhor amiga aqui com Malfoy. Hermione olhou para Gina por um momento e depois foi abraçá-la com força.
- Mesmo que eu ainda não esteja bem, eu ficarei - prometeu.
- Por favor, venha ver a família. Mesmo se eu estiver na escola. Faria bem a todos vocês - Gina perguntou, mais uma vez.
- Eu vou ficar bem, Gin. Vá em frente e boa sorte. - Enquanto ela observava sua amiga desaparecer - eles tinham que ir além da porta de Malfoy para ficar do lado de fora das proteções anti-aparatação -, ela esperava que Gina pudesse ao menos passar um ano na escola sem o medo e a guerra que rondaram todos os anos escolares de Hermione. Ao contrário dela, Gina poderia ter um ano escolar pacífico, com nada mais horrível no final do que seus N.I.E.M.s, que já eram suficientemente horríveis. Afinal, não foi por isso que eles lutaram na última década?
Hermione nem estava consciente de que chorava até que Malfoy se aproximou dela com um pano de cozinha para secar seus olhos. Por mais tosco que fosse, ela apreciou o gesto e cuidadosamente enxugou o rosto.
- Você estava dizendo a verdade, sabe - disse ele em tom de conversa. - Você ficará bem.
Por um momento, ela chorou ainda mais, apesar de tentar conter as lágrimas. Por fim, ela se recompôs, ciente de Malfoy parado a alguns metros, tentando com cuidado não observá-la enquanto se movia pelo apartamento, como se a presença dele pudesse expulsar com sucesso qualquer remanescente de Weasley. Com um esforço e um rosto manchado, ela finalmente encontrou suas palavras.
- Eu sei.
N/F: Muito, muito, muito obrigada à Melissa Rocha e à krolagataborralheira pelos comentários no capítulo 9. Quem tem conta aqui no Fanfiction eu respondo diretamente por mensagem, quem não tem eu respondo por aqui mesmo. Sendo assim:
Melissa Rocha: Felizmente todos estão bem, obrigada por perguntar! Quanto à atualização, sempre darei o meu máximo para seguir o cronograma da fic, pois eu como leitora sei bem o que significa aguardar ansiosamente a postagem hahaha!
É isso pessoal, espero que tenham curtido esse capítulo, me deixem saber o que vocês estão achando. Ah, e não se esqueçam de seguir e favoritar a fic, assim serão sempre avisados quando sair capítulo novo!
