Capítulo 16: Estratégia
Hermione estava fazendo o melhor que podia. Mas começou a se preocupar que talvez ela não fosse naturalmente engraçada. Não é como se as pessoas não tivessem feito essa acusação antes - inúmeras vezes, na verdade. As pessoas diziam que ela não reconheceria uma piada nem se a mesma pulasse na frente dela, e essa era provavelmente uma das formas mais brandas de acusação. Quantas vezes a perguntaram se ela tinha uma varinha a pressionando... bem, em algum lugar onde uma varinha não deveria estar, só porque não achou algo tão divertido quanto outra pessoa. Ela teria jurado que tinha senso de humor, mas encontrar coisas que outras pessoas achariam divertidas parecia de repente uma luta, agora que ela estava tentando ativamente fazê-lo. Ir para a loja estava começando a parecer tortura.
Ela fez uma careta.
- Sapatos que só permitem andar em círculos?
- É brilhante.
- É horrível.
Ela suspirou. Em algum lugar lá fora, havia um produto brilhante pronto para nascer. Se ao menos ela pudesse descobrir o que era.
Draco estava na biblioteca. Ele tinha um pouco de tempo antes de ir para seu turno no restaurante. Olhou para os livros a sua volta e para os computadores (atualmente em uso por outros usuários) e se perguntou se havia alguma maneira de preencher suas lacunas de conhecimento o suficiente para conseguir qualquer outro tipo de trabalho. Além do fato de estar dolorido e trabalhar por muito pouco salário, ele estava entediado. Perguntou-se como os outros em seu turno conseguiam sobreviver. Eles fariam aquilo para sempre? O Ministério estava pagando seu aluguel e dando a ele uma certa quantia de dinheiro vivo todos os meses, mas mesmo assim sequer chegava perto do estilo de vida com o qual ele estava acostumado.
Sentindo que nenhum dos computadores em que ele estava de olho estaria livre antes de sair, Draco abandonou o local em que estava escondido e caminhou pelo corredor. Pegou um livro grande e pesado e o folheou, olhando fotos de pirâmides e outros monumentos colossais de pedra. Era engraçado pensar nos trouxas tentando atribuí-los à habilidade de pessoas primitivas com cordas e troncos. Talvez não todos, mas pelo menos alguns tinham sido claramente construídos por bruxos.
Ele supunha que a vida como trouxa nas circunstâncias atuais era melhor do que estar em Azkaban com sua magia, mas aquela vida às vezes era solitária. Ele agora era mais ou menos bem-vindo ao parque, aos sábados, e às vezes se juntava aos caras de lá. Outras vezes, porém, parecia muito trabalho lembrar-se de não falar sobre magia ou coisas que lhe eram naturais. Ele pensou que a professora de informática que havia conhecido ali na biblioteca poderia gostar dele, mas o que ele a diria para ela?
- Eu recolho a louça quatro ou cinco noites por semana e não posso contar nada sobre o meu passado anterior a dois meses e meio atrás - ele murmurou para si mesmo. Não. A única pessoa com quem ele realmente podia conversar era Hermione. Ele conseguia lidar com interações superficiais com os trouxas - interagir com seus clientes e colegas de trabalho, comprar comida - mas isso era tudo.
Draco bateu à porta de Hermione. Ele havia pegado o turno do dia e então tinha sábado à noite para fazer o que quisesse pela primeira vez há muito tempo. Depois de assistir televisão por meia hora ao chegar em casa, os anúncios estavam cansando-o. Demorou apenas um momento para ela abrir a porta e, sem cerimônia, ele declarou:
- Estou pedindo pizza. Você está com fome?
- Eu poderia comer - disse ela. - Você quer entrar?
Ele pediu a pizza, entrou e sentou-se à mesa, olhando as anotações que ela havia espalhado e começava a ordenar.
- É sábado à noite. Você não precisa trabalhar? - ela perguntou, recolhendo suas anotações e certificando-se de que estavam organizadas em suas pilhas apropriadas antes de colocá-las de lado.
- Eu estava no turno do dia.
- Sortudo.
Eles se sentaram e conversaram sobre seus dias. O sorvete Terror Congelado não estava indo muito bem, e Hermione estava procurando outra ideia. A mudança de temperatura simplesmente não havia se encaixado bem com a poção.
Quando eles se atualizaram sobre seus dias e a pizza ainda não havia chegado, Draco foi até a coleção de filmes de Hermione. Não havia muitos, mas ela havia salvado algumas coisas de sua infância. Ele os folheou e escolheu um filme com um homem de casaco roxo brilhante e uma variedade de cores berrantes ao seu redor. Ele estava disposto a apostar que seria divertido.
- Este?
Hermione olhou para ver o que estava em sua mão.
- Eu não assisto isso há anos.
- Sobre o que é?
- Sobre um homem que mata crianças de maneiras indescritíveis e escraviza toda uma população. - Os lábios dela se contraíram. - Ou um homem que faz deliciosos doces em um país das maravilhas que não deveria ser real. Faça a sua escolha.
- Vamos descobrir.
E assim, eles assistiram A fantástica Fábrica de Chocolate, parando apenas por tempo suficiente para receber a pizza. Hermione se perguntou se havia um equivalente mágico ao chiclete de Violet - um banquete em um pedaço de chiclete. Seria uma boa ração de emergência para os aurores, caso existisse. Ela teria que levar a ideia para Jorge.
Draco se viu levando as roupas para a lavanderia mais uma vez e se perguntou se teria sido menos trabalhoso tentar lavar as roupas em seu próprio apartamento ao invés de arrastá-las para longe, esperar em uma sala quente e abafada por duas horas, e arrastar tudo de volta.
Quando chegou em casa, sua camisa estava bastante repugnante, sem mencionar uma pequena marca de mão suja de doce que conseguiu encontrar o caminho até a bainha de sua camisa. Havia uma criança pequena na lavanderia que se mostrou totalmente imperturbável ao seu olhar penetrante de Draco.
Pensando que não havia muito a perder, ele largou a roupa na cama e tirou a camisa. Pensou em encher a pia e deixar cair a camisa, mas uma olhada lhe disse que ele precisaria esfregá-la. Suas pobres mãos aristocráticas não estavam acostumadas com os rigores da lavagem e dos produtos químicos e não responderam bem da última vez que teve que fazer uma limpeza no banheiro. Hermione estava disposta a dar a ele qualquer conselho que pedisse, mas ela lhe disse que, sob nenhuma circunstância, faria o trabalho pesado para ele (por assim dizer); era o banheiro dele e ela era sua amiga, não sua empregada. Às vezes ainda era estranho pensar nela como uma amiga, e não "a sangue ruim" ou "a sabe-tudo de cabelos volumosos de Weasley", mas ele supunha que eles eram amigos agora. Realmente não havia outra palavra para isso. Ela era quase sua única fonte de interação social amigável. Eles haviam desfrutado de alguns passatempos juntos. Amiga. Era um novo conceito para ele.
Decidindo evitar a pia por um momento, Draco encharcou a camisa com dois pumps de sabonete e abriu a torneira da banheira, colocando a rolha. O que se seguiu foi uma lavagem de camisa inadequada e com o maior consumo de energia possível. Pareceu levar uma eternidade para passar o sabão no tecido manualmente e ainda mais para limpá-lo. As manchas de doces ainda estavam lá e ele tinha certeza de que o cheiro de sabonete estava apenas mascarando o cheiro de seu suor, em vez de realmente removê-lo. Ele fez o possível para tentar tirar a maior parte da água antes de pendurar a camisa na cortina do chuveiro, mas, quando voltou algum tempo depois, ainda estava úmida e havia uma grande poça no chão. E tinha as rugas mais terríveis de Merlin.
Talvez a caminhada até a lavanderia valesse a pena, afinal.
Obrigado, Salazar. Ele não teria essa noção até depois de lavar a maior parte da roupa e jogar tudo na banheira. Ele só podia imaginar como doeria suas costas se decidisse no meio do caminho que era uma péssima ideia e tivesse que carregar roupas encharcadas e molhadas em vez de secas.
Hermione e Jorge estavam com a cabeça inclinada sobre o espaço de trabalho nos fundos da loja, folheando suas anotações.
- Este.
- Eu não acho viável.
- Que tal agora?
- Bem, como você faria isso? Eu certamente não inventei nada.
A morena torceu o nariz; ela também não tinha como fazer aquilo. Com o tempo, poderia vir a conseguir, mas ela precisava de algo brilhante imediatamente.
- Alguns dos mais vendidos são os itens menores e mais baratos, certo? Porque eles são acessíveis a um público mais amplo, certo?
- Claro. As Vomitilhas se esgotam rapidamente, mas temos o mesmo pacote de tamanho grande de fogos de artifício na prateleira há um mês.
- Que tal ... - Ela pensou no filme da noite anterior com um sorriso. - Que tal um Quebra-Queixo Perpétuo?
Jorge arqueou uma sobrancelha.
- Perpétuo não parece bom. Eles não precisariam comprar outro.
- É... é um doce mítico de um filme trouxa. Doces projetados para crianças sem muito dinheiro. Dura para sempre. Mas nós poderíamos... - ela procurou em sua mente. - Nós poderíamos fazer uma reviravolta. Nunca fica menor, dura para sempre, mas quanto mais você chupa, pior é o sabor.
Houve um flash de luz nos olhos de Jorge.
- Brilhante. As crianças os comprariam aos montes e competiriam com seus amigos.
E assim, o Pirulito Eterno nasceu. Na verdade, a ideia nasceu; lançar o produto ainda levaria um tempo.
Draco franziu a testa para a vitrine enquanto voltava do supermercado Sainsbury's. Ele olhou para uma vitrine com uma vassoura de plástico, vestes de aparência esfarrapada e um chapéu pontudo coberto de estrelas. Uma certa curiosidade mórbida tomou conta dele. Ele trocou as compras de braço. Elas não eram tão pesadas. Empurrou a porta para o lado e entrou.
Haviam fantasias por toda a loja, muitas para crianças, outras para adultos. O traje de "polícia" de uma mulher que parecia consistir em uma saia curta e uma blusa azul de tamanho pequeno, com um distintivo e um bastão. Uma fantasia de enfermeira semelhante estava ao lado. Havia uma fantasia de vampiro, que parecia consistir em uma capa e um conjunto de dentes falsos. Um kit de maquiagem estava pendurado ao lado. Por alguma razão, a fantasia da bruxa tinha pintura facial verde e verrugas no kit de maquiagem ao lado das vestes, vassoura e chapéu. Era preto e pontudo. Por que a pintura facial verde?
Ele revirou os olhos para o traje de bruxo, que parecia consistir em outras vestes, um chapéu de lantejoulas e uma barba que teria envergonhado a de Dumbledore. As fantasias dos duendes tinham o nariz e as orelhas totalmente errados. Havia todo tipo de figurino que ele não conseguia identificar (ou se eles tinham rótulos, eles realmente não tinham nenhum significado para ele). Meias e capas. Vestidos. Asas. Orelhas pontudas. Comidas. Parecia haver toda uma variedade imaginável.
O funcionário pigarreou.
- Posso lhe ajudar com algo?
Draco desviou os olhos das fantasias.
- Só dando uma olhada.
Hermione pegou algumas coisas quando saiu da Gemialidades Weasley naquela tarde e se viu batendo à porta de Draco. Ela havia saído cedo, querendo pegá-lo antes de seu turno no restaurante.
- Hermione.
- Draco. Posso entrar?
Ele se afastou para deixá-la entrar, olhando os pacotes nos braços dela.
- Eu pensei que, como é Halloween, eu poderia trazer algumas coisas. Vou à Hogsmeade amanhã para ver Gina. Prometi a ela que a veria quando pudesse. Será o primeiro fim de semana em Hogsmeade do ano. Ela se sentou naturalmente à mesa dele e começou a desempacotar as coisas que trouxera. Tortinhas de abóbora, bolos de caldeirão. Nada mágico, mas era o tipo de comida bruxa que alguém deveria ter no Halloween.
Ele olhou para a variedade apreciativamente.
- Eu vou fazer chá.
- Não esqueça os pratos.
Ele voltou um momento depois, com os pratos na mão.
- A chaleira está ligada. - Ele puxou uma cadeira e juntou-se a ela, pegando uma tortinha. - O que os trouxas fazem no Halloween, afinal? Eu vi as roupas mais feias de bruxos e bruxas. Por que eles acham que as bruxas são verdes?
Hermione riu.
- Crianças pequenas vestem fantasias e vão de porta em porta pedindo doces. Os adultos tendem a ter festas de fantasias mais focadas em álcool do que em doces, eu acho. Bruxas verdes. Isso remonta há quase 60 anos. Um dos primeiros filmes a cores. Antes disso, eram preto e branco. - Ela mordeu um bolo de caldeirão. - O Mágico de Oz. Eles decidiram que de fato você pode julgar um livro pela capa e que bruxas más eram feias e boas bruxas eram lindas. - Ela bufou suavemente. - Eu me pergunto o que eles fariam comigo. - Ela passou os dedos pelos cabelos volumosos.
Draco se levantou da mesa, certo de que a chaleira deveria já estar fervendo.
- Hermione, alguém já soube o que fazer com você?
Hermione observou-o desaparecer na cozinha e reaparecer alguns momentos depois, carregando xícaras fumegantes. Ela pegou uma das mãos dele com cuidado, não querendo derramar a água fervente em suas mãos.
- Obrigada. Suponho que não. Não tenho certeza se Harry conseguiu decidir se eu era uma amiga ou uma irmã. Rony levou anos para concluir que eu era uma garota. - Ela empurrou mais palavras da boca, distanciando-se do nome de Rony. - Sabe-tudo, nerd, leitora ávida, corajosa, inteligente, com muito medo de quebrar as regras. Uma pilha de contradições. Às vezes, nem eu tenho certeza do que fazer comigo mesma.
Ele tomou um gole de chá e olhou para ela por cima da borda da xícara.
- Claramente você também não sabe o que fazer de si mesma. - Havia um ar da velha arrogância Malfoy sobre ele, com um toque de um sorriso. - Tudo bem. Eu mal sei o que fazer de mim mesmo agora. Aqui estou eu, herdeiro Malfoy. Sentado sob uma lâmpada piscando em um apartamento trouxa, comendo Bolos de Caldeirão e prestes a andar por vários quarteirões para pegar uma máquina grande e bastante fedida pela cidade, e então tansportar pratos de comida para clientes ingratos.
- Você pode trocar a lâmpada facilmente. Eu vou lhe mostrar como.
- Eu já fiz isso uma vez antes.
Um sorriso ecoou no rosto de Hermione.
- Aí está sua resposta. Você pode dizer que não sabe o que fazer de si mesmo, mas eu sei. Você é um sobrevivente. Está se adaptando às suas circunstâncias e conseguindo se manter em seus próprios pés em um mundo que nunca pensei que você teria que viver. Um mundo em que você dificilmente poderia imaginar os detalhes. Uma vida em que você não tem dinheiro ou conexões suficientes para resolver todos os seus problemas.
Ele revirou os olhos e tomou outro gole de chá.
- Dinheiro e conexões nunca resolveram tantos problemas quanto eu gostaria que tivessem resolvido. Eu poderia comprar meu caminho para uma equipe de quadribol, mas não para o respeito de ninguém.
Eles deixaram a conversa voltar para tópicos mais leves e fizeram as Tortas de Abóbora e Bolos de Caldeirão durarem até Draco ter que sair para o trabalho. Quando ele trancou a porta atrás de si e Hermione começou a voltar para seu próprio apartamento, ele perguntou: - Você tem esse filme sobre bruxas? Eu gostaria de ver essa bruxa verde.
- Vou verificar. Se não, tenho certeza de que posso encontrá-lo em algum lugar.
Hermione decidiu aparatar em Hogsmeade. O dia seguinte ao Dia das Bruxas amanheceu claro e não muito frio. Ela se ocupou pelo apartamento até o momento em que combinara de encontrar Gina, vestindo então um conjunto de vestes e desaparecendo.
Mesmo com os estudantes de Hogwarts ocupando bastante espaço nas ruas, Hogsmeade parecia menos cheia que o Beco Diagonal. Ainda estava coberta por todas as decorações de Halloween do dia anterior. Tinha uma sensação de calma, mas não exatamente a constância do Beco Diagonal. Talvez por causa de todas as casas espalhadas, em vez de apenas comércio. Parecia... um pouco mais ampla. Certamente parecia maior do que há alguns anos.
Ela foi ao Três Vassouras. Estava com algumas dúvidas sobre ir até lá novamente, mas ela simplesmente não conseguia sugerir a Cabeça de Javali. Encontrou uma mesa e se acomodou. Mal havia se passado um minuto quando o brilho familiar dos cabelos ruivos chamou sua atenção. Gina rapidamente a encontrou.
- Aí está você. Estou tão feliz que conseguiu. Tenho muito a lhe dizer.
Hermione ouviu enquanto Gina a atualizava sobre os eventos em sua vida e no mundo em geral. Percy aparentemente começou a escrever para ela regularmente, querendo se reconectar com mais força e não perder a conexão com a família. Sua mãe também escrevia com mais frequência. As aulas de Gina estavam indo bem. Neville parecia ter mantido a força do espírito e da personalidade que ele obtivera no ano anterior. Ele não aceitava nenhuma merda de ninguém, mas sabia como conseguir o que precisava e garantir que todos estivessem trabalhando em direção ao mesmo objetivo. Dênis Creevey carregava a câmera do irmão em todos os lugares, mas raramente tirava fotos. Lilá voltou a Hogwarts e era uma pessoa muito mais quieta do que antes, mas estava começando a sorrir novamente. O ano passado parecia ter envelhecido McGonagall um pouco, mas ela era resistente como uma velha árvore e não iria a lugar nenhum tão depressa.
- E como você está? - Gina perguntou.
- Estou bem. Trabalhando com Jorge agora. Passei no meu N.I.E.M. de poções e comecei a ler alguns livros de Transfiguração que McGonagall me enviou.
- Você poderia voltar para Hogwarts. Tenho certeza que McGonagall daria um jeito.
Hermione balançou a cabeça.
-Eu estou bem onde estou. Realmente. Eu não acho que estou disposta a aguentar a constante pressão em Hogwarts.
Gina olhou para ela, procurando seu rosto.
- Você não está solitária? - ela perguntou sem rodeios. - Sem mim, sem Harry, sem Rony... - Ela engoliu em seco.
- Eu prometo que estou bem, Gina. Vou trabalhar com Jorge. Ainda estou estudando. Se eu começar a sentir que preciso de companhia, Draco está do outro lado do corredor.
- Draco? - Gina ecoou, erguendo uma sobrancelha ao uso do primeiro nome de Malfoy.
- Ele não é exatamente o idiota insuportável que costumava ser. - Ela encolheu os ombros e tomou um gole de sua bebida. - Além disso, é divertido vê-lo se adaptar. Ele lava a própria roupa agora e pode cozinhar. Ele tem um emprego. - Ela não tinha certeza de como descrevê-lo. Supunha que eles eram amigos agora e não apenas conhecidos do outro lado do corredor. - Ele é mais como uma pessoa comum e não um pirralho mimado e arruinado.
- Malfoy? Sério?
- Sério. Algumas semanas atrás, eu doei as roupas de Rony para um abrigo próximo. Sinto muito, eu provavelmente deveria ter perguntado se você queria alguma coisa antes de fazer isso, mas eu simplesmente não conseguia ver tudo pendurado no meu armário todos os dias. Enfim, Draco me ajudou a carregar tudo. Nem sequer reclamou da caminhada ou do quão pesado tudo isso era. - Ela girou sua cerveja amanteigada na garrafa por um momento.
- Está tudo bem. Eu não preciso de nenhuma roupa de Rony. - Ela mordeu o lábio inferior entre os dentes, olhando para a amiga. Hermione parecia estar bem. E mesmo que Malfoy fosse o único... amigo... que ela tinha por perto, pelo menos havia alguém. E havia Jorge, é claro. Ele ficaria de olho nela. - Como está o Jorge? Eu realmente não tenho tido notícias dele.
- Ele está começando a parecer mais como ele mesmo novamente, embora ainda tenha seus momentos.
Elas terminaram as bebidas e saíram juntas pela vila. Hermione comprou algumas penas novas e um pote de tinta. Ela podia ver Hogwarts à distância, mas não queria ir até lá.
- Você não vai ver Neville? - Gina perguntou, preparando-se para voltar.
- Não desta vez. Mas diga olá a ele por mim. McGonagall também.
Ela a abraçou com força.
- Não seja uma estranha.
- Obrigada a todos que têm comentado na fic!
- Capítulo novo na sexta ;)
- Comentários, por favor?
