N/T: muito obrigada krolagataborralheira e dayreis2020 pelos comentários no capítulo 21. Vocês são demais, sério!


Capítulo 22: Estereótipos


Draco e Hermione estavam sentados no sofá dela. O café da manhã estava na mesa de centro e, na televisão, uma garota de vestido xadrez azul andava por uma estrada de tijolos amarelos. Draco havia feito várias perguntas até aquele momento, incluindo (mas não se limitando a): Por que tudo está cinzento? Supõe-se que a senhora que odeia cachorros seja uma bruxa? Tem certeza de que Glinda e a senhora verde são bruxas? e (a favorita de Hermione) quem já ouviu falar em sapatilhas mágicas de rubi?

Hermione respondeu a todas as perguntas com bom humor. A certa altura, ela pausou o filme e tentou explicar sobre políticos sem coragem, agricultores sem cérebro, indústria sem coração e o padrão ouro versus padrão prata. No meio da explicação sobre os padrões de moeda, Draco levantou uma mão.

- Não mais. Eu não quero entender a política trouxa. A política bruxa já é podre o suficiente.

A morena riu baixinho para si mesma e começou a reproduzir o filme novamente. Draco havia deixado um bilhete na porta dela na sexta-feira antes de ir trabalhar, convidando-a para recebê-lo de manhã com café e indicando que ele forneceria o entretenimento. Certamente estava sendo divertido para os dois.

Ela tinha a intenção de ficar acordada na noite anterior até que ele estivesse em casa, mas havia tido uma semana muito longa e estava dormindo no sofá muito antes que ele voltasse do seu turno. De fato, ela adormeceu com um livro no rosto.

- Essa é uma das coisas mais feias que eu já vi.

- Os macacos alados são uma das marcas registradas desse filme. Não tenho muita certeza do que eles deveriam representar, se é que representam alguma coisa. Café? - ela perguntou, pegando sua xícara e se preparando para se levantar.

- Eu sirvo - ele ofereceu, pegando as duas xícaras e entrando na cozinha, olhando por cima do ombro para os macacos alados.

- Eu posso fazer uma pausa, você sabe.

- Eu consigo ver daqui - disse ele, servindo uma xícara de café para cada um deles. Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. Assistir àquele filme com Hermione era claramente muito melhor do que assistir com outra pessoa. Ele trouxe os cafés de volta à mesa e entregou a Hermione o dela - bastante creme, sem açúcar - e sentou-se para apreciar o filme. Eles assistiram durante mais um tempo. E então Draco abriu a boca novamente.

- Por que ela simplesmente não voa para casa na vassoura? Ela tem uma.

Hermione riu com a indignação dele um pouco depois, quando Glinda revelou que Dorothy podia voltar para casa batendo os calcanhares.

- Por que ela não contou antes? Isso é cruel. – Surgiu-lhe uma ideia brilhante - É Umbridge!

- Como? - Hermione perguntou.

- Glinda. O vestido rosa e os sorrisos. Não sei como ela enganou alguém. É como Umbridge: maldade pura, escondida atrás de imagens fofas de gatinhos e doces.

Hermione pensou por um momento e então começou a rir. Ela nunca tinha visto aquilo dessa forma antes.

- Piora se você pensar sobre isso. Ela usa Dorothy para se livrar de seus inimigos - a Bruxa do Leste e a Bruxa do Oeste - e depois ela fica para governar Oz enquanto Dorothy volta para casa. Veja, lá está ela.

Eles viram como Dorothy (toda em tons de cinza novamente) apareceu em sua própria cama em casa, cercada por sua família.

- Então foi um sonho... ou não? - Draco exigiu.

Hermione sorriu.

- Essa é a pergunta, certo? E se não foi um sonho, é extremamente cruel da parte de Glinda deixá-la pensar que tinha sido, enquanto ela segue em frente e domina Oz e Dorothy tem que aceitar as coisas em casa.

Os dois continuaram sentados juntos no sofá enquanto os créditos subiam. Hermione ainda estava de pijama, com os cabelos na mesma trança em que dormira. Bem, algumas mechas estavam na trança. Boa parte dos fios haviam escapado.

- O que está na sua agenda dessa semana?

- Mais do mesmo da semana passada, na verdade. Belby de manhã, trabalho com Jorge à tarde. Estou pesquisando antigos encantamentos de espelho no momento. Já contei sobre os espelhos que estamos tentando fazer? Quero encontrar algum tipo de equivalente mágico para telefones celulares. Eu dei uma olhada nos encantamentos usados para fazer um espelho falar sobre a pessoa que está em frente a ele, mas é um encantamento fundamentalmente diferente do que estamos procurando – nós estamos tentando estabelecer uma conexão entre dois espelhos.

Draco franziu a testa, tentando se lembrar de uma antiguidade que já tinha visto na mansão. Tinha uma moldura chamativa. Ele não achava que fosse algo particularmente mágico, mas um dia o seu pai o encontrou olhando aquilo e lhe contou uma história, antes de rir e dizer que não tinha relação com o espelho e que sua mãe estava achando aquilo horrível demais para a casa, portanto iria para o sótão.

- Costumavam existir espelhos que podiam procurar coisas. Mais precisos do que bolas de cristal, mas com intenção semelhante. Combinavam senciência e vários outros fatores para encontrar coisas. Eles foram proibidos há muito tempo e nunca houveram muitos deles, pois eram altamente complexos. Alguma bruxa má usou o dela para descobrir quais trouxas eram mais bonitos do que ela, de modo que pudesse drenar o sangue deles. - Ele estremeceu.

Ela formulou sua pergunta com cuidado.

- Draco, você está me dizendo que realmente houve uma bruxa que bebia o sangue dos trouxas para se manter jovem?

- Algo assim. Muitas coisas... desagradáveis aconteceram antes que os bruxos e trouxas seguissem caminhos separados. Por quê? - ele perguntou. Artes das Trevas demandava muitos requisitos desagradáveis. O sangue das vítimas era o mínimo.

Ela ficou dividida entre o riso e o horror absoluto e produziu um som bastante estrangulado.

- Os trouxas têm histórias sobre isso. Uma em particular, Branca de Neve, era sobre uma linda princesa cuja madrasta era uma bruxa obcecada por juventude e beleza. Ela perguntava ao espelho quem era a pessoa mais bonita do país e a resposta sempre era ela mesma, até que um dia o espelho lhe disse que sua enteada era mais bonita. A madrasta contratou alguém para matá-la, mas o assassino teve piedade da princesa, que escapou e foi morar com alguns anões até que sua madrasta a caçasse novamente. É uma história antiga.

- Provavelmente é uma história verdadeira. Talvez tenha acontecido com pessoas mais comuns ao invés de gente da realeza, mas... - Ele encolheu os ombros. Isso não importava. Ainda era um ato sombrio.

Hermione fez uma careta.

- Então parte da nossa má reputação na literatura faz jus ao nome?

- Isso foi há muito tempo. Mas há uma razão para vivermos longe dos trouxas, com nossas próprias leis e tudo mais. Quando você pode controlar alguém com algumas palavras...

- Você precisa de regras para garantir que as pessoas que podem fazer isso não estejam tirando vantagem das pessoas que não podem - Hermione terminou.

- E para proteger as pessoas que podem, - argumentou Draco – nós temos magia. Mas os trouxas nos superam muito em número. E todo mundo tem que dormir de vez em quando. Por culpa de um, todos ficam com má reputação. Já aconteceu antes.

Hermione podia imaginar uma vila inteira com tochas queimando alguém que não havia feito mais do que fornecer poções de cura, já que uma outra bruxa havia enfeitiçado as crianças da região (ou algo parecido sem sentido).

- Deveria haver uma maneira de todos nós conseguirmos viver juntos, sem o sigilo.

Draco parecia cético.

- Os bruxos não poderiam se aproveitar dos trouxas, e os trouxas teriam que aceitar que o mundo não é como eles sempre pensaram que fosse.

Ela olhou para ele com um sorriso irônico.

- Essa é a sua maneira de dizer que devo me ater a uma causa impossível de cada vez?

Draco fez uma reverência para ela com um chapéu imaginário.

- Seria o meu conselho, sim. Você tem toda uma visão sobre lobisomens para mudar no mundo bruxo. Eu começaria por aí antes de tentar mudar os pensamentos do mundo trouxa sobre os bruxos. Eles devem se reproduzir como coelhos. Há tantos trouxas.

Hermione riu.

- Não é isso. Muitos trouxas têm apenas um ou dois filhos, o mesmo que bruxos. Alguns têm mais - o mesmo que bruxos. Só que há uma porcentagem maior da população em geral que não tem magia. E os últimos séculos de não-interação entre bruxos e trouxas apenas tornaram o número de bruxos cada vez menor.

A manhã havia se transformado em tarde enquanto conversavam. Hermione tinha lido muito, mas certamente havia seções da história bruxa que não parecia estar nos livros didáticos. Ela tentou ouvir tudo sob uma ótica bem neutra - a opinião dele vinha de uma família de sangue puro que estava relativamente isolada dos trouxas há algum tempo.

O dia não estava muito nublado, mas fazia frio. Eles decidiram sair para almoçar - Hermione também precisava comprar algumas coisas.

- Por que você não pega seu casaco e nós vamos?

- Eu não tenho um. - Ela olhou para ele por um momento e ele se irritou. - Ainda não estava frio quando comprei roupas trouxas.

- Se você tivesse dito que precisava de um, eu poderia ter mantido o de Rony - disse ela, exasperada. Nem percebeu que tinha conseguido dizer o nome dele sem que sua voz tremesse.

Ele balançou sua cabeça.

- Eu não pude. - Ele teria que estar muito desesperado para pegar o casaco do Weasley. Podia imaginar o olhar no rosto de Hermione vendo-o usar aquilo durante todo o inverno. - Servirá melhor onde quer que esteja. Além disso, eu posso comprar um, apenas não comprei ainda.

E assim, de alguma forma, almoço e compras se transformaram em almoço, compras e encontrar um casaco de inverno. Ele ficou bastante chocado com o custo de um casaco decente, algo que nunca teria acontecido comprando vestes ou uma capa no mundo bruxo com o ouro de sua família. Por sugestão de Hermione, e depois de grande relutância de Draco, eles tentaram uma loja de segunda mão, onde encontraram casacos bastante bonitos e em bom estado por uma fração do preço. Demorou um pouco para convencer Draco de que um casaco de segunda mão não o contaminaria de alguma forma.

- Honestamente, Draco, pense nisso. Quando você compra algo novo na loja, quantas pessoas provavelmente já experimentaram primeiro e decidiram que não gostaram? – Depois de um tempo, ele encontrou um que lhe servia e eles voltaram para seus apartamentos.

Quando entraram no prédio, Hermione se desviou para as caixas de correio. Ela não verificava sua caixa com muita frequência; não era como se esperasse que alguém escrevesse. Mas valia a pena ver se ela tinha alguma mensagem da administração do edifício. Ela abriu a caixa, pegou um punhado de folhetos e trancou-a novamente.

- O que é isso?

- Publicidade trouxa. Principalmente anúncios. Eu não checo com muita frequência. Não é exatamente como se houvesse alguém para me escrever. Você não tem verificado a sua caixa? É para isso que serve a outra chave que te deram.

Ela o ajudou a encontrar sua caixa de correio e ele a abriu. Havia quatro meses de anúncios endereçados ao "Residente" ou "Ocupante". Mas, no topo da pilha, tinha algo realmente endereçado a Draco. Era um envelope coberto de selos, exceto por uma polegada quadrada com seu nome e endereço.

- O que é isso? - ele perguntou, virando-o.

A respiração de Hermione ficou presa e foi tudo o que ela pôde fazer para não sorrir. Ela reconheceu a escrita.

- Abra.

O loiro revirou os olhos e abriu o envelope. Havia um cartão com a foto de uma árvore toda decorada para o Natal. Por dentro, dizia:

Draco,

Espero que você possa vir celebrar o Natal na Toca conosco. Venha na véspera de Natal e participe das celebrações. Pode ficar o tempo que quiser. Você prefere dividir um quarto com Harry, Jorge ou Percy ou dormir no sofá? Você come lentilhas? Qual é a sua cor favorita?

Molly Weasley

PS: Por favor, peça a Hermione para enviar sua resposta por coruja. Não sei se o carteiro sabe onde fica nossa casa.

Draco leu a carta novamente para certificar-se de que não estava tendo alucinações.

- Eu não sei o que você teve que fazer para que isso acontecesse, mas Molly Weasley acabou de me receber em sua casa de braços abertos, disse ele, colocando o cartão na bolsa com o casaco.

Hermione riu e eles começaram a subir as escadas.

- Não fiz nada de mais. Tudo o que eu fiz foi perguntar se você poderia ir. O resto é tudo dela. A Sra. Weasley é única.

Ele parecia confuso.

- Bem, eu prometi que iria se ela me aceitasse. Suponho que tenho que ir agora.

- Você tem que ir. - disse ela, satisfeita – Reservarei nossos lugares no Nôitibus Andante.

- E suponho que preciso começar a comprar presentes de Natal. - Eles subiram outro lance de escada. - Existe algo trouxa para minha mãe que ela possa gostar? Ou devo te dar dinheiro para conseguir algo para ela no Beco Diagonal?

- Tenho certeza de que podemos encontrar algo que sua mãe vai gostar.

Quando chegaram ao andar dos seus apartamentos, seguiram caminhos separados. Eles tinham compras para guardar, Draco precisava se arrumar para o trabalho e Hermione tinha poções para preparar para Belby e uma carta a enviar a uma certa loira no exterior.


Draco estava usando seu casaco de inverno, as mãos enfiadas nos bolsos para mantê-las aquecidas. Ele estava a caminho da biblioteca. Iria começar a trabalhar como voluntário. Por um tempo. Valeria a pena pelo menos para aumentar suas chances de conseguir algum tipo de emprego que o deixasse trabalhar durante o dia.

A semana anterior tinha sido uma semana excepcionalmente longa.

É certo que equilibrar as horas de voluntariado na biblioteca durante o dia e trabalhar no restaurante à noite também prometia algumas longas semanas pela frente.


Hermione escrevera à Harry para certificar-se de que ele iria à Toca no Natal. Várias cartas depois, ficou determinado que ele iria na véspera de Natal - Teddy e Andrômeda apareceriam à noite - mas que voltaria à casa de Andrômeda depois do café da manhã no dia de Natal para comemorar com eles. Duda iria a Grimmauld Place no dia 26, Hermione seria bem-vinda se quisesse aparecer também. Ela perguntou se poderia levar Draco.

De alguma forma, durante a troca de cartas, Harry e Hermione concordaram em se encontrar para fazer algumas compras de Natal no Beco Diagonal depois que ela terminasse o serviço com Jorge naquele dia. Para surpresa de Hermione, Harry havia entrado direto na loja e estava conversando com Lino Jordan quando Hermione saiu da parte de trás do estabelecimento. Jorge tinha mais trabalho a fazer naquela noite - era a estação do visco encantado e das bolas de neve que podiam seguir o alvo escolhido até que se conectassem. Hermione deu um abraço em Harry e se despediu de Lino e então os dois saíram para a rua.

Harry puxou a capa ao seu redor enquanto iam em direção à Floreios e Borrões (com um sorriso de Harry diante da previsibilidade de Hermione) e depois em Artigos de Qualidade para Quadribol (com um olhar revirado de Hermione). Eles andaram pelo Beco Diagonal, curtindo a companhia um do outro e conversando baixinho, ocasionalmente comprando algo que pensavam ser um bom presente para alguém. Havia novas luvas de quadribol para Gina. Uma manta para Teddy com feitiços aquecedores incorporados. Um medalhão para Molly. Por fim, entraram no Caldeirão Furado e pediram a Tom uma cabine particular, de modo que os dois pudessem conversar em paz. Harry não havia tido problemas com repórteres durante os últimos meses, pois tinha estado quase completamente fora do mundo mágico.

Eles pediram o jantar e sentaram-se depois que Tom os deixou sozinhos.

- Estou feliz que Andrômeda e Teddy estejam indo à Toca para a véspera de Natal. Acho que será bom para Molly ter um bebê em casa.

- Isso pode ajudar a tirar sua mente de algumas coisas. Estou um pouco nervoso, honestamente. Será a primeira vez que vejo qualquer um dos Weasley desde...

- Nem mesmo Gina? - Hermione perguntou, surpresa. Ela pensava que ele tinha visto pelo menos Gina depois de sair do seu esconderijo.

- Eu nem mesmo escrevi para Gina. Apenas respondi à Molly para dizer-lhe quais são meus planos de Natal - disse Harry, tomando um gole de bebida.

Hermione balançou a cabeça.

- Harry. É Gina.

Ele assentiu em concordância.

- É Gina. E... nós dois tivemos algo no sexto ano. E então você, Rony e eu saímos perseguindo Horcruxes durante o ano seguinte. Não tenho certeza de que processei tudo isso ainda. Passei por muita coisa e ela não estava comigo. E eu sei que ela passou pelo próprio inferno e eu não estava com ela. Acho que nenhum de nós somos a mesma pessoa que éramos há um ano e meio atrás. Talvez as pessoas que somos agora sejam compatíveis, talvez não, mas ainda não estou pronto para tentar. - Ele tomou outro gole de sua bebida, sua voz diminuindo aos poucos. - Eu tenho sido um péssimo amigo para você neste outono. Estou tentando consertar isso. Você merece muito mais. E eu preciso ser um bom padrinho para Teddy. Ele merece isso. Além disso... além disso... não sei o que ainda resta de mim para oferecer a alguém neste momento. Não é uma desculpa. É apenas um fato.

Hermione apertou a mão dele.

- Harry, eu sei como é não ter mais nada para oferecer. Afinal, não é como se eu tivesse ido atrás de você nos últimos meses também. Acho que nós dois precisávamos de um pouco de tempo e espaço para que nossas cabeças se acalmassem. Estou feliz que as coisas estão melhores com seu primo agora.

- Ainda parece um pouco surreal - Harry admitiu. - Mas você parece estar bem. Está trabalhando com Jorge e começou seu aprendizado.

- Parece que estou indo bem porque você não acompanhou a fase em que eu não conseguia me vestir sem chorar, trancada no meu apartamento por meses. Draco me ajudou a passar por aquele período. Eu me certifiquei de que ele não ateasse fogo em seu apartamento e, em compensação, ele estava lá por mim. Obrigada por permitir que ele me acompanhasse à sua casa.

- Ele é da família de Teddy e Andrômeda. E suponho que agora ele seja da minha família de alguma forma também. - Ele torceu o nariz. - Esse é um pensamento estranho. Mas se você o quer lá, eu estou bem em recebê-lo. O que está acontecendo entre você e Malfoy?

- Ele é importante para mim. Não sei o que dizer além disso. - Ela fez uma pausa, saboreando o jantar enquanto aproveitava o momento para pensar. - Estou aprendendo com Belby há apenas duas semanas, e você sabe o quê? Sinto falta de Draco. Não sinto falta de pessoas - há Belby, Jorge, Lino e o mundo inteiro agora que eu realmente saio do meu apartamento todo dia. Sinto falta dele. Ele trabalha à noite e eu estou trabalhando o dia todo, então nos vemos menos agora e eu sinto falta de vê-lo. Ele faz o tipo de coisas legais para mim que você ou Gina poderiam fazer - certificando-se de que eu tenha um bom aniversário, por exemplo, e não o passe sozinho. Não sei se ele se sente culpado por anos de tormento. Ou apenas solitário após ser cortado da vida de todos aqueles que conhece. Ou se é apenas parte de sua evolução para se tornar um melhor ser humano. Ou talvez ele apenas esteja jogando comigo e certificando-se de permanecer nas minhas boas graças para que eu continue ajudando-o enquanto ele continuar sem magia, mas voltará ao jeito que era antes daqui a sete ou oito meses. Eu não sei. E não tenho certeza se me importo. No momento, prefiro ter a companhia dele, quer isso signifique alguma coisa ou não. - Hermione soltou um suspiro. Ela não estava completamente preparada para a torrente de palavras que soltou, mas também não a surpreendeu totalmente. Ela evitara pensar muito sobre aquilo. O que quer que fosse, era. Ele era importante para ela e seu apoio neste outono a ajudou a se curar e a chegar onde estava agora. Ela e Rony só tiveram um relacionamento propriamente romântico por alguns meses antes que ele fosse assassinado. Ela estava confortável com Draco. Eles se apoiavam e cozinhavam um para o outro. E conversavam. E riam juntos. Não parecia diferente de sua amizade com Harry se ela pensasse dessa forma. Ele era importante para ela e não precisava ser definido.

Harry ficou quieto por um momento antes de responder.

- Sou grato a ele por ter estado lá quando você precisou de alguém. Se eu posso perdoar Duda por anos de abuso, imagino que vou me acostumar com Malfoy também. Eu não guardo mais rancor das coisas passadas. Se ainda guardasse, não teria testemunhado por ele.

- Bem, obrigada - disse ela, sorrindo aliviada. Ela não esperava uma discussão com Harry sobre incluir Draco nas festas, mas ouvi-lo dizer que estava tudo bem dava a ela um certo alívio.

Eles mudaram a conversa para outros tópicos. Hermione pediu a ele que enviasse uma coruja à Gina - independentemente de querer ou não algum tipo de relacionamento com ela - apenas para descansar a mente e deixá-la saber que ele estava bem. Eles conversaram muito sobre o Sr. e a Sra. Weasley e tudo o que haviam feito por Harry e Hermione ao longo dos anos. Ela fez o possível para convencer Harry de que uma visita a Hogwarts poderia lhe fazer bem, mas ele disse que ainda não estava pronto. Existiam muitos fantasmas metafóricos (e vários reais). Bem, se ele não fosse – ela o questionou - consideraria escrever para Neville ou McGonagall? Ele respondeu que pensaria sobre aquilo.


Draco questionava-se o que era pior: carregar livros ou pratos. O pior que um livro poderia conter era poeira, enquanto não havia fim para que tipo de coisas poderia manchar suas camisas quando ele carregava pratos. Ainda assim, ele estava aprendendo. Aparentemente, os números nas lombadas realmente significavam algo, e Theresa havia lhe mostrado um pouco mais sobre o sistema de catalogação. É certo que ele também teve que trabalhar com a mulher idosa de voz rouca algumas vezes.

Eles estavam arquivando livros quando Theresa perguntou:

- Como vão as escritas?

- Não vão. Eu tentei, mas pareço ser um lixo nisso. Tudo parece... antinatural.

- Você já tentou escrever sobre o que sabe?

Ele bufou. Ele havia escrito sobre dragões, hipogrifos, duendes e Diabretes da Cornualha.

- Acredite, eu estou familiarizado com o meu assunto.

- Mas você realmente tem conhecimento sobre isso? - ela persistiu.

Ele arqueou uma sobrancelha, sem saber ao certo sobre o que ela estava falando. Ele estava cansado. Trabalhar na biblioteca poderia ser mais agradável se ele também não estivesse servindo mesas à noite, mas como Hermione havia apontado, ele estava com pouca experiência profissional e pouca educação. Tinha muito o que aprender antes de sequer pensar em sair do restaurante.

- Tente escrever sobre você.

- Não quero que ninguém leia sobre mim. Não que eu pense que haveria mercado para isso de qualquer maneira - disse ele com firmeza.

- Não estou dizendo que você precisa escrever para ser lido. Apenas escreva para se acostumar a escrever. Para ter uma ideia. Você ficaria surpreso. Agora, depois que terminarmos este carrinho, ainda haverá mais dois para arquivar, em seguida você e a Sra. Smith podem organizar a seção infantil. O grupo Mamãe e Eu fez trabalhos manuais hoje e as mesas... - Ela riu. - Acho que você encontrará glitter por lá durante uma semana.

Ele suprimiu um gemido.

- Você disse que ela vai se aposentar em breve, não é?

Ela assentiu.

- Ah, sim. Mal posso esperar. Se me for permitido solicitar o financiamento, obteremos muito mais computadores. Será a próxima grande novidade, posso sentir. E eu gostaria de convidar alguns autores para ler os livros aqui.

Draco empurrou o carrinho. Theresa era um pouco alegre demais às vezes. Ele tentou se lembrar de que queria um emprego com horário diurno e que, por esse motivo, valeria a pena suportá-la.