Capítulo 23: Estrondo


Uma guirlanda pendia da porta de Draco e outra pendia da sua porta. Hermione não havia feito muito pela decoração - ela não possuía nada. Mas saiu e comprou uma guirlanda para cada um deles e as pendurou nas respectivas portas, de modo que Draco as visse quando chegasse em casa do trabalho. Ela também adquiriu uma pequena árvore - um metro de altura, pequena o suficiente para ser colocada sobre uma mesa - e uma caixa de enfeites para decorá-la. E algumas meias de Natal. Não era muita coisa, mas era alguma decoração. Era como se dissesse que eles não deixariam a temporada passar completamente despercebida. Ela não colocou os enfeites na árvore - queria que Draco a ajudasse com aquilo.

Hermione escreveu para Narcisa perguntando se eles seguiam alguma tradição de Natal. Narcisa havia respondido em uma longa carta, falando sobre os pratos que os elfos domésticos cozinhavam, de como eles olhavam suas meias na véspera de Natal, mas abriam os outros presentes no dia 25. Ela descreveu os tipos de decorações que os elfos domésticos utilizavam para enfeitar a mansão e até mandou um enfeite para a árvore. Ela também enviou um presente de Natal para Draco e pediu para que Hermione o mantivesse até o Natal.

Hermione também estava planejando ir à biblioteca em busca de algumas lembranças de Natal. Ela queria assistir a alguns dos clássicos que ela e sua família assistiam quando ela era criança - como O Grinch, De Ilusão Também se Vive, talvez A Felicidade Não se Compra ou Um Conto de Natal. Nada soava tão natalino como Charles Dickens. Talvez se soubesse quantos poucos Natais teria com seus pais, ela não teria os deixado sozinhos para passar o Natal com Harry e Rony, ano após ano.

Ela engoliu em seco e respirou fundo algumas vezes. Duvidava que passasse o Natal sem algumas lágrimas, mas tentaria. Por enquanto, era hora de pensar em outras coisas. As compras de Natal tinham sido uma boa distração. O que ela iria comprar para Draco? E Harry? Faltavam apenas dez dias para o Natal. Ela teria uma expedição para reunir ingredientes de poções na noite seguinte. Talvez perguntasse a Draco se ele gostaria de fazer compras para sua mãe no dia seguinte durante o dia.

Enquanto isso, ela escreveu uma carta.


Draco já estava ficando cansado de trabalhar em dois lugares diferentes. Ele bateu à porta de Hermione para lhe entregar um pedaço de bolo do restaurante e não obteve resposta. Perguntou-se se ela estava dormindo ou com Potter. Ele havia recebido uma ligação perdida durante o dia; Draco não ouvira o celular tocar enquanto estava na biblioteca.


Era quinta-feira quando eles finalmente se encontraram, era sábado quando ambos estavam livres ao mesmo tempo para irem às compras de Natal. Draco gemeu interiormente com a perspectiva de fazer compras. Aquilo era algo que ele já desfrutara bastante. Novas roupas, novos acessórios de quadribol e dinheiro para comprar o que ele quisesse. Agora, ele estava bastante limitado pelo seu orçamento e pelo conhecimento de que quase tudo o que ele normalmente compraria estava totalmente fora de alcance. Hermione, não particularmente inclinada a fazer compras a menos que livros estivessem envolvidos, gostava de encontrar coisas que trariam um sorriso ao rosto de outras pessoas. Eles caminharam juntos pelas lojas.

- Eu tenho que levar algo para os Weasley. Minha mãe me enfeitiçaria se eu aparecesse na casa de alguém para o Natal sem nada, mas eu não tenho a menor ideia do que comprar para eles - disse Draco, dando uma olhada em um anjo de cerâmica bastante chamativo.

Hermione riu.

- Bem, o Sr. Weasley ficará feliz com qualquer coisa trouxa, especialmente se tiver um pouco de tecnologia envolvida. Ele é totalmente fascinado por trouxas. A senhora Weasley é uma querida. Ela cozinha o suficiente para um exército e é muito maternal. Ela cuidou de mim e de Harry sem nunca questionar e sempre nos tratou como um dos seus.

- E minha mãe? - ele perguntou, arqueando uma sobrancelha. O que, em nome de Salazar, ele poderia encontrar em uma loja trouxa que sua mãe iria querer?

Hermione levantou a mão em um gesto de rendição.

- Você a conhece melhor. Joias, roupas ou... alguma coisa para colocar em uma prateleira? E se nós lhe enviássemos uma foto sua? Em uma bela moldura? Ela não vê seu rosto há muito tempo.

Draco teve que admitir que isso poderia ser a coisa certa para sua mãe. Ela podia ser surpreendentemente sentimental às vezes.

- Como vamos tirar uma foto? E quantos outros Weasleys existem?

Rindo fracamente, Hermione começou uma lista. Eles tinham muitos presentes para tentar encontrar, embora ela estivesse pensando em ir ao Beco Diagonal no dia seguinte em busca de algumas coisas. O Natal aproximava-se rapidamente.


Segunda à tarde, Hermione não foi à loja. A carta que ela havia escrito na segunda-feira anterior havia sido respondida com relutância por Arthur Weasley.

Não era algo que ela já se imaginara fazendo, mas lá estava ela. Ela pedira à única pessoa que sentiu que podia, perguntando como poderia fazer aquilo e ele relutantemente deu a ela as respostas que precisava. Hermione foi para o Ministério e esperou por sua chave de portal.

Não demorou muito para que alguém trouxesse duas. O bruxo um pouco entediado que as trouxe parecia surpreso em vê-la, mas não comentou nada.

- A xícara de chá vermelha a levará até lá. A maçaneta a trará de volta em uma hora. Quando você chegar, precisará entregar a maçaneta ao guarda e ele a devolverá depois que terminar sua visita. Você não deve trazer nada de lá. O guarda confiscará sua varinha enquanto estiver lá.

Hermione assentiu com força, seu estômago revirando um pouco.

- Compreendo.

Ele entregou-lhe as chaves de portal e, em seguida, ela sentiu o puxão familiar.

Azkaban. Ela nunca pensara em visitar aquela prisão. Mesmo com os dementadores banidos de suas paredes, ainda era um lugar misterioso. De qualquer forma, ela tinha ido até lá por uma razão e seguiria em frente. Aproximou-se do guarda, que verificou sua identidade com a varinha e manteve a própria varinha de Hermione e a chave de retorno na mesa.

- Jenkins irá acompanhá-la. Sua chave de portal de retorno estará ativada em uma hora. - Ele olhou por cima do ombro. - Howell Jenkins!

- Não vou demorar - prometeu.

Um homem loiro de olhos verdes apareceu e fez um gesto para Hermione segui-lo pelo corredor. O lugar era desolador. Era difícil imaginar que Sirius tinha estado ali há mais de uma década. Ela estava agradecida pelos dementadores terem sumido. Não tinha certeza de que poderia ter feito a viagem se eles ainda estivessem protegendo o lugar. Jenkins a parou em um corredor.

- Sua visitante está aqui - disse ele ao prisioneiro. - Eu estarei no final do corredor, se você precisar de alguma coisa - informou à Hermione. O homem caminhou cerca de cinco metros de distância para dar-lhe um pouco de privacidade, mas a manteve na linha de visão, caso os prisioneiros tentassem fazer alguma coisa.

A porta da cela era constituída por barras, o que permitia que Hermione visse um homem loiro lá dentro. Ele tinha uma cama, um lavatório e pouco mais que isso. Uma cadeira tinha sido colocada para ela do lado de fora da cela, onde o homem não podia alcançá-la. Ela duvidava que ele fosse muito ameaçador atrás das grades e sem a varinha, mas o Ministério gostava de tomar precauções. Seu cabelo estava grudado ao rosto, como se não tivesse sido lavado recentemente, embora parecesse que ele estava tentando se manter bem cuidado.

- Olá, Sr. Malfoy.

- Hermione Granger. Fiquei surpreso quando eles disseram que eu ia receber uma visita e quase caí da cama quando me disseram quem era. Você é a última pessoa de quem eu esperava uma visita. Como eu posso te ajudar? - Havia um pouco de sarcasmo em sua voz. Ele fez uma meia reverência.

Ela sentou-se na cadeira de frente para ele.

- Não é exatamente uma visita que eu esperava fazer, mas não tinha certeza de que eles estavam lhe dando notícias. Sei que você foi condenado antes de sua esposa e filho, e pensei que você poderia querer saber o que aconteceu com eles.

Um olhar faminto apareceu brevemente no rosto de Lúcio Malfoy. Ele estava preocupado, queria desesperadamente saber onde estava sua família.

- Os guardas deram a entender que eles poderiam estar aqui, mas eu nunca fui capaz de confirmar isso.

- Eles não estão aqui - disse ela, calmamente. - Harry testemunhou por eles. Sua esposa foi exilada do país por um tempo. Seu filho viverá sem magia durante um ano.

- Nenhum deles está em Azkaban? - ele perguntou, precisando ouvir as palavras.

- Nenhum deles está em Azkaban - ela confirmou.

Um desdém apareceu no rosto de Lúcio.

- É claro que Potter não testemunharia por mim.

Hermione sentiu seu temperamento esquentar.

- Você merece estar aqui, no mínimo por ter entregado uma Horcrux a uma criança de onze anos – ela lhe disse.

- Isso nunca foi provado - disse ele na defensiva, olhando em volta como se os guardas estivessem bisbilhotando, esperando que ele admitisse algo.

Ela sentiu um pouco de raiva e sua voz exalou isso.

- Independentemente disso, eu fiz essa viagem uma vez e não voltarei a fazê-la. Se você se preocupa em saber o que aconteceu com sua esposa e filho, não vai discutir comigo nem me dar desculpas. - Ela parou um minuto para ver se ele se atrevia a objetar, mas ele não o fez. Ela continuou - Harry tinha boas razões para testemunhar em nome de Draco e Narcisa. Ele não tinha nenhum motivo para testemunhar por você. Até onde eu sei, Narcisa está se saindo bem. Ela é uma mulher resiliente. E Draco é um sobrevivente. Ele adaptou-se bem o suficiente para viver sem magia e está assumindo o controle de sua vida. Ambos têm menos de oito meses restantes em suas sentenças. É Natal essa semana.

Ele respirou fundo duas vezes. Ele hesitou antes de soltar as palavras, mas elas foram sinceras.

- Obrigado por fazer um esforço e vir aqui me dizer isso. Era um grande peso na minha cabeça. Às vezes eu pensava... que eles poderiam estar aqui. Que eu poderia tê-los arrastado junto comigo.

- Por nada - ela respondeu. - Mais alguma coisa?

- Não tenho permissão para receber cartas, por isso não tenho notícias deles. Eles estão indo bem? Realmente?

Hermione hesitou.

- Eu não vi Narcisa, mas escrevi a ela. Eu não a conheço bem o suficiente para saber se ela está diferente do normal agora, mas de acordo com as cartas que recebi... ela parece estar de bom humor. Está se mantendo ocupada. Preocupa-se com Draco, mas eu lhe disse que ele está indo bem.

Apareceu um sorriso cansado no rosto de Lúcio.

- Você está usando o primeiro nome dos dois. O Ministério designou você para vigiá-lo, então?

Ela balançou a cabeça.

- Não. Mas eu ajudei Draco a navegar no mundo trouxa durante seus primeiros dias. Ele pegou as coisas rapidamente. Não penso que ele considere as coisas trouxas particularmente difíceis, apenas desagradáveis. - Ela quase sorriu. Quase. Olhou para o relógio. - Estou ficando sem tempo. Tenho que ir. Feliz Natal.

- Diga a eles que eu os amo. Você faria isso?

- Eu direi. - Ela se levantou e começou a ir embora.

- E que eu sinto muito. Por muitas coisas. - A compostura dele tinha quebrado, Hermione podia sentir na voz dele.

- Eu lhes direi - ela repetiu, alto o suficiente para que ele ouvisse. Ela não tinha certeza de qual seria a duração da sentença dele. Mas não esperava que ele saísse dali tão cedo. Ela se perguntou se prender alguém por décadas realmente faria algum bem à pessoa. Lúcio Malfoy se beneficiaria de um ano sem magia? Ela balançou a cabeça. Era um pensamento para outro dia. Talvez em alguns anos ela estivesse disposta a advogar em seu nome. Talvez. Certamente não naquele momento.


No dia da véspera de Natal, Draco foi até o apartamento de Hermione. Ela queria assistir a um ou dois filmes de Natal antes de pegar o Nôitibus Andante. Ele estremeceu ao pensar no ônibus. Nunca precisou andar nele antes, mas todas as histórias que ouvira eram terríveis. Quando ele foi tomar o café da manhã, percebeu que não tinha uma mochila ou bolsa para levar suas coisas. Ele aceitou com relutância o uso da velha mochila do Weasley. Não era como se houvesse algo errado com ela; apenas parecia uma péssima ideia levá-la para aquela casa. Ainda assim, era uma opção menos humilhante do que permitir que Hermione guardasse as coisas dele na bolsa dela (que tinha um feitiço indetectável de extensão) e precisar pedir por elas, como uma criança que precisa pedir uma camisa limpa à mãe.

E então Hermione cozinhou enquanto ele fazia as malas, em seguida eles começaram a assistir O Grinch.

- Por que ele é verde?

- Porque ele é um Grinch. Ele é o Grinch, só existe um - explicou ela. – O filme é curto, você entenderá.

Draco teve que reconhecer que ela estava certa naquilo - o filme mal durou tanto quanto o bacon e os ovos.

- O que você achou?

Draco olhou para a morena.

- Foi interessante - respondeu. - Eu diria que a maioria dos meus natais costumava girar em torno de presentes e comida. Não sei se consigo imaginar minha família se reunindo na neve e cantando. - Ele notou um olhar melancólico no rosto dela. - O quê? Você está me imaginando cantando na neve? Isso não vai acontecer.

Ela balançou a cabeça e juntou os pratos. Eles ainda tinham tempo antes de pegar o ônibus. Poderiam assistir outro filme.

- Eu estava pensando que minha família e eu costumávamos sair cantando canções de Natal juntos, quando eu era pequena. Talvez se eu soubesse quantos poucos natais teríamos juntos... - Ela não terminou o pensamento. - Draco, eu tenho que te contar uma coisa.

- O que? - ele perguntou, olhando-a por cima do ombro. Ela estava ocupada na pia. Ele não conseguia entender por que ela estava lavando a louça à maneira trouxa. Ele mordeu o lábio. Ela deveria estar querendo ocupar as mãos, percebeu. Ela estava nervosa. Oh Merlin.

- Falei com seu pai. Na segunda-feira. Não posso falar com meus pais, mas... achei que seu pai deveria saber que você está bem. E que sua mãe está bem. Ele foi condenado antes de você e... eles não tinham lhe dito se vocês estavam em Azkaban ou o que havia acontecido com vocês. Pensei que ele deveria saber. - As palavras saíram atropelando umas às outras.

Ele se levantou e olhou para ela.

- Como ele está? - Tentara não pensar muito em seu pai nos últimos meses. As emoções eram conflitantes demais. Culpá-lo por sua perda da magia ou sentir-se culpado por estar livre enquanto ele estava na prisão? Tudo tinha sido demais para lidar em agosto, então ele simplesmente não pensara naquilo.

- Foi bom para ele saber que vocês dois estão bem - ela disse suavemente. - Não acredito que os guardas estavam fazendo-o pensar que você também estava em Azkaban. Não é tão ruim quanto poderia ser - não há dementadores agora, mas ainda é uma prisão. Ele disse que o ama. E que sentia muito. Por muitas coisas.

Em um segundo, Draco estava parado ao lado da mesa olhando para ela, em outro, ele estava do outro lado da sala e a abraçava. Foi... surreal. Mal se lembrava de ter decidido atravessar a sala, mas lá estava ele.

- Obrigado. Você não precisava... - Ele a soltou.

Ela deu de ombros, um pouco envergonhada.

- Eu não precisava, mas achei que vocês mereciam ter notícias uns dos outros. Escrevi para sua mãe e disse a ela que o vi. Só não sabia ao certo como contar a você.

O loiro passou os dedos pelos cabelos e a olhou pelo canto do olho. Hermione representava algo para ele que não sabia explicar. Azkaban. Ele estremecia apenas com o pensamento de seu pai indo para lá. Sequer pensara em ir até lá para uma visita. Draco estava determinado a fazer deste um bom Natal para ela. Ele já tinha planejado, mas... agora era ainda mais importante que ele fizesse as coisas direito.

- Como fazemos toda essa cantoria na neve?

Aquilo provocou uma risada nela.

- Nós provavelmente teríamos que encontrar um pouco de neve. Não caiu muito aqui. E eu teria que te ensinar as letras. Algumas delas são bem fáceis. Temos tempo suficiente para um filme antes de pegarmos o ônibus. Vamos escolher um.

Ela mostrou a ele os outros filmes que havia pegado no Biblioteca - De Ilusão Também se Vive, Um Conto de Natal e A Felicidade Não se Compra...

- Este - ela disse, escolhendo De Ilusão Também se Vive. - É ótimo. Minha família e eu costumávamos assistir a isso quase todos dos anos.

Eles se sentaram juntos no sofá para assistir ao filme, Hermione fornecendo comentários úteis sobre as várias tradições trouxas que estavam vendo. Draco teve um pouco de dificuldade para entender quão sagrada era toda a ideia do Papai Noel, o que gerou uma conversa sobre como aquele era um dos últimos vestígios de uma crença em magia que as crianças ainda mantinham. Ele simplesmente não conseguia entender. Magia fazia parte da vida. Ele também estava um pouco duvidoso sobre a perspectiva de renas voando sem asas.

Os dois estavam sentados lado a lado no sofá, com os joelhos se tocando. Draco sentiu-se contagiado pelos sorrisos de Hermione - ela conhecia o filme bem o suficiente para sorrir antecipadamente quando algo de bom estava para acontecer. Seria um Natal muito diferente de qualquer outro que ele tivera até então. Pensou com tristeza em seus embrulhos para os presentes. Seus dois primeiros saíram tão malfeitos que ele os refez depois de finalmente ter pegado o jeito. Por outro lado, Hermione também havia embrulhado os dela da maneira trouxa e eles estavam muito arrumados. Ela não fazia ideia de que havia um feitiço para embrulhar presentes até que ele a perguntou por que ela não estava usando magia.

Quando os créditos começaram a rolar, Hermione viu as horas.

- Temos que ir. É quase meio-dia - disse ela. - E nós temos uma reserva.

Draco se levantou do sofá e pegou seu casaco e a mochila emprestada, com seus presentes cuidadosamente embrulhados dentro. Hermione pegou sua bolsa de contas. Tinha tudo o que precisava. Eles caminharam silenciosamente até a rua e Hermione esticou o braço da varinha para chamar o Nôitibus Andante.

O ônibus chegou com um estrondo, derrapando ao virar a esquina. Sua cor era de um roxo berrante e possuía três andares de altura. Era uma das coisas mais horríveis que Draco já havia visto. Hermione forneceu seus nomes e os números da reserva e pagou ao condutor o valor exato em sicles, que então os deixou entrar.

Draco fez uma careta. Passageiros e malas estavam espalhados por todos os lados e nenhuma das poltronas parecia estar presa ao chão. Ele escolheu uma aleatoriamente e segurou a mochila no colo. Hermione fez o mesmo.

- Melhor se segurar - ela avisou, fazendo uma careta.

Ele se perguntou aonde poderia se segurar e tentou desesperadamente agarrar-se à parede enquanto o ônibus entrava em movimento novamente. O motorista dirigia como um louco e o ônibus aparecia e desaparecia o tempo todo. Draco perdeu a conta, mas ficou tentado a dizer que eles haviam desaparecido e reaparecido em outro lugar por pelo menos meia dúzia de vezes durante a viagem. Ele tinha certeza de que, se tivesse comido alguma coisa depois do café da manhã, estaria gravemente doente.

No começo, ele pediu à Hermione para lhe ensinar canções de Natal. Qualquer coisa para tirar sua mente do movimento do ônibus. Mas, depois de um tempo, tudo o que conseguiu suportar foi ficar sentado ali, de olhos fechados, e deixá-la recitar as canções para ele.

Por fim, o ônibus parou e o condutor os chamou. Ele estava muito doente para olhar pela janela, então sua primeira visão da Toca foi quando desceu do ônibus, agradecendo a Merlin pelo chão firme. Ele olhou para o jardim selvagem, coberto por alguns centímetros de neve, e pensou ter visto um gnomo atrás de uma das sebes. A casa inteira parecia bastante instável e alta em relação à largura.

Hermione cutucou-o nas costas.

- Vamos lá. É quente e aconchegante lá dentro e todo mundo está nos esperando.

Draco olhou para ela. Ele podia sentir a apreensão por trás da alegria forçada.

- Tem certeza de que quer entrar?

Ela assentiu.

- Eu tenho que enfrentá-los algum dia. Eles são a única família que me resta. - Lado a lado, eles se aproximaram da casa e bateram na porta enquanto o Nôitibus Andante desapareceu, atormentando seus passageiros um pouco mais.