N/T: Aqui está mais um capítulo natalino para todos que, assim como eu e Melissa R, também amam essa época. Esse é um dos meus capítulos favoritos, espero que vocês também gostem dele o tanto quanto eu gosto. E espero que minha tradução esteja à altura da escrita de alta qualidade de DragonGrin e que eu tenha conseguido passar para vocês, leitores, todas as sutilezas desse capítulo. Me deixem saber sua opinião. Boa leitura!


Capítulo 24: Visco


Draco e Hermione aguardaram apenas um segundo antes que a porta se abrisse e a Sra. Weasley estivesse lá, sorrindo calorosamente para eles.

- Bem-vindos, entrem, entrem, Feliz Natal, para vocês dois! - disse ela, colocando-os para dentro. - Como foi o Nôitibus Andante, queridos? - ela perguntou.

A cozinha estava quente e bem iluminada. Várias panelas pareciam estar ocupadas com várias coisas sendo feitas ao mesmo tempo. Algumas vozes podiam ser ouvidas vindo da sala de estar. Draco notou imediatamente grandes diferenças entre a casa em que estava naquele momento e a sua mansão. Ali, claramente, a cozinha era o coração da casa. Um dos livros escolares da Weaslette estava sobre a mesa, e havia fotos dos filhos penduradas nas paredes - algumas recentes, outras não. Não estava silenciosa, mas também não estava barulhenta. Era o som das pessoas vivendo. Ele gostou. Draco só percebeu que Molly Weasley havia perguntado algo a ele quando Hermione o cutucou com o cotovelo.

- Como?

- O Nôitibus Andante parece tê-lo deixado um pouco pálido. Eu tenho algo para isso, se você quiser. A primeira viagem é sempre a mais difícil.

Ele olhou surpreso para a matriarca Weasley, perguntando-se se ela realmente estava preocupada com ele ou se na verdade ela apreciava seu desconforto. Com um choque, ele percebeu que ela realmente sentia muito por ele estar doente. Com certeza sua aparência estava refletindo a forma como ele se sentia naquele momento.

- Sério, eu estou bem. Obrigado. Foi... foi apenas um pouco mais difícil do que eu esperava.

- Bem, você não precisará enfrentar aquilo de novo por um tempo. Você e Hermione são bem-vindos a ficar o tempo que quiser. Tenho certeza de que Gina gostaria de ter companhia antes de voltar para a escola. É tão bom tê-la em casa novamente. - Ela olhou para uma das colheres mexendo preguiçosamente alguma coisa no fogão, que se endireitou novamente sob o olhar dela. - Oh, crianças, vocês ainda estão carregando suas malas. Imagino que queiram guardá-las.

- Nós podemos guardá-las, mas ficaríamos felizes em ficar aqui se você precisar de uma mão - Hermione ofereceu. Ela imaginou que haveria muitas bocas para alimentar.

- Onde está? - murmurou. Ela enfiou a mão no avental e puxou uma folha de papel dobrada. - Eu posso precisar de ajuda mais tarde, Hermione, mas eu tenho tudo sob controle por enquanto. Eu tenho uma lista aqui de onde todo mundo vai dormir. Mudamos algumas coisas. Hermione, você ficará com Gina. Jorge ficará com Percy. Gui e Fleur ficarão no quarto de Gui quando chegarem aqui. Carlinhos já está acomodado no quarto de Rony, mas se Andrômeda e Teddy decidirem que querem passar a noite, nós arrumaremos o sofá para Carlinhos, de modo que Andrômeda e Teddy possam ficar lá em cima. Draco, isso deixa você e Harry no quarto de Fred e Jorge, Harry já guardou suas coisas. Ainda tem um pouco de cheiro de pólvora, mas você deve ficar confortável.

- Eu vou te mostrar onde fica - Hermione ofereceu. Draco assentiu e subiu as escadas com ela. Ela silenciosamente apontou as portas enquanto subiam. - Lá é o quarto de Gui e esse é o quarto de Gina. Se Harry ainda tiver algum juízo, ele estará aí dentro conversando com ela. - Subiram outro lance de escadas. - Aquele é o quarto de Percy e aqui está o quarto de Fred e Jorge. - Ela bateu uma vez para verificar se Harry estava lá dentro e, quando não houve resposta, ela abriu a porta.

O quarto cheirava um pouco à pólvora e, embora claramente tivesse sido arrumado recentemente, ainda havia sinais da habitação anterior por todo o lugar, como se quem tivesse arrumado quisesse deixar tudo como estava antes. Havia sinais de produtos semiacabados, mas também tinha duas camas bem arrumadas, cujos lençóis pareciam ter sido lavados recentemente.

- Acho que Jorge não poderia ficar aqui. É o único motivo que consigo pensar que o teria levado a dividir um quarto com Percy - disse Hermione, sentando em uma das camas. Uma mochila que ela reconheceu como a de Harry estava aos pés dela.

- Eles não se dão bem? - Draco perguntou. Às vezes, ele se perguntava como seria ter um irmão. Quando era criança, normalmente gostava de ser o único foco da atenção de seus pais.

Hermione bufou baixinho e sorriu. Parecia um bom momento para uma pequena história da família.

- É um eufemismo. Percy sempre foi muito rígido, muito acadêmico. Acho que era o mecanismo de enfrentamento dele por ser um pouco estranho. Gui era o mais velho e foi monitor e Monitor-Chefe. Seria difícil para os mais novos superarem isso. Sei que Rony sentiu a pressão. De qualquer forma, Carlinhos foi o próximo e ele foi aparentemente o último apanhador de qualidade da Grifinória até que Harry apareceu. E foi também capitão do time e monitor. - Hermione balançou a cabeça. - Creio que os dois eram populares e faziam amigos facilmente. Percy se dedicou à vida acadêmica - ele é inteligente e estudioso - e conseguiu ser monitor e Monitor-Chefe. Mas acho que ele não fazia amizade facilmente, por isso tentava compensar. Então Fred e Jorge apareceram. Eles tinham um ao outro e não precisavam de muito mais. Eram engraçados e brilhantes e faziam amigos facilmente. Eles não se importavam com realizações acadêmicas. E agora, Fred se foi.

Draco entendeu, olhando as coisas espalhadas sobre a mesa.

- Uma família grande tem um conjunto de pressões completamente diferentes do que ser filho único, eu acho.

A morena assentiu, alisando a colcha sem pensar. Era estampada com lírios e Hermione tinha certeza de que não estava na cama quando Fred e Jorge dormiam naquele quarto. Ela imaginou que Molly devia ter tirado do armário quando descobriu que a casa iria se encher de gente.

- Se você subir para o próximo andar, há o banheiro. Um andar acima é o quarto de Molly e Arthur. E no topo está o antigo quarto de Rony. Harry ficava lá com ele durante o verão. Gostaria de saber se Harry não perguntou se podia ficar lá ou se Molly apenas achou que seria muito difícil para ele.

- Eu perguntei - Harry disse, aparecendo na porta. - Eu disse a ela que preferiria ficar em qualquer outro lugar.

- Harry! - Hermione disse, levantando-se e atravessando a sala para abraçá-lo. - Você deveria estar conversando com Gina.

- Eu conversei e conversarei mais depois - disse ele. - Mas precisava de um tempo agora. - Ele deu a Draco um sorriso fraco. - Ei, colega de quarto. Espero que você não se importe.

- É melhor do que um apartamento vazio. - Ele colocou sua mochila na cama livre.

- Ou uma casa vazia - Harry concordou. - Quando Carlinhos voltar, vamos tentar jogar quadribol. Você quer jogar?

Apareceu um vislumbre de esperança no rosto de Draco. Ele se perguntou se poderia voar em uma vassoura sem a sua magia. Pensou que poderia, pois a própria vassoura estaria encantada.

- Não - Hermione disse firmemente. Ela olhou para Harry. - Você sabe que ele está em liberdade condicional.

- O Ministério não ficará sabendo que ele está voando.

Ela encarou Harry.

- Esse não é o objetivo. O objetivo é passar um ano sem magia. Fui ao Ministério e pedi permissão apenas para trazê-lo aqui no Nôitibus Andante.

Harry revirou os olhos.

- Mas isso não utiliza nenhuma magia. Malfoy aparatou comigo até a casa de Andrômeda.

- Ainda não tenho certeza de que o Ministério não possa mandá-lo para Azkaban por causa disso - disse ela, mordendo o lábio.

- Eles sequer ficarão sabendo.

Hermione franziu a testa.

- Se você quer aparatá-lo, isso é entre vocês dois, mas eu dei minha palavra que, se eu trouxesse Draco para uma casa bruxa durante as festas, eu não permitiria que ele acessasse nenhuma magia, então nada de voo.

Draco estava dividido entre a diversão de assistir aos dois discutindo e a frustração pela conversa estar acontecendo como se ele não estivesse lá.

- Estou bem aqui, sabem. Suponho que não vale a pena arriscar dividir uma cela com meu pai por uma hora de quadribol.

Harry encolheu os ombros.

- Bem, Carlinhos deve chegar aqui em breve, então iremos jogar na campina além do pomar, caso vocês dois queiram assistir.

- Se Molly não precisar de ajuda, eu adoraria assistir - disse Hermione. Harry olhou para ela com ceticismo. - Bem, não tanto pelo quadribol, mas seria bom ver todo mundo - ela admitiu. Harry riu e saiu do quarto.

Hermione olhou ao redor da sala. Ela não havia passado muito tempo ali durante os dias de Hogwarts - os gêmeos sempre estavam explodindo algo -, mas ela podia sentir a presença de Fred e Jorge fortemente.

- Suponho que é melhor eu colocar minhas coisas no quarto de Gina. E vou pegar meus presentes e colocá-los debaixo da árvore na sala de estar. Você quer vê-los jogar? Ou vai ficar aqui em cima? Imagino que Carlinhos chegue logo.

Draco inalou profundamente. Ele não era um fã do cheiro de pólvora. Quantas explosões deviam ter acontecido naquele quarto para que o cheiro durasse tanto tempo? - Vou tirar meus presentes da mochila e encontrá-la lá embaixo. - Ele ficou sentado na cama por mais alguns minutos e passou os dedos sobre a costura da colcha. Ele disse que iria àquela casa se Molly Weasley realmente o recebesse de braços abertos e ela o recebeu. Que tipo de mulher era aquela, que mesmo depois de tudo o que havia perdido... ainda podia abrir sua casa para o filho de um Comensal da Morte? Para um jovem com a Marca Negra no braço? Como podia agir de forma tão carinhosa com ele?

- Os grifinórios são loucos - disse ele, em voz baixa.

Mas não havia força por trás de suas palavras. Sentiu-se um pouco humilhado ao perceber o quão grato ele estava por todos aqueles ridículos grifinórios estarem cuidando dele. Hermione o havia ajudado naquele ano muito além do que ele jamais poderia pagar. Ele havia tentado parar de equilibrar o placar - nunca a alcançaria. E Potter estava formando uma nova família e o convidara a se juntar a ele. E a Sra. Weasley... a Sra. Weasley não havia olhado para Draco de maneira diferente do que havia olhado para Hermione.

Ele sentiu-se um pouco enjoado, e não era devido apenas ao Nôitibus Andante. Ele sempre havia zombado dos Weasley por terem tão pouco - na verdade, parte dele ainda não sabia dizer se iria acordar e ver aquele quarto destruído, caso ventasse um pouco mais forte - mas ali estava ele. E haviam lhe dito que poderia ficar pelo tempo que quisesse. Draco olhou para a pequena pilha de presentes que trouxera e perguntou-se se realmente eram suficientes. Ele poderia estar sentado sozinho em seu apartamento agora, olhando para as paredes e esperando Hermione voltar da Toca. Mas ali estava ele. Balançou a cabeça. A vido podia ser irônica às vezes. Cuidadosamente, empilhou os presentes nos braços para levá-los escada abaixo até a árvore.

Ele encontrou nas escadas um ruivo que não reconheceu e quase deixou os pacotes caírem, mas o homem o ajudou.

- Cuidado! Eu vou descer em um momento, informe a Harry que apenas vou me trocar - o homem gritou por cima do ombro enquanto subia apressadamente o resto das escadas.

Draco olhou em volta para ver com quem o homem estava falando e percebeu que deveria estar falando com ele. Nunca o tinha visto antes, mas imaginou que devia ser... Carlinhos? Ele balançou a cabeça e desceu as escadas. Encontrou Potter envolvido em uma conversa com Jorge e um homem com uma cicatriz no rosto. Uma vassoura estava encostada na parede. O Sr. Weasley conversava com um jovem que usava óculos.

Draco sentiu-se um pouco constrangido enquanto colocava seus presentes embaixo da árvore. Ele não tinha certeza de como se aproximar. Decidiu falar com Potter.

- Alguém subindo as escadas me pediu para te dizer que desceria em um minuto - ele disse.

- Ótimo. Então poderemos começar. Eu não voo há muito tempo - disse Potter. - Você e Hermione estão vindo?

- Ela deve descer daqui a pouco - disse Draco.

Ele se sentiu um pouco sem jeito. Não tinha certeza de que realmente precisava se apresentar àquelas pessoas - certamente eles sabiam quem ele era, mesmo que ele não soubesse os nomes de todos os Weasley. Ele virou-se para o Sr. Weasley.

- Obrigado por me convidar para o Natal. Informe-me se houver algo que eu possa fazer para ajudar.

Arthur Weasley sorriu de volta. Era um sorriso de verdade, embora ele estivesse cansado. Ele estava feliz que tudo parecia estar voltando aos trilhos. Nova vida fluíra para Molly durante todos os preparativos. Carlinhos havia chegado em casa uma semana mais cedo para surpreendê-los e Gui e Fleur estavam chegando agora. Percy estava morando em casa novamente. Harry e Hermione estavam ali pela primeira vez desde Rony... Era bom ter todo mundo junto novamente.

- Certamente. Estamos felizes em recebê-lo. Podemos precisar de uma mão para trazer as cadeiras extras do galpão.

Draco foi salvo de mais conversas por Hermione descendo as escadas, acompanhada pela Weaslette e pelo homem que havia passado por Draco nas escadas. Enquanto Hermione arrumava seus pacotes debaixo da árvore, Gina falou para a sala em geral.

- Todo mundo está aqui? Quadribol! Ou a mãe vai me fazer ficar e ajudar com os pudins - ela sussurrou.

A tropa inteira saiu da casa, deixando a Sra. Weasley sozinha com Fleur para preparar o jantar. Draco seguiu todos os ruivos até o outro lado da propriedade em direção ao galpão de vassouras e viu-se carregando uma caixa de bolas junto com Hermione. Depois de passarem pelo pomar, entraram em uma campina bem escondida.

- Podemos jogar quadribol aqui sem os trouxas nos verem, desde que não voemos muito alto - explicou Carlinhos.

O jogo de Quadribol não foi muito parecido com o que Draco conhecia. A multidão de pessoas escolheu os lados e evidentemente o homem de óculos - Percy - marcou os pontos. Não havia apanhador, mas apenas uma goles e um balaço. O homem com a cicatriz e Jorge tinham bastões. Duas árvores foram designadas como as balizas.

Hermione e Draco estavam sentados na beira da campina.

- Seria divertido ver Carlinhos e Harry como apanhadores, mas eles não têm pessoas suficientes para isso - Hermione disse, em voz baixa.

Eles torceram pelas duas equipes e, depois de um tempo, Percy parou de se preocupar em anotar os pontos e começou a contar a Hermione e Draco sobre sua posição atual no Ministério. Draco pôde entender por que ele não era popular na escola, mas manteve um sorriso educado no rosto e um olho no jogo.

Uma hora depois, todos os jogadores desceram, com frio, corados e cansados, mas felizes. O Sr. Weasley argumentou que, caso estivesse em uma vassoura mais firme, teria bloqueado o último ponto da filha.

Enquanto voltavam pela neve até a casa, o crepúsculo se aproximava. Draco podia ver as luzes nas janelas e a fumaça saindo da chaminé. Hermione estava certa. Parecia aconchegante.

Houve uma pequena confusão quando os móveis foram levados para a cozinha. A Sra. Weasley enviou todos para o andar de cima para se trocarem depois que as mesas e cadeiras estavam dispostas e pediu a Hermione e Gina para voltarem e ajudarem com os últimos preparativos da refeição. Draco e Harry foram chamados para pôr a mesa. Percy e Jorge foram ordenados a servir bebidas para todos. A Sra. Weasley se desviou uma ou duas vezes do visco encantado, até que ela e o Sr. Weasley acabaram se encontrando debaixo dele.

Enquanto Draco organizava os pratos e Harry os talheres, Draco perguntou em voz baixa:

- Potter, você sabe alguma coisa sobre canções de Natal?

Potter olhou para ele surpreso e quase deixou cair a pilha de garfos da mão.

- Canções de Natal?

- Sim, canções de Natal, Potter. - Ele lançou um olhar para Hermione do outro lado da cozinha. - Eu sei que envolve pessoas cantando e andando na neve. É para Hermione. O que você sabe sobre canções de Natal? - Ele mal podia acreditar que estava tendo que perguntar aquilo.

- Canções de Natal - Potter murmurou, olhando para Hermione e Gina. - Os Dursley nunca me deixaram cantar, mas eu sei algumas músicas. Você anda por aí e bate nas portas de estranhos e então canta para eles.

- Você acha que poderíamos fazer isso por aqui? - ele perguntou.

- A vila não é tão longe. Acho que poderíamos - disse Harry, arrumando as últimas facas e garfos.

Draco assentiu.

- Depois do jantar então.

- Vou ver se mais alguém quer ir.

Assim que eles terminaram de pôr a mesa, Andrômeda entrou com Teddy nas costas e foi conduzida para a sala de estar para ser apresentada a todos que não faziam parte dos preparativos.

Por fim, a mesa gemeu sob o peso de toda a comida. Uma dúzia de cadeiras incompatíveis e uma cadeira alta estavam espremidas em torno da mesa habitual e da mesa extra que havia sido trazida. Draco se viu sentado entre Hermione e Potter.

Havia muita comida e bebidas para todos. A cadeira alta de Teddy estava espremida entre Molly e Andrômeda. Uma mecha de cabelo ruivo apareceu em sua cabeça antes que a refeição terminasse. Draco não tinha certeza do que diria a qualquer uma daquelas pessoas, mas sempre havia pelo menos três conversas ao mesmo tempo e uma delas geralmente tinha relação a algo que ele entendia. Molly Weasley variava entre paparicar Teddy, garantir que todos comessem bastante, perguntar em volta da mesa como todos estavam e tentar arrumar o cabelo de Gui, embora Fleur apontasse que ela gostava daquele jeito.

Harry e Carlinhos conversaram sobre as táticas de quadribol por boa parte da noite e Hermione passou de conversa em conversa - ela estava animadamente falando com Jorge e Percy a certa altura mas Gina tentava lhe contar sobre seu ano escolar - e ela ainda procurava Draco para se certificar de que ele estava bem. Ele deu um sorriso encorajador. Alguém perguntou a eles como era o Nôitibus Andante e Draco respondeu que preferia tentar o transporte trouxa da próxima vez, levando a uma discussão entre o Sr. Weasley e Hermione sobre que tipo de transporte trouxa estaria disponível.

O barulho era mais alto do que Draco estava acostumado, mas não era esmagador. Qualquer discussão era bem-humorada e geralmente baseada em uma vida inteira de história. Havia algo de confortável naquilo tudo, mesmo estando em um lugar onde ele nunca esperaria estar confortável.

Quando Draco pensou que seu estômago não aguentava mais nada, a Sra. Weasley anunciou a sobremesa. A festa mudou-se para a sala, exceto Gui e Carlinhos, que haviam sido designados para trazer chá e bolo. Hermione, Draco, Harry e Gina carregaram cadeiras extras para a sala e todos se sentaram ao redor do rádio.

Draco ouviu apenas superficialmente enquanto Fleur descrevia as mudanças que haviam sido feitas no Chalé das Conchas e Percy e o Sr. Weasley expressavam ideias políticas divergentes. Ele apenas notou que Harry havia se levantado e sussurrado algo para a Sra. Weasley quando ele voltou para onde Andrômeda estava e começou a brincar com Teddy. Draco não falou muito durante aquela parte da noite, mas aproveitou o conforto ao seu redor. Não era luxuoso como estava acostumado, mas era confortável.

Finalmente, Harry e Gina puxaram Draco e Hermione de volta para a cozinha, acenando para a Sra. Weasley.

- Vamos, peguem seus casacos, nós temos que ir - Gina disse brilhantemente.

- Onde estamos indo? - Hermione perguntou, olhando para a festa na sala.

- Cantar. Vão pegar seus casacos. - Gina ordenou.

Em pouco tempo, os quatro saíram pela porta da cozinha.

- Cantar na neve, exatamente o que você queria, não é? - Draco disse, olhando para Hermione. Ele chutou um pouco de neve com a ponta do sapato.

Harry deu a Draco e Gina um pedaço de pergaminho.

- Eu escrevi as letras de algumas das músicas mais curtas.

Gina liderou o caminho. Depois de um tempo, eles se viram diante de uma casa com formato de torre e ela se aproximou da porta.

- Ok. Então Hermione, como fazemos isso?

Hermione riu fracamente.

- Vamos começar a cantar e então você bate à porta. Aqui, essa não é muito difícil.

Todos eles começaram a cantar.

We wish you a Merry Christmas

We wish you a Merry Christmas

We wish you a Merry Christmas

And a happy new year!

Good tidings we bring,

To you and your kin,

Good tidings for Christmas and a happy new year

No final da página, Harry havia rabiscado "Comece de novo do início".

E assim fizeram, enquanto Gina bateu à porta.

DiLua Lovegood era a última pessoa que Draco esperava ver do outro lado, por isso quase se engasgou com a música.

- Papai! Venha ver! Alguém veio animar o Natal - disse ela, alegremente.

Xenofílio Lovegood havia se recuperado um pouco sob os cuidados de sua filha, depois do que passara no ano anterior.

- Eles estão aqui para o jantar? - ele perguntou.

Draco gemeu e Hermione sorriu.

- Não conseguiríamos comer mais. Mas pensamos em aparecer e cantar.

Luna os conduziu para dentro da casa e pediu ao pai dela que fizesse chá. Havia folhas de azevinho em seus cabelos loiros. Draco se encolheu com o sorriso no rosto dela - ela havia ficado presa em sua casa por vários meses. Ele não a libertara. Foi ali que a Weaslette os levou para cantar? Potter disse que a vila trouxa não estava longe.

Eles tomaram chá de hortelã-pimenta e Hermione lhes ensinou outra música, dessa vez sobre renas voadoras - o que ainda pareceu mais ridículo para Draco, mas despertou o interesse dos Lovegoods.

Quando a chaleira estava vazia, eles procuraram seus casacos para seguir em frente. Para surpresa de Draco, Luna Lovegood se aproximou dele. Ele se encolheu, sem saber o que esperar. Ficou perplexo quando ela o abraçou e sussurrou em seu ouvido.

- Você estava assustado e perdido, como todos nós. Eu não te odeio, Draco Malfoy. Feliz Natal. - Ela colocou um ramo de azevinho atrás da orelha dele e anunciou: - Isso irá protegê-lo dos zonzóbulos. Alguém mais gostaria de um? - Ela enfiou a mão nos cabelos e puxou outro ramo. Em vez de discutir com a garota de olhos sonhadores, todos os grifinórios aceitaram e agradeceram.

Eles deixaram a casa e caminharam pela neve em direção à vila. Não havia muita neve, mas o vento estava começando a soprar. Eles levantaram os colarinhos e decidiram voltar para a Toca. Gina e Harry assumiram a liderança, e Draco foi atrás com Hermione.

- Sinto muito por não termos cantado para os trouxas.

- Você tentou. Obrigada, Draco - ela disse, estendendo a mão e apertando a dele.

Quando todos chegaram à casa, era mais tarde do que haviam imaginado. Andrômeda e Teddy já haviam partido e o Sr. e a Sra. Weasley estavam pensando seriamente em ir para a cama, uma vez que haviam enfrentado uma verdadeira montanha de pratos sujos.

- Vocês se divertiram? - perguntou Arthur.

- Sim. - Gina puxou os ramos de azevinho do cabelo. - Não tenho certeza se essa cor me favorece, mas foi um presente de Luna.

Molly sorriu tristemente.

- Convidei os Lovegoods para hoje à noite, mas Luna me disse que seu pai ainda se sente desconfortável em grandes grupos.

Todos ficaram em silêncio por um tempo e ouviram o rádio até que os dois casais se retiraram para a cama. Carlinhos, Percy e Jorge estavam envolvidos em um jogo de Snap Explosivo e só foram dormir quando Percy quase perdeu uma sobrancelha. O lado positivo foi que Jorge esboçou um sorriso.

- E então sobramos nós quatro - disse Hermione.

- Três - Harry corrigiu. - Estou muito cansado e irei para a casa de Andrômeda logo após o café da manhã.

Os olhos de Gina o seguiram enquanto ele subia as escadas. Ela balançou a cabeça.

- Eu também vou dormir, senão o cara louco da roupa vermelha com renas voadoras não virá me trazer brinquedos, certo? - ela perguntou.

Hermione aprovou sua compreensão da cultura trouxa.

- Eu vou dormir em breve. Gostaria apenas de tomar outra xícara de chá.

- Vou preparar um pouco - Draco ofereceu.

Hermione riu.

- Você não sabe onde está qualquer coisa nessa cozinha. Eu farei isso. Mas obrigada.

Draco a seguiu até a cozinha de qualquer maneira. Ele não estava com pressa de voltar ao Nôitibus Andante. Poderia muito bem descobrir onde o chá e as xícaras estavam guardados. Eles ficaram em silêncio enquanto Hermione fazia uma xícara de chá para cada um.

- Obrigada por mais cedo - disse ela, entregando a dele. - E obrigada por vir comigo aqui. Seria muito mais difícil passar os próximos dias sem você.

Ele pegou a caneca e deixou aquecer as mãos.

- Sempre que precisar. Sinto muito por não termos chegado à vila.

- Não importa.

Houve uma pausa.

- E obrigada.

Ela arqueou uma sobrancelha.

- Por quê? Por te arrastar até o outro lado do país em um ônibus da morte?

Ele jogou o cabelo para trás.

- Por me incluir. Eu poderia estar sentado sozinho no meu apartamento agora, olhando as paredes e esperando a alegria de Natal do mundo exterior ir embora.

- Eu não deixaria você sozinho - disse ela.

- E você acha que está no comando de tudo? - ele perguntou, erguendo uma sobrancelha para ela.

- Bem, eu sempre fui mandona. O planejamento faz parte do meu trabalho. Eu não deixaria você passar as festas sozinho. Não tenho certeza de que eu poderia ter passado o Natal sozinha, também. Ou se poderia vir aqui sozinha. Estou feliz de ter visto todos, mas... adiei por tanto tempo que fiquei nervosa. E sei o porquê. Ouço a dor na voz da Sra. Weasley sempre que ela diz os nomes de Rony ou Fred. É difícil não se referir a Jorge como "Fred e Jorge" ou "os gêmeos". - Ela balançou a cabeça. - Mesmo nos piores pesadelos da sra. Weasley eles ainda estavam juntos. - Ela enxugou os olhos. Droga. Quando foi que ela começou a chorar?

Ele apoiou a mão no ombro dela, sem saber o que mais fazer.

- Vamos lá. Eu tenho uma coisa para você - disse ele, guiando-a de volta para a sala de estar. Ajoelhou-se e vasculhou a pilha de presentes até encontrar o que procurava. - Eu sei que o Natal é amanhã, mas na minha casa sempre abrimos nossas meias na véspera. - Ele entregou a ela uma meia de Natal. Hermione riu e Draco de repente se sentiu constrangido. Ele havia escolhido uma meia com um gato. Ele pensou que ela gostava de gatos. - O que há de errado com isso? - ele perguntou.

- Nada... é que... eu perguntei a sua mãe quais tradições de Natal vocês seguiam. Também tenho uma meia para você. É por isso que fiquei aqui quando Gina subiu as escadas. Queria ter certeza de te entregar nesta noite. - Ajoelhou-se ao seu lado, encontrou a meia que trouxera e a entregou a ele.

- Abrimos juntos? - ela perguntou.

Ele assentiu e abriu a meia dele. Viu-se olhando para um diário com capa de couro, com uma caneta presa. A capa era macia e as páginas pareciam grossas o suficiente para que a tinta não manchasse o outro lado, mesmo que ele usasse uma pena.

Hermione estava assistindo à reação dele e ainda não havia olhado sua própria meia.

- Está tudo bem? - ela perguntou, um pouco preocupada. - Por acaso, vi alguns pedaços de papel pelo seu apartamento. Pensei que... talvez se você tivesse um lugar para guardar tudo, estaria menos inclinado a jogar fora o que quer que seja que você está escrevendo.

A boca de Draco ficou aberta por um momento. Ele não tinha contado a ela sobre sua escrita. Ela havia visto suas tentativas fracassadas?

- É perfeito. Agora abra a sua ou ficaremos aqui a noite toda.

Hermione enfiou a mão na meia e pegou um pequeno presente embrulhado. Ela rasgou cuidadosamente o papel e se viu olhando para uma pequena caixa de música. Ela abriu a tampa e mordeu o lábio quando a melodia começou.

- Eu vi você olhando para ela quando estávamos fazendo compras outro dia. Você a pegou por um longo tempo, mas colocou-a de volta com esse olhar abatido no rosto. Voltei e comprei no dia seguinte. Desculpe-me. Eu posso pegar de volta e comprar outra coisa. - Merlin, ele estava divagando. Havia pensado que tinha escolhido algo que ela gostara e simplesmente não compraria para si mesma.

Hermione encontrou a voz.

- É perfeita. É linda. É... a música que minha mãe costumava cantarolar para mim quando ela estava me preparando para dormir ou me acordando de manhã antes da escola. - Ela estendeu a mão e o abraçou com um braço, a caixa de música na outra mão livre. - Obrigada.

- Tem certeza?

Ela enxugou os olhos.

- Sim.

Draco fez o possível para se levantar sem esmagar nenhum dos presentes. Ele tentou aliviar o clima.

- Será uma loucura amanhã de manhã, não é? - Ele viu Hermione procurando uma maneira de se levantar e ofereceu sua mão. Ela aceitou e ele a puxou.

- Oh, vai ser um pouco caótico. Mas eu gosto. Tenho certeza de que você pode imaginar. Haverá papel de presente por todos os lugares, as pessoas estarão rindo e então todos tomaremos o café da manhã.

Ele balançou sua cabeça.

- Se eu não estivesse aqui hoje à noite, nunca seria capaz de imaginar. Acho que nunca me sentei para uma refeição com tantas pessoas fora de Hogwarts.

Hermione ficou lá, segurando a meia e sua caixa de música nas mãos.

- Eles são boas pessoas. Sempre trataram a mim e a Harry como parte da família. Acho que uma das coisas que Harry sempre gostou é que a Sra. Weasley o tratava como um de seus próprios filhos e não como uma celebridade. Os Weasley certamente tratam Harry melhor do que a própria família dele o trata. - Ela engoliu em seco. - Como meus pais se foram, agora... as pessoas aqui são a única família que me resta. - Ela mudou de assunto e foi em direção às escadas. Eles realmente deveriam ir dormir. - É difícil? Estar longe de seus pais? Eu escolhi mandar os meus embora. Eu... eu conhecia os riscos. Eu esperava que fosse reversível, mas eu sabia...

De alguma forma, ela acabou sentando no primeiro degrau da escada, como se suas pernas não estivessem preparadas para segurá-la. Draco sentou-se no degrau ao lado dela. Ele decidiu soltar as palavras que vinha segurando há meses.

- A verdade é que às vezes eu odeio meus pais. Sinto-me um idiota dizendo isso, especialmente para você. Eles são meus pais, eu os amo. Mas eu tenho ressentimento. Nos últimos meses, e até mais, eu me pergunto como seria minha vida se eles tivessem feito escolhas diferentes. Educando-me de maneira diferente. Talvez eu não ficaria do lado errado da guerra.

- Não dá para mudar o passado.

- Imaginar não vai mudar nada, porém... - ele deu de ombros. - Eu sempre zombei dos Weasley, mas... uma pessoa poderia ter uma na vida muito pior do que crescendo nesta casa, cheia de pessoas que se importam com você - Tinha sido uma sensação estranha. Eles o fizeram se sentir bem-vindo, embora Salazar soubesse que não tinham motivos para isso.

Ela assentiu em concordância.

- Meus pais foram bons comigo, mas às vezes me pergunto como teria sido se eu não fosse filha única. E meus pais se orgulharam da minha magia quando descobriram que era real e que não estávamos todos simplesmente perdendo a cabeça. Mas eles nem sempre entendiam, e isso nos distanciava. Vivíamos cada vez mais em dois mundos diferentes. Gostaria de saber como seria ter pais que fossem bruxos também. Hermione recostou-se com os cotovelos e suspirou. Ela olhou para cima. Alguns viscos pairavam sobre suas cabeças.

- Alguém deveria ter impedido que Fred e Jorge inventassem viscos flutuantes.

- É natal.

- Sim. E provavelmente deveríamos ir dormir. - Hermione tentou se sentar e descobriu que seus cotovelos estavam presos na escada. - Só pode ser brincadeira - disse ela, balançando a cabeça. - Alguém deveria tê-los impedido.

- O que? - Draco perguntou.

- Tente se levantar.

Draco lutou para se mexer, mas descobriu que não estava saindo do lugar.

- Alguma ideia?

- Visco encantado. Acho que não podemos nos levantar a menos que nos beijemos. - Ela respirou, olhando para ele na penumbra. O fogo na lareira estava quase se apagando. A luz das estrelas entrava pelas janelas.

- Suponho que poderíamos chamar Jorge para quebrar o encanto.

- Ou poderíamos simplesmente cuidar disso. Não faz sentido acordar a casa inteira.

- Isso é verdade - ele concordou, olhando para ela. Houve uma pausa.

- Você vai? - ela perguntou.

- Vou o que?

- Me beijar. Para que possamos sair debaixo do visco e ir para a cama. Dormir. Não pretendo passar a noite nas escadas.

Draco respirou fundo e olhou para ela. Ela parecia muito séria. Ele tentou entender a outra expressão em seu rosto - nervosismo? ânsia? impaciência? Era difícil dizer. Ele se apoiou em um cotovelo e afastou os cabelos do rosto dela, com a mão em sua bochecha. Draco se inclinou e a beijou, pressionando seus lábios contra os dela. Durou apenas alguns segundos, mas ele teve certeza de que Hermione o beijou de volta. Ela cheirava a xampu de lavanda. Ele retirou a mão do rosto dela quando se separaram.

Hermione olhou para o teto.

- O visco se foi. Está flutuando do outro lado da sala. Acho que está enfeitiçado para sair assim que as pessoas se beijam. - Ela não se mexeu. - Isso foi legal.

Ele olhou para ela com orgulho ferido.

- Eu imaginava que pudesse me sair melhor do que legal, mesmo em um ângulo estranho sob um visco no meio da noite.

O rosto de Hermione poderia estar um pouco rosado, mas era difícil dizer sem uma luz apropriada.

- Tudo bem. Foi melhor que legal. E devemos ir para a cama. Está tarde.

- Você está certa. - Draco disse, olhando para o visco que flutuava inocentemente a um metro e meio de altura. Ele se levantou e ofereceu uma mão a Hermione, que a aceitou. Recolheram as meias de Natal e subiram as escadas juntos.

Hermione disse boa noite e entrou silenciosamente no quarto de Gina.

Draco subiu para o próximo patamar e abriu a porta do quarto que dividia com Harry. Ele bateu o joelho em uma cadeira no escuro, mas conseguiu encontrar o caminho para a cama e o pijama na mochila pelo tato. Trocou-se no escuro, com apenas um pouco de luz entrando pela janela. Ele podia ouvir Harry roncando fracamente. Soltou um suspiro. Por meses, Draco deliberadamente evitara pensar em certas coisas. Algumas coisas eram muito difíceis, confusas ou exaustivas - como a forma que se sentia em relação aos pais. Ele tinha a sensação de que todas as coisas em que não queria pensar ou rotular poderiam muito bem estar se aproximando dele. Ele não podia nem explicar completamente para si mesmo por que estava ali, dentre todos os lugares. Há alguns meses atrás, tudo aquilo era impensável, mas ali estava ele. Carregando pratos e cadeiras com Potter e os Weasley, como se fosse um deles. E parecia bom.

Sua mente passou por outras coisas que ele não havia rotulado naquele ano. Por que ele estava tão decidido a querer um emprego durante o dia? É improvável que o pagamento fosse melhor do que onde ele estava agora. Por que ele se deixou arrastar por metade do país naquele maldito ônibus da morte?

Sabendo que o sono não viria fácil naquela noite, ele tocou a capa do diário que Hermione lhe deu. Sentou-se na cama e começou a escrever à luz da lua.


Hermione estava acordada no quarto de Gina. Ela guardara a caixa de música e as meias de Natal em sua bolsa de contas. Rolou na cama, com o lábio inferior entre os dentes. Ela quase podia sentir a mão dele em sua bochecha. Ela não era beijada daquele jeito havia muito tempo.

Ela também sabia que havia mentido.

Ela sabia agora que, quando Harry a perguntou sobre ela e Draco, pensara estar dizendo a verdade. Ela estava mais feliz com Draco do que sem ele e não se importava por qual motivo ele estava lá com ela. Mas agora... agora ela queria muito saber por que ele passava tanto tempo com ela. E se ele iria ou não sumir de sua vida em sete meses, quando recuperasse sua magia.