Capítulo 28: Ciência


Draco colocou sua mente em busca da melhor maneira de convidar Hermione para sair. Ou teria colocado, caso ela não tivesse batido na porta dele bem cedo pela manhã. Ele ainda estava apenas acordando – e sem o foco necessário para uma tarefa daquela magnitude.

Ele atendeu à porta de pijama. Fez o possível para alisar os cabelos para trás antes de atender, mas não fazia ideia de que ainda tinha uma mecha de cabelo em um ângulo estranho do lado esquerdo.

- Hermione.

- Oi, Draco. Eu estava pensando que, como a biblioteca está fechada hoje e eu não terei minha aula com Belby, poderíamos ir à Heathrow. Quero dizer, o aeroporto. Conversamos na semana passada sobre aviões. Esse pode ser um bom momento para os vermos em ação. O aeroporto está sempre aberto - disse ela, puxando seu roupão sobre seu corpo.

O loiro olhou por cima do ombro para o relógio. Mal passava das oito. Ele chegou a encher sua chaleira com água para o chá, mas ainda não havia aquecido. Ele não tinha muita certeza do que esperar no aeroporto, mas passar um dia com Hermione seria provavelmente muito melhor do que passar o dia assistindo à televisão trouxa tentando encontrar ideias para um encontro sem nenhum de seus métodos habituais à sua disposição.

- Deve ser educativo. Tenho tempo para vestir roupas de verdade ou iremos vestidos assim? - Ele perguntou, passando um dedo sobre o punho da camisa do pijama de seda.

- Vista-se. É claro. Quero dizer, eu também não posso ir de roupão. Estamos comendo panquecas do outro lado do corredor, se você quiser. Acho que Gina não comeu todas.

Draco ficou um pouco desanimado com o fato da Weaslete ainda estar no apartamento de Hermione, mas não deixou isso visível.

- Eu já volto. - Ao fechar a porta, ele jurou que a viu sorrir. Vestiu-se rapidamente de calça e suéter, colocando o casaco por cima, acrescentando seu novo cachecol e colocando as novas luvas no bolso do casaco. Ele fez o possível para abaixar a parte não cooperativa de seu cabelo com água.

Conforme Hermione havia prometido, havia uma pilha de panquecas sobre a mesa e Gina estava sentada tomando café quando ele entrou. Hermione estava fora de vista, provavelmente se vestindo.

Draco pegou uma xícara de café na cafeteira e sentou-se à mesa. Ele tentou ignorá-la, mas a ruiva estava sorrindo para ele atrevidamente.

- O que? - ele perguntou.

- Você é inacreditável - disse ela.

Ele estreitou os olhos para ela e cuidadosamente colocou duas panquecas em um prato.

- Eu sou inacreditável, Weaslete?

- Você é. E não me chame de Weaslete.

- Se você realmente quer incomodá-la, Draco, deveria chamá-la de Ginevra - disse Hermione, usando jeans e um cardigã.

Draco esboçou um sorriso predatório.

- Por favor, passe a manteiga, Ginevra.

A ruiva olhou para a amiga.

- Não acredito que fez isso, Hermione. Você sabe como esse nome me irrita.

- Eu sei. É por isso que eu também sei que você vai parar de atormentá-lo e ele vai parar de chamá-la de Ginevra. - Ela olhou para os dois com um pequeno sorriso enquanto se sentava à mesa. - Gina, você decidiu se vai ou não conosco?

De repente, Draco desejou não ter atormentado a garota alguns segundos atrás.

- Eu ainda estou pensando sobre isso. Mamãe está me esperando de volta, mas imagino que meu pai irá me dizer que sou louca por perder uma oportunidade tão boa de observar criações trouxas maravilhosas se não for - disse ela.

Eles terminaram o café da manhã e, no final, Gina felizmente decidiu não acompanhá-los. Sua mãe já havia ficado suficientemente nervosa com o fato de ela passar uma noite fora.

- Acho que somos apenas nós dois então - disse Hermione, pegando suas coisas. - Vamos lá.

Eles viajaram durante um bom tempo no metrô antes de chegarem ao aeroporto.

- Você não pode passar pelo portão onde as pessoas embarcam. É necessária uma passagem - ela explicou em voz baixa. - Existem muitas medidas de segurança. Alguns desses aviões são enormes, transportam centenas de pessoas. Muita coisa pode dar errado.

Draco ficou chocado com o grande número de guichês de check-in, ocupados por funcionários bastante atarefados, cuidando das longas filas de pessoas impacientes carregando bagagens.

- Basicamente, depois que você faz o check-in, eles pegam suas malas e se certificam de que não há nada perigoso nelas. Então você passa pela segurança – para garantir que você não esteja carregando nenhuma arma. E então você pode passar pelo portão. Geralmente, há algumas lojas, restaurantes e cadeiras bastante desconfortáveis para se sentar enquanto você espera para embarcar no seu voo. Vamos lá, há um restaurante aqui de onde podemos ver os aviões chegando deste lado do portão e tomar um café.

Ela liderou o caminho em direção oposta ao controle de segurança até chegarem a um restaurante e se sentarem ao lado da janela.

Draco olhou para o lado de fora e ficou surpreso com o tamanho das máquinas que viu. Ele tinha visto aviões na televisão desde o começo do seu ano sem magia, mas nada que havia visto realmente o preparou para a realidade de um grande avião de passageiros – era de um metal reluzente, arredondado, cheio de janelas e alto o suficiente para que uma pessoa passasse por baixo.

- Essa coisa sai do chão? - ele perguntou duvidoso.

- Todo os dias - Hermione confirmou. Apenas continue assistindo.

Ele ouviu Hermione narrar o que ele estava vendo. Seus olhos se arregalaram com o número de pessoas que ela disse que transitariam por ali durante um dia, vindos de todo o mundo.

- Oh, olhe, aquele está decolando - ela disse, apontando para fora da janela.

A boca de Draco se abriu enquanto ele observava a enorme máquina começar a deslizar pela pista, ganhando velocidade à medida que avançava, indo cada vez mais rápido até que as rodas dianteiras e depois as traseiras se levantaram do chão. Uma máquina voadora carregando centenas de trouxas estava no ar, sem mágica.

A morena sorriu.

- É bastante impressionante, não é?

Ele assentiu em silêncio. Era apropriado que a comunidade bruxa se mantivesse escondida dos trouxas. Magia poderia não ser uma vantagem tão grande como ele sempre assumiu que fosse. Se os trouxas podiam colocar milhares de quilos de metal com centenas de pessoas no ar, o que mais eles não poderiam fazer?

- Se acha que isso é impressionante, deveria ver os programas espaciais. Trouxas foram à Lua há décadas. A aula de Estudos Trouxas de Hogwarts nunca cobriu isso. Eu estava lendo o jornal há algumas semanas e vi que eles acabaram de lançar a primeira parte do que será uma estação espacial internacional orbitando a Terra. - Ela olhou para ele. - Os bruxos já chegaram à Lua? Ou há alguma exploração espacial?

Draco franziu a testa.

- Existiram alguns bruxos cerca de cem anos atrás que tentaram. Não terminou muito bem e as pessoas pensaram que eles estavam loucos.

Hermione franziu a testa.

- A melhor solução poderia ser colocar bruxos em naves espaciais, como os astronautas, que os levaria à estação espacial internacional e depois eles poderiam explorar a Lua e planetas a partir daí. Mas acho que levará alguns anos até que algo assim seja possível.

Eles passaram algum tempo sentados no restaurante, observando os aviões e conversando. Draco percebeu que, mesmo que ele tivesse conhecimentos sobre feitiços, transfiguração e poções, havia áreas inteiras de estudo que ele nem sabia que existiam. Ele tinha uma compreensão bastante boa de matemática e escrita, mas sua história dos últimos mil anos tendia a se concentrar no mundo bruxo e só envolvia trouxas quando seus caminhos se cruzavam. Física, biologia, química, medicina... Todas as ciências que permitiram aos trouxas chegar onde estavam atualmente. Ele nunca havia sentido como se soubesse tão pouco.

- Eu não sei tanto quanto gostaria de saber sobre química e física - admitiu Hermione. - Eu sei o que aprendi na escola primária e já fiz alguns estudos por conta própria, mas são campos amplos e há muita coisa que não sei. - Ela afastou os cabelos do rosto. - Eu gostaria de ter saído de Hogwarts com um conhecimento completo do mundo bruxo e um conhecimento completo de tudo o que eu teria aprendido em uma escola trouxa, mas acho que não há horas suficientes durante um dia para isso. E depois de Hogwarts eu não poderia realmente voltar ao mundo trouxa e obter um histórico acadêmico. Por outro lado, às vezes ainda fico surpresa com as coisas que não sei sobre o mundo bruxo, como a Gina, por exemplo, que aprendeu dezenas de feitiços domésticos básicos com a mãe dela. Eu aprendi alguns deles, mas muitos não são ensinados em Hogwarts. Eles são transmitidos de mãe para filha e absorvidos ao longo da vida.

Draco pegou seu café para tomar um gole e percebeu que sua xícara estava vazia. Oh, genial.

- Tenho certeza de que a Sra. Weasley iria te ensinar, se você pedisse a ela.

- Eu tenho certeza de que ela iria. Mas não acho que é o tipo de coisa que ela poderia me ensinar em uma tarde. Tenho certeza de que existem feitiços esporádicos, culinários... Dezenas ou centenas de pequenas coisas que você aprende durante a vida. Coisas que eu não aprendi. Você sempre dizia que os nascidos-trouxas não eram iguais ao resto de vocês, não eram tão bons. O bom é subjetivo, mas acho que é válido dizer que não somos exatamente iguais. Não importa o quanto eu leia, sempre haverá coisas que não sei.

Ele balançou a cabeça enfaticamente.

- Somos iguais em todos os aspectos que realmente importam. Você me ensinou isso.

Hermione encontrou os olhos dele. Ela conseguiu ouvir a verdade na voz dele e ficou surpresa com o nível de sinceridade. Você não poderia apenas remodelar a visão de mundo de alguém em alguns meses. Isso não seria possível. Mas ela encontrou seus lábios se curvando em um sorriso de qualquer maneira. Um sorriso apareceu também no rosto dele, antes de ambos desviarem o olhar.

- Eu percebi há muito tempo que minha linhagem não tornava minha magia mais forte que a sua. Eu achava que deveria ser, mas estava equivocado. Não tenho mais magia que você, tampouco melhores amigos. Apesar de tudo o que eu dizia sobre Potter e Weasley... Eles eram verdadeiros amigos. - Ele não estava olhando para ela, mas deu de ombros, envergonhado, e fez o possível para mudar o tema da conversa. - É verdade que eu tenho um nariz e cabelos muito melhores.

- O que há de errado com o meu nariz? - ela perguntou, levando uma mão ao próprio nariz, como se quisesse se assegurar de que estava na mesma forma de sempre.

-Nada em particular. Simplesmente não tem a mesma linha aristocrática que o meu. - Ele virou a cabeça para dar-lhe uma boa visão de perfil e ela riu.

Foi um bom dia.


Draco contemplou qual seria o melhor curso de ação. Ele queria estar perto de Hermione o tempo todo. Ele trabalhava na biblioteca na esperança de que surgisse uma vaga. A conversa que tiveram no aeroporto abriu ainda mais os olhos para o quão pouco ele sabia sobre o mundo trouxa. Pelo menos ele conhecia algumas pessoas na biblioteca agora. Estava começando a sentir que seu conhecimento não era amplo o suficiente para ir a qualquer outro lugar.

A lembrança de Hermione sentada no braço de sua poltrona, o perfume dos seus cabelos e a sensação de seus lábios enquanto ela se inclinava para beijá-lo no Ano Novo estavam gravados em sua mente. Ele queria desesperadamente poder fazer isso de novo... E de novo.

Ainda assim, ele não a convidou para sair.

Apesar das garantias de Gina de que Hermione ficaria satisfeita com algo tão simples quanto jantar em seu apartamento, ele queria fazer algo melhor. Eles jantaram no apartamento um do outro muitas vezes nos últimos seis meses. Ele precisava ter certeza de que ela sabia que era um encontro e que ele estava se esforçando para fazer o que era certo.

Ele passou pelos canais da TV, assistindo aos rituais trouxas de encontros. Bater à porta com um buquê de flores parecia ser muito comum. Uma serenata debaixo da janela da garota parecia menos comum, então Draco decidiu não tentar a sorte com esse. Ir ao cinema parecia ser uma escolha popular para sair à noite e geralmente rendia alguns beijos no escuro. Ele achou a ideia um lixo. Se você pagaria para assistir um filme, não era melhor assisti-lo? E se o cinema fosse apenas como pretexto para beijar a garota, não seria melhor assistir a qualquer filme em casa?

Trouxas.

Em sua determinação de acertar, Draco chegou a pedir conselhos a seus colegas de trabalho. Uma das pessoas com quem ele tinha uma boa convivência estava trabalhando no turno de sábado à noite com ele. No final da noite, quando as coisas estavam menos movimentadas, ele finalmente fez a pergunta.

- Qual é o melhor lugar por aqui para levar alguém que você realmente quer impressionar?

Rick continuou carregando sua bandeja.

- Gosta de alguém?

- Poderia se dizer que sim.

- É a garota nova do bar? Porque acho que ela já está saindo com Frank.

- Não, ninguém daqui. Ela é especial. Eu quero conquistá-la. Alguma sugestão?

- Como ela é?

- Ela é inteligente, engraçada, gentil... Melhor do que eu mereço, provavelmente - ele admitiu.

- Não, não como ela é. O que ela gosta? Esportes? Roupas? Filmes?

- Livros. Tudo o que ela puder ler. O que comprova o quão inteligente ela é.

Rick olhou para ele.

- E você quer sair com ela?

- Sim - Draco disse, começando a ficar irritado.

- Leve-a para uma biblioteca.

Draco achou aquele conselho inútil. Levá-la para a biblioteca onde ele era voluntário não era exatamente sua ideia de um grande gesto romântico. Mas talvez fosse o começo de uma ideia.

Ele se forçou para pedir ajuda à Theresa na segunda-feira. Os dois estavam em uma das salas dos fundos, colocando códigos de barras em uma nova remessa de livros e digitalizando-os para o novo sistema com o qual Theresa estava entusiasmada. Ele não tinha muita certeza de como abordar o assunto, mas deu o seu melhor.

- Theresa?

- Sim? – disse ela, separando outro livro.

- Se eu fosse levar alguém para uma biblioteca realmente impressionante, qual você me recomendaria? De preferência fora da cidade.

- Fora da cidade? - ela franziu a testa. - Há tantas boas aqui. - Ela pensou por um momento. - Há a Biblioteca Bodleian, em Oxford. Uma das maiores do país. É maravilhosa. Eles têm horário de funcionamento para visitantes, ao contrário de outras bibliotecas universitárias.

- Qual é a distância daqui?

- Cerca de uma hora e meia de trem. Talvez um pouco menos de carro, dependendo do trânsito.

- Perfeito. - Ele franziu a testa. - E... bilhetes de trem. Posso usar meu cartão do metrô?

Ela o olhou como se ele fosse um pouco tolo.

- Não, você terá que ir à estação e comprar suas passagens.

Ele franziu a testa. Teria que descobrir como fazer aquilo. Fazer mais perguntas a Theresa só pioraria as coisas.

- Obrigado. - Ele a entregou o último livro com código de barras de sua pilha. - Vou abrir a próxima caixa.

Ela começou a segui-lo, sem saber exatamente do que se tratava a conversa ou como ele poderia ter vivido até então sem nunca ter comprado uma passagem de trem.


Draco levou alguns dias para organizar tudo. Com seus horários opostos, ele precisaria esperar até que tivesse uma noite de folga para fazer a pergunta importante e descobrir em que dia os dois estariam disponíveis para um passeio durante o dia inteiro. Foi preciso muita barganha para que alguém o substituísse na noite de sábado no restaurante. Ele teria que trabalhar duas vezes no domingo para compensar - brunch pela manhã e tarde e seu turno regular à noite.

Ele comprou um buquê de cravos. Teria preferido rosas, mas... estava com o orçamento apertado. Oh, como ele sentia falta de seu cofre em Gringotes. O seu ouro resolveria muitos problemas.

Draco ajeitou a gravata. Aprender a dar um nó na gravata sem magia tinha sido um dos pontos difíceis de lidar com seu guarda-roupa nos últimos meses. Polir os sapatos tinha sido outro. Ainda assim, mesmo que tivesse que fazer tudo sem magia, ele tinha uma ótima aparência. Era algo que aqueles malditos aurores e a Suprema Corte não haviam tirado dele. Ele sabia que era bonito.

Ele tinha passado a sua camisa e suas calças com o ferro de Hermione. Ela não pareceu querê-lo de volta; afinal, ela sempre poderia usar a magia para desamassar suas roupas. Olhando para os pés, ele admirou o brilho dos sapatos. Olhando por cima do ombro, teve que admitir que as calças exibiam o seu traseiro muito melhor que as vestes.

Draco engoliu em seco, colocando as chaves no bolso e pegando as flores que havia comprado no caminho para casa. Oh, Salazar. Ele estava realmente prestes a convidar Hermione Granger para sair. Perguntou-se o que sua mãe diria. Ela poderia lhe dizer que seria politicamente vantajoso. Ou poderia lhe dizer que mesmo olhar muito para a garota Granger poderia prejudicar suas perspectivas de casamento. De qualquer maneira, ele não se importava. Não tinha dúvidas de que seria mais feliz com Hermione do que sem ela.

Merlin, Circe, Morgana. E se ele estragasse tudo? E se ela não gostasse dele dessa forma e não quisesse nada com ele depois que a chamasse para sair?

Ridículo. Ele era charmoso, bonito, rico e inteligente. Por que ela não iria querer sair com ele?

Draco quase se afundou no sofá, mas se conteve quando percebeu que amassaria as calças. Ele havia atormentado Hermione por uma parte substancial de sua vida. Ele estava do lado errado da guerra. Ela foi torturada em sua casa. Como poderia colocar tudo isso de lado?

Bem, eles já tinham colocado de lado, certo? Eles estavam à vontade um com o outro. E aquele beijo. Ela o iniciou. Ela tinha que estar interessada nele. Não havia risco ali. Ele estava fazendo tudo corretamente.

Ele atravessou o corredor antes que pudesse se convencer do contrário. Com as flores em uma mão, ele bateu à porta com a outra. Seu coração deveria estar batendo assim? Merlin, quanto tempo levava para abrir uma porta? Pareceu uma eternidade. Ela já deveria ter voltado da loja de logros àquela altura - a menos que tivesse ido jantar em algum lugar?

Por fim, a porta se abriu e Hermione estava lá, ainda vestindo as vestes que usava tanto para o aprendizado quanto para trabalhar na loja. Estava cheirando a ervas e pólvora. Seu cabelo estava muito frizzado e armado.

- Draco. Essa é sua noite de folga? Você quer entrar e jantar?

Vamos Draco, as palavras não são tão difíceis assim, se repreendeu. Ele estendeu o buquê de flores para ela.

- Na verdade, Hermione, eu estou aqui para... te fazer uma pergunta.

- Você quer entrar?

- Não, não, eu estou fazendo as perguntas. - Ele balançou as flores um pouco para chamar a atenção dela novamente. - São para você. - Ele entregou o buquê a ela. - Me desculpe, não são rosas. Fiquei me perguntando se você poderia estar disponível no próximo sábado. Para um encontro. Comigo.

Ela olhou para ele, seu rosto meio escondido atrás dos cravos.

Draco se viu tentando preencher o silêncio.

- É só que eu gosto de passar um tempo com você e estava pensando que seria uma boa ideia irmos a um encontro. Se você quisesse. Eu gostaria. Eu acho que você gostaria também.

Merlin, por que ele não parava de falar? Estava parecendo um garoto do terceiro ano convidando uma garota para um passeio em Hogsmeade.

- Eu adoraria - Hermione interrompeu.

- Sério?

Um sorriso apareceu em seu rosto.

- Sim.

Draco precisou evocar toda sua concentração para manter sua postura firme e não se afundar de alívio.

- Você quer entrar? - ela perguntou de novo.

- Sim - disse ele, seguindo-a. Observou-a enquanto ela colocava as flores em um vaso e servia uma bebida a cada um. Ele tomou sua bebida, mas permaneceu na cozinha com ela.

Quando ela começou a vasculhar sua geladeira em busca de algo para colocar no forno, perguntou:

- Então, por que sábado? Por que não hoje à noite?

- Nunca se deve esperar que uma dama esteja disponível na noite em que a convida. Eu sei que você é uma pessoa ocupada. Pensei que seria necessário um aviso prévio.

Hermione escondeu o sorriso na geladeira e pegou um pouco de frango e macarrão para colocar no forno.

- E aonde vamos neste encontro?

Ele tomou um gole de vinho, olhando para ela. Agora que a pergunta importante havia sido respondida, sua frequência cardíaca havia voltado ao normal. Ele sorriu para ela.

- É uma surpresa. Você sabe como me sinto sobre surpresas, não é?

Ela riu.

- E você sabe como eu me sinto sobre elas. Prefiro ter tempo para me preparar para o que quer que esteja por vir.

- Mas minhas surpresas são sempre boas, não são?

- Geralmente - Hermione concordou. Ela colocou a comida no forno pré-aquecido.

- Então, a que horas é o nosso encontro?

- Às 8 horas.

- Da noite? - ela perguntou um pouco surpresa. Era um pouco tarde para o jantar, mas talvez eles fossem assistir a algum tipo de espetáculo?

- Da manhã - disse ele, com ares de presunção.

Ela arqueou uma sobrancelha, mas Draco sorriu e não fez mais nenhum comentário. Ela poderia tentar adivinhar, se quisesse, mas ele não iria estragar a surpresa contando seus planos.

Draco ficou no apartamento de Hermione por mais um tempo e eles conversaram e comeram. Houve um momento de hesitação quando ele saiu, mas Hermione apenas sorriu e fechou a porta. Se Draco queria levá-la em um encontro dali a alguns dias e sequer lhe dizer aonde iriam, ele poderia esperar por um beijo. Mas ela tinha que admitir, o pensamento tinha sido tentador.

Ela olhou para as flores em seu balcão. Quando foi a última vez que alguém havia lhe dado flores? Alguém já havia lhe dado flores antes?

Hermione respirou fundo. Um encontro. Ela não ia a um encontro desde Rony. E com Draco Malfoy, de todas as pessoas. Não seria muito diferente da maneira como normalmente passavam o tempo um com o outro, mas ele queria chamar de outra coisa. Para desenhar uma linha. Isso era algo, certo? Algum tipo de mudança de rumo.

Ela pensou que iria começar a chorar. Afinal, pensara em Rony e este seria um novo capítulo, um capítulo sem ele. Ela inalou profundamente e descobriu... bem, descobriu que não, ela não estava chorando.