N/I/T: Oi pessoas lindas! Só esclarecendo que o capítulo 29 foi postado no sábado, então se você ainda não o leu, volte lá e leia primeiro, pois tem alguns fatos importantes por lá. Obrigada ao anônimo que deixou um comentário no capítulo anterior (gostaria de deixar claro que eu também queria ter um encontro daqueles).
Capítulo 30: Segredo
Draco acordou com o corpo rígido e dolorido. Seu pescoço doía. Tentou se lembrar por que dormira sentado, mas a resposta estava em seu colo. Hermione estava deitada no sofá com as pernas enroladas e a cabeça no colo dele. Ela deveria ter escorregado do seu peito durante a noite.
Ele estendeu a mão e cuidadosamente passou os dedos pelos cabelos dela. A luz do dia entrava pela janela. Ele se perguntou que horas seriam. Provavelmente, logo teria que ir se preparar para seu turno duplo, mas parecia uma lástima se levantar naquele momento.
Hermione se remexeu um pouco, resmungando em voz baixa. Encorajado, ele continuou a passar os dedos pelos cabelos dela. Salazar, ela tinha algo. Ela chegara tão longe nos últimos meses, apesar de tudo o que a vida lhe fizera passar. O fim da guerra. Descobrir que ela não conseguiria recuperar a memória dos pais. Perder o Weasley. Aguentar Draco enquanto ele tentava encontrar seu caminho pelo mundo trouxa. Tudo o que ele queria naquele momento era ficar perto dela e fazer o que pudesse para tornar a vida mais fácil para ela. Quando aquilo havia acontecido? Ele não conseguiu descobrir. Draco sabia que no início só queria retribuir as gentilezas... para se certificar de que não estava em dívida com ela. Aquela dívida nunca seria apagada e Draco sabia disso. Mas agora ele queria melhorar as coisas para ela simplesmente porque ele se importava com ela.
Era um novo sentimento em sua vida.
Ela se mexeu novamente e seus olhos se abriram.
- Bom dia - ele disse em voz baixa.
Hermione sentou-se rapidamente, afastando a mão de Draco de seus cabelos sem querer e olhando em volta. Ela tentou ajeitar o suéter amarrotado.
- Sinto muito. Bom dia. - Ela levantou os braços, esticando-se um pouco. Ela não tivera a intenção de passar a noite toda no sofá.
- Tudo bem. Dormiu bem?
- Hmm? Ah, sim. - Ela se sentou corretamente ao lado dele. - Acho que estava mais cansada do que pensei ontem à noite.
Draco assentiu em concordância. Eles haviam passado muito tempo caminhando no dia anterior. Seu corpo todo doía.
- Um beijo de bom dia? - ele perguntou esperançoso.
- Eu tenho mau hálito pela manhã - ela avisou, rindo.
- E?
- Você também tem - acrescentou.
Ele colocou a mão sobre a boca para verificar.
- Nem tanto assim.
Hermione beijou sua bochecha.
- Que tal café primeiro? - ela perguntou, recolhendo as taças de vinho quase cheias da noite anterior.
- Que horas são?
- Oito e pouco.
- Eu tenho tempo para um café então. Preciso estar no restaurante às dez.
Hermione preparou o café e os dois se sentaram à mesa, pensando no que viria a seguir. Tomaram o café em silêncio por alguns minutos. Athena estava em seu poleiro, dormindo sob as asas.
- Eu me diverti muito ontem - disse ela finalmente.
- Eu também.
Ela levantou uma sobrancelha.
- Mesmo tendo que ficar enfurnado em uma biblioteca comigo?
- Mesmo assim - disse ele, estendendo a mão e pegando a dela.
- Você realmente quer fazer isso de novo? - ela perguntou.
- Sim. E você? - ele respondeu. Talvez Hermione estivesse tendo dúvidas sobre tudo. Sair com um ex-Comensal da Morte que deveria estar em Azkaban não seria bom para a imagem dela uma vez que o mundo bruxo descobrisse. Aquela Skeeter sempre havia se mostrado mais do que disposta a se intrometer em sua vida.
- Eu quero. - Ela tomou outro gole de café e deu a volta na mesa. Inclinou-se sobre ele e sussurrou:
- Perdoe meu hálito matinal - e beijou-o na boca. A boca de Draco se abriu de surpresa satisfatória e ela se aproveitou disso. Sabendo que o cabelo dele já era uma causa perdida, permitiu-se passar os dedos pelos fios da sua nuca.
Para não ficar atrás, Draco cercou a cintura de Hermione com seus braços, girando-a e trazendo-a para perto dele até que ela estivesse sentada em seu colo.
- Muito melhor - ele murmurou, antes de voltar a beijá-la.
Hermione podia sentir um braço em volta de sua cintura, o outro se movendo sobre as suas costas. Através de seu suéter, ela sentia um calor irradiando do peito de Draco. Não se cansava da boca dele. Suas cabeças se inclinaram um pouco para impedir que seus narizes colidissem e eles continuaram a se beijar, mal percebendo se um gemido ou suspiro escapava de seus lábios. Foda-se a respiração matinal. Aquilo valia a pena.
Com dificuldade, Draco afastou-se da boca de Hermione enquanto ela emitia um som de protesto. Ele depositou beijos ao longo de sua mandíbula, estendendo a mão para afastar seus cabelos, expondo seu pescoço para ele. Molhando os lábios, ele beijou o pescoço dela, notando os suspiros agradáveis que ela soltou. No local em que o pescoço dela encontrava o ombro, ele parou, dando atenção especial. Ele puxou a pele dela entre os lábios, saboreando e chupando.
Gemendo baixinho, Hermione abriu os olhos. Merlin, ela sentia a boca deliciosa dele em sua pele. Ela passou os dedos pelos cabelos dele. Ela queria beijá-lo novamente, mas era difícil convencer-se a fazer qualquer coisa, exceto apreciar a boca de Draco contra a sua pele e as mãos dele pelo seu corpo. Os olhos dela se fecharam novamente.
Draco cuidadosamente percorreu seu pescoço com a boca, uma das mãos ainda segurando seus quadris. Salazar, ele ficaria contente em nunca mais sair daquela cadeira. Seus dentes agarraram o lóbulo da orelha de Hermione por um momento, antes de sussurrar:
- Eu realmente preciso ir.
Quanto tempo eles haviam ficados sentados daquela forma, envoltos nos braços um do outro?
Hermione estendeu a mão e puxou o rosto dele, beijando-o novamente, querendo deixá-lo ciente do quanto ela gostara de tudo o que ele fizera com ela. Lábios e línguas ficaram ocupados por mais alguns minutos até que eles se separaram, descansando as testas uma contra a outra.
- Você tem certeza de que precisa ir?
Draco suspirou com pesar.
- Sim. Até que a velha da biblioteca se aposente e surja uma vaga. O salário do Ministério não cobre meus gastos com vinhos e viagens a Oxford.
Ele afastou os cabelos do rosto de Hermione com os dedos, percebendo o quão corada ela estava. Ele imaginou que suas próprias bochechas deveriam estar um pouco mais rosadas que o habitual. Hermione era deslumbrante.
Hermione ficou surpresa ao perceber que estava sentada no colo dele. Ela estava tão absorta em... bem, tudo. Ela se levantou e serviu café em sua xícara novamente.
- Acho que devo trabalhar também. Tenho várias poções a preparar para Belby antes da aula de amanhã. Estamos cobrindo fungos venenosos, então devo fazer antídotos hoje à noite e levá-los comigo.
- Ele não vai te envenenar, vai? - Draco perguntou.
- Tenho no meu contrato de aprendizado que ele não pode me envenenar sem o meu conhecimento, mas não seria justo esperar que ele nunca me pedisse para provar uma de minhas próprias poções. - Ela encolheu os ombros. - Afinal, é necessário garantir que elas funcionem. Eu também estou fazendo mais pesquisas sobre os espelhos falantes.
Draco assentiu. Ele estava tentando descobrir se tinha tempo suficiente para tomar um banho antes do trabalho ou se iria apenas pentear o cabelo.
- Você está de folga hoje à noite? - ela perguntou.
- Não, somente na quinta-feira.
- Quer jantar aqui na quinta? - ela perguntou.
Ele riu.
- Não sou eu quem deveria convidá-la para sair? - ele perguntou.
- Bem, sou uma mulher moderna, sem restrições de papéis de gênero. Aprendi a dizer o que quero. Além disso, não estaríamos saindo. Ficaríamos em casa.
- Na quinta-feira, então - ele concordou. Beijou-a mais uma vez e, lastimando-se, foi se preparar para o trabalho.
Nas duas semanas seguintes, janeiro se aproximou de fevereiro. Draco e Hermione não se viam tanto quanto gostariam. Com a biblioteca de manhã e trabalhando no restaurante à noite, Draco ficava fora de seu apartamento durante uma boa parte do dia. O aprendizado e o trabalho de Hermione na loja de logros também a mantinham ocupada durante a maior parte do dia. Uma semana após o primeiro encontro, Hermione esperava sair novamente com Draco - talvez fossem ao boliche - mas Belby lhe impusera uma busca por ingredientes de poções exóticas.
Ainda assim, eles conseguiam se encontrar para jantar nas noites de folga de Draco. Ainda era parecido com o jantar que compartilhavam antes de começarem a sair - um dos dois cozinhava (ou comiam fora) e conversavam durante horas. A única diferença era que a noite agora terminava (ou ocasionalmente começava) com alguns beijos de tirar o fôlego. Hermione nunca tinha realmente entendido como casais podiam passar horas se beijando na sala comunal. Nos últimos dias, ela começara a entender.
Draco estava ficando cada vez mais irritado na biblioteca. Theresa havia dito que o voluntariado seria uma boa maneira de estar a frente dos demais concorrentes quando a vaga de emprego surgisse, mas havia se passado mais de um mês e ainda não havia nenhuma vaga. Ele gostaria de deixar o voluntariado, mas... não tinha muitos com o que preencher as horas enquanto Hermione estava no trabalho.
Ele reclamava mentalmente. No entanto, fazia o possível para ser útil e aprender o que pudesse. Ele sabia que, por mais que seu voluntariado o ajudasse, ainda havia muito que não sabia sobre como o mundo trouxa funcionava e estava preocupado que isso fosse um fator negativo contra ele.
Finalmente, na última semana de janeiro, a Sra. Smith chamou a equipe e os voluntários.
- Como alguns de vocês devem saber, eu trabalho nesta biblioteca há 45 anos. Eu odeio deixá-la enquanto ainda posso colocar um livro na prateleira, mas chegou a hora. O computador não é da minha época e é hora de outros carregarem a tocha. Gostaria de anunciar que Theresa Briggs assumirá o cargo de bibliotecária-chefe.
- Obrigada, Edith - disse Theresa. - Lamentamos vê-la partir, mas espero que eu consiga deixá-la orgulhosa. Temos uma coisinha para você aqui. - Ela puxou um carrinho de livros e revelou um bolo sobre ele. - Sentiremos a sua falta.
Draco fez o possível para parecer educadamente triste ao ver a velhinha encerrando seu ciclo na biblioteca. Ele ficou um pouco irritado ao descobrir que ela continuaria a trabalhar por mais uma semana de modo a garantir que Theresa pudesse administrar o local adequadamente. E então Theresa procuraria um substituto para o seu cargo antigo. Era um começo.
A Gemialidades Weasley não estava muito cheia naquela noite, então Hermione estava testando alguns dos feitiços no espelho. Havia chegado a um acordo com Jorge de que o melhor curso de ação seria experimentar cada um dos elementos separadamente e depois combiná-los. Naquele dia, eles trabalhavam no aspecto visual.
- Jorge. Quero ver Jorge Weasley - disse ela, batendo no espelho.
- Bem, eu posso te ver - disse Jorge, olhando para o espelho em sua mão. - Você consegue me ver?
Ele fez uma careta com a língua para fora. Estava sentado apenas a alguns metros dela. O alcance era outra coisa que eles precisavam aprimorar.
- Não, apenas meu próprio reflexo - disse Hermione.
- Falando no seu reflexo... O que é isso no seu pescoço? - ele perguntou com um sorriso travesso no rosto.
Hermione inclinou o espelho para ter uma visão melhor de si mesma.
- O quê? Oh.
Ela se sentiu corar. Draco havia deixado uma marca em seu pescoço. Jorge riu.
- Quem é o sortudo? - Ele esperou que ela respondesse e depois balançou a cabeça, respondendo sua própria pergunta. - Eu nem preciso perguntar isso. Eu pude ver seus rostos no Natal.
Ela levantou a cabeça e estava prestes a negar, mas as palavras morreram em seus lábios. Por que negaria? Ela se perguntou se Draco negaria o relacionamento deles ou a abandonaria quando chegasse a hora de voltar ao mundo bruxo. Bem, a culpa era dele por deixar uma marca no pescoço dela - não importando o quanto Hermione tivesse apreciado o momento. Ela tentou encontrar um pouco de dignidade para responder.
- Sim. Draco e eu estamos nos vendo.
O ruivo bufou.
- Você não ganha uma marca dessa no pescoço vendo alguém.
Ela revirou os olhos.
- Se você quer que eu seja mais específica, Draco e eu costumamos jantar e nos beijarmos muito. Não achava que você se importaria com os detalhes.
Jorge levantou as mãos em sinal de rendição.
- Eu não sou mamãe ou Rony. Não estou aqui para oferecer palestras. Só para zombar um pouco de você.
- Nossa, isso é muito melhor - ela respondeu secamente.
Verdadeiramente, tinha sido melhor. A última coisa que Hermione queria naquele momento era qualquer tipo de palestra. Ela achou improvável que Jorge contasse a alguém, mas mesmo assim decidiu informar Draco que o relacionamento deles não era mais um segredo.
Na noite de quarta-feira, Draco estava de folga. Ele e Hermione iriam jantar no apartamento dela. Mesmo após terem pintado sua sala e cozinha, o apartamento dela ainda se parecia mais com um lar do que o seu. Ela cozinharia e ele havia prometido levar a sobremesa.
Draco bateu à porta dela durante vários minutos. Depois de um tempo ela abriu, sorrindo.
- Acabei de chegar. Ainda nem comecei a preparar o jantar. - Ela ainda vestia suas roupas de trabalho.
- Tudo bem. Podemos comer torta no jantar - disse ele, levantando o saco de papel que havia trazido.
- Não, mas você pode começar a cozinhar enquanto eu me troco. Ainda sinto cheiro de asas de besouro moídas e de pólvora. E mesmo que você esteja prestes a dizer que isso não o incomoda, certamente está me incomodando.
Ela o deixou olhando para ela enquanto desaparecia em seu quarto.
Ele suspirou e começou a vasculhar a geladeira para ver o que poderia cozinhar. Enquanto ele começava a preparar algo, Hermione tomou um banho. Ela vestiu jeans e camiseta e voltou descalça para a cozinha.
- O jantar está pronto?
- Bem, poderia estar se eu tivesse tido alguma ajuda - ele falou, olhando-a como se esperasse simpatia.
Ela não ofereceu nenhuma, mas passou a preparar uma bebida.
- Suponho que posso esperar mais alguns minutos.
Não demorou muito para o jantar estar pronto (com a ajuda de Hermione) e eles se sentaram à mesa para se atualizarem sobre seus dias recentes. Draco contou a Hermione que finalmente iria surgir uma vaga na biblioteca. Hermione contou a ele sobre as poções venenosas que fizera naquele dia. Enquanto ela falava, colocou o cabelo atrás do ombro, vendo se ele notava a marca.
Depois de um tempo, ela concluiu que ele provavelmente não perceberia.
- Bem, Jorge é mais observador que você, eu acho. - Ele olhou para ela inocentemente e ela sabia que ele estava apenas fingindo não perceber, esperando que ela dissesse algo primeiro. Ela balançou a cabeça.
- Bem, nós fomos descobertos e a culpa é toda sua - ela disse.
Draco estendeu a mão sobre a mesa e cuidadosamente acariciou o pescoço dela, como se pudesse gentilmente retirar a marca. Hermione gostou de seu toque e inclinou a cabeça para o lado por um momento antes de lhe dar um olhar severo novamente. Draco suspirou e soltou a mão.
- Como ele recebeu a notícia?
- Ele não pareceu surpreso ou julgador. Foi realmente a melhor reação que poderíamos esperar. Eu não acho que ele intencionalmente irá contar a alguém, mas... - ela encolheu os ombros. – se há alguma pessoa que você não queria que soubesse sobre nós, como sua mãe, ou... alguém, agora pode ser um bom momento para reavaliar o que estamos fazendo.
Ela estava sentada com a postura impecável e olhava para ele com bastante seriedade. Uma coisa era o relacionamento entre eles, que evoluíra de uma amizade nos últimos meses para um relacionamento mais íntimo nas últimas semanas. Outra coisa era trazê-lo à tona. Ambos estavam tentando se esconderem do mundo bruxo nos últimos seis meses - não que Draco tivesse muita escolha sobre aquilo.
Ele olhou para ela com uma careta, tentando analisar suas palavras.
- Você acha que eu terei vergonha quando minha mãe descobrir que estou saindo com você? Francamente, isso não é da conta dela.
Ela arqueou uma sobrancelha. Ele parecia um pouco descontente.
- Hermione. Hermione, eu refleti bastante sobre o que minha mãe diria quando descobrisse que estamos nos vendo. A menos que você esteja planejando terminar comigo hoje à noite, ela descobrirá em algum momento. Eu cheguei à conclusão de que eu não me importo nem um pouco sobre o que ela irá pensar sobre isso. Eu cheguei a essa conclusão antes mesmo de te convidar para sair. Todos os outros... - Ele passou os dedos pelos cabelos. - Não estou preocupado com o que dirão sobre mim. Seja o que for, eu provavelmente mereço depois de tudo o que fiz nos últimos anos. - Ele estremeceu. Algumas lembranças nunca desapareceriam. - Mas você não merece as coisas que eles podem dizer. Eu quase não te chamei pra sair comigo por esse motivo. Eu pensei que você poderia preferir se esquecer de mim quando minha sentença terminasse. Eu não te culparia. - Ele suspirou. - A Weaslete provavelmente já adivinhou ou vai adivinhar em breve, a propósito. Ela viu meu papel de resoluções do Ano Novo. Convidar você para sair comigo era a primeira coisa da lista.
Antes que Draco percebesse o que estava acontecendo, Hermione largou o garfo e o abraçou. Ele continuou falando entre seus cabelos, mas achou difícil soltar as palavras através da pressão esmagadora em seu peito.
- Escreva para minha mãe hoje à noite e conte a ela, se quiser. Escreva para os Weasley. Se você estiver disposta, conte para quem quiser.
Não tinha sido uma decisão momentânea. Draco havia pensado sobre aquilo cuidadosamente nas últimas semanas, junto a pensamentos que o perseguiam há mais tempo. No início de sua sentença, ele havia se consolado com o fato de que seria apenas temporário e que tudo voltaria ao normal uma vez que ele recuperasse sua magia, mas, francamente, não era verdade. Atualmente, ele podia admitir que não era nem um pouco verdade. Apesar de ter se enfurecido com as pessoas que não o procuraram durante seu tempo de angústia, ele agora duvidava que quisesse qualquer tipo de relacionamento com aquelas pessoas quando voltasse ao mundo bruxo. E embora ele tivesse se apegado a sua mansão quando se viu trancado em seu apartamento de um quarto, ele tinha certeza de que jamais seria capaz de conciliar o pesadelo em que a mansão se tornara com a casa de sua infância. E mais do que qualquer outra coisa, as coisas não voltariam a serem as mesmas em agosto porque, francamente, ele não era mais a mesma pessoa.
Draco ficou feliz por não precisar encontrar as palavras para explicar tudo. Hermione apenas o abraçou, seu peito pressionado contra o dele.
Ele acariciou seus cabelos.
- Diga ao Potter. Diga a qualquer um que você quiser. Desculpe-me se você ainda não estava pronta para revelarmos nosso relacionamento...
- Não tenho certeza se eu estava pronta hoje à tarde. Mas agora eu estou - disse ela.
Hermione o beijou profundamente nos lábios. Seis meses era muito tempo. Talvez as coisas funcionassem. Talvez não. Mas havia séculos que ela não se sentia tão feliz como se sentiu naquela noite. Depois de abandonarem o que restava do jantar, eles passaram um bom tempo no sofá, simplesmente desfrutando do momento e se beijando.
