Capítulo 37: Irmãs Sombrias
Andrômeda e Teddy tinham acabado de chegar com Harry quando Hermione saiu da cozinha com um sorriso no rosto. Drômeda segurava Teddy no quadril com facilidade e Harry carregava todo o equipamento necessário para que um pequeno humano saísse de casa durante algumas horas. Ele cumprimentou Hermione com um abraço e um beijo na bochecha e procurou um lugar para colocar a bolsa com fraldas, roupas extras, mamadeira, leite e brinquedos que carregava.
- Apenas coloque tudo em qualquer lugar fora do caminho - Hermione disse, balançando a cabeça. Ela olhou para o amigo com carinho. Ele parecia bastante comprometido em ser o melhor padrinho que pudesse para Teddy. Então, lembrou-se da criação que ele tivera e quão perto esteve de ser criado por seu próprio padrinho, mas em seguida teve isso arrancado dele. Ela não poderia culpá-lo. Harry estava tendo a chance de dar a alguém o que ele não tivera. Ela cumprimentou Drômeda e (com um aceno de aprovação da bruxa mais velha) pegou Teddy para cumprimentá-lo. Naquele dia, ele estava com os cabelos grisalhos de Andrômeda e os olhos verdes de Harry. Era uma visão e tanto. Ela o balançou nos braços.
Draco se juntou a eles, parando um momento para olhar o seu primo e sorrir de volta para o pequeno garoto. Salazar, aquele era um mundo estranho. Ele tinha uma namorada que amava e uma família bem extensa. Com o número de pessoas mortas na sua família durante a primeira e a segunda guerra... era bom saber que ainda tinha família, afinal.
Os adultos sentaram-se juntos na sala, passando Teddy de pessoa para pessoa. Harry contou sobre tudo que Teddy aprendera nos últimos meses desde que todos se viram no Natal, ocasionalmente corrigido por Andrômeda. Andrômeda perguntou pelo bem-estar de Draco e Hermione. Ela não pareceu nem um pouco surpresa que Draco e Hermione estivessem juntos, embora tenha levantado uma sobrancelha quando eles disseram que ainda não haviam contado a Narcisa.
- Vocês deveriam revelar-lhe isso enquanto ela ainda estiver fora do país. Pode levar algum tempo para que ela aceite. Eu imagino que ela aceitará, mas...
Ela olhou para a parede como se pudesse ver através do passado, nos dias em que sua irmã mais nova havia escolhido Lúcio e Belatriz ao invés dela, quando fora renegada da família.
As narinas de Draco se alargaram.
- Eu não ligo para o que minha mãe dirá. Nunca fui tão feliz quanto sou com Hermione.
- Eu não estou dizendo que você não a ama, garoto. Estou dizendo que sua mãe pode te renegar e você deve estar preparado para essa possibilidade - a voz de Drômeda era gentil. Ela pegou Teddy dos braços de Harry e o abraçou com força. - Espero que ela tenha aprendido alguma coisa nos últimos trinta anos e não faça essa escolha novamente, mas não posso garantir. Nós duas nunca nos reconciliamos. - Ela engoliu em seco. - Se sua mãe não aceitar o seu relacionamento, você terá que enfrentar uma decisão difícil. Talvez seja melhor contar a ela mais cedo do que tarde, para que ela tenha tempo de se adaptar. Eu imagino que ela acabará aceitando. Não duvido que ela te ame.
Draco colocou seu braço em volta de Hermione protetoramente e olhou para sua tia, mas foi Hermione quem falou em seguida.
- Você realmente acha que Narcisa pode renegá-lo? - Ela se virou para olhar para Draco. - Eu já perdi meus pais. E seu pai estará aprisionado pelo resto da vida. Eu não quero que você perca sua mãe.
Ele a beijou suavemente.
- Minha mãe vai nos aceitar em algum momento, de um jeito ou de outro. - Ele olhou de relance para sua tia. - Você realmente acha que seria melhor contar a ela por coruja?
- A menos que você possa organizar uma reunião sem violar os termos da sua sentença - disse ela secamente. – Ela está muito longe daqui e duvido que o Ministério te conceda uma chave de portal para a viagem.
Hermione fechou os olhos, começando a pensar em possíveis soluções.
- Se a viagem de Draco para a França não for um problema, você acha que seria melhor que Narcisa ouvisse essa notícia pessoalmente?
Andrômeda estudou a garota em frente a ela.
- Eu não sei. Se você contar a ela por coruja, ela não poderá estragar todo o seu cabelo.
A mão de Hermione foi para o cabelo.
- Ela não faria. Faria?
Teddy puxou os cabelos de Andrômeda e balbuciou feliz.
- Ela faria. Foram as últimas palavras que me disse.
Draco entrelaçou os dedos nos cabelos de Hermione.
- Poderíamos dizer-lhe algo à distância e dar-lhe algum tempo para se acostumar com a ideia.
- Sonserino demais. - Disse Hermione, olhando para ele. - Não deveríamos contar-lhe pessoalmente? Dar a ela uma chance de conversar conosco, ver o quanto nos importamos um com o outro?
- Grifinória demais - ele acusou. - Não vale a pena correr para a toca do dragão só porque você pode fazer isso. É melhor atordoá-lo à distância. - Ele pensou por um momento. - Você não tem como me levar para a França sem magia, certo?
Hermione riu com carinho.
- De várias formas, na verdade. Há um trem que passa sob o canal inglês e o leva direto para Paris. E nós sempre podemos voar. Em um avião.
A conversa permaneceu neste tópico por um curto período de tempo. Harry nunca tinha viajado de avião, embora Hermione tivesse viajado, quando criança. Os adultos conversaram mais um pouco enquanto almoçavam.
Antes de sair, Harry tinha algumas novidades para compartilhar. Ele estava com Teddy no colo.
- Almocei com McGonagall em um dia da semana passada. Nós conversamos e... irei ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas no próximo ano. Não vou à cerimônia de despedida deste ano - é muito cedo. E não anunciaremos por enquanto que eu assumirei a posição, mas acho que eu posso fazer isso. Acho que Hogwarts precisa de mim. E pode ser o que eu estou precisando. - Ele fez uma pausa. – E então?
Draco pareceu confuso.
- McGonagall te enganou para te convencer a voltar?
- Ela não me enganou-
- Você estava planejando voltar, então?
- Bem, não... - ele admitiu.
Draco deu um sorriso satisfeito e Hermione olhou para ele.
- Não haja dessa forma - ela advertiu. Voltou sua atenção para Harry. - Você tem certeza de que quer fazer isso?
- Eu tenho certeza. Não quero ser um auror. Eu pensei que talvez quadribol, mas... eu não quero lidar com grandes multidões e com certeza não quero fama. Hogwarts pode ser o melhor lugar para mim. Eu preciso fazer alguma coisa. E eles precisam de pessoas - McGonagall está ensinando Transfiguração agora, além de seus deveres de diretora e tudo mais. Se eu não estiver feliz, sempre posso sair, mas... - Ele mordeu o lábio. - Eu fui um professor decente, certo? Em termos objetivos, não apenas em relação à Umbridge.
- Harry, você foi um ótimo professor. Você vai se sair bem. Realmente, não consigo pensar em uma pessoa melhor para ensinar DCAT - Hermione disse a ele. Ela viu que seu amigo parecia visivelmente aliviado. – Irei à cerimônia de despedida. Acho que devo estar lá para Gina, Luna e Neville, se ele estiver se graduando também.
Harry não pareceu nem um pouco surpreso.
- McGonagall sabe que todo o programa de Estudos para Trouxas precisa ser revisado. Ela perguntou se eu tinha alguma opinião e prometi pensar nisso, mas acho que você seria a melhor pessoa para elaborar um novo currículo.
A morena deu uma risada fraca.
- Não tenho mais horas suficientes no meu dia, Harry. Já estou fazendo um aprendizado, trabalhando na loja de logros e buscando auxílio do Ministério para ajudar as pessoas com licantropia.
Draco beijou o lado de sua cabeça.
- McGonagall é um pouco criativa demais com suas ideias sobre os estudos trouxas. Ela quer que eu fale com o corpo discente - ele tentou dizer as palavras de forma displicente, mas internamente estava suprimindo um calafrio.
- Mas você cresceu como um puro-sangue.
- E passei a maior parte do ano vivendo como trouxa. Sabe, poderia funcionar como um tipo de advertência se eles me vessem como um exemplo a não ser seguido. Eu acho que esse é o ponto de vista dela. mas eu não farei isso. - Ele sentiu o olhar de sua tia e encontrou o olhar dela. - Eu não posso. Eu não vou.
Ela estava calmamente de aço.
- Ninguém pode te obrigar a isso, Draco. Mas lembre-se, em algum momento, Hermione pode ter que voltar à Mansão Malfoy novamente. Eu imagino que seria tão difícil para ela quanto entrar em Hogwarts será para você. Todos nós teremos situações a serem enfrentadas em algum momento.
Ele sentiu Hermione ficar tensa ao lado dele. Ele não a faria ir à Mansão. Ele mal conseguia suportar o pensamento de ir buscar o resto de suas coisas. Mas e o Natal? A mãe dele iria querê-lo em casa para o Natal? Mesmo com Hermione a reboque? Ele descobriu que sua respiração estava um pouco superficial e sua boca seca.
- Vejo que lhe dei muito mais em que pensar do que você esperava. Provavelmente devo ir antes de dizer mais alguma coisa - disse ela, levantando-se graciosamente. - Está na hora da soneca de Teddy - ela lembrou a Harry.
- Certo - Harry devolveu Teddy à avó dele e abraçou Hermione. Ele assentiu para Malfoy. Eles realmente ainda não tinham chegado em nenhum tipo de fase do abraço.
Hermione se sentiu aliviada ao vê-los desaparecer na lareira e se aconchegou a Draco.
- A família é cansativa.
- É - ele concordou, passando os braços em volta dela. - Você é a única família que eu preciso.
- Mas é bom tê-los também - ela admitiu, descansando a testa na dele. - O que vamos fazer em relação a sua mãe? Ela não aceitará isso muito bem. Acho que eu poderia organizar uma viagem, com tempo e informações suficientes para encontrá-la e nos levar até lá por meios trouxas. Realmente não seria tão difícil.
- Vamos pensar em algo - prometeu. Salazar sabia o que. Mas se ele tivesse que encarar sua mãe irritada – e tivesse que fazê-lo sem magia - ele preferiria que fosse por coruja.
Demorou alguns dias, mas Hermione e Draco conseguiram escrever uma carta para sua mãe. Ele leu mais uma última vez antes de entregá-la a Hermione. Então, tudo o que precisavam fazer era aguardar a resposta e tentar manterem-se ocupados enquanto isso.
20 de abril de 1999
Querida Narcisa,
É reconfortante saber que seu tempo no exterior está indo bem. O coração de seu filho se acalma ao saber disso. A primavera está chegando aqui também. Você admiraria muito as flores que Draco vê a caminho do trabalho, embora eu tenha certeza de que não são tão adoráveis quanto as flores do jardim da mansão. Espero que elas não tenham sofrido muito na sua ausência.
Lamentavelmente, uma grande festa não parece ser possível no futuro próximo. O trabalho está bem movimento ultimamente, assim como uma grande variedade de compromissos sociais. Teddy Lupin está crescendo rapidamente e sua avó e padrinho são fascinantes. Família é muito importante.
Quando não estamos envolvidos nesses compromissos, Draco e eu experimentamos tudo o que a Londres trouxa têm a oferecer. É bastante educativo e nunca estamos entediados. Seu filho é uma companhia muito encantadora.
Ele diz que a casa de veraneio Malfoy no lago é ainda mais impressionante do que a mansão nesta época do ano. Você já pensou em abrir a casa de verão ao invés da Mansão quando voltar?
Hermione Granger
Hermione se viu tomando notas à noite. Por mais que tivesse certeza de que ela realmente não tinha tempo para fazê-lo corretamente, Harry estava certo. Ela era uma boa escolha para redefinir o currículo dos estudos trouxas e, francamente, ele precisava desesperadamente não apenas de atualização, mas também de todo um redesenho. Deveria ser obrigatório para todos os primeiros anos, mesmo que não houvesse tempo para incluí-lo depois disso, exceto como eletivo. Talvez as aulas de vôo poderiam ser adiadas até o segundo ano. Ela se viu espalhada na mesa da cozinha com anotações dos estudos trouxas de um lado e anotações sobre como tentar elaborar um plano de implementação de ajuda para lobisomens do outro. Ela ainda não conseguira decidir se deveria entrar em contato com Arthur ou Percy. Talvez ambos.
Draco ficou um pouco irritado ao ver com que intensidade ela trabalhava à noite - em coisas que nem eram de fato suas responsabilidades -, mas acabou cedendo à conclusão de que aquela era Hermione e que ela sempre faria aquele tipo de coisa. Ele poderia ajudá-la ou ficar fora de seu caminho. Não havia meio termo. Ela não gostara quando ele tentara afastá-la de seus deveres extras auto-impostos. A exceção era quando ela estava particularmente estressada e não fazia nenhum progresso. Nesses dias, ela estava mais do que disposta a permitir que ele tentasse distraí-la de suas tarefas. Às vezes, uma pausa era exatamente o que você precisa antes de avançar.
Enquanto ela estava sentada à mesa com as anotações espalhadas ao redor, ele ocupou o sofá, fora do seu caminho, mas à vista para ficar de olho nela. Ele leu o livro que escrevera novamente. Parte daquilo era um pouco autoindulgente. Ele podia admitir isso em sua segunda leitura. Mas era o que ele precisava escrever na época, para seu próprio bem. O que ele teria escrito se quisesse contar sua história para os outros?
E assim, seu segundo projeto de escrita começou. Bem, escrita e edição, na verdade.
Quando eles estavam na cama uma noite, Hermione olhava para o teto, mordendo o lábio.
- Faz dias. Já deveríamos ter recebido uma resposta de sua mãe - disse ela em voz baixa.
- Ela irá responder - disse ele, com mais confiança do que realmente sentia. – Apenas pode demorar um pouco.
Ela se sentiu um pouco enjoada e se aconchegou mais perto dele.
- Eu tive que enviar meus pais para a Austrália para sua própria segurança e você sabe o que isso fez comigo. Eu não quero que você perca sua mãe.
Ele estendeu a mão e acariciou seus cabelos, tão espessos e incontroláveis como jamais foram e absolutamente adequados para ela.
- Hermione, eu amo minha mãe. Eu não quero perdê-la. Mas eu também te amo. Se minha mãe me ama tanto quanto eu acho que ela ama, não me pedirá para escolher. - Ele desejou poder ter tanta certeza disso quanto tentou soar. A mulher ficou parada enquanto sua irmã fora renegada, afinal. - Além disso, ela é uma sonserina. No mínimo eu espero que ela pense que essa foi uma jogada brilhante para reconstruir a reputação da família Malfoy de uma maneira que a tornará próspera para as gerações vindouras - acrescentou, tentando parecer despreocupado sobre a coisa toda.
Ele não a enganou. Ela se inclinou sobre um cotovelo para beijá-lo.
- Espero que você esteja certo, caso contrário, imagino que vamos passar muitas férias com os Weasleys. Eles são a única família que tenho agora, além de você.
Draco fez uma pausa, pensativo.
- Esse não é um destino que me parece tão terrível agora como teria parecido há um ano atrás. - Ele usara seu suéter para trabalhar no dia anterior. - Mas ainda assim, existem tia Drômeda e Teddy. E suponho que Potter seja da família dos dois lados agora, certo?
- Ele é. - Um sorriso provocador apareceu em seus lábios. - Ele é o padrinho do filho de sua prima. Isso o torna mais parecido com um tio, um primo ou um irmão para você?
Ele a olhou de soslaio.
- Eu não preciso de uma imagem mental de Potter tentando me dar palavras de sabedoria como um tio, como se eu fosse uma criança pequena.
- Ah, um irmão então - disse ela, tentando provocar um pouco de risos.
Ele balançou sua cabeça.
- Ele pode ser seu irmão. Aceito vê-lo como primo. Um primo distante. - Ele a abraçou com força e os dois fecharam os olhos.
Como sua própria coruja ainda não havia voltado e a de Draco não podia ser usada para enviar cartas, Hermione finalmente decidiu fazer chamada de Flu para Arthur e Percy na sexta-feira. Ela odiava ligar pelo Flu - sempre terminava com cinzas no nariz. Mal podia esperar que o espelho chegasse às prateleiras das lojas. O dia seguinte seria sábado e eles estavam prontos para o grande lançamento - os estudantes de Hogwarts tinham acabado de chegar em casa para as férias de primavera. Um estoque de bom tamanho fora construído e empacotado, instruções foram escritas. Jorge havia trabalhado no marketing durante toda a semana, embora tivesse quase certeza de que as coisas praticamente se venderiam sozinhas. Ele havia contratado uma assistente de loja e a treinou durante toda a semana - embora ainda não tivesse revelado a ela seu produto secreto.
No final de suas ligações pelo Flu, Hermione tinha marcado um almoço com Percy e Arthur, no Caldeirão Furado, no início da semana seguinte. Agora ela só precisaria reservar uma cabine particular.
N/F: dois capítulos em um só dia? Eu mereço muitos comentários, certo?
