Capítulo 38: Sociedade


Hermione odiava deixar Draco sozinho no sábado, mas ele a dispensara dizendo que ela precisava estar presente quando a loja de logros fosse aberta. Além disso, o tempo começava a melhorar e ele não jogava futebol havia meses. Imaginou que alguns dos caras com quem jogara no outono anterior estariam no parque.

E foi assim que Hermione chegou à loja usando um de seus melhores conjuntos de vestes antes mesmo que as portas se abrissem. Na janela, haviam cartazes de uma coruja soltando excrementos sobre uma carta e uma pessoa parecendo magoada. Outro cartaz mostrava um homem esperando uma coruja retornar com uma carta de sua namorada - dia e noite piscando repetidamente no cartaz até que a coruja voltasse.

- Eu me sinto um pouco mal pelas corujas em tudo isso - ela disse a Lino, gesticulando para toda as propagandas.

- Ah, eu não imagino que o correio de coruja acabe. As pessoas ainda receberão o jornal e enviarão encomendas, mas precisamos mostrar que há problemas e que temos a solução - ele abriu um sorriso atrevido.

Eles montaram uma estante cheia de caixas do espelho e colocaram uma barreira mágica do lado de dentro da loja - Jorge queria abrir a porta, fazer seu anúncio e deixar as pessoas gastarem todo o seu dinheiro. A nova assistente de loja - Tiffany - fora informada dos espelhos naquela manhã. Jorge entregou a Lino e a Hermione um espelho e explicou o que queria que eles fizessem após seu anúncio inicial. Ele esfregou as mãos, parecendo mais alegre do que Hermione o via há séculos.

Ele abriu as portas com um movimento de sua varinha e ficou atrás da barreira, lançando um feitiço Sonorus sobre si mesmo. Lino saiu para se juntar à multidão e Hermione tomou uma posição à esquerda de Jorge.

- Obrigado a todos por terem vindo. Eu estava pensando outro dia e vocês sabem o que realmente me irrita?

- Ter que ouvir um discurso chato quando você quer comprar fogos de artifício? - Uma voz adolescente gritou de algum lugar na parte de trás da multidão.

Jorge não perdeu o ritmo.

- Você está certo. Ter que esperar. - Ele olhou ao redor e escolheu aleatoriamente um jovem na multidão. - Quanto tempo levou para a última carta da sua namorada chegar por coruja?

- Eu... não tenho namorada.

- O quê? Um sujeito bonito como você? - Jorge apontou para uma mulher na plateia. - Ele não é bonito, amor?

Ela olhou para ele e voltou-se para a frente.

- Eu prefiro ruivos.

- Todo mundo prefere, certo? - Jorge disse, sorrindo. Ele tentou avançar com a apresentação - Quão interessante seria se, quando você tivesse que ficar longe das pessoas com quem se importa, pudesse conversar com elas em tempo real, a certa distância? Você poderia conversar comigo e admirar os meus lindos cabelos ruivos - Jorge disse a ela com uma piscadela.

Hermione revirou os olhos para Jorge.

- Nós já podemos fazer isso com ligações de Flu ou você ainda vive nos anos 1700, quando a rede era instável demais para isso?

- Oh não, Hermione, eu estou vivendo no futuro e o futuro é agora. Espere até eu contar tudo sobre - um som abafado veio do bolso de Jorge e ele franziu a testa. - Vocês podem me dar licença por um momento? Não vai demorar, será apenas um momento. - Ele procurou nos bolsos, tirou um espelho compacto de mão e o abriu. Quando apertou um botão, a voz de Lino saiu alta e clara sobre os murmúrios da multidão.

- Jorge, cara, você está enrolando muito aí. Vá em frente e diga a eles o que você precisa contar e continue com isso.

- Nós já tivemos essa discussão, estou fazendo o anúncio do meu jeito.

- Tudo bem - disse Lino. Ele virou para o seu vizinho na multidão e deu de ombros. - Você simplesmente não pode convencer certas pessoas, certo?

E foi quando seu vizinho disse:

- Ei! É o rosto de Weasley no espelho! - E as pessoas tentaram se aproximar de Lino até que ele corresse o risco de ser esmagado.

Jorge sorriu.

- Isso mesmo. Comunicação em tempo real sem a necessidade de uma lareira. Você pode ver e ouvir as pessoas com quem deseja conversar de qualquer lugar.

Hermione fez o possível para soar natural com o roteiro de Jorge.

- Oh, graças a Merlin. Se eu tivesse que me ajoelhar em outra lareira para ligar para sua mãe e avisá-la que você não vai jantar em casa, meus joelhos cederiam.

- Bem, eu não vou jantar em casa hoje, pois ficaremos abertos até meia-noite!

Ele começou a explicar mais detalhes sobre o que os espelhos podiam fazer e como eles eram fáceis de manusear.

A morena bateu o pé enquanto a descrição dele continuava e olhou para o pulso como se estivesse checando as horas. Ela pegou seu próprio espelho e chamou Jorge.

- Eu acho que eles já ouviram o suficiente. Melhor deixá-los entrar agora.

- Você está certa, Hermione - Jorge disse no espelho. Ele o fechou. - Agora, eu vou abaixar a barreira, mas eu gostaria de uma fila ordenada. Se você estiver interessado nos espelhos, por favor, venha conversar com Lino, comigo ou com a adorável Hermione. Se você está aqui para comprar algum dos outros produtos, consulte Tiffany - acene para eles, Tiffany - e ela lhe atenderá. Com um floreio, ele abaixou a barreira e a venda começou.

Apesar da alegação de Jorge de que todos trabalhariam até meia-noite, cada um deles fez um intervalo de duas horas. Um segundo e um terceiro grupo de pessoas chegaram no final do dia depois de terem ouvido falar dos espelhos pelo primeiro grupo. Por volta das dez horas, Hermione teve que encerrar a noite, embora Jorge e Lino tivessem tomado uma poção para lhes dar um pouco de energia extra e estivessem determinados a aguentar até meia-noite. Sempre que alguém comprava um espelho, o seu número - como um número de telefone no mundo trouxa - precisava ser configurado para que eles pudessem entrar em contato com outras pessoas.

Hermione deixou a loja com o espelho que Jorge lhe dera pela manhã e com outro para entregar a Draco "daqui a alguns meses quando o Ministério finalmente decidir deixá-lo ter um trabalho real novamente", como Jorge colocara a situação. Para ter certeza de que Caffrey e Burke não o encontrariam e o considerariam uma violação de sua liberdade condicional, Hermione manteria o espelho em seu apartamento, por enquanto. Ela guardou as coisas, tirou os sapatos e mal olhou ao redor por um momento antes de atravessar o corredor e ir ver Draco.

Ele a esperava com a televisão ligada, mas sem prestar muita atenção. Ele a viu e sorriu um pouco:

- Você parece algo que um Amasso arrastou por aí. - Ele passou um dos braços em volta dela.

- Merlin, acho que Jorge será a minha morte se eu tiver que continuar assim. Disse a ele que irei à loja durante algumas horas amanhã, mas é tudo o que posso prometer. Este dispositivo será realmente uma virada de jogo para o mundo bruxo, eu acho.

- Oh, eu sei que sim.

Ela se afastou dele apenas o suficiente para se sentar e ele a seguiu.

- Jorge registrou toda a papelada no Ministério. Nós dois fomos creditados como colaboradores. Também receberemos uma parte dos lucros de todos os espelhos vendidos. Ele disse que o produto não existiria sem a minha ideia e ainda estaria longe de estar pronto se nós não tivéssemos trabalhado juntos há algumas semanas.

Draco ficou tenso.

- Eu não preciso do dinheiro.

- Você pode precisar algum dia - ela apontou. Caso se sua mãe decida te renegar, pensou consigo mesma.

Ele franziu a testa.

- Estou listado como um dos criadores no Ministério? Salazar. E se eles disserem que estou violando minha sentença? E se não devolverem minha magia? - Ele estava sobrevivendo a toda aquela coisa trouxa, mas sabia que aquilo tinha um prazo para terminar. Esse era exatamente o tipo de coisa que poderia levá-los a estender sua sentença permanentemente. Ou pior, enviá-lo para Azkaban. Todo o seu corpo ficou tenso.

Hermione respirou fundo.

- Jorge e eu poderemos garantir que não violamos os termos da sua sentença. Nós dois apenas discutimos com você sobre a teoria mágica envolvida na criação de algo assim. Você também não fez magia. Você não poderia. O Ministério sabe disso.

- O Ministério usaria qualquer desculpa para me prender - ele rosnou.

Hermione beliscou a ponta do nariz e respirou fundo outra vez.

- Bem, seu nome está na papelada. Temos duas opções. Podemos esperar que a Seção de Patentes nunca relate isso ao Departamento de Aplicação da Lei. Ou você pode contar a Burke e Caffrey a verdade e, se necessário, podemos verificar isso com o Veritaserum.

Draco ficou muito quieto. Ele teria que pensar sobre aquilo. Talvez o Ministério decidisse que sua punição não estava sendo severa o suficiente, mesmo que Potter tenha testemunhado, no verão anterior, que Draco salvara sua vida.

- Você não precisa decidir agora. Acho que Jorge não imaginou que isso seria um problema. Ele só queria dar crédito a quem era devido.

- E isso pode me impedir de recuperar minha magia - disse ele, parecendo um pouco amargo.

- Você não violou nenhuma das regras.

Ele levantou uma sobrancelha para ela. Muitas pessoas tinham motivos suficientes para não gostar dele, então a não-violação de regras dificilmente importaria. Precisava que seu comportamento durante aquele ano fosse impecável. Então de repente seu nome é citado em uma grande conquista bruxa quando ele deveria estar vivendo sem magia.

O arqueamento da sobrancelha funcionou quase como um diálogo inteiro. Hermione soltou um suspiro e balançou a cabeça. Ela sabia tão bem quanto ele que as regras nem sempre eram aplicadas de maneira justa.

Draco deu um leve aceno de cabeça.

- Bem, o que você quer fazer agora? Não podemos mudar o que já está feito. Há algo para comer?

- Eu pedi o jantar para você também. Imaginei que estaria com fome quando voltasse. - Ele apontou para a cozinha e Hermione foi pegar a comida chinesa. Aquilo era uma das coisas que ele aprendera a apreciar na cultura trouxa durante aquele ano.

Hermione reaqueceu comida suficiente para os dois, e enrolou-se no sofá para comer.

- Como foi o seu dia? Além de das notícias horríveis que eu te trouxe?

- Foi bom. Fui ao parque. Passei na biblioteca. Aprendi a usar a copiadora. Você sabia de sua existência?

Hermione fez o possível para não sorrir.

- Sim. Você ainda não tinha usado uma dessas?

Entraram em uma discussão sobre a copiadora versus os feitiços de replicação e depois sobre o quão mais rápido era digitar algo no computador ao invés de escrever tudo à mão. Embora Draco tivesse que admitir que não era particularmente rápido em digitar e continuaria trabalhando em seu livro manualmente, por enquanto.

- Mas vi pessoas que parecem capazes de escrever um parágrafo inteiro em um minuto - disse ele.

- Bem, você não ficará mais rápido se não praticar - ela apontou.

Eles ficaram acordados por tempo suficiente para se distraírem da possibilidade de que o ato de boa vontade de Jorge sabotasse as chances de Draco recuperar sua magia dentro de alguns meses. Não havia nada que pudessem fazer a respeito até que ele decidisse se preferiria contar a verdade ao Ministério ou se arriscar. Faltava pouco mais de uma semana para a próxima visita dos aurores.


Hermione tinha suas anotações reunidas e organizadas em duas pilhas idênticas para Percy e Arthur. Ela dissera a Tom com quem iria se encontrar e ele a acompanhou a uma mesa privada com a promessa de que os levaria até ela assim que chegassem. Ela inspirou fundo e expirou lentamente. Hermione não costumava pedir conselhos. Arthur sempre pareceu amigável o suficiente com Remo, por isso ela imaginava que ele provavelmente estaria disposto a ajudar. Até onde sabia, Percy não tinha nada em particular contra pessoas com licantropia, mas nunca seria possível ter certeza de algo assim. Draco não entendia muito bem o desejo de Hermione de ajudá-los, mas com Greyback morando em sua casa e sendo usado como uma ameaça contra ele... era realmente surpreendente?

- Hermione - disseram duas vozes masculinas.

- Percy, Sr. Weasley, é muito gentil da parte de vocês aceitarem me encontrar.

- Tivemos bastante dificuldade para chegar até aqui. O que está acontecendo na loja dos gêmeos? O lugar parecia cheio de gente.

Hermione olhou para ele. Velhos hábitos eram difíceis de serem abandonados. De muitas maneiras, sempre seria a loja de logros de Fred e Jorge, mesmo sem Fred.

- Jorge não contou? Você já ouviu falar de telefones celulares?

Arthur franziu a testa.

- Como telefones?

- Mas um telefone que você pode levar consigo a qualquer lugar - explicou Hermione.

As duas sobrancelhas de Arthur se ergueram.

- Não precisa... de... qual é a palavra...?

- De um cabo de eletricidade? - Hermione ajudou-o. - Eles encontraram uma maneira de contornar isso. Os telefones celulares transmitem um sinal para se conectar. Você precisa carregá-lo a cada dois dias, mas isso significa que é possível alcançar alguém a qualquer momento, não importa onde eles estejam.

Percy parecia um pouco irritado.

- Isso soa um pouco... intrusivo.

- Você pode desligar o som e ficar indisponível, mas entendo o que quer dizer. De qualquer forma, o mundo bruxo não tinha nada equivalente a isso. Suponho que uma ligação de Flu não seja diferente de uma ligação telefônica, mas é atado à casa e à lareira. Ela respirou fundo. - Bem, estamos trabalhando em criar algo semelhante a um telefone celular que funcione no mundo bruxo. Acabamos de anunciar no sábado. - Ela procurou na bolsa por um momento. - Esse espelho permitirá que você ligue para as pessoas, as veja, converse com elas, onde quer que elas estejam, contanto que tenham um também.

Arthur pareceu surpreso.

- Ninguém avançou muito com espelhos há décadas.

- Bem, agora avançamos - disse Hermione. - Mas não é sobre isso que eu gostaria de conversar com vocês hoje. - Ela entregou a cada um uma pilha de pergaminho. - Eu quero fazer a diferença na qualidade de vida das pessoas com licantropia. Por várias razões. Remo Lupin é uma delas. Ele teve a chance de obter uma educação e não ter sua condição definindo-o totalmente e, mesmo com todas as suas lutas, ele foi um dos homens mais gentis que já conheci. Imagine como sua a vida poderia ter sido caso não tivesse sido discriminado durante toda a sua vida adulta. E pense em todas as pessoas com licantropia que lutaram por Voldemort. Eles não pediram para se tornarem lobisomens. A sociedade bruxa não queria educá-los, não os empregava... para onde mais eles iriam? Precisamos mudar em vários níveis e quero que isso aconteça. Existe a Poção de Acônito e estou disposta a produzi-la e distribuí-la sem nenhum custo... mas ainda não descobri como alcançar as pessoas que precisam dela. Mas isso é realmente apenas a ponta do iceberg. Eles precisam de educação, leis anti-discriminação e... não sei mais o quê. Por isso preciso da sua ajuda. Eu não sei por onde ou como começar. - Ela percebeu que estava falando havia muito tempo e fechou a boca com um estalo.

- Você não faz as coisas pela metade, não é mesmo? - Percy comentou.

- Não faz sentido fazer isso pela metade. Eu poderia colocar uma placa e distribuir a Poção de Acônito, mas não será útil se eles ainda forem discriminados e não puderem manter um emprego por causa da sua condição.

Percy assentiu, pensativo.

- Em parte, é um problema de classificação. No momento, o único departamento que se relaciona com os lobisomens é o departamento que regula as criaturas mágicas.

- O que rebaixa os lobisomens ao status de animal, em vez de uma pessoa que sofre de uma condição - continuou Hermione, vendo onde ele queria chegar.

- Durante a lua cheia, um lobisomem sem a poção é um animal. Ele não tem como controlar os impulsos que sente - disse Arthur, tentando parecer gentil.

- Mas esse é um dia em um ciclo lunar. Todos os outros dias do ano, são bruxos e bruxas - e provavelmente até alguns trouxas. É correto maltratar as pessoas todos os dias do ano por algo que lhes acontece fora do seu controle uma dúzia de vezes por ano?

- Eu não disse que isso é certo. Reclassificá-los ajudaria, mas seria o primeiro de muitos passos.

- Que outros departamentos podem intervir? E quem poderia estar disposto a ajudar? - A conversa evoluiu com um pouco de discordância entre os dois homens Weasley sobre quais departamentos estariam melhor posicionados para se envolverem versus quais funcionários desses departamentos poderiam estar interessados.

A certa altura, Arthur olhou para Hermione.

- Você entende o tamanho da tarefa que assumiu, certo?

- Eu sei. E entendo que não farei o tipo de mudança de que estamos falando do dia para a noite. Mas elas precisam acontecer a menos que o Ministério queira mais uma guerra. - Ela suspirou. - Eu ainda nem sei qual seria a melhor solução. Tentar reintegrar totalmente a população ou deixá-los viver em sua própria comunidade, mas tendo a opção de reintegrar-se. Ajudaria se houvesse alguém da comunidade para conversar.

Os três conversaram mais um pouco até que Percy e Arthur tiveram que voltar aos seus escritórios. Eles ainda não tinham respostas ou planos concretos, mas pensariam para ver o que poderiam fazer.


Quando Hermione chegou em casa da loja de logros, Draco preparava o jantar.

- Você parece exausta.

- Foi um longo dia. Tive a reunião com Arthur e Percy. Conto tudo em um minuto. - Ela foi para o quarto trocar de roupa e vestir algo mais confortável e, quando saiu, viu uma coruja batendo na janela. - Talvez Arthur ou Percy já tenham pensado em alguma coisa - disse ela, sem acreditar que eles teriam sido tão rápidos. Ela abriu a janela e a coruja voou com uma carta amarrada à perna. Era Athena, finalmente de volta.

Mesmo sem ver a caligrafia, era impossível confundir o material de alta qualidade. Narcisa finalmente os respondera.

- Draco?

- Só um minuto ou a carne queimará.

Ela esperou até ele tirar a carne do fogo antes de dizer mais alguma coisa. Ele veio até a sala, olhando para ela.

- De quem é?

- Sua mãe.

Ele olhou para a carta na perna de Athena e a coruja piou irritada. Nenhum dos dois estava realmente disposto a remover a carta, mas Athena parecia estar com um humor estranhamente desagradável. É certo que ela também fizera um longo vôo. Hermione desamarrou a carta e levou a coruja até seu poleiro, enchendo o prato de água e de comida e dando-lhe uma verificação superficial quanto a sinais de ferimentos. Ela parecia estar bem. Não conseguindo mais se conter, Hermione voltou para perto de Draco e abriu a carta. Estava endereçado a Hermione, o que fazia sentido. Embora a última carta de Narcissa incluísse uma carta para Hermione e uma nota curta para Draco, a resposta fora escrita como se fosse apenas para Hermione, com indicadores ao longo dela que mostravam que era para os dois. Ela deve ter achado prudente não colocar o nome dele no campo do destinatário; o Ministério provavelmente não aprovaria que ele se correspondesse com sua mãe exilada.

Miss Granger,

Desanimo-me ao saber que meu filho não está interessado em retornar à sociedade bruxa através da maneira adequada à sua posição. Caso ele decida mais tarde que deseja se apresentar formalmente, poderá ser tarde demais. Eu o aconselho veementemente a reinserir-se à sociedade por meio de um método de sua própria escolha, ao invés de permitir que fofocas se encarreguem de sua reentrada. O Profeta não estará inclinado a contar sua história gentilmente. Muitas pessoas não consideraram nossas condições de vida deste ano como uma resposta adequada aos crimes pelos quais fomos acusados.

As crianças nessa idade crescem rapidamente. Não faz muito tempo que Draco tinha essa idade e eu cuidava de suas feridas e ensinava-lhe todas as coisas que ele precisava saber sobre este mundo. Parece-me que eu me lembro daqueles dias mais do que ele se lembra.

Fico feliz que vocês estejam se divertindo por enquanto, embora seja bom considerarem que todas as coisas boas, assim como todas as experiências, devem terminar em algum momento. Eu acredito que seu aprendizado esteja indo bem?

Por mais adorável que seja o verão e a casa de veraneio, será tarde demais para abri-la nessa estação. Talvez no próximo ano.

Narcissa Malfoy

Juntos, Hermione e Draco leram a carta três vezes, para terem certeza de que não haviam perdido nada.

- Bem, eu tenho um bom entendimento do esnobismo diplomático, mas isso colocou minhas habilidades à prova.

Draco apertou os lábios, lendo seção por seção.

- Ela entende que nós dissemos que eu não tenho interesse em seguir seus planos e ela acha que sabe o que é mais benéfico para mim. Ela pode estar certa sobre o Profeta. Esperava evitar qualquer cobertura no meu retorno, mas acabaram-se os dias em que uma palavra da minha família poderia impedir a imprensa de publicar alguma coisa - ressaltou.

- Nunca consegui controlar a imprensa. Ou quase nunca. Sua mãe sabe que Teddy é seu sobrinho-neto? Sei que ela e Andrômeda nunca fizeram as pazes, então talvez não saiba. Ela pulou essa parte e começou a te chamar atenção por estar sendo um filho ruim.

Draco deu de ombros.

- Eu diria que sabe. Eu acho difícil que ela não tenha ouvido falar que Andrômeda teve uma filha e um neto, mas é possível. Duvido que saiba que Potter é o padrinho, mas ela deve ter captado a referência que fizemos à sua irmã, eu acho. - Ele leu o final da carta novamente. - Ela não ameaçou me deserdar, mas claramente pensa que o nosso relacionamento já estará acabado quando voltar da França.

Hermione assentiu e colocou o braço em volta dele.

- E sobre a casa de verão... ela voltará para a mansão. Evidentemente, isso não a assombra do mesmo jeito que me assombra. - Ele dobrou a carta. - Ela não recebeu você na família, mas... foi melhor do que esperava. Minha mãe não está exatamente em fúria.

Ela beijou sua bochecha.

- É tudo o que podemos esperar nesse momento. - Havia um brilho em seus olhos. - Acho que, com a próxima carta, deveríamos enviar uma foto nossa com Teddy e Andrômeda. E talvez Harry.

Draco levantou uma sobrancelha.

- Você é muito boa nesse jogo, não é mesmo?

- Bem, acho que é importante mostrar à sua mãe o quanto a família significa para nós. Afinal, ela te acusou de não cumprir com suas responsabilidades filiais. Pode valer a pena mostrar a ela que você é um excelente primo, sobrinho e namorado.

Com um sorriso e um aceno de cabeça, Draco concordou. Talvez a foto não acompanhasse a próxima carta - eles não tinham outra visita planejada. Mas pensariam em algo.


N/F/T: Oi gente, tudo bem? Obrigada pelos comentários no capítulo anterior! Queria divulgar a nova fic que estou traduzindo, chama-se All You Want e eu estou postando no Wattpad. Infelizmente, não dá para colocar o link aqui :( mas vocês podem me achar por lá com o nome de usuário raven_therin_. Eu não estou postando a fic aqui no porque acho realmente muito mais complicado de postar. Mas se vocês preferirem, eu posso postar aqui também. Me deixem saber.