Aqui está o capítulo que era para ser postado na sexta. Culpo inteiramente a correria da vida de uma jovem adulta, mas peço que me perdoem.

Espero que gostem!


Capítulo 48: Estrelas


O segundo artigo foi publicado uma semana após o primeiro, conforme planejado. A carta esperada de Narcisa chegou antes que visse o segundo artigo, embora evidentemente o primeiro tenha sido o suficiente para irritá-la. Hermione leu enquanto tomava uma xícara de café, desejando... ela não sabia o quê. Desejando que Narcisa aceitasse melhor a escolha amorosa de Draco? Ela aceitaria em algum momento. Provavelmente. Possivelmente. Hermione suspirou. Dois pais que não reconheciam a filha e uma mãe que provavelmente não se associaria ao filho. O Natal seria pacato. Ou talvez eles simplesmente fossem para a Toca. A data ainda estava muito longe. Ela leu a carta rapidamente.

Srta. Granger,

Embora tenha apreciado toda a ajuda que você dedicou a Draco este ano, estou muito preocupado com o artigo publicado sobre ele no Profeta Diário. Eu previ algo assim acontecendo. Se você mesmo não define a narrativa, outros o farão por você.

Ainda há tempo para organizar o tipo certo de regresso ao mundo bruxo para Draco. Eu sinto muita falta dele.

Narcisa

A carta não era longa. Havia muita coisa que Narcisa não queria dizer em um meio sujeito a interceptação. Mas Hermione sabia ler nas entrelinhas. Narcisa pensava que eles estavam sendo desnecessariamente teimosos e descuidados. Se ela soubesse. Hermione franziu a testa, se perguntando se havia alguma maneira de Narcisa ter adivinhado sobre Rita. Não era impossível.

Ela deixou a carta de lado e olhou para o Profeta Diário novamente. Havia uma foto impressionante de Draco de pé em frente a pia, as mangas da camisa arregaçadas para revelar os antebraços enquanto lavava a louça. Ele havia sido posado com cuidado por Rita e Hermione para mantê-lo em um ângulo que não mostrasse sua Marca Negra. As fotos trouxas imóveis contrastavam fortemente com as outras histórias da página. Rita definiu a cena em seu parágrafo inicial, falando sobre como ela o abordara na biblioteca, chegara em sua casa depois de uma viagem ao seu lado no trem e como ele preparara o jantar. Estava escrito que ele manuseava carne crua e usava os utensílios trouxas de cozinha com facilidade. Hermione estava lá também, não que alguma menção direta a ela aparecesse no artigo. Para quem lia a entrevista, parecia que Rita havia conseguido uma entrevista exclusiva no ambiente íntimo e sociável da modesta sala de estar de Draco.

A entrevista seguiu seu caminho da maneira mais casual possível, passando pelos tópicos de coisas com as quais Draco achara mais difícil de se adaptar, sua apreciação pela dificuldade que os nascidos-trouxas e mestiços deveriam passar, tendo que viver em dois mundos. A presença de Hermione entrava e saía da história apenas com a menor sugestão. Uma vizinha o levara às compras durante a primeira vez em que estivera trancado fora de seu apartamento. A autoeducação com o objetivo de mudar de emprego. O fator determinante por trás de seu desejo de mudança de emprego: a garota.

— Oh, vocês dois vão me fazer vomitar — Rita disse naquela noite, sua pena fazendo uma pausa.

Draco deu de ombros.

— O romance vende e isso é o que você está buscando.

Ela apertou os lábios.

— Verdade.

O artigo terminou com a incerteza de Draco sobre o que estava por vir e as observações de Rita sobre seu comportamento.

Hermione suspirou. Draco já havia saído para o trabalho e ela estaria a caminho da casa de Belby assim que sua poção esfriasse o suficiente para ser engarrafada. Eles teriam que ver Skeeter novamente àquela noite para avaliar a reação ao artigo e descobrir quais seriam seus próximos passos. Eles estavam tentando decidir se publicariam três ou quatro artigos e se a grande revelação seria feita antes ou depois da audiência. Hermione não queria que sua presença impactasse os resultados, mas eles prometeram à bruxa um exclusivo. Se esperassem até depois da audiência, ela não poderia estar ao lado de Draco durante o que seria um momento difícil.

Bem, havia Belby para ver àquela manhã e Arnold à tarde. E ela precisaria passar na casa de Andrômeda para trabalhar nos planos da festa de Harry.


O programa de leitura de verão estava em pleno andamento e se Draco visse outra estrelinha dourada de papel, colocaria fogo nela.

Um garotinho com os dois dentes da frente faltando sorriu para Draco, colocando três livros no balcão e puxando um papel amassado e muitas vezes dobrado do bolso.

— Três estrelas, por favor.

Draco olhou com ceticismo para o garoto e verificou as datas de registro ao checar os livros devolvidos.

— Você leu todos esses três durante essa semana, Jared?

O menino assentiu.

— Três estrelas, por favor — ele repetiu, passando a língua pelo espaço na boca e procurando por um sinal de crescimento de seus dentes permanentes.

Draco abriu a gaveta para procurar os adesivos.

— Qual deles foi o seu favorito?

— O terceiro. Sobre dragões e bruxos.

— Dragões são perigosos — Draco disse em voz baixa. — Por falar nisso, os bruxos também.

O garoto de sete anos lançou a Draco um olhar fulminante digno de Narcisa.

— Eles não são reais. Eu não sou um bebê.

Draco tirou os três adesivos do bloco e os colou na folha de leitura do garoto, que claramente já tinha visto dias melhores. Jared sorriu uma vez, dobrou-a novamente e guardou-a no bolso, correndo em direção à seção infantil. Draco podia ver a mãe do garoto esperando no saguão enquanto conversava em voz alta no celular.

Ele balançou a cabeça. Celulares. Espelhos. O que exatamente ele desencadeara no mundo bruxo? E o que viria a seguir? Televisão? Internet? Apenas Salazar sabia que tipo de híbridos do entretenimento o mundo bruxo poderia inventar. Ele guardou os adesivos de volta na gaveta e rezou para que não precisasse lidar com eles naquele dia novamente. Colou um sorriso no rosto enquanto uma mãe arrastava pelas portas o que parecia ser um grupo inteiro de crianças.

— Estamos atrasados para o círculo de leitura? — Ela perguntou. — Não puxe o cabelo de Mindy, Justin — a mulher repreendeu uma das crianças.

— De modo algum. É logo à esquerda. Vocês verão o tapete gigante com trens vermelhos cobertos de purpurina. Hoje vamos ler Stellaluna e Onde Vivem os Monstros.

Ele observou o grupo passar e Theresa se aproximou da mesa alguns minutos depois.

— Julia acabou de ligar. Você vai cobrir o círculo de leitura hoje. Daqui a 10 minutos. Eu vou cobrir a mesa.

Draco organizou sua área de trabalho. Não haveria discussão com ela. Era hora das caras e vozes engraçadas e todas as outras coisas que divertiam crianças pequenas. Ele se resignou a pegar um conjunto de adesivos de estrelas e colocá-los no bolso. Inevitavelmente, haveria pelo menos duas ou três crianças na multidão alegando ter lido livros e que ainda não haviam conseguido seus adesivos. Enquanto caminhava para o tapete coberto de trens, algumas das crianças o reconheceram e gritaram.

— Draco vai fazer a hora da história!

— Ele faz as melhores vozes de dragões.

— Sente-se ao meu lado!

Draco fez o possível para não suspirar. Começariam com Onde Vivem os Monstros e talvez quando chegassem a Stellaluna parte daquela energia já houvesse se esgotado. Ele se apresentou à multidão de crianças no tapete e aos pais, puxando uma cadeira. Sequer olhou em direção à mesa de registro, onde sabia que Theresa estaria assistindo com um sorriso presunçoso.


Gina se jogou à mesa em frente a Hermione, limpando a fuligem das mãos e largando a bolsa no chão perto dela.

— Eu tinha esquecido o quão cansativo estar perto da minha família pode ser. Trabalhar com Jorge o dia todo e depois ir para casa de mamãe e papai. Obrigada por me deixar dormir aqui hoje à noite. Quando você e Draco irão se mudar para que eu possa alugar isso aqui? Vocês ainda estão indo morar juntos?

— Estamos planejando, mas ainda não encontramos um lugar. Estamos esperando para ver o que acontece na audiência. Quero dizer, tudo deve correr bem, mas...

— Mas por precaução, você não quer sair daqui se ele não recuperar sua magia?

Hermione soltou um suspiro.

— Este deveria ser o nosso lugar. O lugar meu e de Rony. E Harry do outro lado do corredor. Um pouco de normalidade para todos nós. Draco e eu precisamos de um lugar que seja nosso, juntos. Talvez um pequeno lugar em Hogsmeade. Ou talvez Londres trouxa novamente se as coisas não correrem bem no próximo mês. Eu posso viajar via Flú ou aparatar em Belby, então a localização não me importa muito, embora, idealmente, qualquer lugar longe de Narcisa seja melhor do que perto. Sirva-se, há muito. Draco chegará mais tarde.

Gina pegou uma batata e a mordiscou desinteressadamente.

— Sinto cheiro de pólvora e lesmas na maioria dos dias hoje em dia. Acho que estou voando o máximo que posso, mas ainda faltam meses para os testes, mesmo para qualquer uma das ligas juniores, e sinto falta do vento e da grama. —Ela puxou o cabelo com mais força em seu rabo de cavalo. — De qualquer forma, há algo que eu possa fazer para ajudar na festa na próxima semana?

— Está tudo resolvido neste momento. Andrômeda está cuidando do bolo, Draco e eu levaremos comida e bebida. Tudo o que você precisa fazer é aparecer e certifique-se de levar Jorge e Lino. Espero que, depois de todo esse tempo, Duda não reconheça Jorge. Você quer chá ou vinho?

Hermione levantou-se para fazer chá, andando pela cozinha. Ela espiou a Felix Felicis que estava preparando. Parecia estar dentro do planejado.

— Não, apenas água. Não acredito que o primo trouxa comparecerá. Ele não tratava Harry de uma forma horrível?

Hermione deu de ombros.

— Eles estão tentando ser amigos. A gente só tem uma família.

— Isso não é verdade.

— Como assim?

— Você tem duas. Duas famílias. A família na qual nasceu. E a família que você escolhe. Você é minha irmã, Hermione e desafio qualquer pessoa, inclusive você, a ousar me dizer o contrário.

Hermione se aproximou da ruiva, passou os braços em volta dos seus ombros e descansou a cabeça na dela por um momento.

— Obrigado, Gin.

— A qualquer momento. — Ela apertou a mão de sua amiga e os duas se afastaram. — Então ele está realmente consertando as coisas com Duda?

— Eles parecem ter se acertado neste ano. E Harry está passando muito tempo com Teddy e Andrômeda.

O canto da boca de Gina se contraiu e seu rosto estava ilegível.

— Eu não o vi muito neste verão.

Hermione se recostou na cadeira com o chá.

— Ele está lidando com muita coisa no momento. — Ela fez uma pausa e deu um sorriso irônico. — Eu sei que isso soa como uma desculpa esfarrapada.

Ela tomou um gole de chá, procurando algo mais a dizer.

— Você ainda lê o Profeta Diário? Viu o que Skeeter está escrevendo hoje em dia? — perguntou Gina.

— Eu vi.

Houve um som na porta, e Draco entrou.

— Hermione?

— Estamos bem aqui. Deixei um pouco de comida no forno para você.

— Obrigado. Se eu vir outra estrela dourada... — ele começou, irritado.

Quando se inclinou para pegar o jantar no forno, as garotas começaram a rir.

Ele se endireitou abruptamente, quase encostando as mãos no interior do forno ainda quente.

— O que?

Hermione se aproximou dele, beijando sua bochecha e habilmente puxando uma pequena estrela dourada da sua bunda e outra do cotovelo.

— Oh, Salazar. Talvez eu deva desistir agora e acabar com isso. — Ele abriu a geladeira e pegou uma garrafa de vinho e três taças.

Os três se sentaram à mesa e compartilharam seus dias. Após a terceira taça de vinho, Draco acabou fazendo as vozes dos monstros. Gina estava bocejando quando Hermione lhe preparou o sofá, antes de ir para cama com Draco.


Doug teve vários espasmos, então os Medibruxos tiveram que desacordá-lo. Ninguém sabia ao certo o que havia acontecido — houve alguns barulhos estrondosos e uivos de dor ... e depois silêncio até Hermione chegar à cela (ela já estava a caminho de qualquer maneira) e gritar para alguém vir ajudar. Hermione tinha assistido horrorizada enquanto eles carregavam seu corpo flácido sob uma camada de feitiços de proteção. Como Hermione ameaçou segui-los até o St. Mungus e garantir que Doug fosse tratado com o mais alto nível de cuidado e respeito, o curandeiro principal se voltou para ela e garantiu que todas as devidas precauções e cuidados seriam tomados.

O evento foi o avanço que precisava com Arnold. Ela não sabia disso no momento em que foi à cela dele e o atualizou sobre a condição de seu suposto amigo. Ele nunca disse exatamente que eram amigos, mas provavelmente se conheciam.

— Achamos que ele estava batendo a cabeça nas paredes. Ele é um perigo para si mesmo. De qualquer forma, eu queria te informar antes de sair. Vou para St. Mungus garantir que está tudo bem. Farei o possível para retornar aqui hoje com algum tipo de atualização, mas pode ser que eu retorne apenas amanhã.

Ela colocou as mãos nos bolsos para parar de mexê-las.

Arnold não disse nada. Ela não teve tempo de parar na cela de Lúcio naquele dia. Ele teria que esperar. Perguntou-se desconfortável se alguém havia mencionado os artigos de Skeeter. Ele não recebia visitantes, a não ser ela mesma, tanto quanto sabia, mas era o tipo de coisa que os guardas poderiam usar para atormentá-lo.

— De qualquer forma, é tudo o que eu queria dizer hoje. A Poção de Acônito deve ser fornecida regularmente. E espero que você ainda esteja recebendo os cuidados médicos. Você parece melhor do que na primeira vez em que vim. E os cobertores ainda estão aqui, o que parece ser um bom sinal. É melhor eu ir.

Ela alisou as roupas e se virou para ir embora. A voz saiu tão baixa que ela quase não ouviu.

— Fale com eles antes que não reste nenhum de nós.

Ela fez uma pausa, congelada.

— Não sei como chegar até eles.

Ficaram em silêncio por tanto tempo que ela receou que ele pudesse ter mudado de ideia, mas palavra por palavra, Arnold começou a dar instruções e Hermione apressadamente vasculhou seus bolsos em busca de algo para escrever.