Capítulo 53: Jantar
Chegar à Mansão Malfoy com pó de Flu foi um pouco desorientador depois de tantos meses se abstendo da substância. Ainda assim, Draco foi capaz de aterrissar com o mínimo de constrangimento. O fato de a Mansão possuir uma lareira de dois metros e meio de altura especificamente para Flu também ajudava. Ele não conseguia entender por que alguém se contentaria em ter uma menor; a última coisa que você queria ao final de uma viagem pela rede era bater a cabeça na saída. Estragava bastante a entrada que se esperava fazer.
É certo que ele nunca esperaria entrar por aquela lareira com Hermione no braço. Ela segurava-se a ele com mais força do que o necessário. Deu-lhe um sorriso tranquilizador.
Ela soltou um suspiro.
— Eu só preciso de um momento — ela murmurou. Não pensaria em Belatriz Lestrange. Ou na última vez em que esteve naquela mansão. Tinha sido uma vida atrás. Praticamente outro mundo. Suas vestes cobriam os braços até os pulsos. — Por onde?
— Nós podemos ir para o meu quarto. Vamos pegar minhas coisas. Eu suspeito que não haverá necessidade de ir até minha mãe. Ela virá até nós.
Ele tentou parecer mais confiante do que se sentia. Eles não a contaram que estavam indo, mas... não demoraria muito para que ela percebesse.
Um deslocamento de ar surpreendeu os dois e um elfo doméstico apareceu diante deles. O elfo se curvou para Draco.
— Mestre Draco. A senhora quer vê-lo. — O pequeno elfo olhou para Hermione pela primeira vez. — E você, senhorita.
Hermione soltou outro suspiro.
— Acho que veremos sua mãe primeiro e depois subimos — Ela olhou para o elfo a sua frente. — Qual o seu nome?
—Não importa, senhorita. Por aqui. Siga Pinky — O pequeno elfo os conduziu.
Eles passaram por corredores cheios de pinturas que olhavam para Hermione, mas, felizmente, nenhum deles disse uma palavra, embora um ou dois possam ter deixado suas molduras para visitar outras seções da casa.
Para surpresa de Draco, Pinky os levou ao salão, de onde vinham algumas vozes. Ele não esperava que ela tivesse alguma companhia. Antes que pudesse mudar de ideia ou pensar melhor, Pinky abriu as portas duplas e os anunciou.
— Mestre Draco está em casa, senhora. E ele trouxe a senhorita.
Sentada em sua cadeira favorita, parecendo extremamente elegante e um pouco mais bronzeada que o normal, Narcisa Malfoy sorriu para Draco e Hermione.
— É tão bom ver vocês dois. — Virando-se para suas companhias, ela acrescentou: — Esse é meu filho Draco e essa é sua noiva, Hermione Granger. Vamos medir o anel da família para ela esta semana. Você conhece os anéis forjados pelos duendes, não podem ser alterados com magia, somente os ferreiros podem fazê-lo.
—Mãe? — Draco perguntou, sentindo o braço de Hermione se apertar contra o dele. Ele avaliou a situação. Menos convidadas do que ela recebia antes. Algumas mulheres que ele esperava encontrar não estavam ali e ele não reconheceu algumas das outras.
— Oh, eu sei que o anúncio oficial ainda não foi publicado, mas somos todos amigos aqui — disse ela, encantadora. — Agora, continuem com os seus afazeres. Iremos almoçar amanhã. Agora, Mildred, você estava dizendo? — Narcisa perguntou agradavelmente, virando-se para uma das senhoras.
Draco debateu a sabedoria de subir as escadas e deixar sua mãe por conta própria.
— Bem, vou demorar apenas alguns instantes. Hermione, por que você não fica aqui com mamãe e suas amigas e toma uma xícara de chá? Tenho certeza que elas não se importariam.
Hermione ficou tensa e esperou que apenas Draco percebesse. Ela tentou avaliar a reação de Narcisa pelo canto do olho, mas não conseguiu lê-la. Decidiu ter um pouco de fé.
— Você se importaria se eu ficasse, Narcisa? Temos passado tão pouco tempo juntas este ano.
Apenas Draco percebeu que o sorriso de sua mãe se tornou levemente falso quando ela fez uma aceitação educada e ordenou ao elfo doméstico que trouxesse outra cadeira e xícara para Hermione e as mulheres abriram espaço para ela. Sorrindo, Draco subiu as escadas.
Em pouco tempo, seu quarto estava vazio. Vestes, livros antigos, sua vassoura — tudo estava guardado e encantado para facilitar a remoção. Ele colocou tudo em uma única caixa e voltou para o salão, estampou um sorriso no rosto e enfiou a cabeça pela porta.
— Hermione, amor, você está pronta para ir?
— Oh sim, acabei de terminar minha xícara. Adorei conhecer todas vocês — disse ela educadamente.
— Eu vou conduzi-los até a porta — Narcisa ofereceu. — Pinky, traga mais algumas tortinhas de mirtilo.
Os três mal haviam chegado à primeira esquina quando Hermione perguntou:
— O que é esse lixo sobre anel de família?
— Isso se chama controle de danos, Srta. Granger. Eu não poderia simplesmente dizer que vocês dois estavam apenas se divertindo. — Havia desdém em sua voz. —Eu avisei que alguém assumiria o controle de sua reentrada no mundo bruxo, Draco, então eu fiz o que pude. Aquela mulher desagradável Skeeter escreveu que eu tinha "lágrimas nos olhos" com a ideia de vocês dois. Bem, essa é precisamente a imagem pública errada, independentemente de qualquer coisa que eu possa estar sentindo. Felizmente, eu tive a previsão de organizar essa reunião antes de voltar.
— Mãe, quem são essas mulheres?
— Oh, uma ou duas do Ministério, algumas das mulheres com quem fui à escola. Apenas... uma reunião. De qualquer forma, nós três deveríamos almoçar amanhã para discutir algumas coisas. Vocês estão livres às onze e meia? — Narcisa perguntou, a poucos metros da lareira.
— Mãe, diferentemente de você, nós dois trabalhamos. Nenhum de nós está livre às onze e meia.
—Hum. Jantar então, espero vocês às sete.
—Nós não estamos livres amanhã. Que tal quarta-feira?
—Quarta-feira então. Sete horas e não se atrasem — Sua voz estava firme, mas oscilou um pouco quando ela estendeu a mão e abraçou Draco brevemente. — Eu senti sua falta — Ela voltou pelo corredor para suas convidadas.
Hermione deu a Draco um olhar intenso.
—Você me deixou sozinha com os lobos lá atrás. É melhor você cozinhar algo bom para o jantar hoje à noite.
Com a caixa ainda nos braços, ele beijou o topo da cabeça dela e eles foram para casa.
A segunda-feira foi ocupada e Draco tentou atravessar a linha entre dois mundos. Ele caminhou para o trabalho, porque nunca havia considerado qual era o melhor ponto de aparatação. Mas na hora do almoço, esgueirou-se para aparatar no Beco Diagonal. Abriu seu próprio cofre em Gringotes, separado do cofre da família, e passou na Gemialidades Weasley apenas para garantir que sua parcela das vendas de espelhos fosse diretamente para seu cofre pessoal.
Ele queria ver se suas novas vestes já estavam prontas, mas, quando deu por si, já estava alguns minutos atrasado para o trabalho. E sequer havia comido.
Aparatou de volta ao Beco Diagonal no fim do dia para pegar as roupas e usá-las durante o final de semana.
De alguma forma, apesar de suas melhores intenções, Draco ainda não havia encontrado uma maneira de avisar à Theresa que estava saindo.
E cozinhava pelo modo trouxa na maioria das vezes. Precisava de um livro com feitiços de culinária. Era uma daquelas coisas que pensava nunca precisar aprender. Ainda queria conversar com Hermione sobre terem um elfo doméstico para ajudar na cozinha e na limpeza... Mas a magia na ponta dos dedos ajudava a tornar tudo um pouco mais suportável.
Hermione estava convencida de que nunca tiraria o cheiro de acônito de suas vestes. Ou do seu cabelo. Não conseguia nem identificar o outro cheiro de erva fixado a ela. Talvez fosse uma mistura.
Belby foi fiel à sua palavra de ajudá-la a fazer arranjos para o final daquele mês e ela estava preparando lotes extras de Poção de Acônito. Mas nada parecia estar se movendo rápido o suficiente.
Ela afastou o cabelo do rosto e pensou em prendê-lo em um coque. Pelo menos não estaria tão volumoso.
—Você está preocupada.
—E você não está? Eu já te vi trocar de roupa trouxa para vestes e roupa trouxa novamente — ela apontou.
Draco afastou os cabelos do rosto.
— Quando se trata da minha mãe, é uma questão de guerra psicológica. Eu não sei o que a surpreenderia. Eu gostaria de ter uma ideia melhor do que se tratava aquela reunião no domingo.
Suspirando, Hermione se virou do espelho e pegou as mãos dele.
— Parece ser exatamente o que ela disse, uma tentativa de controlar os danos. Acho que foi tanto para ela mesma quanto para você. Não havia ninguém de alto nível ministerial. Acho que ela estava tentando descobrir que tipo de alianças estavam ao seu alcance. Mesmo que ela tenha objeções pessoais ao nosso relacionamento, acredito que o apoiará publicamente em prol de sua imagem. Ela não tem mais a garantia social para se mostrar indignada com o nosso relacionamento neste momento, concordar com isso vai prejudicá-la com seus velhos amigos, mas a deserção no final da guerra e sua sentença branda já o fizeram, de qualquer maneira. Sua melhor opção é mostrar que está virando a página — Ela fez uma pausa. — Eu gostaria que não tivéssemos que entrar naquela casa hoje à noite. Eu sei que foi minha ideia no domingo mas...
Ele apertou suas mãos e descansou a testa na dela.
— Eu sei que isso não facilita as coisas. Podemos enviar uma coruja, se você preferir; dizendo-lhe que não poderemos comparecer. Ou podemos remarcar.
Ela considerou seriamente antes de balançar a cabeça levemente.
—Não. Eu posso sobreviver mais uma noite. Não quero que você perca sua mãe por minha causa. Irei tentar se ela também o fizer.
Ele beijou seus lábios e depois sua testa.
— Se nada mais der certo, imagino que sempre teremos Molly Weasley para nos receber nos feriados.
— Isso me lembra. Recebi um recado dela esta tarde. Pretende nos convidar para jantar em breve.
Não parecia haver horas suficientes no dia para todas as demandas. Mas quando eles já houverem se decidido onde morar, quando Draco já houvesse saído da biblioteca e a grande reunião dela com os licantropos já tiver sido realizada... ele a levaria a férias apropriadas.
— É melhor irmos antes de desistirmos. Suponho que pareço tão bem quanto possível.
— Você está bonita.
Ele atrasou a saída por alguns minutos com alguns beijos bastante profundos, o que fez com que ela precisasse ajeitar as vestes e pentear o cabelo novamente. Finalmente, eles foram até a lareira e partiram.
Pinky os esperava.
— Mestre Draco, senhorita, Pinky acompanhará vocês ao jardim. Por aqui.
Hermione levantou uma sobrancelha para Draco, mas ele simplesmente deu de ombros. Não fazia ideia do que esperar. Ou não muito, pelo menos.
Imaculadamente bem vestida como sempre, Narcisa os esperava no jardim de rosas, suas vestes de um tom vermelho escuro para combinar com os arbustos floridos atrás dela. O sol estava baixo no horizonte. Mesmo que parecessem ser de ferro, havia um encanto de amortecimento muito bom embutido nas cadeiras, perceptível assim que você se sentava. Uma mesa ao lado continha uma variedade de bebidas e taças, encantados para permanecerem frescos.
— Draco querido, fico feliz que você conseguiu vir. Senhorita Granger — ela assentiu.
— O que é tudo isso, mãe?
— Eu pensei que o jardim poderia ser um lugar mais agradável para jantar esta noite. Ar fresco, pôr do sol. Muito pitoresco. Por favor, sentem-se, vocês dois.
Draco puxou o assento para Hermione antes de se sentar.
— Fico feliz ao ver que você não perdeu todas as suas boas maneiras este ano, embora devesse ter puxado minha cadeira — Com um aceno de mão, a cadeira de Narcisa se moveu para frente quando ela se sentou.
— Bem, mãe, é importante reconhecer que você não é mais a mulher central na minha vida.
A bruxa loira apertou os lábios e não fez nenhum comentário, gesticulando para Pinky abrir uma garrafa de vinho e começar a servir.
— Você foi visitar seu pai?
— Não — Ele deixou assim. Aquelas emoções ainda borbulhavam muito perto da superfície.
— Eu o vejo de vez em quando — Hermione disse agradavelmente. Ela tomou um gole de vinho, mesmo que fosse tinto — de longe sua primeira escolha. — Parte do meu trabalho contínuo com pessoas que sofrem de licantropia tem me levado a Azkaban.
A boca de Narcisa ficou mais fina.
—E Lúcio está ciente do seu... relacionamento? — O olhar dela passou de Hermione para o filho.
Hermione deu de ombros.
— É difícil dizer. Eu nunca o contei, exatamente, mas suspeito que ele saiba. Há muito o que discutir em um dia. Ele nunca disse nada para me fazer acreditar que se opõe.
É certo que, se Lúcio se opusesse ao relacionamento deles, Hermione entraria em uma encruzilhada em seus esforços. Ou ela parava de tentar conversar com ele, ou... bem, ela poderia entrar em grandes detalhes sobre todas as razões pelas quais objetar era errado e estúpido.
Outro elfo doméstico apareceu com pratos e saladas e começou a servi-los. Quando todos foram servidos, Narcisa pegou os talheres e começou a comer.
— A verdadeira questão, mãe, é o que você pretende fazer — Draco pegou a mão de Hermione. — Nós temos o seu apoio?
Uma borboleta pousou na cadeira de Narcisa e voou novamente. A pausa se estendeu.
Seu tom era nítido, mas ela falou mais bruscamente do que Hermione já a ouvira antes:
—Isso tudo é bastante repentino. Deixe-me ser franca com vocês. Acredito que circunstâncias convenientes fizeram com que vocês dois se apegassem um ao outro. Isso não é suficiente para construir um relacionamento duradouro. Vocês têm diferentes origens e diferentes objetivos, provavelmente. Por mais apaixonados que estejam agora, não vejo um futuro a longo prazo para isso — Ela fez uma pausa, pegando outro bocado de salada com o garfo e comendo antes de continuar. — Dito isso, permanecer juntos durante um curto período de tempo, com a minha aparente aprovação, certamente seria o melhor para todos. Draco terá uma longa escalada de volta a qualquer posição decente após seu ano fora da sociedade; como muitas de nossas antigas alianças estarão contra ele, será importante construir novas, o que você já parece ter começado a fazer — Ela assentiu em aprovação. — Ter a boa opinião de Harry Potter ao seu lado não é ruim. Sua conexão com a família Weasley também pode ser útil. — Ela considerou cuidadosamente os dois com o olhar, mas continuou novamente antes que eles pudessem interrompê-la: — Seria melhor vocês se apresentarem como noivos, em vez de apenas dizer que estão morando juntos. Para mostrar que assumiram um compromisso e não são apenas tolos em luxúria. Depois de mais ou menos um ano, o noivado poderia ser interrompido silenciosamente, sem ressentimentos. Draco se encontrará em uma posição social melhor e com um emprego apropriado a essa altura. Não sei o que posso lhe oferecer como recompensa justa, Srta. Granger, mas tenho certeza de que chegaremos a um acordo.
Hermione empurrou o prato para longe.
—Você não pode estar falando sério.
O sol estava se pondo, banhando os jardins com um brilho rosa-alaranjado. O belo cenário entrava em desacordo com o desejo de Hermione de atravessar a mesa e derrubar um prato no colo da mulher.
Draco balançou a cabeça, observando Narcisa.
— Ela está falando muito sério. Ela vê isso como um acordo comercial em que todos nós ganhamos, mas sem envolvimento emocional. Hermione e eu não estamos noivos, mãe, e não fingiremos que estamos. Nós levamos nosso relacionamento no nosso próprio ritmo e não no ritmo dos demais.
Ele a olhou friamente e imitou sua ação anterior de comer o que estava no prato como se nada fora do comum estivesse acontecendo.
Dominando sua expressão, Hermione acrescentou:
— Enquanto você persiste em sua fantasia de que o mundo ainda é seu para arranjá-lo e reorganizá-lo, deixe-me dizer o que realmente está acontecendo desde que você foi exilada. Seu filho e eu estamos apaixonados. Nós estamos morando juntos e iremos procurar outra residência em breve. Não precisamos voltar aqui nunca mais, a menos que você nos queira aqui, em nossos termos.
O rosto de Narcisa estava imóvel.
— Seus termos?
—Tia Drômeda está na minha vida. Nós a vemos regularmente. E quando eu tenho tempo, cuido do filho da minha prima — Ele tomou um gole de vinho. — Depois de todas as alegações de que a família é mais importante do que qualquer outra coisa... Parece ultrajante que você tenha me deixado crescer sem conhecer minha tia ou minha prima. E agora, é tarde demais para conhecer minha prima. Em vez disso, Teddy está sendo criado por Tia Drômeda e seu padrinho.
— Que não é tão ruim quanto você pensou — acrescentou Hermione.
—Verdade — Ele se virou para sua mãe, com uma expressão agradável no rosto. — Nossos termos. Nosso relacionamento prossegue no nosso próprio ritmo. Consertamos pontes com o lado Tonks da árvore genealógica; não posso forçá-la, mas recomendo que faça o mesmo se quiser nos ver nos feriados. E eu nunca mais quero ouvir uma palavra sarcástica sobre o passado de Hermione em seus lábios novamente. Se você não pode viver de acordo com os nossos termos, tenho muito pouco a lhe dizer, agora ou sempre. Molly Weasley está mais do que feliz em nos receber durante os feriados.
As narinas de Narcisa se alargaram um pouco e ela fez um gesto para que um dos elfos domésticos retirasse os pratos e trouxessem o próximo.
— Você parece pensar que o amor é tudo o que precisam para serem felizes. O que você pretende fazer para viver, Draco? Como vai pagar roupas, vassouras e todas as suas outras regalias?
O elfo doméstico voltou e colocou pratos de salmão cozido no vapor com batatas.
—Eu aprendi a me virar sem minha vassoura ou seu dinheiro este ano. Sou capaz de trabalhar por conta própria. Posso me adaptar conforme necessário. As cobras são boas em trocar de pele. Irei me adaptar.
—Você continuará trabalhando onde está agora?
Ele deu de ombros como se não importasse. Ainda não havia encontrado a hora ou a maneira certa de notificar a biblioteca.
— Eu poderia. Não é muito exigente. Posso viver disso. Conheço pessoas novas. Você deveria tentar isso algum dia. Trabalhar, quero dizer.
A bruxa loira soltou um leve suspiro.
— Eu não te ensinei tais maneiras abismais.
—Não, mas me ensinou que minhas palavras são tanto uma arma quanto minha varinha. Eu me contento com o que tenho. No último ano, por causa das escolhas que você e meu pai fizeram... não tive uma varinha para me defender. Apenas minhas palavras.
Sua voz ficou fria e Hermione estendeu a mão para apertar a dele. Nenhum dos dois queria estar naquela casa aquela noite. Ela não sentiria falta se eles nunca mais voltassem. Era uma misericórdia estarem comendo fora e não dentro das paredes da mansão.
— Eu não te ensinei a me desrespeitar ou a me desobedecer.
Luzes de fadas começavam a brilhar ao longo da cerca enquanto a última luz do sol desaparecia. A maior parte do prato principal não tinha sido consumida, mas Draco e Hermione já havia tido o suficiente. Eles estavam saindo. Levantaram-se praticamente ao mesmo tempo. Hermione olhou para a mulher loira.
— Você conhece nossos termos. Não queremos ninguém em nossas vidas que não queira estar nelas. Agora depende de você. Draco, onde é o ponto de aparatação mais próximo? — Os feitiços na Mansão não os deixariam aparatar em qualquer lugar.
— Por aqui — Ele puxou seu pulso gentilmente e a conduziu pelo jardim ao invés de seguirem pela casa. Eles não disseram outra palavra a sua mãe.
Eu ainda não me acostumei a postar capítulo todos os dias... Foi só por isso que eu não postei ontem, me desculpem. Espero que tenham gostado do capítulo de hoje. Muito obrigada a todo mundo que está sempre comentando por aqui.
