N/T: obrigada a vocês que deixaram comentários no capítulo anterior! Agora faltam exatamente 10 capítulos para chegarmos no final da fic... e eu já estou me sentindo saudosa de postar e interagir com vocês. Enfim, aqui está o capítulo de hoje, espero que gostem!
Capítulo 57: Sayonara
Seus passos ecoaram enquanto ela caminhava pelos corredores. Tão vazios. Apesar de suas tentativas de manter a expressão fechada, Hermione poderia jurar que Arnold parecia interessado no que ela tinha a dizer naquela manhã. Parte dela esperava que, se contasse seu sucesso, ele poderia fornecer informações úteis. Surgiu um brilho nos olhos dele quando ela mencionou que uma mulher pediu ajuda pelo filho? Ou ela imaginara? Arnold ficou em silêncio enquanto ela transmitia suas informações.
Havia muito o que fazer. Ela realmente precisava de algum tipo de espaço seguro para oferecer ajuda a quem quisesse. Se ela entendeu Meredith corretamente, ela não havia decidido transformar Dylan em lobisomem. Seus companheiros de matilha tomaram a decisão por ela. Não estava certo. Eles faziam o mesmo com todas as crianças da matilha?
Como alguém poderia escolher fazer aquilo com uma criança?
Ela diminuiu a velocidade ao se aproximar do corredor que levava à cela de Lúcio. Não tinha nada a lhe dizer naquela manhã, a menos que ele quisesse discutir um pouco de Jane Austen. Ainda assim, poderia ser benéfico. Pontes eram construídas lentamente — exatamente como paredes.
Hermione estava a poucos passos daquele corredor quando ouviu uma fria voz feminina. Talvez aquele dia não fosse o mais adequado para discutir Austen com o Malfoy mais velho. Ela virou os calcanhares e saiu. Havia muitas coisas que precisavam ser atendidas em outros lugares em pouco tempo — incluindo seu aprendizado. Mesmo com um atraso naquele dia, havia ainda horas de trabalho pela frente, como sempre.
Draco não estava feliz com a ideia de trabalhar na biblioteca em um sábado, mas prometeu que cobriria aquele turno. Ainda assim, foi com pesar que deixou Hermione tomando café de roupão ao sair do apartamento. Além disso, não era como se ainda faltassem muitos dias para sair do emprego. Parte dele sentiria falta.
Ele optou por caminhar até a biblioteca, observando a cidade e com menos prazer sentindo seus odores. Talvez fosse bom se instalarem no campo e se afastarem das fumaças e multidões nocivas.
A biblioteca deveria ter acabado de abrir, mas Draco, ao chegar, encontrou uma multidão reunida em torno da recepção. Principalmente crianças. Usando chapéus de papel.
— Surpresa!
— O que é isso? — ele perguntou, olhando em volta.
— É apenas uma festa de despedida. Sentiremos sua falta — Theresa lhe disse, tirando outro chapéu de papel de trás da mesa e colocando-o em sua cabeça. — As crianças queriam fazer alguma coisa. Há biscoitos e suco na Hora da História. Agora que a escola voltou a funcionar, o único dia em que eles poderiam estar aqui para vê-lo seria em um sábado. Vá até lá com eles.
Draco estava atordoado. Fez uma pausa antes que conseguisse encontrar as palavras.
— Não tenho certeza se existe algum lugar onde as pessoas lamentaram me ver partir. Obrigado.
Theresa lançou um sorriso para ele.
— Vá em frente, acompanhe-os. Katrina deve chegar a qualquer momento e eu irei cobrir a mesa até que ela chegue.
Os pequenos agarraram as mãos de Draco e marcharam em direção à área da Hora da História. Ele encontrou por lá pequenos copos de papel, caixas de suco e bandejas de biscoitos com cobertura. Alguns pais estavam por perto.
— Draco, leia uma história para nós! — pediu uma das meninas.
— Essa é a festa de Draco — repreendeu uma das mães. — Você não acha que ele quer sentar e apreciar seus biscoitos e suco?
O bruxo loiro olhou para a garotinha, que parecia decepcionada ao saber que a festa não incluiria a Hora da História, tentando manter firme o lábio superior. Droga.
— Rachel, por que você não escolhe sua história favorita e eu leio depois que comer alguns biscoitos? — ele ofereceu.
Seu rosto se iluminou e ela saiu correndo.
Alguém puxou a manga de Draco e ofereceu a ele um biscoito com cobertura e granulado. Apesar das suspeitas de que aquela mão talvez não estivesse totalmente limpa, Draco pegou o biscoito dos dedinhos gordinhos e colocou-o na boca, sorrindo para o menino.
Ele encontrou seu lugar habitual no círculo de leitura e sentou-se, bem a tempo de Rachel aparecer com seu livro favorito. Na verdade, estava longe de ser o único livro que ele leria aquela manhã. Vendo Rachel correndo em busca de seu favorito, vários outros foram atrás de seus próprios e todos se aglomeraram em torno de Draco. Ao descobrir que não queria decepcioná-los, Draco tomou um longo gole de suco de frutas e começou a ler... fazendo as vozes engraçadas e tudo.
Algumas crianças haviam feito desenhos mal feitos que Draco, no entanto, teve o bom senso de elogiar. Ele realmente ficou emocionado. A parte mais difícil foi quando a festa parecia estar acabando e um menino sem os dois dentes da frente puxou a perna da calça de Draco e perguntou se ele realmente realmente tinha que ir — ninguém fazia vozes de monstros tão bem quanto ele.
Draco bagunçou seu cabelo.
— Sim. Há uma princesa me esperando no meu castelo. Mas não se preocupe. Theresa encontrará alguém que possa fazer as vozes dos monstros ainda melhor que eu — Foi com um certo arrependimento que ele deixou a biblioteca e voltou para casa. Não era como se fosse seu último dia ou algo assim. Ele voltaria durante mais uma semana. Mas aquilo o fez perceber que estava deixando uma marca. Eles sentiriam sua falta.
Draco e Hermione visitaram vários apartamentos pela manhã que eram apenas bons o suficiente. Eles ficavam distantes de Londres e, portanto, tinham preços razoáveis. Foi uma espécie de malabarismo aparatar na área correta e depois caminhar até o escritório da corretora de imóveis — Eles estavam procurando em várias regiões diferentes.
Alguns dos apartamentos eram um pouco pequenos. Outros poderiam fazer bom uso de uma atualização. Draco estava um pouco desapontado por não encontrarem sequer um que tivesse uma banheira de tamanho adequado. Três dos seis que eles olharam estavam a uma curta caminhada do supermercado. Dois deles também tinham várias opções de comida nas proximidades, mas um tinha apenas um quarto — não havia espaço para uma sala de trabalho.
— As janelas são um pouco pequenas — observou ele.
— Elas são do tamanho suficiente para permitir a entrada de uma boa brisa — a corretora lhe disse.
O olhar que Draco e Hermione compartilharam dizia que não havia como nenhuma coruja passar por aquelas janelas.
— Vamos continuar procurando — Hermione disse em voz baixa. Eles encontrariam algo certo. Não seria aquele.
— Está tudo tão perto, mesmo que uma coruja possa atravessar a janela, as pessoas do prédio ao lado poderiam vê-la facilmente — ele murmurou. Iriam olhar casas bruxas aquela tarde. Pelo menos eles não precisariam se preocupar em se esconder.
— Sim, é uma das razões pelas quais eu não me incomodei em ter uma coruja quando estava na escola. Achei que não seria tão ruim ter Edwiges indo e vindo com cartas ocasionais de Harry — Rony quase nunca escrevia nada — mas se eu tivesse a minha própria coruja e ela precisasse sair regularmente... isso poderia atrair atenção.
— E nós temos duas corujas.
Eles haviam deixado a corretora caminhar um pouco à frente enquanto voltavam para o escritório dela e Hermione levou um momento para perceber algo.
— Oh, você não precisa nos levar de volta. Iremos almoçar. Obrigada pelo seu tempo.
A mulher de blazer sorriu encantadoramente.
— Houve algo que chamou sua atenção hoje?
— Ainda estamos pensando nisso — Ela apertou a mão da mulher e não havia muito mais a ser dito. Eles se encontrariam com a bruxa corretora naquela tarde, esperando por melhores descobertas. Parecia cada vez mais improvável que eles realmente quisessem morar em um bairro trouxa. Não que uma localidade bruxa não tivesse seus desafios, mas...
— Almoço? — ela ofereceu.
Eles encontraram um lugar próximo e comeram sanduíches, matando o tempo até a hora marcada com a bruxa corretora de imóveis. Hermione pegou suas anotações para todos os apartamentos diferentes que eles olharam naquela manhã e riscou a maioria deles, colocando um ponto de interrogação ao lado do único que ainda poderiam considerar. Ela adicionou várias anotações em sua caligrafia arrumada.
— Qual o sentido de fazer anotações sobre os que não queremos?
— No caso de mudarmos de ideia. Ou ficarmos desesperados. Pelo menos saberemos qual é o melhor dos piores — Ela acrescentou mais algumas linhas e pousou a caneta.
Ele estendeu a mão sobre a mesa e pegou a dela.
— Nós vamos encontrar um lugar. Vamos continuar procurando.
— Você tem certeza de que vai ficar bem em uma localidade mágica? — ela perguntou em voz baixa.
— Eu vou conseguir. Frequento o Beco Diagonal desde a audiência, afinal. Contanto que não tenhamos que morar ao lado de minha mãe, ficarei bem — disse ele, tentando aliviar o clima.
— Eu sei que ainda não vimos nenhum dos lugares mágicos, mas... estou mais inclinada a eles — Suspirou. — Quero morar em algum lugar onde não tenha medo de convidar os vizinhos para tomar um chá, porque pode haver um caldeirão fervendo. Não quero me preocupar com alguém vendo corujas saindo de casa — Ela fez uma pausa e encontrou os olhos dele. — Seria a primeira vez que eu moraria em algum lugar assim... além de Hogwarts. Seria bom me sentir realmente pertencente.
Ele soltou um suspiro.
— Faz muito tempo desde que me senti pertencente a algum lugar. Exceto quando estou com você — Ele enroscou os dedos nos dela. Mesmo com Hermione, ele às vezes se perguntava se tudo aquilo desapareceria como uma bolha de sabão. Não tanto quando estavam sozinhos, mas quando estavam reunidos com todos os ex-grifinórios.
— Oh, eu não sei. Você parecia muito feliz com sua festa surpresa ontem — ela brincou.
— Você sabia que eles fariam aquilo? — ele perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Hermione deu de ombros.
— Eu suspeitava que estivessem tramando algo, já que você quase nunca trabalha aos sábados, mas eu realmente não sabia. Tem certeza de que quer sair de lá?
Ele assentiu, entrelaçando os dedos nos dela.
— Tenho certeza. É a jogada certa. Estou pronto para seguir em frente para o que quer que venha a seguir para nós.
Eles permaneceram no restaurante até chegar a hora de sair e encontrar a corretora. O escritório estava coberto por fotos emolduradas de casas - torres de pedra, chalés de colmo, casas térreas em meio a grama, mansões e até uma casa que parecia um sapato gigante. As fotos ocupavam várias prateleiras ao longo da parede e algumas estavam dispostas sobre a mesa. A bruxa estava na casa dos trinta e exibiu um daqueles sorrisos brilhantes demais quando cumprimentou Hermione e Draco.
— Eu sou Maise Meriweather. Bem, prazer em ver vocês dois. Entendo que estão procurando uma primeira casa? Temos a melhor seleção que poderiam estar procurando, muita variedade — casas de um quarto, casas com quartos suficientes para toda uma equipe de quadribol. Eu escolhi alguns favoritos aqui com base no questionário que vocês preencheram. Diz aqui que precisam pelo menos de dois quartos, sendo que um funcionaria como uma sala de trabalho ou laboratório de poções. Qual a importância de um jardim?
— Atualmente não estou fazendo jardinagem, mas acho que seria um bônus. Cultivar meus próprios ingredientes provavelmente seria útil.
A bruxa assentiu bruscamente e foi reunir mais algumas fotos da sala.
— E vizinhos? Muitos vizinhos? Apenas alguns? Trouxas ou bruxos?
— Bruxos, de preferência — disse Draco. — Não muitos, não quero me sentir embalado como sardinha em lata.
— Certo — A bruxa sacudiu sua varinha e algumas fotos na mesa voltaram para as prateleiras e outras flutuaram para ocupar seu lugar. Ela continuou a questioná-los até que restasse apenas quatro fotos sobre a mesa.
— Essas serão suas melhores apostas. Vamos começar com essa — disse ela pegando a foto da uma torre de pedra.
Antes que Hermione pudesse abrir a boca, ela e Draco foram sugados para fora da sala. Olhou em volta. A uma curta distância na frente deles havia uma torre de pedra, não muito larga, mas com dez metros de altura. Depois de alguns segundos, Maisie apareceu ao lado deles. Hermione olhou para ela.
— Um pequeno aviso teria sido bom — Não parecia aparatação.
— Desculpe por isso. Não achei que vocês se importariam.
— Onde estamos?
— Essa é a primeira das quatro casas. Entramos na fotografia. Vocês podem dar uma olhada completa em cada uma das quatro residências mais promissoras e, se gostarem de alguma, iremos visita-la pessoalmente e vocês poderão ver a casa propriamente dita. Vamos lá.
Hermione lançou um olhar incrédulo para Draco. Parecia absurdo que Maisie não tivesse visto nada de problemático em transportá-los para outro lugar sem dizer uma palavra.
— Vamos ver o que temos aqui.
Balançando a cabeça, Hermione e Draco seguiram Maisie através da grama até a torre. Não havia trilha ou caminho que os levasse, eles chegaram lá abruptamente. Uma grande porta de madeira estava fixada na estrutura de pedra, mas não parecia haver janelas nas paredes.
— Não há jardim adequado aqui embaixo agora, mas há muito espaço aqui, então vocês poderiam criar algo. Vamos lá — Ela encostou o dedo na porta e ela se abriu. — Entendam que esse imóvel é apenas para exibição.
Todo o interior da torre parecia ser uma sala redonda — maior do que eles esperavam vendo-a do lado de fora — cercada por uma escada em caracol. Embora não houvesse janelas visíveis pelo lado de fora, parecia haver duas janelas encantadas. Havia uma lareira no final da sala, em frente à porta em que entraram.
— A cozinha está aqui embaixo, com muito espaço para comer e sentar — Ela liderou o caminho pelas escadas. — Primeiro quarto aqui.
Mais uma vez, parecia haver janelas encantadas na sala que não eram visíveis do lado de fora. O quarto em si era de pedra, com uma grande cama no meio. Um guarda-roupa estava em um canto. Não havia muito mais a ser visto.
Ela os fez subir as escadas novamente. No próximo nível havia outro quarto — que poderia se tornar a sala de trabalho procurada por Hermione e Draco. Era idêntico ao último. Maisie não ficou muito tempo naquele andar.
— Eu acho que vocês realmente ficarão empolgados com o que vem a seguir. — Abrindo uma porta no fim da escada, Maisie os levou para fora.
Estavam no telhado plano da torre, que felizmente tinha um parapeito nas bordas, para que ninguém caísse.
— Esse espaço não é perfeito? Vocês podem cultivar um jardim aqui. Ou usá-lo como espaço para festas. Ou simplesmente sentar aqui com uma boa xícara de chá e olhar para longe.
— Er, Maisie, não pude deixar de notar. Esta casa parece não ter banheiro — apontou Hermione.
— Os proprietários são tradicionalistas. Eles usam penicos e desaparecem com... o conteúdo. Há uma banheira de cobre de bom tamanho que eles enchem magicamente e usam para banhos. Realmente, o conceito moderno de banheiro é superestimado.
Draco olhou a bruxa com firmeza.
— O banheiro moderno é completamente necessário — Sequer a Mansão Malfoy era tão tradicional assim.
— Oh. Bem, vocês deveriam ter dito. Vamos voltar, se têm certeza — Em um piscar de olhos, eles foram expulsos da foto e voltaram para o escritório.
Draco e Hermione mal tiveram um momento para recuperar o fôlego antes de serem sugados de volta para outra foto. Ao pousarem com menos elegância em um caminho de cascalho, Draco murmurou sombriamente. Hermione concordou com o sentimento. Apenas um pequeno aviso da próxima vez seria bom...
Estavam de frente para um pequeno chalé com um telhado de colmo que sobressaía pelos lados quase igual a um cogumelo.
— Aqui existem mais ou menos meia dúzia de vizinhos em cerca de alguns quilômetros a pé. A casa faz divisa com uma floresta, que não está incluída na propriedade. Isenção de responsabilidade padrão de que várias espécies selvagens naturalmente vivem em uma floresta. Você sempre coloca uma barreira em torno do perímetro da propriedade para evitar influências hostis. Por aqui.
Os jovens bruxos a seguiram. Roseiras cercavam a casa. Parecia uma pintura de Thomas Kincade ganhando vida. A sala da frente era claramente a cozinha. A lareira era um pouco pequena — eles provavelmente teriam que aumentá-la se quisessem usá-la confortavelmente para o Flu. A cozinha dava para o que provavelmente seria a sala de estar. Uma parede dividia a casa ao meio na horizontal e haviam duas portas.
Maisie abriu a primeira porta.
— Banheiro moderno, como solicitado — disse ela alegremente.
"Moderno" seria um pouco exagerado. Havia muito pouco de moderno naquilo. Mas parecia haver um vaso sanitário e uma pia. Ao mover uma cortina vermelha, viram que no canto da sala tinha um chuveiro. Parecia ser um banheiro funcional, mas não muito mais que isso. Certamente não haveria banhos de banheira à noite depois de um longo dia de trabalho.
Não sentindo a falta de entusiasmo de seus clientes, Maisie os conduziu para a última porta. Havia uma única janela na sala, dando para a floresta atrás da casa. Era evidente que era para ser o quarto. Nesse caso, onde estava a sala de trabalho que procuravam? Eles precisavam ter pelo menos um quarto a mais, ou poderiam ficar onde estavam.
— Bem, o que você acha? Encantadora, não é?
— Não parece haver um espaço de trabalho — Hermione apontou, tentando não parecer muito irritada. Qual tinha sido o objetivo de todas aquelas perguntas se essa bruxa simplesmente não os ouviu?
— Ah, acho que a sala de estar será uma sala de trabalho adorável. Bom acesso à lareira da cozinha. Armários convenientes e tudo isso — Ela se virou esperançosa para Draco e descobriu que o jovem bruxo já estava balançando a cabeça. Pela primeira vez, a bruxa mais velha começou a parecer irritada — Vocês me deram um orçamento bastante específico. Muito bem. Vamos para o próximo.
Em rápida sucessão, eles se viram voltando para fora da foto, momentaneamente no escritório, e então em pé na frente de uma encosta baixa, com uma porta redonda e uma maçaneta exatamente no meio.
— Agora, esse tipo de morada é fresca no verão e quente no inverno. Tem apenas uma janela de um lado, mas bem grande. A desvantagem é que há apenas um pouco de jardim aqui na frente. Vamos entrar — ela disse rapidamente.
Estar dentro da casa era quase como estar em um túnel, embora houvesse velas acesas e o chão e as paredes parecessem sólidos, mesmo que um pouco próximos. Um corredor estreito parecia percorrer toda a extensão da casa, com portas dos dois lados.
— Este lugar é bastante antigo, mas está bem conservado.
O teto era baixo, apenas alguns centímetros acima da cabeça de Draco.
Maisie começou a abrir as portas à medida que avançavam.
— Cozinha aqui e há a despensa do outro lado.
— Cozinha aconchegante — comentou Hermione.
Havia um grande fogão de ferro que parecia queimar lenha. Uma pequena mesa da cozinha estava em um canto — caberia quatro pessoas apertadas. Parecia cobrir todos os itens essenciais, sem muito espaço para armazenamento. Mas a despensa do outro lado continha prateleiras do chão ao teto — muito espaço para utensílios de cozinha e armazenamento de alimentos.
— Sem lareira? — Draco perguntou.
— Há uma logo a frente.
A casa era provavelmente a melhor das três que eles viram até aquele momento. Fiel à palavra de Maisie, havia uma lareira na sala, no final do corredor. Havia dois quartos e várias grandes salas de armazenamento — se abrissem a parede entre duas delas, obteriam uma sala de trabalho adequada.
Havia um banheiro decente — sem chuveiro, mas havia uma banheira, embora pudesse ser um pouco maior.
Em suma... poderia servir. Não era o ideal — todos os cômodos do lado direito da casa (como as salas de armazenamento) eram salas menores, sem janelas. O lado esquerdo era suficientemente bom. O maior problema era que o teto parecia ser baixo por toda a casa. Draco e Hermione trocaram um olhar.
— Essa certamente vale a pena ser considerada. Vamos mantê-la em mente — disse Draco, sinalizando que estavam prontos para seguir em frente. Aquele lugar serviria se fosse necessário, mas parecia um pouco... claustrofóbico.
Maisie olhou para os dois, vendo que eles não tinham sido comprados.
— Eu tenho mais um. É um pouco mais do que pretendem gastar, mas acho que será o que estão procurando.
Draco se viu falando:
— Se é o que acredita que iremos gostar, por que você não nos mostrou primeiro?
— Eu estava tentando permanecer dentro do orçamento que vocês especificaram. Se tiverem um pouco mais de dinheiro para arriscar... acho que este próximo lugar irá preencher seus requisitos. Está vazio há um tempo, então poderemos negociar o preço. Vamos voltar para o escritório para comer alguns biscoitos e então estaremos a caminho.
Entre uma respiração e a seguinte, Hermione e Draco foram levados de volta ao escritório de Maisie. Ela apareceu ao lado deles e convocou uma bandeja de biscoitos.
— Há biscoitos de gengibre — ofereceu.
Hermione fez o possível para não revirar os olhos. Uma torre que teria orgulhado a história de Rapunzel, um chalé que pertencia à Bela e a Fera e agora biscoitos de gengibre. Ah, bem. Pelo menos não havia casa de gengibre e crianças sendo assadas no forno... pelo menos ela esperava que o último lugar não fosse uma casa de gengibre. Ela pegou um biscoito para ser educada.
O bruxo loiro recusou o biscoito oferecido, mas caminhou até as prateleiras.
— Alguém realmente espera que você seja capaz de vender uma casa que se parece com um sapato? — ele zombou.
— Ah, essa já foi vendido há algumas semanas. Tem um número surpreendente de quartos. Uma bruxa adorável o comprou. Ela adotou vários órfãos depois da guerra e precisava de mais espaço.
Draco não pôde deixar de pensar que o lugar era horrível. Parecia muito com uma bota de couro gigante com um teto em cima.
— Vamos sair então? — perguntou Maisie.
Hermione bufou. Foram necessárias várias tentativas até que a mulher se incomodasse em perguntar-lhes se estava tudo bem em levá-los.
— Vamos lá.
Em pouco tempo, eles chegaram no novo local. Draco e Hermione tropeçaram na grama. Maisie alisou as vestes e gesticulou à frente deles.
— Aqui está.
— É do tamanho de um selo postal — murmurou Draco.
Hermione não sabia se deveria ficar impressionada com o fato de Draco saber o que era um selo postal ou ficar desapontada com o tamanho da casa. Era bastante bonita, com paredes de pedra lisa e uma varanda de madeira. Estava limpa, era bem-acabada e de linhas retas, com um telhado inclinado. Na entrada, havia vestígios de um jardim que se tornara um pouco selvagem. Havia duas macieiras pesadas com frutas que ainda não estavam maduras.
O maior problema era que não parecia ser maior do que um quarto individual.
Duvidosamente, Draco e Hermione seguiram Maisie para o interior da casa.
Havia uma grande lareira que parecia grande o suficiente para ser usada pelo Flu e um grande fogão de ferro. Havia uma pia de bom tamanho com torneiras de latão. Uma escada ao longo de uma parede parecia levar a um sótão. Havia janelas de bom tamanho em cada parede.
Uma única porta estava posicionada na parede em frente da que eles entraram, mas as janelas mostravam que não havia espaço — essa porta deveria dar para o quintal. As paredes eram de madeira clara, um pouco empoeiradas, mas em boas condições.
— Bem, o que vocês acharam? — perguntou Maisie.
— O que podemos ver é bom, mas...
— Onde está o resto? — Draco perguntou sem rodeios.
A bruxa mais velha deu uma risada estridente.
— Alguém poderia pensar que vocês dois não frequentaram Hogwarts. Vocês realmente pensaram que eu os levaria a uma cabana de um quarto?
— Bem, você nos levou a uma torre sem janelas e sem banheiros — Hermione não pôde deixar de interpor.
— O bruxo que construiu esta casa adorava jardinar. Ele não queria desperdiçar terreno em quartos extras, por isso tinha uma porta muito especial instalada. Sua esposa era brilhante — outros tentaram, sem sucesso, replicar o feitiço dessa porta — Ela colocou a mão na maçaneta e falou claramente antes de abrir a porta: — Quarto principal.
A porta se abriu em um quarto com paredes de madeira, janelas em uma parede e uma porta em um canto.
— O banheiro privativo, caso estejam se perguntando — disse Maisie presunçosamente. Draco e Hermione vagaram pela sala. Parecia sólido. Muito espaço para uma cama de bom tamanho e um guarda-roupas. Uma espiada no banheiro mostrou um vaso sanitário, uma pia e um chuveiro no canto.
Ela os levou de volta para a cozinha.
— Essa porta pode levá-los a oito quartos diferentes. Você só precisa perguntar. Acredito que uma vez que esteja morando aqui, pensando no quarto que procura, deve funcionar sem precisar falar em voz alta, mas como eu sou uma convidada, a porta pode estar inclinada a oferecer um pouco de resistência. Vamos verificar os outros?
Havia outros dois quartos, um jardim de inverno e uma sala que tinha prateleiras de parede a parede — possivelmente usada como biblioteca ou sala de estudo em algum momento. Havia um banheiro maior — a banheira parecia um pouco enferrujada, mas o fato de haver uma banheira tornaria muito mais fácil substituí-la por uma que eles realmente poderiam usar. Alguns quartos não possuíam nenhum recurso de identificação importante, mas pareciam ter sido adicionados como peças de reposição. Parecia ser tudo o que procuravam.
— Eu diria que a única desvantagem é que as portas o levam de volta à cozinha, então você precisa passar por aqui se quiser ir do quarto principal para a biblioteca — disse Maisie.
— Não é muito difícil — disse Hermione. — Por que o lugar está vazio?
— A esposa do bruxo que a construiu faleceu e ele não queria mais morar aqui. Muito triste. Ele está morando com um de seus filhos. Vamos dar uma olhada no sótão, certo?
O sótão não tinha nada de especial — espaço para armazenamento extra, ocupando cerca da metade da largura da sala. Havia maços de ervas secas penduradas no teto.
— Bem?
— Este é o melhor lugar que você nos mostrou — disse Hermione.
Outro sorriso presunçoso apareceu no rosto de Maisie.
— Então vamos voltar para o meu escritório e eu organizarei uma visualização pessoal para a próxima semana, de modo que possamos ter certeza de que tudo ainda está como me lembro.
Draco sorriu.
— Que tal na terça-feira?
— Perfeito — Maisie puxou-os de volta ao seu escritório. — Reunirei a papelada para terça-feira e me certificarei de que está tudo certo com o proprietário para uma visita.
Não havia dúvidas. A última casa que eles viram era definitivamente a melhor. Seu exterior não carregava o mesmo apelo da mansão — não era ampla e impressionante. Mas seria um novo começo para os dois. E isso era algo que Draco desejava fortemente.
