Capítulo 63: Folhas


Hermione se esticou, arqueando as costas contra os lençóis de seda. Draco estava certo. A roupa de cama era fabulosa. A luz entrava pela janela e havia uma sacada, grande o suficiente para os dois — se ela decidisse sair daquela cama.

Descansou a cabeça no peito de Draco e fechou os olhos durante mais alguns minutos. Era espantoso quantos livros, equipamentos, bugigangas, papéis e vários itens diversos um apartamento de um quarto poderia acumular. Eles jantaram pizza às nove. Haviam preparado uma pequena bolsa para levar com eles ao hotel e já era quase meia-noite quando finalmente pararam de fazer as malas e se retiraram para descansar.

Draco estava acariciando seus cabelos quando ela acordou.

— Bom dia.

— Bom dia — disse ela, sufocando um bocejo. O quarto era agradável: confortável, iluminado e limpo. Havia uma pequena mesa com duas cadeiras em um canto. Um guarda-roupa. Era um contraste gritante com o apartamento que deixaram para trás na noite anterior — tudo, menos os móveis, estavam embalados em caixas. A maioria das coisas estavam encolhidas magicamente; alguns dos equipamentos mágicos mais sensíveis não puderam ser encolhidos devido ao risco de interações com feitiços e à possibilidade de um ou mais feitiços falharem. Seria difícil transportar o colchão de Draco sem destruir os seus encantamentos. Precisariam aparatar na casa nova dezenas de vezes para cuidar de tudo. Mas então estariam em casa: juntos. Havia algo a dizer sobre recomeçar em um lugar onde fantasmas figurados não estavam à espreita nos cantos. Esperavam também que não houvessem fantasmas literais.

Draco pegou um pedaço de pergaminho na mesa de cabeceira.

— Com fome? — O pergaminho era um menu e Draco leu as instruções no topo. — Circule os itens desejados com a pena fornecida e toque no pergaminho com sua varinha três vezes ao terminar.

Hermione se apoiou no cotovelo enquanto pediam o café da manhã.

— Precisamos comer bem rápido e depois seguir em frente. Há muito o que fazer. Temos que levar tudo para o chalé e começar a desfazer as malas e levantar as proteções mágicas. Ainda não encontrei nada que mantenha os elfos domésticos afastados. E então temos que ir ao ministério.

Draco virou o pescoço.

— Eu preciso de um banho antes. E você também.

Ela pensou em debater o assunto — iriam se exercitar novamente. Mas um banho seria bom.

— Ainda não recebi resposta de Neville, mas não é super crítico neste momento.

— Você sempre pode perguntar à minha mãe sobre os elfos domésticos na reunião de hoje. Só não... faça uma cena sobre isso. — Ele a beijou e saiu da cama, deixando-a preocupada com tudo o que estava por vir durante o dia enquanto ele tomava banho.

Hermione vestiu um dos roupões do hotel e tirou os papéis da bolsa, sentando-se na cama e lendo as anotações para a reunião. Ela ainda estava no meio da leitura quando o café da manhã apareceu na mesa, juntamente com um vaso contendo uma única rosa.

— O café da manhã chegou — ela chamou.

Draco saiu do banheiro enrolado em uma toalha e eles se sentaram para comer. Com tanto trabalho pela frente, Draco estava certo; era bom descansar algumas horas antes de voltar a ele.


Houve um som de aparatação quando Draco apareceu e jogou uma pilha de caixas encolhidas no chão. Esperançosamente, não seriam os pratos.

— Essas foram as últimas. O apartamento está vazio.

— Tudo?

— Tudo — ele confirmou.

Hermione desabou agradecida na cama. Ainda não havia lençóis, mas a cama estava lá. E aquela era a casa deles.

— Lar.

Draco sentou-se ao lado dela. Aquela palavra nunca soou-lhe tão bem.

— Lar.

O lugar precisaria de algum trabalho. Eles teriam que se conectar à rede do Flu. E, é claro, precisavam redesenhar o feitiço da porta mágica. Enquanto isso, poderiam ir vivendo. Casa. Era deles. Não era luxuosa, mas era limpa de todas as maneiras que importavam. Ele não viu ninguém ser torturado ali. Ninguém tinha sido morto sob aquele teto. Respirou fundo duas vezes. Lar. Lar era onde Hermione estava.

Eles ficaram ali por alguns minutos, sentados na cama, de mãos dadas. Precisavam lançar alguns feitiços básicos de proteção na propriedade e depois teriam que correr. Narcisa e Kingsley estavam os aguardando e Meredith estaria ligando no espelho em breve para definir seus planos finais para a retirada. Tudo o que podiam fazer no momento era planejar e ter esperança.


Enquanto Draco foi até a Gemialidades Weasley para resolver as coisas com Jorge, Hermione escolheu um dos quartos e montou seu equipamento de poções. Eles realmente precisariam de mais móveis, mas por hora, usaria a mesa para montar o caldeirão e o máximo possível de outros equipamentos. Precisaria de mais prateleiras também. Prateleiras para ingredientes. Prateleiras para livros. Começou uma lista de compras.

Ela mastigou a ponta da pena, tentando pensar no que mais poderiam precisar. Ela se ajoelhou e examinou suas poções. Tentou preparar tudo o que achava que eles poderiam precisar. Pomada para queimaduras, essência de Dittany, poção de cura, poção de sono sem sonhos, poções calmantes. Chocolate.

Ela selecionou as roupas que a Sra. Weasley trouxera, colocando-as em pilhas organizadas por tamanho e tipo de roupa. Adicionou algumas de suas próprias roupas também. Draco também fizera algumas contribuições. O plano envolvia o transporte por chaves de portal em vários estágios para ajudar a manter o cheiro e a trilha mágica tão confusos quanto possível. Não que alguém fosse capaz de encontrá-los em um lugar tão protegido quanto a Mansão, mas ainda assim…

Ela dividiu seu estoque de poções; deixaria alguns em casa para quem precisasse deles na primeira parada e levaria o resto para a mansão. Levitou a caixa maior de poções atrás dela e voltou para a sala principal da casa. Eles ainda precisavam consertar as matrizes de feitiços na porta para que pudessem ir de qualquer cômodo para qualquer outro cômodo sem precisar voltar à sala principal. Não deveria ser tão difícil agora que haviam elaborado a teoria. Enquanto isso, ainda precisavam voltar à sala principal para chegar a outro lugar.

Athena estava esperando na sala principal quando Hermione chegou com sua caixa, então ela deixou à mesa e foi até a coruja. Athena piou baixinho, estendendo um pé com uma carta amarrada. Depois que Hermione a desamarrou, ela se jogou no poleiro e colocou a cabeça sob as asas.

Hermione,

Eu ficaria feliz em dar uma olhada nos jardins. Posso ir no próximo sábado. Incluí uma lista de coisas que acho que você deva cultivar e uma lista do que posso fornecer das estufas de Hogwarts. McGonagall disse que posso me ajudar no que você precisar para isso.

Boa sorte,

Neville

Hermione rabiscou uma resposta. Neville nunca a decepcionara.

Ela olhou para Athena, que estava dormindo ou fazendo um bom trabalho fingindo. Xavier estava em seu poleiro e ele veio quando Hermione o chamou.

— Você levaria isso a Hogwarts para mim?

Ele beliscou o dedo dela e a deixou amarrar a nota na perna antes de decolar.

Ela não precisava se preocupar com vizinhos vendo corujas indo ou vindo da casa. Seus vizinhos eram todos bruxos e bruxas. Ela não os conhecia ainda, mas saber que estava cercada por outras pessoas das quais não precisava se esconder... era bom.

Hermione pegou a caixa e foi para a mansão. Ela provavelmente parecia um acidente de trem e cheirava a Dittany — ainda não havia pendurado nenhum espelho e não conseguiu verificar sua aparência. Mas era o que tinha para o momento. Narcisa teria que se acostumar com o fato de Hermione não se importar em parecer perfeitamente arrumada. Ela não tentaria impressioná-la com seus cabelos ou suas vestes. Ou Narcisa estava disposta a respeitá-la por seu cérebro e ética de trabalho ou poderia pular em um lago. Realmente, Hermione estava bem com qualquer uma das opções.

Hermione pegou sua caixa de poções e virou-se, desaparatando e sabendo que não teria que se preocupar com os vizinhos ouvindo o estalo do ar e pensando que alguém poderia ter sido baleado.

Ela chegou ao final do caminho na Mansão Malfoy e mal dera mais de alguns passos quando um elfo doméstico apareceu na sua frente e curvou-se quase o suficiente para que seu nariz tocasse o cascalho.

— Micky vai levar isso para você, senhorita — ele se curvou novamente, a caixa levitando para flutuar atrás dele e, em um estalo de ar, Micky, a caixa e Hermione estavam todos de pé na entrada da mansão Malfoy.

Pinky abriu a porta e os levou para o jardim, onde Narcisa estava saboreando seu chá. Pelo que Hermione podia ver andando pela casa, não parecia ter mudado muita coisa desde a última vez em que esteve lá. Ou Narcisa não estava levando nada ou teria uma montanha de trabalho pela frente durante as próximas 48 horas. O lugar estava imaculado — como sempre —, mas não parecia haver nenhum sinal da falta de móveis ou mudanças.

— Você aceitaria uma xícara de chá? — Narcisa a inspecionou sobre a borda dourada de sua xícara.

— Isso seria bom. Eu estava apenas deixando algumas poções que fiz. Pensei que deveríamos ter certeza de estarmos bem abastecidos. Não sei em que condições todos estarão quando chegarem.

Narcisa assentiu quase imperceptivelmente.

— Excelente pensamento.

Hermione sentou-se à mesa. A reunião do dia anterior com o ministro e Narcisa tinha ocorrido bem o suficiente. O maior problema era que Hermione não fazia ideia do que dizer em uma conversa casual com aquela mulher. De muitas maneiras, era quase mais fácil conversar com Lúcio. Pelo menos os dois tinham uma pilha comum de livros sobre os quais poderiam conversar, se tudo o mais falhasse. Agora que estavam sozinhas, Hermione estava quase tentada a confrontá-la sobre a invasão de Pinky durante aquela semana, mas isso não seria útil. Eles precisavam de um lugar seguro para Meredith e os outros. Quase decidira fazer uma educada pergunta inconsequente, mas Narcisa quebrou o silêncio.

— Como está indo a mudança? — Narcisa perguntou, servindo-lhe uma xícara de chá.

Aff. Está indo bem, se toda a invasão da elfa doméstica for ignorada. Ainda assim, tentou manter a calma.

— Estamos completamente fora do apartamento. Demorou um bom tempo para empacotarmos tudo e mudarmos. — Fez uma pausa. — Foi... gentil da sua parte enviar Pinky para ajudar. Mas mudar para a nossa nova casa é algo que queríamos fazer juntos, por conta própria. Espero que você entenda e não tenha se ofendido quando mandamos Pinky para casa.

O sorriso de Narcisa era perfeitamente educado; quase educado demais para ser humano.

— Eu nunca entendi ignorar uma mão amiga. Mas é assim que algumas pessoas são.

— Há algo a ser dito sobre se levantar por conta própria e ficar de pé com os próprios pés. — O tom de Hermione era civilizado, mas sabia que precisavam mudar de assunto ou a conversa não permaneceria civilizada durante muito mais tempo. Tomou um longo gole de chá, quase queimando a boca. — Aprendi que é importante ajudar aqueles que querem ser ajudados. Tentei libertar os elfos domésticos de Hogwarts no meu quarto ano e descobri que eles estavam felizes como estavam. Não há muito o que fazer por alguém que não quer ajuda. — Ela limpou um pouco de poeira da manga de suas vestes enquanto deixava as palavras penetrarem. — De qualquer forma, eu faço o meu melhor agora para me concentrar naqueles que precisam e querem ajuda, como Meredith e os outros. Eu aprecio o que está fazendo por eles.

O sorriso de Narcisa pareceu ficar um pouco menos congelado, quase impressionado pelo modo como Hermione virou a conversa.

— Nem um pouco. Aqueles que estão em posição de privilégio... devem fazer o possível para ajudar os menos afortunados. Parece que essas pessoas precisam de ajuda. Estou satisfeita por estar em uma posição em que posso fazer minha pequena parte.

Falsa modéstia. Ela estava doando uma casa, a mansão da família. É certo que não era como se não tivesse uma sobressalente em espera.

— E como está indo sua própria mudança?

— Em andamento. Convidarei você e Draco para jantar quando os retoques finais estiverem completos.

Hermione lutou contra a compulsão de devolver automaticamente o convite por polidez. Não estava pronta para Narcisa Malfoy invadir o chalé e não faria um convite vazio. Narcisa voltou a conversa para coisas importantes.

— Pretendo passar aqui a noite de domingo e garantir que todos estejam bem na segunda-feira de manhã e depois irei me despedir da mansão. Há um quarto para você e Draco, se quiserem fazer o mesmo. O resto dos quartos foi arrumado para os convidados que chegarem. Quando estiver aqui, estarei entregando a maior parte do gerenciamento dos feitiços de proteção para você e Draco.

Hermione assentiu, sem saber o que dizer.

— Não é... fácil... para mim estar aqui — admitiu a matriarca Malfoy. — Estou agora focada nas tarefas em mãos. Mas ficarei muito feliz em me instalar adequadamente em nossa outra propriedade.

Num impulso, Hermione estendeu a mão e apertou a mão da bruxa, apenas brevemente. Hermione suspeitava que se instalar na casa de verão ajudaria muito. Mas ainda seria grande e vazia. E Lúcio não estaria lá. Ela se perguntou — tendo em vista que Draco tinha sentimentos tão conflitantes sobre seus pais — como Narcisa se sentia em relação ao marido. Ela não perguntou à mulher. Não poderia perguntar.

— Draco e eu gostaríamos de ver quando estiver tudo pronto.

O fantasma de um sorriso verdadeiro pode ter cintilado no rosto de Narcisa.


O contrato assinado estava no bolso das vestes de Draco e as chaves do apartamento nas mãos de Gina Weasley. Ele se sentiu bem. Ou melhor, o mais bem possível, já que os planos para o final de semana poderiam resultar em todos serem atacados por lobisomens mais cedo ou mais tarde. Estremeceu internamente e tentou não pensar nessa possibilidade.

Ele deveria ir para casa. Mal haviam desempacotado qualquer coisa até então, exceto alguns copos e um punhado de roupas essenciais. Ele levou um tempinho para si antes, vagando pelo Beco Diagonal.

Ainda parecia um pouco estranho estar andando por aquela rua. Bruxos e bruxas cuidando de suas vidas. Ninguém estava olhando-o. Ninguém estava apontando ou zombando dele. Ele não era tão importante. Apenas outro bruxo na multidão.

Quando criança, andando pelas ruas, sentia a confiança de seus pais. As pessoas sabiam quem eles eram e os respeitavam — ou no mínimo os temiam. Todo mundo queria ter o que eles tinham. Todo mundo queria ser eles. Será que realmente tinha sido assim? Ou ele imaginara?

Draco nunca pensou que ficaria aliviado por ser apenas mais um rosto na multidão. Algum dia, talvez se tornasse algo mais. No momento, invisível estava bem. Era um passo acima do ódio esperado (e provavelmente merecido).

Uma ideia estava saltando na parte de trás de sua cabeça. Ele pensou em ir ver Arthur. O Ministério não estava tão longe. Ainda assim... realmente não queria ir até lá. Uma coisa era fazer a viagem com uma linha direta no escritório de Shacklebolt. Outra coisa era vagar pelos canais apropriados, passando de departamento em departamento. Mesmo que ninguém na rua estivesse prestando muita atenção nele... seu nome seria registrado caso entrasse no Ministério. Não. Melhor apenas lhe escrever.

Pegou algumas guloseimas de coruja para Athena e Xavier e, em seguida, encontrou um canto fora do caminho para desaparatar. A casa parecia mais ou menos como havia deixado, embora Hermione não estivesse lá. Bem, pelo menos até onde podia ver. Athena estava dormindo em seu poleiro e ele não encontrou Xavier. Franziu a testa. Talvez, além de consertar a porta, eles precisassem de algum tipo de sistema de notificação para informar se alguém estava em uma das salas dos fundos. Salazar, havia muito a ser feito. Fez uma careta. Deveriam pelo menos ser capazes de tornar a sala principal apresentável antes de receber pessoas.

Ele puxou a varinha do coldre e começou a desempacotar o resto das caixas na cozinha. Retorne a caixa ao tamanho normal. Desengate as abas. Levite os copos, pratos, talheres, panelas e outras coisas para locais específicos. Desapareça com a caixa. Repita.

Dentro de algumas horas, ele estava suando, mas a sala principal parecia estar aceitável. Não havia mais caixas. A mesa da cozinha e as cadeiras estavam prontas para uso. Não havia mais pilhas de coisas no sofá ou na poltrona.
Havia uma sala de estar.

Estava começando a parecer que eles estavam se instalando. Ele simplesmente ignoraria o estado do quarto principal por enquanto, não importando o quanto suas vestes estivessem amassadas. Eles não podiam fazer tudo de uma vez, afinal. Inspirado, enfiou a cabeça do lado de fora e deu uma olhada nas flores do jardim da frente. Pegou um punhado e trouxe para dentro. Mordendo o lábio, tentou se lembrar se havia vasos em algum lugar. Ele tinha certeza de que Hermione não possuía um vaso e não era algo que pensara em trazer da mansão. Com um suspiro e um lembrete para si mesmo de que deveria lhe dar um belo vaso de cristal na próxima vez que surgisse a oportunidade, torceu o nariz e colocou as flores em um copo de água, colocando-o no centro da mesa. Estava bom por enquanto. Primeiro vinho em canecas de café e agora usando um copo de água como um vaso.

Em seguida, feitiços de proteção. Eles tinham alguns genéricos, mas se havia alguma chance de que alguém rastreasse Meredith e os outros... precisavam ter alguns mais fortes. Sem mencionar as próprias histórias pessoais de Draco e Hermione, que davam motivos suficientes para muitos bruxos hostis tentar alcançá-los.

Quando Hermione chegou em casa, Draco estava na mesa da cozinha com uma pilha de livros ao lado.

Ela sorriu para ele e para as flores na mesa.

— Estou em casa.

— Bem-vinda. Pronta para fazer magia?

Ela levantou uma sobrancelha.

— Eu tenho o restante dos feitiços de proteção de que precisamos aqui. Vai demorar um pouco, mas devemos ser capazes de terminá-los hoje à noite.

— Vamos fazer isso.


Hermione entrou no apartamento com Gina.

— Você precisará que o registro de Flu seja alterado. Retirei todos os feitiços de proteção, de modo que você possa configurar sua própria lista de pessoas aprovadas para aparatação.

— Eu acho que entendi, Hermione. Draco já me entregou as chaves ontem. E eu dei a notícia para mamãe hoje de manhã. Não tenho certeza se ela entendeu. Ela está juntando todos os livros e fazendo planos de aula há dias. Está realmente animada.

— Espero que tudo corra bem amanhã.

Havia um nó apertado na boca do estômago e ela duvidava de que ele desaparecesse até que a missão estivesse concluída. As chaves da portal estavam prontas. Narcisa disse que tudo estava preparado na mansão. Gina chegou ao apartamento carregando uma bandeja de sanduíches nos braços. Além dos planos de aula, Molly estava fazendo comida.

Gina apertou a mão dela.

— Vocês estão preparados. E o Ministério está apoiando vocês, não está?

— Está. Eles forneceram algumas casas seguras que usaremos para transportar todos e criaram as Chaves de Portal. Narcisa me disse que as havia feito antes, mas como as Chaves de Portal deveriam ser sancionadas pelo Ministério, pensamos que faria sentido deixá-los lidar com essa parte da operação. E eles ofereceram Aurores para guardar os limites.

Era um pouco estranho ver o apartamento tão vazio. O quarto dela parecia menor sem os móveis. Eles haviam colocado a cama de Draco no quarto principal da nova casa e a cama antiga de Hermione em um dos quartos de hóspedes.

— Há lugares para quase tudo nas proximidades. Peixe com batatas fritas, curry, pizza, frango.

— Lá se vai minha cintura.

Hermione riu. As chances de que alguma coisa tornasse sua amiga gorda eram pequenas ou inexistentes.

— Tem certeza de que quer se mudar para cá? Não há realmente nenhum lugar para treinar.

Gina deu de ombros.

— Eu sempre posso ir à Toca e treinar por lá. Quero um pouco de espaço dos meus pais e isso será bom.

Hermione sorriu para ela.

— É seu então. Enquanto isso, podemos pegar um pouco de peixe e batatas fritas na esquina e levá-los de volta para a nossa nova casa.

— De acordo — Gina disse. Ela fez uma pausa. — Eu não tenho dinheiro trouxa comigo. Acho que preciso me acostumar com isso.

— Cuidarei disso. Você também precisa tomar cuidado com as corujas indo e vindo, aparatação e poções de cheiro forte. — Ela enfiou a mão na bolsa enquanto saíam do apartamento e pegou uma folha de pergaminho. — Fiz uma lista de tudo o que deve observar no bairro. Londres trouxa é definitivamente diferente da vila perto da Toca.

Gina colocou o pergaminho no bolso e as duas saíram. Não estavam longe do restaurante. Elas fizeram o pedido, pegaram suas sacolas de comida e encontraram um lugar fora do caminho para desaparatar.

Elas reapareceram na frente da casa de Draco e Hermione. Gina deu uma longa olhada e depois olhou para Hermione.

Hermione levantou uma sobrancelha, perguntando se a amiga iria perguntar onde estava o restante.

Em vez disso, Gina apenas disse:

— Parece aconchegante — e começou a entrar pela porta da frente.

Hermione sorriu.

— É maior por dentro. — Ela seguiu a ruiva e a deixou entrar no chalé. — Ainda não escolhemos um nome.

A sala principal estava arrumada: os móveis da sala e a mesa da cozinha estavam bem dispostas. Eles colocaram novas cortinas nas janelas.

— Draco deve estar por aqui — Hermione disse, indo para a única outra porta na sala.

Gina observou Hermione fechar os olhos e abrir a porta — disposta em uma parede que também continha janelas para o quintal. Pela porta, Gina pôde ver um corredor com portas de cada lado. Um corredor que definitivamente não estava no quintal.

Hermione chamou Draco, ele a ouviu e saiu do quarto principal. Ele sentiu o cheiro no ar e reconheceu as sacolas que ela estava carregando.

— Jantar amor?

— Jantar. Como está indo lá? — Ela olhou de volta para o quarto.

— Quase tudo está pronto. Não tenho certeza se as vestes de seda de acromântula serão as mesmas — ele suspirou.

— Oh, coitadinho. Não se preocupe, eles estão fora de moda há um ano. — Ela sorriu. — Venha comer. Gin, nós lhe mostraremos tudo mais tarde.

A correção que Draco e Hermione fizeram no feitiço da porta funcionara maravilhosamente. Em vez de abrir para uma sala específica (o que ainda era possível, caso a pessoa desejasse), a sala principal se abria para um corredor, que continha as portas para todas as outras salas.

Eles se sentaram à mesa da cozinha e abriram as embalagens de comida. Gina se lembrou de que as bandejas de sanduíches para o dia seguinte tinham ficado no apartamento; ela teria que buscá-las mais tarde. Enquanto isso, havia jantar e amigos.

Sentada à mesa com Draco e Gina, Hermione estava um pouco preocupada com o dia seguinte. Mas sabia que iriam passar por aquilo.