Capítulo 64: Segurança


Hermione andava pela sala principal da casa. Eles fizeram tudo o que podiam para estar prontos. Arthur estava no Chalé das Conchas. Belby no esconderijo do Ministério. Narcisa na mansão. Os sanduíches de Molly estavam sobre a mesa. As chaves de portal foram deixadas em cada parada. Gina e Neville concordaram em esperar no chalé com as Chaves de Portal que os levariam para a mansão e garantir que ninguém interferisse antes que Hermione e Draco voltassem.

Havia uma chave de portal que levaria Hermione e Draco para o local de encontro na floresta com Meredith e os outros. Outra chave de portal levaria todos para o esconderijo do Ministério. De lá, seguiriam para o chalé e, finalmente, para a mansão. Havia aurores fora dos limites da matilha de lobisomens; longe o suficiente para que, esperançosamente, não atraíssem suspeitas, mas perto o suficiente para que, uma vez que a segunda chave de portal fosse ativada na floresta, eles pudessem se aproximar.

As chaves de portal para tirá-los da floresta e a que os levaria para a Mansão seriam ativadas em um horário específico. As outras tinham uma palavra de ativação. Com o tempo ativado, não haveria espaço para erros.

Draco a abraçou por trás, beijando seu pescoço. Ele sussurrou:

— Você vai fazer um buraco no chão.

Ela riu e apoiou a cabeça no seu ombro.

— Não posso evitar. Estou nervosa.

—Você quer cancelar?

Em teoria, eles poderiam chamar Meredith no espelho e cancelar a coisa toda. Era arriscado. Se Meredith ligasse para eles, seria porque ela estava em algum lugar em que se sentia segura o suficiente para fazer a ligação. Se eles ligassem para ela... Poderiam colocar sua vida em risco — e a vida de Dylan e quem sabe quantos outros.

— Absolutamente não. Vamos apenas esperar. Meredith ligará em breve. E então saberemos que estamos prontos para ir.

Eles se banharam com uma poção especial que Belby garantiu que ajudaria a neutralizar seu perfume. Não cheiravam como pessoas. Ou como licântropos. Apenas como mais algumas árvores.

As roupas estavam empilhadas nas costas do sofá, caso alguém quisesse se trocar. Ajudaria a esconder o cheiro se alguém conseguisse alcançá-los. Não era provável. Eles planejaram tudo bem. Mas mesmo os melhores planos...

Gina e Neville chegaram por volta das seis e meia.

Às quinze para as sete, o espelho de Hermione começou a chamar seu nome. Ela abriu e Draco juntou-se a ela na frente do espelho.

— Meredith?

— Estou aqui — sua voz estava baixa. — Você está vindo?

— Estaremos aí em breve. Dez minutos.

—Tudo bem.

A conexão morreu, Hermione e Draco se entreolharam e depois olharam para Gina e Neville.

— Não abram a porta para ninguém — disse Hermione.

— Ninguém vai entrar, a não ser pela chave de portal — garantiu Neville.

Hermione colocou poções no balcão da cozinha e alguns frascos no bolso.

Andou por mais alguns minutos e se controlou novamente. Roupas escuras, para que não se destacassem. Poção de camuflagem de cheiro. Sua varinha estava de fácil acesso. Não havia muito mais que pudessem fazer. Enfiou o espelho no bolso e pegou uma bolsa que continha apenas duas maçanetas de vidro. Foi até Draco e segurou suas duas mãos.

— Você tem certeza de que quer ir?

— Se você estiver indo, eu irei.

Ela olhou para Gina e Neville.

— Estamos indo então. Lembrem-se...

— Nós sabemos. Não deixar ninguém entrar por nenhum meio que não seja sua chave de portal.

Ela pegou a mão de Draco e ele pegou a chave de portal, uma pequena chave de bronze. Fizeram contato visual e ele disse a palavra de ativação. Os dois se foram.

Draco e Hermione pousaram no meio de uma pequena clareira. Draco mal ousou respirar, examinando a escuridão, procurando por qualquer sinal de alguém por perto. Eles ficaram de costas, mãos nas varinhas. Esperançosamente, sua postura defensiva não afugentaria as pessoas que estavam tentando ajudar.

O coração de Hermione estava batendo forte.

Um galho estalou e ambas as cabeças se viraram.

Era Meredith. Dylan estava com ela. Ao longo de alguns minutos, apareceram mais quatro mulheres, com filhos de várias idades. O mais velho tinha provavelmente quinze anos, o mais novo, uma criança pequena. Meredith colocou a mão de Dylan na de outra mulher e murmurou algo para ela antes de voltar sua atenção para Hermione e Draco. Sua voz dificilmente era mais que um sussurro.

— Este é o primeiro grupo. Vou esperar aqui com o segundo. Estou enviando Dylan com o primeiro grupo.

Hermione olhou para o grupo ao seu redor. Ninguém carregava malas — levar algo atrairia atenção. Sua voz saiu tão baixa quanto a de Meredith.

— Nós não vamos decepcioná-la. — Olhou para o relógio. Menos de 2 minutos.

Draco pegou a primeira chave de portal da bolsa e a entregou à mulher que segurava a mão de Dylan.

— Todo mundo que está no primeiro grupo precisa tocar nisso. Em... um minuto e dez segundos, quem tocar será puxado para a primeira casa segura. Temos uma série de casas seguras instaladas hoje à noite. Vamos manter vocês seguros.

— Vocês estão vindo? — alguém perguntou.

— Nós iremos com o segundo grupo. Eles correrão mais riscos, porque as pessoas podem começar a perceber que vocês se foram. Dylan está indo com vocês. Meredith não o enviaria se não soubesse que ele estaria seguro — apontou Hermione. — Agora, todos toquem na maçaneta. Não soltem. É preciso segurar até chegarem no local. Haverá um homem ruivo lá.

Houve um momento de hesitação, depois uma pessoa após a outra começaram a tocar a chave de portal.

Draco olhou para o relógio.

— 30 segundos.

Eles mal respiraram. Houve um ruído abafado, e de repente nove corpos não estavam mais onde estavam antes.

Meredith olhou em volta, visivelmente abalada. O barulho da partida foi mais alto do que ela esperava. E se alguém tiver ouvido?

Draco e Hermione voltaram a ficar de costas, examinando as árvores.

— Quantas pessoas estamos esperando?

— Mais três mulheres. Quatro crianças.

— Nenhum homem?

— Eles administram o bando. Ninguém estava disposto a arriscar e trair o restante de nós. — A voz dela estava baixa.

Os olhos de Hermione se demoraram em Meredith, sabendo os riscos que a mulher estava assumindo para dar uma vida melhor a Dylan.

— Em menos de cinco minutos, você estará em algum lugar seguro — prometeu.

Dentro de um minuto, duas mulheres e três crianças apareceram, vindas de direções opostas. O mais novo era um bebê, envolto nos braços de sua mãe. Ele estava chorando e ela tentou acalmá-lo enquanto caminhava.

— Sinto muito. Ele está com fome. Não tenho leite suficiente — ela sussurrou.

Uma das outras mulheres perguntou:

— Onde está Cheryl?

— Ela precisa chegar aqui em breve.

Houve um momento de silêncio ansioso, quebrado apenas pelo choro do bebê.

Cheryl saiu das árvores, segurando as mãos de duas crianças, talvez de cinco e sete anos.

— Pensei ter ouvido alguém atrás de mim no caminho para cá. Tivemos que dar uma volta. Ginny enviou Davvy comigo no último minuto. Ela sabia que não havia como escapar de Cassava, mas achou que Davvy deveria...

— Um minuto para ir. Todo mundo segure aqui. — Draco pegou a segunda maçaneta e todos se juntaram.

Eles ouviram uma gargalhada vinda das árvores.

— O bando é vida. Você não deixa o bando. E você não pega os filhotes — rosnou uma voz.

Hermione manteve uma mão na maçaneta, enquanto segurava sua varinha com a outra.

— Estupefaça!

O homem se esquivou.

— Eu já passei por duas guerras. — Ele pulou para frente e agarrou a mulher com o bebê.

Draco lançou uma azaração ferreteante e o homem uivou de dor quando o feitiço atingiu seu ombro. Se o bebê chorão não os tivesse denunciado, aquilo certamente o faria. Eles precisavam sair dali. A chave de portal estaria disparando a qualquer momento. Não poderiam deixar ninguém para trás.

Hermione disparou outra azaração para o homem quando ele tropeçou para frente e agarrou o tornozelo de Cheryl. Seus dentes estavam trincados de dor, mas ele avançou e agarrou-se a ela como um bulldog. Suas unhas crescidas cortaram seu tornozelo e ele arreganhou os dentes como se fosse mordê-la na perna. Meredith levantou um pé para pisar em sua mão.

A chave de portal foi ativada.

Hermione sentiu o aperto, como um gancho atrás do umbigo e se sentiu sendo empurrada pelo universo, uma mão na varinha, a outra na maçaneta.

Eles desembarcaram em Shell Cottage. Hermione não viu Dylan e os outros à vista em nenhum lugar, mas Arthur estava lá, do outro lado da mesa da cozinha. O bebê começou a chorar ainda mais.

— Arthur, nós temos um clandestino — ela disse, ainda se recuperando da náusea pós-chave de portal. Merlin, como eles se sentiriam depois de mais três viagens?

Meredith caiu em cima do homem que os guardou e soltou o tornozelo de Cheryl. Draco levantou Meredith e Arthur apontou para o homem. Assim que Meredith saiu da frente, ele lançou um feitiço estupefaça.

— O que fazemos com ele?

— Vamos mantê-lo preso por enquanto. Ele cometeu um crime do qual o Ministério poderia acusá-lo?

— Atacou as mulheres que estavam tentando sair.

Arthur torceu a varinha e cordas prenderam o homem. O Ministério teria que lidar com ele. Arthur não estava disposto a matá-lo — a menos que sua vida estivesse em perigo — e não pretendia deixar o homem em nenhuma posição que pudesse arriscar a vida de alguém. — Irei enviar um patrono para Kingsley e deixá-lo decidir o que fazer.

Os olhos de Draco percorreram a sala, sem enxergar o primeiro grupo.

— Onde estão os outros?

— Eles estão no quarto com Molly. Achei melhor, caso houvesse alguma complicação na segunda viagem — Arthur olhou em volta para as mulheres e crianças reunidas. — Vai ficar tudo bem. Vocês ficarão seguros. — Ele chamou Molly e ela saiu do quarto com os outros. Meredith correu para Dylan e o pegou nos braços.

Molly olhou para o homem em cativeiro e não pareceu se surpreender. As operações raramente corriam tão bem quanto o planejado.

— Você mandou chamar Kingsley?

— Ainda não. Vamos tirar todos daqui primeiro e depois o chamaremos.

Molly assentiu e olhou para o grupo de pé na cozinha do Chalé das Conchas.

— Estou ansiosa para reencontrar todos em breve. Vocês estão seguros agora. — Ela pegou um cachecol no balcão e o entregou a Hermione. — Aqui está a próxima chave de portal. Belby está esperando. Vamos garantir que os aurores recebam o sinal de mudança.

Hermione pegou o cachecol, que era grande o suficiente para que todos pudessem tocá-lo facilmente. Ela olhou para o grupo. Eles os tiraram da floresta. Observou Draco chutar casualmente o homem no chão. Casualmente o suficiente para se passar por um acidente, mas Hermione tinha certeza de que não era o caso. Escolheu ignorar. Arthur e Molly lidariam com ele. A Chave de Portal não deixaria uma trilha que pudesse ser rastreada.

—Tudo bem, pessoal. Temos mais três paradas. Alguém quer uma poção anti-náusea antes de irmos?

Uma ou duas mulheres aceitaram. Hermione tirou poções do bolso. Ela notou o sangue na perna de Cheryl e se ajoelhou para examiná-lo.

— Eu posso curá-la antes de irmos.

Ela rangeu os dentes.

— Não está doendo muito. Você disse que ainda há um caminho a percorrer. Vamos. Não quero ficar aqui olhando para ele por mais um minuto sequer.

Ela usou o pé ileso e chutou o homem no peito. Definitivamente não foi um acidente.

Quando todo mundo estava segurando o cachecol com segurança, Draco disse a palavra de ativação.

Eles se foram.

A parada no esconderijo do Ministério foi breve. Belby se apresentou e disse a Draco e Hermione que a equipe do Ministério havia se fechado no perímetro. Ninguém sairia do bando naquela noite. Uma criança vomitou sobre si mesma quando chegaram. Eles pegaram a próxima chave de portal.

Chegando à casa de Draco e Hermione, confirmaram que Neville e Gina estavam os aguardando.

— Algum distúrbio por aqui?

— Tudo quieto — Neville lhes disse. — Nenhum sinal de alguém atacando a propriedade. Nenhuma tentativa nas janelas ou portas.

Hermione assentiu e ela e Draco se voltaram para os outros.

— Temos um pouco de tempo antes de irmos para a última parada. Há sanduíches e algumas poções, caso alguém precise de alguma coisa, como poções calmantes e anti-náusea. E roupas limpas. Se alguém quiser se trocar, há roupas aqui e quartos no corredor. Temos um pouco de tempo para que todos se acomodem e depois vamos para a sua nova casa. E há leite — acrescentou, olhando para a mulher com a criança.

Havia um sorriso agradecido em seu rosto. Hermione fez um gesto para Gina pegar leite para a mulher. Eles teriam que improvisar uma mamadeira.

Enquanto isso, sentou Cheryl em uma das cadeiras da cozinha e olhou para o tornozelo dela, limpando-o e aplicando Dittany.

— Deve terminar de se curar dentro de um dia.

Draco estava perto da pilha de roupas e guiava as pessoas para os quartos onde poderiam se trocar e lavar o rosto e as mãos, se quisessem. A criança pegou a velha camisa de quadribol de Draco em uma das pilhas.

Sua mãe sorriu cansada.

— Verde é a cor favorita dele.

O menino tirou a camisa coberta de vômito — ele tivera um segundo incidente após chegarem no chalé — e vestiu a camisa.

Draco o pegou.

— Aposto que você será um ótimo jogador de quadribol. Teremos que encontrar uma vassoura para você. — Ele falou para preencher o silêncio. Ninguém mais parecia estar conversando. Algumas pessoas comeram sanduíches, mas a maioria não parecia ter apetite naquele momento. Alguns pegaram as roupas das pilhas e foram se trocar.

Eram quase oito horas. Narcisa estaria esperando-os.

Gina e Neville levaram para uma outra sala as crianças que tinham idade suficiente para conversar, mas não para manter um segredo.

Draco e Hermione permaneceram. Hermione começou a falar.

— Eu sei que vocês deram um salto de fé vindo aqui hoje à noite. Deixando tudo para trás. Vamos fazer o que pudermos para mantê-los seguro e fazer esse risco valer a pena para você. Faremos a última viagem em breve. Quando chegarmos lá, estarão em um lugar seguro. Estarão em casa. Temos uma poção para tornar a mudança mais suportável, até que possamos encontrar uma cura. Molly, que conheceram brevemente esta noite, se ofereceu para ensinar lições para seus filhos — leitura, escrita, matemática. Hogwarts os aceitará quando tiverem idade suficiente.

— E nós?

— Estamos trabalhando nisso também — disse Draco. — Se houver algo que precisem — varinhas, lições de magia, vamos fazer acontecer. Atualmente, não há proteção contra a discriminação de pessoas... como vocês. Estamos trabalhando nisso. — Salazar sabia quanto tempo levaria. — Para onde os levaremos agora... será sua casa. Enquanto quiserem. Estarão seguros. Tenho certeza de que todos têm perguntas. Faremos o possível para respondê-las.

— Nós poderemos voltar para resgatar alguns dos outros?

— Em algum tempo, espero que sim. Mas depois de hoje à noite, outra tentativa será mais difícil. Mais perigosa. Ninguém esperava que algum de vocês saísse. Enquanto isso, queremos ajudá-los em suas novas vidas.

Em alguns minutos, as crianças voltaram e Neville trouxe a chave de portal. O garotinho usando a camisa de quadribol estendeu os braços para Draco. Apesar de tudo, Hermione parecia divertida. Draco o pegou e o colocou no quadril.

—Verde — o garoto disse, puxando a camisa.

Hermione deu um pequeno sorriso.

— Todo mundo está pronto? — perguntou.

Houve um murmúrio de assentimento. Draco procurou em seu bolso o pergaminho que preparara com suas anotações. Ainda estava lá. Todo mundo estava no lugar. Ele ativou a chave de portal.


Narcisa fez o possível para manter o rosto composto contra a agitação de sentimentos no peito. Ela se inspecionou no espelho do corredor, sem achar um cabelo fora do lugar enquanto esperava seus... convidados? As emoções agitaram-se. Repugnância à maneira como viviam. Medo pelas mudanças permanentes que poderiam causar aos inocentes. Orgulho por ter feito um arranjo que ajudaria a desfazer a nuvem remanescente sobre o nome Malfoy — talvez até ajudasse em uma apelação de Lúcio quando houvesse tempo suficiente para fazer uma. Um pouco de admiração pelas mães que concordaram em se afastar de suas antigas vidas. Ela fizera tudo o que pôde para proteger Draco. Para tentar lhe dar a melhor vida possível. Essas mães só queriam o mesmo para os filhos.

Colocou um sorriso no rosto e gesticulou para os elfos.

— Não devemos deixar nossos convidados esperando.

Os elfos abriram a porta e, de pé no vestíbulo, havia mais de uma dúzia de mulheres e crianças. Alguns deles pareciam ter lavado o rosto recentemente, mas não todos. No geral, era um bando esfarrapado. O cabelo de uma mulher estava tão emaranhado que Narcisa tinha certeza de que precisaria ser cortado não muito longe do couro cabeludo. Bem, voltaria a crescer. Havia suéteres feitos à mão que pareciam bastante novos, usados sobre calças ou saias muito rasgadas e sujas. Uma mulher usava um vestido horrendo que, com certeza, pertencera a Molly Weasley.

Salazar.

As crianças eram magras. Hermione dissera que eles eram, mas... viu-se desejando ter colocado bolo em seus quartos junto com as roupas e produtos de higiene pessoal. Bolo de chocolate com cobertura de caramelo sempre tinha sido o favorito de Draco quando criança. Não importava. Ela pediria aos elfos que preparassem alguma coisa para depois do jantar tardio. Hermione e Draco estavam no fundo do grupo; havia uma criança no quadril de Draco, vestindo uma de suas antigas camisas de quadribol. Um rolo de pergaminho estava na mão de seu filho. Um olhar dele tirou a mãe de seu momento de surpresa e ela cumprimentou o grupo.

— Bem-vindos a sua nova casa. Existem muitos quartos para todos.

— Está tudo bem. Vocês estão seguros aqui — ecoou Draco. — Há muito espaço. Vocês estão em casa.

Ele avançou lentamente, juntando-se aos elfos para liderar todos pelo caminho. Eles não puderam arriscar trazer suas coisas. Se o resto do bando soubesse o que estavam fazendo... nunca teriam escapado.

Narcisa colocou um dedo no braço de Hermione enquanto passava, olhando novamente para o rosto magro da criança pequena que Draco estava carregando. — Por quê?

— Uma das mães me contou. Os homens pensam que, se as crianças estiverem com fome, aprenderão a caçar melhor. Então eles recebem apenas os restos na maioria das vezes — disse ela em voz baixa. — Obrigada por tudo.

— Eu sou uma bruxa sagaz. Tenho certeza de que encontraremos mais a ser feito.

Um sorriso surgiu nos lábios de Hermione.

— Nós duas somos.

Narcisa sabia que o trabalho estava apenas começando. As rodas de sua mente agitaram-se. Além do trabalho a ser feito ali, o Ministério teria que encontrar uma maneira de impedir que os lobisomens da floresta procurassem novas mulheres para serem transformadas. Eles não conseguiriam recuperar aquelas que estavam ali. Ela os protegeria. A casa dos Malfoy era uma fortaleza — muitos tentaram invadi-la e falharam várias vezes.

Ela aprenderia a esconder qualquer ambivalência persistente. Aquelas mulheres não eram Fenrir Greyback. Repetiu as palavras para si mesma. Em algum momento, as pessoas certas ouviriam sobre o bom trabalho que estava fazendo. Talvez um dia Lúcio se juntasse a ela na casa de veraneio.

Narcisa descobrira que havia pouco o que queria levar da mansão. De fato, quase nada. Até a porcelana da família havia sido manchada pelos apoiadores do Lorde das Trevas. Um feitiço ofensivo limpara o sangue da mesa de jantar, mas nunca apagaria os gritos que Narcisa ouvira. Além de alguns tesouros, ela decidiu que tudo iria ficar. A casa de veraneio já estava mobilada, de qualquer forma. E suas roupas estavam um ano fora de moda. Outras pessoas poderiam usá-las. Certamente não faltariam pessoas na mansão.

Narcisa e Draco lideraram o caminho, fornecendo quartos a todos.

— Haverá um jantar lá embaixo daqui a uma hora, para quem quiser. E bolo de chocolate de sobremesa.

— Com cobertura de caramelo? — Draco perguntou.

— Claro.

Ela observou o menino puxar os cabelos de Draco, que estremeceu, colocando-o no chão quando chegaram ao quarto dele e de sua mãe. O menino acenou enquanto Draco continuava andando pelo corredor. Ele ouviu uma das garotinhas perguntando à mãe quando ela iria ver sua amiga Suzy novamente. A mãe dela não sabia.

Seria uma longa noite. Narcisa já estava fazendo uma lista mental das coisas extras que precisariam. O jantar seria um bom começo. Lembrou-se de ter visto o bebê.

— Quantas crianças ainda estão sendo amamentadas?

— Apenas uma e sua mãe não está produzindo leite suficiente — Hermione disse em voz baixa.

— Provavelmente devido à má alimentação. Há uma poção para isso; irei pegar o livro na biblioteca. Enquanto isso, pedirei à Pinky para buscar um pouco de leite. Pode haver algumas mamadeiras no sótão. — Narcisa sorriu. Havia trabalho a ser feito. Aquele era o caminho a ser seguido. — Vamos começar.


Estamos chegando ao fim da linha. O capítulo seguinte será o final propriamente dito e haverá ainda um curto epílogo. Eu já estou realmente emocionada. Feliz por estar quase concluindo aqui a minha primeira tradução, mas triste por estar me despedindo desses personagens que acompanho há meses. Mas tudo na vida tem um fim, certo?

Ademais, espero que tenham curtido esse capítulo. Obrigada a todos vocês que têm acompanhado a fic até aqui.