Epílogo: Meias


A casa estava quase estourando de tão cheia. A mesa rangia sob o peso de uma festa de véspera de Natal para dezesseis pessoas.

Fleur e Gui estavam sentados em uma extremidade da mesa, com Victoire ao lado, em sua cadeira alta. Carlinhos, Percy, Jorge, Neville e Gina estavam de um lado da mesa. Draco, Hermione, Harry, Narcisa e Andrômeda estavam em frente a eles, com a cadeira alta de Teddy entre as duas irmãs. Aquele era o primeiro Natal que Narcisa e Andrômeda passavam juntas desde que eram crianças. Arthur e Molly estavam na cabeceira da mesa, sorrindo para todo o exército de convidados. Por mais que fosse gostar se um dos garotos trouxessem uma garota legal para casa, não podia deixar de sorrir para Gina sentada ao lado de Neville. Não tinha certeza se os meninos não estavam vendo alguém ou se simplesmente não quiseram trazê-las para casa. Precisaria tentar descobrir. Por enquanto, bastava que seus filhos estivessem ali com ela.

O jantar continuou. Frango, batatas, grãos e molho foram servidos. Biscoitos de Natal desenvolvidos por Jorge — com algumas surpresas especiais que Draco ajudou a criar — foram colocados sobre a mesa. Nenhum visco encantado aquele ano. Tudo bem, Draco não precisava mais de visco para beijar Hermione. É certo que ele não estava interessado em fazer isso na frente de sua mãe, de qualquer forma.

Teddy estava esmagando o frango com a ponta da colher e exibia cabelos ruivos aquela noite enquanto olhava para os rostos à sua frente. O cabelo de Jorge tinha crescido o suficiente para ser preso em um rabo de cavalo. Ele já não se parecia tanto com Fred. Para não perder o costume, Molly o repreendeu pela necessidade de um corte de cabelo adequado a um homem de negócios em ascensão, mas realmente não quis dizer aquilo. Mas se não falasse nada, eles poderiam pensar que ela não se importava. Jorge e Gui trocaram um olhar significativo e um encolher de ombros que dizia claramente: "mães. O que se pode fazer sobre isso?"

A conversa na mesa de jantar continuou. Atualizações sobre os empregos e sobre a vida. Buscas de informações sobre namoradas, possíveis noivos ou bebês no horizonte. Ninguém parecia querer falar sobre isso. Gina conduziu a conversa para o trabalho bastante ocupado, mas gratificante, de Neville em Hogwarts. Ela o amava; mas não estava com pressa de se casar. E os bebês eram a última coisa em sua mente quando ainda tentava entrar para um time de quadribol da liga principal.

— O que Meredith e os outros estão fazendo no Natal? — perguntou Arthur.

— Nós pensamos que fosse melhor deixá-los celebrar esta noite sozinhos. Tentamos garantir que eles tenham o que precisam, mas sem interferir em suas vidas — disse Hermione, servindo-se de mais um pão da cesta a sua frente.

— O jardim está florescendo e eles podem cultivar muitos ingredientes de poções e uma boa quantidade de verduras e legumes — destacou Neville. — A estufa e os jardins já eram impressionantes quando chegamos e não demorou muito para adaptá-los às suas necessidades.

— As meias de Natal que você tricotou são adoráveis, Sra. Weasley — acrescentou Draco. — Nós as penduramos em várias lareiras na semana passada.

Havia meias demais para uma única lareira. Felizmente, a mansão tinha lareiras de sobra.

— As aulas estão indo muito bem com os mais jovens. Mas eu sinto por Jareth. Estou tentando ensiná-lo, mas é difícil para ele. Ele não está pronto para os anos mais avançados, mas é velho demais para entrar no primeiro ano. Acho que aulas particulares serão sua única opção. Não é justo. E é difícil de conviver com as crianças mais novas quando se é muito mais velho — disse Molly. — Eu não consigo pensar em uma opção mais apropriada.

Hermione olhou pensativa para a Sra. Weasley.

— Tenho certeza de que pensaremos em alguma coisa. Faz apenas alguns meses. McGonagall concordou que, se eles soubessem ler e escrever aos onze anos, ela aceitaria qualquer um dos mais jovens que tenham talento mágico.

Os lábios de Narcisa se franziram.

— Eu me pergunto se poderíamos... ensiná-lo em algum outro lugar. Ele precisará de mais seis meses, no mínimo. Provavelmente mais. Mas eu estimaria que em cerca de seis meses ele pode estar pronto para algum aprendizado. Talvez com algum farmacêutico. Precisamos colocá-lo em campo, é claro. E precisaríamos encontrar alguém disposto a aceitar suas... ausências necessárias. Farei algumas visitas.

Hermione fez o possível para não sorrir. Narcisa tinha um instinto natural para essas coisas. Ela não pôde deixar de se perguntar onde estaria a mulher agora se não houvesse se apaixonado por Lúcio tantos anos antes. Mas quem poderia dizer? Talvez o fato de estar com ele tenha até mesmo aperfeiçoado suas habilidades.

Draco deixou um sorriso aparecer em seu rosto.

— Eu acho que um aprendizado faria bem a ele. O garoto tem muita energia e não está gostando de ficar enjaulado na mansão. Eu o peguei voando algumas vezes. Ele parece gostar disso. Deveríamos deixá-lo esticar as asas um pouco mais.

A sobremesa foi trazida: torta, pudim e um grande bolo de chocolate com caramelo. Se todos já estavam satisfeitos após o jantar, depois da sobremesa estavam quase explodindo.

A tropa inteira foi para a sala e ouviram o rádio durante algum tempo, assistindo a um show de fogos de artifício apresentado por Jorge e Draco. Fogos de artifício não eram uma paixão para Draco como tinham sido para Fred, mas Draco pensou que o deixariam orgulhoso. Depois de um tempo, Gui e Fleur se retiraram, pois precisavam colocar Victoire para dormir. Andrômeda e Teddy foram para casa. Para relembrar os velhos tempos, Gina jogou Snap Explosivo com seus outros irmãos.

Narcisa se despediu um pouco depois de Andrômeda e Teddy partirem. Ela veria Draco e Hermione no dia seguinte. Embora tivessem lhe oferecido um quarto e um café na manhã de Natal, ela preferia ir para sua cama e tomar uma xícara de chá silenciosa ao acordar no dia seguinte. Quando se despediu de Draco, sussurrou em seu ouvido:

— Deixei sua meia debaixo da árvore.

— Feliz Natal, mãe.

Ela sorriu para Hermione e olhou para Draco.

— O dela também está debaixo da árvore.

Um por um, os outros foram para a cama até que restaram apenas Draco e Hermione no térreo. Hermione imaginou que Neville e Gina passariam algum tempo em seu quarto antes que ele subisse as escadas para o quarto de Carlinhos. Hermione não estava com disposição para subir e interrompê-los. Harry e Draco ficaram no antigo quarto dos gêmeos novamente.

— Os últimos de pé.

— Parece que sim.

Ele sorriu para ela, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e a beijando. — Há algo aconchegante na árvore e na lareira. A árvore está um pouco torta. O sofá é irregular. Mas... é convidativo. Nosso chalé parece assim para você?

— É diferente. Mas é um lar. Eu não gostaria de estar em nenhum outro lugar.

— Minha mãe nos deixou meias. — Ele ajoelhou-se junto à árvore e encontrou as duas meias etiquetadas com a letra de sua mãe. Levantou-se e se sentou no sofá junto a Hermione. — Você primeiro.

— Eu não comprei uma meia para sua mãe, apenas um presente para amanhã. Eu deveria ter pensado nisso.

Ele riu.

— Você esteve bastante ocupada nos últimos meses. Vá em frente e abra.

Ela sentiu na meia uma caixa longa e fina. Era leve. Desembrulhou-a, franzindo a testa curiosamente. Retirou o papel e encontrou uma caixa com dobradiças. No interior, havia uma pulseira prata e verde. Leve. Elegante. O tipo de joia que podia imaginar no pulso de Narcisa.

— É linda. Estou... um pouco surpresa. Eu realmente não uso joias. Mas é linda. — Ela olhou para o rosto de Draco e pegou alguma coisa lá. Ele estava sorrindo, sua boca ligeiramente aberta, como se estivesse surpreso, mas feliz. Ela arqueou uma sobrancelha. — Isso significa algo que você não está me dizendo. Diga-me.

Ele prendeu a pulseira no seu pulso e beijou a sua mão.

— Essa não é uma joia aleatória que minha mãe escolheu porque achou bonita e que seria um presente de Natal apropriado para minha namorada. Ela pertenceu à minha bisavó. E minha mãe achou que deveria ser sua.

Isso enviou as duas sobrancelhas de Hermione quase até a linha do cabelo.

— De uma mulher que mal me tolerava neste verão?

— Acho que você a impressionou o suficiente.

Hermione olhou para o pulso. Narcisa finalmente a estava acolhendo na família. As duas trabalhavam de perto desde que trouxeram Meredith e os outros para a mansão. Ela já a conhecia o suficiente para saber que era preciso muito para impressionar Narcisa Malfoy. E aquela era uma impressão que significava alguma coisa.

— O sentimento é mútuo. — Respirou fundo. Usaria a pulseira no jantar do dia seguinte. — O que tem na sua meia?

Ele a sacudiu.

— Não sei dizer. Parece que não há nada dentro. Talvez ela não ache que eu me comportei bem o suficiente.

Ela sorriu.

— Bem, abra.

Draco enfiou a mão na meia e tirou um pedaço de pergaminho dobrado. Leu para si mesmo e depois, rindo, leu uma segunda vez.

— O que é isso?

Ele lhe entregou o pergaminho. Hermione alisou-o no colo e leu. Era um feitiço para impedir que elfos domésticos aparatassem em uma determinada área. Havia uma nota manuscrita de Narcisa no topo da página.

"Isso pode ser útil para o quarto. Eu não recomendaria colocar todo o chalé à prova de elfos; Pinky e Micky fazem excelentes omeletes para o café da manhã".

Ela não pôde deixar de balançar a cabeça. Precisou se perguntar se Narcisa sempre conhecera aquele feitiço ou se tinha saído à sua procura. Ela suspeitava que a primeira opção fosse a correta.

— Isso será muito útil.

Não houve outra invasão de elfos domésticos desde que se mudaram, mas... era realmente apenas uma questão de tempo. Quem sabe eles até seguissem o conselho de Narcisa sobre deixar a cozinha livre. Talvez. Ou talvez não.

— Vamos abrir nossas meias agora? Ou deixá-las para a manhã?

— Essa noite. Eu estive pensando... deveríamos abri-las na escada.

— Onde nos beijamos pela primeira vez?

— Você leu minha mente. — Ele a beijou por apenas por alguns segundos e em seguida foi buscar as meias debaixo da árvore. Lado a lado, começaram a subir as escadas, parando no local onde haviam se beijado, um ano antes.

— Você quer abrir primeiro?

— Não, você primeiro.

Draco pegou sua meia e a pesou na mão.

— É pesado.

— Bem, abra.

Draco desembrulhou uma caneca de café que dizia:

"Ssh. Não diga ao meu chefe que é vinho".

Ele riu.

— Gostei. Agora é sua vez — disse ele, um pouco impaciente.

Hermione revirou os olhos. Draco sempre gostava de observá-la abrindo presentes. Ele levara um vaso de cristal embrulhado para casa algumas semanas antes apenas para vê-la abrindo. Enfiou a mão dentro da meia e tirou uma pequena caixa de veludo. Olhou para a caixa ainda fechada, por um instante. Draco começou a falar.

— Eu te amo, Hermione. Sou um homem melhor desde que você entrou na minha vida. Não há mais ninguém que eu queira ao meu lado, todos os dias pelo resto da minha existência. Quando recebi minha sentença, tudo o que eu queria era recuperar minha antiga vida: minha magia, minha mansão, minha mãe. Você me ensinou a querer mais. A dar a mim mesmo a chance de ser algo diferente. Estou me tornando esse homem. Hermione Granger, você quer se casar comigo?

—Sim. Sim, Draco — ela se inclinou e o beijou... um beijo que foi de longe muito melhor do que "legal".

Ele a beijou de volta, rindo quando se separaram.

— O quê? Sim, dessa forma? Você nem olhou para o anel. — A caixa estava quase esquecida no colo dela.

— Não é o anel que eu quero. É o bruxo.

Ele pegou a caixa e tentou entregá-la.

— Coloque o anel, mesmo assim. Quero que todos saibam que você é minha.

Ela riu.

— Isso parece um pouco antiquado.

— Use o anel porque ele é bonito, então.

Draco revirou os olhos. Como Hermione não abria a caixa, ele a abriu e colocou o anel em seu dedo. Eles tinham uma vida inteira de amor e trabalho pela frente. E teriam uma vida inteira para fazê-lo.

E todos viveram felizes para sempre.


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N/T: Uau. Estou simplesmente sem palavras. Realmente acabou?

Foi um prazer enorme trazer essa história para vocês. Quando comecei a traduzir essa fanfic, tive medo de desanimar, porém queria muito seguir firme até o final, pois sei como é ficar órfã de uma fic inacabada.

Entretanto, no meio do caminho, eu fiz uma pausa e fiquei alguns meses sem postar. E foi o apoio de vocês, minhas leitoras queridas, que me incentivou a retornar.

Posso dizer, sem quaisquer dúvidas, que traduzir essa história foi muito gratificante para mim e que aprendi muito com ela, tanto como ~tradutora~, quanto como ser humano.

Muito, muito, muito obrigada a todas vocês que acompanharam cada capítulo, seguiram, favoritaram e comentaram, motivando-me a continuar. E muito obrigada por considerarem essa história digna de seu tempo.

Informo que comecei a postar uma nova fic que estou traduzindo para o português, chamada Isolation. Vocês podem conferi-la no meu perfil.

E, no mais, vejo vocês por aí!

Now, this is for you, dear author DragonGrin: I love this story. I love how realistic it is and how Draco and Hermione's relationship unfolds throughout the plot. For me, your story is about love, change and hope. This story will always occupy a special piece of my heart. Thank you for writing it and thank you for trusting me to translate it into Portuguese. I can tell you that some Portuguese speaking Dramione fans are also immensely grateful to you.