Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Seria isso um comeback? Depois de tanto tempo fora do ffnet... Não sei dizer, mas senti vontade de voltar a escrever e postar, mas não sei com que freqüência. E já aproveito a deixa para dizer que não, não tenho idéias ou pretensão de continuar as fics paradas, apenas FH, mas para isso preciso reestruturar a história toda e isto está levando mais tempo do que imaginava, enfim...
A fic se passa na década de 30, tendo como pano de fundo a cidade de Nova York e a máfia italiana comandada por Lucky Luciano, o principal gangster da época na cidade. E, para contar a história que imaginei, tomei a liberdade de pegar "de volta/emprestado" uma personagem que desenvolvi para uma fic chamada "Edo", da minha querida amiga Pure Petit Cat, pois Melinda Grant é uma personagem que amo e que tem o BG necessário para esta fic aqui.
Um último aviso: Mamys, espero que goste da Violet...
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Capítulo I
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O olhar atento acompanhava o frenesi dos estivadores no porto da cidade. As íris castanhas, vez ou outra, percorriam os rostos das pessoas ao redor, temeroso de que alguma coisa pudesse acontecer. Ou alguém o descobrir. Fato é que o rapazinho franzino passava facilmente despercebido em meio àquela multidão de pessoas, afinal o que um mero entregador de jornais poderia fazer de mal às pessoas?
De fato, nada. Mas as mensagens que carregava escondidas entre os jornais, ou gravadas na própria memória, poderiam arruinar uma ou mais vidas, dependendo do receptor dela, e de quem enviava a mesma. Não gostava daquele trabalho, mas o que ganhava com os jornais mal pagava seu almoço.
Quando estava próximo a uma das áreas de embarque de mercadorias, avistou o homem de cabelos grisalhos e olhos azuis mesclados, com cara de poucos amigos. Engoliu em seco, morria de medo daquele homem só de ter que chegar perto. Nunca, em hipótese alguma, o encarava.
-Bom dia senhor... – disse baixinho – aqui está seu jornal.
-Alguma notícia relevante hoje, moleque?
-Noticiário de turismo, pagina 2.
O homem tirou uma nota de dólar do bolso e entregou ao moleque, que saiu logo dali. Abrindo o jornal na página indicada, deparou-se com um anúncio de hospedagem em um famoso hotel de Manhattan.
Hotel Phaternom.
Logo abaixo, anotado em letras pequenas, um horário: 21 horas.
Guardou o jornal debaixo do braço e saiu depressa do cais. Ainda havia muito o que fazer antes.
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Mesmo dia, fim da tarde
Ao final de um dia inteiro de trabalho pelo centro e porto, o rapazinho voltou para o cortiço onde vivia, carregando um pequeno saco de papel. Entrou pelo portão do pátio, cumprimentou meia dúzia de idosos e crianças que estavam por ali e entrou depressa no quartinho que ocupava.
Deixou o pacote sobre uma mesa de madeira e foi direto para o pequeno fogão que ficava em um canto, colocando água para ferver em uma chaleira velha. Então, massageando a nuca e suspirando cansado, sentou-se na estreita cama de solteiro. Tirou a boina e ficou observando por um tempo seu reflexo em um espelho rachado sobre a pia em frente à cama.
-Preciso cortar esse cabelo novamente... – disse a si mesmo, mexendo em algumas mechas castanhas.
Pegou uma tesoura em uma gaveta, uma lâmina e sabonete, colocou parte da água quente em uma pequena bacia e então tirou a camisa que usava, ficando de pé em frente à pia.
Paciente, começou a cortar o próprio cabelo, cujos fios caíam sobre seus ombros e peito, ficando presos a uma estranha e grossa faixa de tecido que usava debaixo da camisa.
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Hotel Phaternom, 21 horas. Centro de Manhattan
Quando chegou ao hotel, sabia exatamente para onde ir. À direita da recepção havia uma porta de madeira de lei, entalhada em arabescos dourados, que levava à ala administrativa do local. Entrou por ela e foi direto à sala ao final do corredor. Duas batidas na porta e uma bela mulher, de olhos verdes musgo e longos cabelos ruivos, lisos e presos em uma trança, abriu a mesma.
-Pontual como sempre, Máscara da Morte.
-E você, ainda mais lindo do que costuma ser, miss Saint-Jhon. Os demais já chegaram?
-Estão à sua espera.
A esguia mulher fechou a porta de seu escritório e abriu uma segunda porta, que ficava escondida atrás de uma estante de livros. Máscara da Morte agradeceu e entrou, seguindo por um pequeno e estreito corredor até chegar a uma outra sala, cuja porta foi aberta assim que deu três batidas.
-Miss Saint-Jhon ainda nem enviou nosso pedido e já está aqui, Máscara da Morte! – disse-lhe o homem que abriu a porta.
O outro apenas grunhiu, não gostava muito do entusiasmo que o outro colocava em cada palavra ou frase, não combinava com a expressão séria que naturalmente possuía.
Na sala, além de ambos, mais três homens. Um, de longos cabelos platinados e olhos azuis claríssimos, parecia ocupado com a leitura tardia de um jornal, enquanto outro, sentado na poltrona à frente se servia de um dose de uísque. Tinha os cabelos curtos, arrepiados e negros, mesma cor de seus olhos.
Os outros dois ocupantes do recinto eram idênticos em aparência, longos cabelos negros e olhos azuis, mas nem tanto em personalidade. Apesar disso, ambos eram extremamente leais aos seus princípios e negócios.
-Boa, noite senhores.
-Boa noite, Máscara. Sente-se... – um dos gêmeos disse, apontando a poltrona ainda vazia – Shura, sirva a ele uma dose deste uísque. Chegou hoje ao bar do hotel, é realmente muito bom.
-Obrigado.
Enquanto se sentava, a mulher que o recebera entrou pela sala, acompanhada de um jovem funcionário do hotel empurrando um carrinho do restaurante.
-Seu jantar, senhores. Espero que apreciem, os frutos do mar hoje estão extremamente saborosos.
-Obrigado, miss Saint-Jhon...
-Me agradeça de maneira apropriada mais tarde, Saga... – ela disse a um dos gêmeos, o líder daquela reunião e grupo.
A mulher saiu e por um momento, Saga ficou a observar como a seda do vestido lhe marcava as curvas e corpo tão perfeitos...
-Então, quanto mais rápido tratarmos do assunto que nos trouxe aqui, mais rápido poderá deleitar-se na suíte de miss Saint-Jhon, Saga.
Saga riu da observação do companheiro, que deixava o jornal de lado para se servir do jantar trazido à sala.
-Tem razão, Afrodite. Precisamos decidir o que faremos com relação aos nossos negócios no cais, com os irmãos Shutter.
-Problemas novamente? Eu lhe avisei que fazer negócios com esse povinho do Leste Europeu era arriscado e temeroso, Saga.
-E, apesar de seu histórico, admito que deveria ter lhe dado ouvidos, Kanon. Fato é que não adianta discutir o que deveríamos ter feito e sim o que iremos fazer.
-Eu penso que devemos entregar a exportação de mercadorias para a América Central a outro grupo, mais organizado e obediente às nossas regras. – Shura disse, tomando seu uísque – Alguém que sempre esteve sob suas asas, Saga. E que também são família.
-Os irmãos Amamiya. Confesso que esta alternativa me agrada.
-A mim também – completou Kanon – Ikki tem a severidade e pulso firme necessários par manter o controle e Shun, a inteligência e criatividade para gerir os negócios.
-São 4 votos a favor de ambos, então. Os Shutter ignoraram nossos últimos avisos e pedidos, já estou por um fio com ambos.
-Então, está decidido senhores. – Máscara falou, após ouvir a todos – Concordo com a escolha. E, quanto aos playbozinhos europeus, acredito que o fim de seu contrato conosco seja assunto a ser resolvido por mim, não?
-Por certo que sim, Máscara da Morte. Mas, por favor... – Saga disse, encarando-o seriamente – Desta vez sem grande bagunça. Ainda tenho dores de cabeça com a última encomenda.
-O promotor Divendra está em sua cola ainda?
-Somente esperando um passo em falso para agir.
Um sorriso de canto foi a resposta...
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Na manhã seguinte, o rapazinho estava de volta ao porto, com seus jornais. Mas, ao invés de ir ao encontro de alguém, ele entrou por um dos armazéns. Nos fundos, verificando o conteúdo de algumas caixas que seriam despachadas, estavam dois homens iguais, de cabelos verdes e curtos e olhos âmbar.
-Aqui está o jornal de hoje, senhores... – ele entregou a um dos homens o exemplar – Hoje, à meia-noite. Nem mais cedo, ou tarde.
Saiu depressa, deixando a ambos com expressões sérias e também furiosas.
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Em outro ponto da cidade, um outro entregador de jornais fazia seu percurso matinal, até encontrar um homem sentado em banco de madeira, e uma praça próxima a um café no centro.
-Seu jornal, senhor.
-Boas notícias hoje, meu rapaz?
-Caderno cultural, página 5.
O homem agradeceu e então abriu o jornal. Na página indicada, várias palavras em diferentes notícias, circuladas com lápis.
"Cais, meia-noite. América Central"
Os olhos verdes desviaram a atenção do jornal por um momento. Então, ele ajeitou os cachos dourados de seus cabelos e colocou um chapéu, indo em direção à delegacia da cidade.
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-Capitão! – o homem entrou pela delegacia, indo direto para a sala do superior – Recebi informações preciosas hoje. Haverá uma ação da máfia hoje, no cais do porto.
-Que tipo de ação, Aiolos?
-Pelo que pude entender, hoje sairá do porto um carregamento para a América Central.
-América Central é a linha de negócios dos irmãos Shutter, não?
-Exato. Hoje, à meia noite.
-Reúna uma equipe e trace a estratégia, Aiolos. Alguma coisa precisamos conseguir, para dar prosseguimento às nossas investigações.
-Sim, senhor. Com licença, Capitão Dohko.
Aiolos saiu, deixando o capitão sozinho. O homem sentou-se recostado à cadeira, espreguiçando-se e suspirando, cansado. Os olhos puxados fecharam-se ainda mais, enquanto parecia pensativo...
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Era quase meia noite e o rapazinho ainda não havia voltado ao cortiço. Durante a entrega dos jornais, tinha conseguido arrumar um bico como conferente em um dos armazéns que iriam receber carga aquela madrugada, por mais que estivesse cansado, o dinheiro seria muito bem vindo.
-Ei, chegou cedo Edward! – outro rapaz o chamou – Tome, aqui está a lista de caixas que precisa conferir. É só verificar se as que correspondem aos lotes de 01 a 20 estão todas numeradas de acordo com o que está aqui.
-Certo.
Em outro armazém, próximo dali, Máscara da Morte chegava para seu encontro com os irmãos Shutter. Estava sozinho. E, na outra ponta do cais, o policial Aiolos e uma equipe de cerca de 4 homens vinha caminhando, sem grande alarde.
Quando estava prestes a entrar no armazém para começar a conferência, Edward os viu. Não reconheceu o rapaz que estava à frente, mas sabia quem eram pelo menos dois dos homens junto a ele. E tinha certeza de para onde iriam.
Sem pensar muito no que estava fazendo, ele correu para o armazém dos irmãos Shutter.
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Quando entrou, ouviu o final do que parecia uma discussão e então o som abafado de tiros. Ao se aproximar, os irmãos estavam caídos no chão, com marcas de tiro no peito. E Máscara da Morte de pé em frente a eles, guardando a arma que carregava no bolso interno do paletó.
-Moleque! O que faz aqui? – ele gritou, ao ver Edward parado mais à frente, segurando a boina junto ao peito e de olhos arregalados.
-Senhor... – ele disse, ao ouvir seu nome – A polícia está aqui. Precisa fugir.
-Tem certeza?
-Eu os vi chegando ao cais.
-Merda!
Precisava sair dali o quanto antes, mas pela porta principal não teria como, seria visto. Xingando em italiano e coçando a cabeça, Máscara tentava pensar em como faria. Mas foi Edward quem lhe deu a direção.
-Por aqui, senhor, conheço um caminho.
Saíram por entre caixas até chegar a uma porta lateral, que dava para um corredor úmido e cheio de mais caixas e paletes de madeira. Entraram por outro armazém, sempre se esgueirando com cuidado para nãos serem vistos, até que saíram na ponta oposta do cais.
De lá, seguiram por ruas estreitas e escuras até chegar ao centro de Manhattan.
-Você, seu moleque... – Máscara da Morte disse, segurando Edward pelo braço – Esteja certo de que será bem recompensado por isso...
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De volta ao seu quartinho no cortiço, Edward trancou com força a porta e se jogou em sua cama. Apenas naquele momento percebia que estava todo trêmulo e pior, que havia arriscado a vida para ajudar um criminoso. Sentindo que lágrimas iriam começar a se formar em seus olhos, ele pegou um retrato antigo que mantinha debaixo do travesseiro e olhou bem fixamente para ele.
Era de um adolescente, muito parecido consigo mesmo e uma menina, no fim da infância. Estavam abraçados, sentados em uma escadaria que parecia pertencer a uma igreja.
-Sinto que falhei contigo hoje, meu irmão... Me perdoe...
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Continua...
