Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

Antes do capítulo, uma pequena nota sobre... Música! Sim, quem me conhece sabe que sempre crio minhas fics e personagens com músicas temas, ou que me inspirem de alguma maneira. Para esta, criei uma playlist no Spotify com o mesmo nome da fic, com as canções que ouço para escrever. Ah, nem todas são da época, obviamente, mas ou a letra, ou o instrumental, ou tudo junto me lembra o clima da fic...

Algumas delas:

"Nobody does it better", Carly Simon

"You only live twice", Nancy Sinatra

"Wicked game", Chris Isaak

"Lovesong", Adele

"Love is a losing game", Amy Winehouse

Outra nota: Quando houver alguma passagem no passado durante o capítulo, ela estará escrita em itálico para diferenciar do restante da fic. E vamos ao capítulo!

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Capítulo III

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Nashville, capital do estado do Tenesse, a cerca de dez anos

Sentou-se no banco do trem acomodar sua bagagem, uma pequena maleta com alguns vestidos, um par de sapatos e livros. Levava também uma pequena bolsa com documentos e suas economias, que havia conseguido juntar escondida do pai e do irmão mais velho. Suspirando cansada, ela ajeitou a longa trança ruiva por sobre o ombro e recostou-se na janela, o trem estava partindo. Fechou os olhos verdes e brilhantes por um momento, agora não havia mesmo mais volta. A sua cidade, e até mesmo o estado do Tenesse, havia ficado pequena demais para seus sonhos e ambições.

Não tinha nascido para se casar com o filho do fazendeiro vizinho, o padeiro ou qualquer outro, muito menos para ter uma penca de filhos, cuidar de uma casa e viver o resto da vida presa a isso. Não ela. Desde a morte da mãe, prometera a si mesma que não teria o mesmo destino, que iria embora daquele lugar e viver sua vida como bem entendesse e queria. E só havia uma cidade no país onde poderia realizar seu desejo.

Nova York. A cidade dos seus sonhos.

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-O que foi, Violet? Está com o pensamento distante desde que saiu da reunião de hoje... – questionou Saga, ao se deparar com a mulher sentada na mureta da varanda de sua suíte, observando o nada à sua frente.

Ela o encarou e estendeu sua mão, chamando-o para junto de si. Abraçando-o, Violet o beijou demoradamente, saboreando aquele gosto delicioso e viciante que a boca de Saga possuía. Entrelaçou seus dedos nos cabelos negros, aprofundando o contato, ele a abraçou com maior intensidade e deslocou sua boca dos lábios para o pescoço da bela mulher, aspirando o perfume suave e ao mesmo tempo, marcante. Uma mistura de baunilha e lima da pérsia, um presente que mandara fazer com exclusividade para ela.

-Não foi nada, Saga, foi só aquele garoto... Edward, não é? – ele assentiu – Ele me pareceu assustado, acho que... Me lembrou de mim mesma, quando cheguei a esta cidade sem ter para onde ir e com uma vaga ideia do que fazer.

-Você não era tão inocente quanto ele quando chegou, Violet. Ao menos, era determinada a chegar em algum lugar, ainda que precisasse de uma direção.

-E graças a você eu encontrei essa direção.

-E eu, um caminho do qual não quero me desviar, ou mesmo voltar para trás, meu amor.

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Nova York, pouco mais de 9 anos atrás

Claro que com menos de um ano na cidade não conseguiria avançar muito em seus sonhos, mas graças a sua inteligência e conhecimento, havia conseguido o emprego como recepcionista naquele luxuoso hotel. Considerava uma vitória, pois a elite da cidade e até de outros países se hospedava ali, poderia fazer contatos e crescer de alguma maneira.

-Boa tarde, bem vindo ao Phaternom! – ela cumprimentou um homem que acabara de chegar ao balcão – Seus documentos, por favor.

-Boa tarde... Tenho reservas para dois quartos, em nome de Saga e Kanon Stravos... – ele respondeu com um sorriso, entregando seu passaporte. Violet levantou a cabeça para falar algo e, por um segundo, prendeu a respiração, o homem à sua frente tinha olhos azuis brilhantes e traços fortes. Seu passaporte era grego. "Um deus desses só poderia ser grego mesmo"...

-Está tudo certo com sua reserva, Sr. Kanon Stravos, mas preciso dos documentos do Sr. Saga também.

-Ah, é claro... Saga! – Kanon gritou para o irmão, que havia parado junto ao porteiro para perguntar algo – A senhorita aqui... – ele olhou para o broche de serviço na camisa dela – A senhorita Saint-Jhon precisa de seu passaporte.

Quando o outro se virou para o balcão foi que Violet percebeu que se tratavam de gêmeos. Mas o tal Saga tinha um olhar diferente, parecia mais profundo. E marcante. E o sorriso era mais sedutor que do irmão também.

-Sejam bem-vindos mais uma vez, senhores. Tenham uma boa estadia em nosso hotel e na cidade.

-Obrigada, senhorita... – Saga disse, e então pegou a mão direita de Violet, ainda estendida por ter lhe entregado o passaporte e a chave do quarto, e a beijou de maneira suave. – Acredito que está será nossa melhor temporada neste hotel.

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-Aquele garoto ainda terá que trabalhar muito, até ter o direito de encostar um dedo que seja em qualquer uma das minhas ninfas, Máscara... – Afrodite reclamava, chegando ao seu apartamento, acompanhado do italiano – E, sinceramente, ainda não concordo totalmente com a decisão de ele trabalhar conosco.

-Você seria voto vencido, Afrodite.

-Por isso mesmo aceitei, mas não pense que irei facilitar alguma coisa para ele.

-Esqueça o moleque, Afrodite! Eu não vim até aqui hoje para discutirmos sobre ele ou sobre o trabalho, e você sabe muito bem disso.

-Claro que sei, Giovanni... – ele chamou o outro pelo nome, em tom sensual – A banheira já deve estar pronta para nós dois...

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Manhã seguinte...

Não tinha muito o que levar para seu novo "lar", Edward logo constatou. Se iria para um hotel, não eram necessários ou poucos itens de cozinha e cama que possuía e suas roupas estavam tão ruins que sairia do cortiço somente com a que estava usando. Em um saco de papel pardo, guardou seus documentos pessoais e um pouco do dinheiro que ainda tinha. E, bem escondido, amarrado junto à barra da calça, um pequeno pacote que parecia conter papéis dobrados dentro.

No horário combinado, encontrou-se com Shura em uma rua movimentada do centro, onde havia diversos comércios. Juntos, foram para uma loja de roupas masculinas.

-Vamos ver... Você precisa de camisas, tanto de manga curta como longa, vamos comprar uma para dia da semana. E pelo menos três ternos de cores diferentes, suspensórios, calças e blazers avulsos. Ah, claro, meias, roupas de baixo, gravatas...

-Para que tanta roupa, senhor? Eu fico até confuso com tudo isso.

-Ora, Ed... – Shura riu – Você não vai querer trabalhar para a família parecendo um mendigo, vai? Aqui, experimente esse chapéu... – Shura entregou ao garoto um chapéu, que logo cobriu sua testa por estar largo – Pelo visto, qualquer chapéu vai ficar grande em você, pelo seu tamanho... Melhor continuar usando boinas mesmo.

No provador, Edward ficou aliviado ao perceber que havia uma ante sala onde Shura podia esperar por ele, mas quase teve um troço ao ver que o vendedor iria acompanhá-lo. Com muito custo e alegando extrema timidez, conseguiu convencê-lo a deixá-lo sozinho.

Ao tirar a roupa que usava, parou por um instante, fitando seu reflexo de corpo inteiro no espelho, fazia muito tempo que não se via dessa maneira. E justamente por isso não havia percebido algumas mudanças em seu corpo... As panturrilhas estavam mais firmes e torneadas, assim como as coxas e quadris tinham alguma curva. A cintura mais fina. E, para piorar, percebeu também que o peito doía, ainda que de forma moderada, envolto por aquela faixa de tecido.

-Edward! Posso ver como ficaram as roupas? – Shura gritou e o garoto se vestiu depressa, antes que o outro perdesse a paciência e entrasse no provador também.

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-Sr. Stravos? – o mordomo chamou Saga, que estava sentado à mesa aguardando o almoço ser servido – O inspetor Kinaros, da polícia está aqui e gostaria de conversar com o senhor.

-Leve-o até o escritório e peça que aguarde.

-Sim, senhor.

O mordomo saiu e Saga ficou um tempo ainda sentado, pensativo. A vida seguia por caminhos interessantes e irônicos, por vezes. Alguns até difíceis de explicar. As famílias Stravos e Kinaros tinham suas raízes na mesma região de Atenas, na Grécia, uma vila chamada Rodório. Ele e Kanon haviam crescido muito próximos de dois irmãos, chamados Aiolos e Aiolia. Eram um quarteto bem unido, até os pais dos dois amigos decidirem ir embora de Atenas e imigrar para outro país em busca de melhores oportunidades.

Para ele e Kanon, as oportunidades se fizeram na Grécia mesmo, no submundo da maior cidade do país. Como traficantes de ópio, ajuntaram uma fortuna considerável e se tornaram os principais fornecedores da droga para a América do Norte. E, justamente por isso, novas oportunidades de negócios surgiram para a família em seu principal mercado: os Estados Unidos da América.

Imigraram para o país, se instalaram em Nova York e em poucos meses, expandiam seus negócios. E, por uma ironia do destino, seu destino cruzara novamente com dos irmãos Kinaros, vivendo há muitos anos na cidade. Mas, desta vez, em lados completamente opostos da lei.

Aiolos entrara para a polícia, Aiolia o seguiu poucos anos depois.

-Desculpe por fazê-lo esperar, Aiolos... –Saga disse, entrando no escritório, Aiolos estava de pé junto a uma das janelas – O almoço será servido logo, aceita me acompanhar?

-Obrigado, mas não tenho tempo para isso. Eu estava de passagem pela região e resolvi subir rapidamente, para saber como anda um velho amigo.

-Estou bem, como pode ver.

-Ah, sim, posso ver... Uma bela namorada, negócios que vão muito bem apesar de certas perdas... –Aiolos estreitou os olhos, mas a expressão de Saga continuava a mesma – Parece-me que de fato você é um homem de sorte, Saga.

-Fui agraciado pelos deuses, Aiolos... Você é um homem inteligente, poderia ser também.

-Obrigado pelo elogio, mas estou muito bem com o que tenho... Ao menos não conquistei nada às custas da vida e do vício de outros... – ele disse, saindo de perto da janela e colocando seu chapéu – Tenha um bom dia, Saga.

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A estrutura dos negócios da família Stravos não era tão difícil de entender, Edward percebeu logo durante a conversa com Shura, enquanto almoçavam em um restaurante próximo à entrada principal do Central Park.

Saga era o cabeça do grupo, comandava a todos, dava as cartas finais e decisões mais complexas. Abaixo, em igual importância na hierarquia, mesmo sendo braços diferentes dos negócios, estavam Kanon, Shura, Máscara da Morte e Afrodite. O irmão era responsável pela contabilidade dos negócios no geral e pela operação de tráfico de drogas e bebidas para a Europa e Ásia; Máscara da Morte era encarregado dos acertos de contas com fornecedores e parceiros (mortes, Edward entendeu rápido) e pela rota de tráfico da América Central, do Sul e África. Afrodite cuidava das casas de prostituição, quatro em Nova York e uma possível quinta casa em Nova Jersey, e ele, Shura, era o responsável pelos cassinos e casas de apostas.

-E o hotel Phaternom? Onde se encaixa nessa hierarquia de negócios? – perguntou o rapaz, enquanto comia uma torta de maçã de sobremesa.

-O Phaternom não faz parte dos nossos negócios, garoto. Miss Violet Saint-Jhon é a proprietária e administradora, é um negócio legítimo e totalmente dentro da lei. Nós apenas usamos uma sala para reuniões.

-Entendo... Por falar nessas reuniões, eu terei que participar delas também, senhor?

-Pare de me chamar de senhor, está atacando meus nervos assim... – Shura disse, fixando seu olhar felino no garoto, que congelou em seu lugar. Que arrepio era aquele em sua espinha? – Me chame de Shura. E não, sua presença não será necessária em todas as reuniões, apenas algumas. Será informado quando for preciso.

Após o almoço, Shura levou Edward para o hotel onde ficaria provisoriamente, até que arrumasse um lugar melhor que o cortiço para morar. Não era um lugar luxuoso como o Phaternom, mas também não era um pulgueiro. Era um prédio simples, de cinco andares, com um bar e restaurante para as refeições dos hóspedes e ponto de táxi à porta.

-Nossa, eu nunca dormi em uma cama de casal... – Ele disse a si mesmo, quando entrou no quarto e viu a cama. Não era um quarto muito grande, mas tinha pelo menos o triplo do tamanho de seu quartinho no cortiço. Uma cama de casal tamanho king, uma janela grande e uma varanda para a rua principal. Em um canto, uma mesa com duas cadeiras, seguida por um aparador e um armário para roupas. Dois criados mudos, um telefone para comunicação na recepção e uma porta ao lado de um dos criados mudos.

-Caramba, isso é... -Ed abriu a porta, ficando estático junto ao batente – Isso é um banheiro?! Então é assim que os hóspedes tomam banho? Nunca tinha visto um banheiro dentro de um quarto...

Sentado em uma das cadeiras, Shura deu risadas, o garoto parecia uma criança descobrindo coisas novas. Maravilhado, Ed saiu do banheiro e pegou suas sacolas, começando a despejar o conteúdo sobre a cama, já queria experimentar tudo novamente e depois ajeitar o armário. Estava subitamente feliz.

-Você pode pedir serviço de quarto, mas tenha cuidado com o valor das despesas... Não pode ultrapassar os 150 dólares por dia, já contando com a hospedagem.

-Espere, 150 dólares/dia? Eu... Eu não faço ideia de quanto seja esta quantia, se... Shura.

-Se fosse uma das ninfas do Afrodite, tenho certeza de que gastaria o dobro disso por dia.

-Garotas precisam de tanto dinheiro assim?

-Apenas as erradas, Ed... Ou as muito inteligentes e espertas.

-Óbvio que não sou nenhuma delas... – o garoto disse baixinho, pegando uma de suas camisas novas para dobrar.

-O que disse, Ed? – Shura perguntou, encarando o rapazinho, enquanto ele também o ajudava com as roupas.

-Eu... Eu não disse nada! Foi só um resmungo, acho que comi demais no almoço.

-Está certo. Bem, eu vou embora. Qualquer coisa que precisar, chame a recepção do hotel. A hospedagem está paga pelos próximos dez dias pelo menos. E as outras despesas... – Shura tirou a carteira do bolso do paletó, estendendo um maço de notas para Ed – È seu. Considere com um adiantamento, mas não vá gastar além do que lhe disse por dia. A quantia que tem aí é para, pelo menos, até o fim da semana.

Edward assentiu, agradecendo. Então Shura se retirou do quarto, indo embora, ainda tinha alguns assuntos a resolver antes de voltar para casa. O rapazinho trancou a porta do quarto e se jogou sobre a cama e as roupas que ali estavam, contando o dinheiro que o espanhol lhe dera. E, então, as lembranças lhe vieram à mente.

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Nova York, dez anos atrás

A menina de cabelos castanhos e lisos, mas sujos e desgrenhados, estava parada na frente da vitrine daquela loja já fazia algum tempo. Os olhinhos castanhos claros e brilhantes percorriam curiosos cada detalhe do vestido no manequim, era um modelo infantil rodado em tons de branco e rosa e tinha chapéu, luvas e sapatos combinando.

-Melinda! – ouviu uma voz lhe chamar e se virou, era um garoto que vinha correndo carregando um pacote de jornais – Vamos, temos que terminar as nossas entregas de hoje.

-Ed, eu posso ter um vestido desses? O meu já está rasgado na barra, olha... – ela mostrou a barra do vestido que usava, toda gasta e com buracos ao redor das costuras. Ed suspirou, um tanto resignado.

-Hoje não, Melinda... Mas prometo que vou juntar dinheiro e comprar um mais bonito que esse da vitrine, tá bom? Agora vamos, temos que terminar as entregas de hoje ou a gráfica não vai pagar nosso dinheiro.

-Podemos comprar um pedaço de torta de maçã depois, irmão?

-Se o dinheiro de hoje for suficiente, podemos sim.

Dando a mão para o rapazinho, a menina seguiu pela calçada feliz pela promessa feita pelo irmão. Que Edward não fazia ideia de quando e como poderia cumprir...

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Continua...

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Reviews!

Gemini, linda, sim, Saga é um criminoso muito rico, poderoso, lindo e charmoso tb... E quando se trata somente de personagens do universo Saint Seiya, sem contar originais, não consigo colocar Aiolia com outra sem ser a Marin...

Paula Sammet, mammys! Ah, vc sabe quem é a inspiração para a Violet, não sabe? Ela e Saga ainda renderão muitas cenas quentes e bacanas tb, tipo casalzão da porra mesmo! E quanto ao Ed, temos pistas por aqui e logo teremos um pouco mais sobre quem ele é...