Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

Atualização playlist da fic!

"Bella Ciao", versão lenta de Manu Pilas

"Paint in Black", Rolling Stones

"Skyfall", Adele

"It ain't over 'til it's over", Lenny Kravitz

"In the air tonight", Nonpoint

"Again", Lenny Kravitz

"The blower's daughter", Damien Rice

"What goes around…", Justin Timberlake

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Ao contrário da família Stravos e seus "sócios", os irmãos Amamiya não levavam uma vida de luxo, ou extremo conforto. Seu escritório de trabalho ficava em um pequeno prédio próximo ao porto e aos armazéns que dirigiam. Oficialmente, seus negócios eram de exportação de grãos para países da América Central, mas claramente que dois irmãos orientais não fariam fortuna em tão pouco tempo na América apenas com milho, soja e derivados.

-Desculpe por fazê-lo esperar, Máscara da Morte, mas tivemos que resolver um problema com uma carga extraviada... – Shun Amamiya disse, entrando pelo escritório onde o italiano o aguardava – Mas não se preocupe, foi com o itinerário lícito.

Quem visse o rapaz, jamais imaginaria que estava diante de um criminoso em ascensão. Shun era jovem, discreto, de fala mansa e cuidadosa e que usava roupas comuns aos demais trabalhadores do cais. Era o perfeito contraponto do irmão mais velho, Ikki, um homem forte, de voz grave e modos arredios. Eram uma dupla complementar e extremamente eficaz em seus negócios.

-Ikki não irá participar da reunião?

-Estou aqui, carcamano... – O homem entrou pela porta, indo se sentar próximo ao irmão. Ikki era alguém que não tinha medo de dizer exatamente o que pensava – a situação foi resolvida, Shun. O grupo que fez o transporte primário da carga irá arcar com o prejuízo.

-Ótimo, então podemos nos ater ao assunto desta reunião. Como dito anteriormente, Máscara da Morte, aceitamos o contrato com a família Stravos. Só temos uma modificação a fazer nos termos de pagamento.

-Modificação?

-Com relação aos valores e distribuição de lucros. Não aceitamos o mesmo que os Shutter.

-Isso está fora de discussão, senhores. O contrato é bem amarrado com relação aos pagamentos e não há desvantagem para os negócios de vocês.

-Eu concordaria se trabalhássemos como os irmãos Shutter... – Shun disse, calmamente, estudando as feições do homem à sua frente – Mas não é este o nosso caso.

-Exato. Trabalhamos com três rotas a mais que os Shutter, uma delas ainda em fase de experimentação. E as inspeções de cargas feitas por nossos "clientes" não é realizada aqui no porto, onde a polícia está em constante alarme. Nós a fazemos em locais espalhados pela cidade, e o transporte dela até aqui deve sempre ser acompanhado por alguém de confiança do contratante.

-E justamente por ser um esquema mais trabalhoso, porém, mais eficaz, que não aceitamos os termos de pagamento e lucros, como estão no contrato.

-Vocês dois tem alguma ideia do absurdo que estão dizendo? – Máscara da Morte estreitou o olhar e se remexeu na cadeira, mas ambos se mantiveram impassíveis – Sabem que estão querendo mexer em um ponto muito delicado de nossa negociação?

-Sabemos e entendemos sua posição e dos Stravos, Máscara da Morte. Mas não mudaremos nossa posição. Aqui está uma cópia do novo contrato, redigido por nosso advogado. Pode levá-la à reunião de sua cúpula, não temos tanta pressa assim na resposta e assinatura.

E com essas palavras do irmão, Ikki levantou-se da cadeira, indicando a saída ao italiano. Nervoso, mas sem querer demonstrar, Máscara deixou o escritório levando o documento.

-Deixe Shiryu e nossos contatos avisados, Ikki. Os Stravos vão aceitar nossos termos.

-Sei que sim, só precisamos nos cercar de todo cuidado, Shun... Mas confesso que foi bom vê-lo pisar naquele carcamano.

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Já que agora tinha roupas novas, morava em um quarto de hotel e tinha dinheiro em mãos, Edward decidiu que não seria tão ruim dar um passeio até a confeitaria onde sempre teve vontade de ir, mas nunca pôde. E assim o fez.

Feliz feito criança, comprou um pedaço de torta de maça com canela, pediu um café e se sentou em uma das mesas perto da janela, para ficar olhando o movimento da rua e calçada. Quantas e quantas vezes passou por ali, fingindo não sentir o cheiro dos doces, enquanto seu estômago roncava de fome? Agora, finalmente podia matar sua vontade. E já estava no segundo pedaço de torta quando viu três homens entrarem no local, achou interessante o tom de lilás do cabelo de um deles. Sentaram-se em uma mesa próxima, o que parecia mais velho acabou ficando de frente para Ed.

Conversavam amenidades entre si, falavam algo sobre a noiva de um deles. E Edward, sem perceber, estava com o olhar fixo no rapaz de frente para si, parecia hipnotizado com os olhos verdes dele, tão brilhantes quantos os de miss Saint-Jhon! E os cabelos curtos tinham diversos cachos que dependendo da luz, variavam entre o dourado e um tom de castanho diferente do seu. Era um homem bem bonito.

-O de sempre, senhores? Perguntou a garçonete, se aproximando da mesa deles – Torta de limão para você, Mu e de laranja para Aiolos e Aiolia?

-Por favor, Tess. E três cafés, se continuarem sendo de graça para homens da lei.

-Para vocês, sempre! Com licença.

O rapazinho gelou, estava sentado próximo de policiais? Como podia ser tão azarado? Será que o estavam seguindo? Balançou a cabeça, quanta bobagem, era óbvio que não, a bem da verdade nenhum deles tinha reparado em si, sentado a tão poucos metros. Nem mesmo o tal, que descobrira se chamar Aiolos, que Edward não parava de olhar.

A garçonete os serviu, ao mesmo tempo que Ed terminou de comer. Então, sem mais o que fazer por ali, ele deixou uma nota sobre a mesa para pagar o pedido e cobrir a gorjeta e se retirou, guardando o restante do dinheiro no bolso.

-Ei, garoto! – ouviu o chamarem e era justamente o tal Aiolos – Deixou cair seu dinheiro no chão, tome. – ele estendeu as notas para Ed, que agradeceu e as pegou de volta.

Foi um gesto rápido, mas quando pegou o dinheiro, sentiu tocar a mão quente de Aiolos, a sua estava fria e um pequeno choque o pegou de surpresa. Baixando a cabeça e muito sem graça, Ed saiu depressa da confeitaria. Não viu que Aiolos ficou observando-o até sumir de vista, intrigado.

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Para os gregos, as ninfas seriam como fadas sem asas, leves e delicadas, dotadas de extrema graça, beleza e virtudes. Certamente não havia maneira mais acertada de se referir às prostitutas que trabalhavam nas casas comandadas por Afrodite, eram todas jovens e de diferentes raças e regiões do mundo. E não chamavam atenção somente por sua beleza, ou demais atributos físicos, eram moças que sabiam conversar bem, sobre diversos assuntos.

Afrodite fazia questão de supervisionar tudo bem de perto, embora tomasse todos os cuidados para não ser pego, uma vez que esse tipo de atividade era ilegal. Mas desfrutava de uma certa "paz" com o dinheiro que pagava em subornos à fiscais da prefeitura.

A partir daquela noite em específico, os negócios seriam ainda melhores, pois inaugurava um pequeno cassino em um dos andares do prédio, em parceria com Shura, e ainda haveria a apresentação de novas garotas ao trabalho.

-Shura! Eu sabia que não perderia essa inauguração, meu caro! – ele exclamou, ao ver o espanhol entrar pelo salão principal - Estava somente te esperando para abrir a mesa de pôquer.

-Então, vamos logo com isso, pelo visto a casa está cheia. Alguma novidade para mim?

-Uma em especial, e vinda diretamente de seu país meu amigo... – O sueco chamou uma das novas garotas, que veio ao encontro de ambos com um sorriso arrasador – Para você, sabe que é sempre por conta da casa.

Enlaçando a cintura da jovem, Shura foi para o andar onde estava instalado o cassino. A noite só estava começando para ele...

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Ao final de um dia de trabalho supervisionando e discutindo a contabilidade do hotel com seu advogado e o gerente, Violet fechou o escritório e subiu para sua suíte. Estava cansada e com os ombros doloridos, tudo que queria era um banho bem quente e relaxante e sua cama.

Porém, quando entrou no quarto, viu sobre uma das poltronas da ante-sala um enorme buquê de rosas vermelhas, com um bilhete preso a ele.

"Esteja pronta às 20 hs, mandarei um motorista para te buscar. Sempre seu, Saga"

Ao se virar para entrar no quarto propriamente dito e ir para o banheiro, Violet se deparou com um vestido de seda verde musgo e uma caixa de veludo, que ao abrir tinha em seu interior uma gargantilha de ouro e pérolas, brincos e pulseira combinando. Quando pegou o vestido em mãos para observar melhor é que se lembrou de algo importante.

Naquele mesmo dia, há exatos 9 anos, sua vida começara a mudar de maneira drástica e, com toda certeza, para melhor...

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Desde a chegada dos irmãos Stravos ao hotel, Violet havia reparado que não importava se o seu companheiro de recepção estivesse livre e ela não, Saga esperava ela terminar com o hóspede que atendia para que pudesse dar atenção a ele. Trocavam palavras educadas, cumprimentos e ele lhe fazia perguntas sobre a rotina do hotel que ela tinha certeza de que ele sabia as respostas. Mas não se importava em responder quantas vezes ele julgasse necessárias, pelo contrário, ter a atenção de um homem tão bonito e desejado era algo que lhe deixava orgulhosa de si mesma.

Não sabia exatamente o que Saga e o irmão faziam, mas sabia que era algo que lhes rendia muito dinheiro e também status entre diversos hóspedes do hotel, eles eram praticamente tratados como chefes de estado pelo dono e diversas moças apareciam por ali, algumas até oferecendo dinheiro pela chance de poderem subir aos quartos de ambos. Mas, Violet já prestara atenção nisso, nenhum dos dois recebia qualquer mulher enquanto hospedados no local. Ao menos até aquela tarde...

-Recepção, pois não? – o outro recepcionista atendeu o telefone – Ah, sim, só um momento por favor... Violet, é para você.

-Violet, pois não... Ah, boa tarde Sr. Stravos... Se estou ocupada no momento? Bem... Meu turno se encerra em meia hora, mas dependendo do que precisar posso ajudá-lo sim... Certo, assim que terminar eu irei... Boa tarde.

Desligou como semblante sério, mas sentindo-se meio eufórica por dentro. Saga a tinha chamado para seu quarto, ao final do expediente... O que ele poderia querer? Tentou se concentrar no trabalho pelo tempo que restava do turno e quando finalmente seu horário acabou, foi para a área reservada aos empregados, trocou de roupa e subiu para o décimo sexto andar pelo elevador de serviço. Ao chegar à porta do quarto, respirou fundo umas duas ou três vezes e então bateu à porta.

Ouviu um "entre" e assim o fez, encontrando Saga sentado em uma poltrona, ocupado com a leitura de um livro. Ele se levantou ao vê-la e a cumprimentou com um beijo na mão direita.

-Sente-se, por favor, miss Saint-Jhon... – ele lhe indicou a outra poltrona, enquanto fechava a porta do quarto. – Aceita uma bebida?

-Obrigada, Sr. Stravos, mas não quero nada no momento.

-Está certo, creio que esteja mais interessada em saber o porquê a chamei aqui, não?

Violet assentiu e ele então entregou a jovem um cartão, que era na verdade um convite, para um jantar promovido por um empresário que trabalhava no ramo de tecidos na cidade.

-Eu não entendo, Sr. Stravos.

-Por favor, me chame de Saga, eu... Posso chamá-la apenas de Violet? – ela assentiu – Então, Violet, este convite é para um jantar dançante em um clube da cidade, vai acontecer amanhã. É importante para meus negócios estar presente, mas... Mas também sei que é a ocasião ideal para diversas moças da sociedade tentarem chamar minha atenção, por assim dizer... – ele falou, recostando-se na poltrona, estudando o rosto impassível de Violet, tentando decifrar o que ela sentia no momento – O caso é que não quero ter que passar a noite toda tendo que dispensar essas garotas, entende?

-E, para isso não acontecer, o se... Você pretende ir a este jantar acompanhado. No caso, por mim.

-Eu sabia que iria entender logo, Violet. Você é uma jovem bonita, de bom porte, educada e que me parece inteligente também. Tenho certeza de que em sua companhia ao menos tédio não sentirei.

-Obrigada pelos elogios, Saga, mas eu não tenho trajes para uma ocasião como esta.

-Eu já imaginava, por isso me antecipei a isso... – ele falou, pegando sua carteira que estava sobre uma mesa de canto, ao lado da poltrona – Sei que amanhã está de folga do trabalho, então pegue este dinheiro e compre o que for preciso: vestido, sapatos, jóias...

-Tem certeza disso, Saga? Saiba que irei apenas te acompanhar neste jantar e mais nada além disso.

-Claro que estou ciente disso e não se preocupe, não irei propor nada além de sua companhia durante o jantar. Estamos de acordo?

Violet pegou o maço de notas e guardou na bolsa. Então, levantando-se da poltrona, ela apertou a mão que Saga lhe estendia e saiu do quarto. E foi somente quando entrou no elevador que se deixou levar pelo coração disparado, corando imediatamente.

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Às 20 horas, um carro parou bem à entrada do Phaternom e Violet entrou nele. Estava conferindo sua maquiagem em um espelho de bolsa quando chegou ao destino, era um restaurante cinco estrelas não muito longe do hotel. Ao chegar, foi recebida pelo maitrê que a levou para uma sala reservada, onde Saga já a aguardava.

-Eu tinha certeza de que este vestido ficaria perfeito em você. O tecido é a cor exata de seus olhos... – ele disse, afastando a cadeira para ela se sentar. – Feliz 9 anos, meu amor.

A beijou brevemente, tomando seu lugar à frente. Logo um garçom veio e serviu a eles um vinho tinto, de maneira discreta. Erguendo as taças para um brinde, ambos sorriram, brindaram e passaram a conversar sobre amenidades e algumas questões sobre o trabalho de ambos. E sempre que aquela data chegava, era inevitável para Violet se lembrar de como aquele relacionamento havia começado e tudo que conquistara com o apoio de Saga.

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Quando a viu sair da pensão onde Violet morava, Saga não pôde conter a sua surpresa com a figura á sua frente... A jovem mulher estava simplesmente deslumbrante em um vestido preto pensado para causar, afinal, até pouco tempo era uma cor reservada somente ao uso para viúvas. Era todo feito em seda, mas com uma espécie de capa de renda e pedrarias por cima, com um decote V que evidenciava o colar de prata e ônix que ela usava, junto de brincos e pulseira combinando. Os cabelos estavam soltos, mas emoldurados por uma faixa de seda e renda com pedrarias iguais a do vestido. Como era um modelo de manguinhas, uma estola leve cobria os ombros.

-Você está linda, Violet... – ele disse, ao abrir a porta do carro para ela entrar –Realmente linda.

-Obrigada, Saga. Você também ficou bem neste smoking e de cabelos presos.

Ao chegar no local do jantar, foi inevitável o furor de fotógrafos que estavam no local, além de alguns comentários por parte dos presentes. Afinal, quem seria aquela bela mulher ao lado de Saga Stravos, um dos solteiros mais cobiçados da cidade? Violet , de cabeça erguida, cumprimentava a todos como se estivesse acostumada a tudo aquilo, mas claro que era mais fácil quando se estava com um homem que transmitia tanta segurança. De maneira firme, Saga respondeu a algumas poucas perguntas e então foi ao encontro do anfitrião, cumprimentando o mesmo e sua esposa e se divertindo com o muxoxo da herdeira do mesmo.

-Aqui está sua mesa, Sr. Stravos. Fiquem à vontade. – um garçom os conduziu até uma das mesas próximas ao centro do salão, Saga ajudou Violet a se sentar e quando ela tirou a estola que notou o decote nas costas do vestido. Era uma mulher realmente linda e muito segura de si para usar aquele vestido.

-Gosta de frutos do mar? Me parece que o cardápio de hoje é inspirado na cozinha do mediterrâneo.

-Ah, gosto sim, mas não tive muitas oportunidades de apreciar este tipo de comida. Lembro de ter provado uma ou duas vezes, logo que cheguei à cidade.

-Oh, você não é de Nova York? – Saga se mostrou interessado, enquanto se servia de alguns canapés que haviam deixado à mesa – Não me diga que também não é americana?

-Sou americana, mas vim do Tenesse, nasci e me criei na capital Nashville. Eu saí da cidade a cerca de um ano, depois de conseguir juntar dinheiro para a viagem e para me manter até arrumar um trabalho.

-E porque foi embora de sua cidade?

-Nashville sempre foi pequena para meus objetivos, Saga. Morando em uma propriedade rural, mas próxima da zona urbana, meu destino seria me casar, cuidar de uma penca de filhos, animais e plantações. Não que seja ruim, mas nunca foi algo que quis para minha vida.

-Não me parece mesmo um destino que combine com você.

-Exato. Por isso, quando minha mãe morreu e eu percebi que meu pai e irmão queriam me "dar um rumo" a seguir, eu comecei a trabalhar na cidade para juntar dinheiro e ir embora. Escolhi Nova York porque essa cidade é diferente, é como se o mundo todo pulsasse aqui.

-Temos um pensamento parecido sobre o que queremos para nosso futuro. A vila onde nasci e cresci em Atenas também era pequena demais para mim e meu irmão. Por isso começamos a trabalhar para deixar o lugar e aqui estamos. A América é a nossa terra de oportunidades.

O jantar logo começou a ser servido e Saga percebeu que Violet comia com calma e jeito, apesar da origem no "interior" ela tinha modos refinados. E mais do que isso, era uma mulher de fato inteligente, que sabia conversar. Estava ficando cada vez mais encantado com ela. No ambiente, logo uma canção começou a tocar, afinal era um jantar dançante, alguns casais já estavam no meio do salão.

-O que acha de uma dança? Confesso que não tinha intenção de sair da mesa, mas não me parece apropriado ficar aqui sentado, apenas imaginando como seria dançar com você.

Violet aceitou o convite e foi com Saga para o meio do salão, é claro que diversos olhares se voltaram ao casal. E a música que tocava era uma balada mais lenta, ele enlaçou a cintura da jovem com certo cuidado e aproximou de si, ambos com rostos quase colados.

-É impressão minha ou sinto um coração batendo mais acelerado entre nós? – Saga lhe falou ao ouvido, causando arrepios em Violet. Ela inspirou fundo uma vez, antes de responder algo.

-Um pouco pretensioso de sua parte, não acha Saga?

-Seria... Se estivesse falando do seu coração, Violet... – ele falou, e pegou a mão dela que estava sobre seu ombro, fazendo-a deslizar até seu peito – Sente? É dele que estou falando...

A jovem prendeu a respiração por um momento, desconcertada. Ao encarar Saga, percebeu que os olhos azuis deles estavam enegrecidos, ele parecia desejar algo a mais que aquela dança, no meio do salão.

-Saga... – ela o chamou, afastando seu rosto um pouco para trás – Não aqui, está cheio de fotógrafos, por favor. Eu não quero me tornar uma personagem das colunas sociais dos jornais da cidade.

Ele logo entendeu e assim que a música terminou, a puxou de volta para a mesa. Ajudou a vestir a estola e agradecendo ao anfitrião da noite, saíram do jantar e foram para a rua. Mas Saga não chamou um carro para levá-los embora dali.

-Podemos caminhar um pouco, juntos? Se chamar o motorista, terei que levá-la para casa e gostaria de mais um tempo em sua companhia.

Violet aceitou e então se puseram à caminhar pela calçada, a cidade estava quase vazia àquela hora da noite. Como estavam sozinhos, Saga segurou a mão da jovem, entrelaçando seus dedos aos dela.

-Ainda bem que a noite não está tão fria, ou não poderíamos caminhar juntos assim.

-Saga... – ela o encarou, sem rodeios – Por que disse aquilo lá dentro, enquanto dançávamos? É algum tipo de brincadeira ou subterfúgio para conseguir me fazer ir além do nosso acordo?

-Violet, não, por favor! – ele estancou o passo, encarando-a também – É certo que não pretendia lhe dizer aquilo, não hoje pelo menos, mas estávamos tão próximos... Eu... Eu queria ter lhe dito algo em uma outra oportunidade, quando pudéssemos sair juntos novamente.

-Novamente, nós dois juntos? Saga, me desculpe, mas está hospedado no hotel onde trabalho, isso poderia me trazer problemas.

-Não a partir da próxima semana. O apartamento que eu e Kanon compramos ficou pronto, vamos nos mudar definitivamente para a cidade. Deixarei de ser um hóspede e você não terá problemas por conta disso.

-Mesmo assim, Saga, me diga o que posso oferecer para você? Um homem rico, de negócios, o sonho de qualquer garota de boa família nessa cidade. Você viu como a filha do anfitrião reagiu ao ver que estava acompanhado.

-Nenhuma delas entenderia meu espírito livre ou meus objetivos de vida. Muito menos a natureza dos meus negócios, Violet... Mas você... Você eu sei que sim, pois é parecida comigo.

-Do que está falando exatamente, Saga? Qual o tipo de negócios que você e Kanon tem na cidade?- ela percebeu a hesitação dele – Saga, me conte, por favor. Se eu não gostar, eu lhe direi e me afastarei antes que essa nossa "relação" evolua. E prometo que mesmo que vá embora, não contarei nada a ninguém.

Saga pareceu pensativo por alguns segundos. Então, encarando Violet com os olhos enegrecidos, tal qual ela percebera no salão, ele a enlaçou pela cintura, colando os corpos de ambos. Então, com uma das mãos na nuca dela, puxou seu rosto para mais perto e a beijou.

Se, ao contar tudo para ela, Violet o desprezasse, ao menos teria algo para se lembrar da bela jovem por quem estava se apaixonando...

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O jantar havia sido ótimo e quando terminou, Saga levou Violet até seu apartamento, Kanon estaria fora a noite toda. Ao chegar, antes de irem para o quarto do rapaz, ele a levou até o escritório.

-Antes de irmos para o quarto, tenho algo para te mostrar, venha aqui... – ele a levou até uma mesa de reunião, de tamanho médio. Sobre ela, havia diversos papéis, plantas de uma construção, croquis de arquitetos e paisagistas. E um cartão postal com a pintura de uma ilha.

-O que é tudo isto, Saga?

-Este é seu presente pelos melhores 9 anos da minha vida... E também nosso futuro.

-Não estou entendendo, Saga.

-Esta ilha se chama Mikonos e fica ao norte de Atenas... – ele pegou o postal, entregando-o para Violet – Eu ganhei do governo grego a concessão para exploração do turismo na região. Estas plantas e croquis são do escritório que contratei para erguer um resort na ilha... Fizeram um excelente trabalho no projeto, mas para dar continuidade, preciso da sua aprovação, meu amor.

Violet correu os olhos pelas plantas e projetos, e logo percebeu que estava com as orbes cheias de água. Claro que tinha entendido o que Saga queria dizer com tudo aquilo.

-Saga, isso é... Isso é lindo! Eu... Eu sempre sonhei com um empreendimento desses!

-Eu sei, por isso estou tomando todas as providências para que se realize... – Ele sentou-se em uma poltrona e a puxou para sentar-se em seu colo, abraçando-a pela cintura – Eu conversei com o Kanon e vou começar a prepará-lo para assumir minhas responsabilidades na família, assim como darei mais tarefas aos demais também. A previsão é que tudo fique pronto em 2 anos, no máximo... É tempo suficiente também para você decidir como fará com o hotel. Este negócio, Violet, é totalmente lícito, não teremos problemas com a lei. – ele estreitou o abraço, acariciando o rosto da jovem – Você aceita embarcar nessa nova vida ao meu lado?

-É claro que aceito, meu amor! Mas não faltou nada nesse pedido?

-Ah, Violet... Não pensei que ligasse para um anel, mas se deseja... Podemos ir à joalheria amanhã mesmo e comprar um de diamantes para você.

Ela riu, beijando-o languidamente. E, entre beijos e amassos, foram para o quarto do rapaz comemorar o futuro que os esperava...

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Continua...

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E agora que os personagens e suas relações foram estabelecidos, a fic pode avançar de fato para a história que quero contar e toda ação envolvida... Algumas explicações adicionais, minha inspiração para o visual da Violet nesta fic é uma mistura das personagens da Isla Fischer e da Vanessa Debick em "O Grande Gastby", adoro ambas as personagens! E gente, confesso, eu tô empolgada com esse Shun todo mafiosinho que tô escrevendo...

Reviews!

Paula Sammet, Violet e Saga são um casal muito lindo, eu pensei neles antes mesmo de inserir o Ed e seus conflitos na fic, amos escrever as cenas deles... E Carly Simon e Nancy Sinatra são justamente a trilha de ambos...

Revenge of Queen Anne, bem vinda por aqui tb! Bom, já que a quarentena aqui em SP vai até dia 31/05, tomara que consiga finalizar a reestruturação de FH mais rápido... Eu sei que estão aliciando o Ed, mas acalme-se, essa história vai render ainda...