Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

E a playlist da fic tá aumentando...

"Living on the edge", Aerosmith

"Náufrago", Majur (esta última tá guardada para um momento beeeem especial que vai rolar mais para frente, mas já ta tocando no play aqui)

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Capítulo VI

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No dia seguinte, Aiolos chegou mais cedo ao distrito, nem mesmo esperou por Aiolia para ir ao trabalho. Queria um tempo sozinho para pensar, antes dos novos policiais chegarem. Sentando-se à sua mesa, pegou uma pasta arquivo na gaveta, eram as fichas de Saga e Kanon Stravos.

Um suspiro pesado escapou de seus lábios. Como e quando aqueles dois rapazes tinham se deixado seduzir pelo crime e a vida que levavam agora?

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Atenas, há vários anos...

Os três meninos maiores corriam metros à frente, enquanto o menor tentava alcançá-los, protestando porque o deixavam cada vez mais para trás. Estava ficando cansado.

-Me esperem, poxa! Olos!

-Não seja molenga, Olia! Se não for rápido, não vai comer com a gente!

-Para com isso Saga! Eu também tenho direito!

-Então venha logo!

A corrida tinha um destino certo: um campo de pessegueiros, que ficava na fronteira entre a cidade de Atenas e sua zona rural. O dono, um homem muito rico e também de bom coração, sempre deixava que os moradores menos favorecidos das redondezas colhessem uma parte dos frutos antes de seus empregados. E aqueles quatro garotos, cada um com sua própria cesta, queriam ser os primeiros a chegar.

Saga e Kanon, os gêmeos e mais velhos, conseguiam alcançar as frutas mais vistosas no alto, enquanto Aiolos, o do meio, ajudava seu irmãzinho menor, Aiolia, que não conseguia alcançar os galhos que tinham mais pêssegos. No fim, todos se ajudavam e sempre saíam com as cestas cheias e pesadas.

-A mamãe vai fazer uma torta bem grande e um monte de doces com esses pêssegos, não vai Olos?

-Vai sim, Olia... Vocês dois podiam passar em casa mais tarde, para comer! O que acham?

-Eu com certeza vou! – Kanon falou, com a boca cheia de água – E o Saga também, né?

O garoto assentiu, aproximando-se de Aiolos. Então, tirou de sua cesta algumas frutas e quis colocar na do amigo.

-Se vamos comer na sua casa, tia Diana precisa de mais frutas. Não é justo só levarmos a boca e o estômago.

-Saga, vocês sabe que não precisa. E, além disso... – Aiolos o encarou com um certo pesar – Eu sei que esses pêssegos farão falta para vocês.

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-Inspetor? – um jovem policial o despertou de suas lembranças – Tem dois rapazes na recepção que querem vê-lo. Disseram que são oficiais transferidos de Chicago para cá.

-Ah, sim, mande-os vir, por favor.

Enquanto aguardava os dois entrarem, pegou uma cadeira na mesa ao lado e a colocou junto de outra em frente à sua mesa. Mal se sentou, os dois rapazes foram trazidos até ele pelo outro policial. Eram jovens, talvez mais do que Aiolia e Mu por suas feições. Um dele, loiro de olhos azuis, o cumprimentou com um leve aceno ao passo que o outro, de cabelos levemente esverdeados e grandes olhos* castanhos, e ligeiramente mais alto, estendeu a mão para o inspetor.

-Inspetor Aiolos Kinaros? – ele assentiu, aceitando o cumprimento – Sou Isaak Korhonen e este é meu parceiro, Hyoga Alexei. Viemos da polícia de Chicago.

-Eu soube, meu capitão conversou comigo e me informou que farão parte da minha equipe de trabalho. Trabalharam em investigações contra a máfia na cidade?

-Sim, fizemos parte de uma força-tarefa para este fim – Hyoga disse, sem qualquer mudança em sua expressão – Porém, algumas "peças" da equipe precisaram ser deslocadas para outros trabalhos, e nós decidimos que seria melhor mudar de ares.

-Entendo... Bom, sejam bem vindos e... – Aiolos viu o irmão e o parceiro chegando e fez um sinal para se aproximarem – Aiolia e Mu, conheçam os senhores Hyoga e Isaak. Foram transferidos de Chicago para cá e irão nos ajudar nas investigações sobre a máfia e os negócios dos Stravos.

Ambos os cumprimentaram e então Aiolos voltou a falar, para colocar os novos colegas a par de toda investigação até o momento.

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Assim que chegou ao escritório da promotoria, Saori foi recebida pelo promotor Shaka. Havia muito trabalho a ser feito, ela logo concluiu ao ver a pilha de papéis e processos na mesa do rapaz.

-Precisamos reorganizar estes processos, fazem parte da investigação sobre a máfia aqui na cidade... – ele explicou, entregando a ela algumas pastas – Nossa investigação, em conjunto com a polícia, sofreu um revés recente e precisamos pensar qual direção seguir por agora.

-Entendo... Até o momento, em qual direção as investigações seguiram, Sr. Divendra?

-A maior parte da informação recebida através de nossos informantes foi sobre as rotas de tráfico de drogas que a família Stravos supostamente utiliza para escoamento e venda de sua produção.

-E quanto a outros tipos de negócios? Geralmente estas famílias trabalham com ramificações que lidam com prostituição e jogos de azar.

-Sim, suspeitamos disso também, mas ainda não encontramos nenhum indício a respeito.

"Um caminho interessante a seguir...", a jovem pensou, voltando sua atenção para as pastas que Shaka havia entregado para organizar.

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A verdade é que não dormiu a noite inteira. Quando não era Shura só de toalha tomando conta de sua mente, era o convite de Violet para o almoço. O que ela poderia querer com ele? Poderia não ser nada, mas Ed estava realmente preocupado com o almoço, tinha certeza de que a noiva de Saga tinha algo de ruim para lhe falar.

"Eu sabia que não deveria ter aceitado esse trabalho...", pensava, enquanto tirava o pijama para tomar um banho, estava tão quebrado pela noite de insônia que somente lavar o rosto não adiantaria de nada. Por um bom tempo, ficou debaixo do chuveiro só sentindo a água quente cair por seu corpo, os braços cruzados na altura do peito e cabeça baixa. "O que vou fazer? Fugir do convite não adianta, ela vai insistir e é capaz e colocar o Saga no meio para me obrigar a aceitar outro...".

Terminou o banho e sentou na cama, ainda de toalha. Não quis tomar o café da manhã, estava sem fome. No fim, queria que fosse logo meio-dia para se livrar daquele almoço!

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No apartamento de Afrodite, o sueco já tomava seu café da manhã na varanda, quando Máscara da Morte se juntou a ele. Dando um beijo de bom dia, sentou-se, se serviu de uma xícara de café e pegou o jornal do dia para ler.

-Está pronto para lidar com os advogados que tanto ama, Giovanni? – perguntou ao italiano calmamente, apenas para vê-lo grunhir e arquear uma sobrancelha.

-Merda... Eu tinha me esquecido que tratar de contratos com nossos parceiros implica em tratar com esse povo... Odeio advogados...

-Eu sei, carcamano... Vai ter que aprender a controlar esse ódio todo a partir de agora, ou já vai começar em suas novas funções perdendo.

-Fazer o quê... – ele deixou o jornal de lado e pegou uma fatia de bolo de laranja – Acha que o Saga vai conseguir viver uma aposentadoria tranqüila?

-O que quer dizer com isso?

-Que ele não vai querer voltar à antiga vida... Ou alguém não o deixe em paz e o persiga.

-O tempo que ele ainda terá na transição dos negócios vai servir para se "livrar" de todo aquele que tentar impedir a nova vida dele, Giovanni. E quanto a sentir falta da antiga vida, pode até ser... Mas ele terá a Violet ao seu lado, ela não vai deixar uma vida confortável e dentro da lei para se meter em algo errado.

-Saga teve sorte em encontrar uma mulher que sabe o que quer e o mantém com um pé na legalidade.

-E quanto a nós? Não tivemos sorte em encontrar um ao outro? – Afrodite questionou, levemente irritado.

-Nós? Ora, Dite... – Máscara falou, levantando e ficando em pé na cadeira atrás do namorado – Nós somos dois fudidos que não pretendem largar essa vida. Isso é sorte?

-Pode até não ser, mas também não chamaria de azar... – o sueco devolveu, puxando o queixo do italiano para baixo para lhe dar um beijo.

-Sr. Afrodite? – o mordomo apareceu na varanda – O Sr. Gonzalez está no escritório, para vê-lo.

-Peça ao Shura que venha tomar café conosco, aqui na varanda.

-Mal o Saga falou sobre como será a transição e vocês já estão se reunindo para negócios?

-A roda não para de girar, meu querido...

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Meio-dia. Como combinado, lá estava Edward no Phaternom, por alguns minutos ficou parado na calçada em frente, respirando fundo diversas vezes antes de entrar de vez. Assim que foi para o balcão, o gerente o levou até a sala da administração, onde Violet já o aguardava com o almoço servido.

-Obrigado pelo convite, Srta. – Ed disse, gaguejando um pouco e beijando a mão de Violet. Ela sorriu para ele.

-Não precisa me agradecer... E, por favor, me chame apenas de Violet.

Edward assentiu e então tomou seu lugar á mesa, decidido a falar alguma coisa somente quando Violet perguntasse alguma coisa. Se ela não abrisse a boca, melhor ainda, faria ele o mesmo. Porém, não deixou de notar que ela o encarava o tempo todo, desviando seu olhar apenas quando ia cortar algum item do prato servido ou servir-se de mais suco. Sem ter coragem de sustentar o olhar, o rapazinho ficou a maior do almoço de cabeça baixa.

-Então Ed... – ela resolveu falar e foi inevitável uma careta de desagrado por parte dele – Eu gostaria de saber um pouco mais sobre você. Lembro que naquela noite em que esteve aqui, falou sobre sua família, mas foi tão breve. Poderia me contar um pouco mais sobre eles?

-Bom... Eu... Eu não conheci meu pai, ele deixou minha mãe quando eu era um bebê ainda e meu... Minha irmã tinha 5 anos... – Ed falou apressadamente, como se consertasse um erro em sua fala – Ela se chamava Anne, mas também não tenho muitas lembranças dela, trabalhava tanto que mal a via durante o dia...

-E sua irmã? Como se chamava?

-Melinda, era ela quem cuidava de mim, com a ajuda de algumas vizinhas do cortiço onde morávamos. Foi assim até meus sete anos, quando minha mãe morreu. Disseram que foi tuberculose, eu não me lembro bem...

-Uma doença terrível, houve um surto há alguns anos em nosso país... – Violet falou, para que a conversa não fosse um monólogo – Minha mãe também foi uma vítima fatal.

-Eu sinto muito, Violet...

-Já faz algum tempo, mas obrigada... Agora, me diga, você e sua irmã eram duas crianças, como sobreviveram sozinhos?

-Ninguém se importa com os mais pobres, senh... Violet. Tínhamos os vizinhos do cortiço que ajudavam com algumas coisas, mas se estávamos sozinhos ou não, não era importante. Melinda tinha 12 anos na época e começou a trabalhar na rua, de vez em quando eu ia junto para ajudar. Mas ela também se foi e eu fiquei sozinha de vez aos 14 anos.

Violet sorriu, discretamente, Ed estava tão envolvido nas lembranças que contava que não percebeu o erro que cometera. Pegando seu copo, a mulher levantou-se da cadeira e foi até o rapazinho, que fez menção de se levantar, mas ela o deteve. Calmamente tomou o que restava do líquido em seu copo e então pousou sua mão direita sobre o ombro de Edward.

-Sabe, eu não duvido que esteja falando a verdade sobre o que aconteceu com seus pais, é uma dor muito grande para fingir assim, de maneira que soe natural... Mas existe um ponto na sua história que me intriga, Ed...

-Do-do que est-tá falando, Viole-et?

-Tem certeza de que se tratava de uma irmã mais velha?

Nervoso, Ed pegou seu copo para beber mais suco, mas quase se engasgou com o líquido. Tentou pensar em algo, dar uma desculpa para ir embora, mas o medo o deixou pregado na cadeira.

-Olhe para mim, Ed... – Violet pediu e como ela estava em pé ao seu lado, o rapazinho teve que erguer a cabeça para fazê-lo. Então a mão que estava no ombro dele foi ao queixo, segurando-o com firmeza. Ed tremia, não conseguia mais esconder.

-Sabia que, além de "questões" que estão na intimidade das pessoas, existem outras características físicas que diferem homens e mulheres? Por exemplo... – Violet deslizou a mão do queixo para o pescoço de Edward – Como consegue esconder seu pomo de adão, Ed? Eu não o sinto em seu pescoço...

Imediatamente ele levou uma das mãos ao pescoço, tenso. Violet voltou a puxar o queixo para si, mas desta vez seu olhar não era nada amigável.

-Eu estou te dando a chance de me contar a verdade, antes de fazê-lo para o Saga e os demais. Reze para que eu acredite e simpatize com o que vai me dizer, ou do contrário terá sérios problemas...

Violet voltou a se sentar em sua cadeira, encarando o rapazinho. Ed ficou longos segundos em silêncio, até sentir que lágrimas estavam se formando em seus olhos castanhos. Pegando o guardanapo, ele as secou e começou a falar, sem ter coragem de levantar a cabeça.

-Eu... Edward era... Era meu irmão, mais velho. Meu nome... Eu sou Melinda Grant, senhorita... Me desculpe, eu não quis fazer nenhum mal, eu só quis...

-Até mesmo um gesto bem intencionado ou inocente pode causar o mal, Melinda... – Violet a chamou pelo verdadeiro nome, falando de maneira firme - Mas o que disse ainda é pouco para entender o que fez e por qual motivo.

-Sobrevivência, senhorita. Diga-me, como uma garota de 14 anos poderia sobreviver sozinha nesta cidade? Sem família, estudo e sendo pobre?

-Bem... – Violet ponderou por um momento – Só consigo pensar em prostituição. Ou, com alguma sorte, como empregada na casa de alguma família que não abusasse de sua condição.

-Exatamente e eu... Eu não tinha coragem ou estômago para a primeira alternativa, até tentei a segunda, mas não tive a sorte que a senhorita citou. Então, só me restou fazer... Fazer essa loucura dar certo. Eu sempre fui magrelinha, minha voz é um pouco grossa e rouca ao natural e eu e Ed, nós... Nós sempre fomos muito parecidos, então pensei que ninguém notaria o que estava fazendo. Passei a usar suas roupas e documentos e agir como ele, até fui embora para outro cortiço onde ninguém me conhecia.

-E começou sua nova vida como Edward... Eu não entendo como ninguém nunca percebeu, como conseguiu viver por mais de 5 anos assim?

-Como lhe disse, ninguém se importa com os mais pobres. Eu precisava apenas fazer o trabalho que conseguisse arranjar bem feito e pronto, ninguém me fazia perguntas, ou mesmo olhava para minha cara.

-Mas então veio a proposta feita pelo Saga, o que certamente colocou seu disfarce em risco. Por que aceitou o trabalho com os Stravos?

-Acredite, eu pensei nos riscos, mas... Eu sou apenas o mensageiro, não estou com eles o tempo todo, senhorita... Eu sei que cometi um erro ao não contar a verdade, mas... A senhorita sabe o que é ter que sobreviver com um dólar, ás vezes até menos, por dia? A necessidade sempre fala mais alto...

Violet ia falar algo, mas aquela última frase a pegou em cheio, ficando em silêncio. Ed, ou melhor, Melinda secou mais algumas lágrimas e então finalmente levantou a cabeça. Tinha medo do que viria pela frente, a partir de toda sua confissão.

-A senhorita vai... Vai contar ao Saga sobre mim?

-Eu deveria, Melinda... – Violet suspirou – Mas não vou. É você quem deve fazer isso. E isso tem que ser feito o quanto antes.

-Eu sei...

-Olhe... – Violet voltou a se levantar e ir para perto da jovem, novamente colocando a mão em seu ombro – Por mim eu a levaria agora mesmo ao apartamento do Saga para contar toda a verdade a ele, mas eu... Bem, eu sei que você precisa do seu tempo para organizar seus pensamentos para poder então contar tudo. Apenas não demore a fazer isso.

-Obrigada, senhorita.

-Violet, por favor... Eu já lhe disse que pode me chamar pelo nome... – ela disse e então, fez algo que deixou Melinda desnorteada.

Violet a puxou para cima pelos ombros e a abraçou com força. E, com a cabeça apoiada no ombro direito da mulher, Melinda acabou se deixando levar e chorou novamente, até soluçar. No fim, Violet ponderou, aquela jovem era uma menina ainda, que precisava de apoio e direção.

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Na central, Aiolos havia deixado o irmão e o parceiro explicando a rotina do trabalho para Hyoga e Isaak e saiu sozinho para o almoço, já estava com dor de cabeça de tanto se debruçar sobre as fichas de Saga, Kanon e seus parceiros mais conhecidos e não encontrar uma brecha que fosse para ir atrás de todos.

Ainda era difícil aceitar que os melhores amigos de infância tinham se tornado criminosos no tempo que separava a ida de sua família para a América e o reencontro na cidade, anos depois... Infelizmente, tinha que ponderar, a vida não entregava as mesmas oportunidades a todos.

Tão pensativo estava que não percebeu que, no sentido contrário, um rapazinho vinha apressado pela rua. Tinha acabado de sair do Phaternom e queria ir o mais rápido possível para o hotel onde estava hospedado e passar o resto do dia trancado, sem ver ninguém. Até mesmo se Shura ou Saga o chamassem, iria dispensá-los com alguma desculpa. A trombada acabou sendo inevitável.

-Desculpe, garoto, não te vi... – Aiolos apressou-se em dizer, percebendo que batera com força em alguém – Se machucou?

Não, eu estou bem... – Melinda levantou o olhar, segurando o ombro que havia batido no rapaz. E ficou sem fala ao ver que se tratava do policial de olhos verdes que vira outro dia na confeitaria.

-Tem certeza? Está segurando seu ombro...

-Foi o susto, senhor, obrigado por se preocupar.

-Está bem... – Aiolos sorriu e então encarou o "rapazinho" – Você é o garoto da confeitaria, não? Melhor verificar se não deixou cair seu dinheiro novamente, com essa trombada que demos.

-Po-pode deixar, está aqui no meu bolso. Com licença, eu preciso ir embora...

-Claro... – O rapaz deu-lhe passagem, mas quando Melinda passou por ele, a deteve por um breve momento – Espere, como se chama?

-M... Edward, senhor... – quase soltara seu verdadeiro nome – Por que quer saber?

-Me desculpe a intromissão, mas você não me parece bem... – ele notara o nervosismo na voz do outro – Tem certeza de que não precisa de ajuda?

-Tenho sim, obrigado, eu... Eu preciso mesmo ir.

-Está certo, mas tome aqui... Fique com meu cartão, se precisar de algo, pode me procurar.

Melinda assentiu e saiu o mais depressa que pode de perto do rapaz. Aquele sorriso e os olhos verdes... Meu Deus, eram tão lindos aqueles olhos...

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-Veja isso, Shun... – Ikki entrou pelo escritório, com um papel em uma das mãos – Fomos convidados a conhecer um dos cassinos de nossos novos parceiros, esta noite.

-Deixe-me ver... – o mais novo pegou o papel, era um convite assinado por Shura Gonzalez – Eu não poderei ir, mas porque não aproveita o convite? Quem mal há em uma noite de diversão?

-Mas claro que irei, Shun... – Ikki respondeu, guardando o convite no bolso da calça – Não se esqueça de mandar lembranças minhas à June e as crianças do abrigo.

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Ao final do dia, quando a noite já havia caído, Ikki deixou o escritório já de banho tomado e roupa trocada e foi para a rua, conferindo o endereço que estava no convite enviado por Shura. Não percebeu que era observado por um jovem rapaz, que ocultava seu rosto com um chapéu em um lugar de pouca luz.

Mais do que apenas observar, o rapaz passou a seguí-lo...

-Seja bem vindo, Ikki! - Shura o recebeu no pequeno prédio onde funcionava a casa de jogos. Era um local onde, na torre da frente havia diversas salas comerciais e escritórios, ligada por um corredor a outra torre onde, supostamente, ficavam estoques, arquivos mortos e afins.

Quando entraram no local, todo o espaço era ocupado por dezenas de mesas, com os mais variados tipos de jogos de azar e garçons serviam bebidas, a maior parte delas proibidas oficialmente no país.

-A sua diversão aqui esta noite será por conta da casa, Ikki... Fique à vontade! – enfatizou Shura, entregando ao rapaz uma pequena caixa de madeira com fichas de pôquer, dinheiro e cartas.

Do lado de fora do prédio, na calçada oposta, o rapaz que o seguira fazia anotações em um bloco. Então, rapidamente, ele foi para o beco que ficava na lateral, observando todo o entorno. Ágil, ele alcançou a escada de emergência e subiu até a primeira plataforma, observando a rua que ficava do outro lado do muro no fim do beco, voltando a fazer anotações.

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Continua...

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E aqui temos o segredo de Edward, na verdade Melinda, descoberto! Esta foi uma das primeiras cenas que esbocei quando tive a ideia da fic, eu realmente amo como será a relação entre ela e Violet daqui para frente... Mas, obviamente, esse segredo não será eterno, ainda mais que nossa "mensageira" está toda confusa com Shura, e agora Aiolos também, em sua vida... Palpites sobre quem descobre primeiro e, principalmente, como o personagem irá reagir?

Neste capítulo, Isaak teve um segundo *, desta vez colocado porque decidi não incluir na fic a sua cicatriz no olho, na verdade fiquei pensando em como ela se encaixaria, mas desisti, talvez em uma próxima...

Reviews!

Gemini Thai, acho que agora que sabemos quem Ed é, talvez ele/ela agarre o Shura...

Revenge of Queen Anne, talvez a Violet possa contar ao Shura, ao invés de nós... Já adianto que ele não irá descobrir por causa das ninfas do Dite, porque uma cena assim na minha cabeça seria muito pastelão, não rola...