Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Antes de qualquer coisa, atualização playlist da fic, desta vez com as canções que me ajudaram a desenvolver o BG de cada personagem que possui mais destaque na fic!
"A mi edad", Tiziano Ferro para Máscara da Morte
"A mi manera", Il Divo para Shura
"Winter Bird", Aurora para Afrodite
"The god that failed", Metallica para Kanon
"Bleeding me", Metallica para Saga
"Where the streets have no name", U2 para Aiolos
"A change is gonna come", Aretha Franklin para Violet
"Eleanor Rigby", The Beatles para Melinda
E aqui vamos nós, agora que a casa começou a cair, qual será a estrada que nossos dourados vão seguir?
-x-x-x-x-x-
Capítulo IX
-x-x-x-x-x-
Shura estava tão transtornado que simplesmente saiu a esmo da casa, parecia não saber que direção seguir ou mesmo o que fazer. Passava as mãos de maneira nervosa pelos cabelos, praguejando em espanhol e inglês, parecia até que tinha se esquecido de que não estava sozinho.
-Shura... Shura... – Melinda tentava chamá-lo, sem sucesso. Até que pousou uma das mãos sobre o ombro do rapaz, para fazê-lo parar e olhar para ela – Shura!
Mas a resposta dele foi um tapa forte sobre a mão em seu ombro, que quase fez a garota se desequilibrar e cair. Foi então que o espanhol parou por um instante, respirando fundo. Estendendo a mão para Melinda, ele a encarou.
-Desculpe, Ed, você não tem culpa do que aconteceu... Precisamos de um táxi, vou te deixar no hotel e então vou ao apartamento do Saga.
-Tudo bem, Shura... Só fique calmo, por favor.
-Pode deixar... Só tenho pena por você, mas voltaremos outra noite para que possa se divertir com as ninfas do Afrodite.
Melinda revirou os olhos, mas nada disse. Pelo menos para alguma coisa aquela situação toda tinha servido e provavelmente, ganharia alguns dias de "folga" daquela obsessão do espanhol com as ninfas. Pouco depois, estavam no táxi de volta ao hotel onde ela se hospedava. Foi então que algo aconteceu, que deixou a ambos um tanto constrangidos.
Quando foi se despedir de Shura, ambos ainda no banco de trás do táxi, o veículo deu um pequeno tranco para frente, o freio de mão* não estava totalmente puxado. Com o susto, Melinda caiu sobre o rapaz, que tentou segurá-la. Quando ela levantou a cabeça, foi que percebeu o quanto seus rostos estavam próximos, a sua respiração ficou mais pesada por um instante, e os olhos fixaram-se nas íris negras de Shura, percebendo pela primeira vez que possuíam um brilho esverdeado. O olhar do espanhol, por sua vez, se dividia entre as orbes castanhas e a boca, parecia confuso. O que significava aquilo, exatamente?
-Eu... – Melinda disse, afastando-se para sair do carro – Boa noite, Shura...
-Boa noite, Ed...
Saiu depressa e logo entrou pelo saguão do hotel, perturbada. O que afinal quase acontecera ali no táxi? E por que sua respiração ainda não havia voltado ao normal?
-x-x-x-x-x-
No apartamento dos gêmeos, o clima era, no mínimo, tenebroso. Saga estava sentado em sua poltrona, com os braços apoiando o queixo, pensativo, enquanto Kanon estava na janela, observando o movimento quase inexistente das ruas no entorno. Máscara da Morte andava de um lado a outro, quase deixando Afrodite tonto. O sueco aparentemente era o mais calmo, mas por dentro, sua mente fervia em pensamentos. E então finalmente Shura chegou, com a cara amarrada e prestes a explodir de raiva.
-O que aconteceu no Brooklin, afinal?
A pergunta, quase um grito, fez com que Saga se remexesse na poltrona. Ele indicou ao espanhol que se sentasse, o que Shura fez mesmo não querendo.
-Foi uma diligência policial realizada esta noite, comandada por Aiolos. Ele e seus homens invadiram o cassino com diversos mandados de busca e apreensão, efetuaram prisões também. O local foi lacrado, alguns poucos funcionários conseguiram sair, mas a maioria foi pega.
-Isso só pode ter sido uma denúncia! E provavelmente feita por gente nossa... – Kanon finalmente disse, voltando-se para os demais no escritório – Precisamos descobrir quem foi.
-E eu juro que acabo com o maledeto com as minhas próprias mãos...
-Felizmente... – Saga retomou a palavra – Você não estava lá, Shura. Há como provar que aquele cassino tem ligação com a nossa família?
-Absolutamente... – o espanhol remexeu-se na poltrona – Não deixo nenhum documento de contabilidade ou o que quer que seja nos escritórios dos cassinos. Não encontrarão nada que comprometa a qualquer um de nós. E, mesmo que algum funcionário preso abra a boca, não terá como provar o que diz.
-Ótimo! Infelizmente não conseguiremos contabilizar nossa perda logo, levaremos alguns dias para isso... Máscara, quero que cuide de investigar quem foi que denunciou a localização do cassino.
-E quanto à polícia? O que faremos?
-Nada, Afrodite... Eu já disse que ninguém toca nos irmãos Kinaros e seus homens. Deixe-os por minha conta.
Ainda conversaram por mais algum tempo, até que madrugada alta, Saga dispensou a todos. Shura, Afrodite e Máscara da Morte desceram juntos para o térreo, os dois últimos entraram no carro do sueco, o motorista os estava guardando. Já o espanhol preferiu seguir o restante de sue caminho a pé, não morava tão perto, mas estava de cabeça tão quente que precisava pensar e para ele, nada melhor do que caminhar para isso.
Não que pensasse que os negócios da família Stravos jamais sofreriam algum tipo de golpe, sabiia que a sorte não sorria o tempo todo, algum dia algo certamente aconteceria. Mas porque tinha que ter sido justo com os negócios que ele cuidava? E justo quando Saga estava planejando sua aposentadoria, delegando maiores responsabilidades a todos? Que merda... Chutou uma pedra no meio da calçada e o pensamento deu uma volta, tomando outra direção. A queda tinha que ter sido justo naquela noite? Estava tudo correndo bem na casa de prostituição, ou quase... Edward estava nervoso demais, claramente não queria estar ali, naquele lugar. Shura deu risadas sozinho, não se lembrava de ele próprio ter ficado tão nervoso quando esteve com uma mulher a primeira vez.
Aliás, aquele comportamento estava incomodando Shura, na realidade. Edward não parecia apenas desconfortável ou tímido, ele pareceu de fato não querer tocar em Pandora. E, para completar, aquela cena ocorrida no táxi quando foi deixá-lo no hotel. Shura se lembrava perfeitamente do olhar do garoto e de como estava perto, muito perto. E de como ele próprio sentiu seu corpo reagir. Sim, porque havia claramente sentido aquele leve arrepio pela espinha que geralmente antecede um beijo.
Beijo? O espanhol estancou o passo, um tanto exasperado. Como assim, um beijo? Ele teve vontade de beijar Ed naquela situação? Não, era maluquice, ele gostava de mulheres, disso tinha certeza... Mesmo? Pronto, para que pensar naquilo, para que aquela dúvida? Já não tinha problemas o suficiente para aquela noite? E por que justo com um... Garoto. Mal saído da adolescência, que com certeza não fazia ideia do que seria um relacionamento entre homens, embora Máscara da Morte e Afrodite não escondessem o seu de ninguém da família.
Merda. O que faria para afastar aquele pensamento idiota de sua mente, agora?
-x-x-x-x-x-
Estava cansado, exausto e até meio sujo, mas extremamente satisfeito com o resultado da diligência. Quando finalmente as últimas fichas foram feitas e as pessoas que faltavam presas, Aiolos pôde se largar em sua cadeira e mesa, tendo alguns minutos de descanso antes de ir para casa. Na mesa em frente, Aiolia e Mu já juntavam suas coisas para ir para casa, ambos também satisfeitos.
-Você vem também, Olos?
-Daqui a pouco, Olia... Vou só assinar os últimos relatórios das prisões efetuadas e então irei embora.
-Está certo... O promotor virá pela manhã para verificar as provas que coletamos e as prisões?
-Sim, Mu, mas quem irá recebê-lo será o capitão, nós teremos ao menos a manhã de folga.
Despedindo-se com um aceno, os dois rapazes deixaram a central e foram para casa. Hyoga e Isaak também se retiraram pouco depois, e Aiolos foi o único de sua equipe que ficou no local. Alongando os braços para cima, parou por um instante, pensativo. Qual seria o próximo passo a seguir?
-x-x-x-x-x
Os acontecimentos da noite anterior simplesmente não haviam deixado Melinda dormir. Sua mente parecia um carrossel de pensamentos desconexos, que ora se dividiam por sua atenção, ora se misturavam de tal maneira que a jovem não sabia distinguir o que era real do que era imaginação. Mas entre todos, um pensamento se destacava e praticamente ganhava vida, pois os efeitos que causava em seu corpo eram bem reais.
A despedida de Shura, no táxi. O rosto másculo tão próximo, os olhos negros que ela nunca tinha reparado que possuíam aquele brilho esverdeado. A boca, que tinha certeza deveria ser quente... Na sua mente, quando ela tentava se desculpar e sair do carro, o espanhol a puxava para junto de si e a beijava e de tal maneira que sentia seu corpo todo aquecer, tanto em sua imaginação como na realidade.
Estava confusa, sem saber o que fazer, precisava... Sentiu que precisava conversar com alguém, não sabia definir o que estava acontecendo consigo mesma. Meio hesitante, mas de certa forma decidida, trocou de roupa e saiu do hotel, com destino certo ao Phaternom.
-Com licença... A Srta. Saint-Jhon está? Preciso falar com ela...
Pouco depois, o recepcionista permitiu a entrada de Melinda na sala da administração, onde foi recebida por Violet com um sorriso nervoso. Certamente estava preocupada com o ocorrido no cassino.
-Tem algum recado do Saga para mim, Melinda? – ela perguntou, pedindo que a garota se sentasse. Era estranho ouvir outra pessoa dizer seu nome, ela pensou.
-Na verdade... Na verdade não, Violet, eu... Queria conversar com alguém, e só posso fazer isso com... Com você...
-Algo me diz que é sobre sua saída ontem, com o Shura... – Melinda arregalou os olhos, Violet a encarou – Ah, sim, eu soube... Saga me contou. Como foi?
-Foi... Quase foi um desastre... Fiquei tão nervosa que me tranquei por um tempo em um banheiro. Só não foi pior porque saímos de lá quando veio a notícia da diligência policial na casa de apostas... Mas aconteceu algo depois que... Que não sei o que fazer a respeito...
-O que aconteceu, Melinda?
-Quando fomos embora e o Shura foi me deixar no hotel, nós... Eu... – a garota torcia a boina entre as mãos, entre nervosismo e vergonha – Aconteceu um incidente, eu caí por cima dele e... Eu quase... Ele quase... Quer dizer, eu acho que foi isso...
-Isso o que, Melinda? Você está nervosa, tome aqui... – Violet deu a garota um copo de água, que ela bebeu todo de uma vez – Respire fundo para se acalmar e então fale.
-Eu acho que... Ele ia me beijar, Violet... E eu não sei como me sinto sobre isso...
Violet arqueou uma de suas sobrancelhas, um tanto incrédula com o relato de Melinda. A garota, por sua vez, baixou os olhos, envergonhada e confusa. Mas sentindo um certo alívio por ter dividido suas dúvidas e pensamentos com alguém, ao invés de guardar tudo para si. A outra mulher aproximou-se dela, puxando o queixo delicado para cima para que pudesse ver os olhos da garota novamente. Havia tanta incerteza neles.
-Shura sabe sobre você? Ou imagina, pelo menos?
-Eu acho que não, Violet, ou não teria me levado naquela casa ontem... Nem prometido que voltaremos lá um outro dia.
-Bem... Conscientemente ele não sabe, mas... Acho que de alguma maneira ele sente que há algo errado com você.
-Eu não sei o que fazer, Violet.
-Você tem que fazer o óbvio, Melinda. – ela disse, mas usando um tom ameno, quase maternal – Contar a ele quem você é. Talvez, por ser tão mais próximo de você do que os outros, ele te aceite e te ajude a contar ao Saga e os demais.
-Eu... Eu tenho medo de como ele pode reagir...
-Infelizmente, não temos como prever a reação do Shura quando lhe contar a verdade, mas... – Violet suspirou, segurando as mãos de Melinda entre as suas, como se a confortasse – Será muito pior para você continuar com essa mentira, não concorda?
Melinda concordou, baixando novamente os olhos. E então, para surpresa de Violet, a garota a abraçou com força, buscando algum tipo de proteção naquele gesto. A jovem mulher a abraçou de volta, apoiando o queixo no topo da cabeça de Melinda, com em leve sorriso.
-Só espere essa poeira toda baixar um pouco, a diligência policial ontem foi um golpe muito duro para todos, especialmente o Shura... Ele com certeza não está em condições de uma conversa séria como essa.
Melinda assentiu, concordando. E, algum tempo depois, deixou o hotel. Violet ainda ficou um tempo pensando sobre a conversa que tiveram, quando ouviu o gerente do hotel bater à porta. Disse um "entre" de maneira firme e então o rapaz, ruivo com ela, entrou pela sala, acompanhado de um outro rapaz de longos cabelos loiros e olhos azuis extremamente atentos e usando um terno cinza.
-Bom dia, Milo... Camus... – Violet os cumprimentou, indicando que se sentassem – Trouxe o documento que pedi para esta reunião, Milo?
-Está aqui comigo, já realizei a análise que me pediu, só precisamos discutir e analisar alguns termos, para segurança jurídica dos beneficiários.
-Certo... Quero aproveitar e acrescentar mais algumas cláusulas, se for possível.
-x-x-x-x-x-
Shura também não havia dormido, sua cabeça estava cheia de pensamentos e problemas, tentando contabilizar por cima suas perdas e os acontecimentos da noite anterior. Praticamente não se levantara do sofá, assim como também não se dignou a acender a luz quando começou a escurecer.
Já era começo de noite quando decidiu se levantara para tomar um banho e tentar relaxar, antes que sua cabeça explodisse de tanto pensar. Levantou-se do sofá e, quando pegou o blazer que havia jogado ao chão, sentiu um leve perfume feminino vindo do tecido. "Pandora", ele logo se lembrou da ninfa de Afrodite que... Imediatamente o fez se lembrar de outra pessoa que também estava presente naquele momento.
Edward. Lembrar-se do garoto acabou por fazer o espanhol recordar de outro momento, vivido naquela mesma noite. A despedida dentro do táxi, quando o rapazinho havia caído sobre si e ele tentou segurá-lo para que não se machucasse... E o gesto o deixara muito próximo, os rostos quase colados e aquele... Aquele arrepio que sentiu subir por sua espinha.
Merda! Shura largou o blazer no chão novamente, exasperado, praguejando em sua língua natal. Entrou logo no banho, quem sabe assim conseguiria relaxar de fato e esquecer aquela lembranças e as sensações que lhe causava, mas... Mas quanto mais sentia a água quente cair sobre seus músculos, deixando-os menos tensos, mais aquela cena se repetia em sua cabeça. Ele estava mesmo... Dios, estava mesmo sentindo aquele arrepio de volta, aquela vontade de... De beijar Edward?
Mas ele não era... Bom, não se considerava como Afrodite e Máscara da Morte, não tinha nenhum problema com o relacionamento dos dois amigos, porém ele próprio nunca tivera algo com um homem, nem mesmo vontade e agora... E justo por um moleque? Ah, não podia ser! Precisava tirar aquilo da cabeça, ou ficaria louco! Já não bastavam os problemas com o cassino?
Ao terminar seu banho, Shura havia tomado uma decisão. Trocou de roupa rapidamente e saiu de sua casa, decidido a tirar aquela história, aquela vontade estranha a limpo. Pegou um táxi e logo estava no hotel onde Ed se hospedava, foi direto ao balcão e pediu à recepcionista que ligasse para o quarto do rapaz. Uma, duas, três tentativas e o telefone somente chamava.
-Me dê a chave reserva! – Shura pediu, em um tom de voz de quem não admitia recusas, receosa a recepcionista obedeceu e lhe entregou a chave do quarto.
Shura subiu para o quarto e quando estava em frente à porta, ouviu o motivo de Ed não ter atendido às ligações, o chuveiro estava ligado. Por um momento pensando se deveria entrar ou não, Shura deu um passo para trás, passando as mãos nervosamente pelos cabelos arrepiados.
-Ah, que se dane! – disse a si mesmo, abrindo a porta.
Entrou pelo quarto quase na mesma hora em que ouviu o chuveiro ser desligado. Viu que as roupas do garoto estavam jogadas sobre a cama, assim com uma espécie de faixa, de tecido grosso e um tanto comprida, para que servia aquilo? Deu um passo na direção do banheiro e, neste momento, Melinda saía do cômodo, uma toalha enrolada no corpo e enxugando os cabelos com outra.
-SHURA! – ela gritou, quase caindo para trás, precisou se apoiar no batente da porta do banheiro pelo susto – O que... O que faz aqui?
O espanhol estava lívido, de boca aberta e olhos arregalados na direção da jovem. A toalha cobria seu corpo, mas ainda assim era nítido que havia algo a mais ali. Algo na altura do peito de Edward que não deveria, em tese, existir.
-Ed, você é... – Shura parecia incrédulo, balançando a cabeça nervosamente – Uma garota?
-x-x-x-x-x-
Continua...
-x-x-x-x-x-
*de acordo com uma breve pesquisa, os veículos da época não possuíam freio de mão, mas coloquei aqui uma "licença poética" para que a cena ficasse de acordo com o que imaginei.
Ah, meu Deus! E Shura descobriu o segredo de Melinda também! E agora, meu Deus... Como ele irá reagir? Como vai ser para a garota a partir desta descoberta? Bom, eu posso adiantar que não será nada fácil, não é porque um membro da família descobriu que tudo ficará bem para Melinda...
E não resisti a fazer um "revival" da cena em que Melinda visitou a casa do Shura, mas para ela o resultado não foi dos melhores agora...
Reviews!
Gemini Thai, exato, também acho que o Shura tem cara de safado, adoro por sinal! E você tinha razão, ele descobriu... Quanto ao pai dos gêmeos, você entendeu certo, ele sumiu antes de ser preso. O que aconteceu nesse tempo entre o sumiço e a ida para a América? Logo iremos saber também...
