Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

Vamos mudar de novo a estrutura? Reviews!

Gemini Thai, resistir ao Shura é tarefa hercúlea, já disse... Mas será que ele e Melinda ficam juntos? Não se esqueça que Olos também mexe com ela...

Revenge of Queen Anne, confesso que foi com tristeza que criei o BG da infância de abusos que Saga e Kanon sofreram, é muito doloroso trabalhar com algo assim... E, bom antes que não prestasse, a visita às ninfas deu muito errado. Assim como as coisas para a Melinda. É, eu sei que ela sofre demais, vamos creditar isso ao meu lado ficwriter masoquista! E eu amo a relação entre Violet e Melinda, assim como amo o "ship" ShuraxEdward... O que será que o futuro reserva para eles?

Músicas novas na playlist? Temos, todas do U2!

"New year's day", "Electrical Storm" e "Ultraviolet"

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Capítulo X

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Parada em frente ao espelho velho e manchado, Melinda mirava seu próprio reflexo com os olhos vermelhos e inchados de chorar. Fazia três meses que Ed havia morrido trabalhando no cais, e ela não tinha mais nenhum centavo para comida ou o que fosse. Precisava fazer algo urgente, ou do contrário logo estaria morta também.

Suspirou, penteando demoradamente os cabelos castanhos, que seguiam ondulados por seus ombros até chegar ao meio das costas, era como se despedisse deles. Então, pegando uma tesoura, a garota começou a cortar os fios.

Cerca de meia hora depois, o corte baixo igual a de um menino a deixara muito parecida com o falecido irmão...

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Melinda estava trêmula, assustada, nervosa... Intimidada. Não conseguia mover um passo para frente ou para trás, e segurava com força a toalha que lhe cobria o corpo, encarando Shura. O rapaz, por sua vez, parecia igualmente paralisado e totalmente surpreso, como se a situação toda fosse surreal demais para ser verdadeira.

-Você... – ele disse, por fim, ainda incrédulo – Você é uma garota? O que está acontecendo aqui, Ed?... Ou... Ou... Qual seja... Qual é seu nome... Verdadeiro nome?

A jovem não conseguia falar nada, nem mesmo mover um único músculo, só conseguia sentir que seus olhos estavam embaçados e cheios de lágrimas, era fato de que a qualquer momento iria desabar em choro e, provavelmente, no chão também.

-O que... O que faz... – ela tentou falar, mas sua voz quase não saía, as palavras todas sumiam de sua mente.

-RESPONDA LOGO MINHA PERGUNTA!

O grito de Shura foi seguido pela aproximação dele, o espanhol saiu de seu estado de paralisia e foi em direção à Melinda, até parar bem na frente da garota, segurando a borda da toalha que ela usava com força... Ela somente teve tempo de segurar a mesma com as duas mãos, antes que caísse no chão.

-Eu... Eu preciso... Me vestir, Shu-shura... Por favor...

Por um instante, o rapaz percebeu que ela tremia e chorava, e que era apenas uma garota, quase nua na frente de um homem, maior e mais forte. Soltando a toalha, ele recuou alguns passos até se aproximar da mesa que havia no quarto, virando-se de costas para Melinda e apoiando as mãos no encosto de uma das cadeiras.

-Vista-se logo... – ele disse, praguejando baixo.

A garota pegou suas roupas e vestiu-se o mais rápido que seu corpo todo trêmulo deixou. E então sentou-se na beirada da cama, de cabeça baixa, tentando controlar a respiração e também as batidas descompensadas de seu coração. Estava com medo, era fato. Ao perceber que não havia mais movimentação atrás de si, Shura tornou a se virar para Melinda, mas se manteve no mesmo lugar. Ficou por alguns minutos observando a jovem sentada sobre o colchão, aquelas roupas de menino agora lhe pareciam estranhas naquele corpo e... Mesmo nervoso, não poderia negar um certo alívio. Na noite anterior, tivera vontade de beijar uma garota... Ainda que não soubesse disso.

-E então? Vai responder minha pergunta ou vou ter que dar um jeito de arrancar a reposta de você? – ele disse, por fim, mas com um tom de voz tão duro que soava realmente ameaçador.

-Melinda, Shura... – ela disse, por fim, levantando a cabeça, o rosto estava todo molhado pelas lágrimas – Eu... Eu posso explicar tudo, eu...

-Ah, mas você vai mesmo me explicar tudo... – ele falou, cruzando os braços – Só não espere por piedade da minha parte.

-Shura, por favor...

-FALE DE UMA VEZ!

O grito nervoso fez com que Melinda se assustasse novamente, mas não havia o que ser feito. Tropeçando nas próprias palavras, a garota começou a contar para o espanhol a sua história.

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No Central Park, sentado em um banco parcialmente iluminado por um poste de luz, o mesmo rapaz que há alguns dias havia seguido Ikki até a casa de apostas parecia esperar por alguém. Embora aparentasse calma, a todo momento olhava para os lados, observando o pouco movimento de pessoas que passavam por ali, afinal, já era noite. Até que, ao mirar um vulto ainda um pouco distante de si, sorriu.

-Está um pouco atrasada... – ele disse à jovem que acabara de chegar, abrindo ainda mais o sorriso ao vê-la – Mas a espera sempre compensa, meu amor...

A jovem o enlaçou pelo pescoço e o beijou demoradamente. Após alguns minutos dedicados aos beijos e carícias, ambos se puseram a caminhar pelo parque, enquanto tratavam de outros assuntos entre si.

-Como foi com Pandora? – ela perguntou, enlaçando o braço que o rapaz lhe oferecia enquanto caminhavam.

-Correu tudo muito bem, ela foi contratada sem maiores problemas... É só uma questão de tempo até tudo que precisamos se ajeitar, então... Agiremos.

-Perfeito! Estive com o chefe há pouco, ele já decidiu qual será nosso próximo passo... Nós iremos atacar as rotas de tráfico de drogas. Ele pediu que fique atento para informar quando será o próximo transporte feito pelos irmãos Amamiya.

-Pode deixar, assim que tiver a informação correta e confirmada, tanto a polícia como a promotoria ficarão sabendo.

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O dia havia sido cheio na central, a diligência feita na casa de apostas tinha rendido um bom número de prisões e, com isso, advogados, familiares e um sem número de pessoas aleatórias circularam pelo local o tempo todo. Mas, apesar de cansado, Aiolos estava realmente satisfeito com o resultado do trabalho empregado. Tanto quer, ao invés de ir para casa naquela noite, decidiu jantar fora e, de certa forma, comemorar.

Já havia feito seu pedido ao garçom quando um outro homem sentou-se à mesa junto do inspetor, pegando o menu que ainda estava sobre a toalha e analisando os pratos servidos naquela noite.

-As massas daqui são realmente deliciosas... – ele disse, observando Aiolos por sobre o menu que segurava entre as mãos – Já fez seu pedido?

-Já sim. Se quiser me acompanhar, pedi o farfalle à putanesca, Saga.

-Traga o mesmo para mim, por favor. – Saga pediu ao garçom, que se retirou de maneira educada. Os dois homens ficaram então em silêncio por algum tempo, apenas se encarando.

-Até onde sei, você não costuma jantar fora durante a semana, Aiolos... – Saga disse, por fim – Alguma ocasião especial?

-Uma pequena comemoração, por um trabalho bem sucedido... Mas é claro que você já tem conhecimento disso.

Ambos não tiravam os olhos um do outro, tentando enxergar alguma mínima reação diferente, que mostrasse algum resquício de fraqueza ou o que quer que fosse, mas... Nada. Aqueles homens sabiam exatamente como se comportar na companhia um do outro, e exatamente o que dizer também.

-Como está a Violet? – Aiolos perguntou, mudando totalmente o rumo daquela conversa.

-Ela está bem, continua linda e encantadora... – um sorriso por parte de Saga – A pedi em casamento há poucos dias.

-Mesmo? Meus parabéns, Saga... Faço votos que sejam felizes, e que não cause algum tipo de mágoa ou tristeza sem volta na vida dela...

-Não farei isso... E quanto a você, meu amigo? Vai mesmo deixar Aiolia passar à perna em você e se "amarrar" primeiro?

-Como se eu me importasse com isso... – Aiolos riu e nesse momento o garçom trouxe a comida – Não sei se a vida de casado é algo que me atrai de fato.

-Está tão absorto em seu trabalho que não consegue tempo para si, ou para relacionamentos? Um homem não é uma ilha, Aiolos, em algum momento sentirá falta disso... Ainda mais você que sempre foi um rapaz muito ligado à família.

-Meu trabalho também me mantém ligado à "família", Saga.

-Sei disso... Assim como também sei que eu faria o que fosse preciso por essa "família"...

Aiolos apenas sorriu, voltando sua atenção ao prato à sua frente. Saga fez o mesmo e o jantar seguiu em silêncio...

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Reviver toda aquela história novamente era muito duro, difícil. Ainda mais com a postura inquisidora de Shura e seu olhar estreito, como se fosse explodir a qualquer momento. Melinda não chorava mais, parecia que toda lágrima tinha secado de seus olhos, mas ainda tremia muito. Estava certa que Shura não a perdoaria, nem mesmo tentaria entender o seu lado nessa história toda.

Quando terminou, ela finalmente teve coragem de encarar o espanhol, esperando pelo pior. Foram segundos de silêncio que pareceram horas, a garota mal respirava com medo de desagradar Shura. Então, ainda de cara amarrada, ele descruzou os braços e se encaminhou para a janela, observando o movimento da cidade com as mãos na cintura.

-Aquele vestido... – ele disse, por fim – Era pra vocês mesma, então?

-Sim... – Melinda se surpreendeu com a pergunta, ainda que o tom de voz dele fosse grave.

Ele continuou parado à frente da janela, um turbilhão de pensamentos e considerações se atracando em sua mente, deixando-o com dor de cabeça. Parecia não saber como lidar com tudo aquilo, principalmente estando puto com o ocorrido na noite anterior, as perdas financeiras com o fechamento do cassino, e agora... Agora aquela mentira toda.

-Você mentiu para mim, Melinda... – o tom de voz era ferino – Mentiu para o Saga, para todos em nossa família! Você tem alguma noção de como eles irão receber essa notícia? – ele soltou uma risada um tanto sarcástica – Máscara da Morte certamente vai querer ele mesmo dar cabo da sua vida.

-Eu... Eu sei disso... Eu pretendia contar tudo, mas aconteceu a batida policial no seu cassino, isso complicou meus planos...

-Iria mesmo contar, Melinda? Não sei se acredito em você... – o espanhol disse, saindo de perto da janela, voltando-se para a garota – Você é uma incógnita, garota, uma... Pode até mesmo ser uma traidora, uma informante da polícia...

-Não! – Melinda gritou, levantando-se da cama depressa – Isso eu garanto que não sou, Shura! Se já era arriscado mentir para vocês, imagine com a polícia no meio... Não, eu juro que não tenho nada a ver com eles...

Ela tentou se aproximar de Shura, mas o rapaz recuou um passo. Estava nervoso com tudo. Então, suspirando de maneira pesada, o espanhol caminhou até a porta do quarto, decidido a ir embora.

-Eu não quero ouvir mais nada de você, Melinda.

-Espere, Shura, por favor... – ela correu até ele, segurando-o por um instante – O que vai fazer? Me diga, por favor, eu...

-Eu não lhe devo satisfações, garota.

-Mas é da minha vida que estamos falando! – ela gritou novamente, estava nervosa também – Não pode me deixar no escuro, assim.

-Você saberá, Melinda... – ele disse, soltando seu braço das mãos da jovem – Mas até eu decidir o que fazer e como fazer, você ficará aqui no hotel, nesse quarto. Se eu souber que saiu para qualquer lugar, seja para o que for, as coisas não serão nada boas para você.

-Mas... Mas e se Saga ou um dos outros me procurar?

-Não irão, eu cuidarei disso... Apenas faça o que estou dizendo, para seu próprio bem!

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No escritório dos irmãos Amamiya, Shun e Ikki lidavam com a contabilidade dos negócios quando Seiya apareceu, com um largo sorriso no rosto. O mais novo dos irmãos parou o que fazia para receber o amigo, que sentou de maneira displicente na cadeira, apoiando os pés sobre o tampo da mesa.

-Educação passou longe... – Ikki disse, com seu habitual humor, sem tirar a atenção dos cadernos que analisava. Os outros dois rapazes apenas riram.

-Pelo seu semblante, Seiya, creio que tenha alguma boa notícia para nos dar.

-Exato, Shun... A entrega para os Stravos saiu do porto sem problemas, a carga já está a caminho da América Central no momento. Já podemos nos ater às próximas viagens.

-Ótimo! Vamos apenas esperar mais alguns dias, não creio que os Stravos estejam com cabeça para falar de negócios no momento.

-Está certo. Podemos aproveitar esses dias para fazer um estudo das melhores rotas para os próximos carregamentos.

-Precisamos também nos cercar de maiores cuidados... – Ikki falou, arqueando as sobrancelhas, denotando uma certa preocupação – A batida policial que fechou a casa de apostas pode ser um sinal de que a polícia está mais atenta e tem mais informações sobre os negócios da família.

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-Você tem certeza de que está bem para continuarmos com isso, Shura? – Kanon finalmente perguntou, ao notar que, pela quinta ou sexta vez, o espanhol não prestava atenção ao que ele dizia.

Shura estava no apartamento dos gêmeos, Kanon o havia chamado para informar de quanto tinha sido sua perda com a diligência e também para começar os trabalhos com as rotas de tráfico. O problema era que, desde que havia chegado, o rapaz parecia estar ali apenas de corpo presente, com a cabeça bem longe dali.

-Shura!

-Ah, o... – ele se voltou para o amigo, meio aéreo e ríspido – O que foi, Kanon?

-Eu é que pergunto! Nós estamos discutindo, ou melhor... Eu estou em um monólogo a pelo menos duas horas, mas somente para as paredes! Você não prestou atenção em uma vírgula do que disse até agora.

-Al infierno Kanon... – O espanhol disse, entre dentes – Não estou com cabeça para isso hoje.

-Mas temos que continuar... Os negócios não param, Shura! Não dá para ficar dias parado por causa de uma rasteira.

Shura bufou, mas sabia que o gêmeo tinha razão, sabia que a roda, como Afrodite gostava de dizer, não parava de girar. Pegou um dos cadernos de contabilidade de Kanon e se esforçou para demonstrar um mínimo de interesse, mas sua mente voltou a ficar longe. Para ser mais preciso, no quarto de hotel onde Ed... Droga, Melinda estava hospedada.

Ainda estava puto com a garota, mas pior consigo mesmo. Como que se deixara enganar assim? Aliás, toda a família... E agora tinha nas suas mãos o poder de acabar com aquela mentira, colocar tudo em pratos limpos e... E perder a chance de conhecê-la melhor e, quem sabe, entender de fato se aquela vontade que havia sentido do beijo tinha sido pela figura de Edward, ou de Melinda.

Foi então que, aos poucos, uma ideia do que fazer com aquela situação começou a tomar forma em sua mente...

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Naquele mesmo dia, em um hotel afastado de Mahattan, Pandora parecia esperar por alguém em um dos quartos. Era seu dia de "folga" na casa de Afrodite, mas não significava que ficaria de fato sem trabalhar. Apesar de que aquele encontro era muito mais prazer do que trabalho de fato...

Duas batidas na porta, ela abriu e o homem que havia chegado logo a enlaçou pela cintura, beijando-lhe os lábios de maneira lasciva e urgente. Entraram pelo cômodo, ele a empurrou de encontro à cama, afastando-se um pouco para tirar algo de uma sacola que trazia.

-O melhor uísque do estoque de bebidas dos Stravos... – ele disse, com algo que parecia um sorriso em sua face de traços fortes.

-Não esperava menos de você, amor...

Servindo a ambos, ele se sentou à cama com a jovem alemã, erguendo o copo sugerindo um brinde.

-Ao sucesso de nosso próximo passo rumo ao topo...

Brindaram e então Pandora o abraçou pelo pescoço, com um cara de quem tinha algo importante em mente. O homem a encarou com um ar de falsa surpresa, ela com certeza estava tramando algo.

-O que foi, Pandora? Alguma nova ideia para o sucesso de nossos planos?

-Estava pensando em algo que podemos fazer para que os Stravos não apenas percam dinheiro, mas também tenham seu nome envolvido de alguma forma com os negócios que serão "descobertos".

-Hum... Pela sua cara, sei que pensou em algo para que isso aconteça... Sou todo ouvidos.

-Ah, mein liebe*, toda família tem seu elo mais fraco, é só saber como fazê-lo se soltar da corrente... E eu acho que sei qual pode ser o deles...

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Continua...

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Ah meu Deus! Pandora ta no time do mal, abre o olhos sobre a sua ninfa Dite... E quem será o chefe e seus outros subordinados, que aparecerem neste capítulo? E quanto ao elo citado por Pandora... Calma, logo saberão, a coisa vai ficar tensa rapidinho!

E o que Shura está planejando fazer com a Melinda? Não sei se é exatamente boa coisa, vamos ver...

*mein liebe é "meu amor" em alemão