Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Bom, gente... Esse capítulo indica que a fic está na metade do percurso, talvez um pouco menos, e muito por isso podemos dizer que é um capítulo meio "atípico"... Como assim? Vocês entenderão durante a leitura, mais informações também nas notas finais.
Ah, outra coisa... Durante todo esse tempo eu fui colocando aqui para vocês as canções que fazem parte da playlist da fic, não é? Pois bem, este capítulo foi escrito ao som de algumas delas, se quiserem ouvir enquanto lêem, segue abaixo o esquema cena/canção.
Saga x Violet "Nobody does it better", Carly Simon
Máscara da Morte x Afrodite "In the air tonight", Nopoint
Shura x Melinda "Take a bow", Madonna
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Capítulo XI
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Embora estivesse preocupada e com muito medo do que Shura faria, o cansaço por não ter dormido bem em noites anteriores fez com que Melinda dormisse, mas não a noite toda, e não tão bem pois acordara com o corpo dolorido e cansado. De maneira lenta, quase displicente, fez sua higiene matinal e voltou para a cama, deitando-se e encarando o teto. Tinha sido assim desde que o espanhol saíra no dia anterior, o máximo que se permitiu foi sentar-se no chão da varanda em silêncio quando já era noite alta, abraçando os joelhos e apoiando a cabeça entre eles, tentando manter qualquer pensamento ruim longe de sua mente.
E, em um determinado momento, chegou até a conseguir tal feito... Quando, sem saber o motivo, os olhos verdes do inspetor Aiolos lhe vieram à imaginação, junto do sorriso que ele lhe dera quando trombaram na rua, após a conversa com Violet. Abraçou os joelhos com mais força, por um segundo pensando em como seria poder passar um tempo com ele, nem que fosse apenas falando sobre amenidades e outras pequenas bobagens, ele parecia tão gentil...
Ah, para que sonhar com algo tão estúpido? A sua realidade era uma grande bagunça, um apanhado de problemas sem alguma solução que tivesse o mínimo de decência... Tinha que se conformar, essa era a verdade. O sonho de uma vida tranqüila não havia sido feito para ela...
Eram tantos pensamentos ruins e desencontrados povoando sua mente que a garota não percebeu que passara a manhã quase toda sem se mover sobre a cama. O telefone tocando a despertou, virou-se de lado para atender o mesmo.
-Alô... Ah, entendi... Podem me trazer no quarto, por favor? – ela olhou para um relógio sobre o criado – mudo – Tragam o almoço também, por favor... Sim, o cardápio do dia... Obrigado.
Desligou o telefone e foi até o armário para trocar de roupa, precisava continuar a manter a "farsa Edward". Abriu uma das gavetas para pegar uma camiseta, mas não fechou a mesma de volta, ao contrário. Forçando um pouco, ela a tirou do armário e então pegou o pequeno pacote pardo que estava escondido ali, levando-o para a mesa. Despejou seu conteúdo sobre o tampo e então um longo suspiro se fez presente, enquanto Melinda pegava uma foto.
-Eu tenho tentado, Ed... – ela disse, observando o irmão na fotografia, tinha sido tirada alguns dias antes de ele morrer – Mas eu só tenho me metido em encrenca, principalmente nos últimos tempos... Você certamente está desapontado comigo... – pegou outra foto, ambos crianças sentados em uma escadaria – A nossa vida era difícil, mas tínhamos um ao outro... Eu ainda não entendo... Porque você teve que morrer?
Havia mais algumas outras fotos, seu documento de identidade como Melinda e... Um cartão de visitas, guardando com o mesmo cuidado que os demais itens.
"Tem certeza de que não precisa de ajuda?
-Tenho sim, obrigado, eu... Eu preciso mesmo ir.
-Está certo, mas tome aqui... Fique com meu cartão, se precisar de algo, pode me procurar."
-Aiolos Kinaros... Deve ser grego, com os Stravos... – ela sorriu por um breve instante – É tão bonito...
Pouco depois, ouviu baterem à porta. Guardando tudo de volta no armário, Melinda abriu a porta e o mensageiro do hotel deixou o carrinho do almoço no quarto e também uma caixa de papelão de tamanho médio, com um uma carta em nome de Edward sobre a tampa. Agradecendo o rapazinho, ela fechou a porta e então pegou a carta, reconhecendo de imediato a letra no envelope e nos escritos da folha de papel.
"Melinda,
Me espere hoje, às 20 horas, peça serviço de quarto para duas pessoas. E quero que esteja usando o que está dentro da caixa.
Não admito recusas de sua parte sobre esse pedido.
Shura"
Abriu a caixa e foi com um misto de surpresa e desconfiança que tirou de lá seu conteúdo... Era um vestido, parecido com o modelo que havia comprado dias atrás, mas este era vermelho, com estampas de folhagens em preto. O tamanho também era midi, de botões e cintura marcada, sem um cinto e a gola era em formato V. Uma faixa de tecido preto, um par de brincos vermelhos, um par de sapatos de saltinho pretos e uma outra caixa, menor, estavam junto do vestido. Quando abriu a segunda caixa, não sabia o que pensar. Ou como usar aquilo... Teria que treinar a tarde toda para não ficar parecendo uma palhaça e com um cheiro insuportavelmente doce.
Eram batom, pó e blush para o rosto. E um frasco de perfume.
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Havia finalizado há pouco uma nova reunião com o gerente do hotel e seu advogado. A documentação que estava preparando há alguns dias já estava completa e com o aval jurídico necessário. Só precisava agora definir datas e caminhos para colocar suas ideias em prática. Encostada de costas na porta do escritório, que havia acabado de fechar, Violet suspirou, observando demoradamente cada móvel, parede e canto do lugar. Certamente sentiria falta do Phaternom e da vida que tivera ali.
Guardou alguns papéis que estavam sobre a mesa nas gavetas e então saiu, indo para sua suíte, no último andar do edifício, que havia transformado em sua área privativa desde que Saga comprara o hotel. Ao sair do elevador, com a chave do quarto em punho, viu que o rapaz estava por lá.
- Eu ia te encontrar em sua sala, mas Camus me disse que já estava subindo, então resolvi te esperar por aqui. – ele disse, abraçando a jovem e beijando-lhe levemente os lábios macios.
-Esqueceu sua chave em casa?
-São tantos problemas para resolver que tenho deixado esses detalhes escaparem...
Ao entrarem pelo quarto, Saga tirou seu paletó e o pendurou em uma arara no canto da ante sala, tirando também sua gravata e afrouxando o colarinho da camisa. Violet tirou os sapatos de salto e se sentou na cama, massageando os próprios pés que estavam doloridos. Mas, ao ver o que a jovem fazia, Saga foi até ela e se ajoelhou à sua frente, tomando ele à frente do ato.
-Camus me disse que tiveram uma reunião com seu advogado hoje. – ele disse, para iniciar uma conversa, enquanto massageava os pés de Violet.
-Ah, sim... Pedi ao Milo que providenciasse uma documentação para mim, eu já... – um arrepio ao perceber que o rapaz havia lhe beijado o peito do pé – Já decidi o que farei com o hotel, só a execução da ideia é que demora um pouco mais a ser realizada.
-E o que decidiu?
-Milo vai cuidar da abertura de uma cooperativa cujos donos serão os funcionários do Phaternom... Vou deixar o hotel para eles, e Camus será o encarregado da administração.
-Eu imagino a satisfação e alegria de seus funcionários quando contar a todos os seus planos...
Violet sorriu e então empurrou Saga de leve para trás, para que pudesse se levantar e ir para o banheiro. Beijando o rapaz, ela passou a tirar sua camisa, ambos com os corpos colados caminhando em direção ao banheiro, onde a camareira já havia deixado a banheira pronta para uso. Despindo-se com cuidado, mas também uma certa pressa, ambos entraram na banheira, a água quente relaxando quase que de imediato músculos e nervos tencionados.
Saga encostou-se na borda, Violet se encaixou de frente para ele, ajoelhando-se entre as pernas do rapaz, apoiando-se em seus ombros enquanto o beijava, ao passo que as mãos dele se ocupavam das carícias ao longo das costas e nádegas da jovem mulher, aquele corpo era o que precisava para se esquecer de problemas e clarear a mente...
Deixou a boca vermelha para morder a orelha de Violet, descer os lábios pelo pescoço molhado, o colo que se acentuava conforme a jovem respirava em ritmo mais acelerado, os seios alvos que lhe cabiam tão bem nas palmas das mãos...
- Você gosta assim, agape mou*... – ele disse, mordendo de leve os bicos duros dos seios de Violet, segurando com firmeza o corpo dela em seus braços para se afastar da borda da banheira.
Quando Saga se posicionou mais ao meio da banheira, Violet se afastou por um momento para mudar sua posição, sentando-se ainda de frente para ele, mas enroscando suas pernas na lateral dos quadris masculinos. E, com a ajuda dele, iniciou uma deliciosa cavalgada, tão quente e intensa que suas mãos enroscadas nos cabelos negros de Saga puxavam os mesmos com força, os beijos eram tão ou mais molhados que aquele banho...
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Na grande sala principal de sua cobertura, Afrodite se ocupava de um de seus hobbies preferidos e ao qual se dedicava ao menos uma vez por semana. Ou quando precisava pensar muito, tomar alguma decisão ou espairecer de maneira urgente. Em cima de uma mesa que ficava próxima a uma das paredes, estavam cerca de 5 vasos de porcelana fina, diversos ramalhetes de rosas vermelhas e brancas e alguma pequenas ferramentas para jardinagem.
Um hábito que começara com uma forma de ganha pão, a princípio. O pai tinha sido jardineiro em Estolcomo, trabalhava para uma rica família que tinha laços com a família real sueca, passava horas cuidando do imenso jardim da mansão, com especial atenção às roseiras da matriarca da família e o filho único costumava acompanhá-lo no trabalho.
As rosas logo tornaram-se o principal interesse do garoto no trabalho, eram tão belas e perfumadas... Um interesse que, descobriu depois, compartilhava com um dos filhos do patriarca da família. E, das rosas para descobrir outros gostos em comum, até a fúria do pai por flagrar a ambos em momentos íntimos, foi uma montanha russa de emoções e dissabores.
Expulso de casa por ser quem era e como era, logo descobriu que sua beleza delicada e diferente para um homem poderia lhe abrir muitas portas. E, com um novo nome dado por um de seus "amigos" na nova vida que levava, alcançou dinheiro e poder. Migrar para a América, um lugar onde poderia desbravar novas oportunidades, foi um movimento quase que natural em sua vida.
Cortava com paciência e esmero o talo de cada rosa, uma por uma, em tamanhos variados para compor os arranjos que iriam embelezar sua cobertura. E assim estava, tão concentrado na tarefa, que somente percebeu não estar sozinho quando sentiu os braços fortes de Máscara da Morte em sua cintura, podia sentir o calor do corpo parcialmente desnudo do italiano sobre o tecido do robe que estava usando.
-Ainda não acabou quelle rose, Afrodite?
-Paciência é uma virtude, carcamano... – ele disse, apenas pelo prazer de ouvir um grunhido de insatisfação do outro – As rosas são exigentes, não posso lhes dedicar apenas parte de minha atenção.
-Ah, mas para mim não tem importância dedicar uma reles parte de sua atenção?
Afrodite riu, jogando a cabeça para trás, expondo o pescoço aos beijos de Máscara da Morte. Estava aí um relacionamento que não sabia explicar como acontecera, já que o italiano era tão diferente dos homens com quem havia se envolvido anteriormente. Era bruto, de palavras duras e diretas, traços marcados pela vida e dificuldades... Ah, mas a alma era como a sua... Sedenta por poder, apaixonada por dinheiro, clemente por atenção e fidelidade. Tão diferentes em aparência e jeito, tão parecidos em ambições e desejos.
Terminou de cortar os talos da rosas e passou a ajeitar as mesmas nos vasos, dois de rosas brancas, dois de rosas vermelhas, o último com um arranjo mesclado de ambas.
-Me ajude a colocar estes vasos em seus lugares, min griniga italienska*...
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Quase noite, e na central os policiais começavam a recolher suas coisas, arrumar mesas e gavetas, se preparando para ir embora. Mu conversava de maneira animada com Hyoga e Isaak, pareciam combinar alguma coisa entre si, Aiolia terminava de ajeitar uma de suas gavetas e já estava pegando o paletó pendurado no espaldar da cadeira, quando notou que o irmão estava muito quieto, entretido com o jornal do dia e nem parecia perceber que o expediente estava se encerrando.
-Aiolos! – ele gritou, e o rapaz deu um pulo na cadeira, quase instantâneo – Vai fazer plantão hoje, é?
-O quê?... Ah, desculpe Olia... Não percebi que já estava na hora de encerrar o expediente.
-Se o que me espera no final do dia fosse um sofá velho e uma geladeira vazia, eu também reagiria como você.
-Qual o problema de vocês com o fato de eu estar bem sozinho? – Aiolos perguntou ao irmão, dobrando o jornal e deixando o mesmo sobre a mesa. Aiolia franziu a testa.
-Como assim, vocês?
-Ah... – o irmão suspirou, não tinha contado a ele sobre o jantar com Saga – Estou falando de você, nossos amigos, as pessoas no geral!
-Ah, Olos, qual o problema? Ter uma namorada, alguém para cuidar e também ser cuidado não é de todo ruim... Em algum momento você vai ter que sossegar.
-Você fala como se eu fosse o terror das moças solteiras da cidade...
Aiolia deu risadas, obviamente aquele não era o caso do irmão, Aiolos era do tipo que se dedicava tanto ao trabalho que deixava de lado praticamente toda e qualquer diversão ou algo do tipo.
-Bem, hoje vou jantar com a Marin e o irmão dela, quer me acompanhar? Ela vai gostar de ter ver, faz algum tempo desde a última vez.
-Vou aceitar porque, de fato, o que me espera em casa é uma geladeira vazia.
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Quando faltava cerca de 15 minutos para as 20 horas, um mensageiro trouxe o serviço de quarto pedido por Melinda. E mal ele saiu, a garota despiu-se do roupão que usava e colocou o vestido, os sapatos e se postou na frente do espelho do banheiro para passar o blush e batom, desistiu do pó ao ver que ora exagerava, ora usava pouco. Quando terminou, ficou um tempo se olhando no espelho de corpo inteiro, o vestido era bonito e o batom parecia deixar sua boca um pouco maior do que era, mais carnuda.
Mas, apesar de achar tudo muito bonito, estava morrendo de medo. O que Shura queria com toda aquela exigência, o que ele faria? Duas batidas na porta a fizeram voltar sua atenção de volta à terra, Melinda estremeceu e mal conseguiu dizer um "entre" audível. A porta se abriu e era o espanhol, ainda com cara de poucos amigos, muito sério.
Estava usando um terno preto, com camisa branca e gravata vermelha trazia um pacote nas mãos. Os cabelos ainda molhados e um perfume que chegou rápido ao olfato de Melinda, era um cheiro marcante e muito bom. Shura, ela notou de maneira um tanto desconfiada, estava vestido para um encontro, ou algo assim. O espanhol, por sua vez, ficou parado junto a mesa onde o jantar estava servido, mirando a garota de cima a baixo. Um sorriso quase imperceptível se formou em seus lábios, apesar de ter apenas 19 anos e ser magra, o corpo de Melinda tinha algumas características femininas... A curva dos quadris e a cintura mais fina e marcada pela costura do vestido, as pernas torneadas, as ditas "saboneteiras" do colo, os seios que, libertos da faixa de tecido, eram evidentes. Apenas os cabelos destoavam do conjunto com um todo, imaginou que aqueles fios, quando compridos, deviam ser macios e sedosos ao toque...
-Shura? – ela arriscou um chamado, aquele modo observador e silencioso dele a estava deixando incomodada.
-O vestido... – ele disse, por fim – Ficou bem em você... Apenas tive dúvidas com o tamanho do sapato.
-Ah, você... – Melinda piscou confusa, ele não gritou, não falou de maneira nervosa – Você acertou no tamanho...
-Ótimo... – ele disse, chamando-a com um gesto – Bem, eu estou com fome, o que acha de jantarmos?
Melinda quase não saiu do lugar onde estava parada, queria saber logo o que Shura faria, como seria dali para frente. Mas, considerou, era melhor obedecer e fazer o que ele lhe dizia, para evitar maiores problemas. Aproximou-se da mesa e Shura puxou a cadeira para ela, ajudando-a a se sentar e ajeitar na mesa. E, quando o fez, o perfume que ela usava veio às suas narinas pela primeira vez, de fato aquela essência de jasmin que havia escolhido combinava com ela.
-O que pediu para nós? – ele perguntou bem próximo ao ouvido de Melinda, apenas pelo prazer de vê-la se arrepiar com o gesto.
-Vo-voc~e n-não me disse o que-que iria querer... Pedi o menu da noite, é cardápio italiano.
-Hum... Sem saber, escolheu o menu perfeito para o que trouxe... – ele pegou o pacote que trouxera, tirando dele uma garrafa de vinho tinto – Este vinho é perfeito para acompanhar um menu de massas.
Shura serviu o vinho em duas taças, entregando uma delas à Melinda. A garota, por sua vez, tentava entender o motivo do espanhol estar agindo daquela maneira, como se o ocorrido de duas noites não tivesse acontecido. Queria perguntar o que ele faria agora que sabia a verdade, resolver essa situação de uma vez, mas... Shura parecia realmente empenhado em todo aquele teatro. Ah sim, por que ele até poderia estar sendo gentil, mas o olhar dele não deixava dúvidas de que estava tramando alguma coisa.
E, de fato, ele estava. Shura já tinha em mente o que iria fazer e como fazer, mas todo aquele prelúdio gerava uma expectativa em Melinda que era prazerosa de acompanhar. Ela mal olhava para o rapaz, assim como pouco tocava na comida servida, estava trêmula. Provavelmente com... Medo. Um sentimento que podia ser pior que uma prisão. Ou...
Ou o combustível perfeito para seguir em frente, e por um perigosa estrada que ele, Shura, estava preparando para a garota à sua frente...
O jantar todo seguiu em silêncio. Ao final, deixando a sobremesa de lado, Shura serviu-se de mais uma taça do vinho que trouxera e se levantou da mesa, caminhando até a janela. Melinda, suspirando, fez o mesmo, mas se manteve próxima à mesa, apoiada no tampo da mesma. Ficou por alguns segundos observando o espanhol, que bebia calmamente enquanto observava o movimento da rua. Aquele silêncio era torturante e a garota já não o suportava mais.
-Shura... – ela o chamou, estava decidida a não esperar mais por uma resposta – Eu preciso saber, por favor... O que vai fazer?
Shura sorriu, ainda que discretamente, mas não se voltou para Melinda para responder. Continuou com o olhar preso à rua.
-Você se colocou em uma situação muito difícil, Melinda... Não vejo como pode sair dela sem causar ainda mais problemas, tanto para a família, como para você mesma.
-Eu... Eu sei disso.
-Mas eu... Eu posso te ajudar a esconder o seu segredo, ao menos por enquanto, e preparar o terreno para contar ao Saga e aos demais... – Shura voltou seu olhar para Melinda, que pela primeira vez o sustentou – Porém, não farei isso a troco de nada.
-Como... Como assim, Shura?
-Eu quero algo em troca de minha ajuda, Melinda... – ele disse, voltando a beber de sua taça, o silêncio se fazendo presente naquele quarto novamente.
Sentia-se acuada, inquieta, quase como uma presa a mercê de um caçador. O olhar de Shura era, a princípio, indecifrável, assim como a expressão dura de seu rosto. Melinda suspirou, sentando-se sobre o tampo da mesa, pois já não tinha firmeza em suas próprias pernas. Por Deus, aquela espera por uma palavra que fosse do espanhol era quase uma tortura!
-Eu já decidi o preço a pagar por minha ajuda, Melinda... – ele disse, deixando a taça quase vazia sobre um aparador, para então se voltar à jovem, que o olhava de maneira assustada e cheia de expectativa.
Calmamente, ele caminhou até ela, Melinda se colocou de pé, pois não lhe parecia uma boa ideia permanecer na posição tão vulnerável de antes. Não que fizesse muita diferença, agora que Shura estava tão perto é que percebera que, mesmo usando o sapato de saltinho, sua altura mal chegava ao ombro do espanhol. De todo modo, tentou parecer firme, mas... De nada adiantou, pois quando deu por si, Shura a havia puxado pela cintura com uma das mãos, colando seu corpo ao dele de tal maneira que não fazia ideia de como escapar dali. Com a mão livre, ele segurou o queixo delicado, para evitar que ela deixasse de olhar para ele.
-A partir de hoje, Melinda... Todas as vezes que nos encontrarmos fora do trabalho, quero que use suas roupas femininas... – ele disse, e conforme Shura falava, Melinda não deixou de notar que o brilho esverdeado dos olhos dele aumentava, e a voz tornava-se mais baixa e rouca – Assim como eu, e somente eu, serei o único homem a vê-la como é... E tocá-la como tal...
E então, diante do olhar petrificado da garota, Shura baixou os lábios e a beijou. Um toque apenas, na boca fria de Melinda, que não esperava por aquele gesto. Ela mantinha os olhos arregalados, totalmente sem ação, sem saber o que fazer ou como agir.
-Feche os olhos, Melinda... – Shura pediu, afastando-se o suficiente para se fazer ouvir pela garota. Ainda receosa, ela obedeceu ao espanhol e quando ele voltou a beijá-la, a reação que se seguiu foi completamente diferente do primeiro toque.
Seus lábio se entreabriram e ela sentiu a língua do espanhol invadir sua boca e enroscar-se à sua, ao passo que o abraço dele se estreitou mais, aumentando a proximidade e o calor entre ambos. Quase como por instinto, Melinda levou os braços, que estava soltos, à nuca de Shura, quase puxando os cabelos dele quando o beijo se tornava mais profundo ou ele lhe mordia os lábios, ainda que levemente.
Melinda nunca imaginara que um beijo pudesse causar todas aquelas sensações em seu corpo e mente, mais do que isso... Que um homem tão bonito e intenso como Shura pudesse querer beijá-la...
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Continua
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E finalmente temos a decisão do Shura sobre o que fazer sobre o "caso" Melinda! Parece bom, mas será que é de fato?... Veremos. Bem, este capítulo, como disse lá nas notas iniciais, seria atípico, ele foi escrito para marcar a metade da história e reestabelecer as relações entre os personagens, pois serão elas que irão ditar as decisões caminhos que cada um irá seguir a partir do momento em que o caldo entornar de vez...
agape mou* "meu amor", em grego e min griniga italienska* é "meu italiano rabugento" em sueco
Vamos à reviews?
Gemini Thai, se fosse você, eu manteria por perto esse medo do Shura, afinal, boa coisa eu não acho que ele seja. E sim, Aiolos vai começar a questionar suas convicções sobre relacionamentos e afins.
Revenge of Queen Anne, qual era seu palpite sobre o que Shura faria, me conte que fiquei curiosa! O espanhol foi grosso e ainda será muitas outras coisas também... E quanto à Violet, não sei se todos abaixariam as orelhas para ela, mas ao menos o Saga ela com certeza dobraria rs... Quanto à Pandora, ela ainda nos trará outras surpresas, fique ligada nas próximas emoções da fic...
