Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
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Capítulo XII
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-Eres como um angel... –Shura disse ao ouvido de Melinda, deixando a boca da garota e baixando ao pescoço, beijando a região com vagar e delicadeza, aumentando a sensação de arrepio e fraqueza que ela sentia pelo corpo - Hecho de la misma pureza*, Melinda...
A boca de Shura era quente, assim como seu abraço que se tornava insanamente mais estreito a cada beijo, a cada palavra dita, a cada passeio de sua língua pela pele macia da garota. Um formigamento crescente foi tomando conta da espinha de Melinda, assim como de algumas regiões de seu corpo que começavam a esquentar, a sensação que tinha era de que a qualquer momento poderia fraquejar de vez e desmaiar, mas...
Quando o espanhol apertou ainda mais seu corpo ao dele, a jovem sentiu a temperatura e volume na região do baixo ventre do rapaz e no mesmo instante, correu suas mãos para o peito de Shura e espalmando-as, o empurrou o máximo que conseguiu com a pouca força que tinha.
-Shu-Shura, por favor...
-O que foi, cariño? – ele a encarou com os olhos semi-cerrados – Não está gostando?
-Não... Não é isso... Apenas pare, por favor...
Abrindo os olhos e encarando melhor a garota, o espanhol percebeu que ela estava com um olhar assustado e confuso. Praguejando, ele a soltou, Melinda imediatamente voltou a se sentar no tampo da mesa para se apoiar, suas pernas pareciam feitas de gelatina. Shura serviu-se de um pouco mais de vinho para tentar relaxar e controlar sua respiração, mas seu corpo estava tão quente que seria uma tarefa realmente difícil.
-Você... – ele a chamou, Melinda levantou o olhar – Nunca foi beijada antes? – ela corou e ele sorriu, fazia a pergunta pelo simples prazer da provocação – Nem ao menos um selinho, um tocar de lábios?
-Não... – Melinda disse, envergonhada – Você foi... Foi o primeiro, Shura...
O riso aumentou, quase como o princípio de uma gargalhada, mas Shura se conteve. Então, verificando as horas no relógio que havia em uma das paredes, ele decidiu ir embora. Sabia que o principal que havia ido buscar naquela noite, conseguira. Tinha Melinda em suas mãos.
-Fui o primeiro, Melinda... – ele disse, voltando a se aproximar e segurando o rosto da garota entre suas mãos – ... E serei o único, não se esqueça disso... – ele voltou a beijar os lábios macios – Usted es mia*... Solo mia... – disse por fim, ao ouvido dela.
Um novo arrepio percorreu a espinha de Melinda, mas este parecia muito mais ser de medo do que os anteriores. Então Shura a soltou, e, dando-lhe mais um beijo rápido, despediu-se. Já havia aberto a porta do quarto quando se voltou para ela novamente, com a expressão séria e o olhar duro.
-Não se esqueça de que este é o nosso segredo, Melinda... Se contar a alguém sobre você... Ou sobre nós... – ele estreitou o olhar e sua voz soou ameaçadora - Lembre-se de que posso ser tão perigoso e cruel quanto Máscara da Morte...
E, quando finalmente trancou a porta e se viu sozinha, Melinda se deixou cair ao chão, sentada encostada na madeira fria. Logo, as lágrimas que até então estavam presas, caíam de forma abundante, mas silenciosa, por seu rosto.
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No outro dia, a vida seguia como de costume. Ao menos de maneira aparente. Sim, porque embora continuasse com a farsa Edward, Melinda sentia-se diferente por dentro. Os beijos, a maneira como Shura a abraçava, as palavras ditas por ele não saíam de sua cabeça, e causavam sensações bem reais e palpáveis por seu corpo, por diversas vezes havia parado o que fazia, fosse no quarto ou no meio da rua, para se certificar de que estava tudo normal. Mas o gesto de colocar a mão sobre seus lábios, como se ainda os sentisse quentes e inchados, tornou-se uma constante nas últimas horas.
Tinha sido bom? Percebeu que a resposta era sim, ela havia gostado do beijo, da sensação de pertencimento, mas... Mas mesmo aquele sentimento tinha um quê de posse, que não sabia definir exatamente como seria. O tom de ameaça, o fato de que Shura havia dito que aquele era o preço por sua ajuda... De certo modo, a fazia se sentir como uma mercadoria. Ou um objeto de leilão.
Deus, como queria procurar por Violet e contar a ela o ocorrido, fazer perguntas para entender melhor o que acontecia, no entanto... O espanhol havia sido muito claro ao ir embora, não deveria contar a ninguém que ele sabia a verdade sobre si e o que ele fizera. E Melinda definitivamente não queria ser responsável por algo de ruim acontecer à jovem mulher, estava gostando dela como se fosse... Como se fosse Edward, o irmão mais velho.
Os pensamentos eram tantos e tomavam tanto sua mente, que sem perceber quase passou direto pelo seu destino naquele dia, o escritório dos irmãos Amamiya. Voltando alguns metros, entrou no prédio e encontrou um rapazinho na sala dos irmãos, de pé em frente a um quadro negro com anotações diversas.
-Com licença? – Melinda disse, batendo à porta, o rapaz se voltou para ela – Onde posso encontrar os senhores Amamiya?
-Eles estão em uma reunião no escritório do advogado... Você quem é?
-Edward Grant, estou aqui a mando dos Stravos.
-Ah, sim... Dependendo do que for, pode falar comigo... – o rapazinho foi até Melinda, estendo-lhe a mão para um cumprimento – Meu nome é Seiya Ogara, sou o assistente -faz tudo de Ikki e Shun.
-Prazer, mas... Mas não tenho autorização para entregar o recado a outro, sinto muito. Posso aguardar por aqui?
-Claro, fique à vontade. Porém, adianto que não sei quanto tempo irão demorar a chegar.
Melinda se sentou em uma cadeira próxima à porta e Seiya voltou sua atenção ao quadro de anotações. Queria ir embora logo, mas Kanon havia sido bem específico ao dizer que aquela carta deveria ser entregue em mãos aos Amamiya e mais ninguém, então teria que ficar ali esperando. Pelo menos tinha tomado café antes de sair do hotel.
-Você trabalha há muito tempo para os Stravos? – Seiya perguntou, tentando iniciar uma conversa, para que não ficasse um clima estranho no ar enquanto esperavam pelos irmãos Amamiya.
-Oficialmente, há algumas poucas semanas... Mas prestava serviços de mensageiro para o Máscara da Morte antes disso.
-Nomezinho horroroso esse, não? Fico pensando na mãe do carcamano, deve ter tido todo trabalho para escolher um nome que combinasse com aquela cara feia, e ele simplesmente decide mudar para uma coisa dessas...
Melinda riu, Seiya falava de uma maneira tão espontânea que não teve como segurar. O rapaz deu de ombros, largando as anotações para se sentar, a conversa parecia que iria render.
-E você? Trabalha há muito tempo com os Amamiya?
-Eu os conheço praticamente desde que nasci. Crescemos juntos no mesmo orfanato, junto do Shiryu, o advogado, e outros amigos. Quando Ikki e Shun conseguiram erguer seu negócio, me chamaram para trabalhar com eles, assim como os demais. Inclusive, foram eles que ajudaram o Shiryu com os estudos.
-Então são com uma família mesmo?
-Exato.
A garota parou para pensar um pouco sobre o que Seiya lhe contava. Será que se conversasse com Shura, ele falaria com os Stravos e ela poderia estudar também? Sempre tivera vontade de aprender mais coisas além de ler, escrever e matemática básica, quem sabe até ter uma profissão, de fato? Ah, ela com certeza iria falar com o espanhol e tentar.
-O que foi, Edward? Ficou pensativo de repente! – Seiya falou e então Melinda se deu conta de que ele estava bem perto de si, espanando as mãos em frente ao seu rosto, como se quisesse chamar sua atenção.
Ela balançou a cabeça e encarou o rapazinho e, de repente, teve a sensação de que já havia visto Seiya antes, em algum outro lugar que não era o escritório dos Amamiya, mas... Onde, exatamente? Pensou em questionar, mas antes que o fizesse, ouviu vozes vindas do corredor fora da sala, Ikki e Shun estavam chegando ao escritório. Levantou-se da cadeira bem na hora que Ikki entrava pela sala, assustando o rapaz.
-Mas que merda, garoto! – ele falou, ríspido – Pra que ficar assim, em cima da porta?
-Desculpe, não foi a intenção assustá-lo... Eu só vim até aqui entregar uma carta, enviada pelo Kanon.
Ikki pegou o envelope e passou logo para Shun, resmungando. O rapaz abriu a carta, leu e então se sentou à mesa, procurando papel e caneta pelas gavetas. Poucos minutos depois, entregou a resposta para Melinda, que saiu cumprimentando a todos.
-E então? É sobre o próximo transporte de drogas?
-Sim, Seiya. Procure pelos nossos parceiros de transporte primário, a produção do próximo lote a ser carregado já está finalizada. Verifique quando poderão trazer a carga para um de nossos postos de inspeção.
-Ok, Shun!
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No apartamento dos gêmeos, Kanon estava em reunião com Máscara da Morte e Shura, os dois primeiros informando ao espanhol o funcionamento da operação de produção e transporte de drogas ilícitas e bebidas. E, algo que o italiano não deixou de notar, o rapaz parecia um tanto mais leve e bem humorado que o habitual. Mas antes que pudesse fazer qualquer tipo de comentário a respeito, o mordomo apareceu no escritório com Melinda em sua cola.
-Sr. Kanon, o mensageiro está de volta. – ele deu passagem á garota e então ela percebeu que o rapaz não estava sozinho. E corou de imediato ao ver que Shura estava presente e lhe dirigia um sorriso malicioso.
-Os Amamiya enviaram sua resposta Kanon, aqui está... – ela passou a ele o papel que Shun havia entregado – Com licença... – ela disse, já saindo do escritório, o olhar de Shura a estava deixando desconcertada.
-Edward, espere, para que a pressa em ir embora? Acaso meu irmão te passou algum outro serviço?
-Não, não me passou nada... É que eu... Eu...
-Você vai ficar mais um pouco e almoçar conosco, está quase na hora mesmo! – Kanon se levantou e foi saindo do escritório – Vou pedir que coloquem um lugar a mais à mesa.
Melinda suspirou, tentando dizer algo, mas foi em vão, Kanon saiu sem lhe dar chances de recusar o convite. Aproveitando a interrupção na reunião, Máscara da Morte levantou-se da poltrona e disse que iria ao banheiro. Quando deu por si, estava sozinha no local, com Shura.
-Por que está com essa cara de assustada, Melinda? – o espanhol disse, aproximando-se da garota e falando baixo, quase em um sussurro – Está com medo de que eu faça algo?
-Ah, bem... – a face estava quente, as bochechas certamente estavam roxas de vergonha – Não seria prudente, aqui no escritório dos Stravos...
-Menina esperta... – Ele sorriu, segurando-a pelo braço, aproximando os lábios da orelha da jovem – Vamos deixar para outra hora... – mas não se furtou a uma leve mordida no lóbulo – Hoje não posso, mas me espere amanhã para o jantar...
Por instinto, Melinda fechou os olhos, o arrepio que percorreu sua espinha a fez tremer. Ouviu o riso do espanhol e quando deu por si, ele estava sentado de volta no lugar de antes, e passos vinham do corredor. Acabou por afrouxar o colarinho da camisa que usava, o calor a estava deixando sufocada.
-Vamos para a sala de jantar, está tudo quase pronto para ser servido. – Kanon entrou pelo escritório, dando um tapinha nas costas de Melinda, que o seguiu para a outra sala.
Já que não daria para fugir, se juntaria àqueles homens no almoço, mas jurando que ficaria calada durante todo o tempo. Sentaram-se à mesa e, para desgosto da garota, Shura se posicionou bem à sua frente... Pronto! Teria o olhar malicioso do espanhol sobre si durante toda a refeição.
-O que diz a resposta dos Amamiya, Kanon? – Máscara perguntou, se servindo antes mesmo do dono da residência, estava com fome.
-O transporte primário será feito em dois dias, a partir das 15 horas. O carregamento chegará ao depósito de inspeção por volta das 22 horas, poderemos conferir a mercadoria no dia seguinte. Nesta inspeção, você deverá estar presente também, Shura, precisa aprender como a fazemos.
-Claro, sem problemas Kanon.
Durante todo o almoço, os três falavam entre si sobre os negócios, Melinda dava graças aos céus por não tentarem colocá-la na conversa. Pelo menos não precisava fingir que comia, a comida era realmente deliciosa.
-Ed? – Por Deus, foi só pensar que a deixariam em paz que Kanon a chamou – Posso te fazer uma pergunta um tanto pessoal?
Ah, pronto, Melinda quase engasgou quando ouviu o rapaz dizer aquilo. Na mesma hora encarou Shura, que parecia impassível enquanto comia, sequer a olhava... Merda! Iria deixá-la sozinha nessa enrascada mesmo?
-O que... Quer saber?
-Você pensa sobre seu futuro? – um suspiro de alívio por parte da garota, quase imperceptível – Não acredito que queira ser um mensageiro o resto de sua vida.
-Ah, sobre isso... Eu tenho vontade de estudar, ter uma profissão, mas não sei ao certo o quê.
-Shura quando começou a trabalhar conosco era como você, Ed. Eu e Saga que vimos potencial no mesmo e investimos em seu crescimento e estudos.
-Verdade? – o tom de Melinda era de verdadeira empolgação, o espanhol levantou o olhar de seu prato e a encarou, mas não parecia que de uma maneira amistosa.
-Poderiam fazer o mesmo por você, moleque... – Máscara falou, chamando-a de moleque mais por costume do que desprezo – Se fizer por merecer, é claro.
Um sorriso se fez presente no rosto de Melinda, ah sim, ela iria fazer por merecer. Shura, por sua vez, parecia a ponto de fazer um comentário que acabaria com aquela alegria, mas obviamente ficou calado. Depois, quando estivessem à sós, lembraria Melinda de quem ela era e que seu segredo a impediria de realizar tal sonho, ao menos por um tempo.
Tempo que ele, sinceramente, não estava disposto a encurtar...
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No Phaternom, Violet finalizava seu horário de almoço na companhia de Camus, o gerente do hotel. Gostava do rapaz, de sua personalidade reservada e contida, polido com todos até mesmo quando tinha que chamar a atenção de algum funcionário relapso. Trabalhavam muito bem em dupla desde a época de recepção do hotel. Ah sim, Camus começara com ela no Phaternom e quando Violet se tornou a proprietária, promoveu o colega de imediato.
Sob sua gerência, a qualidade dos serviços havia avançado muito. E a amizade de ambos se solidificado. Junto de Saga, era a pessoa que melhor conhecia a jovem mulher. E, por isso mesmo, a percebeu diferente aquele dia.
-O que foi, Violet? Me parece um tanto melancólica hoje.
-Ah, Camus... – ela suspirou, fazendo uma auto massagem no pescoço – Eu não sei bem. Acordei me sentindo um pouco indisposta, talvez ansiosa.
-Com o quê?
-Não sei... Acho que é mais coisa da minha cabeça, logo vai passar. Obrigada pela preocupação.
-Está preparada para uma vida em outros ares, Violet? – Camus resolveu mudar de assunto, para desviar a atenção da amiga daquela melancolia – Embora a Grécia seja um belo país.
-Vai ser muito bom morar em Mikonos, Camus. Longe da agitação dessa cidade, de possíveis problemas, um clima extremamente agradável a maior parte do ano... Quando inaugurarmos o resort, será um dos convidados de honra.
-Eu sei... – então ele deu um leve sorriso – Se por um acaso a cooperativa fracassar, posso me mudar para lá e voltar a ser seu gerente.
-Pare com isso, Camus! Claro que vai dar certo, você e Milo são extremamente competentes. Não há como essa combinação de gênios e personalidades dar errado.
Ambos riram e então Camus se levantou e pedindo licença, saiu da sala da administração, logo começaria o turno da tarde e ele tinha que inspecionar a troca de funcionários. Violet ainda ficou um tempo sentada, pensativa. Aquela ansiedade, ainda que leve a estava incomodando de certa forma.
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Naquele mesmo dia, ao fim da tarde, tanto a central de polícia como a promotoria receberam novas cartas anônimas, contendo denúncias sobre os supostos negócios dos Stravos com o tráfego de drogas...
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Continua...
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Pois é meus queridos, quem mandou se meterem com o crime, agora é só ladeira abaixo... E esse golpe será ainda mais duro, até porque virá outro praticamente emendando que vai ser beeeeem pesado!
*É como um anjo... Feita da mesma pureza e *Você é minha... Somente minha, em espanhol
Sem enrolação, vamos às reviews!
Gemini Thai, amiga não queira o lugar da Melinda e logo você vai entender o motivo, o Shura pelo visto não é um príncipe... Quanto ao salvamento pelo Aiolos, calma que o que é do sagitariano ta guardadinho só esperando a hora de aparecer por aqui..
Revenge of Queen Anne, Violet é a dona da porra toda! Só que o Saga ainda não sabe, não contei para ele... Infiltrar a Melinda na polícia ia ser difícil, mas não significa que ela não terá interações com o núcleo do Aiolos, só que não como infiltrada. Quanto aos genitores lixo, não são todos... Tá, o do gêmeos e do Dite podem dar as mãos e se fuderem juntos, mas não pensei o mesmo para Shura e MDM, a família deles até que é normalzinha, quem sabe coloco um pouco desse BG aqui na fic... O que disse na reposta do review acima vale aqui, o que é do Aiolos está bem guardadinho...
Paula Sammet, linda! Calma que Aiolos e Melinda ainda irão interagir mais, agüenta só mais um pouco por aí! Violet e Saga melhor casal que já criei para minhas fics disparado, mas logo irão rivalizar com um outro casal, de uma outra fic que vc sabe qual... Enfim, eu já dei algumas pequenas pistas sobre quem é o "povo inimigo" mas fiz tão escondido e propositalmente confuso que ainda não dá para cravar com certeza quem sejam... Sheila malvaaaaada!
