Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Capítulo escrito ao som de "Paint in Black" Rolling Stones e "Again" Leny Kravitz, além das músicas que fazem parte da construção dos casais da fic...
"Nobody does it better" e "You only live twice" para Violet x Saga
"Naufrago" e "Ultraviolet" para Melinda x Aiolos
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Capítulo XVII
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Como dito por Aldebaran, Melinda foi transferida para o setor de doentes infecto-contagiosos, o que, a princípio, causou estranhamento na garota. Por que ela ficaria isolada dos demais pacientes e funcionários do hospital? Questionou Marin e a resposta que a enfermeira lhe deu a deixou desconcertada.
"Acredito que Aiolos esteja querendo te proteger, Melinda, e por isso pediu ao dr. Aldebaran que a trouxesse para cá..."
Proteção. Era uma das coisas que, quando mirava os olhos verdes do rapaz, conseguia enxergar com clareza. Estava pensando sobre isso e tantas outras coisas, quando o viu entrar pelo quarto. Já era tarde da noite, e ele parecia cansado.
-Eu só vim ver se está tudo bem com a senhorita, antes de ir para casa... –Aiolos disse, aproximando-se da cama – Voltarei amanhã, provavelmente ao fim da tarde. Procure descansar, está bem?
-Aiolos, você... – ela hesitou por um instante – Não quer me fazer perguntas?
-Claro que sim, senhorita, mas não agora. Primeiro, precisa se recuperar e estar bem fisicamente... Até amanhã.
E, antes de sair, o inspetor aproximou-se de Melinda e lhe deu um beijo na testa, como forma de despedida. Sorrindo, foi embora. E a garota então ficou sozinha, sentindo pequenas lágrimas embaçarem o olho que não estava inchado.
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-Você acredita que Edward tenha alguma culpa pelo que aconteceu, Saga? – Violet perguntou ao noivo, quando já estavam se preparando para dormir. Tentava parecer tranqüila, mas seu tom de voz denunciava que havia algo errado.
-Parece preocupada, Violet... – o rapaz levantou o tronco, até poder olhar para o rosto da jovem mulher – O que aconteceu?
-Eu tenho pena do garoto, Saga... – e isso não era de todo mentira – Órfão, com uma vida tão difícil desde criança. Ele não tem noção alguma de perigo, ou de como é de fato esse mundo em que vivemos.
-Eu concordo com você, amor... E não, não acredito que Ed seja culpado de alguma forma. Mesmo que Afrodite esteja certo no que disse, eu não vou punir o garoto por algo que ele possa ter dito a alguém.
Dizendo isto, Saga beijou Violet, mas percebeu que ela ainda parecia apreensiva. Afinal, por que ela se preocupava tanto com o mensageiro?
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Como na maioria dos dias, Aiolos foi o primeiro de sua equipe a chegar à central. Estava organizando seus papéis e arquivos quando viu o irmão e Mu chegarem, os dois parceiros deixaram seus paletós sobre as cadeiras e foram direto para a mesa do inspetor, parecendo curiosos e preocupados.
-Bom dia... – ele disse a ambos, indicando que se sentassem – Por que essas caras?
-É verdade o que estão dizendo pela central, Aiolos?
-Sobre?
-A prisão de um mensageiro que trabalha para os Stravos, feita pelo Alberich.
-Não fale o nome daquele idiota na minha frente... – Aiolos disse de maneira tão dura que impressionou os dois rapazes – E sim, ele trouxe ontem aqui para a central um mensageiro que "supostamente" trabalha para os Stravos. Mas o garoto não foi preso.
-E por que não?
-Porque estava muito machucado e ferido, Alberich o tratou pior que um animal de rua... Eu o levei para o hospital para ser examinado, mas... – Ele mudou a expressão para um ar de descontentamento – O garoto conseguiu fugir.
-Eu não acredito! – Aiolia externou sua frustração – Era a pista mais promissora que poderíamos ter em mãos!
-Eu sei, Aiolia, mas não posso fazer nada sobre isso... Agora voltem para suas mesas, tenho que me organizar primeiro antes de definir as tarefas do dia.
Os dois rapazes obedeceram e Aiolos os ficou observando voltarem para seus lugares. Deus, odiava mentir para o irmão e o melhor amigo, mas... Mas não podia contar a verdade a nenhum deles. Uma verdade que nem ele próprio conhecia ainda, de fato.
Hyoga e Isaak chegaram pouco depois e foram informados do ocorrido por Aiolia e Mu. Ouviram o que os dois parceiros tinham a dizer, mas ambos pareciam, por um breve momento, não estar prestando atenção de fato na narrativa. Trocando olhares ora desconfiados, ora surpresos, era como se estivessem se comunicando entre si de maneira que ninguém mais pudesse saber do que tratavam.
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Era, de certa maneira, irônico. Um prédio simples com um letreiro sobre a porta de entrada, onde estava escrito "Orfanato filhos das estrelas". A ironia era um local de nome tão singelo e bonito se situar em um bairro como aquele, conhecido popularmente como Hell's Kitchen. A cozinha do inferno. Certamente não era o melhor lugar da cidade para crianças crescerem, ainda mais órfãos sem uma família para instruí-los e guiá-los.
Mas era ali que Ikki e Shun Amamiya, dois pequenos irmãos de origem oriental, viviam seus dias. Duas crianças muito apegadas uma na outra, mas de temperamentos tão diferentes entre si! Shun era uma criança doce, educada e sensível, o sonho de diversos casais que procuravam um filho adotivo. Já o irmão, dois anos mais velho, era fechado, rabugento e vivia comprando briga com as outras crianças do bairro e do próprio orfanato.
Ambos se completavam. E juntos iriam crescer e descobrir que a vida jamais seria fácil para dois órfãos de origem estrangeira naquela grande cidade.
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Não estava gostando muito da ideia de levar Melinda para a reunião no Phaternom, mas não podia contrariar uma decisão de Saga. Mas que estava morrendo de vontade de socar a cara de Afrodite por aquilo, ah com certeza Shura estava. Ao menos tinha decidido não levar a garota para a reunião no escuro total, iria contar a ela o motivo da convocação, assim, ela poderia chegar ao Phaternom mais tranqüila e não falar besteiras por ser pega de surpresa.
Porém, assim que entrou no Spartan e cumprimentou os funcionários da recepção, foi chamado por um deles.
-Sr. Shura?
-O que foi?
-O Sr. Edward, o hóspede que sempre visita, não está no quarto. Ele, na verdade, saiu ontem de tarde e ainda não voltou.
-Como assim, ainda não voltou? – Shura foi até o balcão, achando aquela informação muito estranha.
-A chave do quarto ainda está aqui, no quadro. E eu não o vejo desde a tarde de ontem.
Estranhando muito, o espanhol pediu a chave do quarto de Melinda e então subiu para o mesmo. O local estava limpo e bem arrumado, a cama parecia mesmo não ter sido usada durante a noite. Fechando a porta, ele abriu o armário e, em uma das gavetas, ele encontrou os documentos em nome de Edward e boa parte do dinheiro que havia recebido dos Stravos. E não estava faltando nenhuma roupa ou par de sapatos também.
Não era uma fuga. Muito menos uma saída às pressas. Mas onde Melinda poderia estar? E por que não voltou ao hotel?
Sentou-se à beira da cama, incomodado, tentando pensar em algum lugar onde ela poderia ter ido ou estar.
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No hospital, Marin estava trocando os curativos de Melinda enquanto ambas conversavam sobre amenidades, a ruiva lhe falava sobre como havia conhecido o noivo, Aiolia, após ser vítima de um assalto no qual o jovem policial a ajudou. Vez ou outra, a garota esboçava um leve sorriso, a enfermeira falava com tanto carinho do rapaz! E também de Aiolos, o cunhado que era quase com um irmão mais velho para ela e o irmão Touma, que estudava medicina e era residente no hospital municipal de New Jersey.
Foi bem nesse momento que Aiolos chegou, sendo levado à ala isolada pelo dr. Aldebaran, que já lhe havia dado um boletim médico sobre a evolução do estado de Melinda, desde a noite anterior.
-O que estão falando sobre mim? – Aiolos perguntou ao ouvir seu nome, e também para que percebessem sua presença.
-Ah, cunhadinho... – Marin adorava chamá-lo assim somente para ver as faces do rapaz ficarem coradas – Eu estava contando suas histórias constrangedoras para nossa paciente.
-Marin!
A enfermeira riu da cara surpresa do cunhado e então deu passagem a ele para que se aproximasse da cama, dizendo que tinha outros pacientes para trocar curativos e cuidar. O silêncio pesou no ambiente por algum tempo, até Aiolos se aproximar de vez da cama e tocar a mão que Melinda tinha estendida sobe o colchão.
-Como se sente hoje, senhorita?
-Um pouco melhor, o corte na boca já não dói tanto e o olho está menos inchado... Mas minhas costelas ainda reclamam.
-Conseguiu comer?
-Sim, mas apenas sopa e um creme doce meio estranho...
Aiolos riu e então, pedindo permissão, se sentou à beirada do colchão. Queria conversar com Melinda olhando nos olhos da garota e não com a distância que a cadeira os deixava. Melinda permitiu e, por um momento, se viu perdida naqueles olhos verdes. Como em todas as vezes que encarava o inspetor...
-Pode... Pode me perguntar, Aiolos... Sei que quer respostas e eu tenho, no mínimo, obrigação de dá-las a você.
-Quem é Edward?
-Meu irmão mais velho, lembra-se que falei da morte dele naquele almoço na confeitaria?
-Eu me lembro sim... Você assumiu a identidade dele quando se viu sozinha, sem ter como sobreviver sem ajuda, não foi?
-Como sabe?
-Bom, dedução é uma ferramenta que uso bastante em meu trabalho... – ele riu e a garota o acompanhou no riso, ainda que discretamente – Acho que a vida não é fácil para uma garota sozinha, não é mesmo?
-Não, não é... – ela baixou o olhar por um momento – E até mesmo para um garoto, embora as pessoas no geral não se importem muito com isso. Trabalho sempre foi algo difícil de conseguir, por exemplo.
-Por isso se juntou aos Stravos?
Melinda calou-se, baixando de vez os olhos para não encarar Aiolos. Era um assunto delicado, não queria falar sobre ele. Não podia. Não sabia se falar uma palavra que fosse sobre isso colocaria a vida do inspetor em risco. E ela não queria ser a responsável pela sentença de morte dele.
-Olhe, está tudo bem se não quiser falar sobre isso... – o rapaz a segurou pelo queixo de maneira delicada, fazendo com que ela voltasse a olhar para ele – Não vou te pressionar sobre esse assunto. Mas saiba de uma coisa: nada do que falar sobre isso aqui, neste quarto, sairá daqui.
-Como... Como assim?
-Não estou conduzindo um interrogatório oficial... E, para todos os efeitos, quem foi levado para a central sob a acusação de trabalhar para os Stravos foi um garoto chamado Edward... Não uma garota...
E foi só ouvir aquelas palavras, ditas de maneira ao mesmo suave e determinada, que Melinda não agüentou e chorou, imediatamente se curvou de dor sobre o próprio corpo, mas não conseguia controlar os soluços que começavam a vir. Aiolos, penalizado, aproximou-se mais da garota e abraçou, envolvendo todo seu corpo com os braços, apoiando a cabeça dela contra o peito.
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Rodou por toda região do hotel. Foi até o restaurante onde havia levado Melinda uma vez, para a confeitaria, cujo endereço estava escrito na embalagem para viagem da torta de maçã, e nada. Até mesmo na Macy's decidira ir procurar por Melinda e... Ninguém se lembrava de tê-la visto. A procurou até no lugar mais improvável de toda a cidade, a principal casa de Afrodite... Ainda que parecesse uma ideia estúpida, não custava nada tentar. Por lá encontrou Misty, fazendo os preparativos para a noite, mas o rapaz nada sabia de Melinda.
Quando saía da casa, Shura encontrou Pandora entrando, a alemã notou a expressão muito séria do rapaz ao passar por ela.
-Misty? – ela foi até o gerente da casa – O que aconteceu com herr Shura? Ele parecia preocupado quando passou por mim, sequer me cumprimentou.
-Não sei exatamente, Pandora... Ele estava procurando pelo Edward, o rapazinho que esteve aqui com ele naquela noite.
-Ah, entendo...
Agradecendo a Misty, Pandora subiu para seu quarto, precisava se preparar para o trabalho. Ao se sentar em frente à penteadeira, tinha um sorriso de satisfação nos lábios.
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Perdido, sem saber mais onde procurar, ou o que fazer, Shura foi para a reunião no Phaternom. Ao chegar, notou que todos estavam por lá, incluindo Violet que conversava algo sobre jóias com Afrodite. Ao vê-lo sozinho, Saga logo estranhou.
-Onde está o Ed, Shura? Por que não o trouxe, como combinado?
-Porque não sei onde ele está, Saga... - Shura respondeu, contrariado – Segundo os funcionários do hotel, ele saiu ontem à tarde e não retornou desde então.
Silêncio na sala. E, quase que imediatamente, Violet sentiu seu coração falhar uma batida...
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Aiolos e Melinda ficaram um bom tempo abraçados, até mesmo depois de ela ter parado de chorar e se acalmado. Foi quando seu corpo reclamou de dor por conta da posição em que estava que a garota se afastou, voltando a se encostar ao travesseiro.
-Você não precisa ter pressa, ou se preocupar... – o rapaz lhe disse, com um sorriso – Quando quiser, ou se sentir preparada, nós falaremos a respeito dos Stravos.
-Tudo bem... – Melinda assentiu – Mas se quiser saber sobre outras coisas, pode perguntar.
-Hum, vejamos... Você tem quantos anos?
-Dezenove, farei vinte em dois meses.
-Pensei que fosse mais nova! – Aiolos disse, para logo em seguida se sentir envergonhado – Não que seja ruim ter essa idade, mas é que... Bom, a senhorita parece mais nova... – Melinda riu – Vive sozinha há quanto tempo?
-Ed morreu quando eu tinha quatorze anos... Vivo sozinha desde então.
-Meu Deus, a senhorita...
-Me chame de você... Ou Melinda.
-Melinda, você vive como Edward desde essa idade? Como conseguiu?
-Sim, vivo como meu irmão há cinco anos, Aiolos. E como consegui, eu meio que já lhe disse... Ninguém se importa com um garoto sozinho, nas ruas de New York.
-Isso está errado... – ele disse, encarando Melinda novamente – Crianças e adolescentes, independente de idade ou classe social deveriam ser todos cuidados e protegidos. Principalmente os órfãos ou que vivam situações de risco em família. Você não deveria precisar esconder quem é para poder sobreviver...
Melinda abriu a boca para falar algo, mas não conseguiu. Toda aquela gentileza e preocupação de Aiolos, que lhe pareciam tão verdadeiras, a estava deixando desarmada. Nesse momento, o dr. Aldebaran apareceu na porta do quarto, estava na hora de avaliar novamente o estado de saúde de sua "paciente mais ilustre", segundo palavras do próprio médico.
Aiolos se afastou para dar liberdade ao médico de trabalhar, ficou parado junto à janela do quarto, que tinha vista para o pátio interno do hospital. Estava extremamente pensativo... Por que sentia tanto a necessidade de cuidar daquela garota, saber como ela estava e se precisava de algo?
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-O que disse, Shura? – Kanon perguntou, como se não tivesse ouvido o que o espanhol dissera a todos naquela sala. Shura suspirou, começando a andar de um lado a outro, nervoso.
-Ed desapareceu, Kanon! Procurei por todo o bairro, os lugares onde imaginava poder encontrá-lo... Atém mesmo procurei por Misty para saber se ele tinha visto Ed e... Nada. Absolutamente nada.
-O moleque só pode ter fugido! – Afrodite falou, em tom triunfante – Eu sabia que não deveríamos confiar nele!
-Eu não creio em uma fuga, Afrodite... - Shura disse, encarando com raiva o sueco – Ed deixou para trás os documentos pessoais, roupas e até mesmo dinheiro. Como fugiria sem um tostão no bolso?
-Ele pode não ter fugido, mas alguma coisa muito séria aconteceu e... – Saga falava, quando percebeu que Violet, em pé ao seu lado estava extremamente pálida – Violet? Aconteceu alguma coisa, amor? VIOLET!
O grito de Saga foi a última coisa que a jovem mulher ouviu, antes de desmaiar e cair, sendo amparada pelo noivo...
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Continua...
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Agora que coloquei o Aiolos no modo príncipe encantado, vocês que lutem para suportar todo o cuidado, preocupação e romantismo do sagitariano... Bem, a família já sabe do sumiço do Ed, vão descobrir o que aconteceu com ele? E Violet, agora que ele está desaparecido, vai contar ao Saga sobre Melinda, na esperança de ajudar a nossa garota sofredora? Aguardem os próximos capítulos...
Dando um tempo no passado envolvendo Saga, Kanon e Aiolos, tivemos uma leve introdução à história pregressa dos irmãos Amamiya! Ainda conheceremos outras passagens de suas vidas, elas serão importantes para o desfecho dos irmãos nesta fic... Desfecho, Sheila? Olha você falando de "final" de novo... Pois é, pessoas lindas, isso é para prepará-las para a informação que vem a seguir...
A fic está entrando em sua reta final, ainda tem várias coisas para acontecer, mas essa é a verdade nua e crua...
Reviews?
Dani Polaris, Violet é rainha sim nesta fic, o que farei com ela a partir da cena final deste capítulo? Só Deus e minha cabecinha ficwriter sabem... Bjo pra tu!
Revenge os Queen Anne, calma! Segura o anjo aí que Alberich ainda receberá uma punição maior pelo que fez, mas não pelas mãos do Olos, ele não iria matar um "companheiro" de trabalho assim... Aliás, falando nele acho que o coração tá ainda mais abalado por tanto cuidado e carinho, né? Sobre Saga e Kanon serem burros, não diria isso, os chefões de verdade da época também não usavam pseudônimos ou nomes falsos, mas enfim... É bom pra criar drama, se não tem drama, não tem fic... Bjo!
