Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.

Músicas do capítulo?

"Naufrago", "What comes around, goes around" "Love is a losing game"… Só procurar pela playlist Public Enemies do Spotify pessoal!

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Capítulo XVIII

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Ainda crianças, Ikki e Shun perceberam que sobreviverem sozinhos seria mais difícil, as crianças que viviam a mais tempo no orfanato tinham suas próprias panelinhas e se ajudavam, assim como as crianças e adolescentes do bairro. Se quisessem continuar juntos e sair daquele orfanato para ganhar seu lugar no mundo, seria preciso ter sua própria "família". E o fato de que o orfanato recebia crianças órfãos de diversas origens facilitou e muito o trabalho dos irmãos Amamiya.

O primeiro a se juntar à panelinha foi um menino oriental como eles, da idade de Shun e que tinha uma irmã mais velha. Seiya era seu nome, havia se tornado rapidamente o alvo preferido dos mais velhos para traquinagens, por não deixar nenhum desaforo barato. E, como estava sozinho no começo, sempre levava a culpa pelas confusões e o castigo como conseqüência.

Até o dia em que Ikki o defendeu. Agora, eram um trio muito unido naquele orfanato...

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-Violet? Amor, acorde! – Saga sacudia levemente a jovem mulher, desmaiada em seus braços – Violet?

Afrodite logo se aproximou com um copo de água, mas Violet não acordava. Extremamente preocupado, Saga a pegou no colo e foi em direção à saída da sala.

-Continuem a reunião, assuma o comando Kanon... Eu vou levar Violet para a suíte, descerei assim que possível.

O irmão assentiu e todos voltaram a se sentar, mas visivelmente preocupados. Kanon então tomou a palavra.

-Violet ficará bem, vamos nos ater ao que Shura nos contou antes de ela desmaiar. O que acha que pode ter acontecido com Ed? – ele perguntou, voltando-se ao espanhol.

-Eu não sei, Kanon... Temo que não seja coisa muito boa...

-Eu ainda tenho contato com alguns mensageiros e entregadores de jornais que eram colegas do Edward... – Máscara disse, tomando a frente – Vou verificar com essa molecada se viram ou ouviram alguma coisa sobre o Ed.

-Faça isso, Máscara. Eu também não tenho um pressentimento muito bom sobre o que pode ter acontecido a ele.

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Assim que entrou na suíte, Saga deitou Violet sobre a cama e correu de volta para fechar a porta do quarto. Estava retornando para perto da noiva quando a ouviu acordar, com um longo suspiro.

-Violet? – ele se sentou ao lado dela, a jovem abriu os olhos – Como se sente, amor?

-On-onde estou?

-Na sua suíte, eu a trouxe para cá após desmaiar durante a reunião com os rapazes.

-Que reunião? Oh meu... – Violet de súbito se lembrou não somente da reunião, como das palavras de Shura sobre o sumiço de Melinda – Deus! O que aconteceu com ela, Saga?

-Ela? Estávamos falando do Edward, Violet.

-Sim, sim, eu sei... – A mulher estava nervosa – Me diga, o que aconteceu, por favor!

Ela se levantou até ficar sentada na cama, segurando com força a camisa de Saga, como se exigisse uma explicação sobre o que tinha acontecido com Melinda, o motivo de ela estar desaparecida. O rapaz ficou um tanto desconcertado com aquela reação, não imaginava que a noiva se importasse tanto com o mensageiro.

-Violet, por favor se acalme... Eu vou descobrir o que houve, mas você precisa ficar calma, está muito nervosa...

-Por favor, Saga... – De repente, ela tinha lágrimas nos olhos – Ela é só uma menina, algo de muito ruim pode ter acontecido... Ou acontecer...

-Amor, você está confusa... – Saga a abraçou, tentando acalmá-la – De que menina está falando?

Foi então que Violet se deu conta de que estava se referindo à Melinda pelo feminino... O susto pelo que Shura falara era tão grande que ela não havia percebido, mas... Por Deus, agora entendia angústia que tinha tomado conta de si nos últimos dias... Era porque alguma coisa ruim estava para acontecer com aquela garota, a quem gostava como se fosse uma irmã mais nova.

Ouvindo a respiração de Saga, Violet controlou a sua própria e então se reergueu, já não chorava mais. Limpando o rosto com o lençol mesmo, ela voltou a encarar o rapaz.

-E então? – Saga questionou, querendo entender o que a jovem mulher estava dizendo antes de ele a abraçar.

-Desculpe, Saga, eu... É que a notícia trazida pelo Shura me deixou sem chão, confesso. Eu tenho sim um carinho grande pelo Ed, é como se fosse um irmão mais novo... Por favor, você precisa encontrá-lo, ter certeza de que ele está bem.

-Ah, meu amor... – Saga acariciou demoradamente o rosto tão adorado – Eu prometo que vou fazer tudo que puder para encontrar o Ed.

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Logo pela manhã, ainda que sob protestos de Afrodite por sair sem tomar o café da manhã juntos, Máscara da Morte saiu para procurar por um de seus contatos junto aos entregadores de jornais. Como costumava fazer, parou junto a um poste de iluminação próximo à gráfica que ficava no cais e aguardou, de maneira displicente. Logo, um rapazinho loiro veio lhe falar.

-Precisa de um jornal, senhor?

Ele assentiu e então abriu o mesmo, abaixando um pouco as folhas para que o garoto pudesse também fingir que o lia, como se ambos estivessem discutindo sobre alguma notícia do dia.

-Preciso de um favor, e desta vez a recompensa que pagarei será alta... – os olhos azuis do garoto brilharam – Procuro pelo mensageiro Edward Grant, lembra-se dele?

-Sim, senhor.

-Ótimo... Quero que descubra se há alguma conversa por aí sobre ele, qualquer coisa que puder me informar.

-Farei isso, senhor! Para quando precisa dessa informação?

-O mais rápido possível, garoto! Tome... – ele deu ao rapazinho um cartão onde anotou um endereço, junto de uma nota de 50 dólares – Fique com este cartão, me procure nesse endereço quando souber de alguma coisa.

O garoto concordou com um aceno e então saiu em disparada pela calçada. Máscara ainda ficou um tempo ali parado, acendendo um cigarro e fumando, pensativo. Certamente o entregador não tardaria com notícias.

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Em pouco tempo, o trio formado pelos irmãos Amamiya e Seiya se tornou respeitado entre as crianças do orfanato e também do bairro, eram poucos os que ousavam mexer com aqueles três sem tomar uma surra como conseqüência. Ikki e Seiya não deixavam as provocações baratas, mesmo Shun não concordando com aquelas atitudes do irmão e do amigo.

Alguns meses se passaram e então o orfanato recebeu um novo morador. Um garoto muito sério e quieto, que com certa freqüência era visto sentado sobre sua cama, em uma posição estranha e de olhos fechados. Segundo as poucas vezes em que abrira a boca para falar com alguém, aquilo era meditação.

Sua personalidade calma e tranqüila logo chamou a atenção de Shun, que se aproximou do menino. E assim, o trio virou um quarteto quando Shiryu passou a andar com os meninos para todo canto...

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-Já souberam do último boato que circula pelo cais? – Shiryu disse, enquanto tomava uma xícara de chá no escritório dos irmãos Amamiya, em reunião com ambos e Seiya.

-Do que está falando, Shiryu?

-Estão dizendo que o mensageiro dos Stravos, o tal de Edward Grant, foi pego pela polícia.

-Ouvi alguma coisa... – Shun disse, sem tirar os olhos de uma pilha de papéis que analisava – Mas não tive tempo de procurar saber se era verdade ou não.

-Se isso for verdade, é muito azar do moleque... – Ikki completou, enquanto se servia de uma xícara de café, com um leve e raro sorriso nos lábios.

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-Seus ferimentos estão melhores hoje, Melinda... – o dr. Aldebaran dizia, enquanto auscultava os pulmões da garota – O corte na boca está cicatrizando rápido, seu olho está bem menos inchado também... E seus pulmões estão bem. Só precisamos continuar trocando os curativos e ministrando a medicação para dor.

-É bom ouvir isso, doutor. Estou cansada de ter que parar para respirar e acostumar com a dor toda vez que quero me sentar na cama ou virar para um dos lados do colchão...

Ambos riram e nesse momento Marin entrou pelo quarto, trazendo uma bandeja com o almoço para Melinda. O médico deixou as duas jovens sozinhas, fechando a porta do quarto ao sair. A enfermeira ajeitou os travesseiros para que Melinda pudesse ficar mais confortável e colocou a bandeja sobre a cama, para que ela pudesse então comer.

-Quando vou poder comer outra coisa que não seja uma sopa?

-Quando o dr. Aldebaran me disser que está pronta para comer sem sentir tanta dor, oras! E isso ainda não aconteceu.

Como ela também estava em horário de almoço, Marin pegou o outro prato de sopa que estava na bandeja e passou a comer também, fazendo companhia para a garota. Aos poucos, estavam rindo e conversando como velhas e boas amigas.

-... E foi assim que o Aiolia me pediu em casamento! – Marin falava, mostrando o anel de noivado para Melinda – Apesar de quase ter matado o garçom do restaurante com o escorregão, foi um pedido lindo.

-Gostaria de conhecê-lo, Marin, ele parece ser um homem muito bom.

-Podemos dar um jeito de isso acontecer quando sair daqui! – a enfermeira se animou com a ideia – E você, Melinda? Sei que como "garoto" você não poderia ter um namorado, mas... Nenhum rapaz que goste, que quisesse namorar?

Negando com um menear, Melinda se ocupou por um momento apenas com a sopa que tomava. Não falaria de Shura para Marin. Até porque havia percebido, naqueles dias afastada e internada no hospital, que de fato não gostava dele, não como Marin gostava de Aiolia, ou Violet de Saga... Aliás, a dona do Phaternom e o gêmeo mais velho eram as únicas pessoas que ela sentia falta estando ali, queria muito um jeito de conseguir avisar a jovem mulher do que havia acontecido e onde estava. Na verdade, era um misto de sentimentos que povoavam seu espírito estando ali, naquele hospital. Alegria por não precisar mentir sobre quem era de verdade. Receio por não ter notícias de Violet, ou como dar as mesmas a ela. Alívio por estar fora do alcance das mãos, beijos e obssessão de Shura. Medo por não saber o que acontecia lá fora, e se seu sumiço poderia implicar em algum problema para Aiolos...

-E Aiolos? – ela perguntou para Marin, quase que automaticamente ao pensar no inspetor.

-Ah, meu cunhado é um caso à parte... – ela riu, deixando o prato vazio de lado – Acho que ele decidiu se casar com o trabalho, é para isso que ele vive! Até hoje só conheci uma namorada dele, e isso já faz algum tempo... Ela era atendente em uma confeitaria perto da central, mas o namoro durou poucos meses... – Marin olhou bem para Melinda, a garota parecia reagir de maneira um tanto diferente ao ouvir sobre a "vida amorosa" do cunhado – Mas, eu sinceramente acho que ele ainda não encontrou a garota certa para ele.

-Será?

-Eu penso que sim... Ele é o tipo de homem que não desiste fácil das coisas ou do que acredita, um turrão que quando entra em uma corrida, vai até o fim, mesmo que não tenha condições. A garota certa para ele tem que ser, no mínimo, uma sonhadora... Mas de pés no chão e pensamento firme para conquistar seus objetivos.

Melinda, em silêncio, ouvia as opiniões de Marin e as processava em sua mente. A enfermeira não deixou de notar que ela parecia nutrir algum sentimento pelo rapaz, talvez algo mais forte que gratidão, carinho ou respeito. Sorriu, mais para si mesma do que para que a garota visse... Talvez, pensou, aquela situação toda poderia render um final bem surpreendente para ambos...

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-Eu não consigo entender um ponto nessa história toda Mu... – Aiolia dizia ao parceiro, enquanto ambos organizavam os arquivos com as últimas considerações sobre a investigação contra o Stravos – Se o mensageiro fugiu estando sob custódia, por que meu irmão não foi atrás dele, ou designou um patrulheiro para isso?

-Eu confesso que também estou estranhando essa atitude do Aiolos. Pelo que conheço dele, assim que soubesse da fuga, ele imediatamente voltaria à central e daria um jeito de ir atrás do garoto ou nos mandar ao hospital para colher os depoimentos de médicos e enfermeiras sobre o corrido.

-Eu... – Aiolia solto um suspiro e então olhou para os lados, para ter certeza de que somente o parceiro o ouvia – Eu estou certo de que ele está nos escondendo alguma coisa.

-Hum... Sabe de uma coisa, Aiolia? – Mu de repente se lembrou de algo que poderia ajudá-los – A Marin não estava de plantão no hospital no dia em que o "incidente" aconteceu?

-Você está certo, Mu! Eu irei buscá-la ao final do plantão de hoje, vamos sair para jantar juntos... Aproveito para sondar se ela sabe de alguma coisa.

-Faça isso e então... – Mu cortou o que dizia, ao reparar que Aiolos saia de sua mesa e já esta quase no corredor da central, vestido com seu paletó e guardando a carteira no bolso interno do mesmo – Já está de saída, Aiolos?

Aiolia olhou na direção do irmão, assim como todos os policiais que estavam por perto. Incomodado com a atenção repentina sobre si, Aiolos voltou um passo na direção dos dois, um tanto constrangido.

-E qual é o problema, Mu?

-Aparentemente nenhum, exceto pelo fato de que está saindo bem mais cedo que o seu habitual...

-Isso é verdade, irmão.

-Ora, vocês dois continuem com seu trabalho e não me amolem! Eu só preciso resolver umas coisas na rua, antes de ir para casa...

E saiu da central, sem dizer mais uma única palavra a ninguém.

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Era quase noite e Saga e Kanon estavam no apartamento de Afrodite, esperando Máscara da Morte sair do banho para conversarem com o italiano, saber se tinha alguma notícia de Edward ou em que pé estavam suas "investigações". Já no Phaternom, Violet havia dito à Camus logo pela manhã que não iria trabalhar naquele dia, ficou o tempo todo trancada em sua suíte, tentando se manter calma e não pensar em bobagens sobre o que poderia ter acontecido à Melinda.

Shura, por sua vez, estava ficando louco sem saber o que havia acontecido. Não conseguia ficar quieto em seu apartamento, nem se concentrar em coisa alguma. Seu pensamento era somente um, e como estava se odiando por isso: Melinda, sem dar notícia alguma até aquele momento, só podia estar morta. Por quem... E por qual motivo, só Deus poderia saber...

-¡Mierda! ¿Donde estas mi angel?- ele perguntou a si mesmo, atirando-se no sofá da sala, a cabeça entre as mãos – Ah, mi angel...

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Quando chegou ao hospital, Aiolos primeiro procurou pelo médico para saber sobre o estado de saúde de Melinda e somente então foi para o quarto ver a garota. Encontrou Marin se despedindo dela, pronta para ir embora, Aiolia logo chegaria para buscá-la. Mas é claro que não poderia sair sem fazer algum gracejo ao ver o cunhado, ainda mais ao perceber o que ele carregava em uma das mãos.

-De qual jardim roubou essas flores, Aiolos?

-Ah, Marin...

O rapaz não soube o que dizer, visivelmente vermelho e sem graça. Despediu-se logo da cunhada, que saiu do quarto dando risadas e então se aproximou da cama, onde viu que havia uma bandeja com comida. Melinda lhe sorriu e então paralisou ao ver o buquê que ele segurava.

-São para você... – ele disse, entregando o buquê* para Melinda. Uma mistura perfeita de zínias magenta, dálias rosadas e angélicas brancas.

-São... São lindas! Eu nunca... Nunca ganhei flores antes... - ela disse, aspirando o perfume suave que emanava daquelas flores – Obrigada, Aiolos.

-Me dê aqui, depois vejo se encontro um vaso para poder colocá-las! – ele deixou o buquê sobre uma mesinha de canto – Este é o seu jantar?

-Ah, é sim, Marin o deixou antes de ir embora... Finalmente poderei comer alguma coisa que possa mastigar, o dr. Aldebaran permitiu nesta tarde.

-Quer que eu saia do quarto, para não te atrapalhar?

-Não! – a negativa acabou saindo mais enfática do que Melinda gostaria – Você... Você pode ficar, não me atrapalha.

Ele então se ajeitou melhor sobre o colchão e passaram a conversar sobre como tinha sido o dia de trabalho do rapaz, enquanto a garota jantava.

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Em outro ponto da cidade, em um outro jantar, Marin já havia percebido que Aiolia estava estranho, como se quisesse lhe falar alguma coisa e não soubesse como, ou por onde começar. Por vezes sorriu ao observá-lo tentar, o noivo era péssimo em esconder algo que o incomodava. E, esperta como era, logo deduziu do que se tratava todo aquele ensaio...

-Aiolia... – ela disse, deixando de lado por um momento a sua sobremesa – Por que não me diz logo o que tanto te incomoda? Ou terei que esperar você falar somente quando já estivermos na porta da minha casa?

-Marin... – ele bufou, a jovem sempre sabia quando ele queria falar, ou estava mentindo, ou mesmo escondendo algo – É sobre um caso envolvendo meu irmão.

-O que tem o Aiolos?

-Há umas noites atrás, ele foi para o hospital onde você trabalha, levando um garoto ferido para ser examinado... – Marin assentiu, e Aiolia continuou seu relato – Mas ele disse que o garoto fugiu antes mesmo de ser examinado e eu... Bom, eu acho essa história muito estranha. Como ele poderia ter fugido sem ser visto?

-Ele foi deixado na enfermaria que fica próxima às escadas de emergência. Não é muito difícil uma fuga por ali.

-E ele não foi atrás do garoto?

-Quando percebemos a fuga, já era tarde Aiolia. Os homens da segurança procuraram pelo entorno, mas não encontraram nem um sinal do garoto. Aiolos perguntou aos médicos do plantão, as outras enfermeiras, mas ninguém sabia de nada, ou tinha visto alguma coisa.

Aiolia encarou a noiva, Marin estava calma e falava com tranqüilidade, quase como se seu rosto fosse uma máscara. Bom, considerou, ela não mentiria para ele, certo? Com um sorriso voltou a comer, não percebeu que Marin o fitava com certa intensidade. Não gostava de mentir para o rapaz, mas confiava em Aiolos e sabia que com certeza havia um bom motivo para esconder Melinda daquela forma, no hospital.

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Enquanto Melinda terminava de comer, Aiolos saiu do quarto por um instante para ir ao banheiro. Quando saía do cômodo, foi interpelado pelo dr. Aldebaran, que o puxou até a entrada da ala infecto-contagiosa para que ninguém os visse, ou interrompesse a conversa.

-O que foi, Aldebaran?

-Aiolos, eu estou preocupado com o que pode acontecer com a Melinda, estando internada no isolamento. Um dos médicos que administram o hospital já me perguntou sobre a notificação à vigilância sanitária, eu consegui enrolar ele com a resposta... Mas não sei se poderemos mantê-la aqui além do tempo previsto de isolamento padrão.

-Eu vou pensar em algo sobre isso, obrigado pela preocupação, meu amigo.

Despedindo-se do médico, Aiolos entrou no quarto. E, quando o fez, viu que Melinda estava de pé ao lado da mesinha de canto, abraçando fortemente o buquê em seus braços. Parecia que estava chorando.

-Melinda, você... Você já pode se levantar?

-Pode me ajudar a subir de volta à cama? – ela pediu enxugando as lágrimas, deixando as flores sobre a mesa e se voltando para a cama, Aiolos a suspendeu levemente pela cintura e a ajudou a se sentar de maneira confortável – Obrigada.

Ele voltou a se sentar sobre o colchão, Melinda o encarou demoradamente. Havia tomado uma decisão no curto espaço de tempo que o rapaz estivera fora do quarto, ele era alguém tão honesto, tão amável e... Tão cuidadoso consigo. Não merecia ficar no escuro. Não mais. Ele estava sentado com uma das pernas dobradas sobre a outra, as mãos em cima do joelho. Melinda esticou uma das suas até tocá-las e então falou.

-Você me disse há algum tempo que o que eu dissesse sobre os Stravos e seus negócios, aqui neste quarto, não era oficial, certo?

-Sim, e mantenho minha palavra sobre o que lhe disse. Tudo que falar sobre a família aqui, entre essas paredes, não sairá daqui.

-Então... – ela apertou uma das mãos de Aiolos – Me pergunte o que quiser sobre a família Stravos, Aiolos. Eu estou pronta para falar.

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Continua...

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A música do capítulo poderia ser "Flores em você" do IRA!, mas ela não está na playlist da fic, sorry... E aí pessoas, Melinda vai falar! O que ela vai contar para o Aiolos, hein? Os esquemas que ela conhece, a estrutura de negócios, os abusos do Shura?

* O buquê foi montado pensando no significado de cada flor mencionada: Zínias magenta simbolizam afeto; angélicas brancas são associadas à pureza e harmonia e as dálias rosadas caracterizam delicadeza.

Reviews!

Gemini Thai, imagina meu coração então como bate quando vejo/escrevo com o Aiolos! Olha, se quiser uma ajudinha,opinião com o que está escrevendo, me manda um inbox que te passo meu e-mail e tu me manda a fic! Vai ser um prazer ajudar de alguma forma! Beijo!

Revenge of Queen Anne, vai ter mais overdose diabética na fic, eu juro! E quanto à Violet, ela vai sofrer, mas não como a Melinda sofreu, calma! Só espero que depois você não queira se vingar de mim com o que planejei para ela e ainda não revelei... Por falar em vingança, no próximo capítulo Alberich vai descobrir o significado dessa palavra... Beijo!