Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Vamos inverter a ordem pela última vez nesta fic e começar com os reviews?
Gemini Thai, exato, Shura nunca foi um cara bom nesta fic, ele apenas parecia ser bom porque ainda não sabia da verdade sobre a Melinda! Eu quis fazer isso de propósito, mostrar que boa aparência ou gentileza não significam exatamente um bom caráter... E quanto ao Ikki ser o antagonista da fic, você vai ver neste capítulo aqui que ele e Pandora nunca estiveram sozinhos nessa...
Revenge of Queen Anne, não somente o Ikki e Pandora estavam tramando, você vai ler isso já já... A cabeça da Pandora tb? Que pessoa vingativa, meu Deus, se aquiete! Tá, eu sei que a vingança tá no seu nome e sangue, mas... Aiolos é rapaz direito, moço de família respeitador, viu? E muito príncipe também!
Capítulo escrito ao som de "Naufrago" e "Paint in Black", este o tema dos antagonistas da fic...
Vamos ao capítulo, então! Ah, só um último aviso: eu meio que me arrependi de ter perguntado como imaginam o final dos personagens... Porque agora tô com medo de sofre retaliações e ameaças de vingança pesadas por causa dos finais de cada um...
-x-x-x-x-x-
Capítulo XXI
-x-x-x-x-x-
Apesar de não ser o hotel onde estava hospedada, ou mesmo o antigo cortiço onde havia morado uma parte de sua vida, nunca Melinda havia dormido tão bem quanto aquela noite. Sentia-se segura estando no apartamento de Aiolos. E não somente porque sabia que Shura ou qualquer outro membro da família jamais a encontraria ali, mas porque tinha certeza de que o rapaz que dormia no sofá da sala não se atreveria a procurar por ela no meio da noite, querendo satisfazer seus desejos e vontades. Espreguiçando-se, levantou-se da cama assim que sentiu o calor do sol que entrava pela fresta da janela
Não que ele não os tivesse. A bem da verdade, o rapaz custou a pegar no sono e não era porque seu sofá era duro ou desconfortável, mas sim porque volta e meia seus pensamentos o tiravam de seu trabalho para a garota que dormia em seu quarto. Ainda tinha dúvidas se levar Melinda para seu apartamento tinha sido uma boa ideia, mas pior era pensar que, talvez em poucos dias, ela estaria recuperada e pronta para ir embora de uma vez.
"Não é bom viver sozinho, meu filho... Um homem não é uma ilha, ele precisa de alguém para partilhar a vida, ensinar e aprender, cuidar e ser cuidado, amar e ser amado de volta... Construir uma família, laços, bens, uma vida toda pela frente..."
A voz do "velho" Hector Kinaros ecoava em sua mente quando ouviu a porta do quarto se abrir e Melinda sair, ainda um tanto sonolenta, e ir para o banheiro. Aproveitou esse tempo para pegar suas roupas no quarto e colocar a água para ferver e fazer um café. Pouco depois, ela saiu do cômodo já trocada, usava um conjunto de saia e blusa que Marin havia comprado.
-Bom dia, Aiolos... Dormiu bem no sofá?
-Ah, sim, só foi difícil no começo da noite, mas me ajeitei rápido. Você pode ficar de olho na água do café enquanto vou ao banheiro?
-Claro...
Mais alguns minutos e tomavam café juntos, Aiolos já pronto para o trabalho, e lendo um jornal que o entregador sempre deixava no tapete de boas-vindas do apartamento. Enquanto observava o rapaz entretido com as notícias, Melinda não deixou de sorrir.
-O que foi? – Ele perguntou, sentindo-se observado – Quer ler também? Só me dizer qual caderno gosta mais e...
-Não, Aiolos, eu... Não costumo ler jornais, muitas coisas escritas nele não entendo direito.
-Como assim?
-Eu... Eu só sei o básico em leitura e escrita... – ela disse, envergonhada – E um pouco de matemática também... Nunca pude estudar de verdade, desde muito cedo eu ajudava meu irmão com o trabalho dele.
-Precisamos mudar isso então. Sabe, existem escolas para jovens senhoritas na cidade, podemos procurar uma delas para você e... – Aiolos calou-se de súbito, ao perceber que fazia planos para Melinda, sem ao menos perguntar o que ela gostaria.
Pior: sem ao menos saber como seriam as coisas entre eles no futuro...
-Parece uma boa ideia, Aiolos... Quem sabe... – ela disse evasiva, percebendo a mudança de tom e jeito na voz dele, talvez estivesse pensando as mesmas coisas que ela.
Em como seria a vida de ambos dali em diante...
-x-x-x-x-x-
Na central, Aiolia e Mu haviam chegado mais cedo que o habitual para dar continuidade ao levantamento de informações pedido por Aiolos, mas não estava sendo nada muito fácil. Os negócios dos tais Amamiya eram todos lícitos, nem mesmo os informantes que consultaram tinham alguma informação que fosse relevante para entregar.
Estavam às voltas com a análise de notas fiscais que tinham conseguido reunir quando Hyoga e Isaak chegaram e se sentaram ao redor da mesa com os dois parceiros.
-Bom dia!- Isaak cumprimentou a ambos – O que estão fazendo?
-Levantando informações a respeito de dois irmãos, Ikki e Shun Amamiya, a pedido do Aiolos.
-Amamiya? – Hyoga arqueou levemente a sobrancelha, mas não havia alteração em seu tom de voz – O inspetor disse o motivo?
-Segundo meu irmão, eles podem ter alguma conexão com os negócios dos Stravos.
Trocando olhares, Hyoga e Isaak sentaram-se à mesa com os dois amigos, para supostamente ajudar com a análise. Mas, por dentro, o alarme de atenção havia sido ligado...
-x-x-x-x-x-
Com o passar do tempo, um a um os "garotos" foram deixando o orfanato e os planos de Ikki e Shun para conquistarem dinheiro e, principalmente, poder, ia ganhando forma. Após a morte do dono do armazém onde Ikki trabalhava no cais, de uma maneira "inexplicável" o rapaz herdou os negócios do patrão.
Pouco a pouco, os negócios foram crescendo e os irmãos puderam colocar em prática a primeira parte de seu grande plano em ação: o "treinamento" de seus aliados. Ah sim, porque para o que planejavam a longo prazo, seus amigos deveriam estar bem preparados para o futuro. Assim, Hyoga e Isaak entraram para a academia de polícia, Seiya e o próprio Shun fizeram um curso de administração e negócios.
Shiryu entrou para a faculdade de direito e, durante o curso, conheceu a "última" peça que faltava para o grupo poder, futuramente, colher os frutos de sua dedicação. Uma jovem de família rica, mas quase falida, que estudava direito porque queria trabalhar na promotoria da cidade. Em pouco tempo, Saori Kido entrava para o grupo e também para a vida de Seiya, com quem iniciou um relacionamento.
Todo esse preparo tinha um único objetivo final: derrubar os negócios dos Stravos, os irmãos gregos que comandavam o submundo de New York. E se tornarem os novos donos da cidade...
-x-x-x-x-x-
No horário do almoço, a mando de Hyoga, um mensageiro fez uma "pequena viagem" pela cidade para entregar alguns recados de extrema urgência. Ikki, Shun e Seiya receberam o seu no escritório do armazém; Saori, enquanto organizava o arquivo da promotoria a pedido de Shaka; Shiryu enquanto aguardava um de seus clientes para uma reunião importante e Pandora no novo hotel onde se hospedava, para onde havia se mudado após enviar o recado à Misty na noite anterior.
A mensagem para todos era exatamente a mesma: uma convocação de emergência para aquela mesma noite, às 19 horas, no local secreto para reuniões.
-x-x-x-x-x-
No Phaternom, Violet já não sabia mais o que fazer ou pensar. Não conseguia se concentrar no trabalho ou nas conversas com Camus, que tentava sem sucesso descobrir o que estava acontecendo com a amiga. Todos os seus pensamentos e forças estavam concentrados em Saga. Ou melhor, na busca dele por Melinda nos hospitais e centros médicos da cidade e arredores. Mas, na parte da manhã não tivera nenhum sucesso. E, algo lhe dizia que após o almoço seria exatamente a mesma coisa.
Não muito diferente de Máscara da Morte e Kanon, nenhum mensageiro ou entregador procurado por eles tinha informações sobre um possível paradeiro de Edward. E, com a falta de notícias e os dias que já haviam se passado, apenas um pensamento se tornava constante em suas mentes, uma única possibilidade.
Edward Grant estava morto...
-Eu não quero pensar nisso, Saga... – Violet disse em um murmúrio, quando o rapaz voltou de mais uma busca, sem sucesso – Melinda não pode ter morrido assim, eu me recuso a aceitar isso.
-Eu sei, amor, mas a cada hora essa possibilidade se torna mais verdadeira... Eu não sei mais o que fazer para encontrá-la, eu sinto muito...
Ao perceber que o rapaz parecia prestes a entregar os pontos, Viole não agüentou mais. Baixou a cabeça sobre sua mesa, apoiando a mesma com os braços e chorou, logo os soluços e espasmos tomaram conta de seu corpo. Saga, percebendo que ele também logo acabaria se deixando levar pelo que a jovem mulher sentia, a abraçou com força.
-Não fique assim, amor... Por você, eu não vou desistir, eu vou continuar buscando por Melinda...
-x-x-x-x-x-
Como estava sozinha no apartamento, Melinda não quis cozinhar no almoço e se virou com as sobras do jantar. E ficou "caçando" o que fazer pelo apartamento, para passar o tempo até chegar a noite e ter companhia novamente. Cuidou das plantas na varanda e no terraço, o local onde, por sinal, havia deixado em definitivo o vaso com as flores que havia ganhado de Aiolos. Era olhando para elas, sentada em uma das espreguiçadeiras, que ela se perdeu em pensamentos sobre o rapaz e sua família.
Enquanto verificava com certa curiosidade os livros que o rapaz tinha em sua estante, ela se deparou com um porta retratos que não tinha reparado no dia anterior, era uma foto de família, pelo cenário de fundo havia sido tirada no Central Park. As pessoas retratadas na foto estavam sentadas ao redor de uma mesa de concreto, onde havia frutas, pães, bolos... Um piquenique.
Reconheceu Aiolos na ponta de um dos bancos, ele estava ao lado de um jovem casal que se abraçava para a foto, reconheceu também Marin e o rapaz deveria ser o noivo dela, Aiolia, era bem parecido com o irmão. No outro banco, um casal mais velho, certamente os pais do inspetor, pois a mulher tinha os olhos no mesmo formato que Aiolos, e um rapaz mais jovem que os irmãos, pelos olhos e traços deveria ser o irmão da enfermeira.
Uma família que parecia realmente feliz. Quando deu por si, estava chorando de maneira silenciosa no pequeno terraço...
-x-x-x-x-x-
O dia estava terminando, de certa forma, estranho na central. Hyoga e Isaak passaram boa parte do dia calados e pediram para sair mais cedo, alegando alguns problemas particulares a resolver. Aiolia e Mu passaram boa parte de seu tempo trabalhando na tarefa pedida por Aiolos, quase não interagiram com os demais companheiros. E o próprio inspetor parecia distante. Por fim, acabou fazendo como os subordinados e saiu mais cedo, dizendo ao irmão e o amigo que poderiam fazer o mesmo, se quisessem.
No caminho que fazia todos os dias para ir embora, passava em frente a uma floricultura. A mesma onde havia comprado o buquê para Melinda. Meio incerto quanto à atitude que estava tomando, entrou pela pequena loja e saiu alguns minutos depois carregando um novo buquê. Mas, desta vez, as flores eram diferentes. E, como tinha saído mais cedo e Melinda não sabia disso, passou em um restaurante que gostava muito e comprou o jantar.
Entrou no apartamento chamando pela garota, percebeu que o chuveiro estava ligado, ela estava no banho. Sorriu, poderia então fazer uma surpresa melhor que a "não planejada" de início. Tomando cuidado para não ser ouvido ou derrubar o que carregava, ele levou para o terraço as flores e o jantar. Voltou e subiu com talheres, pratos e copos. Só não conseguiria tomar um banho antes que tudo esfriasse, mas ao menos a roupa ele trocou.
Quando Melinda saiu do banheiro, tomou um susto ao ver o rapaz sentado no sofá, esperando por ela. E ele não conteve o sorriso ao ver que ela usava um vestido amarelo em tom e tecido tão suaves que parecia até um pequeno anjo...
-O que faz aqui tão cedo? Ou fui eu quem perdeu a hora do jantar?
-Você não perdeu hora nenhuma, Melinda, eu que saí mais cedo do trabalho. Venha comigo, quero te mostrar algo no terraço...
Ele subiu à frente para ajudá-la e, quando Melinda viu que a mesinha estava arrumada para o jantar, não conteve o sorriso. Que se alargou um pouco mais ao ver o buquê sobre uma das espreguiçadeiras. Eram botões de rosas vermelhas.
-Gosta de peixe grelhado, com molho de ervas?
-Eu... Não sei. Não me lembro de ter comido alguma vez...
-É um dos meus pratos preferidos, me lembra muito a Grécia... Acho que vai gostar também.
Sentaram-se nas espreguiçadeiras, já que o terraço não tinha cadeiras, a noite não estava fria, pelo contrário. Uma temperatura agradável pairava sobre aquela parte da cidade. O jantar seguiu de maneira tranqüila, conversavam sobre amenidades, sobre o trabalho de Aiolos na central, ele lhe contara algumas histórias engraçadas que viveu junto do irmão. Ela, por sua vez, contou sobre como era sua vida quando ainda tinha a companhia do irmão, as dificuldades, os dias em que ficava horas na frente da confeitaria vendendo jornais e desejando experimentar a torta de maçã que faziam por lá, os detalhes da morte de Edward... Ao final da refeição, era como se já estivessem mais íntimos um do outro.
-Obrigada pelo jantar, Aiolos... E pelas flores, são lindas...
O rapaz sorriu em concordância. Então, levantando-se da espreguiçadeira onde estava sentado, ele foi para junto de Melinda, sentando-se ao lado da garota. Ela fez menção de se afastar um pouco, mas ele segurou sua mão e não deixou que se afastasse.
-Minha mãe gosta muito de flores, e cultiva uma grande variedade delas no jardim de casa... – ele começou a falar, acariciando a mão de Melinda com seus dedos – Sabia que flores têm significados? – ela negou com um menear – Rosas vermelhas, mas totalmente abertas significam paixão, ou um amor já existente e profundo. Já os botões... – ele apontou o buquê deixado ao lado da garota – Significam um grande afeto, que está se tornando um amor nascente...
O olhar que Melinda direcionou ao rapaz era de surpresa ao ouvir aquelas palavras. Era possível que ele... Que ele realmente estivesse apaixonado por ela? Ou quase isso, ao menos? Não sabia o que dizer diante daquela pequena confissão, o encarou com o olhar um tanto aflito, ele estava sorrindo. Então Aiolos segurou o rosto de Melinda com as duas mãos para lhe dar um beijo, mas...
-Aiolos, por favor... – ela estremeceu, mas afastou as mãos dele de seu rosto e baixou a cabeça – Não faça isso...
-O que foi, Melinda? – ele estava confuso com a atitude dela – O que aconteceu?
-Você não merece alguém como eu na sua vida, Aiolos... Eu só iria arrastá-lo para o meio dos meus problemas, dores, traumas... – ela começou a falar, como se estivesse prestes a explodir de tensão – O que eu tenho a oferecer para você além dessas coisas? Não tenho estudo, casa, profissão, família... Sequer uma vida de fato minha eu tenho... E sua família, seus pais e irmão, como me receberiam?
-Melinda, por que isso te...
-Porque eu não sirvo para você, Aiolos! – ela o interrompeu, chorando. Era um misto de raiva, dor, tristeza – Eu não sou uma garota que sirva para casar, ter filhos, família... Mesmo um namoro que não tenha futuro, nada!
Melinda estava tão nervosa que não sabia o que fazer, ou falar, as lágrimas caíam sem parar e embaçavam por completo sua visão. Sem tempo ou brecha para conseguir dizer algo em meio àquele desabafo, Aiolos fez o que podia no momento... Abraçou a garota com toda sua força, apoiando a cabeça dela junto ao seu peito, envolvendo de tal maneira o corpo menor que aquele abraço quase se assemelhava a um casulo de proteção. Ela ainda tentou lutar para se soltar dele e se afastar, mas desistiu ao se sentir confortável e quente naquele abraço...
-Meu instinto me diz que você ainda esconde algumas coisas de mim, Melinda... – ele disse, de maneira suave, acariciando as costas da garota – É por isso que me diz essas tolices todas? Acha mesmo que não é digna, seja do meu sentimento ou de qualquer outro homem?
Nem um movimento por parte da garota, ou qualquer palavra. Aiolos decidiu então continuar, embora soubesse que o terreno em que pisaria era perigoso e sensível.
-Melinda, escute... Eu nunca passei por uma situação assim na vida, mas... Mas quando eu era patrulheiro, eu... Eu atendi a mulheres e jovens que viviam situações de violência, e todas tinham tanta vergonha que por diversas vezes não queriam prestar queixa... Pior, todas achavam que tinham alguma culpa ou que não mereciam mais respeito, carinho, ou o que fosse...
O corpo menor sob seu abraço estremeceu por inteiro, a garota voltou a chorar com mais força, embora mal desse para ouvir seus soluços porque seu rosto estava de encontro à camisa do rapaz. Logo, o tecido estava todo molhado.
-Fique calma, por favor... – ele pediu, estreitando mais ainda o abraço - Eu não vou pedir para que esqueça, porque esse tipo de violência não pode ser esquecida, tem que ser combatida e o trauma, tratado, mas... Mas saiba que o que aconteceu não me importa, eu sei que não foi sua culpa.
-Eu... Eu poderia... – Melinda disse, sua voz era quase inaudível - Ter lutado mais...
-Você fez o que poderia fazer, Melinda! Com certeza o homem que a atacou era maior e mais forte, e deve ter feito ameaças também... Como poderia se safar disso? – um suspiro por parte do rapaz – Se você quiser, se sentir preparada para isso, nós podemos registrar uma queixa na central e mesmo não sendo meu departamento, eu cuidarei disso pessoalmente... Mas, se não quiser, se ainda tiver medo, eu respeitarei a sua decisão.
-Eu... Eu ainda... Não sei... – Melinda respondeu, o choro estava mais contido e ela levantou a cabeça para se soltar do abraço de Aiolos. Mas permaneceu com o olhar baixo, estava com vergonha de encarar aqueles olhos verdes.
-Melinda, olhe para mim... – ele disse, puxando o queixo da garota para cima, de maneira sutil, até fazê-la olhar para ele – O que aconteceu no passado não é determinante no que sinto agora, no presente... Não neste caso. O que me importa, é como será daqui para frente... E, se depender de mim, da minha proteção, nunca mais alguém vai te tocar de uma maneira que não queira... A não ser que você mesma permita.
Foi inevitável um pequeno, ainda que tímido, sorriso por parte da garota ao ouvir aquilo. Por que não? Por que não se permitir acreditar e sonhar, mesmo que no dia seguinte a vida resolvesse lhe tirar aquelas palavras, aquele momento? Fechou os olhos, inclinando-se na direção de Aiolos, o rapaz entendeu a intenção e a abraçou novamente, beijando-a devagar e sem pressa alguma...
-x-x-x-x-x-
O orfanato "Filhos das estrelas" estava diferente do que era há alguns anos. As paredes externas estavam pintadas de branco, com cercas de flores e folhas verdes, um quintal amplo nos fundos para as crianças poderem brincar. Salas de aula, de brinquedos, biblioteca, quartos bem limpos e arrumados. Desde que os irmãos Amamiya tinham assumido a hipoteca e parte dos gastos com a manutenção da casa, tudo funcionava melhor. E ainda havia June, uma jovem professora que ajudava na administração do lugar e amava todas aquelas crianças como se fossem seus irmãos e irmãs. E era também o "objeto" da atenção e afeto de Shun.
Mas, naquela noite, não era por ela ou pelas crianças que estava ali, reunido com o irmão e amigos no porão da casa. O lugar secreto para reuniões, cuja entrada era pela lateral da garagem, sem acesso por dentro da casa para não comprometer as crianças ou os funcionários do orfanato. Estavam todos por lá, ouvindo atentos a Hyoga e Isaak, que contavam sobre a investigação pedida por Aiolos.
Ao final da narrativa de ambos, todos os olhares se voltaram para os irmãos. Ikki e Shun trocaram olhares, primeiro preocupados, para depois sorrirem um para o outro. Então, o mais velho pegou duas garrafas, uma de uísque e outra de vinho, que estavam escondidas no porão, e passou a servir a todos os presentes conforme suas preferências.
-Bem, amigos... – Shun levantou-se da cadeira onde estava sentado, ficando em pé ao centro do local, rodeado por todos – Nossos planos continuam em pé, com apenas uma diferença...
-E qual seria, Shun?
-Teremos que acelerar alguns processos, Shiryu... Amanhã, pela manhã, a central e também a promotoria receberão novas denúncias anônimas. Mas, desta vez, mais elaboradas e com os meios necessários para que os Stravos e seus sócios sejam pegos...
-Exato! E tenho certeza que nos próximos dias, estaremos aqui reunidos novamente, mas para comemorar nosso sucesso.
E, entre risos, o grupo brindou ao possível sucesso de seu plano...
-x-x-x-x-x-
Já era tarde da noite quando Aiolos e Melinda desceram do terraço de volta ao apartamento. Mais calma, a garota despediu-se com um beijo de boa noite no rapaz e entrou no quarto, ele permaneceu no sofá da sala. Não faria nada, nem forçaria qualquer situação. Queria que ela visse e entendesse que ele era diferente.
Melinda logo se deitou, mas demorou a pegar no sono. Uma ideia estava começando a tomar forma em sua mente. Algo que a faria ter de uma vez por todas as rédeas da sua própria vida, em suas mãos.
-x-x-x-x-x-
Continua...
-x-x-x-x-x-
A cota de mel e calmaria que ainda restava foi toda nesse capítulo, pessoas... A partir do próximo, a ação e o sofrimento voltam à carga, mas de novas maneiras, para nosso final. Estão preparadas?
