Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Antes de iniciar este capítulo, preciso fazer uma "revelação"... Desde o começo, eu venho colocando aqui para vocês as canções que eu usei/uso para escrever a fic, sempre lembrando que podem ouvi-las na playlist Public Enemies no spotify... Pois bem, falta ainda uma canção que me inspirou a fic como um todo, desde a primeira letra que escrevi até a última.
A partir deste capítulo, esta canção é minha única fonte de inspiração para seguir até o fim: "Gangsta's Paradise" do rapper Coolio, trilha do filme "Mentes Perigosas".
Vamos ao capítulo e também ao início do fim...
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Capítulo XXII
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Quando acordou, Melinda viu que Aiolos já estava de pé e terminava de preparar o café, que ajeitava com cuidado sobre o balcão. Pães, frutas, frios, leite, tudo arrumado com capricho e jeito.
-Bom dia... – ela disse, se sentando em um dos bancos altos que ficavam por ali – O cheiro do seu café está ótimo.
-Obrigado... Posso te servir? – ela assentiu e ele serviu à garota uma xícara de leite com café – Sabe, eu estive pensando em uma coisa, depois da nossa conversa de ontem no jantar.
-E o que é?
-Eu tenho alguns dias de licença em aberto na central... Estava pensando em solicitar essa folga ao capitão para te ajudar com algumas coisas.
-Que coisas?
-Bem, a escola que citei ontem de manhã para você, um lugar para que possa ficar quando se recuperar... Um novo emprego, se assim quiser também.
-Aiolos, eu... – ela suspirou, parando para pensar um pouco – Por que não? Acho que já está mesmo na hora de tomar algumas decisões por mim mesma e não pelas circunstâncias.
O rapaz sorriu mais abertamente e então o café seguiu, em um clima ameno e agradável. Pouco depois, ele saiu para o trabalho. E Melinda, após lavar a louça do café, abriu a gaveta de talheres e pegou a chave reserva do apartamento, que ficava nos fundos da mesma. Trocando de roupa, aguardou o corredor do prédio ficar em silêncio e saiu, discretamente para não ser vista.
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Quando Saori chegou à promotoria, foi correndo para a sala de Shaka, carregando um envelope em mãos. Parecia extremamente eufórica.
-Sr. Shaka, veja isso! – ela entregou o envelope para o promotor – Foi recebido hoje pela recepção do prédio, me parece uma nova denúncia anônima sobre os Stravos!
-Deixe-me ver, senhorita... – o rapaz pegou o envelope e, ao ver seu conteúdo, foi inevitável um enorme sorriso de satisfação e olhos arregalados de surpresa – Senhorita Kido, esta denúncia é um presente dos céus para nossa investigação em conjunto com a central.
-Como assim, Sr. Shaka?
-Eu explicarei no caminho, precisamos ir para a central nesse momento!
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-Aiolos, veja o que chegou à nossa recepção, há pouco mais de uma hora... – disse Isaak, entregando ao inspetor um envelope, semelhante ao que o promotor recebera.
-Por Deus... – o rapaz exclamou, surpreso – Isso é... Inacreditável...
-O que é, meu irmão?
-Veja você mesmo, Aiolia! São provas dos negócios dos Stravos... Fotos, notas, endereços de casas de prostituição e jogos... Vamos para a sala do Dohko agora mesmo, ele precisa ver isso!
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Era estranho andar pela rua vestida de garota, mas, ao mesmo tempo, libertador. Melinda não precisava se policiar com o que falaria ou como agiria, com medo de descobrirem que não era um garoto. Nem mesmo o fato de que seus cabelos estavam curtos e desalinhados a incomodava. Na verdade, a primeira reação de estranheza aconteceu no Spartan, quando, no balcão da recepção, solicitou a chave do quarto que ocupava. O recepcionista reagira desconfiado de início, para então perceber que aquela garota à sua frente era, de fato, o hóspede Edward Grant.
Melinda entrou pelo quarto depressa, não queria ficar ali por muito tempo, aquele lugar não lhe trazia nenhuma boa lembrança. Pegou todas as suas roupas no armário, colocou-as nas sacolas que tinha guardado. Jogou fora a torta de maçã que Aiolos lhe dera, estava estragada já, uma pena... Pegou também o colar que Shura lhe dera, o dinheiro que ainda tinha guardado, seus documentos e do irmão e suas fotos. E, em pouco mais de 20 minutos, deixava em definitivo o hotel.
Primeiro, foi para uma loja e comprou uma bolsa pequena, para poder carregar seus documentos, as fotos e o dinheiro. Depois, foi a um local onde sabia que voluntários aceitavam doações para moradores de rua e órfãos, deixou por lá todas as sacolas que carregava e o colar também, poderiam conseguir um bom dinheiro o vendendo, ela jamais ficaria com aquele presente.
Feito isso, decidiu caminhar um pouco mais pela cidade, até a hora do almoço. E, então, colocaria em prática a segunda parte de sua ideia para aquele dia. Precisava muito fazer uma visita a alguém em especial...
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No apartamento, Saga e Kanon discutiam alguns assuntos pertinentes aos negócios no escritório, quando o mordomo apareceu com um recado para o gêmeo mais novo. Ele pegou o pequeno cartão e leu, dando um leve suspiro.
-O que foi, Kanon?
-Uma nova inspeção de carga dos Amamiya para hoje à noite, em um armazém no Harlem. Irão avisar Máscara da Morte também.
-É difícil pensar em trabalho sabendo que Edward ainda está desaparecido...
-Está se sentindo culpado? Ora, ele aceitou o trabalho porque quis.
-Não, Kanon... Ele aceitou o trabalho porque não tinha outra opção...
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Quando o mesmo recado chegou à Máscara da Morte no apartamento de Afrodite, o sueco recebia Misty, que tinha notícias de Pandora para dar ao "patrão".
-Pandora? Ela o procurou, Misty?
-Mandou-me um mensageiro, com um pedido à você, Afrodite.
-E o que aquela "zinha" deseja?
-Disse que irá para o casarão hoje à noite, e que precisa muito conversar com você.
-Está bem, obrigado pelo aviso, Misty... Poderia me fazer um favor?
-Claro.
-Procure pelo Shura no apartamento dele e transmita este recado a ele também.
Misty assentiu e se retirou, no momento em que o italiano procurava pelo namorado na sala.
-Tenho trabalho esta noite, uma inspeção de carga no Harlem... O que Misty queria?
-Avisar-me que Pandora irá ao casarão esta noite, para falar comigo... Mandei que avisasse ao Shura também... Ah, Giovanni... – ele suspirou, chateado – Não gosto da ideia de perder a ninfa mais requisitada de meu séquito...
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Assim que recebeu o recado de Misty, a primeira coisa que Shura fez foi pegar sua pistola para limpar e munição. Deixaria tudo pronto para dar um fim à ninfa, tal como fizera com Alberich. Ele vingaria sua "angel" de todos os malditos que quiseram fazer-lhe algum mal...
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Melinda almoçou na confeitaria, na mesma mesa onde, dias atrás e como Ed, tinha dividido uma refeição com Aiolos. Sorriu, ele tinha razão... Ela precisava seguir sua vida, da maneira como ela queria. E era isso que estava começando a fazer. Certamente ele ficaria orgulhoso...
De maneira decidida, mas também com um pouco de receio, a garota se dirigiu ao Phaternom. De maneira educada, dirigiu-se ao gerente, que já conhecia de vista, e pediu para conversa com Violet.
-Violet? – Camus abriu a porta da sala de administração, mas não chegou a entrar. Violet estava lendo um livro e levantou a cabeça, acenando para que ele continuasse – Tem uma garota na recepção que pediu para falar com você. Disse que se chama Melinda Grant.
-Oh, meu Deus... – a voz da jovem mulher saiu trêmula – Mande ela entrar, depressa!
Pouco depois, Melinda entrava pela sala com os olhos já marejados. Violet, ao vê-la, não se conteve e correu a abraçá-la, ela chorava também. Ficaram um bom tempo assim, chorando juntas, dizendo, ou tentando dizer, qualquer palavra uma para a outra, mas nem isso conseguiam. Se separaram apenas porque Melinda reclamou de um pouco de dor, suas costela ainda não haviam se curado por completo.
-Sente-se aqui, Melinda, meu Deus... – Violet a levou até uma das poltronas na sala, sentando-se na outra – Eu fiquei tão preocupada com você, eu pensei que... Que tivesse morrido...
-Eu... Eu achei que ia morrer, Violet... Foi muito difícil...
-Esse hematoma no seu olho, foi por ter resistido à prisão? – ela observou o machucado, muito mais claro, mas ainda perceptível – Quando eu soube da prisão, eu fui até a central para te soltar, mas... Mas o inspetor Kinaros me disse que havia fugido quando foi levada para o hospital.
-O inspetor? – Melinda estranhou a mentira, mas considerou que ele poderia ter feito aquilo para protegê-la e decidiu seguir em frente com aquela história – Eu fiquei com medo de descobrirem a verdade sobre mim e fugi... Fui para o antigo cortiço onde vivia e me escondi esse tempo todo por lá.
-Poderia ter me procurado, eu te ajudaria a cuidar dos seus ferimentos.
-Eu sei, Violet, mas fiquei com medo dos demais... Do Saga... Como esconderia dele a verdade sobre mim?
-Melinda, sobre isso, eu... – Violet suspirou, inclinando seu corpo na direção da garota – Eu acabei contando a ele sobre você... Eu tive tanto medo de você estar em perigo, eu... Eu sinto muito.
-Eu entendo... – Melinda suspirou – E o que ele disse sobre isso?
-Ele ficou bem chateado, por não saber antes, mas entendeu seus motivos... Ele inclusive quer conversar com você sobre isso, não quer que continue trabalhando para a família como antes.
-Bem... É por isso também que estou aqui, Violet... Eu quero contar a verdade para todos e conversar com o Saga sobre meu futuro com a família, eu... Eu não quero mais trabalhar com eles. Eu quero seguir meu caminho, longe de tudo o que vivi.
-Você está certa, Melinda... Por mais que eu ame e entenda o Saga, eu também não me sinto totalmente confortável com a vida que ele leva, não sabe como me sinto aliviada em saber que logo teremos nossa vida longe dessa cidade...
Melinda ouviu ao desabafo de Violet, concordando com ele. Então, ela saiu de sua poltrona e se abaixou à frente da jovem mulher, segurando as mãos dela entre as suas.
-Você é como uma irmã mais velha para mim, Violet... O que desejo é que seja feliz, sem preocupações com a polícia, ou os negócios dos Stravos...
-Eu também sinto o mesmo por você, Melinda... – ela soltou uma das mãos para fazer um carinho na bochecha da garota – Hoje Saga virá jantar comigo, porque não vem também? Podemos conversar sobre a sua saída da família, o futuro...
-Hoje não tenho como, ainda tenho alguns assuntos para resolver... Podemos marcar para amanhã?
Violet sorriu e então as duas voltaram a se abraçar. O que seria daquela amizade, dali em diante, só o destino saberia dizer...
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Na sala de Dohko, na central, uma reunião de extrema urgência acontecia entre a equipe de Aiolos e a promotoria. Precisavam definir como seriam as buscas nos locais indicados como negócios dos Stravos. E mais do que isso... Havia uma forte possibilidade de realizarem a prisão em flagrante de alguns membros da família.
Sim, porque as denúncias davam conta de que Afrodite estaria aquela noite no casarão, assim como Kanon e Máscara da Morte em uma inspeção de carga no Harlem. E, diante de diversas outras evidências, Shaka conseguiria um mandato para obrigar Saga a ir para a central prestar esclarecimentos sobre seus negócios. Faltaria apenas pegar o espanhol, Shura Gonzalez.
-O mandato para Saga sairá no máximo até o fim da tarde, podemos ir atrás dele ainda hoje e trazê-lo para cá.
-Dohko, eu gostaria de ir buscá-lo pessoalmente... – Aiolos falou, não queria que outro policial fosse atrás do "amigo" – Aiolia e Mu comandarão a diligência ao casarão de Afrodite... Hyoga e Isaak ficarão com a equipe que cuidará do flagrante na inspeção de cargas no Harlem.
-Eu irei com você, Aiolos! – Dohko disse, parecia bem animado com tudo que estava acontecendo – Faço questão de estar presente quando você apresentar o mandato para Saga Stravos.
Após mais algum tempo de discussão, Aiolos saiu da sala para pegar uma xícara de café na copa. Estava se servindo quando o irmão parou ao seu lado, pousando uma das mãos sobre seu ombro direito.
-Como se sente sobre tudo isso, Olos?
-É difícil dizer, Olia... São nossos amigos, no final das contas. Não consigo deixar de pensar na decepção dos nossos pais, principalmente da mamãe, quando souberem de toda verdade...
-Como eu lhe disse mais de uma vez, foi uma escolha deles, meu irmão... Eles sabem muito bem que poderiam ser presos ou mortos por isso, desde o início.
-Você está certo... – Aiolos bebeu seu café, antes que esfriasse – Ah, Olia?
-O que foi?
-Quando é a próxima folga de fim de semana da Marin?
-Este sábado, por quê?
-Vocês dois... – ele coçou a cabeça, sem jeito - Bem, eu pensei que... – Aiolia arqueou as sobrancelhas, por que o irmão estava tão confuso? - Vocês não gostariam de almoçar comigo? Naquele restaurante grego que o papai sempre levava a gente quando chegamos à cidade?
-Você está me convidando para um almoço? O que está acontecendo com você, Olos?
-Ah, bem, eu... Eu... – ele ficou um pouco sem graça – Eu conheci uma garota... E quero te apresentar a ela, é isso.
-Como é que é? – Aiolia riu – Mu tinha razão, você foi flechado... – a risada aumentou ao ver a cara de bravo do irmão – Estou brincando contigo, Aiolos... Claro que aceito o convite... Preciso conhecer a garota que está fazendo meu irmão se distrair pelos cantos e, pelo visto, até considerar deixar de ser uma ilha.
-Vai mesmo citar a fala do papai sobre isso?
Ambos riram e, juntos, voltaram para a reunião na sala do capitão.
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Ao fim da visita para Violet, se sentindo mais leve, Melinda voltou ao apartamento de Aiolos. Tomou um banho, trocou de roupa e comeu alguma coisa. E, de posse de um bloco de anotações e um lápis, subiu ao terraço para escrever um bilhete para o rapaz. Podia não ter estudo, mas um simples recado conseguia escrever e se fazer entender.
Enquanto escrevia, ela parava de vez em quando para observar o vaso com os botões de rosas, estavam começando a se abrir. Assim como sentia seu coração para o inspetor. Mas ainda faltava algo para poder fazer aquilo por completo, sem medo. O que ela estava inclinada a resolver ainda naquela noite. Estava tão decidida a isso que sequer considerou o quão perigoso poderia ser...
Deixou o bilhete sobre o balcão e então saiu.
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Como as ninfas costumavam chegar ao final da tarde para o trabalho, Shura e Afrodite foram mais cedo para o casarão, esperar pela chegada de Pandora.
Saga e Kanon saíram juntos de seu apartamento, o primeiro para jantar com Violet e o outro, para se encontrar com Máscara da Morte à frente do prédio onde o sueco morava e juntos irem para o local da inspeção.
Na central, as equipes já estavam divididas e repassavam entre si as últimas instruções sobre como seria a ação daquela noite. Aiolos apenas lamentava o fato de que não conseguiria avisar Melinda sobre a operação e que acabaria chegando tarde. Infelizmente, essa preocupação ela teria que suportar sozinha.
Naquele dia, Marin e o dr. Aldebaran haviam trocado seus plantões com outros funcionários e fariam o turno da noite/madrugada. No Phaternom, Violet aguardava por Saga em sua suíte, se sentindo muito feliz por Melinda estar de volta. Camus fazia hora extra, pois a cidade estava em época de convenções políticas e os hotéis estavam todos lotados.
Melinda, sentindo uma certa frustração por não encontrar Shura em seu apartamento, sentou-se em um banco qualquer para pensar um pouco. Sabia que ele não estaria em reunião com os demais, pois Saga iria jantar com Violet... Estaria no apartamento de Afrodite? Ou com Kanon? Por fim, sem saber onde ele de fato estaria, tomou a decisão de ir procurar por Misty no casarão. Como lá existia um cassino, a linha de negócios que Shura cuidava, talvez o gerente pudesse saber sobre o espanhol.
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Continua...
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O que posso dizer a todos depois deste capítulo? Que o próximo será intenso e também... Será o último! Pois é, Public Enemies está muito próxima de seu fim...
Reviews!
Revenge of Queen Anne, vc viu que bunitchinho o reencontro entre Violet e Melinda? Pois é, aproveitou bem essa dose de glicose do capítulo? Se não, leia de novo e de novo e de novo, pq no próximo capítulo ela será praticamente zero... Sofrimento? Ele vai voltar à carga no capítulo final... Sou má? Imagina... Bjo!
