Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Como dito anteriormente, capítulo escrito ao som de "Gangstas' Paradise", Coolio.
Anteriormente, eu disse que não inverteria mais a ordem de respostas dos reviews, mas para a leitura desse capítulo funcionar melhor, vamos a essas respostas primeiro!
Gemini Thai, um fim trágico? Sim, teremos para alguns personagens, aguarde...
Revenge of Queen Anne, você tem razão, essa cena do Aiolia conhecendo a Melinda não vai acontecer, ao menos não dessa maneira bonitinha aí... E sim, boa parte do que escrevi no capítulo anterior "não vai prestar" neste aqui... E Melinda, será que não irá sofrer mais? Será?
Estão preparadas para o final de Public Enemies, pessoas? Vamos a ele então... Ah, neste capítulo vocês irão notar que fiz as separações entre os núcleos dos personagens de uma maneira diferente, pois a maior parte da ação corre em paralelo.
Para mais/outras informações, nos vemos nas notas finais!
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Capítulo XXIII
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No escritório, Ikki e Shun já haviam finalizado o expediente, estavam apenas examinando alguns documentos. De vez em quando, o mais velho deixava os afazeres de lado para se espreguiçar na cadeira e observar o irmão mais novo, que parecia muito compenetrado. Ou talvez não.
-Se quer me dizer algo, Ikki... – ele disse, sem tirar os olhos dos papéis sobre a mesa – Fale de uma vez, ao invés de ficar nesse ensaio.
-Perspicaz, irmãozinho... Não é nada demais, apenas me dei conta de que logo o show irá começar.
-Show? Se o Hyoga te ouve falando assim, é capaz de te congelar somente com um olhar...
Ikki riu, voltando a atenção ao trabalho...
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Quando entrou na suíte de Violet, Saga não teve como não notar como a jovem mulher estava feliz, parecia até que cantarolava algo quando abriu a porta e a viu ajeitando um vaso sobre um dos aparadores.
-O que foi, amor? Aconteceu alguma coisa boa esta tarde?
-Ah, Saga! – ela o beijou sorridente – Melinda veio me procurar! Ela estava escondida no cortiço onde morava, por isso demorou a aparecer.
-Mesmo? Fico feliz por vocês duas... – ele enlaçou a noiva pela cintura – E onde ela está agora?
-Ela me disse que precisava resolver alguns assuntos pessoais, mas amanhã estará aqui no Phaternom para jantarmos nós três e conversarmos sobre o futuro dela.
-Ótimo! – ele a beijou novamente, levando-a para a cama – Já que tudo acabou bem, o que acha de comemorarmos juntos?
-Eu acho uma ótima ideia, amor...
I really hate to trip but I gotta loc
As they croak, I see myself in the pistol smoke
Fool, I'm the kinda G that little homie's wanna be like
On my knees in the night
Saying prayers in the street light
Realmente odeio me enganar, mas tenho que trancar
Enquanto agonizam, me vejo na fumaça da pistola
Trouxa, sou o tipo de gangster que a meninada quer ser
De joelhos à noite
Fazendo orações na luz da rua
Máscara da Morte e Kanon chegaram ao local da inspeção um pouco mais cedo e, por isso, ficaram dentro do carro aguardando a hora de entrar no local, era um armazém que àquela hora estava vazio. Poucas luzes acesas no lugar, e apenas uma porta de entrada para acesso, na lateral da rua.
-Fazia tempo que não o via fumar, carcamano... – Kanon falou, ao ver que Máscara da Morte havia acendido um cigarro.
-Quase não fumo mais, Dite não gosta do cheiro... Mas ajuda a me acalmar quando fico nervoso.
-E está nervoso por quê?
-Não sei dizer, Kanon... Um pouco por conta do desaparecimento do Ed, talvez outros motivos que não sei explicar.
They've been spending most their lives
Living in a gangsta's paradise
Desperdiçando a maior parte das suas vidas
Vivendo no paraíso dos bandidos
Na sala da administração do casarão, Afrodite e Shura estavam impacientes. O trabalho já havia começado, a casa já estava quase cheia de clientes e nada de Pandora aparecer. O espanhol parecia a ponto de explodir, o sueco não escondia sua tensão também.
-Aquela vadia só pode estar brincando com a gente, Afrodite! – Shura gritou, por fim – Ela nunca teve a intenção de vir para cá esta noite!
-Não posso fazer nada, Shura, e você sabe! Aliás... – ele mudou o tom de voz, tornando-o venenoso – Por que está tão empenhado em "se vingar" da Pandora, tal como fez com o patrulheiro? Apegou-se ao Ed, foi?
Shura praguejou, estreitando os olhos, mas não respondeu. Na entrada do casarão, Misty recebia mais alguns clientes quando uma garota, usando roupas simples e sapatilhas, aproximou-se dele. O rapaz encarou os olhos castanhos claros e os cabelos desalinhados, porque tinha a impressão de que a conhecia de algum lugar?
-Boa noite, Misty... Sabe me dizer se Shura Gonzalez está na casa hoje?
-O Sr. Shura? Está... – ele a olhou ainda mais desconfiado – O que deseja com ele, senhorita?
-Quero apenas conversar... Pode me levar até ele, por favor? Se for preciso me anunciar, diga que Melinda Grant procura por ele.
-Grant? É parente do mensageiro desaparecido, o Edward?
-Ele é meu irmão... Pode me levar até o sr. Shura, por favor?
You better watch how ya talking
And where ya walking
Or you and your homies might be lined in chalk
É melhor ter cuidado com o que você fala
E por onde anda
Ou você e os seus parceiros podem acabar marcados com giz no chão
-Você me parece apreensivo, Aiolos... – Dohko falou ao inspetor, ambos na viatura em direção ao hotel Phaternom, já que o porteiro do prédio havia dito que Saga não estava no apartamento – Alguma coisa te incomoda?
-Não é nada, capitão... É a adrenalina que está me deixando assim.
Dohko assentiu enquanto dirigia, Aiolos voltou sua atenção para a rua. A única coisa que pedia aos deuses era para que tudo corresse bem e fosse uma condução pacífica à central.
-Você me parece calmo demais, Mu... – Aiolia falou, conferindo pela terceira vez a munição de sua arma, na viatura – Como consegue, sabendo que estamos prestes a derrubar os negócios dos Stravos?
-Por que é preciso me manter calmo, Aiolia. Não podemos cometer erros bobos por falta de atenção... Poderiam custar a vida de um dos nossos companheiros.
-Já localizei o veículo do Kanon Stravos, parado na outra esquina... – Isaak disse para Hyoga, ambos apenas esperando o momento de agir – Seria pedir muito por um champagne ao final da diligência?
-Esteja certo que Ikki já providenciou algumas garrafas...
They've been spending most their lives
Living in a gangsta's paradise
Desperdiçando a maior parte das suas vidas
Vivendo no paraíso dos bandidos
-O jantar vai esfriar, Saga... – disse Violet, se desvencilhando do abraço do rapaz e saindo da cama, vestindo seu roupão no processo – E eu detesto comida fria.
-Está certo, você venceu... – ele riu e fez o mesmo que a noiva – E precisamos aproveitar que este é o primeiro jantar tranqüilo que teremos em dias.
Sentaram-se à mesa para se servirem, e Violet notou que Saga não parava de encará-la, com um fino sorriso nos lábios cheios.
-O que foi, Saga? Por que me olha assim?
-Eu estava pensando, Violet... – ele disse, esticando o braço sobre a mesa, para tocar uma das mãos dela – Eu sou um homem de muita sorte por ter você na minha vida.
They've been spending most their lives
Living in a gangsta's paradise
Desperdiçando a maior parte das suas vidas
Vivendo no paraíso dos bandidos
-Está na hora, Máscara! Os homens dos irmãos Amamiya já devem estar lá dentro, nos esperando! – Kanon disse, fechando o paletó e saindo do carro.
Máscara da Morte apagou o cigarro e saiu também, caminhando um pouco mais atrás de Kanon, ambos atravessando a rua em direção ao armazém.
Na viatura, Hyoga e Isaak apenas observavam os dois homens entrando no local.
Tell me why are we so blind to see
That the ones we hurt are you and me?
Me diga, por que somos cegos demais para perceber
Que aqueles que magoamos somos você e eu?
Shura e Afrodite estavam discutindo entre si quando Misty bateu à porta, abrindo-a antes mesmo do sueco lhe dar permissão para tanto.
-Sr. Shura, uma garota está na recepção à sua... – Misty não terminou de falar, pois, para sua surpresa, Melinda o havia seguido e agora empurrava a porta, entrando pela sala – ...Procura... Eu... Eu vou me retirar, com licença.
-¿Mi angel? – Shura disse, surpreso ao ver Melinda à sua frente – O que faz aqui? E assim...
-Precisamos conversar, Shura.
-Quem é essa garota, Shura? – Afrodite a observava, desconfiado – Eu a conheço de algum lugar?
-Trabalhamos juntos, Afrodite... Mas, para você, eu era Edward Grant... – Afrodite abriu a boca para falar algo, mas calou-se, encarando de maneira inquiridora o espanhol, que estava lívido – E sim, o que está pensando está certo... – Melinda voltou-se para ele com um leve sorriso de canto – Shura sabia quem eu sou de verdade.
-O quê?
-Afrodite, pode nos deixar a sós por um momento? – Shura pediu, entre raiva e surpresa em sua voz – Eu explico tudo depois, com calma.
-Vocês têm meia hora! – o sueco disse, nervoso – Nem mais, nem menos! – saiu, batendo a porta.
O estrondo fez com que Melinda estremecesse de leve, mas a garota se manteve firme, parada em seu lugar. Por mais que estivesse nervosa, respirou fundo para se controlar. Não iria recuar, muito menos ceder. Shura, por sua vez, não sabia se o que sentia era um grande alívio por ela estar ali à sua frente, viva, ou se ficava nervoso por ela ter revelado assim seu segredo, de supetão, ao sueco.
-Onde... Onde esteve durante esses dias, Melinda? – ele perguntou, com a voz trêmula, dando um passo na direção da garota – Eu tive tanto medo de que estivesse morta... – Shura parou à frente de Melinda, tencionando um abraço, mas ela se esquivou recuando dois passos para trás.
-Onde estive não lhe interessa saber e sim o que vim fazer aqui, Shura... – ela falou, encarando aqueles olhos negros, se esforçando para sua voz não soar trêmula ou embargada – E serei breve, não vou mais atrapalhar a sua noite.
-O que está dizendo, cariño?
-Que estou fora, Shura! Saga já sabe sobre mim, vou contar aos outros também... E então vou deixar a família e tudo que vivi entre vocês para trás! Eu... – ela respirou fundo novamente – Não pretendo denunciar seus negócios ou o que seja, eu só quero ir embora e viver minha vida finalmente em paz.
-Você não pode... Não pode fazer isso! – Shura adiantou-se e conseguiu segurar Melinda pelos braços, a sacudindo de leve – Não pode deixar a família... Não pode me deixar... – ele a abraçou, segurando-a com força para um beijo – Eu preciso de você, mi angel...
Não, desta vez ela não deixaria. Usando de toda sua força, Melinda conseguiu se soltar de Shura e fugir de perto dele, mas acabou indo para o outro lado da sala, de frente para a porta. Mas, mesmo aparentemente cercada, ela não cederia...
Afrodite estava no andar de baixo, furioso com Pandora, Shura e quem quer atravessasse seu caminho, quando algo aconteceu. Com um estrondo, a porta da frente do casarão foi aberta, e Aiolia e Mu entraram, de armas em punho e vários policiais logo atrás.
-Polícia! Todos parados e com as mãos para cima!
As I walk through the valley of the shadow of death
I take a look at my life
And realize there's nothing left
Enquanto caminho pelo vale da sombra da morte
Dou uma olhada na minha vida
E percebo que não sobrou nada
Dohko e Aiolos entraram pelo saguão do Phaternom, indo em direção à recepção. Camus logo percebeu que se tratava da polícia e foi ao encontro dos dois, sem demonstrar qualquer tipo de emoção ou sentimento.
-Posso ajudar de alguma maneira, senhores?
-Onde está Miss Saint-Jhon?
-Ela já se recolheu à sua suíte, senhores... O assunto a ser tratado é somente com ela?
-Sim, senhor! – Dohko entregou a ele uma cópia do mandato de busca por Saga Stravos – Nós estamos subindo.
Ao ver do que se tratava o documento, Camus ligou para a suíte de Violet e falou com a amiga, rapidamente. Com o semblante preocupado, ela desligou o telefone e se voltou depressa para Saga, que terminava a sobremesa.
-Vista-se rápido, meu amor... – ela jogou para ele uma camisa – O capitão de polícia e o inspetor Kinaros estão subindo, eles tem um mandato para levá-lo à central para esclarecimentos.
-Tem certeza, Violet? – ele se levantou e pegou a calça que ela também lhe entregava – Por que isso agora?
-Eu não sei, mas vamos manter a calma... Vai dar tudo certo, amor.
Minutos depois, as batidas na porta da suíte indicavam que já haviam chegado. Calmamente, Violet abriu a porta, dando passagem ao capitão Dohko e Aiolos. O grego adiantou-se um passo e entregou o mandato nas mãos de Saga, que o encarava com um olhar calmo.
-O que aconteceu, senhores?
Look at the situation they got me facing
I can't live a normal life, I was raised by the street
So I gotta be down with the 'hood team
Olhe só a situação que me fizeram encarar
Não consigo viver uma vida normal, fui criado pelo rua
Então tenho que ficar com a turma do bairro
Quando entraram pelo armazém, Máscara da Morte e Kanon estranharam o silêncio e a falta de pessoas. Atentos, ambos sacaram dos bolsos internos de seus paletós suas armas e passaram a caminhar de modo mais calculado.
-Isso está muito estranho, Máscara. Todo esse silêncio, nada aqui está me cheirando bem.
-Isso se parece muito com uma emboscada, Kanon... Aqueles maledetos armaram alguma coisa para nós...
E, em questão de milésimos de segundos, o que havia sido dito pelo italiano se confirmou. Estourando a porta de entrada, Isaak e Hyoga entraram correndo pelo armazém, armas em punho e vários outros policiais, que logo se espalharam pelas laterais. Kanon e Máscara da Morte estavam cercados.
-Coloquem suas armas no chão e as mãos para o alto... – disse Hyoga, com o italiano em sua mira – Devagar e de maneira que eu possa ver...
Kanon obedeceu ao comando, eram minoria e estavam totalmente cercados. Mas, quando se virou para olhar para Máscara da Morte, percebeu que o italiano mal se movia e que seus olhos tinham um brilho enfurecido.
-Solo morto uscirò da qui*... – ele disse entre dentes, de maneira que somente o grego ouviu.
-Máscara, não! – Kanon ainda gritou, mas não houve tempo para que pudesse fazer algo.
Máscara atirou, Isaak que o tinha na mira e mais outros policiais fizeram o mesmo. Kanon tentou empurrar o italiano para trás, mas dois tiros de Hyoga o acertaram e o derrubaram, ainda que não tivessem sido disparos para matá-lo.
Caído ao seu lado, Máscara da Morte estava inerte. Diversos tiros em seu peito, braços, pernas... E uma grande poça de sangue começava a se formar debaixo de seu corpo...
I'm living life do or die, what can I say?
I'm twenty-three now, will I live to see twenty-four?
The way things is going I don't know
Estou vivendo a vida, viver ou morrer, o que posso dizer?
Tenho 23 anos agora, será que viverei até os 24?
Do jeito que as coisas vão, sei lá
-Não fuja de mim, Melinda... – Shura pediu, aproximando-se novamente, deixando-a presa entre a mesa de Afrodite e seu corpo – Não percebe que eu te amo, mi angel... Que necessito tu cuerpo...
Um novo empurrão, mas desta vez Shura estava esperto e não soltou Melinda. Ela esmurrou o peito do espanhol com força e estava prestes a gritar quando ambos se deram conta de que uma algazarra crescente se formava do lado de fora da sala, eram, gritos, barulho de coisas caindo, portas batendo...
-O que está acontecendo lá fora? – Shura questionou, soltando Melinda e se virando para a porta. Bem no momento em que Aiolia e Mu entraram, apontando suas armas para o espanhol.
-Mãos para cima, Shura Gonzalez... Você está preso!
Praguejando, Shura voltou-se para Melinda, a garota estava assustada. Segurando-a pelo braço, ele apenas fez um gesto com a cabeça para que se afastasse e colocou a mão no bolso interno do paletó. Ele não se entregaria tão facilmente assim.
Quando se virou de volta para os dois policiais, ele já apontava e disparava sua pistola. Acertou o braço de Mu com o tiro, mas tanto ele como Aiolia não hesitaram e atiraram também, acertando-o no peito e braço. Ele se desequilibrou e caiu para trás, tentando atirar, mas os parceiros atiraram novamente.
Um segundo tiro no peito e Shura tombou de vez, morrendo logo em seguida. Mas, o outro tiro...
-Senhorita! – Aiolia gritou, ao ver que Melinda tinha uma das mãos sobre a barriga e uma mancha de sangue tingindo sua blusa – Não! – ele se adiantou e a segurou, antes que ela caísse de vez no chão, com um lenço ele fazia pressão sobre o ferimento e a mão dela – Vamos levá-la ao hospital, depressa! Consegue me ajudar, Mu?
Sentindo dor e um frio súbito, Melinda ergueu a outra mão e segurou o queixo de Aiolia, obrigando-o a encará-la.
-Aiolos... – ela disse antes de fechar os olhos e se deixar levar pela dor.
Power in the money, money in the power
Minute after minute, hour after hour
Everybody's running, but half of them ain't looking
O poder no dinheiro, o dinheiro no poder
Minuto após minuto, hora após hora
Todo mundo está fugindo, mas metade não olha
-Pelo que vejo, é um mandato para que os acompanhe até a central para esclarecimentos sobre meus negócios...
-Exato, Sr. Stravos. Pode nos acompanhar, por gentileza? – Aiolos falava calmamente, e Saga olhou para as algemas em sua cintura – Caso colabore, não será preciso usá-las, Sr. Stravos.
-Não vejo problema alguma em acompanhá-los, senhores... – ele disse, virando-se para Violet – Pode me entregar meu paletó, amor?
-Saga, eu vou com você... – ela disse, entregando o paletó a ele e segurando seu braço.
-Não é necessário, Violet, fique aqui e espere por notícias... – ele disse, dando um beijo na noiva, enquanto vestia o paletó e remexia nos bolsos internos dele, à procura de algo – Mas onde coloquei ela?...
-Colocou o que, Sr. Stravos? – perguntou Dohko, afastando um passo e colocando sua mão sobre o coldre de sua arma, na cintura. Um dos oficiais ao seu lado manteve uma posição de defesa, apontando a arma para o grego. Havia uma certa tensão no ar.
-Minha... – ele sorriu ao sentir algo em um dos bolsos internos, então encarou Violet e depois Aiolos, com um sorriso, ao mesmo tempo em que parecia tirar algo daquele bolso do paletó.
E então aconteceu, foi tudo muito rápido. O oficial ao lado de Dohko assustou-se com o movimento que Saga fazia e atirou, outro que estava parado mais atrás fez o mesmo...
-Não atirem!
-SAGA!
Aiolos empurrou Violet para que ela não fosse atingida, Dohko acertou o braço do oficial ao seu lado para que largasse a arma. O grito de Violet não foi suficiente para nada, Saga não teve tempo de se desviar ou abaixar. Os dois tiros o acertaram. Um deles na cabeça...
-Saga! Amor... – Violet se soltou de Aiolos e abaixou ao lado do corpo estendido do noivo, ele já estava morto – Saga, não... Você não pode morrer, não...
Aiolos abaixou-se ao lado da jovem mulher, estava lívido e desorientado. No bolso do paletó de Saga, a sua carteira. Não era para ter acontecido aquilo, não era para o amigo ter morrido. Foi com muito custo que conteve as lágrimas que marejaram de imediato seus olhos verdes.
-Saga, eu... Eu sinto muito, meu amigo... Não era para ter sido assim...
-Amor, acorda... – Violet pedia, debruçada sobre o corpo de Saga – Não me deixa sozinha, acorda...
-Senhorita, por favor... – Aiolos a puxou para trás, tencionando um abraço. E, ali, naquele momento, sua boa intenção foi seu maior erro...
Violet se deixou levar para trás, mas, no gesto de puxá-la e tentar um abraço, Aiolos deixou exposto o coldre de sua arma e ela estava lá. Dohko percebeu o movimento da mão de Violet e adiantou-se um passo, a jovem mulher puxou rapidamente a arma do inspetor e apontou para um dos oficiais que atiraram em Saga.
Três tiros foram ouvidos. O de Violet, acertou algum ponto da parede atrás do oficial. O do outro oficial acertou o braço da dona do Phaternom. Mas o de Dohko, preciso, acertou sua cabeça. Estava morta. Ao lado de Saga...
Sem ação, tudo que Aiolos conseguiu fazer foi sentar-se no chão, e encarar os olhos abertos e sem vida do amigo. Não era para tudo ter acabado daquela maneira...
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Living in a gangsta's paradise
Desperdiçando a maior parte das suas vidas
Vivendo no paraíso dos bandidos
Quando chegou ao hospital carregando Melinda nos braços, as primeiras pessoas que Aiolia viu foram justamente Marin e o dr. Aldebaran, que estavam no corredor de entrada, revisando algumas fichas de pacientes da emergência.
-Doutor! Marin, me ajudem aqui! – ele gritou, procurando uma maca para deitar a garota – Ela levou um tiro, está perdendo muito sangue!
-Deixe-me ver, Olia! – Marin se aproximou e ficou branca ao ver de quem se tratava – Meu Deus, Melinda!
-Vamos levá-la ao centro cirúrgico, Marin, rápido! - Aldebaran já puxou a maca em direção ao corredor esquerdo - Seja forte menina, você precisa ser forte!
-Você a conhece, Marin? – Aiolia perguntou para a noiva, antes que ela sumisse pelo corredor junto do médico.
-Depois eu te explico, Olia! Vá atrás do seu irmão, e o traga aqui, rápido!
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Me diga, por que somos cegos demais para perceber
Que aqueles que magoamos somos você e eu?
Quando Aiolos e Dohko voltaram à central, encontraram Hyoga terminando de fichar Kanon, os tiros que havia levado acabaram sendo de raspão, e souberam que Máscara da Morte havia morrido em confronto, assim como Shura Gonzalez. Um outro oficial fazia a ficha de um destruído Afrodite, em choque pela morte do italiano, ele se deixava conduzir como se fosse uma boneca sem vida, ou rumo. Quando foi questionado por Isaak sobre onde estava Saga, o inspetor encarou Kanon antes de responder com pesar que ele estava morto. Ouvir aquilo fez o gêmeo tremer e socar a mesa em frente à cadeira onde estava sentado, Hyoga e um outro policial precisaram usar de força para contê-lo.
-Onde estão Mu e Aiolia? – Dohko perguntou, Aiolos estava tão perdido com a morte de Saga que sequer notara que os dois não estavam presentes.
-Eles foram para o hospital, Mu foi atingido em confronto, um tiro no braço. – um dos oficias que estiveram no casarão respondia – Mas uma garota que estava lá com Shura Gonzalez foi atingida na barriga, parece que o ferimento foi bem feio.
-Uma das prostitutas do casarão?
-Não, senhor. O sueco disse que era "o mensageiro" e a conhecia pelo nome de Edward Grant.
-O quê? – Aiolos de repente gritou, voltando-se para o oficial – Tem certeza do que está dizendo?
-Sei que parece confuso, mas foi exatamente isso que Afrodite disse.
Aiolos não esperou mais nenhuma palavra, de quem quer que fosse. Transtornado, sentindo-se acuado e desesperado, ele saiu da central e foi para o hospital municipal. Ao chegar lá, encontrou o irmão na calçada, pronto a chamar um táxi. Saltou depressa do que estava e foi ao encontro do irmão.
-Onde ela está, Aiolia? O que aconteceu?
-Aiolos! Marin me mandou te procurar na central e te trazer para cá... – ele segurou o mais velho pelos braços – Quem é ela, meu irmão? De onde você e a Marin a conhecem?
-Aiolia, eu preciso entrar e saber como ela está, por favor.
-A garota está em cirurgia, Aiolos... Melinda o nome dela, não é? O Mu ficou lá na sala de espera, aguardando notícias.
Inspirando fundo, Aiolos entrou com o irmão no hospital, indo para a sala de espera aguardar por notícias. Não sabia quanto tempo a cirurgia iria demorar, nem o que esperar...
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Que aqueles que magoamos somos você e eu?
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* Só sairei daqui morto, em italiano.
Os versos de "Gangstas' Paradise" não estão em sua ordem, eu os coloquei de maneira aleatória e de acordo com o que a "emoção" de cada cena seguinte à música pedia.
E este foi o último capítulo de "Public Enemies"... Sheila, como você é bicha má, sem coração e cheia de ruindade! Você matou a Violet? E colocou a Melinda entre a vida e a morte na mesa de cirurgia? Como pôde fazer uma coisa dessas?
Gente, fazendo... Eu nunca prometi a ninguém que o final seria feliz, prometi? Se fosse de verdade, o final da história desses personagens seria muito parecido com este que escrevi... Não seria?
O que, como assim? Estão me dizendo que está faltando alguma coisa no capítulo? Não, pessoas, não está... Este é o capítulo final da fic... Mas assim, tão em aberto, tão cheio de dúvidas e angústias?
Sim, e sabem por quê?
Por que epílogo não é capítulo! E assim será o próximo! Vocês acharam mesmo que eu deixaria Melinda e Aiolos sem um final, assim como os demais? Pois preparem-se, talvez alguns desfechos ainda surpreendam a vocês...
