Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens relacionados pertencem à Masami Kurumada e às editoras licenciadas.
Reviews!
Gemini Thai, Melinda não morreu, mas deu um pé na bunda do Olos, ou pelo menos é o que parece! Larga do Aiolia, ele é da Marin nessa fic... E quanto à flertar com o Milo, tá liberado, assim como as visitas para o Kanon! E ufa, ao menos de vc não apanho mais...
Revenge of Queen Anne, Se o Olos vai correr atrás da Melinda, vc vai saber neste epílogo final... Quanto ao que acontece com meus "odiados", geralmente eu maltrato bastante eles e dou mortes lentas e dolorosas a cada um deles. Não digo exatamente "adotar" o Kaon, mas é como se fosse mais ou menos isso... E quanto à outra parcela da bandidagem é uma fic, mas quis fazer o mais próximo possível da realidade. E sabemos muito bem que muitos bandidos da vida real saem impunes todos os dias...
E aqui está o epílogo final, o chorinho que faltava para Public Enemies terminar de vez! Diabéticos, preparem a insulina! Nos vemos mais tarde, nas notas finais!
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Epílogo I
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Íris de cor
Borboletas embrulham
Só pra você, oferto o mais belo de mim
Só pra você, fiz essa canção
É amor, emoção
Sons de trovão
Peguei minha caixa de giz
Estendi a mão, se deixa ir
Náufrago, Majur
Cinco anos depois...
A vida, como não poderia deixar de ser, correu com seu curso normal após os eventos da queda dos Stravos. Ikki e Shun se tornaram de fato os novos reis da cidade, e seus aliados desfrutavam também do sucesso e dinheiro conquistado pelos irmãos. Pandora cuidava das casas de prostituição, muitas das ninfas de Afrodite agora trabalhavam para a alemã. Seiya havia se tornado vereador, a carreira política tinha sido feita na medida para o rapaz e ele casou-se com Saori, que agora era a 1ª assistente de promotoria. Shiryu continuava com seu escritório de advocacia, com planos de expansão para outras cidades e estados. E Hyoga e Isaak também haviam sido promovidos na central de polícia.
Os dois eram agora os investigadores responsáveis pela divisão de combate ao crime organizado, que, depois de um pedido de transferência feito por Aiolos, tinha Aiolia como inspetor chefe e Mu como seu inspetor assistente. O capitão estava prestes a se aposentar, e considerava nomear Aiolos para seu lugar, difícil era convencer o rapaz a aceitar o cargo.
Isso porque o grego, cerca de um ano após a morte de Saga e os outros e a partida de Melinda, havia pedido transferência para a delegacia do Brooklin, para trabalhar na divisão de roubos e sequestros. Não queria mais estar no ambiente que tanto o lembrava o amigo morto. Aliás, lidar com as lembranças havia se tornado algo tão difícil que até de apartamento tinha se mudado, indo morar mais próximo de seu novo local de trabalho.
Ainda pensava muito em Melinda. Nos primeiros meses, procurava sempre pelo advogado Milo Petraskiz para saber de notícias sobre ela, a mesma coisa com o gerente do Phaternom, o francês de nome Camus. Mas nenhum dos dois lhe falava nada, insistiu até o dia em que descobriu que ambos iriam embora da cidade.
Não havia mais o que fazer, a garota era agora um fantasma que assombrava seu coração.
Sometimes I feel like I don't know
Sometimes I feel like checking out
I wanna get it wrong
Can't always be strong
And love, it won't be long
Às vezes sinto como se eu não soubesse
Às vezes eu tenho vontade de confirmar
Eu quero errar
Não posso ser sempre forte
E amor, não vai demorar muito
Ultraviolet, U2
Acompanhava de longe a aproximação e os cuidados dos pais com Kanon, nunca os recriminou por ajudarem o rapaz, sabia o quanto gostavam do grego. E, sinceramente, saber que ele tinha alguém que se preocupava consigo era um alento, era como se a dor pela morte de Saga pudesse ser diminuída de alguma maneira.
Kanon e Afrodite haviam sido condenados a 35 anos de prisão em regime fechado, com possibilidade de pedir uma condicional após o cumprimento de no mínimo 15 anos da pena total. As visitas na penitenciária estadual aconteciam todas as quartas e domingos, era raro o dia em que os Kinaros não apareciam para ver Kanon e também Afrodite, aproximaram-se do sueco a pedido do grego, que tinha dó em ver o amigo sempre tão sozinho. No fim, aqueles dois haviam ganhado uma nova "família".
Aldebaran havia se tornado o diretor responsável pelo corpo clínico do hospital, o irmão de Marin trabalhava lá como clínico geral e a jovem havia sido promovida à enfermeira chefe da emergência. Ela e Aiolia casaram-se um ano após os eventos e já tinham um filhinho de um ano e meio, Nikolas. Provavelmente, a única alegria sem arrependimentos ou medos que Aiolos tinha.
Ainda guardava a carta de despedida de Melinda, mesmo sabendo que eram as últimas e dolorosas palavras dela. Não sabia especificar o motivo, Aiolia lhe dizia que era porque o irmão deveria gostar da dor. Fato era que nem mesmo a torta de maçã da confeitaria que a garota gostava, ele tinha voltado a comer.
Sua vida seguiu como sempre havia sido: casa-trabalho-casa.
Até uma certa terça-feira de primavera...
I wanna run, I want to hide
I wanna tear down the walls
That hold me inside
I wanna reach out
And touch the flame
Where the streets have no name
Eu quero correr, eu quero esconder
Eu quero derrubar as paredes
Que me seguram por dentro
Eu quero alcançar
E tocar na chama
Onde as ruas não têm nome
Where the streets have no name, U2
Estava um dia de clima ameno na cidade, a primavera chegara de maneira suave em New York. Voltando do almoço, Aiolos sentou-se em sua mesa para analisar as fotos de um arrombamento ocorrido em Hell's Kitchen quando foi abordado por seu parceiro de investigações.
-Aiolos? Está muito ocupado agora?
-Eu ia começar a analisar estas fotos do caso que começamos a investigar ontem... – ele apontou as fotos sobre o tampo da mesa – Por que a pergunta, Radamanthys?
-Tem um homem te esperando na sala de interrogatórios, disse que se chama Milo Petraskiz e que tem um assunto do seu interesse para lhe falar.
-Milo está aqui?
O parceiro assentiu e então Aiolos foi para a sala de interrogatórios, encontrando o rapaz apoiado sobre o tampo da mesa. Notou que ele parecia mais bronzeado e vestia roupas informais, não os ternos que advogados costumavam usar naquela cidade.
-Boa tarde, Aiolos... Como vai? – ele estendeu a mão para um cumprimento, que o inspetor aceitou ainda desconfiado.
-Eu vou bem, mas... O que faz aqui? – ele se sentou em uma cadeira, Milo escorregou da mesa para outra cadeira no recinto – Já faz quase quatro anos que não o vejo.
-Alguns negócios me trouxeram de volta à New York, após esse tempo todo vivendo na Grécia.
-Grécia?
-Sim, veja isto... – ele estendeu ao rapaz um folheto de um resort de luxo – Fica na ilha de Mikonos, eu e Camus nos mudamos para lá para construir e gerenciar este resort, era um sonho antigo da Violet que decidimos realizar em homenagem a ela.
-E o Phaternom?
-Ficou aos cuidados da cooperativa de funcionários, mas ainda supervisionamos o trabalho.
Aiolos pegou o folheto e observou com mais atenção as fotos, na placa que havia no píer lia-se o nome do empreendimento: Saint-Jhon Resort.
-Meus parabéns, é um belo lugar. Espero que sejam prósperos... – ele disse, devolvendo o folheto – Mas ainda não entendo o que quer, Milo? Meu parceiro disse que tinha um assunto do meu interesse para conversar comigo.
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?
Todas as pessoas solitárias
De onde elas todas vêm?
Todas as pessoas solitárias
De onde elas todas são?
Eleanor Rigby, The Beatles
-Bom... – Milo começou, sorrindo de um jeito estranho, como se estivesse prestes a iniciar uma travessura – Sei que você tem férias vencidas para tirar na polícia, assim como também sei que está sozinho no momento... – Aiolos ia dizer algo, mas o outro não deixou – Por isso vim até aqui para lhe fazer um convite.
-Que convite?
-Dez dias de hospedagem com tudo pago no resort, incluindo as atividades que são cobradas à parte de nossos hóspedes. Creio que vai gostar... – o sorriso alargou-se um tanto - Até por que temos uma funcionária que, embora seja americana, fez um curso de gastronomia mediterrânea na Le Cordon Bleu* em Paris e agora está estagiando em nossa cozinha... – uma piscada discreta para o inspetor - O peixe com molho de ervas que ela faz é realmente delicioso.
Aiolos abriu a boca para falar algo, mas calou-se. Um estalo em sua mente, Milo só poderia estar falando de uma pessoa... O grego de longos cabelos loiros sorriu mais abertamente ao ver a expressão de surpresa no rosto de Aiolos e então se levantou, caminhando para a porta da sala.
-O navio para Atenas partirá neste sábado, às 5 horas da manhã... Foi um prazer revê-lo, Aiolos...
You're in my mind all of the time
I know that's not enough
If the sky can crack
There must be some way back
For love and only love
Você está na minha mente o tempo todo
Eu sei que isso não é o suficiente
Se o céu pode rachar
Deve haver algum jeito de voltar
Para amar e só amar
Electrical Storm, U2
Algum tempo depois...
-Seja bem vindo ao nosso resort e aproveite sua estadia, Sr. Kinaros! – o valete do hotel disse, ao deixar as malas de Aiolos no quarto e sair, após receber a gorjeta.
O rapaz fechou a porta e então foi para a varanda do quarto, que, aliás, era tão grande que parecia ter o tamanho de seu apartamento, senão maior. Ficou um tempo por lá, observando a praia privativa e o mar muito azul ao fundo. Inspirou profundamente o ar que lhe chegava com cheiro de maresia aos pulmões, acabou percebendo que sentia saudades de seu país, mais até do que acreditava.
Quando retornou para dentro do quarto, viu que havia um envelope branco sobre o tapete, provavelmente alguém o tinha entregue por baixo da porta. Pegou-o e, sentando-se em uma poltrona de veludo azul, abriu e leu seu conteúdo. Um sorriso largo logo se formou em sua face.
"Sr. Aiolos, seja bem vindo ao nosso resort!
Como Milo já lhe disse, sua hospedagem e todas as demais despesas e atividades em nosso estabelecimento são por nossa conta. Gostaria de lhe sugerir que, como primeiro passeio por nosso empreendimento, acompanhe a colheita de pêssegos no campo que fica aos pés da colina, creio que lhe será uma atividade prazerosa.
A atividade se iniciará às 14 horas.
No mais, divirta-se no Saint-Jhon Resort!
Do seu gerente e concierge, Camus"
Deixa eu colorir suas paredes brancas
Desvendar as dobras do seu coração de papel
Deixa eu entrar, florir, fluir uma chance
Se deixa ir, eu
Náufrago, Majur
No campo de pessegueiros, diversos hóspedes e também funcionários participavam da colheita, era uma atividade coletiva onde poderiam aprender mais sobre a importância da fruta para a cultura e culinária grega e depois, todos tinham a chance de produzir seu próprio licor para levarem como lembrança de sua viagem à ilha de Mikonos.
A jovem mulher de longos cabelos castanhos claros, que caíam como ondas até o meio de suas costas, e olhos da mesma cor, adorava participar da colheita junto aos hóspedes, e como Camus sabia disso, tinha autorizado que ela tirasse a tarde de folga da cozinha para estar ali. Usando um vestido azul claro de tecido leve e sandálias rasteiras, ela levava uma cesta de tamanho médio para a colheita.
Só havia um problema. De baixa estatura, ela nunca conseguia alcançar as frutas que ficavam nos galhos mais altos, geralmente mais viçosas e bonitas que as dos galhos baixos. Sempre era preciso pedir ajuda para alguém. Parou diante de uma árvore mais afastada do grupo, e deixou sua cesta no chão para chamar um dos funcionários que monitoravam os hóspedes, aquela árvore tinha frutos tão bonitos que não poderia deixar passar em branco. Amarrando os cabelos em um rabo de cavalo frouxo, ela tencionou gritar para alguém ajudá-la, quando algo aconteceu.
-Se está com dificuldades em alcançar os galhos mais altos, eu posso ajudá-la senhorita.
Aquela voz, bem ao pé de seu ouvido. As mãos quentes em sua cintura, segurando-a de maneira firme. A respiração que lhe causava arrepios no pescoço. Seria possível que além de ele povoar seus sonhos quando dormia, estava fazendo o mesmo com ela acordada? Afastou-se um passo e então se virou e quando o viu, quase caiu para trás de susto.
-Aiolos?
-Como vai, Melinda?
-O que... O que faz aqui?
-Recebi um convite do Sr. Milo Petraskiz para conhecer o resort... – ele disse, recolhendo a cesta que ela deixara no chão, tinha pêssegos até a metade – Ele me disse que eu precisava conhecer a estagiária que trabalha na cozinha daqui, e provar seu peixe com molho de ervas.
Melinda abriu a boca para dizer algo, mas calou-se, ainda sem saber muito bem o que dizer. Mas, pensava, Milo ia ter o que merecia depois quando o encontrasse! E Camus também, certeza que o francês também estava metido naquela brincadeira toda. Não que estivesse achando aquilo tudo ruim, de fato...
Mas também não imaginava que um dia o reencontraria, ainda mais ali, naquela ilha. Ainda tinha receio de como seria recebida depois de partir sem maiores explicações, deixando apenas uma carta de despedida para o rapaz.
-Aiolos, eu... – ela disse, encarando os olhos verdes dele, pareciam ainda mais brilhantes do que se lembrava - Eu acho que te devo uma explicação sobre o que fiz... Sobre esses cinco anos que passaram sem notícias ou o que fosse...
-Depois, Melinda... – ele disse, segurando a cesta apoiada em sua cintura com um braço, com o outro ele enlaçou a jovem – Nesse momento, eu preciso de outra coisa vinda de você...
Ao ouvir aquelas palavras, Melinda o encarou bem fundo e foi como se os anos não tivessem passado. Ainda havia ali todo carinho, todo afeto, todo cuidado que ele sempre lhe transmitiu... Todo amor que sonhava existir e poder vivenciar...
Sorrindo, ele a beijou, logo largando a cesta no chão para poder abraçar o corpo menor e trazê-la para mais perto de si... Para mais perto de seu coração.
De onde Melinda nunca havia se afastado, de fato.
Deixa sorrir
Teus traços são o meu melhor hotel
Deixa sentir
Tua voz é como leve cordel
Não vou fugir
Se em ti encontro meu pincel
Pra colorir, sorrir sem ser cruel
Náufrago, Majur
-x-x-x-x-x-x-
FIM
-x-x-x-x-x
*Le Cordon Bleu, famosa escola de culinária francesa, fundada em 1895 na cidade de Paris.
E agora Public Enemies acaba de vez! Sim, tinha que ser com diabético passando mal, tinha que ser com final feliz para Aiolos e Melinda!
Mas vamos aos agradecimentos finais da fic, muito obrigada a todos que leram e acompanharam desde o começo, tiveram medo, choraram, riram, ficaram com as taxas de glicose alta, quiseram se vingar... A fic foi para isso mesmo, para sua diversão e entretenimento!
E, as pessoas mais atentas devem ter percebido que eu estava há muitos anos sem escrever ou publicar algo novo, eu tinha perdido essa vontade, esse prazer que é contar uma história. Mas veio a pandemia, veio o homeoffice, veio a vida para ser ressignificada e cá estou resgatando antigos prazeres.
Pois é, fiquem atentos porque Public Enemies acabou, mas... A fic "Jähennemden" logo começará a ser postada no meu perfil! O título está escrito em turco-otomano e significa "Do inferno", aguardem...
Ah, antes que me esqueça... Aiolos e Melinda ainda me dão ideias, quem sabe um dia eu não retorne a este casal? O que acham? Um capítulo bônus, talvez?
