Notas do autor: Olá, sou nova no site como escritora. Essa fic Oc é sobre o time MINT e os desafios que eles vão passar no novo colegio de heaven. Maw é a personagem principal e apesar de ter tag do time rwby e etc, vamos ver eles somente em alguns capitulos a frente. O primeiro capitulo se passa antes do ataque em Vale.
Capitulo 1
Então vamos começar.
Meu nome é Maw, Maw Wald. Parece que estou escrevendo um diário ao ter que me apresentar assim, mas a resposta é não, não estou. Só tenho a mania de conversar comigo mesmo e vocês podem agradecer ao meu tio Koda por isso. De acordo com ele, conversar comigo mesma na cabeça poderia me ajudar com o "probleminha de socialização" que tenho. O que na maioria das vezes não ajuda, até porque a outra pessoa que estou conversando hipoteticamente falando sou eu mesma.
Olhei para as folhas da arvore balançando do lado de fora da minha janela.
Enfim, estou aqui enrolando, pois estou preste a iniciar uma nova aventura. Minha atual localização? Povoado de Wald. Um pequeno povoado construído no topo da arvores de uma floresta a 75km de Shion, no continente de Anima. Como vim parar aqui? Eu nasci aqui.
O povoado não era grande, havia 22 pessoas morando ali e cerca de umas 18 casas construídas e ligadas uma as outras por meio de escadas feito de madeira e cordas. Era um bom lugar para se morar, alto o bastante para evitar grimms terrestres, e escondido o suficiente para evitar nevermores, sphinx ou manticores. E como aquela área não tinha as estações do ano tão definidas não tínhamos muitos problemas durante o ano.
Wald tinha 3 Caçadores e 5 pupilos para proteger o lugar, eu estou inclusa nisso. Os três caçadores foram os responsáveis por iniciar aquele povoado no meio da floresta e mesmo após 25 anos de criação, o lugar tem permanecido intacto. Isso se deve ao fato da nossa localização que poucos conheciam, treinamento da população para se manterem calmos em situações de perigo e claro a equipe de caçadores que ali vivia.
Não tínhamos muitos contatos com o mundo a fora e a nossa educação era a educação básica, onde sabíamos ler e escrever. O máximo que chegávamos próximo de uma cidade era quando tínhamos que ir a Shion comprar alguns suprimentos, como sementes, dust e fazer a manutenção das armas. E após descobrir o meu semblance as viagens para Shion foram reduzidas por alguns anos.
Levantei-me e sentei na beirada da cama do meu quarto. Olhei para a minha bolsa preta que havia colocado algumas roupas e suprimentos lá dentro, ao lado dela estava minha arma, a Black Tip, apoiada na parede, ela era uma staff meio lança que virava um rifle, calibre 38, todo preto que tinha alguns detalhes cinza, que pareciam galhos de uma arvore se cruzando. Koda que havia me ajudado a criar aqueles detalhes e de acordo com ele, os galhos das arvores eram da cor prata. Então minha arma era preta com detalhes prateados.
— Maw está na hora de irmos — Disse Tod batendo na porta do meu quarto e interrompendo os meus pensamentos.
— Ok, estou indo — Respondi e peguei minha arma e destravei uma pequena trava que havia na extremidade oposta a ponta da lança. A staff se retraiu e ficou em um formato de tubo, encaixei-a no cinto da minha cintura, atrás das costas, de forma que o tubo ficasse na posição horizontal e me desse mais equilíbrio durante as corridas e escaladas. Sai do quarto e entrei no corredor da casa, pude ver Tod parado na porta da cozinha bebendo agua.
— Pronta? — Perguntou, fiz que sim com a cabeça. Saímos de casa e entramos na pequena varanda de madeira que havia ao redor de todas as casas ali. Uma brisa fria passou por entre as polpas das arvores fazendo nossos cabelos balançarem. Olhei em volta para as outras casas, todas elas eram feitas de madeira, cordas e algumas partes de metal, as luzes estavam acessas indicando que estava de fato de noite. Andamos até o elevador, o chão e o corrimão eram feitos de madeiras, entramos nele e Tod acenou para um dos guardas de plantão nos descer até o chão.
Ao chegarmos no chão, nos encontramos com Koda e Jean, os outros dois caçadores do povoado. Koda era alto, tinha cerca de 1,85m, ombros largos e cabelos pretos, tinha 52 anos, e usava um arco e flecha como armas, uma bandana cinza escura amarrada na testa, que impedia a franja de cair sobre os olhos, suas roupas eram um par de jeans surrado que ele não trocava por nada, uma camisa social preta e por cima um casaco verde escuro com gola alta. Ele era o líder do nosso povoado, Tod e Jean eram seus amigos de infância, e juntos decidiram deixar o conforto e os problemas de Mistral para iniciar uma nova vida aqui.
Tod era irmão gêmeo de Jean, os dois tinham cabelos cor de vinho, olhos castanhos claros e com 48 anos. Tod era alto assim como Koda, ele usava uma regata preta por baixo de um casaco verde escuro e jeans, sua arma era uma katana. Já Jean tinha os cabelos curtos, usava calças pretas, uma camisa vermelha escura e um casaco com capuz preto, ela não gostava de usar roupas verdes, mas por incrível que pareça ela conseguia se esconder na floresta muito bem e as suas armas era uma pistola adaga e um escudo.
O verdadeiro motivo deles terem deixado Mistral 25 anos atrás, foi que Tod havia sido incriminado por um assassinato que ele não havia cometido, porém todas as provas alegavam que ele era o culpado. Antes da polícia chegar em sua casa, Tod e Jean fugiram com a ajuda de Koda. Não muito tempo depois, após a esposa de Koda morrer de uma doença terminal, ele resolveu deixar Mistral e iniciar a vida em outro lugar, se encontrou com Jean e Tod em uma vila e os apresentou a ideia de iniciar um povoado. E aqui estamos.
— Tod e Jean ficam com a região Sul e Oeste. Maw fica com o Leste e eu vou para o Norte. Temos que encontrar e eliminar o grupo de ursa que estão rondando a área em 1 hora — Disse Koda, fizemos que sim com a cabeça e cada um foi para a direção indicada. Corri pela floresta em silencio e dei uma olhada para trás por cima do ombro, bem a tempo de ver Koda ativando o escudo de defesa e camuflagem ao redor do povoado.
— Um viva para tecnologia de Atlas — Comentei baixinho.
Corri por mais alguns minutos e parei quando escutei o som de um galho se quebrando. Puxei minha arma do cinto e ativei a black tip, olhei ao redor para um conjunto de arvores e esperei alguma coisa surgir, mas nada aconteceu. Dei um suspiro e voltei a andar pela floresta, não havia nada além das arvores e os sons de corujas.
Parei de andar quando vi uma raposa perseguindo um coelho a minha frente, a raposa me ignorou por completo e continuou a seguir o coelho que tentava desesperadamente fugir. Fiquei observando os dois correrem por um bom tempo, até que a raposa conseguiu agarrar uma das pernas do coelho. Na natureza sempre havia alguém mais forte no topo da cadeia alimentar.
Após isso voltei a andar e a cobrir um maior espaço de terra, o grupo de ursa deveria estar em algum lugar. Dei um suspiro entediada e tirei o capuz da minha cabeça, deixando os meus cabelos longos loiros aparecerem sobre os meus ombros, olhei para cima e observei os pontos brancos no céu piscarem. Koda sempre comentava como o céu noturno ali era bonito, mas eu não conseguia ver o que ele via.
Quando eu tinha 6 anos, meus pais me levaram em Mistral para fazer alguns exames oftalmológicos. Eles ficaram preocupados quando a professora do povoado disse que eu tinha problemas com as cores, que sempre falava os nomes das cores erradas e que basicamente tudo era preto, branco ou algum tom de cinza. Depois de vários exames, chegaram a conclusão que eu tinha acromatopsia genética, que era uma anomalia nos cones da retina que eram responsáveis pelo reconhecimento das cores, me impedindo de identificar cores além do preto, branco e cinza.
Além de não conseguir enxergar as cores, a minha visão durante o dia era horrível, mal poderia enxergar a palma da minha mão a minha frente devido a sensibilidade a luz. Então durante o dia, se fosse necessário fazer alguma atividade, eu costumava usar um óculos de proteção escuro e fechado nas laterais. Em contrapartida a minha visão noturna era ótima, tão boa quanto a de um animal noturno, e por conta disso eu era responsável por fazer a maioria dos trabalhos durante a noite.
Então era por isso que Koda descrevia as cores para mim, mesmo eu não tendo ideia de como elas poderiam ser. Por que um humano só sabe o que é azul, por que ele viu a cor e alguém disse que se chamava azul. Agora quando você enxerga tudo em tons de cinza, as coisas ficam mais complicadas. Mas não me incomodava quando descreviam as cores de algo, era divertido os ver falando com empolgação e também de tentar imaginar o que eles viam, mesmo não conseguindo.
Eu havia aprendido que o céu era azul durante o dia e o sol era amarelo, as folhas das arvores eram verdes e algumas vezes laranja, a grama e os arbustos também eram verdes, a madeira era da cor marrom. Que a cor do meu cabelo era amarelo ou loiro e que meus olhos eram verdes claros, que Jean e Tod tinham os cabelos da cor de vinho, que era vermelho escuro. Eu não poderia ver as cores originais, mas conseguia aprender os nomes e tentar associar com alguns tons de cinza. Por exemplo, o cabelo de Tod tinha uma cor mais escura que a madeira usada para construir as nossas casas, assim como o verde das folhas tinha um tom de cinza mais escuro que o amarelo.
As únicas coisas vivas que eram totalmente pretas eram os grimms, que de acordo com os caçadores eram seres malignos que deveriam ser destruídos antes que pudessem destruir a humanidade, e que esse era o motivo de existirem caçadores e as academias.
Vi uma luz piscando e olhei para o meu pulso esquerdo, era o comunicador. Apertei o botão para ouvir a mensagem.
— Missão cumprida galera, acabei de eliminar um grupo com 5 ursa, 4km ao oeste — Disse Jean.
— Bom trabalho Jean — Respondeu Koda.
— Poderia ter deixado um para mim — Falei guardando black tip no cinto.
— Olha só, alguém queria matar algo antes de ir embora — Disse Tod rindo em seguida.
— Quem sabe na próxima loirinha — Jean disse dando uma risada junto com o irmão.
— Vamos voltar para casa — Disse Koda.
— Okay — Respondemos todos juntos.
Voltei pelo caminho que havia vindo e cheguei na localização do povoado depois de alguns minutos, e fiquei olhando para as arvores grandes e densas a minha frente. O equipamento de defesa e camuflagem estava ativado, de forma que parecia que o lugar não tinha nada a não ser arvores por vários e vários metros, o que de fato era verdade. Escutei o som de passos a minha esquerda e vi Jean e Tod sorrindo.
— Como sempre a primeira a chegar – Disse Jean dando um tapinha no meu ombro.
— Nada de Koda? — Perguntou Tod olhando ao redor, quando eu estava preste a dizer que não, Koda apareceu entre os galhos de uma arvore e pousou no chão.
— Cheguei – Disse ficando em pé. — Todos bem?
— Sim – Disse Jean e Tod ao mesmo tempo e eu fiz que sim com a cabeça.
— Ótimo – Tirou o scroll do bolso e olhou as horas — Demoramos 40 min. Fomos mais rápidos que o previsto.
— Pelo menos vamos poder jantar mais cedo e ir deixar Maw em Shion sem nos apressarmos — Tod disse colocando a mão na cintura.
— Então vamos preparar o jantar de despedida — Disse Koda dando uma piscadinha para Tod e apertando um botão no scroll, que fez o dispositivo de defesa desativar. O dispositivo era como uma parede invisível que cercava todo o povoado, a área dele era como se fosse um quadrado, e cada lado desse quadrado podia ser ativado ou desativado individualmente.
A parede de camuflagem piscou uma luz azul e depois a floresta com as casas suspensas apareceram. O povoado como eu disse, era pequeno, tinha 18 casas de madeira. Cada uma delas tinha uma varanda ao redor, e a maioria tinham dois quartos, cozinha e banheiro. Havia 2 casas que possuíam um andar a mais, e ficavam em posições opostas e que serviam como posto de observação da floresta e do lago.
No meio das casas menores, havia uma casa central, que ficava na arvores mais densa e que possuía o maior tronco de todas ali. A casa tinha 3 quartos, que pertencia a Tod, Jean e Koda, porem o de Koda estava vazio, pois ele estava morando comigo em uma das casas menores. Além disso tinha uma cozinha larga com armários, geladeira e fogão elétricos. Nos vivíamos na floresta, mas não quer dizer que não éramos civilizados. Tínhamos motores geradores de energia e uma torre de comunicação, que serviam para ligar os nossos aparelhos eletrônicos, luzes das casas e manter contato com o mundo externo.
A cozinha era grande e tinha uma parte que se juntava com uma varanda, onde tinha uma mesa longa, cadeiras e bancos, para acomodar todos do povoado. A casa principal era utilizada para algumas reuniões, aniversários e datas especiais. Hoje, teríamos um jantar especial de despedida. A minha despedida.
O povoado Wald tinha algumas características diferentes de outros lugares. Aqui todos se conheciam e tinham deveres a serem cumpridos. Tinham pessoas responsáveis pela comida, agua, energia e tecnologia e defesa do lugar. Das 22 pessoas que moravam ali, nenhuma era criança, os mais jovens como eu, tinham acabado de fazer 16 anos, e o mais velho tinha 52 que era Koda. Todos sabiam atirar e matar grimms, mesmo que não fossem caçadores. Os únicos caçadores profissionais eram Koda, Tod e Jean, e eles ensinaram todos a se defender e a lutar.
O povoado era composto por pessoas que não queriam morar nas cidades, que tinham péssimos salários ou eram mal tratados pela sociedade por serem de cor ou raça diferentes. Tínhamos uma família de faunos, uma família de carpinteiros, um engenheiro de atlas, uma professora, um ex mercador de armas e pessoas comuns, como pescadores, mercadores de comida, pilotos e um artista de rua, todos eles tinham a aura desbloqueada e somente alguns tinham semblance.
A minha mãe era uma pessoa comum, trabalhava em uma livraria em mistral antes de se mudar para cá, já meu pai era ex militar de Atlas. O meu pai estava cansado de viver sobre as leis rígidas do exército de atlas e forjou a sua morte em um acidente durante uma missão em mistral. Meses depois, com uma nova identidade, ele conheceu minha mãe e logo se casaram. Abriram uma loja de equipamentos e revistas, e conheceram Koda quando ele foi comprar dust para ir em uma missão. Depois disso, Koda e meus pais ficaram amigos, e quando Tod foi incriminado pelo crime que não cometeu, meus pais entraram em contato com Koda e decidiram partir para o pequeno povoado que eles estavam construindo, visto que os negócios da loja não estavam tão bons e algumas pessoas reconheceram a identidade do meu pai.
Koda era um caçador de Vácuo, que se formou há 33 anos em Shade Academia, já Jean e Tod eram de Mistral e se formaram em Heaven academia há 29 anos, meu pai era ex militar de Atlas e havia se formado em atlas academia. Meu pai ajudou a treinar o restante das pessoas junto com Koda e os outros. Assim, devido ao estilo diferente de cada um, eles ensinaram o modo de lutar e técnicas de combate de cada reino.
Outra coisa interessante do nosso povoado era que todos tinham o mesmo sobrenome, não importa se você tinha vindo de Atlas ou vale, todos se chamavam Wald, que era o nome do nosso povoado. Assim como também todos tinham a tatuagem do povoado tatuada em alguma parte do corpo, geralmente era nos braços ou costas, a minha era na parte de cima do ombro direito.
— Maw, vamos— Disse Tod chamando a minha atenção, percebi que estava encarando as casas por alguns minutos e que eles já estavam parados no elevador me esperando. Andei rapidamente até eles e entrei no elevador. — Já está sentido saudades?
— Não — Respondi cruzando os braços e vendo o chão se afastar a medida que o elevador subia.
— Que tal você ir verificar se colocou tudo na mala e etc, enquanto preparamos o jantar? — Koda disse colocando a mão no meu ombro. Fiz que sim com a cabeça e ele deu um sorriso. — Certo, nós cuidamos da comida.
O elevador chegou ao topo, cumprimentamos o guarda que estava próximo e eu fui para a minha casa. Peguei uma das pontes de madeira e depois outra, até chegar em casa. A minha casa era pequena, tinha dois quartos, um banheiro uma cozinha e uma pequena sala de estar. Um dos quartos era meu e o outro era dos meus pais, mas Koda estava usando ele. Era um lugar simples se for comparar com as casas das cidades, a sala de estar tinha uma tv sobre uma mesa rack, um armário de livros, com vários livros que iam desde o primário á tecnologia modernas de atlas, um sofá feito de madeira e bambu, com almofadas para deixar mais macio. A cozinha era simples, uma geladeira, fogão, pia e uma mesa de 4 pessoas.
Passei pela sala de estar, entrei na cozinha e peguei um copo de agua da geladeira, fui bebendo a agua até chegar no quarto. Meu quarto era pequeno para não dizer o mínimo, do lado direito tinha a cama feito de madeira e um colchão em cima, a esquerda tinha a minha mesa de estudos, com alguns livros em cima e a foto dos meus pais em um quadro, tinha uma janela que dava de frente para uma ponte e também as polpas de uma arvore. No outro canto do quarto tinha um pequeno armário e um baú, onde eu guardava as roupas, dust e outros equipamentos.
Bebi toda a agua do copo e o coloquei sobre a mesa. Peguei a mala de mão do chão e a coloquei sobre a cama. Koda tinha dito para verificar se tinha pegado tudo, então eu iria checar se peguei. Comecei a tirar as coisas de dentro da mala e a colocar sobre a cama. Estava levando 2 pares de roupas, um cobertor, uma toalha, os materiais de higiene pessoal, carregador do scroll, dois livros, um sobre grimm e outro sobre os reinos e cidades, um mapa, foto dos meus pais e um com todo mundo do povoado, dust, balas para black tip e peças caso alguma peça quebrasse. Considerando tudo, a mala tinha pouca coisa, mas tinha tudo que eu precisava.
Peguei a foto dos meus pais, que era a mesma que estava no quadro sobre a mesa. Na foto estava meu pai com uma camisa social branca dobrada até o cotovelo e calças jeans, cabelo curto militar, Koda disse que os cabelos dele eram iguais aos meus, loiros, e os olhos dele assim como o da minha mãe eram verdes. Minha mãe estava usando um short e uma camisa de manga curta cinza escura, que Koda disse que era azul, os cabelos presos em um rabo de cavalo e no meio dos dois estava eu em pé com 5 anos de idade, usando um short preto, uma regata branca, e com cabelos curtos que chegavam até os ombros.
Olhei a foto do povoado, estavam todos felizes, com um copo de bebida ou um pedaço de comida nas mãos. A foto tinha sido tirada no ano novo do ano passado, quando tinha 15 anos. Eu estava do lado de Koda e Tod, com Koda me abraçando. Aquele tinha sido um bom ano, tínhamos bastante suprimentos, o lago tinha bastante peixe, houve poucos ataques de grimm aéreos, ninguém tinha tacado fogo na floresta e também conseguimos eliminar uma tribo de bandidos que descobriu nossa localização.
Guardei as duas fotos dentro do livro de grimms e olhei para as coisas em cima da cama. É, eu acho que tinha pegado tudo. Comecei a organizar as coisas dentro da mala e após colocar tudo de volta no lugar, deitei na cama e encarei o teto do quarto.
Tinha sido difícil fazer Koda e os outros me deixarem sair da vila, devido a minha semblance e também a minha personalidade. Aos 6 anos, durante uma viagem para mistral para mais um exame oftalmológico com meus pais, para fazer mais exames sobre a minha condição genética, a acromatopsia, a nossa nave foi atacada por um nevermore antigo. Meu pai, ex caçador não conseguiu matar ou despistar o nevermore, e como resultado a nossa nave caiu.
Durante a queda, minha mãe tentou me proteger tentando colocar o cinto de segurança em mim, porem teve uma explosão na lateral da nave, fazendo com que fossemos jogadas para o lado oposto da nave. Eu bati a cabeça no processo, vi destroços de ferro vindo na minha direção e lembro de ter desejado que algo pudesse me proteger daquilo antes de desmaiar. A próxima coisa que lembro era de estar no quarto de um hospital.
Quando acordei e consegui chamar uma enfermeira, os médicos vieram correndo, disseram que eu tinha estado em coma por 3 meses devido a um traumatismo craniano e uma lesão no cérebro, e que meus pais e o piloto não tinham sobrevivido. Os meus ferimentos no corpo não tinham sido tão graves como o da cabeça, por que milagrosamente durante o impacto da nave no chão, uma parte da lataria da nave havia me protegido contra destroços maiores. Mas eu tinha quebrado algumas costelas, um braço e uma perna.
Nas primeiras semanas depois que acordei, os médicos e os meus tios (Koda, Tod e Jean) perceberam que eu não estava demonstrando muitas emoções, como rir de uma simples piada ou até mesmo chorar ou ficar triste pela morte dos meus pais. Com isso eles decidiram fazer mais exames e testes com neurologistas, psicólogas e outros especialistas e no final descobriram que a lesão no meu cérebro tinha afetado a minha personalidade e também emoções.
Então onde antes havia uma criança que era extrovertida, empática e expressava diversas emoções, agora tinha uma criança introvertida, que não falava muito, com dificuldades de confiança e de entender os sentimentos pessoais e também de outras pessoas, assim como também certo grau de agressividade.
Não preciso dizer que os anos que se seguiram após o acidente foram difícil para todos do povoado. Tive que fazer acompanhamento psicológico por muitos meses e também a aprender a viver em sociedade. Com o tempo me ensinaram como eu deveria agir em diversas situações, o que era moralmente errado e certo na sociedade e também como controlar a minha agressividade. Descobriram com o tempo que eu não gostava de aceitar ordens de pessoas que não possuíam o mesmo nível de habilidades que eu ou que não tinham uma posição ou cargo superior, assim sendo, no povoado eu recebia ordens somente dos meus tios, pois eu tinha uma imagem na cabeça que eles eram os superiores daquele local.
Após um tempo depois que sai do hospital descobri a minha semblance, que era materialização, ou seja, eu poderia fazer um objeto aparecer do nada a partir do meu pensamento. Porém, esse poder tinha algumas limitações, uma delas era que eu não conseguia criar vida, ou seja eu não conseguia materializar animal e plantas sem que eles estivessem mortos, e não poderia materializar coisas que não existiam. Outra coisa era que eu só poderia usar o meu poder desde que eu tocasse a minha mão esquerda em alguma parte do meu corpo, eu não sabia o motivo e nem o porquê, mas desde o acidente, uma marca similar a uma queimadura em formato de triangulo apareceu na palma e no dorso na minha mão esquerda, os triângulos tinham as suas pontas apontadas em direção opostas.
Ao perguntar dos médicos como aquilo poderia ter acontecido, eles também não faziam ideia. Na minha mente, os deuses tinham me dado aquele semblance por acaso, mas como era uma habilidade muito grande, decidiram fazer eu perder a minha personalidade e capacidade emocional para ter um equilíbrio no universo e mostrar que nada no mundo poderia ser perfeito. Eu não sabia dizer se essa decisão tinha sido sábia, afinal agora que eu não ligava para nada, eu poderia muito bem usar o meu poder para o mal.
Contudo, Koda, os médicos e o restante do povoado fizeram um bom trabalho na minha criação, de forma que apesar de eu não ser a pessoa mais moralmente existente no mundo, eles tinham conseguido me fazer ser uma pessoa relativamente boa e com alguns princípios. Alguns desses princípios eram: não matar a menos que a pessoa faça algo de errado, não roubar, até porque eu não iria precisar por causa do semblance, não cometer nenhum tipo de racismo ou preconceito, não assediar ninguém, respeitar os mais velhos, exceto se eles forem babacas, proteger mulheres e crianças, e usar a materialização somente se necessário e somente para coisa boas.
Com o tempo meus tios perceberam que eu tinha muita facilidade de aprendizado e resolveram investir nas minhas habilidades. Me ensinaram combate corpo a corpo, combate de médio e longo alcance, assim como a usar uma pistola, arco e flecha, espadas, katanas, adagas e rifles. Koda me ajudou a treinar o meu semblance, comprou revistas de equipamento de atlas e armas, revistas e livros de arquitetura e engenharia, para eu ter o máximo de conhecimento sobre coisas que existiam e como criar elas.
Me ensinaram a sempre proteger a minha mão esquerda e também evitar ao máximo que outras pessoas soubessem como funcionava meu semblance. Para ajudar a disfarçar as marcas na minha mão, resolvemos cobri-las com uma tatuagem e usar luvas, então mesmo que alguém visse a minha mão esquerda, pensaria que era só uma tatuagem normal e sem criatividade. Outro detalhe da minha semblance era que ela usava muita aura dependendo dos objetos que eu criava. Por exemplo, se fosse algo grande como um carro ou uma nave, a minha aura caía para 75%, agora se fosse objetos pequenos como várias garrafas de agua, a minha aura caía para 94%.
Os meus tios contavam diversas histórias sobre quando eles moravam em vácuo e em mistral, e de como eram as suas missões do tempo de colégio. Devido a isso, fui pegando gosto pela vida de caçador e depois de um tempo decidi que queria entrar também para um dos colégios. Demorou muito para conseguir a permissão deles, mas aceitaram ao ver pela primeira vez que eu tinha desejo e empolgação por alguma coisa. Então como eu não tinha decidido qual escola entrar, resolvi que deveria conhecer os reinos e os colégios antes de submeter alguma inscrição. E esse era o motivo de eu estar deixando a vila e estar recebendo um jantar de despedida.
Alguém bateu na porta do meu quarto, me fazendo retornar ao mundo real e eu me sentei na cama.
—Sim?
— O jantar está pronto — Disse Koda abrindo a porta, olhou para a mala que estava ao meu lado na cama — Pegou tudo? Pois depois do jantar vamos pegar a nave para Shion.
— Sim, peguei tudo que eu precisava — Respondi ficando em pé e indo em direção a porta.
— Certo então vamos.
Seguimos para a casa principal, todos do povoado estavam lá. Cumprimentei os adultos e os outros adolescentes do grupo, conversamos sobre como tinha sido o dia, a professora e Koda me deram sermão sobre como eu deveria me comportar nas cidades e evitar problemas, lembraram de alguns momentos bons que tínhamos passado durante os últimos dias, Ross o artista de rua do grupo, tocou uma música no seu violão e com isso comemos e bebemos durante a noite calma.
Depois do jantar peguei a minha mala e me despedi de todo mundo, Koda me levou até shion na nave que tínhamos (que eu tinha materializado). Dei um suspiro ao ver as arvores que ficava Wald sumirem conforme nos distanciávamos, muito provavelmente eu não voltaria tão cedo ali e tenho que dizer que lá no fundo eu iria sentir falta daquele lugar.
